A Aldeia das Hortinhas situa-se no Concelho de Alandroal, Freguesia de S. Pedro - Terena, a cerca de um quilómetro de distância desta Vila, na falda leste da Serra D' Ossa, também, acessível pela estrada de Redondo, Foros da Fonte Seca, Santiago Maior, com saída à esquerda, antes da Aldeia dos Marmelos, passando pela vizinha Aldeia dos Orvalhos.
Este Blogue Tem Como Objetivo Dinamizar a História, Lendas, Tradições e, a Defesa do Património Cultural e Arqueológico das Terras de Capelins - Alandroal
domingo, 23 de janeiro de 2022
Breve História da Aldeia das Hortinhas - Terena
Considerando a idade dos monumentos arqueológicos à sua volta e no seu interior, como a Anta do Lucas, Castelo velho e outros, as suas terras são povoadas há mais de 5.000 anos, encontrando-se aqui vestígios deixados por diversos povos, como os Celtas, Cartagineses, Romanos, Visigodos, Mouros e outros.
Por analogia com quase todas as Aldeias da região, a toponímia, Hortinhas, talvez tenha origem no apelido do proprietário do primeiro Monte a ser construído num terreno aforado à Câmara de Terena, perto do qual, construíram outros Montes e muros em pedra que ainda existem, sendo constituída a Aldeia, embora, exista a hipótese que deriva da existência de várias pequenas hortas, logo Hortinhas, mas esse registo não se encontra em nenhum documento oficial de que tenhamos conheciemnto, nem deviam existir hortas ou hortinhas sem que primeiro existissem habitações e, esses Montes, já tinham de ter nome antes das eventuais hortas, mas é possível que, às tapadas, ou quintinhas, chamassem hortas ou hortinhas, esquecendo os Montes.
Na Chorografia moderna do Reino de Portugal publicada em 1708, na Freguesia de São Pedro de Terena consta, Lugar das Hortinhas, mas também consta, Monte Novo das Hortinhas! Assim, se existia um Monte Novo, é porque já existia outro Monte com a mesma designação, mas neste caso, não aparece nenhum Monte Velho das Hortinhas, logo, deduzimos que, o Monte mais velho, talvez melhor localizado, deu origem à Aldeia das Hortinhas.
Encontramos a toponímia Hortinhas, nos Registos Paroquiais de S. Pedro de Terena, nos finais da centúria de 1500, início de 1600, não tendo sido encontrada esta toponímia em nenhum Arquivo, incluindo o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, antes da referida data, mas muito antes, em documentos régios, são mencionadas herdades e Montes situados nas suas imediações que, ainda mantêm a mesma designação.
As profissões de outros tempos, dos moradores da Aldeia das Hortinhas, as mais comuns, eram: Lavradores, seareiros, jornaleiros, ganadeiros, (pastores, porqueiros, boieiros, vaqueiros, cabreiros e outros), ganhões, feitores, moleiros, alvanéus, abegões ou carpinteiros, carreiros, sapateiros, e taberneiros, logo a vida económica das suas gentes, dependia das grandes herdades, como a herdade do Lucas, Monte de Outeiro de Baixo, Monte do Outeiro de Cima, Monte de Inverno, Silveirinha, Alcaidinho e, mais tarde de algumas courelas, assim como, de algum pequeno comércio de lojas e tabernas.
A vida social desenvolvia-se através de convívios entre homens nas tabernas, em bailes e em algumas Festas, incluindo as realizadas na Vila de Terena.
Devido à sua situação geográfica e ao bom carácter das suas gentes, a vida social nesta Aldeia é muito agradável, onde se pode levar uma vida muito pacata e de bom convívio entre os habitantes e quem os visita, sendo possível pescar, caçar, fazer caminhadas e desenvolver agricultura e horticultura de forma saudável.
Há muito a acrescentar sobre a Aldeia das Hortinhas - Terena - Alandroal
Singela homenagem à Aldeia das Hortinhas.
Queremos levar ao Mundo, todas as Aldeias do Concelho de Alandroal - Évora
sábado, 22 de janeiro de 2022
Aldeia das Hortinhas - Terena
A lenda do Milagre de Nossa Senhora da Boa Nova na Aldeia das Hortinhas
Na madrugada de segunda feira dia 20 de Janeiro de 1913, quando o ti Joaquim Gaspar, morador na Aldeia das Hortinhas, se tentou levantar para ir trabalhar, não conseguiu pôr-se em pé, tinha dores em todo o corpo, não podia com a cabeça e tinha dificuldade em respirar, caiu na cama e chamou a mulher a ti Maria Inês que, já estava levantada a fazer o lume à chaminé!
