quarta-feira, 1 de abril de 2026

O dia do principio do fim do Mundo, em Capelins

 O dia do principio do fim do Mundo, em Capelins

A partir do ano de 1962, a todo o momento se ouvia na Freguesia de Capelins, e não só, que o Mundo ia acabar, devido à crise dos mísseis nucleares soviéticos na Ilha de Cuba.
Na quinta feira, dia 14 de Novembro de 1968, ao anoitecer, o céu iluminou-se como se fosse dia e, durante alguns segundos ouviu-se um silvo, ou assobio muito agudo, seguido de um grande estrondo que fez tremer a terra.
Alguns moradores da Aldeia de Ferreira de Capelins ficaram muito assustados e correram para o Largo da Aldeia a perguntar uns aos outros o que tinha sido aquilo? Cada um dizia o que lhe vinha à cabeça, uns diziam que tinha sido um tremor de terra, mas outros respondiam que não podia ser porque os tremores de terra não davam luz, talvez fosse algum avião ou dirigível em chamas e tinha caído ali perto da Ribeira, ou então, era alguma bomba atómica mandada pelos americanos, sendo esta, a versão mais aceite.
Daí a pouco tempo apareceu a ti Vitória, a única vizinha que tinha rádio, com passos lentas e de braços cruzados, algumas pessoas correram ao seu encontro e perguntaram-lhe: Então ti Vitória, o rádio já deu o que aconteceu? Ora pois tá agora a dar! Os vizinhos ficaram irritados, porque esperavam outra resposta, queriam saber o que tinha acontecido e os rádios informavam tudo, mas no caso da ti Vitória sempre que lhe perguntavam o que tinha ouvido no rádio sobre o tempo, se chovia ou fazia sol, a resposta era sempre a mesma: Ora pois tá agora a dar, e insistiram: Então, mas ainda não disseram nada sobre o que foi aquilo? Ora pois, disseram que era o principio do fim do mundo!
As mulheres ficaram aflitas e exclamaram em coro: Ai Jasus, o que será da gente aqui, se o mundo acabar! Naquele instante, chegou o Chico, estudante no Colégio do Alandroal, parou a sua motoreta e disse: Apanhei agora o maior susto da minha vida! Vinha ali nas curvas de Nabais, apareceu uma luz tão forte que me cegou, tive de fechar os olhos e quando os abri, com aquela iluminação, vi o cemitério mesmo na minha frente, pensei logo que já estava no outro mundo!
A rapaziada riram-se, aproximaram-se e meteram as mãos nos braços dele e disseram-lhe: É Chico, mas não morreste, pois não? Vocês são parvos, então se estou aqui, não morri!
Sabemos lá, podia ser a tua alma que veio aqui a ter na motoreta, tu sabes o que foi aquilo? Dizem que foi uma bomba atómica e que isto é o princípio do fim do mundo! Até já disseram isso, no rádio da ti Vitória!
Se fosse uma bomba atómica já estava tudo morto, eu acho que foi um meteorito que caiu em cima da Aldeia do Rosário e lá é que deve haver muita gente morta! Bem, antes que o mundo acabe vou encher a barriga, porque estou cheio de fome e com o susto, ainda fiquei com mais fome!
As pessoas continuaram por ali a falar, fizeram-se horas da ceia (jantar) e como o mundo nunca mais acabava, as pessoas foram recolhendo a suas casas, entretanto, quem tinha família na Aldeia do Rosário telefonaram-lhe e disseram-lhe que não tinha caído lá nada e estava toda a gente viva, mas algumas pessoas, nessa noite, pouco dormiram, esperando que o mundo acabasse.
No dia seguinte, sexta feira 15 de Novembro, pelo meio dia, já toda a gente sabia que tinha sido um bajôlo de ferro a arder, que tinha caído na Freguesia de S. Brás dos Matos, Mina do Bugalho, mas não havia mortos nem feridos, o mundo não tinha acabado e já não devia acabar.
Fim
Texto: Correia Manuel

