sábado, 7 de novembro de 2026

As tradicionais taleigas, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais taleigas, na Freguesia de Capelins

As tradicionais taleigas eram/são sacos de tecido, usados no dia a dia no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Na Freguesia de Capelins, não existia muita diferença entre talêga e talêgo, como diziam e, algumas pessoas, tanto chamavam taleiga como taleigo ao mesmo saco, no entanto, havia quem os distinguisse, essencialmente pelo tamanho, formato e utilidade tradicional,  embora a distinção pudesse variar consoante a região.

A taleiga e o taleigo, eram feitos de tecido de algodão, linho, chita, veludo ou outro, à mão, pelas mulheres da casa que, nas famílias mais humildes reaproveitavam restos de tecidos gastos ou sobras de costura, muitas vezes eram decoradas com bordados à mão sobre temas regionais e, eram de muitas dimensões, às vezes eram à medida do tecido disponível e, conforme o fim a que se destinavam. as pertencentes a gente mais abastada eram muito bonitas, para levarem às feiras e às festas onde as exibiam e, até a taleigas faziam a diferença entre pobres e ricos.

As taleigas serviam para vários fins, desde transportar e guardar pão, sendo por isso, também chamadas de sacos do pão, para transportar as compras das mercearias, , para as mezinhas e outros bens e, sempre que saiam das Aldeias a tratar de documentação à Câmara ou a outra Instituição, os documentos eram transportados dentro de uma taleiga, mas também serviam para os trabalhadores levarem a comida para o campo.

Os taleigos eram sacos quase iguais às taleigas, geralmente mais pequenos, destinavam-se a guardar ou transportar bens em menor quantidade, pequenos objetos, o ouro, ou o dinheiro, eram a carteira, para pagar as compras.

Noutros tempos, em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, havia taleigas e taleigos, porque ainda não existiam sacos de plástico e tinha de haver uma taleiga sempre à mão para o que fizesse falta, uma vez que, nem toda a gente tinha alcofas que ficavam mais caras. 

Os ancestrais contavam que, noutros tempos, quando andava um rancho a trabalhar nos campos, a maioria das pessoas levavam a comida em taleigas e deixavam-nas juntas num lugar seguro, à salvaguarda de animais, depois ao meio dia, algum trabalhador, sem intenção, por distração ou apressado, trocava a sua taleiga por outra e arranjavam-se grandes enredos, mas acabavam em brincadeira.

As taleigas e os taleigos, são um símbolo etnográfico do património, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Taleiga de Capelins 





sexta-feira, 6 de novembro de 2026

A associação da flor do lírio ao brasão da Freguesia de Capelins

 A associação da flor do lírio ao brasão da Freguesia de Capelins

A associação do lírio a Santo António à tradição iconográfica deu-se a partir dos finais da centúria de 1600, e simboliza, principalmente a pureza, a castidade, a inocência e a integridade de vida de Santo António.
O lírio branco representa o voto de castidade e a vida virtuosa, isenta de pecado, que o frade franciscano cultivou e está associada à estação em que Santo António morreu, em 13 de Junho de 1231.
Sendo uma flor simples e do campo, remete para a valorização da criação e da humildade, muito própria dos franciscanos.
Santo António fazia analogias com os lírios, inspirado nas Escrituras, como “Olhai os lírios do campo”, apontando para a confiança na providência divina e para a simplicidade do coração.
Na devoção popular, os lírios são frequentemente levados a igrejas no dia de Santo António para serem abençoados como um sacramental de proteção e pureza.
Uma lenda conta que por volta de 1680, um devoto colocou um lírio junto a uma imagem de Santo António, de forma surpreendente, a flor manteve-se fresca e perfumada durante muitos dias, mesmo sem água.
Assim, o lírio é a flor de Santo António, o patrono da Freguesia de Capelins, daí a dita flor fazer parte do Brasão da Freguesia.
Brasão Oficial da Freguesia de Capleins - Santo António
O brasão oficial da Freguesia de Capelins (Santo António), localizada no concelho de Alandroal, foi publicado no Diário da República em 14 de outubro de 2005. A sua ordenação heráldica e os respetivos significados são os seguintes:
Elementos e Simbolismo
• O Ramo de Lírio: O escudo apresenta um ramo de lírio de ouro, florido com três flores de prata e estames de ouro. Este elemento representa diretamente o orago (Santo padroeiro) da freguesia, Santo António, uma vez que o lírio é o seu principal atributo iconográfico, simbolizando a pureza.
• As Ondas de Prata e Azul: Na base do escudo (campanha), encontram-se cinco faixas (burelas) ondadas de prata e azul. Simbolizam a riqueza hidrográfica da região, nomeadamente a proximidade ao Rio Guadiana e às ribeiras circundantes (como a de Lucefécit e do Azevel), hoje fortemente marcadas pelo Grande Lago de Alqueva.
• Os Peixes Vermelhos: Sobre as ondas de prata estão desenhados seis peixes vermelhos (dispostos em pirâmide: 3, 2, 1). Este detalhe evoca a importância da atividade da pesca e os recursos piscatórios locais, além de fazer uma alusão subtil ao famoso "Sermão de Santo António aos Peixes".
• Coroa Mural de Prata: Composta por três torres, o que indica legalmente o estatuto de freguesia (povoação sede de autarquia local).
• Listel Branco: Apresenta a legenda a negro com o nome oficial da autarquia: «CAPELINS - SANTO ANTÓNIO».
O conjunto heráldico sintetiza de forma simples a devoção religiosa da população e a sua forte ligação geográfica e económica aos recursos hídricos e ribeirinhos do Alentejo
Informação IA.
Correia Manuel

















