segunda-feira, 2 de novembro de 2026

O tradicional pincel de palma, na Freguesia de Capelins

 O tradicional pincel de palma, na Freguesia de Capelins

O pincel de palma, era/é um utensílio para caiar as paredes e as fachadas das casas no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

O pincel de palma, era feito de fibras das folhas das palmeiras anãs ou das piteiras, por artesãos pinceleiros que dominavam a técnica de desfiar ou pentear e atar, fortemente aquelas fibras a um pequeno cabo de madeira, formando um pincel pronto a ser usado na caiação das casas que, antes das festas das aldeias ou no verão, as paredes eram caiadas de branco com cal virgem para ficarem mais bonitas, mais frescas, desinfetadas e protegidas.

O pincel podia ser usado pegando-lhe com a mão no cabo ou ser atado firmemente com uns nós especiais a uma cana comprida, que permitia alcançar as zonas mais altas das paredes exteriores, sem necessidade de subir uma escada ou andaime.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas havia pincéis de palma ou piteira, porque no verão quase todas as casas eram caiadas por dentro e por fora, só ficavam por caiar as que os moradores estivessem debaixo de luto carregado, nesse caso, por tradição, não podiam ser caiadas e, também os Montes dos lavradores das herdades da Freguesia de Capelins, eram muito bem caiados nos finais do verão, sendo um grande orgulho das famílias, apresentarem as paredes das casas e dos Montes muito branquinhas, umas vez que, os mais destacados, corriam pela boca do povo.

Os ancestrais contavam que, havia pincéis feitos pelos presos, em troca de cigarros, mas alguns eram mal feitos, e quando se molhavam com a cal desfaziam-se e as fibras da palma ou de outro vegetal, misturava-se com a cal, obrigando as mulheres a mergulhar as mãos dentro do recepiente da cal para tirar os pedaços do pincel um a um, senão ficavam agarrados às paredes, naturalmente essa situação deixava as mulheres muito zangadas com quem lhes tinha vendido o pincel, e juravam que não se ficaria a rir, decerto levava uma desanda, porque este azar, atrasava-lhe as caianças.

Quando alguém tinha alguma coisa difícil para resolver, os ancestrais comentavam que, tinham ali um grande pincel, confirmando que, por vezes, os pincéis causavam grandes aborrecimentos às mulheres, quando se desfaziam dentro da cal em meio do seu trabalho.

O pincel de palma, é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Internet

Pincel de palma 




domingo, 1 de novembro de 2026

O tradicional lenço de cabeça das mulheres, na Freguesia de Capelins

 O tradicional lenço de cabeça das mulheres, na Freguesia de Capelins 

O lenço de cabeça das mulheres, era uma peça essencial do traje tradicional no dia a dia, no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os lenços de cabeça das mulheres, eram comprados nas lojas de tecidos das Aldeias da Freguesia, à porta aos vendedores ambulantes a que chamavam barateiros e nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba, mas havia mulheres que os faziam, eram de vários tecidos, algodão e outros, conforme a época do ano em que era usado, e de várias cores, com motivos florais, e garridos para ocasiões festivas, mas a maioria eram escuros, e no caso das mulheres estarem a fazer o luto por algum familiar era preto, e se fosse viúva era para o resto da sua vida. 

Os lenços de cabeça das mulheres, eram dobrados fazendo um triângulo, depois o meio assentava no alto da cabeça ficando a parte da frente ao nível da testa e a outra caída para trás e para os lados e, era apertado, juntando as duas pontas com um nó especial entre o pescoço e o queixo, e serviam para proteger do calor intenso, do sol, do vento e do frio durante as duras jornadas de trabalho no campo, principalmente na apanha da azeitona, na monda das searas e nas ceifas e, também prendiam e mantinham o cabelo arrumado e limpo, contra a poeira da terra, e resguardavam as mulheres dos olhares atrevidos dos homens.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, noutros tempos, as mulheres depois do casamento, começavam a usar um lenço na cabeça por tradição, talvez fosse uma herança dos povos de outras religiões que muito antes habitaram nesta região da Freguesia de Capelins e, também as raparigas quando trabalhavam no campo não dispensavam os lenços de cabeça, pelos motivos antes referidos.