Meteorito de São Brás dos Matos (Mina do Bugalho) 1968

Foto net








sábado, 28 de março de 2026

A lenda da feiticeira do Monte de Capelins

 

A lenda da feiticeira do Monte de Capelins

Em Capelins contava-se que, o ti Matias Frade e sua legítima mulher a ti Maria da Graça, moravam no Monte de Capelins, situado entre a atual Aldeia de Ferreira e a Igreja de Santo António, onde havia várias casas no altinho quase em frente ao Monte da Cruz de Cima, eram naturais da Vila de Terena, como ele era seareiro aforou aqui umas courelas e mudaram-se e mandaram construir ali o seu casebre.

O ti Matias e a ti Maria eram felizes, mas havia um senão na sua vida, não tinham filhos e como a idade avançava decidiram aperfilhar uma menina para depois cuidar deles e ser herdeira dos seus bens e essa escolha recaiu numa sua afilhada de Terena, pertencente a uma família muito numerosa, como eram todas nessa época, e que se chamava Maria da Graça como a madrinha.

Depois de tudo tratado com os padres de Terena e com os pais da menina, ela veio para casa dos pais adotivos e era o seu ai Jesus, não lhe faltava nada para ser feliz e foi crescendo com os seus mimos, fazendo a diferença das raparigas da sua idade, mais tarde ganhou a fama de ser uma das raparigas mais bonita da Freguesia de Capelins, pelo que, havia muitos rapazes a tentar namorar com ela, mas a sua missão era, no futuro, tratar do ti Matias e da ti Maria, por isso, eram enxutados para bem longe dela.

O tempo foi passando e um dia a ti Maria da Graça caiu na cama muito doente, era bem tratada pela afilhada, mas não melhorava nem falecia, estava num grande sofrimento, depois entrou em agonia e gritava dia e noite, dizendo a mesma coisa: “Quem é que os quer?” A Maria da Graça não percebia o significado, mas uma madrugada que estava à sua cabeceira experimentou dizer baixinho: “Quero-os eu”, e naquele momento a ti Maria faleceu.

Não passou muito tempo para a Maria da Graça perceber o que tinha acontecido, a madrinha era feiticeira e não podia falecer sem alguém tomar o seu lugar, ou seja, ficar com os novelos, e neste caso, tinha sido ela a herdeira dos novelos, ficando feiticeira, mas não se importou muito, porque começou logo a ter experiências boas que não imaginava, como ir aos grandes bailes das feiticeiras em pêlo com a presença do mafarrico e, logo que o ti Matias partiu dedicou-se a tempo inteiro à feitiçaria, ficando uma das feiticeiras mais poderosa e mais bonita da Freguesia de Capelins, porém, como tudo se sabe, começou a ser apontada pelo povo e os rapazes que antes gostavam dela fugiam a rabo estendido, até que um ano chegou a Capelins um rapaz pastor da transumância vindo do Vale do Rio, Serra da Estrela, chamado José do Rio e, assim que se viram ficaram perdidos de amor um pelo outro, algumas pessoas ainda o avisaram que ela era feiticeira, mas diziam que ele era um bocadinho esparvoerado e, apenas se ria e dizia que não acreditava nisso, e passados poucos meses já estavam casados.

O José do Rio e a Maria da Graça ficaram a morar no Monte de Capelins, mas ele tinha a choça na Defesa de Ferreira, onde passava a maior parte do seu tempo, por isso, ele fazia a vida de pastor e ela a vida da feitiçaria, mas não fazia só mal, também fazia bem a muita gente, e assim foram muito felizes, mesmo assim, tiveram tempo para criar muitos filhos, existindo ainda, por aí alguns seus descendentes.

