domingo, 25 de outubro de 2026

Os tradicionais lavatórios de ferro, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais lavatórios de ferro, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais lavatórios de ferro, eram peças fundamentais do mobiliário de antigamente, situados habitualmente nos quartos ou junto às zonas de dormir, usados no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os tradicionais lavatórios eram uma armação ou suporte em ferro forjado, feitos por artesãos ferreiros especializados e, eram de muitas dimensões e feitios com diversos braços ou arcos na parte superior, com espaço próprio para pendurar a toalha de rosto ou até um espelho basculante para as pessoas se comporem, pentear, cortar a barba e ver a sua figura ao levantar da cama e, assim, poder dar um jeito, de maneira a ficar com a melhor apresentação possível quando desse de caras com a rua e com quem por ela passava.

Do conjunto do lavatório fazia parte uma bacia, um balde por baixo para receber a água suja e um jarro com a água limpa, frequentemente de metal esmaltado decorado com motivos florais, ou de faiança, louça portuguesa clássica, e a bacia o jarro e o balde a condizer. 

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existia o conjunto do lavatório de ferro, sendo, geralmente mais humildes, muito simples, mas funcionais, a bacia, o balde e o jarro eram de esmalte, ou de ferro e latão, enquanto que, nos Montes dos lavradores das herdades da Freguesia de Capelins, de maiores posses, podiam integrar pequenos toucadores ou conjuntos de louça mais trabalhados.

Os tradicionais lavatórios de ferro, serviam para a lavagem matinal do rosto, das mãos ou para pequenos cuidados de asseio, até aos decénios de 1970/80, antes de existir saneamento básico e casas de banho nesta Freguesia. 

Os ancestrais contavam que, acontecia, muitas vezes, o mesmo tipo de acidente nos quartos, com os lavatórios de ferro, quando o balde que ficava por baixo da bacia, para receber a água suja  já estava cheio e, continuavam a despejar a água da bacia, ela corria pelo chão do quarto, e por vezes, só davam por isso, quando a água já corria por baixo da porta para a rua, depois se acontecia com a rapaziada, havia acerto de contas, e se fosse com adultos, havia desabafos impróprios, porque calhava sempre às mulheres a limpar a água suja e o chão.

Os lavatórios de ferro, são um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: José Pessoa, da Vila de Terena 

Lavatório



sábado, 24 de outubro de 2026

As tradicionais cómodas, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais cómodas, na Freguesia de Capelins 

Uma cómoda era/é um móvel de altura média, para guardar roupa, usado em todo o país e, neste caso, na Freguesia de Capelins..

As cómodas eram/são feitas de madeira maciça por artesãos carpinteiros especializados e, eram tipo uma mesa retangular composta por um tampo plano e com várias gavetas frontais empilhadas, para guardar roupas e objetos pessoais, que surgiram nos finais da centúria de 1500, evoluindo a partir da antiga arca ou baú de tampo superior, cuja estrutura foi adaptada com gavetas para facilitar o acesso às roupas e objetos.

As cómodas tornaram-se um símbolo de elegância e funcionalidade, sendo frequentemente colocadas em quartos, por vezes, decoradas com espelhos ou relógios na parte superior e, ao longo dos séculos surgiram vários modelos, ou estilos, desde os mais humildes, aos de luxo, com linhas curvas e dois puxadores por gaveta, havendo algumas cómodas que incluíam um lavatório.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, nem todas as casas tinham uma cómoda, apenas algumas famílias que viviam com mais desafogo económico conseguiam comprar uma cómoda, só mais tarde, os noivos começaram a levá-las quando casavam, mas os Montes dos lavradores das herdades da Freguesia de Capelins, todos tinham cómodas, disputando os estilos mais modernos e mais caros. 

Este móvel, quando surgiu foi uma inovação, era prático e conveniente, com um sistema de gavetas sobrepostas para guardar as roupas, permitindo tirar uma peça de roupa sem desarrumar as restantes, ao contrário das arcas ou baús que existiam antes, neles para encontrar uma peça de roupa, por vezes, tinham de dar a volta ao baú, como era muito cómodo, daqui derivou o nome  cómoda, vinda de França.

