sexta-feira, 6 de novembro de 2026

A lenda do João Cabreiro e de sua madrinha, de Monsaraz

A lenda do João Cabreiro e de sua madrinha, de Monsaraz 

Conta-se que, nos finais da década de mil seiscentos e vinte, nasceu um rapaz na Vila de Monsaraz, a quem foi dado o nome de João. 

O João ainda pequenino, já mostrava grande afeição por cabras e elas por ele, deixavam-no mamar, como se fosse seu filho, por isso, as pessoas diziam que o rapaz devia ser filho de uma cabra.

Como o avô tinha um pequeno rebanho de cabras, que pastavam nas margens das Ribeiras da Pega e do Azevel, e o João andava sempre atrás dele, ganhou a alcunha de João Cabreiro, conhecia a região a palmo, assim como, todos os segredos sobre as cabras e a vida no campo, e quando o avô arrumou as botas, o João Cabreiro ficou com o rebanho de cabras que, guardava na mesma região, com a ajuda de dois cães tão bem treinados, que podia estar descansado  e ausentar-se por algum tempo, que os cães tomavam conta delas.

No dia vinte e oito de Setembro de mil seiscentos e quarenta e cinco, na Guerra da Restauração, entraram cerca de trezentos castelhanos bem armados, pelo Concelho de Monsaraz e saquearam as Aldeias e Montes das herdades até Montoito, daí voltaram, no dia vinte e nove, juntando o gado, vacas, muares, cabras, porcos, ovelhas e outros, e desceram na direção do rio Guadiana, para passarem para Castela, no Porto de Monsaraz - Mourão, mas sempre acoçados por alguma tropa portuguesa, na tentativa de lhe tirarem o gado, e quando um grupo de castelhanos chegaram a alguns metros da Ribeira da Pega, onde o João Cabreiro estava escondido, a tentar proteger as suas cabras, porque já sabia que os inimigos estavam por perto, carregou a sua funda que manobrava como ninguém, com um penedo branco, ou bajoulo, chamado quartzo leitoso, fixou os olhos na cabeça do castelhano da frente do grupo, rodopiou a funda por cima da cabeça e lançou o penedo, acertando mesmo no meio da testa do castelhano, atirando com ele do cavalo abaixo com a cabeça aberta, ficando logo morto.

Os castelhanos ficaram atónitos e correram em seu auxílio, foi o tempo suficiente para o João Cabreiro fugir na direção do olival da Pega, subiu uma oliveira que ele bem conhecia, e deixou-se escorregar para dentro do seu tronco ôco, onde nem respirava, com medo de ser ouvido, sabia que, se fosse descoberto, seria logo morto. 

Alguns castelhanos ainda foram no seu encalço e passaram várias vezes por debaixo da oliveira, mas nem desconfiavam que ele podia lá estar metido dentro, e como se aproximava uma companhia de tropa portuguesa, acabaram por desistir e fugiram, assim, o João Cabreiro foi salvo por aquela oliveira de tronco ôco.

A partir daquele dia, sempre que o João Cabreiro ia à Vila de Monsaraz e lhe diziam: - Então João, estás cá hoje? 

O João Cabreiro respondia sempre o mesmo: Estou cá hoje, graças à minha madrinha! 

Os montesarenses achavam a resposta estranha e queriam saber quem era essa senhora, madrinha do João Cabreiro que o deixava ir à Vila de Monsaraz, e ele respondia: Qualquer dia conto-lhes! Porque estava em causa a morte do castelhano e ainda podia haver vingança, e só quando se estabeleceu a paz, o João Cabreiro contou a toda a gente o que tinha acontecido naquele dia do Arcanjo S. Miguel, e afirmava que, se estava vivo, era graças à oliveira da Pega, por isso, a venerava e seria sua madrinha para sempre.

Depois dos montesarenses saberem desse acontecimento, aclamaram o João Cabreiro como herói, pela sua valentia, afinal podia ter morrido em defesa das suas cabras e da honra dos montesarenses, e a oliveira da Pega que lhe salvou a vida, passou a chamar-se, a madrinha do João Cabreiro, e foi assim conhecida por muitas gerações.

