domingo, 22 de janeiro de 2017


O corte da lenha para aquecimento e para cozinhar os alimentos

O corte da lenha que se destinava ao aquecimento das casas e à cozedura dos alimentos da família, começava logo a seguir à apanha da azeitona, dentro do mês de Janeiro e esses trabalhos até podiam coincidir em alguns dias. Era um trabalho feito quase todo, por homens treinados que passavam mais de um mês nos montados de azinheiras a cortar (podar) as árvores, algumas de grande porte, munidos apenas de um machado. Aqui não existiam escadas para subir às azinheiras, senão seria chacota, a subida era feita pelo tronco e depois saltavam de ramo (pernada) em ramo cortando toda a ramagem ficando a azinheira completamente despida, mas tinha de ser assim para dar força a ramagem nova, com outro vigor, senão a azinheira envelhecia e podia mesmo secar. A lenha cortada ficava debaixo da azinheira, mas a seguir tinha de ser "esgalhada" cortada em menores dimensões e separada, a mais grossa da mais fina (ramalhos), trabalho feito por homens com mais dificuldades em subir às azinheiras, então andavam mais atrás a fazer este trabalho, fazendo feixas (molhos) atadas com junça ou cordel e juntando, (empilhando), a lenha junto à respetiva azinheira ou chaparro, para mais tarde, quando estivesse seca ser transportada em carroças para perto do Monte ou outra habitação e daí, diariamente, aos feixes (molhos, ainda mais partida em cima de um madeiro com o machado) era levada então para casa, junto ao lume, feito num pequeno compartimento designado por chaminé. Era aqui que cumpria o seu papel de arder no lume onde cozinhavam os alimentos e ao mesmo tempo aquecia toda a casa, ou pelo menos a área da chaminé onde a família passava os serões, ao lume e a ouvir os mais velhos contar contos e peripécias passadas ao longo da sua vida. 

Montado de azinheiras

Foto net


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