terça-feira, 6 de outubro de 2026

As tradicionais cegonhas ou picotas, na Freguesia de Capelins

As tradicionais cegonhas ou picotas, na Freguesia de Capelins

A cegonha e a picota são, exatamente o mesmo engenho tradicional, que surgiu em Portugal na época da ocupação dos mouros, mas na sua origem na Ásia, já tinha milhares de anos, e era utilizado para tirar água, mais facilmente, de poços pouco profundos. 

As cegonhas ou picotas, eram fáceis de fazer, bastavam duas ou três pessoas, com alguns conhecimentos na matéria e, em poucas horas, conseguiam pôr o engenho a funcionar, porque apenas precisavam de três paus, sendo um poste robusto fixo no chão junto ao poço, com uma bifurcação a 1,5 a 2 metros de altura, que servia de apoio a um pau comprido metido na horizontal, onde ligava uma vara vertical que chegava até à água do poço.

Esta estrutura rudimentar, mas muito eficaz, era baseada na lei do equilíbrio, tinha o nome de cegonha devido ao longo braço de madeira basculante que imitava o pescoço, e a vara o bico de uma cegonha, ao baixar com o balde para apanhar a água dentro do poço, sendo um antigo sistema de alavanca com contrapeso, ou seja, o dito pau horizontal, vaivém ou balanço, cruzava-se com o poste através de um eixo articulado e a ponta á frente ligava à vara onde estava presa uma pequena corda ou corrente com o balde, e na extremidade oposta, à anterior, colocavam pedras pesadas que serviam de contrapeso com o balde, reduzindo, substancialmente o esforço humano necessário para içar o balde cheio de água até à superfície.

Na Freguesia de Capelins, existiam várias cegonhas ou picotas em poços nas herdades, porque graças a esse sistema, tiravam grandes quantidades de água com menos esforço, para regar hortas e para bebedouros onde bebiam centenas de cabeças de gado, desde muares, vacas, ovelhas, cabras, porcos e outros.

 As cegonhas ou picotas, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Internet facebook 




segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Os tradicionais joeiros e arneiros, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais joeiros e arneiros, na Freguesia de Capelins 

Os joeiros e os arneiros são utensílios agrícolas tradicionais tipo peneiras ou crivos manuais, utilizados historicamente para limpar, separar e selecionar cereais, como o trigo, cevada, favas ou grão de bico, após a debulha. 

Os joeiros e os arneiros eram feitas por artesãos carpinteiros, sendo um aro de madeira e com rede de arame de diversas dimensões, eram muito semelhantes, cada um desempenhava uma função específica no processo de limpeza dos cereais, o joeiro servia para joeirar os cereais, ou seja, passá-lo pelo crivo para separar o trigo do joio ou de balanco e de outras sementes de ervas, com pequenas dimensões, quando o trigo tinha muitas impurezas, ainda na eira, tinha de ser passado todo pelo joeiro, à força de braços, com os mesmos movimentos usados para peneirar a farinha, dependendo do tamanho do joeiro, o trabalho podia ser feito por apenas uma pessoa, ou manuseado por duas pessoas, uma de cada lado a balançar o joeiro, assim, o trigo caía pelos buracos da rede e as impurezas ficavam dentro do joeiro, ficando separados e o trigo limpo.

O arneiro tinha o crivo mais largo, com malhas ou furos maiores, sendo mais utilizado para passar as favas ou o grão de bico, de impurezas maiores e pesadas, como pedras, torrões de terra e areia grossa, daí a origem da palavra, ligada a arena/areia/arneiro, mas se as impurezas do trigo fossem de maiores dimensões, como troços dos caules do trigo, ou palha, era melhor usar o arneiro em vez do joeiro, porque o trigo passava melhor e mais depressa ficava limpo.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, quase todos os seareiros tinham um joeiro, já os arneiros eram mais raros e no caso de alguém precisar de o utilizar era só dirigir-se à eira mais próxima de um familiar ou amigo e, decerto lhe emprestavam.

Em todos os Montes das herdades da Freguesia de Capelins existiam vários joeiros e arneiros, porque debulhavam grandes quantidades de cereais e havia muitos trabalhadores a fazer a debulha, que não podia parar por falta de algum utensílio. 