A ti Maria Inês foi a correr e quando se inteirou que ele estava muito doente, decidiu mandar um dos seus rapazes ao Monte do Lucas a dizer ao ganhão que, o pai nesse dia não ia trabalhar, por se encontrar doente!
A ti Maria Inês, começou logo a fazer as tisanas que se usavam para tratar os resfriamentos, porque, decerto era isso que ele tinha, uma vez que, desde o Natal andava, quase diáriamente, debaixo de chuva, sempre molhado até aos ossos!
O ti Joaquim Gaspar perdeu o apetite e, não tinha melhoras, cada dia que passava estava pior, pelo que, a ti Maria Inês decidiu mandar chamar o médico de Terena que, depois de o observar e auscultar não deu boas águas, disse-lhe que, se tinha descuidado em o mandar chamar e pouco podia fazer, porque ele tinha os pulmões apanhadinhos, receitou-lhe algumas mezinhas, entre elas, um xarope para tomar três vezes ao dia e explicou-lhe como lhe devia fazer vapores que eram bons para os pulmões que estavam a trabalhar muito mal!
A ti Maria Inês, começou logo a tratar o marido conforme as indicações do médico, mas os dias passavam e não se notavam melhoras, começando a ouvir-se pela Aldeia das Hortinhas que ele estava nas abaladas!
A ti Maria Inês mandou chamar, novamente o médico de Terena que, pouca alteração fez nas mezinhas e disse-lhe que, o mal estava todo nos pulmões, devia preparar-se para o pior, porque o mais certo era o ti Joaquim Gaspar não saltar o barranco, mal ela não se conformou e a partir desse dia "agarrou-se" à sua Santinha, Nossa Senhora da Boa Nova, da qual era muito devota e, através das suas orações, a todo o momento, implorava a sua ajuda para salvar o marido!
A fé da ti Maria Inês pela Senhora da Boa Nova era excessiva e na noite de 30 de Janeiro desse ano, pouco dormiu, sempre a orar e a implorar à Senhora da Boa Nova para salvar o ti Joaquim Gaspar e quando estava a dormitar sentada numa cadeira à chaminé, começou a sonhar com Nossa Senhora da Boa Nova a qual, a sorrir disse-lhe que ficasse descansada, o ti Joaquim Gaspar estava salvo e, ao mesmo tempo, enquanto sonhava, começou a ouvir a voz dele a chamá-la, acordou sobressaltada e pensou que era um sonho, mas não, era mesmo ele que a chamava, levantou-se e foi a correr, então ele disse-lhe que se achava muito melhor e contou-lhe que tinha sonhado com Nossa Senhora da Boa Nova e ela lhe tinha dito que estava salvo!
A ti Maria Inês, não cabia em si de contente, não tinha dúvida que era um milagre de Nossa Senhora da Boa Nova, e o ti Joaquim Gaspar a partir desse dia começou a melhorar, voltou a ter apetite e, passados cerca de oito dias, já andava em pé e ficou curado!
Como reconhecimento do milagre, a ti Maria Inês mandou fazer o ex voto que a seguir publicamos, onde, além das imagens, está escrito:
"Milagre que fez Nossa Senhora da Boa Nova a Maria Ignez, moradora nas Hortinhas, Freguesia de Terena, que tendo seu marido Joaquim Gaspar em perigo de vida a Senhora o livrou da morte".
Em memória do ti Joaquim Gaspar e da ti Maria Inês, (P.A.S.A.)
Fim
Ex voto do Milagre de Nossa Senhora da Boa Nova na Aldeia das Hortinhas
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022
O desastre na Fortaleza de Juromenha em 1659
O desastre na Fortaleza de Juromenha em 1659
Após o cerco à cidade de Elvas, pelas tropas castelhanas comandadas por D. Luís Mendéz de Haro, com início em 22 de Outubro de 1658, na sequência da restauração da independência de Portugal, a rainha Dª Luísa de Gusmão mandou organizar um exército de socorro, constituído por todas as guarnições e homens válidos, mas como as praças não podiam ficar desguarnecidas foi decidido improvisar, mobilizando gente sem conhecimentos no uso de armas, incluindo rapazes e velhos, de maneira que parecesse serem guarnições verdadeiras para as praças parecerem estar cheias de militares, para ludibriar os inimigos!
Os estudantes não escaparam à mobilização e, um dos casos mais conhecidos foi a companhia formada com cerca de cem estudantes da Universidade e Colégio do Espírito Santo de Évora, os que restavam dos que já integravam outra companhia ao serviço desta cidade e que tinham entre os 14 e os 20 anos!
