terça-feira, 21 de maio de 2019

O jogo do Xito nas terras de Capelins
Este jogo, é conhecido nas terras de Capelins e, em todo o Concelho de Alandroal, desde há mais de dois séculos, mas não encontramos provas sobre a sua origem, no entanto, parece ter vindo da vizinha Espanha, uma vez que, é semelhante a um jogo com cartas, mas com algumas regras comuns, entre elas, o "envidar"!
Um dos elementos fundamentais, para se poder jogar ao xito, é um cartuxo metálico de um projétil, mas existem outros cartuxos como os das espingardas de caça, feito em cartão ou plástico com maiores dimensões do que o cartuxo metálico de projétil, o qual, em espanhol é "El cartuxito", pequeno cartuxo, por isso, é nossa convicção que, com o passar dos séculos, acabou por derivar de jogo do "cartuxito" para jogo do "xito"!
O jogo do xito, pode ser jogado de mão a mão, entre apenas dois jogadores, ou por equipas, sendo uma equipa formada por dois elementos, com objetivo comum, a qual, joga com outra, ou mais equipas, o máximo três, por causa da confusão!
Este jogo, joga-se usando uma laje de xisto retangular lisa, com cerca de vinte e cinco centímetros de largura e trinta de comprimento, ou até menor, ou seja, a que se puder arranjar!
Como antigamente, o piso de algumas casas era de xisto, então, podia jogar-se no próprio chão, sendo marcado na pedra de xisto, ou no chão, um sinal, geralmente uma cruz com uma covinha no cruzamento que, se designa "cama" do xito ou "ponto"!
Como antes referimos, o xito, é um cartuxo metálico de projétil, com cerca de seis centímetros de comprimento!
O vintém é, normalmente uma moeda de vinte réis com a esfinge de D. Carlos ou D. Luís, não deve ser leve, nem muito pesada!
A pontuação do jogo do xito é a seguinte:
1 - Derrubar o xito, chama-se "data" vale sempre 2 pontos!
2 - Derrubar o xito e tirar o ponto, que consiste em deixar o vintém mais próximo da "cama" do xito de entre todos os jogadores, ou seja, data + o ponto, vale 3 pontos!
3 - Envidado + uma data + o ponto, vale 6 pontos!
4 - Envidado + Revidado + uma data + o ponto, vale 9 pontos!
5 - O jogo termina, sendo ganho pelo jogador ou equipa que, primeiro fizer 24 pontos!
6 - É vencedor quem ganhar a "partida", ou seja, quem primeiro ganhar dois jogos!
Cada jogador, por sua vez, coloca-se a cerca de dois metros e meio de distância do xito, chama-se "calha" e, se o jogo for de mão a mão, são dois jogadores, em duas equipas, ou até três, sendo assim, quatro ou seis jogadores!
Duas Equipas:
1 - O primeiro jogador, cuja vez, é antes disputada entre, apenas um elemento de cada equipa que, apontam e atiram o vintém ao xito e, o vintém que ficar mais próximo da cama, será essa a equipa a sair com o primeiro jogador da primeira equipa que, atira o vintém ao xito, com intenção de o derrubar e, ao mesmo tempo, tentar que, o vintém fique sobre a cama do xito ou, o mais próximo possível, se o derrubar ganha, imediatamente dois pontos para a sua equipa, esses dois pontos já ficam cativos até ao fim da jogada que, é quando todos os pontos são somados e atribuídos às respetivas equipas que os ganharam!
