quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A tradicional corna das azeitonas, na Freguesia de Capelins

A tradicional corna das azeitonas, na Freguesia de Capelins 

A corna era/é um utensílio tradicional e artesanal, utilizado para conservar e transportar azeitonas para as merendas e refeições das pessoas que trabalhavam nos campos.

As cornas eram peças artesanais muito típicas no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins, numa época em que os materiais naturais eram, totalmente aproveitados, os chifres dos bois ou das vacas eram limpos, trabalhados e adaptados com uma tampa de cortiça, por artesãos com gosto e jeito para o fazer, de forma a transportarem com segurança e conservarem azeitonas e azeite.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas havia cornas para as azeitonas, porque não existiam melhores utensílios para a conservação das azeitonas e do azeite, devido às propriedades dos chifres que ajudavam a preservar os alimentos e a prevenir o aparecimento de bolor, mantendo o azeite e as azeitonas em perfeitas condições, mesmo debaixo dos grandes calores nos campos.

Em todos os Montes das herdades da Freguesia de Capelins, havia muitas cornas de todas as dimensões, umas para levar o azeite para os gaspachos que os criados, ceifeiros, faziam nas ceifas, quando andavam a de comer, e outras para lhes levarem as azeitonas do conduto.

Alguns ganadeiors, levavam a corna pendurada ou guardada no alforge, nas burras, enquanto guardavam os gados nas pastagens ou na transumância, para acompanhar o pão nas suas refeições no dia a dia. 

As cornas, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: internet - Entre Tejo e Odiana 

Cornas



 



quarta-feira, 14 de outubro de 2026

O tradicional almofariz, na Freguesia de Capelins

 O tradicional almofariz, na Freguesia de Capelins

O almofariz, também conhecido como gral, era/é um dos utensílios mais antigos e tradicionais usados nas Farmácias e nas cozinhas de Portugal, neste caso, na Freguesia de Capelins. 

O almofariz ou gral, era constituído por um recipiente robusto em forma de taça e por um pilão, ou mão, e servia para pisar ou esmagar alhos, especiarias, ervas como coentros, poejos e outras, frutos secos e outros ingredientes, eram feitos por artesãos especializados nos materiais dos quais eram feitos, eram de bronze ou latão, pedra mármore ou granito, madeira, e vidro ou porcelana, tinham muitas dimensões, conforme o fim a que se destinavam, os que eram usados nas farmácias, onde noutros tempos eram feitas as mezinhas,  podiam ser diferentes dos usados nas cozinhas, geralmente os das farmácias e laboratórios eram os de vidro e porcelana por serem fáceis de esterilizar e não absorverem odores nem sabores. 

O termo, almofariz, vem do árabe al-mifraz e, durante muitos séculos foi o grande símbolo da arte farmacêutica, era neles que os boticários preparavam os pós, xaropes e pomadas a partir de plantas medicinais e minerais.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas existia pelo menos um almofariz ou gral, a maioria de madeira, por serem mais baratos do que os de bronze, e fosse para pisar um dente de alho com sal e poejos ou coentros para uma açorda de alho, ou para pisar grandes quantidades de alhos para temperar as carnes das matanças dos porcos, o almofariz ou gral era uma peça indispensável numa casa e, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins existiam muitos, uns de madeira e outros de bronze, porque faziam matanças de muitos porcos e, era preciso pisar muitos dentes de alhos para temperar as grandes quantidades de carne para os enchidos e, ao mesmo tempo, os de bronze serviam para decorar as cozinhas desses Montes e das casas nas Aldeias.

O almofariz ou gral, é um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Almofariz ou gral de bronze 



terça-feira, 13 de outubro de 2026

As tradicionais mantas de retalhos e de lã, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais mantas de retalhos e de lã, na Freguesia de Capelins 

As tradicionais mantas alentejanas, ou de retalhos são peças de tecelagem artesanal em pura lã de ovelha, ou de restos de tecidos, confecionadas em teares manuais horizontais.

As mantas alentejanas ou de retalhos, eram feitas por artesãs tecedeiras em teares centenários com raízes que remontam aos séculos XIII e XIV, vindos de influências dos padrões árabes e berberes, e utilizavam fios de lã branca e negra ou, de forma mais marcante, cores vivas e vibrantes inspiradas na paisagem e na flora da região, sendo o processo inteiramente manual, tornando cada manta uma peça única.