Os ancestrais contavam que, o lenço de cabeça era a salvação de algumas mulheres não caírem nas bocas do povo, porque, quando à noitinha passavam por algum lugar menos próprio e sozinhas, para não serem reconhecidas puxavam o lenço da cabeça para o rosto e só ficavam com os olhos de fora, para verem por onde iam, e quando passavam por alguém que lhes dava a boa noite, não respondiam, porque o tom da voz podia traí-las, assim, não havia certezas sobre quem era a mulher que, aparentemente andaria por maus caminhos. 

Os lenços de cabeça das mulheres, também eram usados para imobilizar braços junto ao peito, no caso de algum acidente, eram atados atrás do pescoço, ficando a parte mais larga a meio do peito apoiando o braço, ou para aconchegar alguma mezinha às faces e ao queixo, quando alguém tinha uma forte dor de dentes era apoiado na cabeça e atado por baixo do queixo. 

O lenço de cabeça das mulheres, é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: internet

Lenço da cabeça de mulher




sábado, 31 de outubro de 2026

A tradicional vassoura de palma, na Freguesia de Capelins

A tradicional vassoura de palma, na Freguesia de Capelins 

A tradicional vassoura de palma, era/é um utensílio artesanal, usado para varrer o chão das casas no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

As vassouras de palma eram feitas a partir das folhas da palmeira anã por artesãos que dominavam as artes de tecelagem partilhando técnicas tradicionais com a confecção de alcofas e de chapéus, eram fabricadas inteiramente com fibra de palma, geralmente combinada com pequenos cabos de madeira, e algumas sem cabo, mas com a palma muito bem apertada, para a vassoura não se desfazer.

A principal função da vassoura de palma, era varrer o chão rígido e por vezes irregular das casas, e a cinza do lume de chão feito às chaminés, não sendo usadas para varrer as ruas, quanto muito, o lajeado junto à porta, mas a palma desgastava-se e as vassouras iam diminuindo de tamanho, chegando a um ponto que já não serviam para varrer a casa, perdendo o seu nome de vassoura e passavam a vassourico ou bassourico com outras funções, ainda continuavam a varrer a cinza do lume, ou iam para o chiqueiro dos porcos para limpar as gamelas, ou ficavam para os pedreiros salpicarem os tijolos das paredes antes de as rebocarem, sendo aproveitadas até a palma desaparecer, ficando só o cabo que era aproveitado para outros fins.

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam vassouras de palma, porque não havia outras para varrer dentro de casa, embora, por serem tão pequenas obrigavam as mulheres a baixarem-se, e quando tinham muito a varrer faziam-lhes dor de costas, mas também havia vassouras de cabo comprido que, eram pouco usadas.

A vassoura de palma, era muito mais do que um simples utensílio de limpeza, era uma peça que envolvia misticismo, engenho e pequenas peripécias, superstições e crenças populares, os ancestrais contavam que, quando alguém queria afastar visitas indesejadas, a artimanha infalível era colocar uma vassoura invertida, com a palma virada para cima, atrás da porta da rua, as visitas ou nem entravam, ou depressa abalavam. 

Os mais velhos, avisavam as raparigas, para não deixarem varrer os pés com a vassoura de palma, senão já não casavam, mas se houvesse um descuido e os pés da rapariga fossem varridos, ela tinha de cuspir, imediatamente no chão três vezes, para desfazer o feitiço. 

Quando as famílias mudavam de casa nas Aldeias, ou de Monte, nunca podiam levar a vassoura velha, tinham de comprar uma vassoura nova, senão levavam as mazelas e o azar do passado com elas.

As vassouras de palma, são um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Internet 

Vassoura de palma




sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Os tradicionais rodilhos ou guardanapos, na Freguesia de Capelins

 Os tradicionais rodilhos ou guardanapos, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais rodlhos ou guardanapos coletivos, eram um pedaço de tecido usado por toda a família,para limpar a boca e as mãos, durante e após as refeições, no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os rodilhos eram guardanapos feitos de pedaços de tecido, geralmente velho e macio, sendo a origem do seu nome, de rodilha, uma vez que, o mesmo tecido, em caso de necessidade, podia ser usado como rodliha, ou seja, era enrolado em circulo para apoiar qualquer objeto pesado  sobre a cabeça das mulheres, ou para pegar uma panela, ou um tacho do lume e não se queimarem. 

