A lenda da linda pastora da Vila de Ferreira
Contava-se em Capelins que nos distantes anos de 1400, o filho do Alcaide Mor do Alandroal, chamado Álvaro Rodrigues, neto do destemido Pêro Rodrigues, grande amante da caça, foi caçar, acompanhado por falcoeiros para a Vila de Ferreira, atual Freguesia de Capelins, cujas terras eram muito afamadas pela abundância de perdizes. Quando desciam o vale da Ribeira do Lucefécit em direção ao rio Guadiana, perto do Lugar de Ferreira, (onde hoje se designa por Neves), encontraram uma linda pastora, chamada Maria Mize, a guardar um pequeno rebanho de ovelhas. A pastora era tão linda que logo despertou a atenção do fidalgo, o qual, se achava irresistível ao sexo feminino, assim, logo pensou que seria muito fácil arrebatar o amor de Maria, mas estava muito enganado.
O fidalgo dirigiu-se à pastora com muita delicadeza, cumprimentou-a, disse-lhe quem era, o que fazia, onde morava, perguntou-lhe como se chamava, se as ovelhas eram dela, quantas tinha e se não gostaria de morar no Castelo do Alandroal, que poderia ir com ele e até podia ser sua esposa.
A pastora respondeu-lhe que já tinha namorado, que também era pastor e que não era mulher para casar com um fidalgo e mesmo que assim não fosse, nada a fazia deixar as suas ovelhas e a sua Ferreira.
O fidalgo, insistiu, insistiu, mas não conseguiu demover a pastora de Capelins e devido a essa resistência e à rejeição, o fidalgo acabou por se apaixonar e passava longos períodos temporais na Vila de Ferreira.
Quando perdeu a esperança em convencer a pastora através dos seus dotes, pensou em o fazer à força e levá-la para o Castelo do Alandroal, assim, pediu aos seus companheiros para testemunharem a seu favor e acusar a pastora de o ter ofendido em público o que, tratando-se de um fidalgo era um crime punível com prisão.
Chamaram os ordenanças (guardas do reino) formalizaram a acusação e levaram a pastora sob prisão para o Castelo do Alandroal.
A pastora foi instalada num bom compartimento e muito bem tratada. O fidalgo pensava que assim a conquistava e todos os dias a visitava e dizia-lhe que se ela lhe pedisse perdão e quisesse casar com ele, retirava, imediatamente a queixa e ela seria sua esposa para sempre! A pastora continuava resistente e sentia a falta das suas ovelhas, da sua família, do namorado e da sua Ferreira e, quase não comia, ficando cada vez mais triste e fraca, até que um dia adoeceu apossada por moléstia não identificada e, em poucos meses morreu.
O fidalgo Álvaro Rodrigues teve tão grande desgosto que foi para um Convento, onde esteve alguns anos. Mais tarde, tornou-se eremita e foi viver para uma gruta nas margens do rio Guadiana, perto do lugar amado pela linda pastora, onde foi encontrado afogado na manhã de um Domingo de Ramos.
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