A lenda do Ti Manel do Monte da Vinha, de Capelins
Conta-se que, o Ti Manel Martins, carreiro no Monte da Vinha, nos finais do mês de Abril do ano de 1812, foi pai de mais um filho a quem foi dado o nome de Domingos.
Na tarde do dia um de Maio desse ano, depois de jantar (almoçar), saiu do Monte e foi falar com o Pároco de Capelins, de nome Marcos Gomes Pouzão, a fim de marcar o batismo do Domingos, para dia oito seguinte.
Depois de acertar tudo com o Pároco, como ainda era cedo e o Ti Manel gostava muito de dar uma lerias acompanhadas com um copito de vinho, foi dali para a taberna em Capelins de Cima, foi falando, foi bebendo e o tempo foi passando e quando se apercebeu já era noite fechada.
o ti Manel despediu-se dos companheiros e meteu-se a caminho do Monte da Vinha, foi pelo Monte da Cruz, Portela e seguiu pela estrada que atravessava o Baldio pelas Areias e quando ia perto da herdade do Monte Seco apareceram alguns lobos na sua frente em prontidão de ataque, valeu-lhe o bordão (um pau ferrado), para defesa contra maus encontros, fossem ladrões ou animais e quando os lobos se aproximaram já com os dentes de fora fez-lhe frente com o bordão em riste fazendo-os recuar um pouco, depois apanhou algumas pedras e com uma funda que trazia (que bem usada era uma boa arma), arremessou-lhe as pedras, que os fazia recuar, mas atacavam novamente.
O Ti Manel já cansado entrou em desespero, porque os lobos não desistiam, cada vez atacavam com mais intensidade e, como estava ainda muito longe do Monte da Vinha, começou a perceber que estava perdido, gritava, gritava, mas sabia que não ia ter auxílio e o mais certo era surgirem mais lobos, então, num dos momentos em que conseguiu fazer recuar os lobos, subiu a um chaparro, que não era muito alto, mas os lobos não lhe chegavam, ficando a salvo, mas os lobos ficaram debaixo do chaparro.
O Ti Manel, já pela noite dentro começou a ter cada vez mais sono, mas não podia dormir não fosse cair e seria o jantar e a ceia dos lobos.
No Monte da Vinha a sua mulher, a Ti Micaella de Jesus, não fechou os olhos, imaginando o pior, a ver-se já viúva e com três filhos para criar, logo que ouviu movimentos na rua do Monte foi a correr a chorar a contar que o Ti Manel ainda não tinha aparecido e decerto que lhe tinha acontecido alguma desgraça.
Os criados foram acordar o lavrador e a dizer-lhe o que se estava passando, o lavrador mandou logo preparar o cavalo e com alguns cães atrás, saiu a procurar o Ti Manel e, mandou alguns criados por outras estradas do Monte Seco e do Baldio, fazer o mesmo.
Assim que o lavrador chegou à extrema do Baldio, os cães farejaram os lobos e começaram a ladrar e a correr na sua direção, os lobos fugiram imediatamente, o Ti Manel suspirou de alívio e começou a gritar, não demorou o lavrador estava junto dele, ajudou-o a descer do chaparro e foram para o Monte da Vinha, onde foi recebido como um herói, porque já toda a gente o imaginava no outro mundo.
No domingo seguinte, dia 8 de Maio, realizou-se o batismo do Domingos, na Igreja de Santo António de Capelins.
O Ti Manel quase foi o jantar dos lobos, por isso, nunca mais foi a mesma pessoa.
Fim
Texto: Correia Manuel
Fotografia: Correia Manuel
Capelins
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