O rodilho estava sobre a mesa e, o mesmo era usado por todos os elementos da família e convidados, e no caso das crianças até lhes limpavam o nariz com o rodilho, e no fim das refeições as colheres eram limpas ao rodilho e era tudo guardado numa gaveta, ou num cesto, até à refeição seguinte, sendo o rodilho lavado, quando fosse.

Noutros tempos, em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existia o rodilho, tão natural que ninguém se queixava da falta de higiene, era o que conheciam desde sempre e, também nos Montes das herdades, pelo menos para os criados e nas casas dos ganhões existia o rodilho, sendo apenas um, para cada grupo, ou podia não ser nenhum, cada trabalhador limpava a boca onde podia, alguns era às costas das mãos, ou ao lenço de assoar que usavam no bolso das calças. 

Os ancestrais desconheciam o nome de guardanapo, e contavam algumas peripécias que envolviam os rodilhos, por vezes, os comensais, distraídos, confundiam-nos com o lenço de assoar e guardavam-nos no bolso e só davam por isso, quando precisavam de limpar o nariz e lhes cheirava a comida, e lá o tinham de devolver à cozinha, para continuar a servir quem dele precisasse.

O rodilho, é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel

Rodilho ou guardanapo coletivo 




quinta-feira, 29 de outubro de 2026

As tradicionais, pá de ferro, picareta e alvião, na Freguesia de Capelins

As tradicionais, pá de ferro, picareta e alvião, na Freguesia de Capelins 

A pá de ferro, a picareta e o alvião, eram/são ferramentas manuais clássicas e pesadas, usadas na agricultura e trabalhos rurais no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

A pá de ferro, a picareta e o alvião eram feitos em ferro por artesãos ferreiros especializados, com cabos compridos de madeira, e cada uma destas peças tinha funções específicas, conforme o trabalho que os trabalhadores tinham de fazer, assim:

A pá de ferro, servia/serve para carregar, levantar e mover terra solta, areia, entulho e outros materiais após a terra ser revolvida.

A Picareta, era/é muito pesada, e tinha/tem duas extremidades, uma para cada lado do olho, onde entra o cabo,  de um lado termina em bico e no outro em  talhadeira, servindo para quebrar rochas, pedras duras, e terra muito dura misturada com rochas..

O Alvião, também muito pesado, funcionava/funciona como um enxadão numa extremidade e como um machado na outra, ou seja, de um lado era/é para cavar, soltar terra dura, e do outro cortava/corta raízes de árvores e arbustos, sendo usado em terrenos difíceis, mas com menos pedras, que dispensavam uma picareta.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, nem todas as casas tinham estas três ferramentas, porque nem todas faziam muita falta, quando algum seareiro precisava de desmoitar, o mesmo que arrancar alguma árvore sêca, carrasqueiras ou piorneiras, nas suas courelas, pedia o alvião emprestado a algum compadre, familiar ou vizinho, já a pá e a picareta, quase toda a gente tinha, embora, nas herdades da Freguesia de Capelins, os lavradores tivessem essas ferramentas, e eram eles que as forneciam aos seus trabalhadores.

Os ancestrais contavam peripécias sobre as picaretas, como o clássico engano à rapaziada, os mais velhos pediam-lhes para irem a buscar a pedra de amolar as picaretas junto de outro trabalhador a alguma distância, esse colocava uma grande pedra dentro de um saco de serapilheira e carregava o rapaz que ia abanando com muito peso às costas, até onde estava o homem que tinha feito o pedido, depois, era uma grande barrigada de rir. Outra situação era quando o tempo estava muito agreste, adivinhando-se um dia de verão muito quente, os mais velhos diziam, que tinham de se meter em casa, porque iam cair picaretas em brasa, uma forma de dizer que seria um dia abrasador, comparando o calor que esperavam, com a dureza do trabalho feito com a picareta.