2 - A seguir, joga o primeiro jogador da segunda equipa que, também tem como objetivo derrubar o xito e, ao mesmo tempo deixar o seu vintém o mais próximo possível da cama, se derrubar o xito ganha dois pontos para a sua equipa e, se deixar o seu vintém melhor posicionado, mais perto da "cama", do que o do jogador que jogou antes, pode "envidar" a jogada, convencido que o jogador seguinte, da equipa adversária, não consegue tirar-lhe o ponto!
3 - Depois, joga o último dos dois jogadores da primeira equipa, a jogada pode estar "envidada", por isso, ele vai fazer o melhor que puder para derrubar o xito e tirar o ponto, tentando picar o vintém do outro jogador e, deixar lá o seu! Se conseguir ganhar o ponto, também ganha o "envidado"! Assim, se este jogador, conseguiu derrubar o xito e tirar o ponto, então, na esperança de que o último jogador da segunda equipa não lhe consegue tirar o ponto, pode "revidar" a jogada!
4 - Por fim, joga o último jogador da segunda equipa, a jogada pode estar "envidada" e "revidada", este jogador, vai tentar derrubar o xito e tirar o ponto, se o conseguir, a sua equipa ganha no total onze pontos, incluindo a "data" do seu colega de equipa, se não conseguir, esses pontos ficam para a equipa adversária!
5 - Todas as situações descritas, quase sempre envolvem grande ritual, algazarra e discussão, muitas vezes, têm de ser chamados outros jogadores respeitados, alheios ao jogo para servirem de árbitro e, dizer de quem é o ponto, são feitas medições com os mais estranhos instrumentos, sendo, antigamente, muito usada a mortalha de papel onde enrolavam o tabaco para cigarros que, pela sua sensibilidade não empurrava os vinténs do seu lugar, no momento das medições! No caso de, se concluir que, os vinténs estão ambos à mesma distância da "cama", os donos desses vinténs têm que ir, novamente, disputar o ponto, depois o que ficar mais próximo da "cama" do xito, ganha os pontos em causa nessa jogada, só não ganha os pontos das "datas" dos jogadores adversários!
A seguir, inicia-se outra jogada, começa a jogar o jogador que tirou o ponto na jogada anterior e, continua tudo igual até uma das equipas chegar primeiro a vinte e quatro pontos, ganhando o jogo, mas só vence quem ganhar a partida, que são dois jogos, portanto, continuam a jogar até uma das equipas ganhar dois jogos, como dissemos a partida!
Só no fim de cada jogada se levantam da pedra, todos os vinténs, se for por equipas, um de cada jogador!
Quando terminar a partida, a equipa que perder tem de pagar as bebidas!
De mão a mão:
Se o jogo do Xito, for de mão a mão, significa que, é apenas entre dois jogadores, em cada jogada, os jogadores jogam duas vezes, com dois vinténs cada um e, só no fim da jogada se levantam da pedra, os quatro vinténs! O jogo é completamente igual, como foi descrito entre equipas!
As bebidas, em meados do século XX, eram copos de três tostões, ou seja, trinta centavos de escudo!
O jogo do xito, pode durar uma hora, ou menos, mas também pode durar uma tarde e toda a noite!
Nas terras de Capelins e vizinhas, existiam torneios ou campeonatos do jogo do xito, sendo noutros tempos, um dos jogos mais populares que se jogava nas tabernas, sempre acompanhado com um copo de três.
Fim
Xito

