sábado, 3 de outubro de 2026

As tradicionais enxadas, enxadões e sachos, na Freguesia de Capelins

As tradicionais enxadas, enxadões e sachos, na Freguesia de Capelins

As enxadas, enxadões e sachos eram/são ferramentas manuais milenares, essenciais nos trabalhos rurais, como agrícolas, hortícolas e outros.

As enxadas, enxadões e sachos, eram ferramentas feitas por artesãos ferreiros, que usavam ferro forjado ou batido, ou aço que lhes garantiam grande durabilidade e resistência, e tinham um cabo de madeira bem talhado com mais de um metro de comprimento, neste caso, o cabo era ao gosto de cada pessoa, quanto mais curto, mais tinha de dobrar as costas, mas também não dava jeito ser muito comprido.

As enxadas eram/são de diversas dimensões, embora, todas do mesmo formato, eram retangulares, com o olho, ou seja, o lugar onde fixavam o cabo no topo ao centro, e a parte oposta, era ligeiramente curva e afiada para cavar e entrar melhor na terra. 

Os enxadões eram/são semelhantes às enxadas, geralmente eram mais pequenos, mas mais pesados e robustos, usados em algumas terras mais duras, ou seja, mais apertadas, que exigiam maior impacto para romper a terra.

Os sachos eram/são diferentes das ferramentas anteriores, na dimensão, no peso, e no formato, embora o seu fim fosse o mesmo, era muito usado por mulheres na monda do trigo, de um lado tinham uma pequena enxada e do outro uma pequena extensão terminada em bico, para picar a terra, ficando o olho ao meio, onde encaixava o cabo de madeira.

Em quase todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam enxadas, enxadões e sachos, porque faziam falta a quem tinha algum pedaço de terra, onde semeavam batatas, alhos, couves, alfaces e outros produtos hortícolas e, geralmente tinham de começar por cavar a terra com uma enxada ou um enxadão, mas depois tinham de cavar e mondar as hortaliças e os alhos com um sacho para não os danificarem, devido à pouca distância entre as plantas, tal como era o caso na monda das searas.

Também nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins existiam muitas enxadas, enxadões e sachos para vários trabalhos na terra, principalmente para cavar as hortas que todos tinham, logo, uma simples enxada dava de comer a muita gente, e tinham muitos sachos para a monda das searas, embora as mondadeiras tivessem de levar o seu próprio sacho.

As enxadas, enxadões e sachos, são um símbolo do património etnográfico, histórico e cultural na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Enxada, enxadão, sacho e outros

Fotografia de: José Pessoa, da Vila de Terena



Os tradicionais arados e charruas, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais arados e charruas, na Freguesia de Capelins

Os arados e as charruas eram/são alfaias agrícolas tradicionais, usadas para lavrar e revirar a terra, antes, e nas sementeiras de cereais no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os arados tradicionais têm origem milenar, a sua estrutura era feita de madeira, havia o arado de pau, com uma relha rudimentar para lavrar a terra, mas ao longo dos séculos foi evoluindo.

As charruas, eram mais robustas que os arados, com uma relha de ferro resistente e uma aiveca projetada para revolver a terra profundamente, permitindo também soterrar estrume e fertilizantes orgânicos com maior eficácia, tinham uma pega atrás, a que chamavam rabicha com o cabo em madeira, para ser conduzida e uma roda à frente que ajudava na sua condução e controlava a profundidade da lavoura.

Os arados e as charruas eram puxados por juntas de bois, vacas ou bestas, burros ou cavalos, e podia ser apenas um animal a puxar ou uma parelha, sempre guiados por um homem, ou por dois, um à frente e outro atrás quando eram ensinados ou domados, porque havia regras que tinham de ser cumpridas, como por exemplo, quando eram dois animais a puxar o arado ou a charrua, o do lado da lavoura tinha de seguir por dentro do último rego e o outro por fora, mas se fosse apenas um, seguia por fora, mas sempre junto ao último rego, quando chegavam ao fim do rego, tinham de destravar a aiveca e voltá-la para o outro lado, para na volta continuar a virar a terra para o mesmo lado da terra já lavrada.

Tradicionalmente, utilizavam o arado para as sementeiras, quando as terras já estavam trabalhadas, porque eram mais leves, enquanto a charrua era reservada para lavouras mais profundas e exigentes, principalmente nas primeiras lavouras dos pousios a que chamavam o alqueve.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam muitos seareiros, e todos tinham as suas alfaias agrícolas, logo, arados e charruas,  mas nos Montes e  herdades da Freguesia de Capelins, existiam às centenas de todas as dimensões, para serem puxadas por bois e por muares.

Os arados e charruas tradicionais, são património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Charrua

Fotografia: Correia Manuel 




quinta-feira, 1 de outubro de 2026

As tradicionais balanças decimais, na Freguesia de Capelins

As tradicionais balanças decimais, na Freguesia de Capelins 

As balanças decimais eram/são instrumentos de pesagem, usados para pesar os cereais em sacos, assim como, azeitona, bolota, farinha, animais, e outros produtos da agro pecuária.

