A lenda do João e da Joana, de Capelins
Amigos de Capelins
Este Blogue Tem Como Objetivo Dinamizar a História, Lendas, Tradições e, a Defesa do Património Cultural e Arqueológico das Terras de Capelins - Alandroal
quarta-feira, 20 de maio de 2026
A lenda do João e da Joana, de Capelins
quinta-feira, 14 de maio de 2026
A lenda dos pagadores das promessas das almas penadas, em Capelins
A lenda dos pagadores das promessas das almas penadas, em Capelins
sexta-feira, 8 de maio de 2026
A lenda do filho do lavrador, que foi deserdado, por amor
A lenda do filho do lavrador, que foi deserdado, por amor
Nas terras de Capelins, e não só, noutros tempos, os lavradores pertenciam a uma classe social muito poderosa e respeitada, eram os senhores das terras, e mantinham distância dos pobres, não admitiam casamentos dos seus filhos ou filhas com rapazes ou raparigas da classe pobre, havia casos de envolvimentos, mas casar nem pensar, porque era considerada uma desonra para a família dos lavradores.
Conta-se que, o filho mais velho do lavrador mais opulento da Freguesia de Capelins, chamado João António, perdeu-se de amores por uma rapariga pobre, muito bonita, com longos cabelos negros, olhos de pardaloca e bem afeiçoada, chamada Antónia Rosa, e a sua relação amorosa começou a dar que falar, a conversa sobre eles andava na boca de toda a gente, diziam que, era mais uma rapariga que ia ficar coxa, o mesmo que desonrada, porque se não podiam casar, era só para fazer pouco dela e da família.
O pai da Antónia sabia o que se passava, tal como a sua família, mas não diziam nada, porque no fundo tinham esperança que a sua menina viesse a casar com um rapaz rico, era a ambição dos pobres nesse tempo.
O pai do João ao ouvir alguns rumores sobre o caso, chamou o filho e teve uma longa conversa com ele, e disse-lhe que tinha de se afastar, quanto antes, da Antónia, porque já se ouviam muitas conversas sobre eles e a sua relação, não podia continuar.
O João respondeu que estava apaixonado pela Antónia e não era para fazer pouco dela, porque a amava, sentia-se muito feliz, e estava a pensar em se casar com ela.
O lavrador ficou irritado com o filho e explicou-lhe que nunca podia casar com ela, porque além de ser uma desonra para a família, os outros lavradores e famílias iam fazer chacota deles e ficariam desgraçados, por isso, ele tinha de tirar a Antónia da cabeça e arranjar uma rapariga rica, filha de um lavrador da Freguesia ou da região.
O João ignorou, completamente o que o pai lhe disse e continuou a encontrar-se com a Antónia, mas a partir daquele dia começou uma guerra entre eles.
Na Freguesia de Capelins, cada vez se ouviam mais conversas sobre eles, até que, um dia o João perguntou à Antónia se queria casar com ele, e ela mesmo sabendo que se iam meter numa grande confusão, respondeu que era o que mais queria, mas para ele ver bem, no que se ia meter.
O João, assim que chegou ao Monte da herdade, disse ao pai e à família que se ia casar com a Antónia, eles ficaram muito aborrecidos e responderam que não consentiam essa afronta, e para ele pensar bem, mas ele disse que estava decidido e o pai disse-lhe que, sendo assim, tinha de escolher entre a sua família e a Antónia. E o João respondeu que não queria comparar uma coisa com a outra, mas que não desistia de casar com a Antónia, e seria o mais depressa possível.
Ainda nesse dia, o João foi falar com o Pároco da Paróquia de Santo António, o Padre Jerónimo de Jesus Maria Granja, contou-lhe a situação em que estava metido e tiveram uma longa conversa, mas a decisão estava tomada, e o Padre, embora contrariado, não teve outro remédio senão tratar dos papéis de estilo e marcar o casamento, ficando para o dia 15 de Outubro de 1860, o João queria antes, mas o Padre disse-lhe que antes não podia ser, porque a aprovação não dependia só dele, mas foi na esperança que ele ainda pudesse mudar de ideia, mas não mudou, e no dia marcado, realizou-se o matrimónio sem a presença de nenhum elemento da sua família, porque lhe viraram as costas, mas não faltaram os seus amigos.
Este caso, foi um grande escândalo em Capelins, os lavradores ficaram ofendidos e alguns não pouparam críticas, culpando o pai do João, por não ter mão nele, então o lavrador para limpar a sua honra e da família, rejeitou o filho, chamou o Tabelião da Vila de Terena lá ao Monte da herdade e mandou redigir um testamento, no qual, deserdava o seu filho João António.
O João e a Antónia Rosa depois do casamento ficaram a morar numa casa muito modesta, e ele foi logo pedir a um lavrador seu amigo, que não se dava bem com o pai dele, para o concertar, ou seja, empregar, uma vez que sabia fazer todos os trabalhos da herdade, e começou logo a trabalhar como jornaleiro, e andou alguns anos, como diziam antigamente, de alcofa às costas, mas muito feliz.
A sua dedicação e afeição ao amigo lavrador e família, deu-lhe oportunidade de ocupar a vaga de feitor da herdade, desempenhando essas funções durante alguns anos, e a sua vida, em termos económicos começou a melhorar a olhos vistos.