domingo, 12 de maio de 2019

Os Moinhos Hidráulicos da Freguesia de Capelins 
22 - Moinho do Coronheiro de Baixo 
O Moinho do Coronheiro de Baixo, situa-se na margem esquerda da Ribeira de Azevel, junto à herdade do Roncanito, no final do curso desta Ribeira, já muito próximo da sua foz, no saudoso rio Guadiana! 
O Moinho do Corunheiro de Baixo é de rodízio ou roda horizontal, com um aferido, um casal de mós e uma roda motriz! 
Este Moinho, por se encontrar já muito baixo no curso da Ribeira, estava sujeito a maior impacto das cheias, por isso, tem uma estrutura mais robusta e, cobertura com abóbada em pedra! Tem porta de acesso oposta à ribeira, rasgada num dos lados! A sua planta é simples, retangular, disposta paralelamente ao curso de água da Ribeira e, o açude não tem caneiro ou pesqueira fixa! 
O proprietário do Moinho do Corunheiro de Baixo, era o mesmo do Moinho do Gato, estando situados muito próximos um do outro, sem mais nenhum entre ambos, na Freguesia de Capelins!
O Moinho do Corunheiro de Baixo, tal como a maioria dos Moinhos desta região, deixou de funcionar na década de 1960.


O Moinho do Corunheiro de Baixo fica por aqui 


Os Moinhos Hidráulicos da Freguesia de Capelins
21 - Moinho do Catacuz
O Moinho do Catacuz, situa-se na margem esquerda da Ribeira de Azevel, junto à herdade do Roncanito, no final de mais uma curva no curso desta Ribeira, já próximo da sua foz, no saudoso rio Guadiana!
O Moinho do Catacuz é de rodízio ou roda horizontal, decerto, com apenas um aferido, de submersão parcial ou total durante o inverno, com um casal de mós e uma roda motriz!
Este Moinho, por se encontrar já muito baixo no curso da Ribeira, estava sujeito a maior impacto das cheias, por isso, tem uma estrutura mais robusta e, cobertura com abóbada em pedra! Tem porta de acesso oposta à ribeira, rasgada num dos lados! A sua planta é retangular disposta paralelamente ao curso de água da Ribeira, o açude não tem caneiro ou pesqueira fixa!
O Moinho do Catacuz, tal como a maioria dos Moinhos desta região, deixou de funcionar na década de 1960.
O Moinho do Catacuz fica por aqui



sábado, 11 de maio de 2019

Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins

20 - Moinho das Piteiras

O Moinho das Piteiras, situa-se na margem esquerda da Ribeira de Azevel, junto à herdade do Roncanito, dentro de uma curva bastante acentuada do leito desta Ribeira, no seu curso em direção ao saudoso rio Guadiana!
O Moinho das Piteiras é de rodízio ou roda horizontal, decerto com um aferido de submersão parcial ou total durante o inverno, um casal de mós e uma roda motriz!
Este Moinho, como quase todos, senão todos na Freguesia de Capelins, tem estrutura robusta, cobertura com abóbada em pedra e, porta de acesso oposta à ribeira, rasgada num dos lados! A sua planta é retangular disposta paralelamente ao curso de água da Ribeira, o açude não tem caneiro ou pesqueira fixa!
O Moinho das Piteiras era do mesmo proprietário do Moinho de Calvinos, tendo a missão de substituir este, durante os meses em que o rio Guadiana o submergia e impedia o seu funcionamento!
Este Moinho, à semelhança da maioria dos Moinhos desta região, deixou de funcionar na década de 1960 ou, neste caso, mais tarde.

Fim

Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins
19 - Moinho do Major
O Moinho do Major situa-se na margem esquerda da Ribeira de Azevel, junto à herdade do Roncanito, numa das várias curvas descritas por esta Ribeira, no seu curso no limite desta herdade e, da Freguesia de Capelins!
A designação deste Moinho indica-nos que, devia ser propriedade de um Major, o mesmo que mandou construir o Moinho da Volta no saudoso rio Guadiana, sendo a sua alternativa quando as grandes cheias submergiam o Moinho da Volta, durante vários meses de inverno, impedido o seu funcionamento!
O Moinho do Major é de rodízio ou roda horizontal, decerto pequeno, com um aferido ou casal de mós e só uma roda motriz, o açude não tinha caneiro ou pesqueira fixa!
O Moinho do Major, como tantos outros nesta região, deixou de funcionar na década de 1960.

O Moinho do Major fica por aqui - Azevel


sexta-feira, 10 de maio de 2019

Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins

18 - Moinho do Ramalho
O Moinho do Ramalho, situa-se na margem esquerda da Ribeira de Azevel, junto à herdade do Roncanito, um pouco abaixo do Moinho do Melo, numa pequena curva onde esta Ribeira se empurrava, um pouco, a vizinha Freguesia de Monsaraz!
A sua designação, do Ramalho, leva-nos a pensar que, este Moinho herdou o nome da pessoa que o mandou construir!
O Moinho do Ramalho era de rodízio ou roda horizontal, com um aferido, ou casal de mós, decerto pequeno, porque a sua laboração não ia além dos meses de inverno, quando a Ribeira de Azevel tinha caudal para mover a roda motriz, depois, o seu Moleiro descia para um dos Moinhos do rio Guadiana, ficando aquele inativo até ao próximo inverno!
Este Moinho, não tinha caneiro ou pesqueira fixa no açude e, terminou a sua atividade na década de 1960.
A fotografia não é do Moinho do Ramalho


Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins
17 - Moinho do Melo
O Moinho do Melo, situa-se na margem esquerda da Ribeira de Azevel, junto à herdade do Roncanito, no lugar onde a mesma, descrevia algumas curvas devido à geomorfologia e, obstáculos que a mesma encontrava pelo seu caminho em direção ao saudoso rio Guadiana!
A sua designação, decerto, deve-se ao nome da pessoa que o mandou construir, talvez em medos de 1700, uma vez que, estes Moinhos eram quase todos, senão todos, complementares dos Moinho do rio Guadiana que, os substituiam durante os meses das grandes cheias que impediam aqueles de funcionar, nos anos chuvosos os Moinhos do rio Guadiana, podiam estar submersos mais de três meses!
Este Moinho, era de rodízio ou roda horizontal, decerto, com um casal de mós e pequeno, porque o caudal da Ribeira de Azevel era fraco e de pouca duração!
O Moinho do Melo, não tinha caneiro, ou pesqueira fixa no açude!
À semelhança da maioria dos Moinhos da Freguesia de Capelins, também este, finalizou a sua atividade na década de 1960.

A fotografia não é do Moinho do Melo


quinta-feira, 9 de maio de 2019

Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins
16 - Moinho do Azevel
O Moinho do Azevel situa-se na margem esquerda da Ribeira de Azevel, a mesma que lhe deu o nome e, que limita a Freguesia de Capelins e a de Monsaraz, junto à herdade do Roncanito!
Este Moinho, é o que fica mais alto em termos geográficos em relação à foz desta Ribeira no rio Guadiana e, na Freguesia de Capeins!
O Moinho do Azevel é de rodízio ou roda horizontal, decerto pequeno e, com um aferido, ou seja, casal de mós, porque, o seu funcionamento limitava-se aos meses mais chuvosos de inverno, quando esta Ribeira tinha caudal para fazer mover a roda motriz e, quando os Moinhos do rio Guadiana não podiam funcionar, devido às grandes cheias que, podiam durar alguns meses! Este Moinho, não tinha caneiro ou pesqueira no açude.
A fotografia não é do Moinho do Azevel


quarta-feira, 8 de maio de 2019

Os Moinhos de água na Freguesia de Capelins
15 - Moinho do Gato
O Moinho do Gato fica situado na margem direita do rio Guadiana, junto à herdade do Roncanito, é o último neste rio, na Freguesia de Capelins, mesmo junto à Ribeira de Azevel!
Este Moinho, é de rodízio ou roda horizontal, sendo o maior da região, apetrechado com cinco aferidos, ou casais de mós e foi construído, talvez, antes, de 1700, uma vez que, já existem notícias da sua existência em 1715 e, tinha caneiro ou pesqueira fixo no açude!
O Moinho do Gato, ficou com este nome a partir de 1715 devido ao seu novo proprietário nesta data, de nome Pedro Gato, almoxarife em Monsaraz, que, após a morte do enfiteuta Manuel Fernandes, falecido sem herdeiros e crivado de dívidas, o tomou por aforamento de 2.500 réis anuais em 18 de Dezembro de 1715!
O Moinho do Gato em determinada época, só moía para o lavrador da herdade que, era do lado direito da Ribeira do Azevel, pelo que, os Moleiros eram empregados do lavrador, recebendo uma jorna e comedorias!
O proprietário do Moinho do Gato, era o mesmo do Moinho do Corunheiro de Baixo, na Ribeira do Azevel, o que fica mais baixo nesta Ribeira na Freguesia de Capelins e, que substituía aquele, nos meses das grandes cheias do rio Guadiana.

Moinho do Gato - Capelins


Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins
14 - Moinho do Calvinos
O Moinho do Calvinos fica situado na margem direita do rio Guadiana, junto à herdade do Roncanito, um pouco abaixo do lugar onde o rio dava a volta em redor de um outeiro, retomando a mesma direção que seguia lá em cima, quase no sítio onde fica este Moinho!
Este Moinho é de rodízio ou roda horizontal, a sua designação do Calvinos, parece-nos derivar do nome da pessoa que o mandou construir, talvez, em meados de 1700!
O Moinho do Calvinos, não tem caneiro ou pesqueira fixa no açude e, parece que era muito bem afreguesado, porque, decerto fazia boa farinha e, a maquia devia ser pela água, ou seja, se o freguês levasse cinquenta quilogramas de trigo, tinha direito a cinquenta quilogramas de farinha! Dá ideia que, o Moleiro não ganhava nada, mas não era bem assim, porque, o trigo, antes de ser moído, tinha de ser lavado, então, com o contacto da água o mesmo, crescia dez por cento, passando a pesar sessenta quilogramas, assim, esses dez quilogramas de farinha, ficavam para o Moleiro, em troca da moagem do trigo, por isso, dizia-se que o Moleiro só ganhava a água! Quando um freguês chegava ao Moinho e perguntava: Quanto é a maquia? O Moleiro, geralmente respondia: A água, era o mesmo que dizer: Dez por cento!
Este Moinho, decerto estava provido de três aferidos, ou casais de mós, porque, geralmente trabalhavam nele três ou quatro homens, uns durante o dia e outros durante a noite!
O proprietário do Moinho do Calvinos, era o mesmo do Moinho das Piteiras na Ribeira do Azevel que, substituía aquele, durante os meses das grandes cheias do rio Guadiana! Este Moinho, terminou a sua atividade na década de 1960.