As balanças decimais eram feitas em madeira e algum ferro, por artesãos carpinteiros especializados, eram compradas nas Feiras da região e funcionavam num sistema de alavancas de braços desiguais, onde o peso da carga era colocada atrás no chamado estrado, que era, exatamente dez vezes maior do que os pesos de aferição, ou seja, era/é decimal devido à proporção ser de um quilograma no prato à frente da balança, para dez quilogramas atrás, no estrado.

As balanças decimais surgiram em 1820, mas a esta região só chegaram nos finais desse decénio, antes delas, existiam as balanças romanas para pesagem de cargas mais volumosas, mas além de não serem tão precisas, eram muito difíceis de transportar devido ao seu peso, a maior parte era de ferro.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam balanças decimais nas casas da maioria dos seareiros que, as tinham ao dispor dos familiares, vizinhos e amigos, onde recorriam para pesar quaisquer produtos que compravam ou vendiam e para controlar o seu próprio peso e, quando alguém se ia pesar, toda a gente que por ali estava, não resistia a fazer o mesmo, havendo sempre  apostas sobre quanto cada um pesava e quem acertava ficava muito orgulhoso, a pesagem do pessoal era sempre um grande momento de convívio entre todos, e como noutros tempos, a gordura era formosura, quanto mais gordo/a mais ufano/a ficava.

 As balanças decimais tinham uma engrenagem que, facilmente descarrilava e depois já não funcionava, por isso, as pessoas tinham de subir para o estrado da balança, ou colocar as cargas no estrado com muito cuidado, para não a desencaixar, senão tinham de tirar tudo, encaixar a engrenagem, e voltar a meter a carga a pesar.

Nos Montes das herdades na Freguesia de Capelins, não faltavam balanças decimais, alguns tinham mais do que uma, porque havia sempre coisas para vender, ou comprar e tinham de ser pesadas.

As balanças decimais, fazem parte do património histórico cultural, da Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: internet - Artbid 




quarta-feira, 30 de setembro de 2026

As tradicionais peneiras da farinha do pão, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais peneiras da farinha do pão, na Freguesia de Capelins 

As peneiras de farinha eram aros de madeira com uma base de rede fina, usadas à mão ou numa armação de madeira, para peneirar a farinha antes de ser amassada para o pão.

As peneiras de farinha eram peças artesanais feitas por artesãos carpinteiros e tinham várias dimensões, noutros tempos a sua base era malha de rede de fibras naturais ou seda e só mais tarde surgiu a rede de arame.

Para separar o farelo, que era a casca do trigo e grumos, da farinha com a peneira era preciso muito movimento de braços e do corpo, que combinava em rodar ou girar a farinha em circulo em redondo, bater e atirar a farinha de um lado para o outro e sacudir, mas esse trabalho custava muito, por isso, existia uma armação de madeira feita com ripas, duas mais cumpridas e duas pregadas nas extremidades dessas na perpendicular, era colocada sobre o alguidar, e a peneira era encaixada e empurrada para a frente e puxada para trás com rapidez e a farinha ia caindo no alguidar e a peneira com os restos só era batida ou sacudida no fim, já com pouco peso, isso ajudava muito na tarefa, principalmente à rapaziada, era um dos trabalhos do Escamel, mas nem toda a gente gostava desse apoio e preferiam peneirar à força dos braços.

Em quase todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam várias peneiras, porque não podiam fazer cozeduras de pão sem peneirar a farinha, sendo uma peça do ciclo do pão que a maioria dos casais levavam quando casavam.

As peneiras de farinha, são um simbolo do património etnográfico, histórico e cultural na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel 

Peneiras da farinha para pão 




terça-feira, 29 de setembro de 2026

As tradicionais pás de tender o pão, na Freguesia de Capelins

As tradicionais pás de tender o pão, na Freguesia de Capelins

Uma pá de tender o pão, era/é um utensílio icónico, usado na Freguesia de Capelins, assim como, em todo o Alentejo, que fazia parte do ciclo do pão caseiro.

A pá de tender, era uma peça artesanal feita de madeira maciça por artesãos carpinteiros, a partir de uma tábua com cerca de um metro de comprimento, por vinte e cinco centímetros de largura, mas podiam ter outras dimensões, podendo ser uma das extremidades da pá, perfeitamente redonda, oval ou retangular com os cantos arredondados.

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, havia pás de tender o pão, as quais, também serviam para outros fins, como para estender em cima delas a massa de bolos caseiros, ou serviam como base para cortar ou picar a carne de porco nas matanças, para os enchidos e outros fins, era um utensílio que a maioria dos casais levavam quando casavam.