Mais tarde, surgiram uns joeiros de grande dimensão, já eram umas máquinas, embora o seu funcionamento fosse manual, ou por tração animal ou por manivelas, que faziam o trabalho da separação do trigo do joio, do balanco e de outras impurezas, de forma muito rápida.

Os joeiros e os arneiros tradicionais, são símbolos etnográficos históricos culturais, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Internet, sem indicação de autor

 



domingo, 4 de outubro de 2026

Os tradicionais malhos e os trilhos, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais malhos e os trilhos, na Freguesia de Capelins

Os malhos ou manguais e os trilho eram/são tradicionais ferramentas agrícolas históricas, utilizadas na debulha dos cereais, como o trigo, cevada, centeio, favas, e grão de bico, no Alentejo, e neste caso, na Freguesia de Capelins, fazendo parte do ciclo do pão.

O malho ou mangual e o trilho, eram ferramentas muito diferentes no seu formato, mas ambos serviam para o mesmo fim, o malho era feito por qualquer artesão, porque era fácil de fazer, tinha um pau, chamado o cabo, com cerca de 1,80 metros, onde lhe pegavam, que na sua extremidade ligava  a outro pau mais pequeno mas pesado, com cerca de 0,70 metros através de uma faixa de couro muito flexível que servia de dobradiça e, o deixava descarregar com muita força sobre o centeio em rama, ou sobre as favas e grão de bico,  ou outro, fazendo sair o grão da espiga ou as favas e grão de bico das suas vagens, já o trilho era semelhante a um trenó, era feito por artesãos carpinteiros, com algumas peças feitas pelos ferreiros, principalmente as chamadas facas, fixas a uns rolos de madeira que serviam de rodas, eram puxados em círculos, por animais, muares ou cavalos, podendo ser por um só, ou por uma parelha, o trilho rodava por cima dos calcadores, ou seja, os cereais em rama, espalhados numa eira, e com as patas dos animais e as ditas facas cortavam a palha, podendo levar uma pessoa sentada em cima, para fazer mais peso, fazendo soltar o grão das espigas.

Depois de usarem o malho ou o trilho, o resultado no chão da eira era a mistura de grão, palha cortada em pedacinhos e pó, a seguir para ficar o grão limpo, os trabalhadores atiravam a palha misturada com o grão ao vento com forquilhas de madeira, que eram leves, e após sair a palha, usavam pás em madeira para que o vento levasse a palha leve, e o grão como era mais pesado, caísse verticalmente e limpo. 

Por fim, já limpos, os cereais eram medidos e metidos em grandes sacos de serapilheira e levados para a tulha ou para o celeiro, e as palhas eram acumuladas em almiaras e tapadas com palha de centeio contra as chuvas, para alimentar e fazer as camas do gado durante o ano.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todos os seareiros tinham estes dois instrumentos, porque eram fundamentais para fazer a debulha dos seus cereais, assim como, em todos os Montes das herdades da Freguesia de Capelins.

O malho e o trilho, são símbolos do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim

Texto: Correia Manuel 

Malho ou Mangual e Trilho

Fotografias: Internet 














Trilho





As tradicionais foices e gadanhas, na Freguesia de Capelins

As tradicionais foices e gadanhas, na Freguesia de Capelins

A foice e a gadanha eram/são ferramentas tradicionais, manuais, agrícolas usadas ao longo dos séculos para a ceifa de cereais e para o corte de erva para os animais, no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

A foice e a gadanha eram ferramentas manuais de uso individual, mas diferentes na forma e nas funções, embora fossem ambas para cortar vegetais, no caso da foice cortava os cereais quando maduros, e a gadanha a erva, feno, e forragens para o gado.

As foices e as gadanhas eram feitas por artesãos ferreiros, logo em ferro ou aço temperado e tinham os cabos em madeira, sendo a foice uma lâmina curva e cortante pelo lado interior, terminando em bico, e com uma pega com menos de um palmo feita em madeira, enquanto a gadanha era uma ferramenta muito maior, composta por uma lâmina longa, estreita e pouco recurvada, fixada a um cabo comprido de cerca de 1,70 metros, de madeira ou já mais modernos em metal, com duas pegas perpendiculares ao longo do cabo para permitir o controlo com as duas mãos num movimento de varrimento, num vai vem e, quando era puxada na direção de quem a manobrava fazia o corte da erva que ficava em camalhões, toda cortada para o mesmo lado.