Moinho do Calvinos - Capelins


terça-feira, 7 de maio de 2019

Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins 

13 - Moinho da Volta 

O Moinho da Volta situa-se na margem direita do rio Guadiana, junto à herdade do Roncanito, onde o rio descrevia curvas e contra curvas, para fugir ao obstáculo natural que, o empurrava para os lados do território espanhol, obrigando-o a dar uma volta apertada, também para trás, e é na primeira curva que fica este Moinho, o qual, recebeu a designação da "Volta"! 
O Moinho da Volta, deve ter sido construído ainda antes dos meados de 1700, é de rodízio ou roda horizontal, tem caneiro ou pesqueira no açude e, algumas particularidades diferentes de outros Moinhos! O número de casais de mós corresponde, ao número de rodas motrizes e, na parede em frente da qual se encontram os aferidos, existem vigias que, igualam o número de aferidos! 
Este Moinho, tinha uma abertura na parede dianteira à porta de entrada, destinada à passagem de pessoas, também, porque, as comportas estavam fora do Moinho! 
O Moinho da Volta e o Moinho do Major na Ribeira de Azevel, eram do mesmo proprietário, para onde o Moleiro se mudava durante os meses de inverno, quando aquele não podia funcionar. 

Moinho do rio Guadiana 

Não é a fotografia do Moinho da Volta 




segunda-feira, 6 de maio de 2019

Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins
12 - Moinho de Miguéns
O Moinho de Miguéns, situa-se na margem direita do rio Guadiana, junto à herdade do Roncanito, a cerca de 200/300 metros abaixo dos limites entre esta herdade e a herdade da Defesa de Bobadela de Baixo!
Este Moinho, é de rodízio ou roda horizontal e, com base em indícios incertos, pensamos que, tenha sido construído na primeira metade de 1700!
O Moinho de Miguéns, tal como o da Moinhola, não tinha caneiro ou pesqueira no seu açude, no entanto, tinha algumas particularidades em relação a outros Moinhos! Os aferidos estavam habitualmente colocados ao fundo da parede do lado de baixo do compartimento, por uma questão funcional e devido à distância entre as adufas que, são as bocas dos canais, e a roda motriz, neste caso, no Moinho de Miguéns, os canais apresentavam um prolongamento para o lado de cima do mesmo, chegando a um metro, devido à localização das comportas dos canais que, estavam colocadas fora do Moinho!
O proprietário do Moinho de Miguéns, era o mesmo do Moinho do Azinhal, situado na Ribeira de Azevel, para onde o Moleiro do Moinho de Miguéns se mudava durante as grandes cheias do rio Guadiana!
O Moinho de Miguéns foi, talvez o último, na Freguesia de Capelins a deixar de fazer farinha, estando a funcionar até ao início de 1980.
Moinho de Miguéns - Capelins




Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins 

11 - Moinho da Moinhola ou Minhola

O Moinho da Moinhola situa-se na margem direita do rio Guadiana, junto à herdade da Defesa de Bobadela de Baixo!
A designação de cada Moinho do rio Guadiana deve-se aos nomes dos proprietários ou Instituições que os mandaram construir, a algum acontecimento de relevo que se tenha passado no lugar onde o mesmo foi construído, ou à toponímia desse lugar! No caso da Moinhola, pensamos que, antes da construção do Moinho, já aqui existia um Pizoim que, entendemos ser um aferido, casal de mós, dentro de uma choça, construída depois de passar o inverno de cada ano, seguindo nas cheias do inverno seguinte, mas a mó ficava sempre no seu lugar, sendo semelhante a um Moinho, mas como era uma geringonça, construção pouco sólida e que se escangalha facilmente, talvez o designassem por Moinhola! Em 1758 o Padre Manoel Ramalho Madeira, da Paróquia de Santo António, escreveu que, existiam alguns Moinhos e Pizoins no rio Guadiana, nesta Paróquia, no entanto, não indica em que lugares estavam! 
Se o Moinho da Moinhola foi, antes um Pizoim, mesmo assim, decerto, foi construído o mais tardar, em meados de 1700, porque, conforme referimos, parece que, os últimos a ser construídos foram os Moinhos Novos, além do Moinho do Bolas que foi o último, cerca de 1920! 
O proprietário do Moinho da Moinhola era o mesmo do Moinho do Inxado, construído por José Martins Inxado, de Terena, na Ribeira de Lucefécit, para onde o Moleiro se mudava, enquanto duravam as cheias do rio Guadiana que, podia ser mais de três meses.


Moinho da Moinhola ou Minhola - Capelins 


domingo, 5 de maio de 2019

Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins 

10 - Moinho Novo de Baixo 

Este Moinho, é de rodízio ou roda horizontal, com dois aferidos, cada aferido tem um casal de mós, construído em meados de 1700, ou antes, situa-se na margem direita do Rio Guadiana, a cerca de 300/400 metros abaixo do Moinho Novo de Cima, junto à herdade da Defesa de Bobadela de Baixo, no lugar denominado Moinhos Novos! 
Os Moinhos Novos, de Baixo e de Cima eram os Moinho de água mais próximos da Aldeia de Montejuntos, por isso, tal como o da Cinza, eram os de maior ligação a esta Aldeia e suas gentes!
Através de escrituras feitas no Cartório de Terena, verifica-se que metade deste Moinho foi vendida em 1787 e, novamente em 1791, talvez, porque, nos anos de seca do rio Guadiana, a água não chegava para fazer funcionar os dois Moinhos aqui existentes, dando origem a demandas em Tribunal e a zangas entre os seus proprietários! 
Como referimos, estes dois Moinhos foram construídos à volta dos meados de 1700, pensamos que, o Moinho Novo de Baixo, como referimos, com dois aferidos, foi construído primeiro do que o de Cima, com três aferidos, nenhum destes Moinhos tinha caneiro ou pesqueira no açude! Sabe-se que, os Moinhos aqui edificados, foram sendo acrescentados, em conformidade com o crescimento demográfico da Freguesia de Santo António do Termo de Terena e desta região! Como estes dois Moinhos, foram designados de "Novos", significa que, exceto o Moinho do Bolas, os outros oito, situados no rio Guadiana, na Freguesia de Capelins, foram construídos antes deles, talvez, nas primeiras décadas de 1700, alguns antes, mas o Moinho Velho parece ser da época romana!
Também, o Moinho Novo de Baixo, deixou de fazer farinha nos finais dos anos de 1960. 

Moinho Novo de Baixo - Capelins 



sábado, 4 de maio de 2019

Moinhos de água da Freguesia de Capelins 

9 - Moinho Novo de Cima 

Este Moinho, situa-se junto a terras da herdade da Defesa de Bobadela de Baixo, a cerca de 300/400 metros dos limites das, atuais duas herdades da Defesa, um pouco para dentro do leito do rio Guadiana! 
É um Moinho de rodízio, ou roda horizontal, construído na segunda metade de 1700, uma vez que, conforme escritura de compra e venda de metade do Moinho Novo de Baixo, por 80 mil réis, em 1787, entre Joaquim José Paes, morador e lavrador na herdade da Cabeça de Mourão e José Martins Inxado de Terena, é mencionado o Moinho Novo de Fora, logo, significa que, também já existia o Moinho Novo de dentro ou de Cima!  
A construção destes Moinhos, nas imediações um do outro acabou por complicar o funcionamento de ambos, porque nos anos de seca do rio Guadiana, não existia água para os dois poderem trabalhar, por isso, na segunda metade de 1800, como os seus proprietários eram diferentes, entraram em demanda em Tribunal, sendo decidido pelo Juíz que, o Moinho Novo de Cima, como tinha três aferidos, podia trabalhar três dias por semana e, o Moinho Novo de Baixo como tinha dois aferidos, trabalhava só um dia por semana, durante a seca!
O proprietário do Moinho Novo de Cima, era o mesmo, do Moinho do Roncão ou Roncanito na Ribeira de Lucefécit, para onde o Moleiro se mudava, quando o rio Guadiana submergia este Moinho que, chegava a ser, dois ou três meses. 

