terça-feira, 29 de setembro de 2026

As tradicionais pás de tender o pão, na Freguesia de Capelins

As tradicionais pás de tender o pão, na Freguesia de Capelins

Uma pá de tender o pão, era/é um utensílio icónico, usado na Freguesia de Capelins, assim como, em todo o Alentejo, que fazia parte do ciclo do pão caseiro.

A pá de tender, era uma peça artesanal feita de madeira maciça por artesãos carpinteiros, a partir de uma tábua com cerca de um metro de comprimento, por vinte e cinco centímetros de largura, mas podiam ter outras dimensões, podendo ser uma das extremidades da pá, perfeitamente redonda, oval ou retangular com os cantos arredondados.

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, havia pás de tender o pão, as quais, também serviam para outros fins, como para estender em cima delas a massa de bolos caseiros, ou serviam como base para cortar ou picar a carne de porco nas matanças, para os enchidos e outros fins, era um utensílio que a maioria dos casais levavam quando casavam.

A designação de tábua ou pá de tender, deve-se ao facto da sua utilidade principal ser a de nelas tenderem o pão, que era um ato artesanal que consistia em cortar a massa em pequenas porções, após levedar ou fintar no alguidar, depois tinham de polvilhar a pá de tender com farinha para a massa não agarrar, a seguir estendê-la e moldá-la com as mãos até ela ganhar o formato final do pão e passá-lo para o tabuleiro de madeira para, passadas cerca de duas horas, ser transportado para o forno, para ser cozido. 

As pás de tender, fazem parte do património histórico cultural, da Freguesia de Capelins

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Pá de tender o pão 




segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Os tradicionais tabuleiros de madeira para o pão, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais tabuleiros de madeira para o pão, na Freguesia de Capelins

Um tabuleiro de madeira para o pão, era uma peça icónica do artesanato e do quotidiano rural, usada antigamente na Freguesia de Capelins, assim como, em todo o Alentejo, que fazia parte do ciclo do pão caseiro.

Os tradicionais tabuleiros, eram feitos por artesãos carpinteiros, em madeira robusta, porque alguns tinham de suportar muito peso, até vinte quilogramas ou mais, uma vez que, cada pão caseiro podia pesar à volta de dois quilogramas e as cozeduras eram de oito a dez pães de cada vez, os tabuleiros tinham diversas dimensões, eram retangulares com cerca de um metro e vinte de comprimento, por quarenta centímetros de largura e com dez a quinze centímetros de altura, sendo as tábuas laterais do lado do comprimento um pouco inclinadas, onde os pães depois de cozidos ficavam encostados formando filas paralelas.

Em quase todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos e nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, onde faziam grandes cozeduras de pão, porque a maioria dos criados andavam a trabalhar a de comer e era preciso muito pão, existiam vários tabuleiros de madeira.

O tabuleiro de madeira, era uma peça que fazia parte dos utensílios que os casais levavam quando casavam, e serviam para dispor o pão em massa, depois de ser tendido ou moldado e de levedar ou fintar, mas esse processo continuava dentro deles até serem transportados para o forno para cozer, mas para evitar que a massa se agarrasse ao tabuleiro e para ajudar a manter a temperatura durante o resto do processo da levedura, o tabuleiro era forrado com um pano de algodão chamado de panal, depois de cozidos, os pães eram colocados, novamente no tabuleiro, tapados com o panal branco à medida do tabuleiro e lá ficavam, enquanto eram consumidos durante uns oito dias, ou seja, até à próxima amassadura ou fornada.

Os tabuleiros de madeira, também eram usados para receber parte das carnes dos porcos e as visceras, quando das matanças, e muitas vezes eram levados à cabeça das mulheres, com as tripas dos porcos para serem lavadas nos Ribeiros ou na Ribeira de Lucefécit.

Os tabuleiros de madeira, fazem parte do património histórico cultural da Freguesia de Capelins. 

Fim

Texto: Correia Manuel 

Fotografias: José Pessoa 

Tabuleiros de madeira




















domingo, 27 de setembro de 2026

Os tradicionais alguidares de barro, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais alguidares de barro, na Freguesia de Capelins

Um alguidar de barro era/é uma vasilha icónica muito usada, antigamente na Freguesia de Capelins, assim como, em todo o Alentejo, para vários fins. 