A lenda do João Cabreiro e de sua madrinha, de Monsaraz

A lenda do João Cabreiro e de sua madrinha, de Monsaraz 

Conta-se que, nos finais da década de mil seiscentos e vinte, nasceu um rapaz na Vila de Monsaraz, a quem foi dado o nome de João. 

O João ainda pequenino, já mostrava grande afeição por cabras e elas por ele, deixavam-no mamar, como se fosse seu filho, por isso, as pessoas diziam que o rapaz devia ser filho de uma cabra.

Como o avô tinha um pequeno rebanho de cabras, que pastavam nas margens das Ribeiras da Pega e do Azevel, e o João andava sempre atrás dele, ganhou a alcunha de João Cabreiro, conhecia a região a palmo, assim como, todos os segredos sobre as cabras e a vida no campo, e quando o avô arrumou as botas, o João Cabreiro ficou com o rebanho de cabras que, guardava na mesma região, com a ajuda de dois cães tão bem treinados, que podia estar descansado  e ausentar-se por algum tempo, que os cães tomavam conta delas.

No dia vinte e oito de Setembro de mil seiscentos e quarenta e cinco, na Guerra da Restauração, entraram cerca de trezentos castelhanos bem armados, pelo Concelho de Monsaraz e saquearam as Aldeias e Montes das herdades até Montoito, daí voltaram, no dia vinte e nove, juntando o gado, vacas, muares, cabras, porcos, ovelhas e outros, e desceram na direção do rio Guadiana, para passarem para Castela, no Porto de Monsaraz - Mourão, mas sempre acoçados por alguma tropa portuguesa, na tentativa de lhe tirarem o gado, e quando um grupo de castelhanos chegaram a alguns metros da Ribeira da Pega, onde o João Cabreiro estava escondido, a tentar proteger as suas cabras, porque já sabia que os inimigos estavam por perto, carregou a sua funda que manobrava como ninguém, com um penedo branco, ou bajoulo, chamado quartzo leitoso, fixou os olhos na cabeça do castelhano da frente do grupo, rodopiou a funda por cima da cabeça e lançou o penedo, acertando mesmo no meio da testa do castelhano, atirando com ele do cavalo abaixo com a cabeça aberta, ficando logo morto.

Os castelhanos ficaram atónitos e correram em seu auxílio, foi o tempo suficiente para o João Cabreiro fugir na direção do olival da Pega, subiu uma oliveira que ele bem conhecia, e deixou-se escorregar para dentro do seu tronco ôco, onde nem respirava, com medo de ser ouvido, sabia que, se fosse descoberto, seria logo morto. 

Alguns castelhanos ainda foram no seu encalço e passaram várias vezes por debaixo da oliveira, mas nem desconfiavam que ele podia lá estar metido dentro, e como se aproximava uma companhia de tropa portuguesa, acabaram por desistir e fugiram, assim, o João Cabreiro foi salvo por aquela oliveira de tronco ôco.

A partir daquele dia, sempre que o João Cabreiro ia à Vila de Monsaraz e lhe diziam: - Então João, estás cá hoje? 

O João Cabreiro respondia sempre o mesmo: Estou cá hoje, graças à minha madrinha! 

Os montesarenses achavam a resposta estranha e queriam saber quem era essa senhora, madrinha do João Cabreiro que o deixava ir à Vila de Monsaraz, e ele respondia: Qualquer dia conto-lhes! Porque estava em causa a morte do castelhano e ainda podia haver vingança, e só quando se estabeleceu a paz, o João Cabreiro contou a toda a gente o que tinha acontecido naquele dia do Arcanjo S. Miguel, e afirmava que, se estava vivo, era graças à oliveira da Pega, por isso, a venerava e seria sua madrinha para sempre.