Moinho Novo de Cima 




sexta-feira, 3 de maio de 2019

Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins 

8 - Moinho da Cinza 

O Moinho da Cinza, situa-se a cerca de 1.000 metros abaixo do Moinho das Bolas, junto à herdade da Defesa de Bobadela de cima e do Porto da Cinza! 
Prevê-se que, a sua construção, tenha sido nas primeiras décadas de 1700, quando se deu grande mudança na Vila de Ferreira, devido à entrega destas terras à Casa do Infantado e à Casa das Rainhas e o aforamento de algumas courelas a Irmandades e a seareiros!
O lugar onde existe este Moinho, foi muito importante na raia, nesta região, porque, era passagem de barcas, o que deve ter motivado a sua construção aqui! 
Como, as pessoas, animais e mercadorias que passavam, tinham de pagar a "Sisa", que na linguagem popular foi sempre "Cinza", esta situação deu a designação ao "Porto Seco de Terena", ao lugar e ao Moinho! 
Este Moinho, era de rodízio ou roda horizontal e, tinha um açude provido de caneiro ou pesqueira, como o do Moinho do Bolas, permitindo a captura de imenso peixe! 
"O caneiro era uma pesqueira fixa instalada no leito do rio, abaixo dos paredões dos açudes, aos quais era adicionada uma rampa afunilada com uns orifícios laterais na base, chamados «ouvidos», e com um ligeiro declive no sentido inverso ao curso de água, feita de pedra e cal e com estacas verticais de varas de arbusto, ou em ferro! 
Quando os peixes subiam o rio, deparavam-se com o açude, então procuravam o ponto onde era mais fácil galgá-lo, esse ponto era a esquina de junção entre a rampa e o açude! Quando os peixes saltavam, entravam pelos ouvidos da rampa e eram logo apanhados pela corrente e arrastados para dentro da armadilha e das redes! 
O Moinho da Cinza, como quase todos na região, deixou de fazer farinha na década de 1960/70. 

Moinho da Cinza 






quinta-feira, 2 de maio de 2019

Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins 

7 - Moinho das Bolas ou do Bolas 

O Moinho das Bolas, situa-se na margem direita do rio Guadiana, a cerca de 1.000 metros abaixo das Azenhas D' El-Rei, nos limites das herdades da Amadoreira e Defesa da Bobadela de cima! 
Este Moinho, é o mais recente no território de Capelins, sendo construído cerca do ano de 1920, por lavradores da região, porque, achavam que lhe eram cobradas maquias excessivas para moer os seus cereais nos Moinhos existentes! 
Como nessa época já existiam pela Europa os Moinhos de Bolas que, faziam a farinha mais fina, começaram a falar que este, seria mais moderno do que os outros e, o seu funcionamento em vez de ser com mós de pedra, seria pela frição de bolas de aço, mas não foi, no entanto, ganhou a designação de Moinho das Bolas, mas na verdade era de rodízio ou roda horizontal, como os já existentes! 
Como foi o último Moinho a ser construído, também foi dos últimos a deixar de laborar.