Nos finais do ano de 1658, esta companhia, seguiu para a Fortaleza de Juromenha, para substituir a guarnição desta praça, que foi integrada no exército do socorro, sendo comandados pelo seu Reitor, o Dr. Francisco Soares, conhecido pelo Lusitano, que era padre e ensinava filosofia no referido Estabelecimento de Ensino!
A companhia dos estudantes de Évora, assim que chegou à Fortaleza de Juromenha, foi apresentada ao governador da praça que lhe deu as boas vindas e algumas explicações básicas sobre a segurança, conduta, disciplina e as suas funções, reforçadas pela intervenção do senhor reitor e, começaram, imediatamente a fazer os serviços de guarda e de vigia inerentes à guarnição!
O tempo decorria sem sobressaltos, passou o Natal e entraram no ano de 1659, sem previsão de quanto mais tempo ali teriam de passar, sem acontecer nada de novo, alguns já andavam impacientes, mas tinham muito orgulho na sua missão!
Em meados do mês de Janeiro de 1659, o exército do socorro, estava organizado e bem preparado para surpreender os castelhanos que estavam acantonados nos Fortes e Fortins esperando a rendição da praça de Elvas!
Na manhã do dia 14 de Janeiro de 1659, o exército português comandado por André Albuquerque de Ribafria, da cavalaria (que foi morto em combate neste dia), e por Afonso Furtado de Mendonça, da artilharia, Dinis de Melo e Castro, Diogo Gomes de Figueiredo, Conde de Mesquitela e outros comandantes da cavalaria e infantaria, conseguiram uma grande vitória sobre os castelhanos, sendo a praça de Elvas, completamente libertada no dia 15 de Janeiro de 1659 e, neste mesmo dia, o exército do socorro, seguido da carriagem entraram em Elvas com 1000 porcos e 1000 borregos para os sobreviventes do cerco e da peste que matou cerca de 5.000 pessoas e morreram mais 200 em combate!
O comandante chefe da praça de Elvas era D. Sancho Manuel que, após ser libertado, reuniu uma força de cavalaria e saíram até ao Rio Caia, encontrando muitos espanhóis em fuga, mas apenas os mandaram descalçar e despir a roupa, deixando-os em ceroulas para, naquelas figuras darem entrada em Badajoz!
Na manhã do dia 15 de Janeiro de 1659, surgiu um cavaleiro a galope içando uma bandeira portuguesa, passou junto da muralha da Fortaleza de Juromenha, sem parar, bradando: Vitória! Vitória! Vitória! Viva Portugal!
Os estudantes, correram todos às muralhas, mas já era tarde, porque, o cavaleiro tinha desaparecido pelo caminho para o Alandroal, a espalhar a novidade da grande vitória que tinha acabado de acontecer em Elvas, mas apareceu logo outro cavaleiro agitando o chapéu e, como era de Juromenha parou à porta da vila a gritar: Vitória! Vitória! Vitória! E quando se cansou de tanto gritar lá contou com grande entusiasmo, que os espanhóis tinham sido completamente derrotados nas linhas de Elvas e aproveitou para exaltar os grandes feitos dos portugueses, no assalto às trincheiras dos inimigos, deixando os estudantes ainda mais orgulhosos e decididos a alistarem-se no exército do Alentejo!
O reitor Francisco Soares, ouviu o cavaleiro com muita atenção e decidiu ir a Elvas dar os parabéns aos comandantes e a participar em tão grande glória, partindo ainda nesse dia, por lá andou e, antes de voltar a Juromenha foi informado que tinha de voltar para Évora com os estudantes, porque a guarnição, no dia seguinte ia voltar à praça onde eles se encontravam!
O reitor Francisco Soares voltou a Juromenha no dia 19 de Janeiro de 1659 e, assim que chegou, reuniu-se com os rapazes, contou-lhe as novidades que havia por Elvas e, mandou preparar os sacos e mantimentos para seguirem para Évora na madrugada do dia seguinte!
Os estudantes, cumpriram as instruções do reitor e, depois foram mandados formar junto à casa do governador para apresentarem as despedidas, mas nesse lugar estava o médico a assistir um homem muito doente, que estava nas abaladas, pelo que o médico pediu para chamarem o padre para lhe dar os Sacramentos, vieram logo dois padres, os quais, foram encaminhados para onde estava o moribundo, num compartimento por baixo da casa do governador da praça que, andava nas despedidas dos estudantes e, não se apercebeu da chegada dos padres que, foram reencaminhados pelos criados para os aposentos onde estava o doente, mas como era já de noite, sem luz, iam às aranhas, então, pediram um archote e desceram até ao lugar onde também estavam alguns barris cheios de pólvora e com restos por cima dos mesmos, na tentativa de verem a cara do infeliz, baixaram o archote até perto dos barris que explodiram, atingindo o paiol principal que também explodiu e ficou tudo queimado, despedaçado, triturado, esmagado, e morreram mais de cem pessoas, incluindo os estudantes, o governador, o médico e três padres, deixando os cadáveres irreconheciveis, mas parte do corpo do malogrado reitor Francisco Soares foi reconhecido, porque, conservava na algibeira, um sinete que usava para chamar os estudantes e dar a s suas ordens!