A cómoda, é um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Cómoda



As tradicionais planganas, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais planganas, na Freguesia de Capelins

A plangana, variação regional de palangana ou pelengana, era/é um recipiente tradicional de louça, tipo tijela larga e pouco funda, utilizada para servir a comida, diretamente à mesa.

A plangana era uma peça fundamental da louça e da cultura gastronómica da Freguesia de Capelins, eram feitas por artesãos oleiros especializados, e fazem parte da rica tradição da olaria regional, neste caso, da cerâmica pintada de Redondo ou de São Pedro do Corval, sendo frequentemente feitas de barro vermelho vidrado e decoradas com motivos florais ou rústicos típicos da região.

A plangana, era muito associada ao serviço de pratos de assados, ensopados ou grandes porções de comida, uma vez que, plangana era sinónimo de uma generosa quantidade de comida e, quando alguém queria dizer que tinha comido muito, dizia: Hoje comi grande planganada de favas, de feijão, ou de outra coisa, e se estavam com fome exclamavam: Já comia uma planganada de sopas, embora, muita gente, nem avistasse uma plangana.

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam planganas, porque eram peças que faziam parte do serviço de louças que os noivos levavam quando casavam e, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, também existiam muitas planganas de louça ou porcelana, nas quais, levavam, diariamente a comida ao centro da mesa, e era a partir delas, que os comensais e convidados serviam os seus pratos, mas também, podiam comer todos, diretamente da plangana. 

Os ancestrais contavam que, noutros tempos, as famílias humildes não tinham pratos para todos, a comida era servida numa plangana de barro, de onde comiam todos, e nas herdades os ranchos de homens e mulheres que andavam a ceifar ou a fazer outros trabalhos, a de comer, serviam-lhes as sopas em planganas de barro, e divididos em grupos de cinco ou seis pessoas, comiam todos, sem pratos, diretamente da mesma plangana, à qual, chamavam tijela ou barranhito, onde toda a gente metia a sua colher, também contavam que, uma família como todas, comiam da mesma plangana, um dia, receberam a visita de um compadre que morava fora da Aldeia e já com outros hábitos, então combinaram que, nesse dia, comiam a açorda, cada um no seu prato, e assim foi, mas durante a refeição, iam falando, e o dono da casa distraído, ora comia do seu prato, ora comia da plangana, e a esposa passou o tempo a chamá-lo à atenção, mas o homem passava com a colher por cima do prato e ia-se à plangana.

A plangana, é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Plangana ou Pelangana




sexta-feira, 23 de outubro de 2026

A tradicional mesa de abas, na Freguesia de Capelins

 A tradicional mesa de abas, na Freguesia de Capelins 

A tradicional mesa de abas, era/é uma peça de mobiliário muito comum, usada no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

As mesas de abas, eram feitas em madeira maciça de castanho, nogueira ou outra, por artesãos carpinteiros e tinham uma ou duas abas, ou seja, eram extensões que, estavam penduradas, por dobradiças, de um, ou dos dois lados e, se fosse necessário espaço na mesa para mais comensais, rapidamente ficavam funcionais, puxando um apoio que tinha um pé, que suportava o peso da aba, ampliando a superfície da mesa nas refeições, ou estavam abaixadas no dia a dia, para poupar espaço na casa.

As mesas de abas, tinham diversas dimensões e feitios, geralmente com gavetas nas cabeceiras para guardar talheres, toalhas de mesa, guardanapos, ou pequenos utensílios que podiam fazer falta no apoio às refeições ou na cozinha.

Em quase todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existia pelo menos uma mesa de abas que, os noivos levavam quando casavam, ou eram de heranças de ancestrais, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, neste caso, todos tinham mesas de abas, uma vez que, os lavradores não as dispensavam, ou porque tinham uma grande família, ou visitas, a mesa de abas, encaixava-se no espírito da hospitalidade nesses Montes, onde a mesa estava sempre pronta a aumentar para acolher os familiares ou amigos que chegassem, inesperadamente.