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam foices, porque toda a gente fazia as ceifas, custavam muito, eram dias longos de verão, curvados e debaixo de grandes calores, mas era quando as pessoas ganhavam mais alguma coisa, uma família conseguia pagar eventuais dívidas que acumulava ao longo do ano  e, ainda conseguiam comprar algumas coisas de mais necessidade para casa, já as gadanhas, nem todas as pessoas tinham, porque eram menos usadas do que as foices.

Também nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins existiam muitas foices e gadanhas, embora as ceifeiras e ceifeiros levassem as suas próprias foices, mas tinham algumas de reserva e, principalmente gadanhas para mandar cortar a erva para feno, para os seus gados. 

A foice e a gadanha, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel 

Foice e gadanha

Fotografias: internet 



























gadanha


sábado, 3 de outubro de 2026

As tradicionais enxadas, enxadões e sachos, na Freguesia de Capelins

As tradicionais enxadas, enxadões e sachos, na Freguesia de Capelins

As enxadas, enxadões e sachos eram/são ferramentas manuais milenares, essenciais nos trabalhos rurais, como agrícolas, hortícolas e outros.

As enxadas, enxadões e sachos, eram ferramentas feitas por artesãos ferreiros, que usavam ferro forjado ou batido, ou aço que lhes garantiam grande durabilidade e resistência, e tinham um cabo de madeira bem talhado com mais de um metro de comprimento, neste caso, o cabo era ao gosto de cada pessoa, quanto mais curto, mais tinha de dobrar as costas, mas também não dava jeito ser muito comprido.

As enxadas eram/são de diversas dimensões, embora, todas do mesmo formato, eram retangulares, com o olho, ou seja, o lugar onde fixavam o cabo no topo ao centro, e a parte oposta, era ligeiramente curva e afiada para cavar e entrar melhor na terra. 

Os enxadões eram/são semelhantes às enxadas, geralmente eram mais pequenos, mas mais pesados e robustos, usados em algumas terras mais duras, ou seja, mais apertadas, que exigiam maior impacto para romper a terra.

Os sachos eram/são diferentes das ferramentas anteriores, na dimensão, no peso, e no formato, embora o seu fim fosse o mesmo, era muito usado por mulheres na monda do trigo, de um lado tinham uma pequena enxada e do outro uma pequena extensão terminada em bico, para picar a terra, ficando o olho ao meio, onde encaixava o cabo de madeira.

Em quase todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam enxadas, enxadões e sachos, porque faziam falta a quem tinha algum pedaço de terra, onde semeavam batatas, alhos, couves, alfaces e outros produtos hortícolas e, geralmente tinham de começar por cavar a terra com uma enxada ou um enxadão, mas depois tinham de cavar e mondar as hortaliças e os alhos com um sacho para não os danificarem, devido à pouca distância entre as plantas, tal como era o caso na monda das searas.

Também nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins existiam muitas enxadas, enxadões e sachos para vários trabalhos na terra, principalmente para cavar as hortas que todos tinham, logo, uma simples enxada dava de comer a muita gente, e tinham muitos sachos para a monda das searas, embora as mondadeiras tivessem de levar o seu próprio sacho.

As enxadas, enxadões e sachos, são um símbolo do património etnográfico, histórico e cultural na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Enxada, enxadão, sacho e outros

Fotografia de: José Pessoa, da Vila de Terena



Os tradicionais arados e charruas, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais arados e charruas, na Freguesia de Capelins

Os arados e as charruas eram/são alfaias agrícolas tradicionais, usadas para lavrar e revirar a terra, antes, e nas sementeiras de cereais no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os arados tradicionais têm origem milenar, a sua estrutura era feita de madeira, havia o arado de pau, com uma relha rudimentar para lavrar a terra, mas ao longo dos séculos foi evoluindo.