Os estudantes da Universidade e Colégio do Espírito Santo de Évora, perderam as vidas na Fortaleza de Juromenha, em 19 de Janeiro de 1685, naqueles dias de imensa glória tiveram uma morte inglória!
A Fortaleza de Juromenha foi, imediatamente reconstruída, com algumas alterações para melhor defesa, porém, no dia 12 de Junho de 1662 caiu no domínio dos castelhanos comandados por D. João de Áustria, filho de Filipe IV, sendo recuperada pelo Reino de Portugal em 1668, com o fim da guerra da Restauração.
In, Pereira, Gabriel, Estudos Eborenses – Os Estudantes, Minerva Eborense, Évora, 1893, págs. 23, 24, 25 e 26
Coelho, P. M. Laranjo, Cartas dos Governadores da Província do Alentejo a El-Rei D. Afonso VI, Vol.
III, Academia Portuguesa de História, 1940, Lisboa, pág. 25
Fim
Fortaleza de Juromenha
domingo, 16 de janeiro de 2022
Resenha histórica da Fortaleza de Juromenha
Resenha histórica da Fortaleza de Juromenha
A ocupação do planalto onde se situa a Fortaleza de Juromenha perde-se nos tempos, há provas arqueológicas que já ali existiam instalações de diversos povoadores desde o perído histórico e, talvez, devido à defesa estratégica, à presença do rio Guadiana, à fertilidade das terras e outros fatores favoráveis, o lugar foi atrativo para todos os povos que se instalaram nesta região.
Juromenha, foi conquistada aos mouros no ano de 1167 por Geraldo Geraldes, o Sem Pavor, mas cerca do ano de 1191, foi perdida, por ação do Califa de Córdova, voltando, definitivamente à cristandade no reinado de D. Sancho II, cerca do ano de 1230.
Durante alguns anos, a Fortaleza de Juromenha esteve na posse do Reino, com algumas doações esporádicas, mas por carta do Rei D. Sancho II no dia 05 de Maio de 1237, foi trocada pela Vila de Mafra e doada ao Mestre da Ordem de Avis, D. Fernando Rodrigues Monteiro.
Foi o Rei D. Dinis que elevou Juromenha a vila, tornando-a sede de concelho, sendo um Termo (Concelho) até ao dia 06 de Novembro de 1836.
As muralhas desta Fortaleza eram de taipa do período dos Mouros e D. Dinis mandou reforçá-las com a construção de 17 torres quadrangulares, possuindo a de menagem 45 metros de altura.
A Fortaleza de Juromenha tornou-se muito importante, sendo escolhida para a realização de dois casamentos reais, o de D. Afonso IV, filho de D. Dinis, com Dª Beatriz de Castela e, mais tarde, o de D. Afonso XI de Castela com Dª Maria de Portugal, filha de D. Afonso IV e neta de D. Dinis, a mesma, que parece, mandou construir o Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova na Vila de Terena e, evocada por Luís de Camões nos Lusíadas, com a designação de formosíssima Maria.
Quando o grande projeto da Fortaleza de Juromenha, durante a guerra da Restauração, estava quase concluído, em 1659, sofreu grande destruição, por consequência de um incêndio que atingiu o paiol da pólvora, causando uma explosão.
Hoje, ainda podemos ver alguns troços das muralhas dos séculos XIII e XVII, assim como, as ruínas dos Paços do Concelho, da Casa do Governador, da torre de menagem, restos de Barbacãs medievais, baluartes seiscentistas, fossos, guaritas e algumas canhoneiras que continuam a dominar a margem direita do rio Guadiana, alargada pelo enchimento do Grande Lago de Alqueva.
Salienta-se que, neste momento, existe um grande projeto de recuperação desta Fortaleza, com algumas obras em curso.
Esta simples invocação, pretende ser uma singela homenagem prestada pelo Amigos de Capelins à Fortaleza de Juromenha.
