sábado, 17 de outubro de 2026

Os tradicionais cestos de verga, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais cestos de verga, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais cestos de verga, eram/são peças de artesanato usadas em todo o país, para vários fins, neste caso, na Freguesia de Capelins.
Os cestos de verga eram feitos por artesãos cesteiros que dominavam essa arte, desde a escolha do vime junto às Ribeiras, ou os rebentos das oliveiras ou de outras árvores que prestassem para esse trabalho, faziam o corte e tratavam-no, passando por várias fases, até estarem em condições das varas ou vergas descascadas serem trançadas com sabedoria e fazerem os cestos que eram de todos os tamanhos e feitios e, na Freguesia de Capelins serviam para usar na agricultura, para apanhar azeitona, bolota e outros frutos, para transportar alimentos, para as mulheres levarem a roupa da casa a lavar aos poços, às ribeiras e ao rio Guadiana, e tinham muitas outras utilidades no campo e, também serviam para transportar e pescar peixes nos correntões do rio Guadiana.
Existiam cestos de verga, adaptados a alforges, que os almocreves usavam nos burros, um de cada lado do animal, onde transportavam os produtos que vendiam ou compravam pela região, tal como, os regatões que andavam em carros de muares, com os produtos, batatas, fruta e hortaliças, separados por vários cestos.
Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todas as casas tinham cestos, para vários fins, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, onde havia muitos cestos, os quais, eram comprados nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba, onde os artesãos ou intermediários os iam vender, vindos de terras longínquas, como Alcongosta, perto da Guarda, muito célebre na arte cesteira.
Os cestos de verga, não retinham, sequer uma gota de água, mas era muito comum ouvir-se em Capelins, quando chovia muito e os telhados das casas deixavam passar água, as pessoa diziam que a casa delas, parecia um cesto roto, como se o cesto retivesse a água.
Os cestos eram utensílios muito importantes no meio rural, e a arte de cesteiro era muito estimada, existindo um provérbio que diz: Cesteiro que faz um cesto, faz um cento, se lhe derem verga e tempo.
Os cestos de verga ou vime, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Internet

Cesto de verga


















sexta-feira, 16 de outubro de 2026

O tradicional penico ou bacio, na Freguesia de Capelins

 O tradicional penico ou bacio, na Freguesia de Capelins 

O penico ou bacio era/é um recipiente arredondado, com asa e fundo chato, tradicionalmente usado para fazer as necessidades fisiológicas no quarto, quando não existia saneamento básico, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os penicos eram feitos de diversos materiais, e tinham várias dimensões e feitios, que refletiam a condição económica da família, os mais humildes e comuns eram os de barro vidrado feitos por artesãos oleiros, em São Pedro do Corval ou na Vila de Redondo, mais tarde, algumas famílias já usavam os de metal esmaltado, mas as famílias abastadas e latifundiárias exibiam penicos de louça ou porcelana fina, por vezes decorados com pinturas à mão e acompanhados de tampas, assim, até nos penicos, os pobres e os ricos faziam a diferença. 

Como nas casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, noutros tempos, não existiam instalações sanitárias, nem havia saneamento básico, os penicos eram indispensáveis para evitar saídas ao frio, à chuva, e à escuridão da noite, sendo as necessidades feitas no penico e depois guardado, religiosamente debaixo da cama, ou noutro compartimento da casa se houvesse.

Ao início da manhã, bem cedo, cabia às mulheres da casa ou às criadas fazer o despejo do conteúdo dos penicos em lugar destinado para esse efeito, geralmente nas estrumeiras, depois passavam-lhe água, por vezes com lexívia para os desinfetar, e ficavam a respirar ar puro algumas horas, ou voltavam para o seu lugar, para debaixo da cama.

Os penicos podiam ser comprados à porta, aos almocreves da Vila de Redondo, que vendiam todo o tipo de louça de barro, mas alguns eram comprados nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba e, os mais diferenciados eram adquiridos em lojas nas vilas ou cidades, neste caso, os penicos dos ricos.

Os ancestrais contavam muitas peripécias, que tinham acontecido com utilizadores de penicos, quando se levantavam durante a noite, ensonados e com a ajuda da escuridão, às vezes erravam o penico e faziam as necessidades no chão do quarto, ou dentro de botas, sendo motivo de chacota, por isso, na Freguesia de Capelins, quando alguém queria ameaçar ou gozar com outro, na brincadeira, dizia-lhe: Vê lá se erras o penico, e existiam muitos dizeres que envolviam o penico, quando alguma coisa se perdia ou partia, diziam: Já foi para o penico.

O penico tradicional, é um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Penico 




















quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A tradicional corna das azeitonas, na Freguesia de Capelins

A tradicional corna das azeitonas, na Freguesia de Capelins 

A corna era/é um utensílio tradicional e artesanal, utilizado para conservar e transportar azeitonas para as merendas e refeições das pessoas que trabalhavam nos campos.