Os tradicionais alguidares de barro, eram/são peças de artesanato emblemáticas, neste caso, das olarias da Vila de Redondo, profundamente ligadas à história e ao quotidiano rural, o barro usado era especial, escolhido e preparado pelos artesãos oleiros, até ficar macio e elástico para ser moldado em vários tamanhos, conforme as peças a fazer, no caso dos alguidares, o seu feitio era igual, só diferiam no tamanho, depois de moldados ficavam a secar, até passarem para um forno a lenha onde eram cozidos a altas temperaturas, estes alguidares eram vidrados e alguns com relevos no interior.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, toda a gente tinha alguidares de barro, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, os quais, faziam muita falta, sendo usados para amassar a farinha e tratar a massa para fazerem o pão caseiro, e para picar, temperar e preparar a carne dos porcos nas matanças, e também serviam para lavar roupa, louças da casa, lavar alimentos, para tomar banho, principalmente as crianças, e outras lides diárias, sendo um dos elementos, maior, ou mais pequeno, que fazia parte dos utensílios que os casais levavam para casa quando casavam.

Os alguidares de barro eram comprados à porta de casa, aos almocreves de Redondo, aos quais, chamavam louceiros, que os transportavam nos burros, dentro de alforges acomodados no meio de palha para os proteger contra algum choque inesperado, que os podia partir.

Os tradicionais alguidares de barro, fazem parte do património histórico cultural da Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel 

Alguidar transformado em vaso de flores





















































sábado, 26 de setembro de 2026

Os tradicionais potes de lata para azeite, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais potes de lata para azeite, na Freguesia de Capelins

Os potes de lata para o azeite, eram/são vasilhas metálicas, geralmente de folha de flandres, ou seja, bilhas para o transporte e armazenamento do azeite recolhido no depósito da azeitona ou no lagar, antes de ser passado para as almotolias ou cântaros mais pequenos de uso diário.

Os potes de lata para azeite eram feitos por artesãos, aos quais chamavam latoeiros que, para fazer um pote começavam por cortar as peças ou partes da lata, conforme o tamanho e dimensão do pote, sendo a do corpo de maiores dimensões, o fundo redondo com quase o mesmo tamanho do corpo, uma parte que estreitava desde o corpo até ao gargalo, onde,  por cima levavam a  tampa, depois, eram todas ajustadas aos seu lugares, à martelada com mestria e por fim soldadas uma a uma com uma ferramenta em brasa que pressionava sobre um metal e outro produto que o dissolvia e, ao esfriar as diversas partes da lata ficavam unidas e todas bem fechadas e, geralmente levavam uma cinta de ferro como reforço, ficavam mais resistentes, na base e outra no fim do gargalo e com duas argolas de ferro fixadas ao meio, uma de cada lado, para se poder pegar, mas depois de cheios de azeite, em princípio, já não os mudavam de lugar, muitos potes eram em folha de lata dupla, para mais segurança.

Os potes de lata protegiam o azeite contra o oxigénio e a humidade, prolongando a sua vida útil e mantendo o sabor original e a sua qualidade, durante todo o ano.

Nas Aldeias de Faleiros, Ferreira e Montejuntos, quase toda a gente tinha um pote de lata, era uma peça que quase todos os casais levavam quando casavam, para guardar o azeite para todo o ano e nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins existiam grandes potes que enchiam de azeite, porque havia sempre ranchos de trabalhadores que andavam a de comer e, embora o azeite não fosse muito abundante nas açordas, nas sopas de grão, de feijão ou nos gaspachos, mas como eram grandes quantidades de comida, havia muito consumo de azeite. 

Quando se aproximava a altura da recolha do azeite nos depósitos ou nos lagares, no mês de Janeiro, surgiam os latoeiros com os potes de lata já feitos, mas se não fossem à medida ou gosto de quem deles precisava, podiam encomendar outro que lhes era entregue ainda nesse dia, ou no dia seguinte, porque já traziam os materiais preparados para os fazer nas suas tendas, mas algumas pessoas antecipavam-se e compravam os potes nas Feiras, quase sempre na de S. Francisco no Redondo no dia 4 de Outubro, porque podiam ser um pouco mais baratos e havia mais quantidade para escolherem. 