Depois dos montesarenses saberem desse acontecimento, aclamaram o João Cabreiro como herói, pela sua valentia, afinal podia ter morrido em defesa das suas cabras e da honra dos montesarenses, e a oliveira da Pega que lhe salvou a vida, passou a chamar-se, a madrinha do João Cabreiro, e foi assim conhecida por muitas gerações.

Quando chegou a hora, o João Cabreiro foi prestar contas ao seu padroeiro S. Tiago, e a sua madrinha lá ficou onde, atualmente se encontra, sendo uma das oliveiras mais velhas, senão a mais velha de Portugal.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Isidro Pinto 

Oliveira da Pega 




O tradicional alicate de lume, na Freguesia de Capelins

 O tradicional alicate de lume, na Freguesia de Capelins 

O alicate de lume ou tenaz, assim chamado em algumas regiões, fazia/faz parte do conjunto obrigatório de utensílios tradicionais do lume de chão no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

O alicate de lume, era feito de ferro forjado, por artesãos ferreiros e era indispensável no lume nas chaminés, porque era com ele que se podiam movimentar as brasas e puxar os tições de lenha para avivar ou acalmar o fogo, manusear panelas de barro ou tigelas de fogo que eram colocadas diretamente sobre as trempes, apanhar brasas vivas para colocar nas braseiras de metal que aqueciam outras divisões da casa e para pegar na brasa e colocar dentro da esculateira para fazer o café da brasa.

Este utensílio era chamado de alicate, devido ao seu mecanismo articulado e à sua função de agarrar tudo o que não se podia mexer com as mãos para não queimar.

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam alicates, porque o lume de chão à chaminé era o coração da casa, mantendo-se aceso de dia e de noite durante o inverno, e o alicate estava sempre a fazer falta e, também em todos os Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam muitos alicates de lume, porque, em todas as chaminés ardiam grandes lumes, durante todo o ano, para cozinhar, e para aquecimento nos meses mais frios.

Os ancestrais contavam peripécias que envolviam o alicate de lume, como em todas as chaminés faziam grandes lumes, sem proteção, eram um perigo para as crianças quando começavam a gatinhar e, por vezes, acabavam por cair no lume e ficavam com queimaduras graves, então os mais velhos usavam o alicate como centro de rituais de convívio, mitos e brincadeiras, e neste caso, usavam o alicate como um ser mitológico, faziam estalar as duas pontas uma contra a outra com força fazendo um som metálico estridente e  diziam-lhes para não se aproximarem do lume, senão o alicate mordia-lhe e apanhava-lhes o bafo, era o bastante para as crianças ficarem desconfiadas e com medo do alicate que, acabava por ser o guardião das crianças, de não se aproximarem muito do lume. 

O alicate de lume, é um símbolo etnográfico do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Alicate de lume




quinta-feira, 5 de novembro de 2026

O tradicional canudo de lume, na Freguesia de Capelins

 O tradicional canudo de lume, na Freguesia de Capelins

O canudo de lume, era/é um utensílio tradicional de forma tubular para soprar e avivar o lume de chão nas chaminés do Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os canudos de lume, eram um tubo com cerca de oitenta centímetros, e podiam ser feitos de metal, de madeira torneada ou de cana perfurada, por artesãos especialistas em trabalhar, com cada um desses materiais, e tinham as extremidades de dimensões diferentes, soprava-se pela extremidade com o orifício mais largo e o ar saia concentrado pela ponta mais estreita, diretamente em direção ao lume, avivando a chama com mais precisão e força do que, se o sopro fosse com a boca. 

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam canudos de lume, porque eram essenciais para acender ou avivar o lume que toda a gente fazia às chaminés, para cozinhar os alimentos da família e para aquecimento no inverno e, também em todos os Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam canudos de lume, porque nestes Montes faziam lume o ano inteiro, uma vez que, toda a comida era feita ao lume de chaminé e o canudo era um elemento associado ao lume, neste caso, eram quase todos de ferro.

Os ancestrais contavam peripécias sobre outras utilidades dos canudos, os quais, em primeiro lugar eram para soprar o lume, mas principalmente os de ferro, eram uma arma de defesa, e por vezes, tinham sido úteis aos moradores das casas que tinham sempre as portas abertas até noite dentro e, contavam que uma vez entrou um cão derramado, com raiva, numa casa quando estava toda a família em redor do lume à chaminé, valeu-lhes o canudo de ferro para se defenderem do cão, porque se mordesse em alguém estava perdido e, também contavam outros casos, em que tinham entrado ladrões em casa e foi o canudo de ferro, ou feito do cano de uma espingarda já inutilizada, a salvação do dono da casa e, o canudo também servia para alguém da família se distrair e passar o tempo a mexer no lume.  

