O tradicional barbilho, na Freguesia de Capelins
O tradicional barbilho, era/é um utensílio rural artesanal utilizado na pastorícia para o desmame de crias de ovelhas, cabras ou vacas, usado no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.
O barbilho era uma peça artesanal muito fácil de fazer, geralmente eram feitos pelos ganadeiros, ou por quem deles precisava, usavam um pedaço de madeira rija, de oliveira, azinheira, piorneira ou esteva, moldados à navalha, da largura da boca do animal onde era aplicado, sendo mais elevado ao meio onde atrapalhava a língua e não a deixava funcionar quando queriam apanhar a mama das mães, no entanto, podiam alimentar-se de erva ou ração.
Os barbilhos, tinham uma saliência circular nas duas extremidades onde ligavam um cordel ou uma tira de couro que passava atrás das orelhas ou dos cornos para não o deixar sair da boca, assim, as crias acompanhavam as mães nas pastagens sem poderem mamar, deixando o leite para a ordenha, e só depois disso, tiravam-lhe o barbilho e podiam mamar o resto do leite, ou não, se fosse para os desmamar e, era assim, que rapidamente desmamavam os borregos e os cabritos, que eram obrigados a comer mais erva e ração em troca do leite.
Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, alguns seareiros tinham uma ou duas cabras, ou algumas ovelhas, que pastavam nas suas courelas, e tinham barbilhos feitos por eles, para colocar nas crias, e tirar o leite às mães quando recolhiam a casa à noitinha, e os pastores das herdades da Freguesia de Capelins, que tinham uma cabra ou duas, juntas com o rebanho das ovelhas, tinham de colocar barbilhos nos cabritos, para poderem ordenhar as cabras quando recolhiam à choça.
Sendo os barbilhos uma ferramenta do pastoreio, o seu uso remonta a práticas rurais muito antigas, documentadas há muitos séculos nesta região, era uma engenhoca muito simples, mas muito eficiente para o fim a que se destinava.
Os ancestrais associavam o barbilho da desmama dos cabritos e borregos, que os impedia de mamar, a algumas atitudes de outros homens, dizendo que, precisava de um barbilho, ou de ser embarbilhado, para não se adiantar, por exemplo, no namoro com alguma rapariga, ou noutra situação considerada excessiva.
O barbilho é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.
Fim
Texto: Correia Manuel
Fotografia: Correia Manuel
Barbilho