Moinho das Bolas 


Os Moinhos de água de Capelins 

6 - Moinho das Azenhas D' El-Rei de fora 

O Moinho das Azenhas D' El-Rei de fora, situa-se na margem direita do rio Guadiana, junto à herdade do Roncão Novo, a cerca de 200 metros a sul da foz da Ribeira de Lucefécit, aproveitando o mesmo açude do Moinho de dentro que, está integrado na mesma estrutura de um Moinho espanhol e que ficam ao meio do rio! 
Este Moinho é de rodízio ou roda horizontal e, funcionou durante muitos anos, neste lugar, dentro de uma choça, ou cabanão que, era armado todos os anos depois do inverno, sobre a mó! Quando chegavam as cheias de inverno, retiravam a engrenagem e apetrechos e a choça seguia nas cheias, a pesada mó ficava sempre no seu lugar! 
Este tipo de Moinho, de choça, não era o único no rio Guadiana, mas eram raros e, esta situação existiu no início de 1700, porque temos uma escritura de compra/venda de 1797, a qual, prova que antes dessa data já estava construído em alvenaria, o Moinho das Azenhas D' El-Rei de fora! 
Já em meados do século XX, nos anos de seca, quando o rio Guadiana já não tinha corrente para fazer mover os Moinhos, neste, era colocado um motor que permitia o seu funcionamento e continuava a fazer farinha!
Ao lado dos Moinhos das Azenhas D' El-Rei, existia uma grande casa, com uma parreira à porta, onde residiram vários Moleiros e famílias e, também aqui existia uma fonte com muito boa água!
Este Moinho, como quase todos os outros, esteve em laboração, pelo menos, até finais da década de 1960.


Azenhas D' El-Rei 1976 


quarta-feira, 1 de maio de 2019

Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins 

5 - Moinho das Azenhas D' El-Rei de dentro

Este Moinho, está submerso e, situa-se no lugar das Azenhas D' El-Rei, um pouco abaixo da foz da Ribeira de Lucefécit, junto à herdade do Roncão Novo! 
É um Moinho de rodízio, ou roda horizontal, com um açude que, atravessava o rio Guadiana desde a herdade do Roncão à margem esquerda do mesmo rio do lado Espanhol, o qual, canalizava a água até à sua engrenagem que, através da mó, transformava os cereais em farinha! 
Conforme uma lenda, contada nas terras de Capelins, este Moinho, foi mandado construir por D. João IV, cerca de 1650, por isso, ficou a designar-se Azenhas D' El-Rei! Mas sabemos que, nos finais de 1700, não era do Reino, era propriedade da Família Cominho!
O Moinho da Azenha D’El Rei de dentro, dispunha de uma abertura ou janela na sua parede divisória interior, correspondente à linha de fronteira entre Portugal e Espanha que, foi encerrada por ocasião da Guerra Civil de Espanha (1936-1939), porque, foi denunciado que seria ponto de observação de eventuais refugiados, sobre quem se aproximava deste lugar! 
Como este Moinho, foi construído primeiro do que o de fora, o acesso ao mesmo, ficou a ser feito pelo interior do Moinho de fora, embora fossem de proprietários diferentes!
À semelhança dos outros Moinhos da Freguesia de Capelins, a sua laboração terminou na década de 1960.


Moinhos do Rio Guadiana

Azenhas D' El-Rei - Capelins 



Moinhos de Água da Freguesia de Capelins

4 - Moinho do Roncão ou Roncanito 

Este Moinho, está submerso e, situa-se na margem direita da Ribeira de Lucefécit, acima da foz do Ribeiro do Carrão, junto à herdade do Roncão que lhe deu a sua designação! 
É um Moinho de rodízio, ou roda horizontal, com um açude que atravessava a Ribeira e, ligava as margens entre as herdades do Roncão e a herdade do Aguilhão, o qual, canalizava a água até à sua engrenagem que, através da mó, transformava os cereais em farinha! 
Este Moinho, deve ter sido construído há cerca de trezentos anos, nas primeiras décadas de 1700, talvez pelo Conde da Torre, ou D. João de Mascarenhas, ou D. Fernando de Mascarenhas, também Marquês de Fronteira, nessa época, rendeiro da herdade do Roncão que, nos parece era propriedade da Casa da Rainha! 
O Moinho do Roncão, encontra-se mencionado em alguns Registos Paroquiais da Paróquia de Santo António, devido a algumas tragédias, em várias datas, entre as quais, o falecimento do filho do Moleiro João Roíz de Goes, de Santiago Maior, no dia 31 de Agosto de 1742 e, da sua esposa Esperança Maria, no dia 7 de Setembro de 1742, cuja tragédia se repetiu com o mesmo Moleiro em 1748! 
O Moinho do Roncão, sempre assim registado em todos os documentos antigos e, não do "Roncanito", tinha duas casas de apoio, também para habitação do Moleiro e família e outras famílias, afastadas da área de inundação das grandes cheias da Ribeira.



Moinho de água 

A fotografia não é o Moinho do Roncão

(Abóboda?) 


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