Fim
Fortaleza de Juromenha
Texto: Correia Manuel
Foto: Amigos de Capelins
segunda-feira, 10 de janeiro de 2022
Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova - Terena
As armas do Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova em Terena
Há algum tempo que pesquisamos sobre a quem pertenciam as armas constantes na frontaria do Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova, na tentativa de provar quem o mandou edificar, embora estejamos convencidos que foi Dª Maria (a formosíssima Maria - Camóes) filha do Rei D. Afonso IV, fazendo fé no que escreve o Prior Mathias Viegas da Silva no dia 17 de Junho de 1758, nas Memórias Paroquiais de S. Pedro, Terena, as quais foram escritas anos mais tarde, mas acreditamos que teve acesso privilegiado à documentação existente! Mas encontrando-se a dita Senhora na Corte de Castela junto do seu esposo, o Rei Afonso XI, não teria muita facilidade a gerir tão grandiosa obra, além de não poder construir uma Igreja sem autorização expressa do Rei de Portugal. Assim, pensamos que, talvez se tenha entendido com seu pai e encontraram uma forma de ela pagar a sua promessa, ou seja, construir um grandioso Templo a Santa Maria, com a ajuda do pai, sendo depois afixadas as armas do Rei conforme lá constam, mas a promessa ficou paga e o pai e filha lá se entenderam.
Interpretação das ditas armas pela amiga:
Isabel Luna
Não sendo entendida na matéria, é fácil perceber que são as armas reais e que apresentam os dois escudetes laterais deitados e apontados ao centro, o que significa que se trata de uma representação anterior ao reinado de D. João II.
A bordadura apresenta 15 castelos mas, até D. João III, em que se estabilizou o número de sete, o seu número variava e dependia do formato do escudo e do espaço vazio da bordadura que fosse necessário preencher.
É o pouco que consigo ajudar, mas que vai ao encontro da datação proposta. Aparentemente, tratar-se-á do escudo de um rei, pois, tanto quanto sei, os escudos das rainhas costumam ser partidos.
Brasão afixado no Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova - Terena
sábado, 1 de janeiro de 2022
Resenha histórica da Villa de Terena - Confraria de Santa Maria 1496
Resenha histórica da Villa de Terena - Confraria de Santa Maria 1496
Publicamos mais um documento, neste caso, de 1496, sobre a Villa de Terena, um documento régio importante, como todos os outros!
Pensamos que, esta confraria estava ligada à atual Igreja de Nossa Senhora da Boa Nova que, como sabemos, antes era de Santa Maria.
Assim:
Aos mordomos e mamposteiros da confraria de Santa Maria de Terena, privilégio de serem escusos dos habituais encargos do concelho.
Nível de descrição
Documento simples Documento simples
Código de referência
PT/TT/CHR/K/33/23-117V
Tipo de título
Formal
Datas de produção
1496-04-08 A data é certa a 1496-04-08 A data é certa
Dimensão e suporte
36 linhas.
Extensões
36 Livros
Âmbito e conteúdo
Pantalião Dias a fez.
Cota atual
Chancelaria de D. Manuel I, liv. 33, fl. 23v
Pantalião Dias a fez e está no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, na chancelaria de D. Manuel I, livro 33, folha 23 verso, a seguinte:
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021
Freguesia de Santo António
A idade da Freguesia de Santo António "Capelins"
Conforme consta nos Registos Paroquiais de Santo António, somente a partir de 1633 começaram a efetuar os Registos de nascimentos, casamentos e óbitos na Igreja de Santo António! Antes dessa data, desde 1572, os Registos eram feitos na Paróquia de São Pedro da Vila de Terena, sede do respetivo Termo (Concelho)!
Assim, como podemos verificar no Registo de nascimento de "Maria" no dia 20 de Julho de 1578, filha de Gracia Fernandes e de Isabel Gomes, sendo padrinhos André Pouzão e Beatriz da Costa, ambos da Freguesia de Santo António.
Nascimento de Joana filha de Simão Vaz e Ana Fernandes em 08-10-1579 - São fregueses de Santo António.
Também, no dia 15 de Março de 1582, nasceu "Lourenço" na Freguesia de Santo António.
Perante estes documentos, podemos garantir que, a Freguesia de Santo António, em 2023 tem pelo menos, documentada, 450 anos de existência! Mas estamos convencidos que foi criada após a Visitação de 1534, ou seja, cerca de 1535/1540.
Encontramos um documento, referente a um processo o Tribunal do Santo Ofício, (Inquisição), que menciona a Freguesia de Santiago Maior no ano de 1551. Parece que as Freguesias de Santiago Maior e de Santo António foram criadas em simultâneo, logo, acreditamos que a Freguesia de Santo António, também já existia no ano de 1551.
Registos de nascimento de Maria e de Lourenço em 1578 e 1582
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