quarta-feira, 14 de setembro de 2022

A Lenda do Ti Manel do Monte da Vinha, de Capelins

A lenda do Ti Manel do Monte da Vinha, de Capelins 

Conta-se que, o Ti Manel Martins, carreiro no Monte da Vinha, nos finais do mês de Abril do ano de 1812, foi pai de mais um filho a quem foi dado o nome de Domingos. 
Na tarde do dia um de Maio desse ano, depois de jantar (almoçar), saiu do Monte e foi falar com o Pároco de Capelins, de nome Marcos Gomes Pouzão, a fim de marcar o batismo do Domingos, para dia oito seguinte. 
Depois de acertar tudo com o Pároco, como ainda era cedo e o Ti Manel gostava muito de dar uma lerias acompanhadas com um copito de vinho, foi dali para a taberna em Capelins de Cima, foi falando, foi bebendo e o tempo foi passando e quando se apercebeu já era noite fechada. 
o ti Manel despediu-se dos companheiros e meteu-se a caminho do Monte da Vinha, foi pelo Monte da Cruz, Portela e seguiu pela estrada que atravessava o Baldio pelas Areias e quando ia perto da herdade do Monte Seco apareceram alguns lobos na sua frente em prontidão de ataque, valeu-lhe o bordão (um pau ferrado), para defesa contra maus encontros, fossem ladrões ou animais e quando os lobos se aproximaram já com os dentes de fora fez-lhe frente com o bordão em riste fazendo-os recuar um pouco, depois apanhou algumas pedras e com uma funda que trazia (que bem usada era uma boa arma), arremessou-lhe as pedras, que os fazia recuar, mas atacavam novamente. 
O Ti Manel já cansado entrou em desespero, porque os lobos não desistiam, cada vez atacavam com mais intensidade e, como estava ainda muito longe do Monte da Vinha, começou a perceber que estava perdido, gritava, gritava, mas sabia que não ia ter auxílio e o mais certo era surgirem mais lobos, então, num dos momentos em que conseguiu fazer recuar os lobos, subiu a um chaparro, que não era muito alto, mas os lobos não lhe chegavam, ficando a salvo, mas os lobos ficaram debaixo do chaparro. 
O Ti Manel, já pela noite dentro começou a ter cada vez mais sono, mas não podia dormir não fosse cair e seria o jantar e a ceia dos lobos. 
No Monte da Vinha a sua mulher, a Ti Micaella de Jesus, não fechou os olhos, imaginando o pior, a ver-se já viúva e com três filhos para criar, logo que ouviu movimentos na rua do Monte foi a correr a chorar a contar que o Ti Manel ainda não tinha aparecido e decerto que lhe tinha acontecido alguma desgraça.
Os criados foram acordar o lavrador e a dizer-lhe o que se estava passando, o lavrador mandou logo preparar o cavalo e com alguns cães atrás, saiu a procurar o Ti Manel e, mandou alguns criados por outras estradas do Monte Seco e do Baldio, fazer o mesmo. 
Assim que o lavrador chegou à extrema do Baldio, os cães farejaram os lobos e começaram a ladrar e a correr na sua direção, os lobos fugiram imediatamente, o Ti Manel suspirou de alívio e começou a gritar, não demorou o lavrador estava junto dele, ajudou-o a descer do chaparro e foram para o Monte da Vinha, onde foi recebido como um herói, porque já toda a gente o imaginava no outro mundo. 
No domingo seguinte, dia 8 de Maio, realizou-se o batismo do Domingos, na Igreja de Santo António de Capelins. 
O Ti Manel quase foi o jantar dos lobos, por isso, nunca mais foi a mesma pessoa. 

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel

Capelins



Sem comentários:

Enviar um comentário

Os tradicionais lavatórios de ferro, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais lavatórios de ferro, na Freguesia de Capelins Os tradicionais lavatórios de ferro, eram peças fundamentais do mobiliário de ...