Quando chegou a hora, o João Cabreiro foi prestar contas ao seu padroeiro S. Tiago, e a sua madrinha lá ficou onde, atualmente se encontra, sendo uma das oliveiras mais velhas, senão a mais velha de Portugal.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Isidro Pinto 

Oliveira da Pega 




O tradicional alicate de lume, na Freguesia de Capelins

 O tradicional alicate de lume, na Freguesia de Capelins 

O alicate de lume ou tenaz, assim chamado em algumas regiões, fazia/faz parte do conjunto obrigatório de utensílios tradicionais do lume de chão no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

O alicate de lume, era feito de ferro forjado, por artesãos ferreiros e era indispensável no lume nas chaminés, porque era com ele que se podiam movimentar as brasas e puxar os tições de lenha para avivar ou acalmar o fogo, manusear panelas de barro ou tigelas de fogo que eram colocadas diretamente sobre as trempes, apanhar brasas vivas para colocar nas braseiras de metal que aqueciam outras divisões da casa e para pegar na brasa e colocar dentro da esculateira para fazer o café da brasa.

Este utensílio era chamado de alicate, devido ao seu mecanismo articulado e à sua função de agarrar tudo o que não se podia mexer com as mãos para não queimar.

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam alicates, porque o lume de chão à chaminé era o coração da casa, mantendo-se aceso de dia e de noite durante o inverno, e o alicate estava sempre a fazer falta e, também em todos os Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam muitos alicates de lume, porque, em todas as chaminés ardiam grandes lumes, durante todo o ano, para cozinhar, e para aquecimento nos meses mais frios.

Os ancestrais contavam peripécias que envolviam o alicate de lume, como em todas as chaminés faziam grandes lumes, sem proteção, eram um perigo para as crianças quando começavam a gatinhar e, por vezes, acabavam por cair no lume e ficavam com queimaduras graves, então os mais velhos usavam o alicate como centro de rituais de convívio, mitos e brincadeiras, e neste caso, usavam o alicate como um ser mitológico, faziam estalar as duas pontas uma contra a outra com força fazendo um som metálico estridente e  diziam-lhes para não se aproximarem do lume, senão o alicate mordia-lhe e apanhava-lhes o bafo, era o bastante para as crianças ficarem desconfiadas e com medo do alicate que, acabava por ser o guardião das crianças, de não se aproximarem muito do lume. 

O alicate de lume, é um símbolo etnográfico do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Alicate de lume




quinta-feira, 5 de novembro de 2026

O tradicional canudo de lume, na Freguesia de Capelins

 O tradicional canudo de lume, na Freguesia de Capelins

O canudo de lume, era/é um utensílio tradicional de forma tubular para soprar e avivar o lume de chão nas chaminés do Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os canudos de lume, eram um tubo com cerca de oitenta centímetros, e podiam ser feitos de metal, de madeira torneada ou de cana perfurada, por artesãos especialistas em trabalhar, com cada um desses materiais, e tinham as extremidades de dimensões diferentes, soprava-se pela extremidade com o orifício mais largo e o ar saia concentrado pela ponta mais estreita, diretamente em direção ao lume, avivando a chama com mais precisão e força do que, se o sopro fosse com a boca. 

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam canudos de lume, porque eram essenciais para acender ou avivar o lume que toda a gente fazia às chaminés, para cozinhar os alimentos da família e para aquecimento no inverno e, também em todos os Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam canudos de lume, porque nestes Montes faziam lume o ano inteiro, uma vez que, toda a comida era feita ao lume de chaminé e o canudo era um elemento associado ao lume, neste caso, eram quase todos de ferro.

Os ancestrais contavam peripécias sobre outras utilidades dos canudos, os quais, em primeiro lugar eram para soprar o lume, mas principalmente os de ferro, eram uma arma de defesa, e por vezes, tinham sido úteis aos moradores das casas que tinham sempre as portas abertas até noite dentro e, contavam que uma vez entrou um cão derramado, com raiva, numa casa quando estava toda a família em redor do lume à chaminé, valeu-lhes o canudo de ferro para se defenderem do cão, porque se mordesse em alguém estava perdido e, também contavam outros casos, em que tinham entrado ladrões em casa e foi o canudo de ferro, ou feito do cano de uma espingarda já inutilizada, a salvação do dono da casa e, o canudo também servia para alguém da família se distrair e passar o tempo a mexer no lume.  

O canudo de lume, é um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Internet

Canudo de lume




terça-feira, 3 de novembro de 2026

O tradicional saleiro de parede, na Freguesia de Capelins

 O tradicional saleiro de parede, na Freguesia de Capelins

O tradicional saleiro de parede, era um elemento comum, para guardar o sal, nas cozinhas do Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os saleiros de parede, eram feitos em madeira por artesãos carpinteiros, sendo alguns pintados à mão com motivos florais ou cenas populares, e tinham uma parte chapada atrás que continha um orifício para o pendurar, diretamente num prego na parede da cozinha, perto do lume, para proteger o sal da humidade, com uma tampa e uma abertura em meia lua para meterem a mão, ou uma colher e tirar o sal para temperar a comida que era cozinhada ao lume.