Março de 2026

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Ferreira de Capelins





domingo, 22 de março de 2026

A lenda da ti Maria Açorda, de Capelins

 A lenda da ti Maria Açorda, de Capelins
Contavam que, a ti Maria Rosa de Capelins, era uma mulher de meia idade, mas solteirona, nunca se soube o motivo porque nunca quis casar, morava sozinha na sua pequena casa e trabalhava, sazonalmente nos trabalhos do campo, fazia a azeitonada que começava nos finais de Novembro e acabava em Janeiro, a seguir fazia a monda das searas até Março, e nos finais de Maio começava a ceifar até finais de Junho, depois, fazia as caianças, pintura com cal, e as grandes limpezas de verão nos Montes dos lavradores e, entretanto, fazia outros trabalhos esporádicos, e assim se governava.
A ti Maria Rosa era muito estimada por toda a gente e, nos dias que não trabalhava percorria as casas quase todas da Aldeia, era o noticiário das novidades, embora não fosse considerada bisbilhoteira, porque era muito cautelosa a contar o que sabia, não contava tudo o que ouvia, nem dizia mal de ninguém, antes pelo contrário, rematava sempre que para ela todas as pessoas eram boas, e nas suas voltas, dava pequenas ajudas nos trabalhos domésticos e em troca recebia coisas que repartiam com ela.
Como a ti Maria Rosa andava sempre de casa em casa, não fazia comidas que exigissem tempo a fazer e, como a maioria das pessoas nessa época, as suas refeições eram à base de sopas de grão, de feijão de couve ou repolho com carne ou de azeite e de açordas de tudo, mas mais de alho, havendo pessoas que comiam uma açorda de alho ao pequeno almoço a que chamavam almoço, outra ao almoço que era o jantar e outra ao jantar que era a ceia, acompanhadas com umas azeitonitas, sendo a ti Maria uma dessas pessoas, embora por vezes a ceia fosse um bocadinho de pão com queijo de ovelha ou com um pedacinho de toucinho cozido ou de chouriça das sopas do meio dia, ou umas sopinhas de leite.
A rapaziada, ouviram que a ti Maria quando lhe perguntavam o que ia fazer para comer, respondia sempre a mesma coisa, era uma açorda com umas azetonitas, mesmo que não fosse, isso caiu-lhe em graça e, assim que a apanharam a jeito, tentaram a sua sorte e perguntaram-lhe: Ti Maria, espere lá, então já fez a comida para hoje? Ainda não filhos, ainda é cedo! Então o que vai fazer para comer? Hoje vai ser uma açorda com umas azetonitas! A resposta caiu-lhe no goto e riram, riram, porque já esperavam essa resposta!
Ora, os gaiatos são como são, e a pergunta começou a ser feita todas as vezes que a ti Maria passava pela rua adiante, e a resposta era sempre a mesma, fossem as horas do dia que fossem, sendo uma grande paródia para a rapaziada que, depressa lhe deram a alcunha de ti Maria Açorda e, assim que ela aparecia gritavam todos em coro: Vem aí a ti Maria açorda, e preparavam-se para fazer a pergunta habitual, e ela entrava na rambóia com eles, dando sempre a mesma resposta: Hoje vai ser uma açorda com umas azetonitas, a rapaziada achavam muita graça e ficavam a rir e muito felizes.
Março de 2026

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Aldeia de Ferreira de Capelins










