sábado, 25 de novembro de 2017

367 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
As Orações e Mesinhas Para Todos os Males 
Antigamente, nas terras de Capelins, era muito comum recorrer a rezas e benzeduras para se protegerem a si e aos seus familiares! Entre as rezas contra todos os males, doenças, maus olhados ou quebrantos, pés torcidos, colunas descaídas e outros, mas, também existia/existe uma oração para encontrar objetos perdidos ou roubados que, eram os responsos, entre os quais, o de Santo António, do qual conhecemos pelo menos 4 versões, mas o que importa é a fé, todas as versões têm o mesmo fim!
A palavra "responso" provém do latim e, significa "resposta" ou "procura de resposta"! 

A seguir, relatamos um caso passado nas terras de Capelins, onde um rapaz perdeu um utensílio, nesse tempo muito importante para ele, recorreu a um homem com poderes para responsar, o qual, alguns dias depois, lhe garantiu que o utensílio aparecia, dentro de pouco tempo, quando ele menos esperava e apareceu! 

A Fé do José Luís, de Capelins, pelo Responso de Santo António

O pai do José Luís, como habitualmente, fez um meloal na parte mais baixa da courela do Cebolal, onde semeava umas casas de melão, de melancia e alguns regos de feijão careto (feijão frade). Nesse ano, as plantas estavam muito bonitas, mas precisavam de ser cuidadas, principalmente, muito bem cavadas e, a terra bem desfeita para assentar as ramas e futuros melões e melancias e para manter a fresquidão durante o verão que se aproximava, cujo trabalho, entre outros, como tratar das ovelhas e outros animais da da casa, estava a cargo do José Luís que, já tinha quase 10 anos e, bom corpinho para trabalhar, incluindo cavar o meloal! Assim, numa tarde no início do mês de Junho de 1925, o José Luís nessa tarefa na parte do feijão careto e começou a ouvir trovões, coisa que acontecia quase diariamente nos meses de Maio e início de Junho nesses tempos, continuou o seu trabalho e, a trovoada que vinha do sul, dos lados de Espanha, estava cada vez mais próxima, mas ele não podia ir-se embora e aparecer a casa, a Capelins de Cima, sem uma boa justificação, estava com medo porque a trovada era forte, mas foi ficando até começar a chover, aqui decidiu que estava na hora de fugir para casa, onde já chegaria todo molhado, mas não se importava com isso, depois com o calor do próprio corpo, a pouca roupa, logo enxugava, mas ao mesmo tempo que estava a a fuga, o chão  tremeu debaixo dos seus pés devido a um forte trovão e ele parou imediatamente, apanhou grande susto, depois lembrou-se que os mais velhos lhe diziam-lhe que nunca tivesse contacto com um objeto de metal debaixo se uma trovoada, porque os raios atraiam ao metal e, podia morrer, como tinha o sacho (sachola) com o qual andava a cavar o meloal às costas, arrepiou-se todo, podia ter morrido ali, então já não o foi esconder no lugar habitual, abriu rapidamente um rego no limite da terra que já tinha cavado, como sinal onde o mesm ficava enterrado, depois no dia seguinte ia direitinho a esse lugar e, continuava o trabalho no mesmo lugar onde tinha ficado! A seguir começou a correr sem parar até ao portão do lagar do Monte Grande, onde chegou a escorrer água da cabeça aos pés, abrigou-se ali, durante algum tempo, até a trovoada passar mais e permitr-lhe chegar a casa, devido à grande chuvada já não voltou ao meloal! Nos dias seguintes, todas as tardes, a partir das quatro/cinco horas, continuaram as trovoadas e, o trabalho de cavar o meloal ficou parado mais de oito dias! No dia em que teve de voltar a esse trabalho, chegou ao meloal e reparou que a terra estava toda com o mesmo aspeto, devido às grandes chuvadas não existia qualquer diferença e,  lembrou-se de começar novamente a cavar as casas de melão e melancia, o feijão careto, que ele nem gostava, podia esperar, dirigiu-se ao lugar onde habitualmente escondia o sacho, atrás do poço no meio de uma moita de funcho, mas não havia sinais dele e, pensou logo, foi roubado! Depois de procurar em todos os lugares, em redor não o encontrou, ficou preocupado, porque um dia tinha de prestar contas sobre o seu desaparecimento, podia sempre dizer que tinha ficado no sítio habitual e foi roubado, mas não se livrava do peso na consciência!  sem sacho, teve de voltar a Capelins de Cima   buscar outro, mas não deixava de pensar o que teria acontecido e não lhe veio à ideia o episódio do dia da trovoada! 
Depois de muito pensar, lembrou-se de o mandar responsar, porque ouvia dizer que o ti Manoel da Roza sabia uma oração e se a rezasse antes de se deitar de noite sonhava com o que tinha acontecido ao objeto perdido ou roubado! Como isso não lhe saía da cabeça, dois/três dias depois, espreitou o Ti Manoel da Roza, que era seu tio avô e fez por se encontrar com ele, meteu conversa sem nexo, até lhe perguntar se era verdade que ele sonhava com as coisas que desapareciam? O ti Manoel disse-lhe que sim, era verdade! Então porquê? Perdeste alguma coisa? Perguntou o ti Manoel! O José Luís disse-lhe que sim e contou-lhe sobre o que tinha desaparecido! O ti Manoel disse-lhe que, dentro de dois ou três dias dava-lhe a resposta, onde estava o sacho e se aparecia, ou não! O José Luís todos os dias aparecia à frente do ti Manoel na esperança de já ter a resposta, mas só no fim do tempo prometido ele lhe garantiu que o sacho aparecia e, não demorava muito tempo! O  José Luis ficou muito contente, esperando encontrar o sacho a todo o momento, mas o tempo foi passando, acabando por se esquecer! Um dia, andava a cavar o feijão careto e sentiu o sacho a prender e ao puxar com mais força, ficou com o sacho perdido junto dos seus pés!
A partir daquele dia, ficou com muita fé no responso de Santo António  e, convencido que tudo o que se perdesse ou fosse roubado, ao ser responsado a santo António, decerto aparecia! 



Uma das versões do responso de Santo António 
(Não é a das terras de Capelins)

- Ó Beato Santo António que em Lisboa foste nado,
Em França visitado e em Roma coroado,

Pelo cordãozinho que cingiste, pelo livrinho que rezaste.

Na casa de Santa Paula tuas mãozinhas lavaste.

Peixinhos da água se levantaram
Para ouvirem a tua santa pregação.
- Santo António, p' ra onde vais?
- Eu, Senhor, convosco vou!
- Tu Comigo não irás, tu na Terra ficarás,
Todo vivo guardarás,
Todas as coisas esquecidas “alembrarás”,
Todas as coisas perdidas acharás...
- Em busca, em busca São Silvestre,
Tamanha boca, tamanho sestro:
Se a tiveres fechada não a abrirás,
Se a tiveres aberta não a fecharás.
Tem-te, tem-te Madalena, que mas queiras “alembrar”,
Estas são as Cinco Chagas que por nós têm de passar,
Pequenino pelo grande, para a todos Deus nos Salvar.
- Assim como Santo António livrou seu pai de sete sentenças falsas,
Assim nos livre da má fama, da má companhia,
E nos guarde os nossos animaizinhos e as nossas coisinhas
De noite e de dia.
Padre Nosso... Avé Maria... 




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