quinta-feira, 29 de outubro de 2026

As tradicionais, pá de ferro, picareta e alvião, na Freguesia de Capelins

As tradicionais, pá de ferro, picareta e alvião, na Freguesia de Capelins 

A pá de ferro, a picareta e o alvião, eram/são ferramentas manuais clássicas e pesadas, usadas na agricultura e trabalhos rurais no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

A pá de ferro, a picareta e o alvião eram feitos em ferro por artesãos ferreiros especializados, com cabos compridos de madeira, e cada uma destas peças tinha funções específicas, conforme o trabalho que os trabalhadores tinham de fazer, assim:

A pá de ferro, servia/serve para carregar, levantar e mover terra solta, areia, entulho e outros materiais após a terra ser revolvida.

A Picareta, era/é muito pesada, e tinha/tem duas extremidades, uma para cada lado do olho, onde entra o cabo,  de um lado termina em bico e no outro em  talhadeira, servindo para quebrar rochas, pedras duras, e terra muito dura misturada com rochas..

O Alvião, também muito pesado, funcionava/funciona como um enxadão numa extremidade e como um machado na outra, ou seja, de um lado era/é para cavar, soltar terra dura, e do outro cortava/corta raízes de árvores e arbustos, sendo usado em terrenos difíceis, mas com menos pedras, que dispensavam uma picareta.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, nem todas as casas tinham estas três ferramentas, porque nem todas faziam muita falta, quando algum seareiro precisava de desmoitar, o mesmo que arrancar alguma árvore sêca, carrasqueiras ou piorneiras, nas suas courelas, pedia o alvião emprestado a algum compadre, familiar ou vizinho, já a pá e a picareta, quase toda a gente tinha, embora, nas herdades da Freguesia de Capelins, os lavradores tivessem essas ferramentas, e eram eles que as forneciam aos seus trabalhadores.

Os ancestrais contavam peripécias sobre as picaretas, como o clássico engano à rapaziada, os mais velhos pediam-lhes para irem a buscar a pedra de amolar as picaretas junto de outro trabalhador a alguma distância, esse colocava uma grande pedra dentro de um saco de serapilheira e carregava o rapaz que ia abanando com muito peso às costas, até onde estava o homem que tinha feito o pedido, depois, era uma grande barrigada de rir. Outra situação era quando o tempo estava muito agreste, adivinhando-se um dia de verão muito quente, os mais velhos diziam, que tinham de se meter em casa, porque iam cair picaretas em brasa, uma forma de dizer que seria um dia abrasador, comparando o calor que esperavam, com a dureza do trabalho feito com a picareta.

A pá de ferro, a picareta e o alvião, são símbolos do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografias: Internet 



 

























quarta-feira, 28 de outubro de 2026

As tradicionais esculateiras ou cafeteiras, na Freguesia de Capelins

As tradicionais esculateiras ou cafeteiras, na Freguesia de Capelins

As tradicionais esculateiras, ou cafeteiras, eram um utensílio em barro, muito usadas no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

As esculateiras tradicionais eram feitas de barro por artesãos oleiros, da Aldeia de São Pedro do Corval ou da Vila de Redondo, eram semelhantes a panelas, mas com o corpo mais esguio e com um bicado, mais tarde, surgiram as de ferro esmaltado e de outros metais e, serviam para ferver água ao lume de chão e para fazer o  café da brasa.

As esculateiras tradicionais, mais do que o utensílio em si, permitiam desenvolver um processo único de preparação do café com brasa, cujo pormenor mais fascinante dessa tradição ocorria quando a água começava a ferver, para evitar que o café transbordasse e, acima de tudo, para fazer assentar as borras, rapidamente no fundo da esculateira, os ancestrais pegavam com um alicate, uma brasa acesa do próprio lume, assopravam a cinza e deitavam-na diretamente para dentro da cafeteira que, fazia elevar o café numa fervura que por vezes saía da esculateira, mas eram tomadas medidas para isso não acontecer, soprando a fervura e arredando a esculateira, depois tinham de esperar um pouco para o pó do café assentar no fundo da esculateira e só então era servido simples ou com uma pinga de leite, este choque térmico purificava a bebida, deixando o café limpo, muito aromático e com um toque fumado inconfundível, era o segredo da brasa, depois acompanhava fatias de pão frito ou pão com conduto, queijo ou outro, pelo que, as tradicionais esculateiras ou cafeteiras fazem parte de um ritual, profundamente enraizado na identidade e no quotidiano da cultura da Freguesia de Capelins.