terça-feira, 10 de março de 2026

A lenda do mouro Ibn Arab encantado no castelo de Monsaraz

A lenda do mouro Ibn Arab encantado no castelo de Monsaraz

Quando Monsaraz, ou seja, Sarish ou Xarish foi eleita Vila Vigia pelos mouros, porque a partir dela conseguiam vigiar grande parte do vale do alto Guadiana e as planícies em redor, Aben Tariq, nomeado seu governador, convocou a Amma e comunicou aos representantes da população que ia construir um castelo invencível, muito robusto, sobre as paredes do Castro Celta ali existente, e tinha de ser construído com a ajuda de todos, homens, mulheres e crianças, com dinheiro e com trabalho.
A população de Sarish era quase toda constituída por visigodos que tiveram de se converter ao islão e, não viram com bons olhos essa iniciativa, porque sabiam que seriam muito explorados e usados como escravos, mas não tinham opção e ficaram esperando as ordens do Xeique ou governador mouro.
O antigo castro, um pequeno castelo, foi arrasado e por cima dele, começaram a subir as muralhas do novo castelo e, ao contrário de outros na região, devido à escassez de terra própria e água, porque palha até tinham, para amassar a taipa, decidiram usar mais pedra que havia em abundância no alto da colina, mas a pedra disponível depressa se esgotou, mas já escavavam nas rochas para delas extraírem mais pedra, a qual, tinha de ser transportada para junto da construção das muralhas, grande parte era transportada com o auxílio de animais de carga, mas como o governador tinha pressa em edificar o castelo, decretou que, toda a gente, homens, mulheres e crianças tinham de carregar pedra, não só dos lugares no topo do outeiro, onde a maioria era arrancada, mas também dos arredores, ninguém podia entrar na Vila sem levar pelo menos uma pedra para o castelo, e as mulheres eram as mais sacrificadas, quando voltavam do trabalho, subiam as ladeiras com os filhos ao quadril, com uma roca à cintura fiando a lã e, com uma, ou mais pedras à cabeça para contributo do castelo.
Foram usados alguns escravos cristãos que eram visigodos que negaram o islão, mas não eram suficientes e toda a população passou por grande sofrimento, porque trabalhavam para a construção do castelo e, ao mesmo tempo, tinham o seu trabalho muito duro nas terras dos senhores mouros, mas o castelo foi edificado e era o orgulho de todos, mas principalmente do governador.
O castelo de Sarish, foi inaugurado nos finais do mês de Julho do ano de 732, e o Alcaide governador decretou três dias de festa, como nunca por ali se tinha visto, toda a população entrou na festa, e foram convidados outros governadores mouros da região e as suas famílias, que o saudaram e admiraram muito o seu imponente castelo e todos concordaram que, era invencível.
O governador estava muito orgulhoso e obcecado com o seu castelo, mas ainda não estava convencido que era invencível, então, depois dos convidados partirem, na noite de 31 de Julho, disse ao filho mais velho, chamado Ibn Arab, um temível mestre de guerra, rapaz alto, forte, vigoroso, de pele escura, olhos negros, fisicamente bem constituído, que o ia encantar nas muralhas, e seria o guardião delas, porque, só assim, teria a certeza que o seu castelo era mesmo invencível.
O seu filho Ibn Arab, ficou muito orgulhoso e foi logo encantado para guardar as muralhas do castelo mouro de Monsaraz, as quais, só foram trespassadas por Geraldo Sem Pavor, passados 435 anos em 1167, porque as subiu através de escadas sem as danificar, não ativando a defesa do mouro encantado e, somente 500 anos depois, na noite de 31 de Julho de 1232, os cavaleiros Templários, através de novas técnicas de guerra, com catapultas e trabucos que as destruíram à distância, não podendo Ibn Arab fazer nada, e nessa mesma noite, Monsaraz foi conquistada pelos Templários.
Depois da conquista da Vila, o rei D. Afonso III e os Templários, tiveram de levantar um novo castelo, por cima das muralhas do castelo dos mouros, ainda mais imponente, ficando Ibn Arab encantado nas profundezas do atual castelo de Monsaraz, sem hipótese de desencantamento e, ainda hoje, se bem escutarem, ouvem-se os seus gemidos e lamentações, nas noites de 31 de Julho, já entrando Agosto.
Fim
Texto: Correia Manuel
Fotografia: Isidro Pinto


Castelo de Monsaraz







segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Hino por Capelins

 Hino por Capelins


Linda Capelins, ficas situada,

Nas margens do Lago Alqueva,

És, pelas tuas Gentes admirada,

Pela benção e beleza que te eleva.


O azul das águas no horizonte,

Dão-te a magia que encanta,

Os campos, vales e montes,

 Transformam-te em terra santa. 


"coro"

Capelins linda, linda Capelins,

Em ti se encerra, amor sem fim,

Pela nossa terra, de honra infinda,

Linda Capelins, Capelins linda.


Terra bendita, os teus filhos,

Por ti têm orgulho nobre e sentido,

Por seres o nosso berço, com brilho,

O nosso cantinho prometido.