As charruas, eram mais robustas que os arados, com uma relha de ferro resistente e uma aiveca projetada para revolver a terra profundamente, permitindo também soterrar estrume e fertilizantes orgânicos com maior eficácia, tinham uma pega atrás, a que chamavam rabicha com o cabo em madeira, para ser conduzida e uma roda à frente que ajudava na sua condução e controlava a profundidade da lavoura.

Os arados e as charruas eram puxados por juntas de bois, vacas ou bestas, burros ou cavalos, e podia ser apenas um animal a puxar ou uma parelha, sempre guiados por um homem, ou por dois, um à frente e outro atrás quando eram ensinados ou domados, porque havia regras que tinham de ser cumpridas, como por exemplo, quando eram dois animais a puxar o arado ou a charrua, o do lado da lavoura tinha de seguir por dentro do último rego e o outro por fora, mas se fosse apenas um, seguia por fora, mas sempre junto ao último rego, quando chegavam ao fim do rego, tinham de destravar a aiveca e voltá-la para o outro lado, para na volta continuar a virar a terra para o mesmo lado da terra já lavrada.

Tradicionalmente, utilizavam o arado para as sementeiras, quando as terras já estavam trabalhadas, porque eram mais leves, enquanto a charrua era reservada para lavouras mais profundas e exigentes, principalmente nas primeiras lavouras dos pousios a que chamavam o alqueve.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam muitos seareiros, e todos tinham as suas alfaias agrícolas, logo, arados e charruas,  mas nos Montes e  herdades da Freguesia de Capelins, existiam às centenas de todas as dimensões, para serem puxadas por bois e por muares.

Os arados e charruas tradicionais, são património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Charrua

Fotografia: Correia Manuel 




quinta-feira, 1 de outubro de 2026

As tradicionais balanças decimais, na Freguesia de Capelins

As tradicionais balanças decimais, na Freguesia de Capelins 

As balanças decimais eram/são instrumentos de pesagem, usados para pesar os cereais em sacos, assim como, azeitona, bolota, farinha, animais, e outros produtos da agro pecuária.

As balanças decimais eram feitas em madeira e algum ferro, por artesãos carpinteiros especializados, eram compradas nas Feiras da região e funcionavam num sistema de alavancas de braços desiguais, onde o peso da carga era colocada atrás no chamado estrado, que era, exatamente dez vezes maior do que os pesos de aferição, ou seja, era/é decimal devido à proporção ser de um quilograma no prato à frente da balança, para dez quilogramas atrás, no estrado.

As balanças decimais surgiram em 1820, mas a esta região só chegaram nos finais desse decénio, antes delas, existiam as balanças romanas para pesagem de cargas mais volumosas, mas além de não serem tão precisas, eram muito difíceis de transportar devido ao seu peso, a maior parte era de ferro.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam balanças decimais nas casas da maioria dos seareiros que, as tinham ao dispor dos familiares, vizinhos e amigos, onde recorriam para pesar quaisquer produtos que compravam ou vendiam e para controlar o seu próprio peso e, quando alguém se ia pesar, toda a gente que por ali estava, não resistia a fazer o mesmo, havendo sempre  apostas sobre quanto cada um pesava e quem acertava ficava muito orgulhoso, a pesagem do pessoal era sempre um grande momento de convívio entre todos, e como noutros tempos, a gordura era formosura, quanto mais gordo/a mais ufano/a ficava.

 As balanças decimais tinham uma engrenagem que, facilmente descarrilava e depois já não funcionava, por isso, as pessoas tinham de subir para o estrado da balança, ou colocar as cargas no estrado com muito cuidado, para não a desencaixar, senão tinham de tirar tudo, encaixar a engrenagem, e voltar a meter a carga a pesar.

Nos Montes das herdades na Freguesia de Capelins, não faltavam balanças decimais, alguns tinham mais do que uma, porque havia sempre coisas para vender, ou comprar e tinham de ser pesadas.

As balanças decimais, fazem parte do património histórico cultural, da Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: internet - Artbid 




As tradicionais cegonhas ou picotas, na Freguesia de Capelins

As tradicionais cegonhas ou picotas, na Freguesia de Capelins A cegonha e a picota são, exatamente o mesmo engenho tradicional, que surgiu e...