quarta-feira, 28 de outubro de 2026

As tradicionais esculateiras ou cafeteiras, na Freguesia de Capelins

As tradicionais esculateiras ou cafeteiras, na Freguesia de Capelins

As tradicionais esculateiras, ou cafeteiras, eram um utensílio em barro, muito usadas no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

As esculateiras tradicionais eram feitas de barro por artesãos oleiros, da Aldeia de São Pedro do Corval ou da Vila de Redondo, eram semelhantes a panelas, mas com o corpo mais esguio e com um bicado, mais tarde, surgiram as de ferro esmaltado e de outros metais e, serviam para ferver água ao lume de chão e para fazer o  café da brasa.

As esculateiras tradicionais, mais do que o utensílio em si, permitiam desenvolver um processo único de preparação do café com brasa, cujo pormenor mais fascinante dessa tradição ocorria quando a água começava a ferver, para evitar que o café transbordasse e, acima de tudo, para fazer assentar as borras, rapidamente no fundo da esculateira, os ancestrais pegavam com um alicate, uma brasa acesa do próprio lume, assopravam a cinza e deitavam-na diretamente para dentro da cafeteira que, fazia elevar o café numa fervura que por vezes saía da esculateira, mas eram tomadas medidas para isso não acontecer, soprando a fervura e arredando a esculateira, depois tinham de esperar um pouco para o pó do café assentar no fundo da esculateira e só então era servido simples ou com uma pinga de leite, este choque térmico purificava a bebida, deixando o café limpo, muito aromático e com um toque fumado inconfundível, era o segredo da brasa, depois acompanhava fatias de pão frito ou pão com conduto, queijo ou outro, pelo que, as tradicionais esculateiras ou cafeteiras fazem parte de um ritual, profundamente enraizado na identidade e no quotidiano da cultura da Freguesia de Capelins.

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existia uma esculateira, porque toda a gente gostava do café da brasa, assim como, em todos os Montes das herdades da Freguesia de Capelins, porque os lavradores e alguns criados, não dispensavam o seu café da brasa, algumas vezes junto às migas.

As esculateiras, são um símbolo do património etnográfico, histórico  cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel

Esculateira de barro




terça-feira, 27 de outubro de 2026

A tradicional estanheira, na Freguesia de Capelins

 A tradicional estanheira, na Freguesia de Capelins 

A estanheira, era/é um móvel tradicional de parede, típico das cozinhas antigas do Alentejo e, neste caso, da Freguesia de Capelins.

A estanheira, também chamada de escaparate em algumas regiões do Alentejo, era feita de madeira, por artesãos carpinteiros, era tipo uma estante rústica fixada na parede, destinada a expor e guardar louça como pratos, chávenas e outras peças, e tinham várias dimensões, muitas vezes pintada de cores rústicas, com calhas ou ripas horizontais para que os pratos ficassem seguros em pé e bem visíveis.

O seu nome deriva diretamente de estanho, porque noutros tempos,  as estanheiras eram feitas especificamente para exibir os pratos, travessas e panelas de estanho da casa, com posses, que eram polidos até brilharem.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em quase todas as casas existiam estanheiras, porque além da função decorativa, tinham a vantagem de manter os utensílios à mão e organizados, fazendo parte dos móveis que alguns noivos levavam quando casavam, também em todos os Montes dos lavradores das herdades da Freguesia de Capelins, existiam várias estanheiras como elementos centrais da decoração da cozinha do Monte, porque mais do que um simples móvel de arrumação, a estanheira funcionava como uma peça de orgulho familiar e nela expunham as melhores louças para as visitas verem.

Os ancestrais contavam algumas peripécias, que aconteciam com estes móveis rústicos,  de vez em quando ouvia-se que, uma estanheira se tinha ido abaixo, e dava-se, o inevitável grande terramoto da loiça, como a estanheira era um orgulho da dona da casa, estava tudo muito bem alinhado e bem carregada, mas bastava um gato assanhado saltar-lhe em cima, um prego velho ceder na parede ou um bater de porta mais violento para gerar um autêntico desastre doméstico, com pratos a rolarem e a partir pelo chão das cozinhas, causando, naturalmente algum desgosto.

A estanheira, é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Estanheira




segunda-feira, 26 de outubro de 2026

O tradicional lenço do chapéu, na Freguesia de Capelins

 O tradicional lenço do chapéu, na Freguesia de Capelins 

Os tradicionais lenços de chapéus, faziam parte da indumentária dos trabalhadores rurais no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os lenços de chapéus eram feitos de algodão ou de tecido fresco, e comprados à porta de casa, aos vendedores a que chamavam barateiros, ou nas Feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba e, eram usados pelos trabalhadores rurais, nas ceifas, no carrego dos cereais para as eiras,  na debulha nas eiras, para proteção contra os insetos, mosquitos, moscas, abelhas e outros, mas principalmente do forte calor  do sol, para enxugar o suor do rosto e proteger a nuca e o pescoço, os homens usavam o chapéu de abas copa preta na cabeça que, prendia o dito lenço e lhe dava o nome.

Os trabalhadores das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, assim como, os das herdades da Freguesia de Capelins, tinham todos lenços, para usar debaixo dos chapéus, nos dias muito quentes de verão.

