quinta-feira, 1 de outubro de 2026

As tradicionais balanças decimais, na Freguesia de Capelins

As tradicionais balanças decimais, na Freguesia de Capelins 

As balanças decimais eram/são instrumentos de pesagem, usados para pesar os cereais em sacos, assim como, azeitona, bolota, farinha, animais, e outros produtos da agro pecuária.

As balanças decimais eram feitas em madeira e algum ferro, por artesãos carpinteiros especializados, eram compradas nas Feiras da região e funcionavam num sistema de alavancas de braços desiguais, onde o peso da carga era colocada atrás no chamado estrado, que era, exatamente dez vezes maior do que os pesos de aferição, ou seja, era/é decimal devido à proporção ser de um quilograma no prato à frente da balança, para dez quilogramas atrás, no estrado.

As balanças decimais surgiram em 1820, mas a esta região só chegaram nos finais desse decénio, antes delas, existiam as balanças romanas para pesagem de cargas mais volumosas, mas além de não serem tão precisas, eram muito difíceis de transportar devido ao seu peso, a maior parte era de ferro.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam balanças decimais nas casas da maioria dos seareiros que, as tinham ao dispor dos familiares, vizinhos e amigos, onde recorriam para pesar quaisquer produtos que compravam ou vendiam e para controlar o seu próprio peso e, quando alguém se ia pesar, toda a gente que por ali estava, não resistia a fazer o mesmo, havendo sempre  apostas sobre quanto cada um pesava e quem acertava ficava muito orgulhoso, a pesagem do pessoal era sempre um grande momento de convívio entre todos, e como noutros tempos, a gordura era formosura, quanto mais gordo/a mais ufano/a ficava.

 As balanças decimais tinham uma engrenagem que, facilmente descarrilava e depois já não funcionava, por isso, as pessoas tinham de subir para o estrado da balança, ou colocar as cargas no estrado com muito cuidado, para não a desencaixar, senão tinham de tirar tudo, encaixar a engrenagem, e voltar a meter a carga a pesar.

Nos Montes das herdades na Freguesia de Capelins, não faltavam balanças decimais, alguns tinham mais do que uma, porque havia sempre coisas para vender, ou comprar e tinham de ser pesadas.

As balanças decimais, fazem parte do património histórico cultural, da Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: internet - Artbid 




quarta-feira, 30 de setembro de 2026

As tradicionais peneiras da farinha do pão, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais peneiras da farinha do pão, na Freguesia de Capelins 

As peneiras de farinha eram aros de madeira com uma base de rede fina, usadas à mão ou numa armação de madeira, para peneirar a farinha antes de ser amassada para o pão.

As peneiras de farinha eram peças artesanais feitas por artesãos carpinteiros e tinham várias dimensões, noutros tempos a sua base era malha de rede de fibras naturais ou seda e só mais tarde surgiu a rede de arame.

Para separar o farelo, que era a casca do trigo e grumos, da farinha com a peneira era preciso muito movimento de braços e do corpo, que combinava em rodar ou girar a farinha em circulo em redondo, bater e atirar a farinha de um lado para o outro e sacudir, mas esse trabalho custava muito, por isso, existia uma armação de madeira feita com ripas, duas mais cumpridas e duas pregadas nas extremidades dessas na perpendicular, era colocada sobre o alguidar, e a peneira era encaixada e empurrada para a frente e puxada para trás com rapidez e a farinha ia caindo no alguidar e a peneira com os restos só era batida ou sacudida no fim, já com pouco peso, isso ajudava muito na tarefa, principalmente à rapaziada, era um dos trabalhos do Escamel, mas nem toda a gente gostava desse apoio e preferiam peneirar à força dos braços.

Em quase todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam várias peneiras, porque não podiam fazer cozeduras de pão sem peneirar a farinha, sendo uma peça do ciclo do pão que a maioria dos casais levavam quando casavam.

