domingo, 10 de setembro de 2017

192 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins
Das Choças aos Cabanões das Terras de Capelins

Nas terras de Capelins, existiam muitas choças, nos campos, junto aos Montes, dentro e nos arredores das Aldeias! No entanto, apenas se designavam choças as estruturas de menor dimensão, as quais, podiam ser fixas ou móveis, neste caso, eram abrigos dos pastores que as deslocavam acompanhando os rebanhos para todos os lugares a que eram obrigados a mudarem-se por motivo de aproveitamento de novas pastagens! Algumas choças eram constituídas por peças separadas, que rapidamente se juntavam e ficavam prontas a abrigar os pastores, mas havia outras de maior dimensão que serviam para abrigar toda a família, eram a sua habitação, mas mesmo essas, desde que fossem dos pastores, não deixavam de ser choças. 

As choças com maiores dimensões e imóveis, nas terras de Capelins designavam-se por Cabanões e, geralmente, eram constituídas por uma parede feita em pedra com cerca de um metro de altura e, meio metro de largura que lhe conferia um bom ambiente interior e, podiam ter formas circulares, quadrangulares ou retangulares, sendo estas últimas, as que mais predominavam nesta região! Com uma técnica de construção rudimentar mas muito eficiente, os cabanões utilizavam no seu fabrico unicamente matéria prima obtida localmente. Sobre a estrutura de pedra assentavam vários paus, tipo barrotes, colocados ao alto e lateralmente, que eram colhidos em árvores da região, geralmente de madeira de azinheiras, freixos ou outras árvores nativas nos Ribeiros, Ribeiras e no rio Guadiana, que no interior davam forma ao esqueleto da cobertura. No Outono, cortavam o piorno/giesta e estevas, que eram entrelaçados naqueles paus e cobriam completamente toda a estrutura. Mais tarde, também era usada palha de centeio ou junco para fazer essa cobertura. Uma porta, também coberta pelos referidos arbustos, possibilitava o acesso ao interior, formado por um só espaço, onde também podia existir um lugar para o lume, saindo o fumo por uma pequena chaminé existente a um canto do cabanão. 
Os cabanões, eram usados para diversos fins, entre os quais, abrigar animais, guardar forragens, alfaias e utensílios usados na agricultura e pecuária e eram a habitação de muitas famílias podendo ser comum à família e aos animais, burros/as ou outras muares. 
Os cabanões, construções intemporais desde sempre presentes na paisagem humanizada das terras de Capelins, parecem ser testemunhos vivos das habitações pré-romanas, existindo testemunhos disso, no vale do rio Guadiana e das Ribeiras do Lucefécit e do Azevel. 
Eram essas as habitações de outrora, por isso, nasceram, viveram e faleceram muitos/as capelinenses, nos cabanões das terras de Capelins.

Aqui era um cabanão! 



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