sábado, 14 de janeiro de 2017

O ciclo do azeite III


O ciclo do azeite III 

A azeitona já limpa de ramos e folhas dava entrada no lagar, neste caso, no lagar de Capelins da Casa Dias, que trabalhava de dia e noite nos meses de Dezembro a Fevereiro, dirigido pelo Mestre Ti Limpas. A azeitona era descarregada numa casa junto à prensa e quando esta estava já cheia, ficava na rua do Monte Grande. A prensa era constituída por duas grandes rodas pesadas que circulavam através de uma engrenagem de rodas dentadas movidas pela força de um motor a gasóleo que se ouvia 24 horas por toda a aldeia, as quais esmagavam as azeitonas que os homens munidos de pás de ferro baldeavam para debaixo dessas rodas, formando uma massa homogénea que era recebida num depósito anexo. A partir daqui, outros homens colocavam essa massa sobre uma espécie de tapetes redondos com uma abertura ao meio (chamavam-lhe capachos ou ceras) que eram "enfiados" num varão e entre eles era colocada a referida massa que passava a ser pressionada, por um sistema semi hidráulico que com força manual obrigava o líquido (azeite, ainda com as águas russas) a escorrer para a base tipo depósito, e daqui para outro depósito, ficando o "bagaço, caroços e peles das azeitona" separados da parte líquida, nos capachos" . Neste depósito intermédio era adicionada água quente e ainda no fundo dos depósitos existia um lume de lenha para aquecer o líquido e obrigar o azeite a vir ao de cima e a escorrer por uma abertura para outro depósito onde ao fim de alguns dias ficava separado das impurezas, já de cor amarelinha, com grande pureza e muita qualidade, sempre vigiado e controlado pelo Ti Limpas, que lhe emprestava a sua arte e saber! 

Lagar de Azeite


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