domingo, 15 de janeiro de 2017

O ciclo dos enchidos I

O ciclo dos enchidos I

Quando se chegava à matança do porco e por consequência aos enchidos, já tinha passado cerca de um ano, desde o início do processo, que dava origem a mais este tesouro da nossa Capelins! 
Em Fevereiro/Março de cada ano, após a matança do último porco, estava na hora de comprar um leitão com pouco mais de dois meses de idade que ocupava o lugar deixado pelo anterior no mesmo chiqueiro instalado geralmente próximo da casa de habitação porque tinha de ser tratado duas a três vezes por dia, entre o abastecimento de comida e de água. 
O leitão nos primeiros meses não era muito exigente na alimentação, nem se podia dar logo muita comida senão começa a engordar muito cedo e antes da época das matanças já estava redondo de gordo. Assim, mantinha-se com os restos da casa, com erva escolhida e recolhida no campo, alguns farelos (separado da farinha de trigo) molhados em água, restos do almece ou leite e uma pequena ração de semente, quase sempre cevada! Ao longo do ano, a ração aumentava em função da exigência do "bacro", quanto mais crescia, mais comida exigia, grunhindo a toda a hora a pedir comida. Quando chegava ao mês de Novembro, já existia muita boleta (bolota) e era fundamental que a engorda do porco passasse a ser feito com este fruto da azinheira, não só pela sua abundância em Capelins, mas também porque a carne tinha mais qualidade. A engorda, já em força, continuava até Janeiro, quando se fazia a matança do porco que era leitão um ano antes e nesta altura já podia pesar de 120 a 150 quilogramas (8 a 10 arrobas)! 
Também, existiam varas de porcos destinados à matança que eram engordados no campo, andavam alguns meses nos montados, alimentados de bolota e de tudo o que encontrassem e que fosse comestível e que produziam carne ainda melhor em relação aos engordados nos chiqueiros e que algumas pessoas de Capelins compravam para fazer a matança e abastecer a sua casa dos respetivos produtos, durante um ano! 




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