O lenço de chapéu foi usado desde sempre, por quem tinha de aguentar a dureza dos trabalhos do campo, mas servia para muito mais do que isso, os ancestrais contavam que, nas tardes do mês de Agosto, quando se levantava o vento suão, uma aragem vinda do leste, do deserto do Saara, pior do que o sol, queimava como lavaredas e, até cortava a respiração, a sua salvação era o lenço do chapéu, que lhes abrigava o rosto, as orelhas e o pescoço e, quando à tardinha a aragem começava a ser mais fresca, tiravam o lenço, dobravam-no com jeito e respeito e guardavam-no no bolso das calças, ou ficava atado ao pescoço, ou num lugar seguro, com muito cuidado, não o podiam perder, porque sabiam que no dia seguinte, não podiam passar sem ele.

As mulheres da Freguesia de Capelins, também usavam lenços, todo o ano, mas não eram chamados lenços de chapéu, mas da cabeça, os lenços que usavam no trabalho do campo, geralmente eram escuros, ou pretos, no caso de luto, eram diferentes dos que usavam no dia a dia que, podiam ser de várias cores e diversos padrões.

O lenço de chapéu, é um símbolo etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Internet

Lenço de chapéu



domingo, 25 de outubro de 2026

Os tradicionais lavatórios de ferro, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais lavatórios de ferro, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais lavatórios de ferro, eram peças fundamentais do mobiliário de antigamente, situados habitualmente nos quartos ou junto às zonas de dormir, usados no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os tradicionais lavatórios eram uma armação ou suporte em ferro forjado, feitos por artesãos ferreiros especializados e, eram de muitas dimensões e feitios com diversos braços ou arcos na parte superior, com espaço próprio para pendurar a toalha de rosto ou até um espelho basculante para as pessoas se comporem, pentear, cortar a barba e ver a sua figura ao levantar da cama e, assim, poder dar um jeito, de maneira a ficar com a melhor apresentação possível quando desse de caras com a rua e com quem por ela passava.

Do conjunto do lavatório fazia parte uma bacia, um balde por baixo para receber a água suja e um jarro com a água limpa, frequentemente de metal esmaltado decorado com motivos florais, ou de faiança, louça portuguesa clássica, e a bacia o jarro e o balde a condizer. 

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existia o conjunto do lavatório de ferro, sendo, geralmente mais humildes, muito simples, mas funcionais, a bacia, o balde e o jarro eram de esmalte, ou de ferro e latão, enquanto que, nos Montes dos lavradores das herdades da Freguesia de Capelins, de maiores posses, podiam integrar pequenos toucadores ou conjuntos de louça mais trabalhados.

Os tradicionais lavatórios de ferro, serviam para a lavagem matinal do rosto, das mãos ou para pequenos cuidados de asseio, até aos decénios de 1970/80, antes de existir saneamento básico e casas de banho nesta Freguesia. 

Os ancestrais contavam que, acontecia, muitas vezes, o mesmo tipo de acidente nos quartos, com os lavatórios de ferro, quando o balde que ficava por baixo da bacia, para receber a água suja  já estava cheio e, continuavam a despejar a água da bacia, ela corria pelo chão do quarto, e por vezes, só davam por isso, quando a água já corria por baixo da porta para a rua, depois se acontecia com a rapaziada, havia acerto de contas, e se fosse com adultos, havia desabafos impróprios, porque calhava sempre às mulheres a limpar a água suja e o chão.

Os lavatórios de ferro, são um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: José Pessoa, da Vila de Terena 

Lavatório



sábado, 24 de outubro de 2026

As tradicionais cómodas, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais cómodas, na Freguesia de Capelins 

Uma cómoda era/é um móvel de altura média, para guardar roupa, usado em todo o país e, neste caso, na Freguesia de Capelins..

As cómodas eram/são feitas de madeira maciça por artesãos carpinteiros especializados e, eram tipo uma mesa retangular composta por um tampo plano e com várias gavetas frontais empilhadas, para guardar roupas e objetos pessoais, que surgiram nos finais da centúria de 1500, evoluindo a partir da antiga arca ou baú de tampo superior, cuja estrutura foi adaptada com gavetas para facilitar o acesso às roupas e objetos.

As cómodas tornaram-se um símbolo de elegância e funcionalidade, sendo frequentemente colocadas em quartos, por vezes, decoradas com espelhos ou relógios na parte superior e, ao longo dos séculos surgiram vários modelos, ou estilos, desde os mais humildes, aos de luxo, com linhas curvas e dois puxadores por gaveta, havendo algumas cómodas que incluíam um lavatório.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, nem todas as casas tinham uma cómoda, apenas algumas famílias que viviam com mais desafogo económico conseguiam comprar uma cómoda, só mais tarde, os noivos começaram a levá-las quando casavam, mas os Montes dos lavradores das herdades da Freguesia de Capelins, todos tinham cómodas, disputando os estilos mais modernos e mais caros. 

Este móvel, quando surgiu foi uma inovação, era prático e conveniente, com um sistema de gavetas sobrepostas para guardar as roupas, permitindo tirar uma peça de roupa sem desarrumar as restantes, ao contrário das arcas ou baús que existiam antes, neles para encontrar uma peça de roupa, por vezes, tinham de dar a volta ao baú, como era muito cómodo, daqui derivou o nome  cómoda, vinda de França.