As cornas eram peças artesanais muito típicas no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins, numa época em que os materiais naturais eram, totalmente aproveitados, os chifres dos bois ou das vacas eram limpos, trabalhados e adaptados com uma tampa de cortiça, por artesãos com gosto e jeito para o fazer, de forma a transportarem com segurança e conservarem azeitonas e azeite.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas havia cornas para as azeitonas, porque não existiam melhores utensílios para a conservação das azeitonas e do azeite, devido às propriedades dos chifres que ajudavam a preservar os alimentos e a prevenir o aparecimento de bolor, mantendo o azeite e as azeitonas em perfeitas condições, mesmo debaixo dos grandes calores nos campos.

Em todos os Montes das herdades da Freguesia de Capelins, havia muitas cornas de todas as dimensões, umas para levar o azeite para os gaspachos que os criados, ceifeiros, faziam nas ceifas, quando andavam a de comer, e outras para lhes levarem as azeitonas do conduto.

Alguns ganadeiors, levavam a corna pendurada ou guardada no alforge, nas burras, enquanto guardavam os gados nas pastagens ou na transumância, para acompanhar o pão nas suas refeições no dia a dia. 

As cornas, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: internet - Entre Tejo e Odiana 

Cornas



 



quarta-feira, 14 de outubro de 2026

O tradicional almofariz, na Freguesia de Capelins

 O tradicional almofariz, na Freguesia de Capelins

O almofariz, também conhecido como gral, era/é um dos utensílios mais antigos e tradicionais usados nas Farmácias e nas cozinhas de Portugal, neste caso, na Freguesia de Capelins. 

O almofariz ou gral, era constituído por um recipiente robusto em forma de taça e por um pilão, ou mão, e servia para pisar ou esmagar alhos, especiarias, ervas como coentros, poejos e outras, frutos secos e outros ingredientes, eram feitos por artesãos especializados nos materiais dos quais eram feitos, eram de bronze ou latão, pedra mármore ou granito, madeira, e vidro ou porcelana, tinham muitas dimensões, conforme o fim a que se destinavam, os que eram usados nas farmácias, onde noutros tempos eram feitas as mezinhas,  podiam ser diferentes dos usados nas cozinhas, geralmente os das farmácias e laboratórios eram os de vidro e porcelana por serem fáceis de esterilizar e não absorverem odores nem sabores. 

O termo, almofariz, vem do árabe al-mifraz e, durante muitos séculos foi o grande símbolo da arte farmacêutica, era neles que os boticários preparavam os pós, xaropes e pomadas a partir de plantas medicinais e minerais.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas existia pelo menos um almofariz ou gral, a maioria de madeira, por serem mais baratos do que os de bronze, e fosse para pisar um dente de alho com sal e poejos ou coentros para uma açorda de alho, ou para pisar grandes quantidades de alhos para temperar as carnes das matanças dos porcos, o almofariz ou gral era uma peça indispensável numa casa e, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins existiam muitos, uns de madeira e outros de bronze, porque faziam matanças de muitos porcos e, era preciso pisar muitos dentes de alhos para temperar as grandes quantidades de carne para os enchidos e, ao mesmo tempo, os de bronze serviam para decorar as cozinhas desses Montes e das casas nas Aldeias.

O almofariz ou gral, é um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Almofariz ou gral de bronze 



terça-feira, 13 de outubro de 2026

As tradicionais mantas de retalhos e de lã, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais mantas de retalhos e de lã, na Freguesia de Capelins 

As tradicionais mantas alentejanas, ou de retalhos são peças de tecelagem artesanal em pura lã de ovelha, ou de restos de tecidos, confecionadas em teares manuais horizontais.

As mantas alentejanas ou de retalhos, eram feitas por artesãs tecedeiras em teares centenários com raízes que remontam aos séculos XIII e XIV, vindos de influências dos padrões árabes e berberes, e utilizavam fios de lã branca e negra ou, de forma mais marcante, cores vivas e vibrantes inspiradas na paisagem e na flora da região, sendo o processo inteiramente manual, tornando cada manta uma peça única.

Embora as mantas alentejanas, tivessem a sua origem nos Concelhos de Reguengos, Mértola e Castro Verde, também as faziam em algumas casas de família no Alentejo, tal como, na Freguesia de Capelins, onde eram chamadas mantas de retalhos, porque, em algumas, em lugar da lã de ovelha branca e negra, também eram utilizados pedaços de tecidos, muitas vezes já usados em vestuário e, eram, sabiamente  integrados nas mantas  através de um tear, como faziam no Monte da Zorra de Cima. 

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, não havia casa sem mantas, os invernos eram muito frios e as casas eram mal isoladas, só uma boa manta lhes valia, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, onde os lavradores, os ganadeiros e os criados ou ganhões tinham muitas mantas, que compravam nas feiras da região, como em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa e Borba, onde os artesãos ou intermediários se deslocavam a vender estas mantas.

As mantas surgiram associadas à pastorícia e à necessidade de proteger os pastores e trabalhadores rurais do frio rigoroso, que era tanto, que obrigava, por vezes, os ganadeiros a guardar o gado embrulhados numa manta de retalhos ou de lã.

