quinta-feira, 22 de setembro de 2022

O achado da recém nascida Maria, em Capelins

  O achado da recém nascida Maria, em Capelins 


Como habitualmente, o Regedor da Paróquia de Capelins, no dia 22 de Outubro de 1837, levantou-se bem cedo, preparou-se para se fazer à vida e sai de sua casa ainda sem se ver um palmo à frente dos olhos, mas não foi preciso ver muito para imediatamente fazer um achado junto à sua porta, quando foi observar o pequeno vulto que tinha junto a seus pés descobriu uma linda menina. E agora? Sem ninguém à vista, pegou na inocente e levou-a para casa a mostrar à sua mulher o tão importante achado. E agora? pergunta a mulher! Agora é nossa, não a achei? Não aparece ninguém na rua, nem ouvi nada! E quem são os pais? São incógnitos não? Está resolvido e cala-te, logo vou já batizá-la e vamos chamar-lhe Maria, o nome de Nossa Senhora! Trata dela, dá-lhe leite ou que quiseres, veste-lhe lá alguma coisa que aí tenhas para ir já batizá-la com o meu Escrivão.
Assim que nasceu o dia, o Regedor chama o seu fiel escrivão o Senhor António Rodrigues Minino e conta-lhe do achado naquela madrugada! E agora? perguntou os fiel Escrivão! Agora vamos batizá-la e é já hoje, mesmo agora!
Lá vão os dois a caminho de Santo António, chegam e batem à porta da casa do Pároco, António Laurentino Sopa Godinho, a casa ao lado da Igreja de Santo António, este já estava levantado, mas ainda ensonado. Quem é? a uma hora destas! Sou eu, Padre Laurentino, o Regedor. Eh lá! acordou logo. Mau, coisa boa não é! O que quer este a esta hora... pensou o Padre Laurentino! Já vou abrir a porta! Quando abriu a porta da casa Paroquial o Padre Laurentino, não se apercebeu logo o que levava o Regedor nos braços! Diz-lhe este: Padre Laurentino, olhe o que eu achei em Capelins de Cima! E mostra-lhe a bebé, o Padre ficou atónito, por fim exclamou: E agora? Agora venho batizá-la. E quem são os pais? São incógnitos, não? E os Padrinhos? Então, os Padrinhos sou eu e aqui o meu Escrivão! Está tudo bem! vamos lá para a Igreja, que eu estou com pressa! Sendo assim, é só vestir-me! Diz o Pároco.
Entram na Igreja, faz o batismo e escreve este assento:
"Em os doze dias, digo vinte e dois dias d' Outubro de mil oitocentos e trinta e sete annos n' esta Parochial Igreja de Stº António de Capellins termo de Terena Arcebispado d' Évora baptizei solenemente, e puz os Stºs oleos a Maria filha de Pais incógnitos que me foi apresentada pelo Regedor d' esta Parochia Vicente Rodrigues Lourenço, que foi della Padrinho e o seu Escrivão António Rodrigues Minino moradores em Capellins de Sima desta freguezia e para constar fiz este termo que asignei em dia, mez e anno ut supra.
O Parocho: António Laurentino Sopa Godinho" 
A seguir o Paroco António Laurentino, puxou a porta da Igreja de Santo António e foi fazer e comer o almoço (pequeno almoço) e a Maria já baptizada foi para casa do Regedor em Capellins de Cima, onde foi criada como filha legítima e até hoje nunca se soube quem eram os verdadeiros pais dela.

Tudo isto é verídico e segue o assento desse batismo. 

Fim 

Texto: Correia Manuel





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