A cómoda, é um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Cómoda



As tradicionais planganas, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais planganas, na Freguesia de Capelins

A plangana, variação regional de palangana ou pelengana, era/é um recipiente tradicional de louça, tipo tijela larga e pouco funda, utilizada para servir a comida, diretamente à mesa.

A plangana era uma peça fundamental da louça e da cultura gastronómica da Freguesia de Capelins, eram feitas por artesãos oleiros especializados, e fazem parte da rica tradição da olaria regional, neste caso, da cerâmica pintada de Redondo ou de São Pedro do Corval, sendo frequentemente feitas de barro vermelho vidrado e decoradas com motivos florais ou rústicos típicos da região.

A plangana, era muito associada ao serviço de pratos de assados, ensopados ou grandes porções de comida, uma vez que, plangana era sinónimo de uma generosa quantidade de comida e, quando alguém queria dizer que tinha comido muito, dizia: Hoje comi grande planganada de favas, de feijão, ou de outra coisa, e se estavam com fome exclamavam: Já comia uma planganada de sopas, embora, muita gente, nem avistasse uma plangana.

Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existiam planganas, porque eram peças que faziam parte do serviço de louças que os noivos levavam quando casavam e, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, também existiam muitas planganas de louça ou porcelana, nas quais, levavam, diariamente a comida ao centro da mesa, e era a partir delas, que os comensais e convidados serviam os seus pratos, mas também, podiam comer todos, diretamente da plangana. 

Os ancestrais contavam que, noutros tempos, as famílias humildes não tinham pratos para todos, a comida era servida numa plangana de barro, de onde comiam todos, e nas herdades os ranchos de homens e mulheres que andavam a ceifar ou a fazer outros trabalhos, a de comer, serviam-lhes as sopas em planganas de barro, e divididos em grupos de cinco ou seis pessoas, comiam todos, sem pratos, diretamente da mesma plangana, à qual, chamavam tijela ou barranhito, onde toda a gente metia a sua colher, também contavam que, uma família como todas, comiam da mesma plangana, um dia, receberam a visita de um compadre que morava fora da Aldeia e já com outros hábitos, então combinaram que, nesse dia, comiam a açorda, cada um no seu prato, e assim foi, mas durante a refeição, iam falando, e o dono da casa distraído, ora comia do seu prato, ora comia da plangana, e a esposa passou o tempo a chamá-lo à atenção, mas o homem passava com a colher por cima do prato e ia-se à plangana.

A plangana, é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Plangana ou Pelangana




sexta-feira, 23 de outubro de 2026

A tradicional mesa de abas, na Freguesia de Capelins

 A tradicional mesa de abas, na Freguesia de Capelins 

A tradicional mesa de abas, era/é uma peça de mobiliário muito comum, usada no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

As mesas de abas, eram feitas em madeira maciça de castanho, nogueira ou outra, por artesãos carpinteiros e tinham uma ou duas abas, ou seja, eram extensões que, estavam penduradas, por dobradiças, de um, ou dos dois lados e, se fosse necessário espaço na mesa para mais comensais, rapidamente ficavam funcionais, puxando um apoio que tinha um pé, que suportava o peso da aba, ampliando a superfície da mesa nas refeições, ou estavam abaixadas no dia a dia, para poupar espaço na casa.

As mesas de abas, tinham diversas dimensões e feitios, geralmente com gavetas nas cabeceiras para guardar talheres, toalhas de mesa, guardanapos, ou pequenos utensílios que podiam fazer falta no apoio às refeições ou na cozinha.

Em quase todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, existia pelo menos uma mesa de abas que, os noivos levavam quando casavam, ou eram de heranças de ancestrais, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, neste caso, todos tinham mesas de abas, uma vez que, os lavradores não as dispensavam, ou porque tinham uma grande família, ou visitas, a mesa de abas, encaixava-se no espírito da hospitalidade nesses Montes, onde a mesa estava sempre pronta a aumentar para acolher os familiares ou amigos que chegassem, inesperadamente.

Os ancestrais contavam que, existiam muitas peripécias passadas com mesas de abas, porque eram falsas, por vezes, armavam a aba à pressa e não tinham o cuidado de encaixar o apoio da aba no lugar próprio, depois havia acidentes inesperados, ou porque, alguém por qualquer motivo se levantava à pressa e dava um pontapé no apoio fechando a aba repentinamente, atirando com tudo o que estava em cima para o chão, ou quando tentavam dar um pontapé num cão ou gato que andasse por debaixo da mesa a comer o que lhe davam, depois quando alguém deixava caír algum pedaço de carne ou outra comida sem querer, o animal não entendia se era para ele e para o afugentar a pessoa dava um pontapé que acertava no apoio da aba, acontecendo o que foi referido, ia tudo para o chão.

A mesa de abas, é um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Internet

Mesa de abas




Os tradicionais machados e machadas, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais machados e machadas, na Freguesia de Capelins

Os machados e as machadas eram/são duas ferramentas de corte semelhantes, que se distinguem, essencialmente pelo tamanho, peso e tipo de utilização, muito usados no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins. 

Os machados e as machadas, eram peças de ferro temperado feitos por artesãos ferreiros, com um cabo de madeira feito à medida da sua utilização.

