segunda-feira, 12 de setembro de 2022

A lenda da donzela do Monte da Capeleira

 A lenda da donzela do Monte da Capeleira 

Esta ação passou-se nas últimas décadas de 1700. O lavrador do Monte da Capeleira tinha quatro filhas, a mais nova chamada Maria, desde muito nova que brincava com um rapaz chamado Manoel, filho de um seareiro moradores no Monte do Salgueiro. Como a mãe, sazonalmente, trabalhava no Monte da Capeleira, o lavrador e sua esposa, não se importavam que o Manoel brincasse com a sua filha. Passaram alguns anos, até que o Manoel e a Maria se perderam de amores um pelo outro, jurando ambos que um dia se casariam e acabariam a vida juntos. Não demorou muito tempo, começaram a falar sobre eles, chegando o falatório aos ouvidos do lavrador, que proibiu a aproximação do Manoel ao Monte da Capeleira e mesmo de falar com a sua filha Maria. Entrou neles uma grande tristeza, mas sempre que podiam, as suas irmãs facilitavam encontros entre eles. A Maria estava em idade casadoira, com 24 anos, um dia chegaram ao Monte da Capeleira o lavrador do Monte da Arrabaça com um dos seus filhos, muito prendado, com o seu cavalo branco, a pedir para namorar com a Maria, para futuro casamento. O lavrador do Monte da Capeleira nem consultou a esposa e muito menos a filha, porque nesses tempos era o pai que decidia com quem as filhas casavam, dizendo logo que sim. Combinaram como e quando seriam as visitas, ficando tudo acertado. A Maria soube o que se passava através da mãe e, na tarde do domingo seguinte teve de receber o seu namorado. O Manoel soube logo no dia da ida do lavrador da Arrabaça ao Monte da Capeleira o que se passava e começou a pensar na maneira de ficar com a Maria e afastar dela o rapaz da Arrabaça. Depois de tanto pensar concluiu que, só lhe restava um caminho, era matar o outro, só faltava encontrar a forma de fazê-lo sem correr grande risco. Andou a verificar as voltas que o rapaz da Arrabaça dava, por onde andava vindo a saber que ele gostava muito de se ir banhar ao pego junto ao Moinho da Cinza no rio Guadiana, como o Manoel nadava muito bem, logo pensou que o melhor a fazer era afogar o rapaz da Arrabaça quando ele se estivesse a banhar e, assim, um dia escondeu-se debaixo de água atrás de uns amieiros e quando o outro foi nadar mergulhou ao fundo do pego, subiu e puxou-o para baixo não o deixando vir à tona de água a respirar, morrendo afogado. Quando o Manoel se vestia para voltar para o Monte do Salgueiro, levantou os olhos e viu na sua frente um ganadeiro que à distância tinha assistido ao afogamento, foi a correr, mas não chegou a tempo de o evitar. O ganadeiro disse-lhe: - seu malandro que o mataste, mas não te safas, não! O Manoel, ainda tentou disfarçar, que tinha sido ao contrário, o outro é que o queria afogar e mais isto e mais aquilo, mas não convenceu o ganadeiro. O Manoel, estava encurralado e teve de fugir, subiu o rio Guadiana, depois encontrou um pequeno barquito de tábuas e passou a Ribeira do Lucefécit do Roncão para o Aguilhão e continuou a andar e a correr por meio dos matos até que, perto de Juromenha, encontrou um Monte onde ficou a trabalhar como jornaleiro. Como ninguém sabia para onde tinha fugido, não o procuraram por aquela região. Já tinha passado quase um ano e, cada vez tinha mais saudades da Maria até que um dia meteu-se a caminho por meio de matos e com muito cuidado para não ser visto, foi ter ao Monte da Capeleira, por sorte viu logo a Maria, muito triste e sozinha, estava sentada a costurar, chamou-a e pediu-lhe para fugir com ele, porque já tinham um lugar seguro onde ficar, imediatamente a convenceu a fugir com ele. Seguiram o mesmo caminho pelos matos e chegaram à Ribeira do Lucefécit já à noitinha, entraram no mesmo barquito de tábuas, muito velhinho, o Manoel começou a remar, estavam muito perto da margem do lado do Aguilhão e o barquito sem esperarem abriu-se repentinamente e afundaram-se. Como referimos, o Manoel nadava muito bem, mas ao tentar salvar a Maria, agarraram-se um ao outro e não conseguiram chegar à margem, morreram afogados. Nas terras de Capelins diziam que, como o Manoel nadava tão bem, tinha sido a alma do rapaz da Arrabaça que andava por ali e, por vingança os afogou! 

Fim 

Texto: Correia Manuel

Barco, também da Ribeira do Lucefécit - Pateira do Rio Guadiana




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