A lenda do toque do sino da Igreja de Santo António de Capelins
Conta-se que, à volta do ano de 1820, durante uma temporada, o sino da Igreja de Santo António de Capelins, tocava à meia noite a chamar para a missa.
Como nessa época as pessoas deitavam-se pouco depois do solposto, cansados do trabalho duro que faziam nos campos, nessa hora, dormiam profundamente, mas acordavam atarantados, mas o sino parava de tocar e viravam-se nas suas camas continuando a dormir, só o sacristão e o padre Marcos Pouzão iam à porta a ver o que se passava, mas não viam ninguém, nem ouviam nada e, corriam para a cama, mas no dia seguinte toda a gente que morava junto à Igreja, reclamava e comentava o sucedido.
Como a situação se repetia, as pessoas começaram a fazer vigias e mesmo assim, o sino tocava sem ninguém por perto e os moradores já andavam assustados e começaram a dizer que só podia ser uma alma penada, mas também diziam, que as almas penadas não entravam no Campo Santo, não entendiam como é que esta, se aproximava assim da Igreja.
O padre Marcos Pouzão e o sacristão prometeram que iam resolver a situação, porque se fosse uma alma penada, tinha de dizer o que queria e começaram a andar por ali a essa hora, mas o sino tocava e não viam nada, até que, numa noite de grande invernia o sino tocou, e o padre foi a correr e disse ao sacristão para ficar em casa e não sair, porque podia ser um caso só para ele, por isso, é que a alma penada nunca se mostrava, quando iam os dois, e afastou-se.
Quando o padre chegou à porta da Igreja viu que estava iluminada e a porta com uma pequena fisga aberta, empurrou a porta e viu um padre paramentado de costas para ele, ficou assustado, mas foi indo devagar e naquele momento ouviu uma voz dizer-lhe: - Não tenha medo, há muito tempo que estou à sua espera, sou o pároco Luciano o anterior, e estou no purgatório para ser purificado, mas fui castigado, porque recebi uma grande esmola de um lavrador daqui para rezar uma missa pela alma dele e não o fiz, agora preciso da sua ajuda, porque tenho de rezar a missa com a ajuda de outro padre, mas antes de eu dar a benção o colega tem de sair daqui a correr, não se esqueça disso!
O Pároco Luciano rezou a missa com a ajuda do padre Marcos que, antes da benção, como o pároco lhe disse, fugiu e quando passou a porta da Igreja ela fechou-se bruscamente, quase o entalava e, ao mesmo tempo ouviu grande estouro dentro da Igreja.
O padre Marcos Pouzão foi dali a correr para a sua casa, e nessa noite pouco fechou os olhos e de manhã assim que se levantou chamou o sacristão e contou-lhe o que se tinha passado, foram os dois à Igreja a observar tudo ao pormenor e não havia sinais de alguém ali ter estado, e o sacristão que morava paredes meias com a Igreja, afirmou que não ouviu nada, mas acreditou no padre.
Nesse dia à meia noite, os moradores esperavam o toque do sino a chamar para a missa, mas o sino nunca mais tocou, o padre apenas lhe disse que, o caso estava resolvido, mas passado algum tempo, acabaram por saber o que se tinha passado, através do sacristão, e ficaram descansados, por mais uma alma do purgatório, ter sido salva.
Texto; Correia Manuel
Fotografia: Correia Manuel
Igreja de santo António de Capelins
Existiam aqui pelo menos seis casas de habitação