O machado era/é uma ferramenta maior e mais pesada, com o cabo mais longo, que exigia a utilização das duas mãos para ser manuseado, ideal para trabalhos pesados, como derrubar árvores grandes ou cortar troncos grossos de lenha, e para partir os chamados ramalhos de lenha em pedaços pequenos, para serem utilizados nos lumes às chaminés.

A machada era/é mais pequena e mais leve do que o machado o  seu cabo era mais curto para permitir que fosse utilizada com apenas uma das mãos, os homens subiam com elas ao arvoredo para trabalhos de maior precisão, como podar as oliveiras, azinheiras e outras árvores e arbustos e tinham sempre o corte bem afiado.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas existiam machados e machadas, porque tinham de cortar a lenha, diariamente para fazer o lume onde cozinhavam os alimentos e para aquecimento, e as machadas eram uma ferramenta indispensável para os homens a partir do mês de Janeiro até Março, fazerem o trabalho do corte das azinheiras, chamada limpeza.

Nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam muitos machados e machadas, porque usavam muita lenha das azinheiras, nas cozinhas dos Montes e no aquecimento das famílias durante os invernos muito frios.

Os machados, são utensílios muito antigos, já existiam na Idade da Pedra, naturalmente feitos em pedra, foram encontrados alguns, dessa idade, na Freguesia de Capelins, mais tarde, começaram a ser feitos em ferro.

A machada era tão conhecida, que lhe dedicaram uma canção tradicional que faz parte do cancioneiro popular português, assim:

Ah! ah! ah! minha machadinha,

Ah! ah! ah! minha machadinha,

Quem te pôs a mão, sabendo que és minha,

Quem te pôs a mão, sabendo que és minha, etc.

Quanto à interpretação da canção, cada um dá-lhe a que achar melhor, porque a machadinha faz parte da canção, em sentido figurado.

O machado e a machada, são símbolos do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel 

Machado


 


quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O tradicional barbilho, na Freguesia de Capelins

 O tradicional barbilho, na Freguesia de Capelins

O tradicional barbilho, era/é um utensílio rural artesanal utilizado na pastorícia para o desmame de crias de ovelhas, cabras ou vacas, usado no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

O barbilho era uma peça artesanal muito fácil de fazer, geralmente eram feitos pelos ganadeiros, ou por quem deles precisava, usavam um pedaço de madeira rija, de oliveira, azinheira, piorneira ou esteva, moldados à navalha, da largura da boca do animal onde era aplicado, sendo mais elevado ao meio onde atrapalhava a língua e não a deixava funcionar quando queriam apanhar a mama das mães, no entanto, podiam alimentar-se de erva ou ração.

 Os barbilhos, tinham uma saliência circular nas duas extremidades onde ligavam um cordel ou uma tira de couro que passava atrás das orelhas ou dos cornos para não o deixar sair da boca, assim, as crias acompanhavam as mães nas pastagens sem poderem mamar, deixando o leite para a ordenha, e só depois disso, tiravam-lhe o barbilho e podiam mamar o resto do leite, ou não, se fosse para os desmamar e, era assim, que rapidamente desmamavam os borregos e os cabritos, que eram obrigados a comer mais erva e ração em troca do leite.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, alguns seareiros tinham uma ou duas cabras, ou algumas ovelhas, que pastavam nas suas courelas, e tinham barbilhos feitos por eles, para colocar nas crias,  e tirar o leite às mães quando recolhiam a casa à noitinha, e os pastores das herdades da Freguesia de Capelins, que tinham uma cabra ou duas, juntas com o rebanho das ovelhas, tinham de colocar barbilhos nos cabritos, para poderem ordenhar as cabras quando recolhiam à choça.

Sendo os barbilhos uma ferramenta do pastoreio, o seu uso remonta a práticas rurais muito antigas, documentadas há muitos séculos nesta região, era uma engenhoca muito simples, mas muito eficiente para o fim a que se destinava. 

Os ancestrais associavam o barbilho da desmama dos cabritos e borregos, que os impedia de mamar, a algumas atitudes de outros homens, dizendo que, precisava de um barbilho, ou de ser embarbilhado, para não se adiantar, por exemplo, no namoro com alguma rapariga, ou noutra situação considerada excessiva.

O barbilho é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Barbilho 



















quarta-feira, 21 de outubro de 2026

As tradicionais sertãs de fritar, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais sertãs de fritar, na Freguesia de Capelins 

As sertãs, também chamadas frigideiras, eram utensílios tradicionais, usados para frituras no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

 As sertãs são de origem milenar, começaram por ser de barro, mas pelo menos na época dos romanos, já eram de ferro fundido e de bronze, eram feitas por artesãos especializados em cada um dos materiais de que eram feitas, e eram compradas a almocreves que as vendiam porta a porta, ou as pessoas compravam-nas nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba, onde os artesãos ou intermediários, iam fazer as suas vendas.  

 As sertãs tinham dimensões diversas, eram largas e pouco fundas, com um cabo em ferro, alguns com a ponta em madeira, ao qual, chamavam o rabo, eram usadas para fritar ovos, toucinho, carne, batatas, peixe e outras frituras e para fazerem as migas, ideais para cozinhar lentamente ao calor das brasas do lume de chão, apoiadas numa tradicional trempe de ferro. 