Embora as mantas alentejanas, tivessem a sua origem nos Concelhos de Reguengos, Mértola e Castro Verde, também as faziam em algumas casas de família no Alentejo, tal como, na Freguesia de Capelins, onde eram chamadas mantas de retalhos, porque, em algumas, em lugar da lã de ovelha branca e negra, também eram utilizados pedaços de tecidos, muitas vezes já usados em vestuário e, eram, sabiamente  integrados nas mantas  através de um tear, como faziam no Monte da Zorra de Cima. 

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, não havia casa sem mantas, os invernos eram muito frios e as casas eram mal isoladas, só uma boa manta lhes valia, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, onde os lavradores, os ganadeiros e os criados ou ganhões tinham muitas mantas, que compravam nas feiras da região, como em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa e Borba, onde os artesãos ou intermediários se deslocavam a vender estas mantas.

As mantas surgiram associadas à pastorícia e à necessidade de proteger os pastores e trabalhadores rurais do frio rigoroso, que era tanto, que obrigava, por vezes, os ganadeiros a guardar o gado embrulhados numa manta de retalhos ou de lã.

Os pedintes que vagueavam pela região, ou quem se deslocava a procurar trabalho de herdade em herdade, não dispensavam a manta e o bordão e, quando surgia alguma figura com estes dois utensílios, as pessoas comentavam que era mais um maltez que chegava ou que ia passando. 

A manta de retalhos ou de lã, é um símbolo etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Mantas de, Reguengos à esquerda e de Capelins à direita 




segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Os tradicionais cortiços de cortiça, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais cortiços de cortiça, na Freguesia de Capelins 

Os cortiços de cortiça eram/são um tipo de colmeias muito antigos, usados para a criação de abelhas e produção de mel, no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os cortiços de cortiça, tinham cerca de um metro de altura e cerca de trinta centímetros de diâmetro, eram feitos por artesãos especializados no domínio da cortiça, mas neste caso, pouco tinham a alterar, visto o seu formato ser o mesmo, diretamente extraído dos troncos dos sobreiros, e consistia num cilindro fechado com cavilhas de madeira de cima a baixo, tal como o fundo que, também era feito em cortiça cortada mais larga para servir de base e fixado com o mesmo tipo de cavilhas e uma tampa superior, encaixada, de forma a ser retirada quando faziam a crestação, ou seja, a extração do mel, em finais de Maio, início de Junho e, geralmente levavam uma laje de xisto em cima para resguardar a tampa e, também para o cortiço ficar mais seguro e não tombar devido a algum eventual vendaval e, ao fundo do cortiço, existia uma pequena janela por onde as abelhas entravam e saiam no seu vaivém, as abelhas fixavam os favos no interior do cortiço, depositando cera no teto e nas paredes internas e para garantir que a estrutura pesada do mel não caísse as abelhas usavam uma resina vegetal colado por elas para isolar a superfície e para criar bases de apoio para os favos do mel, mas os apicultores ajudavam as suas abelhas, colocavam varas de esteva que atravessavam o cortiço em cruz, que eram chamadas de trancas ou poleiros.

A cortiça é leve, impermeável e funciona como um excelente isolador térmico, mantendo a temperatura estável, fresco no verão e, quente no inverno.

Na Freguesia de Capelins, existiam muitos colmeais, logo muitos cortiços que eram comprados nas feiras da região, onde os artesãos se deslocavam a fazer a sua venda, vindos de Estremoz, Evoramonte, Évora e de Cortiçadas de Lavre, que segundo uma lenda, ganhou essa designação por fazerem lá muitos cortiços e ser terra da cortiça, mas também, havia artesãos nesta Freguesia que os faziam.