As peneiras de farinha, são um simbolo do património etnográfico, histórico e cultural na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel 

Peneiras da farinha para pão 




terça-feira, 29 de setembro de 2026

As tradicionais pás de tender o pão, na Freguesia de Capelins

As tradicionais pás de tender o pão, na Freguesia de Capelins

Uma pá de tender o pão, era/é um utensílio icónico, usado na Freguesia de Capelins, assim como, em todo o Alentejo, que fazia parte do ciclo do pão caseiro.

A pá de tender, era uma peça artesanal feita de madeira maciça por artesãos carpinteiros, a partir de uma tábua com cerca de um metro de comprimento, por vinte e cinco centímetros de largura, mas podiam ter outras dimensões, podendo ser uma das extremidades da pá, perfeitamente redonda, oval ou retangular com os cantos arredondados.

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, havia pás de tender o pão, as quais, também serviam para outros fins, como para estender em cima delas a massa de bolos caseiros, ou serviam como base para cortar ou picar a carne de porco nas matanças, para os enchidos e outros fins, era um utensílio que a maioria dos casais levavam quando casavam.

A designação de tábua ou pá de tender, deve-se ao facto da sua utilidade principal ser a de nelas tenderem o pão, que era um ato artesanal que consistia em cortar a massa em pequenas porções, após levedar ou fintar no alguidar, depois tinham de polvilhar a pá de tender com farinha para a massa não agarrar, a seguir estendê-la e moldá-la com as mãos até ela ganhar o formato final do pão e passá-lo para o tabuleiro de madeira para, passadas cerca de duas horas, ser transportado para o forno, para ser cozido. 

As pás de tender, fazem parte do património histórico cultural, da Freguesia de Capelins

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Pá de tender o pão 




segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Os tradicionais tabuleiros de madeira para o pão, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais tabuleiros de madeira para o pão, na Freguesia de Capelins

Um tabuleiro de madeira para o pão, era uma peça icónica do artesanato e do quotidiano rural, usada antigamente na Freguesia de Capelins, assim como, em todo o Alentejo, que fazia parte do ciclo do pão caseiro.

Os tradicionais tabuleiros, eram feitos por artesãos carpinteiros, em madeira robusta, porque alguns tinham de suportar muito peso, até vinte quilogramas ou mais, uma vez que, cada pão caseiro podia pesar à volta de dois quilogramas e as cozeduras eram de oito a dez pães de cada vez, os tabuleiros tinham diversas dimensões, eram retangulares com cerca de um metro e vinte de comprimento, por quarenta centímetros de largura e com dez a quinze centímetros de altura, sendo as tábuas laterais do lado do comprimento um pouco inclinadas, onde os pães depois de cozidos ficavam encostados formando filas paralelas.

Em quase todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos e nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, onde faziam grandes cozeduras de pão, porque a maioria dos criados andavam a trabalhar a de comer e era preciso muito pão, existiam vários tabuleiros de madeira.

O tabuleiro de madeira, era uma peça que fazia parte dos utensílios que os casais levavam quando casavam, e serviam para dispor o pão em massa, depois de ser tendido ou moldado e de levedar ou fintar, mas esse processo continuava dentro deles até serem transportados para o forno para cozer, mas para evitar que a massa se agarrasse ao tabuleiro e para ajudar a manter a temperatura durante o resto do processo da levedura, o tabuleiro era forrado com um pano de algodão chamado de panal, depois de cozidos, os pães eram colocados, novamente no tabuleiro, tapados com o panal branco à medida do tabuleiro e lá ficavam, enquanto eram consumidos durante uns oito dias, ou seja, até à próxima amassadura ou fornada.

Os tabuleiros de madeira, também eram usados para receber parte das carnes dos porcos e as visceras, quando das matanças, e muitas vezes eram levados à cabeça das mulheres, com as tripas dos porcos para serem lavadas nos Ribeiros ou na Ribeira de Lucefécit.