O canudo de lume, é um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Internet

Canudo de lume




terça-feira, 3 de novembro de 2026

O tradicional saleiro de parede, na Freguesia de Capelins

 O tradicional saleiro de parede, na Freguesia de Capelins

O tradicional saleiro de parede, era um elemento comum, para guardar o sal, nas cozinhas do Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os saleiros de parede, eram feitos em madeira por artesãos carpinteiros, sendo alguns pintados à mão com motivos florais ou cenas populares, e tinham uma parte chapada atrás que continha um orifício para o pendurar, diretamente num prego na parede da cozinha, perto do lume, para proteger o sal da humidade, com uma tampa e uma abertura em meia lua para meterem a mão, ou uma colher e tirar o sal para temperar a comida que era cozinhada ao lume.

Havia os saleiros de madeira de oliveira, mas também existiam saleiros de barro e de cortiça, estes eram muito bons, porque a cortiça é porosa e protegia o sal da variação da temperatura, impedindo que ele ficasse em bloco maciço, ou seja, empedrado.

Em todas as cozinhas das casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam saleiros, sendo um utensílio que os noivos levavam quando casavam, porque ninguém podia passar sem sal, o qual, era muito apreciado e usado em abundância nas sopas de feijão, de grãos de azeite, migas, gaspachos e todo o tipo de açordas, desde que, não levassem carne de porco, porque, nesse caso, já vinha salgada e tinham de ter mão no sal. 

Antigamente, o sal era tratado com um respeito quase sagrado, e existiam superstições, os ancestrais, do alto da sua sabedoria contavam que, se alguém entornasse um saleiro, era sinal de azar iminente, mas havia remédio para anular esse mau olhado, a tradição mandava que se pegasse, imediatamente num punhado do sal entornado e lançá-lo para trás das costas, por cima do ombro esquerdo e ficavam a salvo. Também diziam que, uma pessoa que fosse lenta nas suas decisões, era chamada de pãozinho sem sal.

Os saleiros de parede, são um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto; Correia Manuel

Fotografia: Internet 




segunda-feira, 2 de novembro de 2026

O tradicional pincel de palma, na Freguesia de Capelins

 O tradicional pincel de palma, na Freguesia de Capelins

O pincel de palma, era/é um utensílio para caiar as paredes e as fachadas das casas no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

O pincel de palma, era feito de fibras das folhas das palmeiras anãs ou das piteiras, por artesãos pinceleiros que dominavam a técnica de desfiar ou pentear e atar, fortemente aquelas fibras a um pequeno cabo de madeira, formando um pincel pronto a ser usado na caiação das casas que, antes das festas das aldeias ou no verão, as paredes eram caiadas de branco com cal virgem para ficarem mais bonitas, mais frescas, desinfetadas e protegidas.

O pincel podia ser usado pegando-lhe com a mão no cabo ou ser atado firmemente com uns nós especiais a uma cana comprida, que permitia alcançar as zonas mais altas das paredes exteriores, sem necessidade de subir uma escada ou andaime.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas havia pincéis de palma ou piteira, porque no verão quase todas as casas eram caiadas por dentro e por fora, só ficavam por caiar as que os moradores estivessem debaixo de luto carregado, nesse caso, por tradição, não podiam ser caiadas e, também os Montes dos lavradores das herdades da Freguesia de Capelins, eram muito bem caiados nos finais do verão, sendo um grande orgulho das famílias, apresentarem as paredes das casas e dos Montes muito branquinhas, umas vez que, os mais destacados, corriam pela boca do povo.

Os ancestrais contavam que, havia pincéis feitos pelos presos, em troca de cigarros, mas alguns eram mal feitos, e quando se molhavam com a cal desfaziam-se e as fibras da palma ou de outro vegetal, misturava-se com a cal, obrigando as mulheres a mergulhar as mãos dentro do recepiente da cal para tirar os pedaços do pincel um a um, senão ficavam agarrados às paredes, naturalmente essa situação deixava as mulheres muito zangadas com quem lhes tinha vendido o pincel, e juravam que não se ficaria a rir, decerto levava uma desanda, porque este azar, atrasava-lhe as caianças.

Quando alguém tinha alguma coisa difícil para resolver, os ancestrais comentavam que, tinham ali um grande pincel, confirmando que, por vezes, os pincéis causavam grandes aborrecimentos às mulheres, quando se desfaziam dentro da cal em meio do seu trabalho.

O pincel de palma, é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Internet

Pincel de palma 




As tradicionais taleigas, na Freguesia de Capelins

  As tradicionais taleigas, na Freguesia de Capelins As tradicionais taleigas eram/são sacos de tecido, usados no dia a dia no Alentejo e, n...