quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O tradicional barbilho, na Freguesia de Capelins

 O tradicional barbilho, na Freguesia de Capelins

O tradicional barbilho, era/é um utensílio rural artesanal utilizado na pastorícia para o desmame de crias de ovelhas, cabras ou vacas, usado no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

O barbilho era uma peça artesanal muito fácil de fazer, geralmente eram feitos pelos ganadeiros, ou por quem deles precisava, usavam um pedaço de madeira rija, de oliveira, azinheira, piorneira ou esteva, moldados à navalha, da largura da boca do animal onde era aplicado, sendo mais elevado ao meio onde atrapalhava a língua e não a deixava funcionar quando queriam apanhar a mama das mães, no entanto, podiam alimentar-se de erva ou ração.

 Os barbilhos, tinham uma saliência circular nas duas extremidades onde ligavam um cordel ou uma tira de couro que passava atrás das orelhas ou dos cornos para não o deixar sair da boca, assim, as crias acompanhavam as mães nas pastagens sem poderem mamar, deixando o leite para a ordenha, e só depois disso, tiravam-lhe o barbilho e podiam mamar o resto do leite, ou não, se fosse para os desmamar e, era assim, que rapidamente desmamavam os borregos e os cabritos, que eram obrigados a comer mais erva e ração em troca do leite.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, alguns seareiros tinham uma ou duas cabras, ou algumas ovelhas, que pastavam nas suas courelas, e tinham barbilhos feitos por eles, para colocar nas crias,  e tirar o leite às mães quando recolhiam a casa à noitinha, e os pastores das herdades da Freguesia de Capelins, que tinham uma cabra ou duas, juntas com o rebanho das ovelhas, tinham de colocar barbilhos nos cabritos, para poderem ordenhar as cabras quando recolhiam à choça.

Sendo os barbilhos uma ferramenta do pastoreio, o seu uso remonta a práticas rurais muito antigas, documentadas há muitos séculos nesta região, era uma engenhoca muito simples, mas muito eficiente para o fim a que se destinava. 

Os ancestrais associavam o barbilho da desmama dos cabritos e borregos, que os impedia de mamar, a algumas atitudes de outros homens, dizendo que, precisava de um barbilho, ou de ser embarbilhado, para não se adiantar, por exemplo, no namoro com alguma rapariga, ou noutra situação considerada excessiva.

O barbilho é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Barbilho 



















quarta-feira, 21 de outubro de 2026

As tradicionais sertãs de fritar, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais sertãs de fritar, na Freguesia de Capelins 

As sertãs, também chamadas frigideiras, eram utensílios tradicionais, usados para frituras no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

 As sertãs são de origem milenar, começaram por ser de barro, mas pelo menos na época dos romanos, já eram de ferro fundido e de bronze, eram feitas por artesãos especializados em cada um dos materiais de que eram feitas, e eram compradas a almocreves que as vendiam porta a porta, ou as pessoas compravam-nas nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba, onde os artesãos ou intermediários, iam fazer as suas vendas.  

 As sertãs tinham dimensões diversas, eram largas e pouco fundas, com um cabo em ferro, alguns com a ponta em madeira, ao qual, chamavam o rabo, eram usadas para fritar ovos, toucinho, carne, batatas, peixe e outras frituras e para fazerem as migas, ideais para cozinhar lentamente ao calor das brasas do lume de chão, apoiadas numa tradicional trempe de ferro. 

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todas as casas tinham sertãs, porque eram indispensáveis no dia a dia para preparar algumas refeições da família e também nas cozinhas dos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam muitas sertãs, porque tinham de fazer a comida para muita gente que trabalhava nas herdades. 

Os ancestrais contavam peripécias, que envolviam as sertãs de ferro fundido, como alguns casos em que, por descuido, deixavam rodar o cabo na mão e viravam a sertã ao contrário, caindo a comida em cima do lume, de onde a tinham de apanhar, mesmo com mistura de cinza, porque não havia mais nada para comer..

Noutro caso, uma sertã salvou a vida do dono, quando uns intrusos entraram numa casa alheia para o roubar e matar,  a sorte  dele foi ter uma sertã de ferro à mão, deu uma sertanada na cabeça de cada um, que os pôs em fuga apressada.

Também contavam que, o segredo das boas migas, um dos pratos mais icónicos de outra época, estava na sertã onde eram feitas. 