Os ancestrais contavam que, existiam muitas peripécias passadas com mesas de abas, porque eram falsas, por vezes, armavam a aba à pressa e não tinham o cuidado de encaixar o apoio da aba no lugar próprio, depois havia acidentes inesperados, ou porque, alguém por qualquer motivo se levantava à pressa e dava um pontapé no apoio fechando a aba repentinamente, atirando com tudo o que estava em cima para o chão, ou quando tentavam dar um pontapé num cão ou gato que andasse por debaixo da mesa a comer o que lhe davam, depois quando alguém deixava caír algum pedaço de carne ou outra comida sem querer, o animal não entendia se era para ele e para o afugentar a pessoa dava um pontapé que acertava no apoio da aba, acontecendo o que foi referido, ia tudo para o chão.

A mesa de abas, é um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Internet

Mesa de abas




Os tradicionais machados e machadas, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais machados e machadas, na Freguesia de Capelins

Os machados e as machadas eram/são duas ferramentas de corte semelhantes, que se distinguem, essencialmente pelo tamanho, peso e tipo de utilização, muito usados no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins. 

Os machados e as machadas, eram peças de ferro temperado feitos por artesãos ferreiros, com um cabo de madeira feito à medida da sua utilização.

O machado era/é uma ferramenta maior e mais pesada, com o cabo mais longo, que exigia a utilização das duas mãos para ser manuseado, ideal para trabalhos pesados, como derrubar árvores grandes ou cortar troncos grossos de lenha, e para partir os chamados ramalhos de lenha em pedaços pequenos, para serem utilizados nos lumes às chaminés.

A machada era/é mais pequena e mais leve do que o machado o  seu cabo era mais curto para permitir que fosse utilizada com apenas uma das mãos, os homens subiam com elas ao arvoredo para trabalhos de maior precisão, como podar as oliveiras, azinheiras e outras árvores e arbustos e tinham sempre o corte bem afiado.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas existiam machados e machadas, porque tinham de cortar a lenha, diariamente para fazer o lume onde cozinhavam os alimentos e para aquecimento, e as machadas eram uma ferramenta indispensável para os homens a partir do mês de Janeiro até Março, fazerem o trabalho do corte das azinheiras, chamada limpeza.

Nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam muitos machados e machadas, porque usavam muita lenha das azinheiras, nas cozinhas dos Montes e no aquecimento das famílias durante os invernos muito frios.

Os machados, são utensílios muito antigos, já existiam na Idade da Pedra, naturalmente feitos em pedra, foram encontrados alguns, dessa idade, na Freguesia de Capelins, mais tarde, começaram a ser feitos em ferro.

A machada era tão conhecida, que lhe dedicaram uma canção tradicional que faz parte do cancioneiro popular português, assim:

Ah! ah! ah! minha machadinha,

Ah! ah! ah! minha machadinha,

Quem te pôs a mão, sabendo que és minha,

Quem te pôs a mão, sabendo que és minha, etc.

Quanto à interpretação da canção, cada um dá-lhe a que achar melhor, porque a machadinha faz parte da canção, em sentido figurado.

O machado e a machada, são símbolos do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel 

Machado


 


quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O tradicional barbilho, na Freguesia de Capelins

 O tradicional barbilho, na Freguesia de Capelins

O tradicional barbilho, era/é um utensílio rural artesanal utilizado na pastorícia para o desmame de crias de ovelhas, cabras ou vacas, usado no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

O barbilho era uma peça artesanal muito fácil de fazer, geralmente eram feitos pelos ganadeiros, ou por quem deles precisava, usavam um pedaço de madeira rija, de oliveira, azinheira, piorneira ou esteva, moldados à navalha, da largura da boca do animal onde era aplicado, sendo mais elevado ao meio onde atrapalhava a língua e não a deixava funcionar quando queriam apanhar a mama das mães, no entanto, podiam alimentar-se de erva ou ração.