Neste jardim que é Capelins,

No qual o lírio prevalece,

Onde todos e cada qual é feliz,

E de Capelins nunca esquece. 


Brasão da Freguesia de Capelins





Vila de Terena, 764 anos do seu primeiro Foral e Concelho

 Vila de Terena, 764 anos do seu primeiro Foral e Concelho 


1.

Já na pré história existia,

No Vale Lucefécit, situada,

Uma Vila que estaria,

Ao Deus Endóvélico ligada,

Onde havia muita harmonia,

Por romanos, godos e mouros habitada,

E em mil cento e sessenta e sete, com valor,

Foi conquistada por Geraldo  Sem Pavor. 


2.

Foi perdida, e reconquistada, 

Pelos cavaleiros vilãos,

De Évora, e celebrada, 

 Como Oydaluiciuez pelos Cristãos,

E por D. Afonso III, foi doada,

Aos Riba de Vizela que então,

Lhe deram o primeiro Foral, 

Ficando Terena, um Concelho Real. 


3. 

Santa Maria de Terena, lhe chamaram,

E três Igrejas mandaram construir,

Na Vila, e em Ferreira, e criaram,

A Câmara, Coutadas, e abrir,

Caminhos, e a povoaram,

Começando a produzir,

O que o Reino precisava, 

Deixando de ser terra brava. 


4. 

O rei D. Dinis a nomeou, 

Para um castelo receber,

Não foi ele que o começou,

Mas isso veio acontecer,

Mas lá para o alto passou, 

Porque ali não podia ser,

E depois da Vila nova surgir,

A Velha deixaram cair. 


5. 

Em meados de mil e trezentos, surgiu,

Na Vila Velha, uma Igreja acastelada, 

Devido a uma promessa que cumpriu,

A filha de D. Afonso IV, que era casada, 

Com o rei de Castela, e aqui decidiu,

Homenagear Santa Maria, onde foi ajudada,

Construindo um Santuário como prova,

Que é de Nossa Senhora da Boa Nova.


6. 

Com D. Nuno Martins da Silveira,

Terena tornou-se importante, 

Passou a guardiã da fronteira, 

Com este Alcaide Mor brilhante, 

Que defendeu a bandeira, 

Sempre de forma vibrante,

 E já com a Igreja de S. Pedro, o orago,

Terena cresceu, com Santo António e Santiago.


7.

No início de mil e quinhentos,

D. Manuel deu-lhe novo Foral, 

Mais moderno, com outros elementos, 

Que desenvolveu o Concelho, em geral,

E com alguns fundamentos,

A Câmara deu foros para beneficiar,

Os povoadores, destas terras senhoriais,

Com condições especiais.


8. 

Até à guerra da Restauração,

Nada de mal aqui se via,

Mas a Vila sofreu uma invasão, 

Que quase a destruía, 

Foi ocupada e saqueada sem razão,

Destruíram, e levaram o que havia,

O Concelho  foi muito fustigado,

E com essa guerra ficou arruinado.


9. 

Levou muitos anos a recuperar,

E só por mil e setecentos, voltou,

Ao normal, a produzir e a superar, 

A destruição, e a ruína que ficou,

Então, alteraram o sistema senhorial, 

A Câmara fez aforamentos e apoiou,

E durante mil e setecentos e oitocentos vibrou, 

Até que o seu Concelho acabou.


10.

Quando das guerras liberais, 

Apoiou o rei D. Miguel,

Porque os padres foram leais,

E teve um final cruel, 

Terena foi castigada, demais, 

Por a D. Pedro IV ter sido infiel,

Perdeu o Concelho memorial, 

Que passou para o Alandroal.



11.

A Vila foi abandonada,

E caiu no esquecimento,

A população foi enganada, 

Prometeram-lhe desenvolvimento,

Mas não lhe deram quase nada,

E começou o seu despovoamento,

Continuando adormecida,

Esperando a obra prometida.



12. 