Os tabuleiros de madeira, fazem parte do património histórico cultural da Freguesia de Capelins. 

Fim

Texto: Correia Manuel 

Fotografias: José Pessoa 

Tabuleiros de madeira




















domingo, 27 de setembro de 2026

Os tradicionais alguidares de barro, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais alguidares de barro, na Freguesia de Capelins

Um alguidar de barro era/é uma vasilha icónica muito usada, antigamente na Freguesia de Capelins, assim como, em todo o Alentejo, para vários fins. 

Os tradicionais alguidares de barro, eram/são peças de artesanato emblemáticas, neste caso, das olarias da Vila de Redondo, profundamente ligadas à história e ao quotidiano rural, o barro usado era especial, escolhido e preparado pelos artesãos oleiros, até ficar macio e elástico para ser moldado em vários tamanhos, conforme as peças a fazer, no caso dos alguidares, o seu feitio era igual, só diferiam no tamanho, depois de moldados ficavam a secar, até passarem para um forno a lenha onde eram cozidos a altas temperaturas, estes alguidares eram vidrados e alguns com relevos no interior.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, toda a gente tinha alguidares de barro, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, os quais, faziam muita falta, sendo usados para amassar a farinha e tratar a massa para fazerem o pão caseiro, e para picar, temperar e preparar a carne dos porcos nas matanças, e também serviam para lavar roupa, louças da casa, lavar alimentos, para tomar banho, principalmente as crianças, e outras lides diárias, sendo um dos elementos, maior, ou mais pequeno, que fazia parte dos utensílios que os casais levavam para casa quando casavam.

Os alguidares de barro eram comprados à porta de casa, aos almocreves de Redondo, aos quais, chamavam louceiros, que os transportavam nos burros, dentro de alforges acomodados no meio de palha para os proteger contra algum choque inesperado, que os podia partir.

Os tradicionais alguidares de barro, fazem parte do património histórico cultural da Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel 

Alguidar transformado em vaso de flores





















































sábado, 26 de setembro de 2026

Os tradicionais potes de lata para azeite, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais potes de lata para azeite, na Freguesia de Capelins

Os potes de lata para o azeite, eram/são vasilhas metálicas, geralmente de folha de flandres, ou seja, bilhas para o transporte e armazenamento do azeite recolhido no depósito da azeitona ou no lagar, antes de ser passado para as almotolias ou cântaros mais pequenos de uso diário.

Os potes de lata para azeite eram feitos por artesãos, aos quais chamavam latoeiros que, para fazer um pote começavam por cortar as peças ou partes da lata, conforme o tamanho e dimensão do pote, sendo a do corpo de maiores dimensões, o fundo redondo com quase o mesmo tamanho do corpo, uma parte que estreitava desde o corpo até ao gargalo, onde,  por cima levavam a  tampa, depois, eram todas ajustadas aos seu lugares, à martelada com mestria e por fim soldadas uma a uma com uma ferramenta em brasa que pressionava sobre um metal e outro produto que o dissolvia e, ao esfriar as diversas partes da lata ficavam unidas e todas bem fechadas e, geralmente levavam uma cinta de ferro como reforço, ficavam mais resistentes, na base e outra no fim do gargalo e com duas argolas de ferro fixadas ao meio, uma de cada lado, para se poder pegar, mas depois de cheios de azeite, em princípio, já não os mudavam de lugar, muitos potes eram em folha de lata dupla, para mais segurança.

Os potes de lata protegiam o azeite contra o oxigénio e a humidade, prolongando a sua vida útil e mantendo o sabor original e a sua qualidade, durante todo o ano.

Nas Aldeias de Faleiros, Ferreira e Montejuntos, quase toda a gente tinha um pote de lata, era uma peça que quase todos os casais levavam quando casavam, para guardar o azeite para todo o ano e nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins existiam grandes potes que enchiam de azeite, porque havia sempre ranchos de trabalhadores que andavam a de comer e, embora o azeite não fosse muito abundante nas açordas, nas sopas de grão, de feijão ou nos gaspachos, mas como eram grandes quantidades de comida, havia muito consumo de azeite. 