A designação de tábua ou pá de tender, deve-se ao facto da sua utilidade principal ser a de nelas tenderem o pão, que era um ato artesanal que consistia em cortar a massa em pequenas porções, após levedar ou fintar no alguidar, depois tinham de polvilhar a pá de tender com farinha para a massa não agarrar, a seguir estendê-la e moldá-la com as mãos até ela ganhar o formato final do pão e passá-lo para o tabuleiro de madeira para, passadas cerca de duas horas, ser transportado para o forno, para ser cozido. 

As pás de tender, fazem parte do património histórico cultural, da Freguesia de Capelins

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Pá de tender o pão 




segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Os tradicionais tabuleiros de madeira para o pão, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais tabuleiros de madeira para o pão, na Freguesia de Capelins

Um tabuleiro de madeira para o pão, era uma peça icónica do artesanato e do quotidiano rural, usada antigamente na Freguesia de Capelins, assim como, em todo o Alentejo, que fazia parte do ciclo do pão caseiro.

Os tradicionais tabuleiros, eram feitos por artesãos carpinteiros, em madeira robusta, porque alguns tinham de suportar muito peso, até vinte quilogramas ou mais, uma vez que, cada pão caseiro podia pesar à volta de dois quilogramas e as cozeduras eram de oito a dez pães de cada vez, os tabuleiros tinham diversas dimensões, eram retangulares com cerca de um metro e vinte de comprimento, por quarenta centímetros de largura e com dez a quinze centímetros de altura, sendo as tábuas laterais do lado do comprimento um pouco inclinadas, onde os pães depois de cozidos ficavam encostados formando filas paralelas.

Em quase todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos e nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, onde faziam grandes cozeduras de pão, porque a maioria dos criados andavam a trabalhar a de comer e era preciso muito pão, existiam vários tabuleiros de madeira.

O tabuleiro de madeira, era uma peça que fazia parte dos utensílios que os casais levavam quando casavam, e serviam para dispor o pão em massa, depois de ser tendido ou moldado e de levedar ou fintar, mas esse processo continuava dentro deles até serem transportados para o forno para cozer, mas para evitar que a massa se agarrasse ao tabuleiro e para ajudar a manter a temperatura durante o resto do processo da levedura, o tabuleiro era forrado com um pano de algodão chamado de panal, depois de cozidos, os pães eram colocados, novamente no tabuleiro, tapados com o panal branco à medida do tabuleiro e lá ficavam, enquanto eram consumidos durante uns oito dias, ou seja, até à próxima amassadura ou fornada.

Os tabuleiros de madeira, também eram usados para receber parte das carnes dos porcos e as visceras, quando das matanças, e muitas vezes eram levados à cabeça das mulheres, com as tripas dos porcos para serem lavadas nos Ribeiros ou na Ribeira de Lucefécit.

Os tabuleiros de madeira, fazem parte do património histórico cultural da Freguesia de Capelins. 

Fim

Texto: Correia Manuel 

Fotografias: José Pessoa 

Tabuleiros de madeira




















domingo, 27 de setembro de 2026

Os tradicionais alguidares de barro, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais alguidares de barro, na Freguesia de Capelins

Um alguidar de barro era/é uma vasilha icónica muito usada, antigamente na Freguesia de Capelins, assim como, em todo o Alentejo, para vários fins. 

Os tradicionais alguidares de barro, eram/são peças de artesanato emblemáticas, neste caso, das olarias da Vila de Redondo, profundamente ligadas à história e ao quotidiano rural, o barro usado era especial, escolhido e preparado pelos artesãos oleiros, até ficar macio e elástico para ser moldado em vários tamanhos, conforme as peças a fazer, no caso dos alguidares, o seu feitio era igual, só diferiam no tamanho, depois de moldados ficavam a secar, até passarem para um forno a lenha onde eram cozidos a altas temperaturas, estes alguidares eram vidrados e alguns com relevos no interior.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, toda a gente tinha alguidares de barro, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, os quais, faziam muita falta, sendo usados para amassar a farinha e tratar a massa para fazerem o pão caseiro, e para picar, temperar e preparar a carne dos porcos nas matanças, e também serviam para lavar roupa, louças da casa, lavar alimentos, para tomar banho, principalmente as crianças, e outras lides diárias, sendo um dos elementos, maior, ou mais pequeno, que fazia parte dos utensílios que os casais levavam para casa quando casavam.

Os alguidares de barro eram comprados à porta de casa, aos almocreves de Redondo, aos quais, chamavam louceiros, que os transportavam nos burros, dentro de alforges acomodados no meio de palha para os proteger contra algum choque inesperado, que os podia partir.

Os tradicionais alguidares de barro, fazem parte do património histórico cultural da Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel 

Alguidar transformado em vaso de flores





















































As tradicionais enxadas, enxadões e sachos, na Freguesia de Capelins

As tradicionais enxadas, enxadões e sachos, na Freguesia de Capelins As enxadas, enxadões e sachos eram/são ferramentas manuais milenares, e...