As sertãs de ferro quando eram lavadas, não podiam ser muito esfregadas com esfregões de palha de aço, ou com produtos abrasivos, para não lhe tirarem a cura, a camada de óleo natural, senão começavam logo a criar ferrugem e era uma vez uma sertã, por isso, havia algumas que assustavam, devido à quantidade de mascarra que as envolvia, mas não a podiam tirar, senão rompia-se.

As sertãs de ferro, são um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Internet 




terça-feira, 20 de outubro de 2026

O tradicional barril de barro, na Freguesia de Capelins

 O tradicional barril de barro, na Freguesia de Capelins

O barril de barro, era/é uma vasilha antiga feita de barro poroso, que servia para transportar, guardar e manter a água fresca, quando as pessoas trabalhavam nos campos ou para acompanhar quem viajava, muito usado no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins. 

O barril era uma peça de artesanato feita em barro poroso, pelos artesãos oleiros de São Pedro do Corval ou da Vila de Redondo, tinha o corpo ligeiramente achatado ou cilíndrico e bojudo, com uma base estável, de forma a repousar no chão, sem tombar, ou em cima de uma laje, ou ainda para ser transportado na barreleira, que existia em todos os carros das muares, onde o barril era levado para todo o lado que os seareiros fossem, o barril contava, geralmente com duas asas robustas na parte superior uma de cada lado do gargalo, onde ligavam um cordel para ser movimentado em segurança, era-lhe aplicada uma rolha de cortiça que, além do próprio barro ou argila, também ajudava a manter a água fresca.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todos os seareiros tinham uma barreleira no seu carro de muares, onde estava sempre o barril com água que levavam para as suas courelas e, também era companheiro de alguns trabalhadores rurais, que o levavam cheio de água para o trabalho no campo. 

O barro poroso permitia que uma pequena quantidade de água transpirasse para o exterior, a evaporação dessa humidade arrefecia, naturalmente o recipiente, mantendo a água fresca no seu interior. 

O barril de barro, é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Internet - Museu Municipal de Faro 

Barril de barro 




 

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Os tradicionais enxergões de palha de centeio, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais enxergões de palha de centeio, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais enxergões de palha de centeio, eram como um grande saco de serapilheira, de linho ou cotim, recheado de palha de centeio, sabiamente colocada e arrumada que, geralmente servia de colchão rústico de apoio a um colchão de lã de ovelha, usado no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins. 

Os enxergões de palha de centeio, eram feitos por artesãos, aos quais, chamavam albardeiros, porque, também faziam albardas e outras peças onde usavam a dita palha, os enxergões eram feitos à medida das encomendas, conforme as camas a que se destinavam, podiam ser de casal ou individual, em quaisquer dos casos, era colocado um colchão de lã de ovelha sobre os enxergões que eram duros. 

 Os enxergões eram de palha de centeio por ser mais longa, maleável, resistente e menos propensa a partir-se ou a criar pó rapidamente do que a palha de trigo ou de aveia, mas de quando em quando, a palha destes enxergões tinha de ser renovada, eram esvaziados, a serapilheira era lavada e a palha velha, já desfeita devido ao uso era substituída por palha de centeio nova.

Os enxergões de palha de centeio, em conjunto com os colchões de lã de ovelha, apesar de rudimentares, ofereciam um excelente isolamento contra o frio, nas camas de ferro da época da pouca roupa.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas havia camas com enxergões de palha de centeio, porque era um utensílio que os noivos levavam quando casavam e, também, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, todas as camas tinham enxergões de palha de centeio que, geralmente eram feitos por moradores, com a especialidade de albardeiros.

Os enxergões de palha de centeio, são um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Internet 

Cama de ferro




A tradicional máquina manual de moer pimentão, na Freguesia de Capelins

A tradicional máquina manual de moer pimentão, na Freguesia de Capelins

Uma máquina de moer pimentão, era/é um utensílio que, através de uma manivela, moía o pimentão para temperar a carne das matanças dos porcos, mas também moía o tomate para doce ou conserva, e fruta cozida para doces.

As máquinas de moer pimentão, como eram chamadas na Freguesia de Capelins, eram feitas de ferro estanhado ou de liga de alumínio ou outro metal, por artesãos especializados e, eram compradas nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa, Borba ou Estremoz.

Estas máquinas, eram afixadas a uma mesa através de um suporte que fazia parte dela, tinham uma boca larga por onde iam metendo os pedaços dos produtos a moer, como o pimentão já amaciado e salgado, mantendo a qualidade ideal e sem o reduzir a uma massa demasiado líquida.