Quando se aproximava a altura da recolha do azeite nos depósitos ou nos lagares, no mês de Janeiro, surgiam os latoeiros com os potes de lata já feitos, mas se não fossem à medida ou gosto de quem deles precisava, podiam encomendar outro que lhes era entregue ainda nesse dia, ou no dia seguinte, porque já traziam os materiais preparados para os fazer nas suas tendas, mas algumas pessoas antecipavam-se e compravam os potes nas Feiras, quase sempre na de S. Francisco no Redondo no dia 4 de Outubro, porque podiam ser um pouco mais baratos e havia mais quantidade para escolherem. 

O pote de lata para azeite, faz parte do património histórico cultural da Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Pote de lata antigo 





quinta-feira, 24 de setembro de 2026

As tradicionais tarefas de barro para a conserva de azeitonas, na Freguesia de Capelins

As tradicionais tarefas de barro para a conserva de azeitonas, na Freguesia de Capelins

As tarefas de barro eram/são vasilhas tradicionais para vários fins, sendo o mais comum, na Freguesia de Capelins, a conserva de azeitonas para todo o ano.

 As tarefas de barro eram de produção artesanal nas olarias ou oficinas de cerâmica, neste caso, na Vila de Redondo, o barro usado era especial, escolhido e preparado pelos oleiros, os quais, tinham de colocá-lo de molho na água para ficar macio, misturar, traçar e esmagar para tirar as areias do barro, de forma a ficar elástico e depois moldá-lo em vários tamanhos, conforme as peças a fazer, no caso das tarefas o seu feitio era igual, diferiam no tamanho, eram mais estreitas na base, mas começavam a fazer uma barriga que acabava no início do gargalo, que era quase da mesma largura da base.

As tarefas de barro, depois de moldadas ficavam uns dias a secar, a duração dependia da época do ano, se o tempo estava mais quente ou frio e húmido, depois eram cozidas num forno a lenha durante doze a vinte horas, e davam muitas voltas e muito trabalho, até chegarem às casas de quem as comprava, para fazer a sua conserva de azeitonas.

Como o barro mantém a temperatura fresca e estável, evitava que as azeitonas ficassem moles ao longo dos meses, mas o interior das tarefas devia ser vidrado, porque o barro é poroso e absorve o ácido das azeitonas, a salmoura e o oxigénio, acelerando a oxidação das mesmas, por isso, ficavam moles, a que chamavam sapateiras, e não as podiam comer, porque tinham mau sabor e mau cheiro, causando uma grande perda, já que, eram fundamentais nas merendas que levavam para o campo, e em casa, eram o conduto do pão, dos gaspachos e das açordas, muita gente ansiava por um bocadinho de pão com azeitonas, porque era o conduto mais fácil de alcançar, mas eram por conta. 

Antes da colheita da azeitona para as conservas, nos meses de Outubro e Novembro, surgiam vendedores de louça de barro da Vila de Redondo, com os burros carregados de tarefas, algumas já antes encomendadas, mas eles sabiam que as vendiam todas, porque era nessa altura do ano que eram mais procuradas e que faziam mais falta nas casas das Aldeias de Faleiros, Ferreira e Montejuntos, e nos Montes das herdades, onde faziam grandes quantidades de conserva de azeitonas, uma vez que, tinham de as dar aos criados que andavam a trabalhar a de comer. 

As tarefas de barro, fazem parte do património histórico cultural da Freguesia de Capelins.

Texto: Correia Manuel 

(fotografia: Correia Manuel



As tradicionais balanças decimais, na Freguesia de Capelins

As tradicionais balanças decimais, na Freguesia de Capelins  As balanças decimais eram/são instrumentos de pesagem, usados para pesar os cer...