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todas as casas tinham sertãs, porque eram indispensáveis no dia a dia para preparar algumas refeições da família e também nas cozinhas dos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam muitas sertãs, porque tinham de fazer a comida para muita gente que trabalhava nas herdades. 

Os ancestrais contavam peripécias, que envolviam as sertãs de ferro fundido, como alguns casos em que, por descuido, deixavam rodar o cabo na mão e viravam a sertã ao contrário, caindo a comida em cima do lume, de onde a tinham de apanhar, mesmo com mistura de cinza, porque não havia mais nada para comer..

Noutro caso, uma sertã salvou a vida do dono, quando uns intrusos entraram numa casa alheia para o roubar e matar,  a sorte  dele foi ter uma sertã de ferro à mão, deu uma sertanada na cabeça de cada um, que os pôs em fuga apressada.

Também contavam que, o segredo das boas migas, um dos pratos mais icónicos de outra época, estava na sertã onde eram feitas. 

As sertãs de ferro quando eram lavadas, não podiam ser muito esfregadas com esfregões de palha de aço, ou com produtos abrasivos, para não lhe tirarem a cura, a camada de óleo natural, senão começavam logo a criar ferrugem e era uma vez uma sertã, por isso, havia algumas que assustavam, devido à quantidade de mascarra que as envolvia, mas não a podiam tirar, senão rompia-se.

As sertãs de ferro, são um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Internet 




terça-feira, 20 de outubro de 2026

O tradicional barril de barro, na Freguesia de Capelins

 O tradicional barril de barro, na Freguesia de Capelins

O barril de barro, era/é uma vasilha antiga feita de barro poroso, que servia para transportar, guardar e manter a água fresca, quando as pessoas trabalhavam nos campos ou para acompanhar quem viajava, muito usado no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins. 

O barril era uma peça de artesanato feita em barro poroso, pelos artesãos oleiros de São Pedro do Corval ou da Vila de Redondo, tinha o corpo ligeiramente achatado ou cilíndrico e bojudo, com uma base estável, de forma a repousar no chão, sem tombar, ou em cima de uma laje, ou ainda para ser transportado na barreleira, que existia em todos os carros das muares, onde o barril era levado para todo o lado que os seareiros fossem, o barril contava, geralmente com duas asas robustas na parte superior uma de cada lado do gargalo, onde ligavam um cordel para ser movimentado em segurança, era-lhe aplicada uma rolha de cortiça que, além do próprio barro ou argila, também ajudava a manter a água fresca.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todos os seareiros tinham uma barreleira no seu carro de muares, onde estava sempre o barril com água que levavam para as suas courelas e, também era companheiro de alguns trabalhadores rurais, que o levavam cheio de água para o trabalho no campo. 

O barro poroso permitia que uma pequena quantidade de água transpirasse para o exterior, a evaporação dessa humidade arrefecia, naturalmente o recipiente, mantendo a água fresca no seu interior. 

O barril de barro, é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Internet - Museu Municipal de Faro 

Barril de barro 




 

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Os tradicionais enxergões de palha de centeio, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais enxergões de palha de centeio, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais enxergões de palha de centeio, eram como um grande saco de serapilheira, de linho ou cotim, recheado de palha de centeio, sabiamente colocada e arrumada que, geralmente servia de colchão rústico de apoio a um colchão de lã de ovelha, usado no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins. 

Os enxergões de palha de centeio, eram feitos por artesãos, aos quais, chamavam albardeiros, porque, também faziam albardas e outras peças onde usavam a dita palha, os enxergões eram feitos à medida das encomendas, conforme as camas a que se destinavam, podiam ser de casal ou individual, em quaisquer dos casos, era colocado um colchão de lã de ovelha sobre os enxergões que eram duros. 

 Os enxergões eram de palha de centeio por ser mais longa, maleável, resistente e menos propensa a partir-se ou a criar pó rapidamente do que a palha de trigo ou de aveia, mas de quando em quando, a palha destes enxergões tinha de ser renovada, eram esvaziados, a serapilheira era lavada e a palha velha, já desfeita devido ao uso era substituída por palha de centeio nova.

Os enxergões de palha de centeio, em conjunto com os colchões de lã de ovelha, apesar de rudimentares, ofereciam um excelente isolamento contra o frio, nas camas de ferro da época da pouca roupa.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas havia camas com enxergões de palha de centeio, porque era um utensílio que os noivos levavam quando casavam e, também, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, todas as camas tinham enxergões de palha de centeio que, geralmente eram feitos por moradores, com a especialidade de albardeiros.

Os enxergões de palha de centeio, são um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Internet 

Cama de ferro




A tradicional máquina manual de moer pimentão, na Freguesia de Capelins

A tradicional máquina manual de moer pimentão, na Freguesia de Capelins

Uma máquina de moer pimentão, era/é um utensílio que, através de uma manivela, moía o pimentão para temperar a carne das matanças dos porcos, mas também moía o tomate para doce ou conserva, e fruta cozida para doces.

As máquinas de moer pimentão, como eram chamadas na Freguesia de Capelins, eram feitas de ferro estanhado ou de liga de alumínio ou outro metal, por artesãos especializados e, eram compradas nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa, Borba ou Estremoz.