Havia os saleiros de madeira de oliveira, mas também existiam saleiros de barro e de cortiça, estes eram muito bons, porque a cortiça é porosa e protegia o sal da variação da temperatura, impedindo que ele ficasse em bloco maciço, ou seja, empedrado.

Em todas as cozinhas das casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam saleiros, sendo um utensílio que os noivos levavam quando casavam, porque ninguém podia passar sem sal, o qual, era muito apreciado e usado em abundância nas sopas de feijão, de grãos de azeite, migas, gaspachos e todo o tipo de açordas, desde que, não levassem carne de porco, porque, nesse caso, já vinha salgada e tinham de ter mão no sal. 

Antigamente, o sal era tratado com um respeito quase sagrado, e existiam superstições, os ancestrais, do alto da sua sabedoria contavam que, se alguém entornasse um saleiro, era sinal de azar iminente, mas havia remédio para anular esse mau olhado, a tradição mandava que se pegasse, imediatamente num punhado do sal entornado e lançá-lo para trás das costas, por cima do ombro esquerdo e ficavam a salvo. Também diziam que, uma pessoa que fosse lenta nas suas decisões, era chamada de pãozinho sem sal.

Os saleiros de parede, são um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto; Correia Manuel

Fotografia: Internet 




segunda-feira, 2 de novembro de 2026

O tradicional pincel de palma, na Freguesia de Capelins

 O tradicional pincel de palma, na Freguesia de Capelins

O pincel de palma, era/é um utensílio para caiar as paredes e as fachadas das casas no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

O pincel de palma, era feito de fibras das folhas das palmeiras anãs ou das piteiras, por artesãos pinceleiros que dominavam a técnica de desfiar ou pentear e atar, fortemente aquelas fibras a um pequeno cabo de madeira, formando um pincel pronto a ser usado na caiação das casas que, antes das festas das aldeias ou no verão, as paredes eram caiadas de branco com cal virgem para ficarem mais bonitas, mais frescas, desinfetadas e protegidas.

O pincel podia ser usado pegando-lhe com a mão no cabo ou ser atado firmemente com uns nós especiais a uma cana comprida, que permitia alcançar as zonas mais altas das paredes exteriores, sem necessidade de subir uma escada ou andaime.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas havia pincéis de palma ou piteira, porque no verão quase todas as casas eram caiadas por dentro e por fora, só ficavam por caiar as que os moradores estivessem debaixo de luto carregado, nesse caso, por tradição, não podiam ser caiadas e, também os Montes dos lavradores das herdades da Freguesia de Capelins, eram muito bem caiados nos finais do verão, sendo um grande orgulho das famílias, apresentarem as paredes das casas e dos Montes muito branquinhas, umas vez que, os mais destacados, corriam pela boca do povo.

Os ancestrais contavam que, havia pincéis feitos pelos presos, em troca de cigarros, mas alguns eram mal feitos, e quando se molhavam com a cal desfaziam-se e as fibras da palma ou de outro vegetal, misturava-se com a cal, obrigando as mulheres a mergulhar as mãos dentro do recepiente da cal para tirar os pedaços do pincel um a um, senão ficavam agarrados às paredes, naturalmente essa situação deixava as mulheres muito zangadas com quem lhes tinha vendido o pincel, e juravam que não se ficaria a rir, decerto levava uma desanda, porque este azar, atrasava-lhe as caianças.

Quando alguém tinha alguma coisa difícil para resolver, os ancestrais comentavam que, tinham ali um grande pincel, confirmando que, por vezes, os pincéis causavam grandes aborrecimentos às mulheres, quando se desfaziam dentro da cal em meio do seu trabalho.

O pincel de palma, é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Internet

Pincel de palma 




domingo, 1 de novembro de 2026

O tradicional lenço de cabeça das mulheres, na Freguesia de Capelins

 O tradicional lenço de cabeça das mulheres, na Freguesia de Capelins 

O lenço de cabeça das mulheres, era uma peça essencial do traje tradicional no dia a dia, no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os lenços de cabeça das mulheres, eram comprados nas lojas de tecidos das Aldeias da Freguesia, à porta aos vendedores ambulantes a que chamavam barateiros e nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba, mas havia mulheres que os faziam, eram de vários tecidos, algodão e outros, conforme a época do ano em que era usado, e de várias cores, com motivos florais, e garridos para ocasiões festivas, mas a maioria eram escuros, e no caso das mulheres estarem a fazer o luto por algum familiar era preto, e se fosse viúva era para o resto da sua vida. 