Os cortiços de cortiça, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Internet ecos da charneca

Cortiços de cortiça 




domingo, 11 de outubro de 2026

As tradicionais trempes de ferro, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais trempes de ferro, na Freguesia de Capelins 

Uma trempe era/é um suporte em ferro, tradicional, com três pés usado para apoiar os tachos, panelas e tijelas de fogo, quando cozinhavam a comida ao lume, nas cozinhas rurais do Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

As trempes eram feitas em ferro temperado por artesãos ferreiros, nas Forjas, tinham diversas dimensões e robustez para suportar o peso de grandes tachos com comida, sendo o seu feitio quase todo igual, era um circulo de ferro com três pés e algumas com três pequenos braços que partiam do circulo onde estavam fixados à mesma distância, em direção ao centro onde rebaixavam sem se juntarem, para apoiar as peças que tinham o fundo mais estreito do que o circulo.

As trempes, geralmente tinham a altura de quinze a vinte centímetros, e metiam a lenha  pelo meio dos pés delas, para arder no lume e produzir chama e brasas.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todas as casas tinham, pelo menos uma trempe, porque toda a gente fazia lume à chaminé e, sempre que precisavam de fritar ovos, carne, peixe, batatas, fazer sopas de tomate, migas, diversas açordas  e outras comidas, tinham de meter a trempe sobre o lume para apoiar as tijelas de fogo, tachos ou frigideiras ou sertãs, porque não existiam outras alternativas, só mais tarde, nos finais do século XIX, surgiram os fogões a petróleo e a gás, mas só chegaram a Capelins no século XX.

Nas grandes cozinhas dos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam muitas trempes de todos os tamanhos e feitios, porque a comida para os lavradores e família, e para os criados que andavam a de comer, era cozinhada ao lume, embora a maioria fosse  cozinhada em panelas, mas faziam sopas de tomate com toucinho, migas e diversas açodas, que eram feitas em tijelas de fogo de barro, sendo preciso as trempes para o seu apoio sobre o lume.

Como os cozinhados eram todos feitos ao lume, também, algumas carnes das matanças dos porcos, como os torresmos para a manteiga, barbela, entrecosto, lombo e outros, eram fritas em grandes tijelas de fogo, ou em grandes tachos de cobre, sendo preciso trempes de ferro robustas, para os suportar sobre o lume.

A trempe de ferro, é um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografias: Correia Manuel 

Trempe de ferro 

















sábado, 10 de outubro de 2026

Os tradicionais carros de bestas e de bois, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais carros de bestas e de bois, na Freguesia de Capelins

Os carros ou carroças de bestas e de bois eram/são veículos de tração animal utilizados na agricultura, e no transporte de pessoas e bens em todo o país, neste caso, na Freguesia de Capelins. 

Os carros de bestas e de bois eram construídos em madeira e ferro, por artesãos chamados abegões e ferreiros, embora as suas funções fossem as mesmas, existiam diferenças entre ambos, adaptadas aos animais que os puxavam, assim como, às necessidades do trabalho de cada um.

A base dos carros era de madeira muito robusta, tinham uma trave ao meio que incluía a rabicha, tipo a coluna e as tábuas continuavam para ambos os lados até aos taipais laterais suportados por uma carreira de pequenos postes de madeira encaixados na base e num barrote redondo ao longo do carro por cima, e por baixo eram reforçados com fortes travessas de madeira, ainda é de salientar que, os carros das muares, estavam obrigados a ter uma licença de circulação emitida pela Câmara do Concelho onde os donos residiam.

As rodas dos carros, tinham fortes raios de madeira com aros de ferro, metidos na madeira enquanto estavam em brasa, fixos com cavilhas de ferro, as rodas tinham uma manga que entrava no eixo de ferro temperado, com aplicação de massa contra aquecimento devido à fricção do ferro e por fora eram trancadas com uma cavilha de segurança, e tinham um travão de manivela que apertava o calço de ferro contra o aro da roda, e auxiliava os animais a segurar o carro nas descidas mais acentuadas.

Estes carros podiam ser puxadas por uma única muar ou por duas, chamada uma parelha, e faziam diferença na sua dimensão, sendo os puxados por uma muar com duas varas laterais, a que chamavam varais, que ligavam o corpo do carro à canga ficando a muar metida entre os ditos varais, enquanto os carros de parelha, eram maiores e mais robustos, podendo carregar maiores quantidades de cereais, lenhas, terra e pedras, palhas e outros, tinham apenas um varal muito forte, de madeira maciça, fixada ao meio do carro e era ligado à canga da parelha, ao meio delas.