Estas máquinas, eram afixadas a uma mesa através de um suporte que fazia parte dela, tinham uma boca larga por onde iam metendo os pedaços dos produtos a moer, como o pimentão já amaciado e salgado, mantendo a qualidade ideal e sem o reduzir a uma massa demasiado líquida.

As máquinas de moer pimentão eram acionadas por uma manivela que fazia movimentar um semfim no seu interior com arestas afiadas que trituravam o pimentão, o tomate, fruta cozida, como marmelos, pêras e outra, para fazer doces, saindo ao lado, já moídos, tipo puré, por uma tampa cheia de furinhos.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em quase todas as casas existia uma máquina de moer pimentão, e quem não tinha, pedia uma emprestada a uma vizinha ou familiar, assim que o pimentão vermelho estava em condições de moer para ser guardado em conserva, e nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins tinham várias máquinas destas, fundamentais não só para moer o pimentão vermelho, mas também, outros produtos, antes referidos. 

As máquinas de moer pimentão, são um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Máquina de Moer pimentão 




domingo, 18 de outubro de 2026

Os tradicionais xailes das mulheres, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais xailes das mulheres, na Freguesia de Capelins 

Os xailes tradicionais das mulheres, desempenhavam e desempenham, um papel histórico fundamental, na identidade cultural e no vestuário no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

O xaile das mulheres era uma peça de vestuário de várias dimensões, tecidos e cores, sendo o preto de lã ou flanela o mais comum no dia a dia, na Freguesia de Capelins, mas existiam xailes que eram peças de artesanato riquíssimas usados nos dias de festa, pelas pessoas mais ricas, porque os xailes variavam, conforme a classe social, o trabalho agrícola e a região.

Os xailes das mulheres, eram o agasalho por excelência que as protegiam contra a chuva, o frio e o vento, dos invernos rigorosos, principalmente nas azeitonadas, porque substituíam peças mais pesadas e antigas, como as mantas, por serem maleáveis e práticos para o trabalho diário na apanha da azeitona e outros.

O xaile cobria o corpo de forma digna, por vezes, as mulheres usavam-no, estrategicamente para esconder roupas velhas ou remendadas por baixo, permitindo-lhes apresentar-se na igreja ou em público com toda a dignidade, disfarçando a pobreza.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todas as mulheres tinham pelo menos um xaile preto, não só como agasalho, mas também, porque, quando da morte de familiares mais chegados, as mulheres na Freguesia de Capelins, adotavam o traje de luto carregado, cobrindo os ombros e se fosse de pais ou do marido, também cobriam a  cabeça com xailes pretos de lã, ou de tecido mais fresco, fosse de inverno ou de verão.

Os xailes das mulheres, são um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografias. Internet 

Xaile de lã





sábado, 17 de outubro de 2026

Os tradicionais cestos de verga, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais cestos de verga, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais cestos de verga, eram/são peças de artesanato usadas em todo o país, para vários fins, neste caso, na Freguesia de Capelins.
Os cestos de verga eram feitos por artesãos cesteiros que dominavam essa arte, desde a escolha do vime junto às Ribeiras, ou os rebentos das oliveiras ou de outras árvores que prestassem para esse trabalho, faziam o corte e tratavam-no, passando por várias fases, até estarem em condições das varas ou vergas descascadas serem trançadas com sabedoria e fazerem os cestos que eram de todos os tamanhos e feitios e, na Freguesia de Capelins serviam para usar na agricultura, para apanhar azeitona, bolota e outros frutos, para transportar alimentos, para as mulheres levarem a roupa da casa a lavar aos poços, às ribeiras e ao rio Guadiana, e tinham muitas outras utilidades no campo e, também serviam para transportar e pescar peixes nos correntões do rio Guadiana.
Existiam cestos de verga, adaptados a alforges, que os almocreves usavam nos burros, um de cada lado do animal, onde transportavam os produtos que vendiam ou compravam pela região, tal como, os regatões que andavam em carros de muares, com os produtos, batatas, fruta e hortaliças, separados por vários cestos.
Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todas as casas tinham cestos, para vários fins, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, onde havia muitos cestos, os quais, eram comprados nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba, onde os artesãos ou intermediários os iam vender, vindos de terras longínquas, como Alcongosta, perto da Guarda, muito célebre na arte cesteira.
Os cestos de verga, não retinham, sequer uma gota de água, mas era muito comum ouvir-se em Capelins, quando chovia muito e os telhados das casas deixavam passar água, as pessoa diziam que a casa delas, parecia um cesto roto, como se o cesto retivesse a água.
Os cestos eram utensílios muito importantes no meio rural, e a arte de cesteiro era muito estimada, existindo um provérbio que diz: Cesteiro que faz um cesto, faz um cento, se lhe derem verga e tempo.
Os cestos de verga ou vime, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Internet

Cesto de verga


















sexta-feira, 16 de outubro de 2026

O tradicional penico ou bacio, na Freguesia de Capelins

 O tradicional penico ou bacio, na Freguesia de Capelins 

O penico ou bacio era/é um recipiente arredondado, com asa e fundo chato, tradicionalmente usado para fazer as necessidades fisiológicas no quarto, quando não existia saneamento básico, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os penicos eram feitos de diversos materiais, e tinham várias dimensões e feitios, que refletiam a condição económica da família, os mais humildes e comuns eram os de barro vidrado feitos por artesãos oleiros, em São Pedro do Corval ou na Vila de Redondo, mais tarde, algumas famílias já usavam os de metal esmaltado, mas as famílias abastadas e latifundiárias exibiam penicos de louça ou porcelana fina, por vezes decorados com pinturas à mão e acompanhados de tampas, assim, até nos penicos, os pobres e os ricos faziam a diferença. 