Os lenços de cabeça das mulheres, eram dobrados fazendo um triângulo, depois o meio assentava no alto da cabeça ficando a parte da frente ao nível da testa e a outra caída para trás e para os lados e, era apertado, juntando as duas pontas com um nó especial entre o pescoço e o queixo, e serviam para proteger do calor intenso, do sol, do vento e do frio durante as duras jornadas de trabalho no campo, principalmente na apanha da azeitona, na monda das searas e nas ceifas e, também prendiam e mantinham o cabelo arrumado e limpo, contra a poeira da terra, e resguardavam as mulheres dos olhares atrevidos dos homens.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, noutros tempos, as mulheres depois do casamento, começavam a usar um lenço na cabeça por tradição, talvez fosse uma herança dos povos de outras religiões que muito antes habitaram nesta região da Freguesia de Capelins e, também as raparigas quando trabalhavam no campo não dispensavam os lenços de cabeça, pelos motivos antes referidos.

Os ancestrais contavam que, o lenço de cabeça era a salvação de algumas mulheres não caírem nas bocas do povo, porque, quando à noitinha passavam por algum lugar menos próprio e sozinhas, para não serem reconhecidas puxavam o lenço da cabeça para o rosto e só ficavam com os olhos de fora, para verem por onde iam, e quando passavam por alguém que lhes dava a boa noite, não respondiam, porque o tom da voz podia traí-las, assim, não havia certezas sobre quem era a mulher que, aparentemente andaria por maus caminhos. 

Os lenços de cabeça das mulheres, também eram usados para imobilizar braços junto ao peito, no caso de algum acidente, eram atados atrás do pescoço, ficando a parte mais larga a meio do peito apoiando o braço, ou para aconchegar alguma mezinha às faces e ao queixo, quando alguém tinha uma forte dor de dentes era apoiado na cabeça e atado por baixo do queixo. 

O lenço de cabeça das mulheres, é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: internet

Lenço da cabeça de mulher




sábado, 31 de outubro de 2026

A tradicional vassoura de palma, na Freguesia de Capelins

A tradicional vassoura de palma, na Freguesia de Capelins 

A tradicional vassoura de palma, era/é um utensílio artesanal, usado para varrer o chão das casas no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

As vassouras de palma eram feitas a partir das folhas da palmeira anã por artesãos que dominavam as artes de tecelagem partilhando técnicas tradicionais com a confecção de alcofas e de chapéus, eram fabricadas inteiramente com fibra de palma, geralmente combinada com pequenos cabos de madeira, e algumas sem cabo, mas com a palma muito bem apertada, para a vassoura não se desfazer.

A principal função da vassoura de palma, era varrer o chão rígido e por vezes irregular das casas, e a cinza do lume de chão feito às chaminés, não sendo usadas para varrer as ruas, quanto muito, o lajeado junto à porta, mas a palma desgastava-se e as vassouras iam diminuindo de tamanho, chegando a um ponto que já não serviam para varrer a casa, perdendo o seu nome de vassoura e passavam a vassourico ou bassourico com outras funções, ainda continuavam a varrer a cinza do lume, ou iam para o chiqueiro dos porcos para limpar as gamelas, ou ficavam para os pedreiros salpicarem os tijolos das paredes antes de as rebocarem, sendo aproveitadas até a palma desaparecer, ficando só o cabo que era aproveitado para outros fins.

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam vassouras de palma, porque não havia outras para varrer dentro de casa, embora, por serem tão pequenas obrigavam as mulheres a baixarem-se, e quando tinham muito a varrer faziam-lhes dor de costas, mas também havia vassouras de cabo comprido que, eram pouco usadas.

A vassoura de palma, era muito mais do que um simples utensílio de limpeza, era uma peça que envolvia misticismo, engenho e pequenas peripécias, superstições e crenças populares, os ancestrais contavam que, quando alguém queria afastar visitas indesejadas, a artimanha infalível era colocar uma vassoura invertida, com a palma virada para cima, atrás da porta da rua, as visitas ou nem entravam, ou depressa abalavam. 

Os mais velhos, avisavam as raparigas, para não deixarem varrer os pés com a vassoura de palma, senão já não casavam, mas se houvesse um descuido e os pés da rapariga fossem varridos, ela tinha de cuspir, imediatamente no chão três vezes, para desfazer o feitiço. 

Quando as famílias mudavam de casa nas Aldeias, ou de Monte, nunca podiam levar a vassoura velha, tinham de comprar uma vassoura nova, senão levavam as mazelas e o azar do passado com elas.

As vassouras de palma, são um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Internet 

Vassoura de palma




A lenda do João Cabreiro e de sua madrinha, de Monsaraz

A lenda do João Cabreiro e de sua madrinha, de Monsaraz  Conta-se que, nos finais da década de mil seiscentos e vinte, nasceu um rapaz na Vi...