O pote de lata para azeite, faz parte do património histórico cultural da Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Pote de lata antigo 





quinta-feira, 24 de setembro de 2026

As tradicionais tarefas de barro para a conserva de azeitonas, na Freguesia de Capelins

As tradicionais tarefas de barro para a conserva de azeitonas, na Freguesia de Capelins

As tarefas de barro eram/são vasilhas tradicionais para vários fins, sendo o mais comum, na Freguesia de Capelins, a conserva de azeitonas para todo o ano.

 As tarefas de barro eram de produção artesanal nas olarias ou oficinas de cerâmica, neste caso, na Vila de Redondo, o barro usado era especial, escolhido e preparado pelos oleiros, os quais, tinham de colocá-lo de molho na água para ficar macio, misturar, traçar e esmagar para tirar as areias do barro, de forma a ficar elástico e depois moldá-lo em vários tamanhos, conforme as peças a fazer, no caso das tarefas o seu feitio era igual, diferiam no tamanho, eram mais estreitas na base, mas começavam a fazer uma barriga que acabava no início do gargalo, que era quase da mesma largura da base.

As tarefas de barro, depois de moldadas ficavam uns dias a secar, a duração dependia da época do ano, se o tempo estava mais quente ou frio e húmido, depois eram cozidas num forno a lenha durante doze a vinte horas, e davam muitas voltas e muito trabalho, até chegarem às casas de quem as comprava, para fazer a sua conserva de azeitonas.

Como o barro mantém a temperatura fresca e estável, evitava que as azeitonas ficassem moles ao longo dos meses, mas o interior das tarefas devia ser vidrado, porque o barro é poroso e absorve o ácido das azeitonas, a salmoura e o oxigénio, acelerando a oxidação das mesmas, por isso, ficavam moles, a que chamavam sapateiras, e não as podiam comer, porque tinham mau sabor e mau cheiro, causando uma grande perda, já que, eram fundamentais nas merendas que levavam para o campo, e em casa, eram o conduto do pão, dos gaspachos e das açordas, muita gente ansiava por um bocadinho de pão com azeitonas, porque era o conduto mais fácil de alcançar, mas eram por conta. 

Antes da colheita da azeitona para as conservas, nos meses de Outubro e Novembro, surgiam vendedores de louça de barro da Vila de Redondo, com os burros carregados de tarefas, algumas já antes encomendadas, mas eles sabiam que as vendiam todas, porque era nessa altura do ano que eram mais procuradas e que faziam mais falta nas casas das Aldeias de Faleiros, Ferreira e Montejuntos, e nos Montes das herdades, onde faziam grandes quantidades de conserva de azeitonas, uma vez que, tinham de as dar aos criados que andavam a trabalhar a de comer. 

As tarefas de barro, fazem parte do património histórico cultural da Freguesia de Capelins.

Texto: Correia Manuel 

(fotografia: Correia Manuel



quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Os tradicionais alforges, na Freguesia de Capelins

 Os tradicionais alforges, na Freguesia de Capelins 

Um alforge tradicional era constituído por dois sacos opostos, pegados na mesma base, mas um pouco afastados um do outro, que se usava, antigamente na Freguesia de Capelins, assim como, no Alentejo e noutras regiões de Portugal, para ajudar no transporte de quase tudo. 

O nome de alforge, ou alforje, tem origem na língua árabe, derivando do termo al-khurj, que significa saco de viagem, o qual era transportado no lombo, junto, ou em cima da albarda das muares ou burras, ou da sela dos cavalos, mas também, podia ser transportado a pé, ao ombro de uma pessoa.

Um alforge, não era difícil de fazer, mas exigia alguns conhecimentos de artesanato, o tecido tinha de ser resistente, alguns eram de linho, outros de pele curtida de animais ou couro, mas a maioria eram do mesmo tecido das mantas, ou seja, de lã, de trapos ou de linha, tricotados nos teares, com algumas adaptações e acabados à mão, por pessoas habilitadas, ou por um artesão. 

Para fazer um alforge, começavam por escolher o tecido e por talhar o alforge, ou por tricotar, num tear manual, uma faixa com a largura do alforge que queriam construir e com o comprimento suficiente para depois dobrar e fazerem um saco em cada extremidade com a capacidade que desejavam e na distância suficiente um do outro para ao ser transportado ao ombro de uma pessoa ficar cada saco equilibrado com a carga igual em cada um dos lados, ou seja, um saco junto ao peito e outro nas costas, mas se fosse por uma muar ou burra, ficavam posicionados um saco de cada lado da barriga ou da albarda do animal. 