A pá de ferro, a picareta e o alvião, são símbolos do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografias: Internet 



 

























quarta-feira, 28 de outubro de 2026

As tradicionais esculateiras ou cafeteiras, na Freguesia de Capelins

As tradicionais esculateiras ou cafeteiras, na Freguesia de Capelins

As tradicionais esculateiras, ou cafeteiras, eram um utensílio em barro, muito usadas no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

As esculateiras tradicionais eram feitas de barro por artesãos oleiros, da Aldeia de São Pedro do Corval ou da Vila de Redondo, eram semelhantes a panelas, mas com o corpo mais esguio e com um bicado, mais tarde, surgiram as de ferro esmaltado e de outros metais e, serviam para ferver água ao lume de chão e para fazer o  café da brasa.

As esculateiras tradicionais, mais do que o utensílio em si, permitiam desenvolver um processo único de preparação do café com brasa, cujo pormenor mais fascinante dessa tradição ocorria quando a água começava a ferver, para evitar que o café transbordasse e, acima de tudo, para fazer assentar as borras, rapidamente no fundo da esculateira, os ancestrais pegavam com um alicate, uma brasa acesa do próprio lume, assopravam a cinza e deitavam-na diretamente para dentro da cafeteira que, fazia elevar o café numa fervura que por vezes saía da esculateira, mas eram tomadas medidas para isso não acontecer, soprando a fervura e arredando a esculateira, depois tinham de esperar um pouco para o pó do café assentar no fundo da esculateira e só então era servido simples ou com uma pinga de leite, este choque térmico purificava a bebida, deixando o café limpo, muito aromático e com um toque fumado inconfundível, era o segredo da brasa, depois acompanhava fatias de pão frito ou pão com conduto, queijo ou outro, pelo que, as tradicionais esculateiras ou cafeteiras fazem parte de um ritual, profundamente enraizado na identidade e no quotidiano da cultura da Freguesia de Capelins.

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existia uma esculateira, porque toda a gente gostava do café da brasa, assim como, em todos os Montes das herdades da Freguesia de Capelins, porque os lavradores e alguns criados, não dispensavam o seu café da brasa, algumas vezes junto às migas.

As esculateiras, são um símbolo do património etnográfico, histórico  cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel

Esculateira de barro




terça-feira, 27 de outubro de 2026

A tradicional estanheira, na Freguesia de Capelins

 A tradicional estanheira, na Freguesia de Capelins 

A estanheira, era/é um móvel tradicional de parede, típico das cozinhas antigas do Alentejo e, neste caso, da Freguesia de Capelins.

A estanheira, também chamada de escaparate em algumas regiões do Alentejo, era feita de madeira, por artesãos carpinteiros, era tipo uma estante rústica fixada na parede, destinada a expor e guardar louça como pratos, chávenas e outras peças, e tinham várias dimensões, muitas vezes pintada de cores rústicas, com calhas ou ripas horizontais para que os pratos ficassem seguros em pé e bem visíveis.

O seu nome deriva diretamente de estanho, porque noutros tempos,  as estanheiras eram feitas especificamente para exibir os pratos, travessas e panelas de estanho da casa, com posses, que eram polidos até brilharem.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em quase todas as casas existiam estanheiras, porque além da função decorativa, tinham a vantagem de manter os utensílios à mão e organizados, fazendo parte dos móveis que alguns noivos levavam quando casavam, também em todos os Montes dos lavradores das herdades da Freguesia de Capelins, existiam várias estanheiras como elementos centrais da decoração da cozinha do Monte, porque mais do que um simples móvel de arrumação, a estanheira funcionava como uma peça de orgulho familiar e nela expunham as melhores louças para as visitas verem.

Os ancestrais contavam algumas peripécias, que aconteciam com estes móveis rústicos,  de vez em quando ouvia-se que, uma estanheira se tinha ido abaixo, e dava-se, o inevitável grande terramoto da loiça, como a estanheira era um orgulho da dona da casa, estava tudo muito bem alinhado e bem carregada, mas bastava um gato assanhado saltar-lhe em cima, um prego velho ceder na parede ou um bater de porta mais violento para gerar um autêntico desastre doméstico, com pratos a rolarem e a partir pelo chão das cozinhas, causando, naturalmente algum desgosto.

A estanheira, é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Estanheira




O tradicional pincel de palma, na Freguesia de Capelins

  O tradicional pincel de palma, na Freguesia de Capelins O pincel de palma, era/é um utensílio para caiar as paredes e as fachadas das casa...