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existia uma esculateira, porque toda a gente gostava do café da brasa, assim como, em todos os Montes das herdades da Freguesia de Capelins, porque os lavradores e alguns criados, não dispensavam o seu café da brasa, algumas vezes junto às migas.

As esculateiras, são um símbolo do património etnográfico, histórico  cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel

Esculateira de barro




terça-feira, 27 de outubro de 2026

A tradicional estanheira, na Freguesia de Capelins

 A tradicional estanheira, na Freguesia de Capelins 

A estanheira, era/é um móvel tradicional de parede, típico das cozinhas antigas do Alentejo e, neste caso, da Freguesia de Capelins.

A estanheira, também chamada de escaparate em algumas regiões do Alentejo, era feita de madeira, por artesãos carpinteiros, era tipo uma estante rústica fixada na parede, destinada a expor e guardar louça como pratos, chávenas e outras peças, e tinham várias dimensões, muitas vezes pintada de cores rústicas, com calhas ou ripas horizontais para que os pratos ficassem seguros em pé e bem visíveis.

O seu nome deriva diretamente de estanho, porque noutros tempos,  as estanheiras eram feitas especificamente para exibir os pratos, travessas e panelas de estanho da casa, com posses, que eram polidos até brilharem.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em quase todas as casas existiam estanheiras, porque além da função decorativa, tinham a vantagem de manter os utensílios à mão e organizados, fazendo parte dos móveis que alguns noivos levavam quando casavam, também em todos os Montes dos lavradores das herdades da Freguesia de Capelins, existiam várias estanheiras como elementos centrais da decoração da cozinha do Monte, porque mais do que um simples móvel de arrumação, a estanheira funcionava como uma peça de orgulho familiar e nela expunham as melhores louças para as visitas verem.

Os ancestrais contavam algumas peripécias, que aconteciam com estes móveis rústicos,  de vez em quando ouvia-se que, uma estanheira se tinha ido abaixo, e dava-se, o inevitável grande terramoto da loiça, como a estanheira era um orgulho da dona da casa, estava tudo muito bem alinhado e bem carregada, mas bastava um gato assanhado saltar-lhe em cima, um prego velho ceder na parede ou um bater de porta mais violento para gerar um autêntico desastre doméstico, com pratos a rolarem e a partir pelo chão das cozinhas, causando, naturalmente algum desgosto.

A estanheira, é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Estanheira




segunda-feira, 26 de outubro de 2026

O tradicional lenço do chapéu, na Freguesia de Capelins

 O tradicional lenço do chapéu, na Freguesia de Capelins 

Os tradicionais lenços de chapéus, faziam parte da indumentária dos trabalhadores rurais no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os lenços de chapéus eram feitos de algodão ou de tecido fresco, e comprados à porta de casa, aos vendedores a que chamavam barateiros, ou nas Feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba e, eram usados pelos trabalhadores rurais, nas ceifas, no carrego dos cereais para as eiras,  na debulha nas eiras, para proteção contra os insetos, mosquitos, moscas, abelhas e outros, mas principalmente do forte calor  do sol, para enxugar o suor do rosto e proteger a nuca e o pescoço, os homens usavam o chapéu de abas copa preta na cabeça que, prendia o dito lenço e lhe dava o nome.

Os trabalhadores das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, assim como, os das herdades da Freguesia de Capelins, tinham todos lenços, para usar debaixo dos chapéus, nos dias muito quentes de verão.

