segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Cozedura do pão - Capelins

O ciclo do pão VIII 
A cozedura do pão 

A farinha vinda do Moinho era guardada em casa, no melhor lugar que se podia arranjar, estava ali a base da alimentação da Família! A cozedura do pão exigia que o trabalho fosse iniciado na noite anterior. Primeiro, tinha de se garantir a existência do fermento, (levedura, parte de um pão em massa da cozedura anterior, ou trocado com outra Família, que continha os fungos necessários a desempenhar as suas funções). Ao serão, a farinha destinada à cozedura era peneirada (separava-se o farelo, a casca do trigo) e ficava assim até à madrugada seguinte. Pelas cinco da manhã, os homens começavam a amassar, misturando o fermento e aos poucos água, de preferência morna, na farinha e com as mãos fechadas calcavam na massa e davam voltas e mais voltas, levando mais de uma hora nesse difícil trabalho. Pelas seis horas da manhã estava amassado e ficava em repouso a fintar (levedar) durante duas ou mais horas. O trabalho não parava, tinham de ir buscar a lenha para junto do forno e a seguir puxar fogo a essa lenha dentro do forno para o aquecer! 
Depois de, a massa estar pelo menos duas horas a fintar (levedar) já se podia "tender", ou seja, fazer o pão que continuava mais uma hora a fintar no tabuleiro e de seguida entrava no forno que já tinha sido preparado. Após a lenha arder dentro do forno, o borralho (brasas e cinza) era encostado para um dos lados com uma pá em madeira com um cabo comprido, para o forneiro/a (quem tratava do forno) não se queimar, a mesma pá que depois servia para colocar o pão em massa dentro do forno e tirá-lo já cosido. O solo do forno ainda era bem passado com uma vassoura de piorno verde, para não arder, e tinha que ficar bem limpo de brasas e de cinza para não se colarem ao solo do pão. 
Como eram pães com cerca de dois quilogramas cada, tinham de estar dentro do forno quase duas horas para cozer e ao fim desse tempo eram retirados do forno e colocados num tabuleiro de madeira, mas faziam antes um ritual que consistia em pegar no pão com a mão esquerda e bater com a mão direita aberta, no solo do pão, para sair alguma cinza que existisse e por fé de que tinha ficado bom!
A partir desse momento, com o pão ainda quente, já se podia comer, (na tiborna com azeite e mel), no entanto, este pão para estar aqui, exigiu um ano e meio de duros trabalhos agrícolas!


Forno comunitário de Ferreira de Capelins  








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