terça-feira, 13 de setembro de 2022

A lenda da Casa do Fidalgo, em Capelins

A lenda da Casa do Fidalgo, em Capelins 

Conta-se que, alguns nobres, fidalgos e cavaleiros da Corte do rei D. João II, foram acusados de atentar contra o rei e tiveram de fugir, uns para Castela e outros para vários lugares recônditos no reino.
Um desses fidalgos viveu escondido, cerca de 10 anos, nas terras de Capelins, fugiu de Évora para Vila Viçosa, para a propriedade dos duques de Bragança, mas foi meter-se na boca do lobo, porque tinha sido o escrivão dessa propriedade a apresentar provas a D. João II do comprometimento do seu cunhado e amigos com os reis de Castela e, foi ajudado a fugir de Vila Viçosa para Terena, onde tinha um amigo que era ferrador. 
Quando chegou a Terena foi ter com o amigo ferrador, contou-lhe o que se passava e pediu-lhe ajuda, o ferrador disse-lhe que conhecia um bom lugar para ele se esconder, que era na Vila Defesa de Ferreira, (hoje Freguesia de Capelins) e, se alguma coisa corresse mal, depressa passava o rio Guadiana, ou seja, a fronteira para Castela, mas tinham de enganar os seus perseguidores. 
Então o ferrador lembrou-se de uma artimanha, meteu o cavalo do fidalgo para dentro do seu quintal, tirou-lhe as ferraduras, e pregou-as novamente, mas ao contrário, o lado da frente para trás, assim, o cavalo ao andar para a frente deixava as marcas no caminho como se fosse em sentido contrário. 
O fidalgo ficou escondido na casa do ferrador e à noitinha puseram-se a caminho pelo Ribeiro do Alcaide acima, depois Santa Clara e pela estrada para Monsaraz e foram entrar nas terras de Capelins pelo sudoeste quase ao Gato e deixaram as marcas do cavalo do fidalgo, o do ferrador não deixava marcas porque iam sendo apagadas através de uma feixa de lenha que ia arrojando atrás do cavalo e foram o mais próximo que puderam na direção de Terena que nesse tempo era junto do Ribeiro do Alcaide, junto a Nossa Senhora da Boa Nova, depois deram a volta pelo vale da Ribeira do Lucefécit, já limpando as marcas dos cavalos e o fidalgo ficou alojado num Monte da família do ferrador, perto do Monte do Roncão, perto do Monte do Ladrilho.
Os perseguidores chegaram a Terena, onde o procuraram em todas as casas e como não o encontraram, seguiram para sul e não demoraram a encontrar pegadas frescas de um cavalo, logo imaginaram que estavam na pista certa e foi só segui-las, mas as pegadas vinham desde o Gato viradas ao contrário, ou seja, indicavam que o cavaleiro ia de Terena para Monsaraz, picaram os cavalos e seguiram naquela direção, como não o encontravam e devido a informações confusas, foram sempre para sul até ao Reino dos Algarves. 
O fidalgo ficou escondido, mas pescava, caçava, passeava pela Ribeira do Lucefécit e pelo rio Guadiana e nunca o procuraram por ali, o ferrador, devido à sua profissão tinha a facilidade de se movimentar por toda a região, entregava-lhe os mantimentos que os familiares e amigos, debaixo de muita cautela, lhe enviavam e, por aqui viveu até ao dia 25 de Outubro de 1495, quando o seu amigo D. Manuel I subiu ao trono de Portugal e ficou seu protegido.
Existe o registo na DGPC de um Monte da Idade Média/Moderna no lugar que referimos, numa pequena elevação, 450 metros ao sul do Monte do Ladrilho. 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel




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