Setecentos e sessenta e quatro anos, passaram, 

Em vinte de Fevereiro, do corrente,

Desde o Foral do Concelho, ficaram,

A história e a cultura da sua Gente, 

Que Terena sempre amaram,

E continuam no presente, 

Com o mesmo sentimento,

Porque foi aqui seu nascimento. 


Singela homenagem à Vila de Terena pelos 764 anos da fundação do seu Concelho em 20 de Fevereiro de 1262.

 Terena, Fevereiro de 2026 

Correia Manuel 


Vila de Terena







 



sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Vila de Monsaraz, 750 anos do seu Foral Afonsino

 Vila de Monsaraz, 750 anos do seu Foral Afonsino

1.

Na pré história está registado,

Que no topo de uma colina,

Existia um povoado,

Por cima de uma campina,

Por romanos e visigodos habitado,

E com os mouros entrou na rotina, 

Até chegar Geraldo  Sem Pavor, 

Que o conquistou com louvor.


2.

Foi perdida, e reconquistada, 

Mais tarde pelos Templários, 

E Monsaraz foi celebrada,

Por esses guerreiros lendários, 

E por D. Afonso III, foi doada,

Mediante alguns cenários, 

Descritos no primeiro Foral, 

Do seu Concelho Real. 


3.

O rei D. Dinis mandou erigir,

A grande torre de menagem,

E as primeiras muralhas a seguir, 

Que mudaram a sua imagem,

Começaram a construir, 

Mais casas nesta paisagem, 

Chegando até ao arrabalde,

Graças ao seu Alcaide.


4.

O Alcaide traíu a bandeira, 

E entregou a Vila a Castela, 

E D. Nuno Álvares Pereira,

Veio tomar conta dela,

Ficando à sua beira, 

E com a sua tutela, 

Até que pela sua herança,

Passou para a Casa de Bragança. 


5.

Foi uma jóia de então,

Em mil quinhentos e seiscentos,

E na guerra da Restauração, 

Depois de alguns tormentos,

Recebeu grande transformação,

Nas muralhas e seus elementos,

De defesa mais moderna,

E na sua estrutura interna. 


6. 

D. João IV não a esqueceu,

Podemos ver no brasão,

Como prova que lhe deu, 

Toda a sua atenção,

Também o filho que lhe sucedeu, 

Às obras deu continuação, 

Deixando a Vila segura,

Defendida com bravura.


7.

O grande terrramoto, atingiu,

A Vila e seus arredores, 

Das muralhas quase tudo ruiu,

Mas não houve danos maiores, 

Porque de um milagre se ouviu,

Aqui falar, com pormenores,

O Senhor dos Passos protegeu,

A Vila, e o povo nada sofreu. 


8.

Até às guerras liberais,

Monsaraz foi sempre fiel,

Recebeu as tropas reais,

Apoiantes do rei D. Miguel,

Chamados Realistas, leais,

Que teve resultado cruel,

O Concelho foi-lhe retirado,

E para Reguengos foi  mudado. 


9.

A Vila foi abandonada, 

Mais de cem anos esquecida, 

Começou a ser despovoada,

A perder qualidade de vida,

Mas foi um dia acordada, 

E hoje é muito querida,

Por toda a gente, em geral,

Por ser tão nobre e leal.


10.

Setecentos e cinquenta anos, passaram, 

Em quinze de Janeiro, do corrente,

Desde o Foral do Concelho, ficaram,

A história e a cultura da sua Gente, 

Que Monsaraz sempre amaram,

E continuam no presente, 

Com o mesmo sentimento,

Porque foi aqui seu nascimento. 



Singela homenagem à Vila de Monsaraz pelos 750 anos da fundação do seu Concelho em 15 de Janeiro de 1276.

 Monsaraz, Janeiro de 2026


Versos: Correia Manuel 

Fotografia: Isidro Pinto




O dia do principio do fim do Mundo, em Capelins

  O dia do principio do fim do Mundo, em Capelins A partir do ano de 1962, a todo o momento se ouvia na Freguesia de Capelins, e não só, que...