Devido aos seus conhecimentos e já com algumas economias, abriu-se mais uma porta, com a ajuda do patrão, arrendou uma boa herdade e tornou-se lavrador, sem qualquer ajuda da sua família que, depois do pai falecer, cumpriram com rigor o que constava no testamento, não lhe deram nada da herança, mas isso ainda lhe deu mais força para lutar por melhor vida, e ao contrário dos irmãos, que se desentenderam por causa das partilhas e começaram a entrar em declínio, ele comprou uma grande herdade e mais tarde dois Moinhos no rio Guadiana e ficou sendo o maior lavrador da Freguesia de Capelins.
O João nasceu rico, mas por amor a uma rapariga pobre, não respeitou as regras existentes entre os lavradores, por isso, foi deserdado e expulso da sua própria família, mas essa injustiça deu-lhe muita força para lutar e chegar onde chegou, passou pela pobreza, e humilhação por parte da família, mas afirmava sempre que, em momento algum, se arrependeu de ter feito o que fez, porque foi sempre muito feliz com a Antónia, a mulher da sua vida que, muito amava, independentemente de ser pobre ou rica.
O João e a Antónia tiveram cinco filhos, cuja descendência ainda hoje existe na Freguesia de Capelins.
Baseada num caso verídico, que aconteceu na Freguesia de Capelins.
Texto: Correia Manuel
Fotografia: Correia Manuel
Freguesia de Capelins
segunda-feira, 4 de maio de 2026
A lenda dos pés rapados de Capelins
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sábado, 2 de maio de 2026
A lenda do "senhor do seu nariz", de Capelins
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quinta-feira, 30 de abril de 2026
A lenda dos espelhos das feiticeiras de Capelins
A lenda dos espelhos das feiticeiras de Capelins
Conta-se que, nos tempos de outrora, existiam muitas feiticeiras na Freguesia de Capelins, desde mulheres mais velhas, até mais novas, que herdavam os novelos, ou seja, o poder das mães ou de madrinhas que faleciam da vida terrena muito cedo.
As feiticeiras estavam ao serviço do Mafarrico e a sua obrigação era praticar o mal, fazer sofrer pessoas e animais, e até destruir elementos da natureza para prejudicar alguém, tinham de cumprir as ordens dele, mesmo que fosse contra familiares chegados, como avós aos netos, dos quais, tanto gostavam, mas não podiam recusar, senão, eram bem castigadas, tanto na vida terrena, como no inferno, até à eternidade.
Quando o Mafarrico as convocava para os bailes alucinantes na Ribeira de Luceféct, não podiam faltar, e antes da meia noite, lá estavam todas presentes. Nesse tempo, toda a gente se deitava ao sol posto, porque tinham de se levantar pelas quatro ou cinco horas da manhã, para seguirem para o trabalho nas herdades, por isso, quase ninguém dava por nada, houve um caso ou outro, em que elas obrigaram uns homens que iam de passagem, pelo menos um, era de Cabeça de Carneiro, os outros eram de Capelins, a participar nos célebres bailes em pêlo e, ficaram tão estafados, que passaram alguns dias de cama, e de pouco se lembravam do que lhes tinha acontecido.
Num desses bailes, as feiticeiras queixaram-se ao Mafarrico que tinham cada vez mais dificuldade em saber o que tinham de fazer, porque havia muita gente desconfiada e com o olho nelas, pelo que, precisavam de encontrar uma maneira discreta para receber as ordens dele e saberem o que se passava no seu reino.
O Mafarrico já sabia o que elas iam pedir, meteu a mão ao bolso e tirou uma quantidade de pequenos espelhos redondos, entregou um a cada feiticeira e disse-lhe que a partir daquela noite, o espelho seria o meio de comunicação entre ele e cada uma delas, bastava-lhes fixar os olhos no mesmo e viam a imagem dele e ouviam o que tinham de ouvir e podiam ficar descansadas que só elas tinham o poder de o ver e ouvir, mesmo que outras pessoas olhassem para o espelho, nada viam.
A partir dessa noite, a vida das feiticeiras de Capelins ficou mais fácil, sempre que era preciso, pegavam num pente, e fingiam que penteavam os seus cabelos com os olhos postos no espelho e, ao mesmo tempo viam o Mafarrico, e ouviam o que era preciso ouvir, algumas até faziam isso às soalheiras, sem as mulheres que estavam ao lado delas darem por isso.
Este meio de comunicação entre as feiticeiras e o Mafarrico era muito eficiente, ninguém desconfiava delas, e o segredo só foi desvendado muito tarde, quando duas feiticeiras mais novas, falavam à soalheira e não se acautelaram, porque estavam umas mulheres a escutar a conversa delas atrás da lenha, e contaram a outras o que tinham ouvido, mas poucas pessoas souberam e muitas menos acreditaram nisso, e os espelhos das feiticeiras continuaram em funcionamento, mas as ditas feiticeiras foram bem castigadas pelo Mafarrico, levaram tanta pancada que ficaram derreadas para o resto da vida, mas diziam que tinham caído um grande estouro, ou seja, tinham dado uma grande queda.
Foi devido a esses espelhos que surgiu a crença em Capelins sobre, quem partisse um espelho, tinha sete anos de azar na vida, porque dentro dele, estava a imagem do Mafarrico.
Texto: Correia Manuel
Fotografia: Correia Manuel
segunda-feira, 27 de abril de 2026
A lenda da guerra entre as formigas e os povoadores do Lugar de Ferreira nas Neves
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A lenda do João e da Joana, de Capelins
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