As máquinas de moer pimentão eram acionadas por uma manivela que fazia movimentar um semfim no seu interior com arestas afiadas que trituravam o pimentão, o tomate, fruta cozida, como marmelos, pêras e outra, para fazer doces, saindo ao lado, já moídos, tipo puré, por uma tampa cheia de furinhos.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em quase todas as casas existia uma máquina de moer pimentão, e quem não tinha, pedia uma emprestada a uma vizinha ou familiar, assim que o pimentão vermelho estava em condições de moer para ser guardado em conserva, e nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins tinham várias máquinas destas, fundamentais não só para moer o pimentão vermelho, mas também, outros produtos, antes referidos. 

As máquinas de moer pimentão, são um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Máquina de Moer pimentão 




domingo, 18 de outubro de 2026

Os tradicionais xailes das mulheres, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais xailes das mulheres, na Freguesia de Capelins 

Os xailes tradicionais das mulheres, desempenhavam e desempenham, um papel histórico fundamental, na identidade cultural e no vestuário no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

O xaile das mulheres era uma peça de vestuário de várias dimensões, tecidos e cores, sendo o preto de lã ou flanela o mais comum no dia a dia, na Freguesia de Capelins, mas existiam xailes que eram peças de artesanato riquíssimas usados nos dias de festa, pelas pessoas mais ricas, porque os xailes variavam, conforme a classe social, o trabalho agrícola e a região.

Os xailes das mulheres, eram o agasalho por excelência que as protegiam contra a chuva, o frio e o vento, dos invernos rigorosos, principalmente nas azeitonadas, porque substituíam peças mais pesadas e antigas, como as mantas, por serem maleáveis e práticos para o trabalho diário na apanha da azeitona e outros.

O xaile cobria o corpo de forma digna, por vezes, as mulheres usavam-no, estrategicamente para esconder roupas velhas ou remendadas por baixo, permitindo-lhes apresentar-se na igreja ou em público com toda a dignidade, disfarçando a pobreza.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todas as mulheres tinham pelo menos um xaile preto, não só como agasalho, mas também, porque, quando da morte de familiares mais chegados, as mulheres na Freguesia de Capelins, adotavam o traje de luto carregado, cobrindo os ombros e se fosse de pais ou do marido, também cobriam a  cabeça com xailes pretos de lã, ou de tecido mais fresco, fosse de inverno ou de verão.

Os xailes das mulheres, são um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografias. Internet 

Xaile de lã





sábado, 17 de outubro de 2026

Os tradicionais cestos de verga, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais cestos de verga, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais cestos de verga, eram/são peças de artesanato usadas em todo o país, para vários fins, neste caso, na Freguesia de Capelins.
Os cestos de verga eram feitos por artesãos cesteiros que dominavam essa arte, desde a escolha do vime junto às Ribeiras, ou os rebentos das oliveiras ou de outras árvores que prestassem para esse trabalho, faziam o corte e tratavam-no, passando por várias fases, até estarem em condições das varas ou vergas descascadas serem trançadas com sabedoria e fazerem os cestos que eram de todos os tamanhos e feitios e, na Freguesia de Capelins serviam para usar na agricultura, para apanhar azeitona, bolota e outros frutos, para transportar alimentos, para as mulheres levarem a roupa da casa a lavar aos poços, às ribeiras e ao rio Guadiana, e tinham muitas outras utilidades no campo e, também serviam para transportar e pescar peixes nos correntões do rio Guadiana.
Existiam cestos de verga, adaptados a alforges, que os almocreves usavam nos burros, um de cada lado do animal, onde transportavam os produtos que vendiam ou compravam pela região, tal como, os regatões que andavam em carros de muares, com os produtos, batatas, fruta e hortaliças, separados por vários cestos.
Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todas as casas tinham cestos, para vários fins, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, onde havia muitos cestos, os quais, eram comprados nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba, onde os artesãos ou intermediários os iam vender, vindos de terras longínquas, como Alcongosta, perto da Guarda, muito célebre na arte cesteira.
Os cestos de verga, não retinham, sequer uma gota de água, mas era muito comum ouvir-se em Capelins, quando chovia muito e os telhados das casas deixavam passar água, as pessoa diziam que a casa delas, parecia um cesto roto, como se o cesto retivesse a água.
Os cestos eram utensílios muito importantes no meio rural, e a arte de cesteiro era muito estimada, existindo um provérbio que diz: Cesteiro que faz um cesto, faz um cento, se lhe derem verga e tempo.
Os cestos de verga ou vime, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Internet

Cesto de verga


















O tradicional barbilho, na Freguesia de Capelins

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