segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Os tradicionais enxergões de palha de centeio, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais enxergões de palha de centeio, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais enxergões de palha de centeio, eram como um grande saco de serapilheira, de linho ou cotim, recheado de palha de centeio, sabiamente colocada e arrumada que, geralmente servia de colchão rústico de apoio a um colchão de lã de ovelha, usado no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins. 

Os enxergões de palha de centeio, eram feitos por artesãos, aos quais, chamavam albardeiros, porque, também faziam albardas e outras peças onde usavam a dita palha, os enxergões eram feitos à medida das encomendas, conforme as camas a que se destinavam, podiam ser de casal ou individual, em quaisquer dos casos, era colocado um colchão de lã de ovelha sobre os enxergões que eram duros. 

 Os enxergões eram de palha de centeio por ser mais longa, maleável, resistente e menos propensa a partir-se ou a criar pó rapidamente do que a palha de trigo ou de aveia, mas de quando em quando, a palha destes enxergões tinha de ser renovada, eram esvaziados, a serapilheira era lavada e a palha velha, já desfeita devido ao uso era substituída por palha de centeio nova.

Os enxergões de palha de centeio, em conjunto com os colchões de lã de ovelha, apesar de rudimentares, ofereciam um excelente isolamento contra o frio, nas camas de ferro da época da pouca roupa.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas havia camas com enxergões de palha de centeio, porque era um utensílio que os noivos levavam quando casavam e, também, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, todas as camas tinham enxergões de palha de centeio que, geralmente eram feitos por moradores, com a especialidade de albardeiros.

Os enxergões de palha de centeio, são um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Internet 

Cama de ferro




A tradicional máquina manual de moer pimentão, na Freguesia de Capelins

A tradicional máquina manual de moer pimentão, na Freguesia de Capelins

Uma máquina de moer pimentão, era/é um utensílio que, através de uma manivela, moía o pimentão para temperar a carne das matanças dos porcos, mas também moía o tomate para doce ou conserva, e fruta cozida para doces.

As máquinas de moer pimentão, como eram chamadas na Freguesia de Capelins, eram feitas de ferro estanhado ou de liga de alumínio ou outro metal, por artesãos especializados e, eram compradas nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa, Borba ou Estremoz.

Estas máquinas, eram afixadas a uma mesa através de um suporte que fazia parte dela, tinham uma boca larga por onde iam metendo os pedaços dos produtos a moer, como o pimentão já amaciado e salgado, mantendo a qualidade ideal e sem o reduzir a uma massa demasiado líquida.

As máquinas de moer pimentão eram acionadas por uma manivela que fazia movimentar um semfim no seu interior com arestas afiadas que trituravam o pimentão, o tomate, fruta cozida, como marmelos, pêras e outra, para fazer doces, saindo ao lado, já moídos, tipo puré, por uma tampa cheia de furinhos.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em quase todas as casas existia uma máquina de moer pimentão, e quem não tinha, pedia uma emprestada a uma vizinha ou familiar, assim que o pimentão vermelho estava em condições de moer para ser guardado em conserva, e nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins tinham várias máquinas destas, fundamentais não só para moer o pimentão vermelho, mas também, outros produtos, antes referidos. 

As máquinas de moer pimentão, são um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Máquina de Moer pimentão 




domingo, 18 de outubro de 2026

Os tradicionais xailes das mulheres, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais xailes das mulheres, na Freguesia de Capelins 

Os xailes tradicionais das mulheres, desempenhavam e desempenham, um papel histórico fundamental, na identidade cultural e no vestuário no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

O xaile das mulheres era uma peça de vestuário de várias dimensões, tecidos e cores, sendo o preto de lã ou flanela o mais comum no dia a dia, na Freguesia de Capelins, mas existiam xailes que eram peças de artesanato riquíssimas usados nos dias de festa, pelas pessoas mais ricas, porque os xailes variavam, conforme a classe social, o trabalho agrícola e a região.

Os xailes das mulheres, eram o agasalho por excelência que as protegiam contra a chuva, o frio e o vento, dos invernos rigorosos, principalmente nas azeitonadas, porque substituíam peças mais pesadas e antigas, como as mantas, por serem maleáveis e práticos para o trabalho diário na apanha da azeitona e outros.