Nas Aldeias de Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todas as pessoas que tinham burras, também tinham pelo menos um alforge, senão dois, porque havia alforges para o trabalho feitos de tecido de lã caseiro em tons escuros e naturais, forrados para maior resistência, e outros para levar às festas e feiras que eram mais coloridos, confecionados com tecidos finos e decorados com bordados florais ou borlas, e era dentro deles que transportavam quase tudo, desde os mantimentos, ferramentas, as compras nas feiras ou numa casa de comércio, e os pastores usavam-nos para transportar os mantimentos e os borregos recém nascidos que não conseguiam acompanhar as mães, na transumância ou nas pastagens, metiam-nos dentro do alforge em cima das burras, com a cabeça de fora, e o rebanho não parava o andamento. 

Em todos os Montes das herdades da Freguesia de Capelins, havia vários alforges, não saiam num cavalo, mula ou burra, que não levassem um alforge, para levarem ou trazerem de volta, fosse o que fosse, porque no alforge tanto cabia muita, como pouca coisa.

O alforge, faz parte do património histórico cultural e dos saberes tradicionais, da Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Alforge tradicional

(Fotografia de Sedas - Mértola) 




terça-feira, 22 de setembro de 2026

Os tradicionais ferros de passar a roupa, aquecidos com brasas, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais ferros de passar a roupa, aquecidos com brasas, na Freguesia de Capelins 

Um ferro de passar a roupa, aquecido com brasas, era um instrumento que, antigamente servia para engomar o vestuário e as roupas de casa.

 Os ferros de engomar aquecidos a brasas, eram feitos em ferro fundido, ocos no interior, ou seja, com uma cavidade e tampa com um fecho de segurança, e com dobradiças atrás, localizados na sua parte superior, por onde eram colocadas as brasas de carvão ou de lenha de azinho, que aqueciam a sua base, a qual, alisava as roupas. 

Os ferros de passar a roupa aquecidos a brasas, tinham pequenas aberturas laterais e uma chaminé à frente para o ar se movimentar e ajudar a avivar as brasas para darem mais calor e para libertar eventual fumo saído de alguma brasa, e tinham uma pega feita de madeira, um pouco elevada, em relação à cavidade das brasas, para evitar que a mão de quem passava a roupa se queimasse com o calor cindo do interior.

Existiam vários modelos de ferros aquecidos a brasas, tinham todos uma pega em madeira, uns tinham mais, outros menos orifícios, com ou sem chaminé, e com diferentes tipos de fecho e aberturas, sendo o fecho encimado pela figura de um cão, galo, gato, cavalo, pássaro, ou outro ornamento, feitos em ferro que, ao rodar, abria e fechava a tampa.

Os ferros de engomar aquecidos a brasas, surgiram na centúria de 1800 e antes deles, usavam-se outros, que eram blocos de ferro maciço, igualmente de formato triângular, muito pesados, que se aqueciam diretamente sobre as brasas do lume do chão, esses ferros são os mais primitivos, depois de bem quentes, a mulher retirava-o, limpava-o com um pano húmido para que os restos de cinza não sujassem a roupa, e enrolava um pano na pega para o poder utilizar sem se queimar, pelo que, não só eram difíceis de manusear, como arrefeciam muito rapidamente, necessitavam de ser, constantemente reaquecidos.

A maioria dos ferros de passar a roupa, existentes na Freguesia de Capelins, eram comprados nas feiras, neste caso, de Reguengos, Vila Viçosa ou Redondo, onde havia vendedores de vários instrumentos de ferro entre os quais estes, feitos por artesãos especializados e onde podiam escolher o modelo que mais gostavam, ou que a sua carteira lhes permitia, mas alguns entravam em casa, como prenda de casamento.

Os ferros de passar roupa aquecidos a brasas, fazem parte do património histórico e cultural, da Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Ferro de passar a roupa, primitivo

(Fotografia: Correia Manuel)
















(Fotografia de Terra Rural na Roça)




As tradicionais pás de tender o pão, na Freguesia de Capelins

As tradicionais pás de tender o pão, na Freguesia de Capelins Uma pá de tender o pão, era/é um utensílio icónico, usado na Freguesia de Cape...