Como nas casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, noutros tempos, não existiam instalações sanitárias, nem havia saneamento básico, os penicos eram indispensáveis para evitar saídas ao frio, à chuva, e à escuridão da noite, sendo as necessidades feitas no penico e depois guardado, religiosamente debaixo da cama, ou noutro compartimento da casa se houvesse.

Ao início da manhã, bem cedo, cabia às mulheres da casa ou às criadas fazer o despejo do conteúdo dos penicos em lugar destinado para esse efeito, geralmente nas estrumeiras, depois passavam-lhe água, por vezes com lexívia para os desinfetar, e ficavam a respirar ar puro algumas horas, ou voltavam para o seu lugar, para debaixo da cama.

Os penicos podiam ser comprados à porta, aos almocreves da Vila de Redondo, que vendiam todo o tipo de louça de barro, mas alguns eram comprados nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba e, os mais diferenciados eram adquiridos em lojas nas vilas ou cidades, neste caso, os penicos dos ricos.

Os ancestrais contavam muitas peripécias, que tinham acontecido com utilizadores de penicos, quando se levantavam durante a noite, ensonados e com a ajuda da escuridão, às vezes erravam o penico e faziam as necessidades no chão do quarto, ou dentro de botas, sendo motivo de chacota, por isso, na Freguesia de Capelins, quando alguém queria ameaçar ou gozar com outro, na brincadeira, dizia-lhe: Vê lá se erras o penico, e existiam muitos dizeres que envolviam o penico, quando alguma coisa se perdia ou partia, diziam: Já foi para o penico.

O penico tradicional, é um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Penico 




















quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A tradicional corna das azeitonas, na Freguesia de Capelins

A tradicional corna das azeitonas, na Freguesia de Capelins 

A corna era/é um utensílio tradicional e artesanal, utilizado para conservar e transportar azeitonas para as merendas e refeições das pessoas que trabalhavam nos campos.

As cornas eram peças artesanais muito típicas no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins, numa época em que os materiais naturais eram, totalmente aproveitados, os chifres dos bois ou das vacas eram limpos, trabalhados e adaptados com uma tampa de cortiça, por artesãos com gosto e jeito para o fazer, de forma a transportarem com segurança e conservarem azeitonas e azeite.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas havia cornas para as azeitonas, porque não existiam melhores utensílios para a conservação das azeitonas e do azeite, devido às propriedades dos chifres que ajudavam a preservar os alimentos e a prevenir o aparecimento de bolor, mantendo o azeite e as azeitonas em perfeitas condições, mesmo debaixo dos grandes calores nos campos.

Em todos os Montes das herdades da Freguesia de Capelins, havia muitas cornas de todas as dimensões, umas para levar o azeite para os gaspachos que os criados, ceifeiros, faziam nas ceifas, quando andavam a de comer, e outras para lhes levarem as azeitonas do conduto.

Alguns ganadeiors, levavam a corna pendurada ou guardada no alforge, nas burras, enquanto guardavam os gados nas pastagens ou na transumância, para acompanhar o pão nas suas refeições no dia a dia. 

As cornas, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: internet - Entre Tejo e Odiana 

Cornas



 



quarta-feira, 14 de outubro de 2026

O tradicional almofariz, na Freguesia de Capelins

 O tradicional almofariz, na Freguesia de Capelins

O almofariz, também conhecido como gral, era/é um dos utensílios mais antigos e tradicionais usados nas Farmácias e nas cozinhas de Portugal, neste caso, na Freguesia de Capelins. 

O almofariz ou gral, era constituído por um recipiente robusto em forma de taça e por um pilão, ou mão, e servia para pisar ou esmagar alhos, especiarias, ervas como coentros, poejos e outras, frutos secos e outros ingredientes, eram feitos por artesãos especializados nos materiais dos quais eram feitos, eram de bronze ou latão, pedra mármore ou granito, madeira, e vidro ou porcelana, tinham muitas dimensões, conforme o fim a que se destinavam, os que eram usados nas farmácias, onde noutros tempos eram feitas as mezinhas,  podiam ser diferentes dos usados nas cozinhas, geralmente os das farmácias e laboratórios eram os de vidro e porcelana por serem fáceis de esterilizar e não absorverem odores nem sabores. 

O termo, almofariz, vem do árabe al-mifraz e, durante muitos séculos foi o grande símbolo da arte farmacêutica, era neles que os boticários preparavam os pós, xaropes e pomadas a partir de plantas medicinais e minerais.