 Os barbilhos, tinham uma saliência circular nas duas extremidades onde ligavam um cordel ou uma tira de couro que passava atrás das orelhas ou dos cornos para não o deixar sair da boca, assim, as crias acompanhavam as mães nas pastagens sem poderem mamar, deixando o leite para a ordenha, e só depois disso, tiravam-lhe o barbilho e podiam mamar o resto do leite, ou não, se fosse para os desmamar e, era assim, que rapidamente desmamavam os borregos e os cabritos, que eram obrigados a comer mais erva e ração em troca do leite.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, alguns seareiros tinham uma ou duas cabras, ou algumas ovelhas, que pastavam nas suas courelas, e tinham barbilhos feitos por eles, para colocar nas crias,  e tirar o leite às mães quando recolhiam a casa à noitinha, e os pastores das herdades da Freguesia de Capelins, que tinham uma cabra ou duas, juntas com o rebanho das ovelhas, tinham de colocar barbilhos nos cabritos, para poderem ordenhar as cabras quando recolhiam à choça.

Sendo os barbilhos uma ferramenta do pastoreio, o seu uso remonta a práticas rurais muito antigas, documentadas há muitos séculos nesta região, era uma engenhoca muito simples, mas muito eficiente para o fim a que se destinava. 

Os ancestrais associavam o barbilho da desmama dos cabritos e borregos, que os impedia de mamar, a algumas atitudes de outros homens, dizendo que, precisava de um barbilho, ou de ser embarbilhado, para não se adiantar, por exemplo, no namoro com alguma rapariga, ou noutra situação considerada excessiva.

O barbilho é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Barbilho 



















quarta-feira, 21 de outubro de 2026

As tradicionais sertãs de fritar, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais sertãs de fritar, na Freguesia de Capelins 

As sertãs, também chamadas frigideiras, eram utensílios tradicionais, usados para frituras no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

 As sertãs são de origem milenar, começaram por ser de barro, mas pelo menos na época dos romanos, já eram de ferro fundido e de bronze, eram feitas por artesãos especializados em cada um dos materiais de que eram feitas, e eram compradas a almocreves que as vendiam porta a porta, ou as pessoas compravam-nas nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba, onde os artesãos ou intermediários, iam fazer as suas vendas.  

 As sertãs tinham dimensões diversas, eram largas e pouco fundas, com um cabo em ferro, alguns com a ponta em madeira, ao qual, chamavam o rabo, eram usadas para fritar ovos, toucinho, carne, batatas, peixe e outras frituras e para fazerem as migas, ideais para cozinhar lentamente ao calor das brasas do lume de chão, apoiadas numa tradicional trempe de ferro. 

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todas as casas tinham sertãs, porque eram indispensáveis no dia a dia para preparar algumas refeições da família e também nas cozinhas dos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam muitas sertãs, porque tinham de fazer a comida para muita gente que trabalhava nas herdades. 

Os ancestrais contavam peripécias, que envolviam as sertãs de ferro fundido, como alguns casos em que, por descuido, deixavam rodar o cabo na mão e viravam a sertã ao contrário, caindo a comida em cima do lume, de onde a tinham de apanhar, mesmo com mistura de cinza, porque não havia mais nada para comer..

Noutro caso, uma sertã salvou a vida do dono, quando uns intrusos entraram numa casa alheia para o roubar e matar,  a sorte  dele foi ter uma sertã de ferro à mão, deu uma sertanada na cabeça de cada um, que os pôs em fuga apressada.

Também contavam que, o segredo das boas migas, um dos pratos mais icónicos de outra época, estava na sertã onde eram feitas. 

As sertãs de ferro quando eram lavadas, não podiam ser muito esfregadas com esfregões de palha de aço, ou com produtos abrasivos, para não lhe tirarem a cura, a camada de óleo natural, senão começavam logo a criar ferrugem e era uma vez uma sertã, por isso, havia algumas que assustavam, devido à quantidade de mascarra que as envolvia, mas não a podiam tirar, senão rompia-se.

As sertãs de ferro, são um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Internet 




Os tradicionais lavatórios de ferro, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais lavatórios de ferro, na Freguesia de Capelins Os tradicionais lavatórios de ferro, eram peças fundamentais do mobiliário de ...