Os pedintes que vagueavam pela região, ou quem se deslocava a procurar trabalho de herdade em herdade, não dispensavam a manta e o bordão e, quando surgia alguma figura com estes dois utensílios, as pessoas comentavam que era mais um maltez que chegava ou que ia passando. 

A manta de retalhos ou de lã, é um símbolo etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Mantas de, Reguengos à esquerda e de Capelins à direita 




segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Os tradicionais cortiços de cortiça, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais cortiços de cortiça, na Freguesia de Capelins 

Os cortiços de cortiça eram/são um tipo de colmeias muito antigos, usados para a criação de abelhas e produção de mel, no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os cortiços de cortiça, tinham cerca de um metro de altura e cerca de trinta centímetros de diâmetro, eram feitos por artesãos especializados no domínio da cortiça, mas neste caso, pouco tinham a alterar, visto o seu formato ser o mesmo, diretamente extraído dos troncos dos sobreiros, e consistia num cilindro fechado com cavilhas de madeira de cima a baixo, tal como o fundo que, também era feito em cortiça cortada mais larga para servir de base e fixado com o mesmo tipo de cavilhas e uma tampa superior, encaixada, de forma a ser retirada quando faziam a crestação, ou seja, a extração do mel, em finais de Maio, início de Junho e, geralmente levavam uma laje de xisto em cima para resguardar a tampa e, também para o cortiço ficar mais seguro e não tombar devido a algum eventual vendaval e, ao fundo do cortiço, existia uma pequena janela por onde as abelhas entravam e saiam no seu vaivém, as abelhas fixavam os favos no interior do cortiço, depositando cera no teto e nas paredes internas e para garantir que a estrutura pesada do mel não caísse as abelhas usavam uma resina vegetal colado por elas para isolar a superfície e para criar bases de apoio para os favos do mel, mas os apicultores ajudavam as suas abelhas, colocavam varas de esteva que atravessavam o cortiço em cruz, que eram chamadas de trancas ou poleiros.

A cortiça é leve, impermeável e funciona como um excelente isolador térmico, mantendo a temperatura estável, fresco no verão e, quente no inverno.

Na Freguesia de Capelins, existiam muitos colmeais, logo muitos cortiços que eram comprados nas feiras da região, onde os artesãos se deslocavam a fazer a sua venda, vindos de Estremoz, Evoramonte, Évora e de Cortiçadas de Lavre, que segundo uma lenda, ganhou essa designação por fazerem lá muitos cortiços e ser terra da cortiça, mas também, havia artesãos nesta Freguesia que os faziam.

Os cortiços de cortiça, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Internet ecos da charneca

Cortiços de cortiça 




domingo, 11 de outubro de 2026

As tradicionais trempes de ferro, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais trempes de ferro, na Freguesia de Capelins 

Uma trempe era/é um suporte em ferro, tradicional, com três pés usado para apoiar os tachos, panelas e tijelas de fogo, quando cozinhavam a comida ao lume, nas cozinhas rurais do Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

As trempes eram feitas em ferro temperado por artesãos ferreiros, nas Forjas, tinham diversas dimensões e robustez para suportar o peso de grandes tachos com comida, sendo o seu feitio quase todo igual, era um circulo de ferro com três pés e algumas com três pequenos braços que partiam do circulo onde estavam fixados à mesma distância, em direção ao centro onde rebaixavam sem se juntarem, para apoiar as peças que tinham o fundo mais estreito do que o circulo.

As trempes, geralmente tinham a altura de quinze a vinte centímetros, e metiam a lenha  pelo meio dos pés delas, para arder no lume e produzir chama e brasas.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todas as casas tinham, pelo menos uma trempe, porque toda a gente fazia lume à chaminé e, sempre que precisavam de fritar ovos, carne, peixe, batatas, fazer sopas de tomate, migas, diversas açordas  e outras comidas, tinham de meter a trempe sobre o lume para apoiar as tijelas de fogo, tachos ou frigideiras ou sertãs, porque não existiam outras alternativas, só mais tarde, nos finais do século XIX, surgiram os fogões a petróleo e a gás, mas só chegaram a Capelins no século XX.

Nas grandes cozinhas dos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam muitas trempes de todos os tamanhos e feitios, porque a comida para os lavradores e família, e para os criados que andavam a de comer, era cozinhada ao lume, embora a maioria fosse  cozinhada em panelas, mas faziam sopas de tomate com toucinho, migas e diversas açodas, que eram feitas em tijelas de fogo de barro, sendo preciso as trempes para o seu apoio sobre o lume.

Como os cozinhados eram todos feitos ao lume, também, algumas carnes das matanças dos porcos, como os torresmos para a manteiga, barbela, entrecosto, lombo e outros, eram fritas em grandes tijelas de fogo, ou em grandes tachos de cobre, sendo preciso trempes de ferro robustas, para os suportar sobre o lume.

A trempe de ferro, é um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografias: Correia Manuel 

Trempe de ferro 

















Os tradicionais cestos de verga, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais cestos de verga, na Freguesia de Capelins Os tradicionais cestos de verga, eram/são peças de artesanato usadas em todo o paí...