O xaile cobria o corpo de forma digna, por vezes, as mulheres usavam-no, estrategicamente para esconder roupas velhas ou remendadas por baixo, permitindo-lhes apresentar-se na igreja ou em público com toda a dignidade, disfarçando a pobreza.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todas as mulheres tinham pelo menos um xaile preto, não só como agasalho, mas também, porque, quando da morte de familiares mais chegados, as mulheres na Freguesia de Capelins, adotavam o traje de luto carregado, cobrindo os ombros e se fosse de pais ou do marido, também cobriam a  cabeça com xailes pretos de lã, ou de tecido mais fresco, fosse de inverno ou de verão.

Os xailes das mulheres, são um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografias. Internet 

Xaile de lã





sábado, 17 de outubro de 2026

Os tradicionais cestos de verga, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais cestos de verga, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais cestos de verga, eram/são peças de artesanato usadas em todo o país, para vários fins, neste caso, na Freguesia de Capelins.
Os cestos de verga eram feitos por artesãos cesteiros que dominavam essa arte, desde a escolha do vime junto às Ribeiras, ou os rebentos das oliveiras ou de outras árvores que prestassem para esse trabalho, faziam o corte e tratavam-no, passando por várias fases, até estarem em condições das varas ou vergas descascadas serem trançadas com sabedoria e fazerem os cestos que eram de todos os tamanhos e feitios e, na Freguesia de Capelins serviam para usar na agricultura, para apanhar azeitona, bolota e outros frutos, para transportar alimentos, para as mulheres levarem a roupa da casa a lavar aos poços, às ribeiras e ao rio Guadiana, e tinham muitas outras utilidades no campo e, também serviam para transportar e pescar peixes nos correntões do rio Guadiana.
Existiam cestos de verga, adaptados a alforges, que os almocreves usavam nos burros, um de cada lado do animal, onde transportavam os produtos que vendiam ou compravam pela região, tal como, os regatões que andavam em carros de muares, com os produtos, batatas, fruta e hortaliças, separados por vários cestos.
Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todas as casas tinham cestos, para vários fins, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, onde havia muitos cestos, os quais, eram comprados nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba, onde os artesãos ou intermediários os iam vender, vindos de terras longínquas, como Alcongosta, perto da Guarda, muito célebre na arte cesteira.
Os cestos de verga, não retinham, sequer uma gota de água, mas era muito comum ouvir-se em Capelins, quando chovia muito e os telhados das casas deixavam passar água, as pessoa diziam que a casa delas, parecia um cesto roto, como se o cesto retivesse a água.
Os cestos eram utensílios muito importantes no meio rural, e a arte de cesteiro era muito estimada, existindo um provérbio que diz: Cesteiro que faz um cesto, faz um cento, se lhe derem verga e tempo.
Os cestos de verga ou vime, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Internet

Cesto de verga


















sexta-feira, 16 de outubro de 2026

O tradicional penico ou bacio, na Freguesia de Capelins

 O tradicional penico ou bacio, na Freguesia de Capelins 

O penico ou bacio era/é um recipiente arredondado, com asa e fundo chato, tradicionalmente usado para fazer as necessidades fisiológicas no quarto, quando não existia saneamento básico, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os penicos eram feitos de diversos materiais, e tinham várias dimensões e feitios, que refletiam a condição económica da família, os mais humildes e comuns eram os de barro vidrado feitos por artesãos oleiros, em São Pedro do Corval ou na Vila de Redondo, mais tarde, algumas famílias já usavam os de metal esmaltado, mas as famílias abastadas e latifundiárias exibiam penicos de louça ou porcelana fina, por vezes decorados com pinturas à mão e acompanhados de tampas, assim, até nos penicos, os pobres e os ricos faziam a diferença. 

Como nas casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, noutros tempos, não existiam instalações sanitárias, nem havia saneamento básico, os penicos eram indispensáveis para evitar saídas ao frio, à chuva, e à escuridão da noite, sendo as necessidades feitas no penico e depois guardado, religiosamente debaixo da cama, ou noutro compartimento da casa se houvesse.

Ao início da manhã, bem cedo, cabia às mulheres da casa ou às criadas fazer o despejo do conteúdo dos penicos em lugar destinado para esse efeito, geralmente nas estrumeiras, depois passavam-lhe água, por vezes com lexívia para os desinfetar, e ficavam a respirar ar puro algumas horas, ou voltavam para o seu lugar, para debaixo da cama.

Os penicos podiam ser comprados à porta, aos almocreves da Vila de Redondo, que vendiam todo o tipo de louça de barro, mas alguns eram comprados nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba e, os mais diferenciados eram adquiridos em lojas nas vilas ou cidades, neste caso, os penicos dos ricos.