Os carros de bestas eram mais leves e ágeis, do que os carros de bois, ideais para fazerem os transportes mais rápidos, também porque, as bestas moviam-se a uma velocidade muito superior à dos bois.

Os carros de bois, na Freguesia de Capelins chamados carretas, e são dos veículos mais antigos da humanidade, conhecidos pela sua robustez e força, eram veículos muito lentos, devido à lentidão dos movimentos desses animais, mas capazes de mover cargas extremamente pesadas em terrenos difíceis, íngremes ou lamacentos.

 Na Freguesia de Capelins, os bois eram sempre atrelados aos pares, ou seja, uma junta, através de uma canga de madeira colocada sobre o pescoço dos animais, ligada ao cabeçalho. 

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todos os seareiros tinham o seu carro, a maioria com dois varais, para uma besta, mas nas herdades da Freguesia de Capelins, havia imensos carros de parelhas de muares e de bois.

Os carros de bestas e de bois, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Carro de bestas

Fotografia: Internet - Alentejo e seu povo 





sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Os tradicionais chocalhos e esquilas, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais chocalhos e esquilas, na Freguesia de Capelins 

Os chocalhos e as esquilas, eram/são instrumentos usados historicamente pelos gados no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os chocalhos, eram/são feitos de ferro forjado, revestidos a cobre ou a bronze, com os badalos de madeira, e tinham várias dimensões e formatos, os maiores a que chamavam mangas ou reboleiros, eram destinados a animais de maior porte, como vacas e bois, e os mais pequenos eram para colocar ao pescoço das ovelhas, porcas, burras, e em animais domésticos, como os cães.

As esquilas, eram/são feitas de ferro revestido com latão e cobre ou bronze com o badalo em ferro que lhe dava um som muito estridente, diferentes dos chocalhos, as suas dimensões eram mais pequenas, com uma boca mais larga, muito semelhantes a um sino, e eram utilizadas sobretudo em cabras, nos cães e nos pequenos ruminantes. 

Em quase todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam chocalhos e esquilas, ou porque os seareiros tinham animais que os usavam, ou vinham de heranças de algum ancestral que tinha sido ganadeiro e os tinha comprado.

Os chocalhos tinham outra utilidade, no Sábado de Aleluia de cada ano, a rapaziada preparavam um chocalho, de sua casa ou emprestado, para levar a benzer e a tocar em grupo à porta da Igreja de Santo António de Capelins e depois de benzidos iam a tocar os chocalhos pelos Montes das herdades e pelas Aldeias, anunciando em coro, que Jesus tinha ressuscitado, e em troca eram recompensados com o que lhes queriam dar, queijos, ovos, chouriças, bolos, fruta, dinheiro e outros, para à noite fazerem uma paródia.

Os ganadeiros e os lavradores tinham orgulho em apresentar os seus animais de chocalhos pendurados ao pescoço por coleiras de couro cravejadas e bem presas com fivelas de metal ou com cavilhas de madeira muito rija, porque os animais não podiam perder o chocalho ou a esquila nos campos das pastagens, onde dificilmente se encontravam.

Os ganadeiros e os lavradores das herdades da Freguesia de Capelins, compravam os chocalhos e as esquilas, nas Feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba, onde os artesãos fabricantes, geralmente os da Vila das Alcáçosas, se deslocavam a fazer as suas vendas, mas a compra não era fácil, não pelo ajuste dos preços, mas pela escolha dos toques, era preciso bom ouvido para escutar os toques de chocalhos e de esquilas, porque os ganadeiros já sabiam o toque que queriam, e por vezes tinham de ouvir o toque dos chocalhos todos da barraca para encontrar o da sua preferência, porque aquele toque ficava gravado e, quando o animal que o recebia se afastava, pelo toque do chocalho eles sabiam qual era, porque os chocalhos além de animarem os campos com a sua mistura de toques, serviam de auxílio aos ganadeiros para encontrarem o gado, eventualmente perdido, chamado gado do vento. 

Os chocalhos e as esquilas, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel 

Amostra de pequeno chocalho com coleira



A tradicional corna das azeitonas, na Freguesia de Capelins

A tradicional corna das azeitonas, na Freguesia de Capelins  A corna era/é um utensílio tradicional e artesanal, utilizado para conservar e ...