O lenço de chapéu foi usado desde sempre, por quem tinha de aguentar a dureza dos trabalhos do campo, mas servia para muito mais do que isso, os ancestrais contavam que, nas tardes do mês de Agosto, quando se levantava o vento suão, uma aragem vinda do leste, do deserto do Saara, pior do que o sol, queimava como lavaredas e, até cortava a respiração, a sua salvação era o lenço do chapéu, que lhes abrigava o rosto, as orelhas e o pescoço e, quando à tardinha a aragem começava a ser mais fresca, tiravam o lenço, dobravam-no com jeito e respeito e guardavam-no no bolso das calças, ou ficava atado ao pescoço, ou num lugar seguro, com muito cuidado, não o podiam perder, porque sabiam que no dia seguinte, não podiam passar sem ele.

As mulheres da Freguesia de Capelins, também usavam lenços, todo o ano, mas não eram chamados lenços de chapéu, mas da cabeça, os lenços que usavam no trabalho do campo, geralmente eram escuros, ou pretos, no caso de luto, eram diferentes dos que usavam no dia a dia que, podiam ser de várias cores e diversos padrões.

O lenço de chapéu, é um símbolo etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Internet

Lenço de chapéu



domingo, 25 de outubro de 2026

Os tradicionais lavatórios de ferro, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais lavatórios de ferro, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais lavatórios de ferro, eram peças fundamentais do mobiliário de antigamente, situados habitualmente nos quartos ou junto às zonas de dormir, usados no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os tradicionais lavatórios eram uma armação ou suporte em ferro forjado, feitos por artesãos ferreiros especializados e, eram de muitas dimensões e feitios com diversos braços ou arcos na parte superior, com espaço próprio para pendurar a toalha de rosto ou até um espelho basculante para as pessoas se comporem, pentear, cortar a barba e ver a sua figura ao levantar da cama e, assim, poder dar um jeito, de maneira a ficar com a melhor apresentação possível quando desse de caras com a rua e com quem por ela passava.

Do conjunto do lavatório fazia parte uma bacia, um balde por baixo para receber a água suja e um jarro com a água limpa, frequentemente de metal esmaltado decorado com motivos florais, ou de faiança, louça portuguesa clássica, e a bacia o jarro e o balde a condizer. 

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existia o conjunto do lavatório de ferro, sendo, geralmente mais humildes, muito simples, mas funcionais, a bacia, o balde e o jarro eram de esmalte, ou de ferro e latão, enquanto que, nos Montes dos lavradores das herdades da Freguesia de Capelins, de maiores posses, podiam integrar pequenos toucadores ou conjuntos de louça mais trabalhados.

Os tradicionais lavatórios de ferro, serviam para a lavagem matinal do rosto, das mãos ou para pequenos cuidados de asseio, até aos decénios de 1970/80, antes de existir saneamento básico e casas de banho nesta Freguesia. 

Os ancestrais contavam que, acontecia, muitas vezes, o mesmo tipo de acidente nos quartos, com os lavatórios de ferro, quando o balde que ficava por baixo da bacia, para receber a água suja  já estava cheio e, continuavam a despejar a água da bacia, ela corria pelo chão do quarto, e por vezes, só davam por isso, quando a água já corria por baixo da porta para a rua, depois se acontecia com a rapaziada, havia acerto de contas, e se fosse com adultos, havia desabafos impróprios, porque calhava sempre às mulheres a limpar a água suja e o chão.

Os lavatórios de ferro, são um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: José Pessoa, da Vila de Terena 

Lavatório



sábado, 24 de outubro de 2026

As tradicionais cómodas, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais cómodas, na Freguesia de Capelins 

Uma cómoda era/é um móvel de altura média, para guardar roupa, usado em todo o país e, neste caso, na Freguesia de Capelins..

As cómodas eram/são feitas de madeira maciça por artesãos carpinteiros especializados e, eram tipo uma mesa retangular composta por um tampo plano e com várias gavetas frontais empilhadas, para guardar roupas e objetos pessoais, que surgiram nos finais da centúria de 1500, evoluindo a partir da antiga arca ou baú de tampo superior, cuja estrutura foi adaptada com gavetas para facilitar o acesso às roupas e objetos.