Os ancestrais contavam muitas peripécias, que tinham acontecido com utilizadores de penicos, quando se levantavam durante a noite, ensonados e com a ajuda da escuridão, às vezes erravam o penico e faziam as necessidades no chão do quarto, ou dentro de botas, sendo motivo de chacota, por isso, na Freguesia de Capelins, quando alguém queria ameaçar ou gozar com outro, na brincadeira, dizia-lhe: Vê lá se erras o penico, e existiam muitos dizeres que envolviam o penico, quando alguma coisa se perdia ou partia, diziam: Já foi para o penico.

O penico tradicional, é um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Penico 




















quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A tradicional corna das azeitonas, na Freguesia de Capelins

A tradicional corna das azeitonas, na Freguesia de Capelins 

A corna era/é um utensílio tradicional e artesanal, utilizado para conservar e transportar azeitonas para as merendas e refeições das pessoas que trabalhavam nos campos.

As cornas eram peças artesanais muito típicas no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins, numa época em que os materiais naturais eram, totalmente aproveitados, os chifres dos bois ou das vacas eram limpos, trabalhados e adaptados com uma tampa de cortiça, por artesãos com gosto e jeito para o fazer, de forma a transportarem com segurança e conservarem azeitonas e azeite.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas havia cornas para as azeitonas, porque não existiam melhores utensílios para a conservação das azeitonas e do azeite, devido às propriedades dos chifres que ajudavam a preservar os alimentos e a prevenir o aparecimento de bolor, mantendo o azeite e as azeitonas em perfeitas condições, mesmo debaixo dos grandes calores nos campos.

Em todos os Montes das herdades da Freguesia de Capelins, havia muitas cornas de todas as dimensões, umas para levar o azeite para os gaspachos que os criados, ceifeiros, faziam nas ceifas, quando andavam a de comer, e outras para lhes levarem as azeitonas do conduto.

Alguns ganadeiors, levavam a corna pendurada ou guardada no alforge, nas burras, enquanto guardavam os gados nas pastagens ou na transumância, para acompanhar o pão nas suas refeições no dia a dia. 

As cornas, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: internet - Entre Tejo e Odiana 

Cornas



 



quarta-feira, 14 de outubro de 2026

O tradicional almofariz, na Freguesia de Capelins

 O tradicional almofariz, na Freguesia de Capelins

O almofariz, também conhecido como gral, era/é um dos utensílios mais antigos e tradicionais usados nas Farmácias e nas cozinhas de Portugal, neste caso, na Freguesia de Capelins. 

O almofariz ou gral, era constituído por um recipiente robusto em forma de taça e por um pilão, ou mão, e servia para pisar ou esmagar alhos, especiarias, ervas como coentros, poejos e outras, frutos secos e outros ingredientes, eram feitos por artesãos especializados nos materiais dos quais eram feitos, eram de bronze ou latão, pedra mármore ou granito, madeira, e vidro ou porcelana, tinham muitas dimensões, conforme o fim a que se destinavam, os que eram usados nas farmácias, onde noutros tempos eram feitas as mezinhas,  podiam ser diferentes dos usados nas cozinhas, geralmente os das farmácias e laboratórios eram os de vidro e porcelana por serem fáceis de esterilizar e não absorverem odores nem sabores. 

O termo, almofariz, vem do árabe al-mifraz e, durante muitos séculos foi o grande símbolo da arte farmacêutica, era neles que os boticários preparavam os pós, xaropes e pomadas a partir de plantas medicinais e minerais.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas existia pelo menos um almofariz ou gral, a maioria de madeira, por serem mais baratos do que os de bronze, e fosse para pisar um dente de alho com sal e poejos ou coentros para uma açorda de alho, ou para pisar grandes quantidades de alhos para temperar as carnes das matanças dos porcos, o almofariz ou gral era uma peça indispensável numa casa e, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins existiam muitos, uns de madeira e outros de bronze, porque faziam matanças de muitos porcos e, era preciso pisar muitos dentes de alhos para temperar as grandes quantidades de carne para os enchidos e, ao mesmo tempo, os de bronze serviam para decorar as cozinhas desses Montes e das casas nas Aldeias.

O almofariz ou gral, é um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Almofariz ou gral de bronze 



Os tradicionais enxergões de palha de centeio, na Freguesia de Capelins

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