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em todas as casas existia pelo menos um almofariz ou gral, a maioria de madeira, por serem mais baratos do que os de bronze, e fosse para pisar um dente de alho com sal e poejos ou coentros para uma açorda de alho, ou para pisar grandes quantidades de alhos para temperar as carnes das matanças dos porcos, o almofariz ou gral era uma peça indispensável numa casa e, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins existiam muitos, uns de madeira e outros de bronze, porque faziam matanças de muitos porcos e, era preciso pisar muitos dentes de alhos para temperar as grandes quantidades de carne para os enchidos e, ao mesmo tempo, os de bronze serviam para decorar as cozinhas desses Montes e das casas nas Aldeias.

O almofariz ou gral, é um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Almofariz ou gral de bronze 



terça-feira, 13 de outubro de 2026

As tradicionais mantas de retalhos e de lã, na Freguesia de Capelins

 As tradicionais mantas de retalhos e de lã, na Freguesia de Capelins 

As tradicionais mantas alentejanas, ou de retalhos são peças de tecelagem artesanal em pura lã de ovelha, ou de restos de tecidos, confecionadas em teares manuais horizontais.

As mantas alentejanas ou de retalhos, eram feitas por artesãs tecedeiras em teares centenários com raízes que remontam aos séculos XIII e XIV, vindos de influências dos padrões árabes e berberes, e utilizavam fios de lã branca e negra ou, de forma mais marcante, cores vivas e vibrantes inspiradas na paisagem e na flora da região, sendo o processo inteiramente manual, tornando cada manta uma peça única.

Embora as mantas alentejanas, tivessem a sua origem nos Concelhos de Reguengos, Mértola e Castro Verde, também as faziam em algumas casas de família no Alentejo, tal como, na Freguesia de Capelins, onde eram chamadas mantas de retalhos, porque, em algumas, em lugar da lã de ovelha branca e negra, também eram utilizados pedaços de tecidos, muitas vezes já usados em vestuário e, eram, sabiamente  integrados nas mantas  através de um tear, como faziam no Monte da Zorra de Cima. 

Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, não havia casa sem mantas, os invernos eram muito frios e as casas eram mal isoladas, só uma boa manta lhes valia, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, onde os lavradores, os ganadeiros e os criados ou ganhões tinham muitas mantas, que compravam nas feiras da região, como em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa e Borba, onde os artesãos ou intermediários se deslocavam a vender estas mantas.

As mantas surgiram associadas à pastorícia e à necessidade de proteger os pastores e trabalhadores rurais do frio rigoroso, que era tanto, que obrigava, por vezes, os ganadeiros a guardar o gado embrulhados numa manta de retalhos ou de lã.

Os pedintes que vagueavam pela região, ou quem se deslocava a procurar trabalho de herdade em herdade, não dispensavam a manta e o bordão e, quando surgia alguma figura com estes dois utensílios, as pessoas comentavam que era mais um maltez que chegava ou que ia passando. 

A manta de retalhos ou de lã, é um símbolo etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel

Fotografia: Correia Manuel

Mantas de, Reguengos à esquerda e de Capelins à direita 




segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Os tradicionais cortiços de cortiça, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais cortiços de cortiça, na Freguesia de Capelins 

Os cortiços de cortiça eram/são um tipo de colmeias muito antigos, usados para a criação de abelhas e produção de mel, no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os cortiços de cortiça, tinham cerca de um metro de altura e cerca de trinta centímetros de diâmetro, eram feitos por artesãos especializados no domínio da cortiça, mas neste caso, pouco tinham a alterar, visto o seu formato ser o mesmo, diretamente extraído dos troncos dos sobreiros, e consistia num cilindro fechado com cavilhas de madeira de cima a baixo, tal como o fundo que, também era feito em cortiça cortada mais larga para servir de base e fixado com o mesmo tipo de cavilhas e uma tampa superior, encaixada, de forma a ser retirada quando faziam a crestação, ou seja, a extração do mel, em finais de Maio, início de Junho e, geralmente levavam uma laje de xisto em cima para resguardar a tampa e, também para o cortiço ficar mais seguro e não tombar devido a algum eventual vendaval e, ao fundo do cortiço, existia uma pequena janela por onde as abelhas entravam e saiam no seu vaivém, as abelhas fixavam os favos no interior do cortiço, depositando cera no teto e nas paredes internas e para garantir que a estrutura pesada do mel não caísse as abelhas usavam uma resina vegetal colado por elas para isolar a superfície e para criar bases de apoio para os favos do mel, mas os apicultores ajudavam as suas abelhas, colocavam varas de esteva que atravessavam o cortiço em cruz, que eram chamadas de trancas ou poleiros.

A cortiça é leve, impermeável e funciona como um excelente isolador térmico, mantendo a temperatura estável, fresco no verão e, quente no inverno.

Na Freguesia de Capelins, existiam muitos colmeais, logo muitos cortiços que eram comprados nas feiras da região, onde os artesãos se deslocavam a fazer a sua venda, vindos de Estremoz, Evoramonte, Évora e de Cortiçadas de Lavre, que segundo uma lenda, ganhou essa designação por fazerem lá muitos cortiços e ser terra da cortiça, mas também, havia artesãos nesta Freguesia que os faziam.

Os cortiços de cortiça, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins. 

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Internet ecos da charneca

Cortiços de cortiça 




As tradicionais esculateiras ou cafeteiras, na Freguesia de Capelins

As tradicionais esculateiras ou cafeteiras, na Freguesia de Capelins As tradicionais esculateiras, ou cafeteiras, eram um utensílio em barro...