As cómodas tornaram-se um símbolo de elegância e funcionalidade, sendo frequentemente colocadas em quartos, por vezes, decoradas com espelhos ou relógios na parte superior e, ao longo dos séculos surgiram vários modelos, ou estilos, desde os mais humildes, aos de luxo, com linhas curvas e dois puxadores por gaveta, havendo algumas cómodas que incluíam um lavatório.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, nem todas as casas tinham uma cómoda, apenas algumas famílias que viviam com mais desafogo económico conseguiam comprar uma cómoda, só mais tarde, os noivos começaram a levá-las quando casavam, mas os Montes dos lavradores das herdades da Freguesia de Capelins, todos tinham cómodas, disputando os estilos mais modernos e mais caros. 

Este móvel, quando surgiu foi uma inovação, era prático e conveniente, com um sistema de gavetas sobrepostas para guardar as roupas, permitindo tirar uma peça de roupa sem desarrumar as restantes, ao contrário das arcas ou baús que existiam antes, neles para encontrar uma peça de roupa, por vezes, tinham de dar a volta ao baú, como era muito cómodo, daqui derivou o nome  cómoda, vinda de França.

A cómoda, é um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Cómoda



As tradicionais planganas, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais planganas, na Freguesia de Capelins

A plangana, variação regional de palangana ou pelengana, era/é um recipiente tradicional de louça, tipo tijela larga e pouco funda, utilizada para servir a comida, diretamente à mesa.

A plangana era uma peça fundamental da louça e da cultura gastronómica da Freguesia de Capelins, eram feitas por artesãos oleiros especializados, e fazem parte da rica tradição da olaria regional, neste caso, da cerâmica pintada de Redondo ou de São Pedro do Corval, sendo frequentemente feitas de barro vermelho vidrado e decoradas com motivos florais ou rústicos típicos da região.

A plangana, era muito associada ao serviço de pratos de assados, ensopados ou grandes porções de comida, uma vez que, plangana era sinónimo de uma generosa quantidade de comida e, quando alguém queria dizer que tinha comido muito, dizia: Hoje comi grande planganada de favas, de feijão, ou de outra coisa, e se estavam com fome exclamavam: Já comia uma planganada de sopas, embora, muita gente, nem avistasse uma plangana.

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam planganas, porque eram peças que faziam parte do serviço de louças que os noivos levavam quando casavam e, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, também existiam muitas planganas de louça ou porcelana, nas quais, levavam, diariamente a comida ao centro da mesa, e era a partir delas, que os comensais e convidados serviam os seus pratos, mas também, podiam comer todos, diretamente da plangana. 

Os ancestrais contavam que, noutros tempos, as famílias humildes não tinham pratos para todos, a comida era servida numa plangana de barro, de onde comiam todos, e nas herdades os ranchos de homens e mulheres que andavam a ceifar ou a fazer outros trabalhos, a de comer, serviam-lhes as sopas em planganas de barro, e divididos em grupos de cinco ou seis pessoas, comiam todos, sem pratos, diretamente da mesma plangana, à qual, chamavam tijela ou barranhito, onde toda a gente metia a sua colher, também contavam que, uma família como todas, comiam da mesma plangana, um dia, receberam a visita de um compadre que morava fora da Aldeia e já com outros hábitos, então combinaram que, nesse dia, comiam a açorda, cada um no seu prato, e assim foi, mas durante a refeição, iam falando, e o dono da casa distraído, ora comia do seu prato, ora comia da plangana, e a esposa passou o tempo a chamá-lo à atenção, mas o homem passava com a colher por cima do prato e ia-se à plangana.

A plangana, é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Plangana ou Pelangana




As tradicionais, pá de ferro, picareta e alvião, na Freguesia de Capelins

As tradicionais, pá de ferro, picareta e alvião, na Freguesia de Capelins  A pá de ferro, a picareta e o alvião, eram/são ferramentas manuai...