As tradicionais cegonhas ou picotas, na Freguesia de Capelins
A cegonha e a picota são, exatamente o mesmo engenho tradicional, que surgiu em Portugal na época da ocupação dos mouros, mas na sua origem na Ásia, já tinha milhares de anos, e era utilizado para tirar água, mais facilmente, de poços pouco profundos.
As cegonhas ou picotas, eram fáceis de fazer, bastavam duas ou três pessoas, com alguns conhecimentos na matéria e, em poucas horas, conseguiam pôr o engenho a funcionar, porque apenas precisavam de três paus, sendo um poste robusto fixo no chão junto ao poço, com uma bifurcação a 1,5 a 2 metros de altura, que servia de apoio a um pau comprido metido na horizontal, onde ligava uma vara vertical que chegava até à água do poço.
Esta estrutura rudimentar, mas muito eficaz, era baseada na lei do equilíbrio, tinha o nome de cegonha devido ao longo braço de madeira basculante que imitava o pescoço, e a vara o bico de uma cegonha, ao baixar com o balde para apanhar a água dentro do poço, sendo um antigo sistema de alavanca com contrapeso, ou seja, o dito pau horizontal, vaivém ou balanço, cruzava-se com o poste através de um eixo articulado e a ponta á frente ligava à vara onde estava presa uma pequena corda ou corrente com o balde, e na extremidade oposta, à anterior, colocavam pedras pesadas que serviam de contrapeso com o balde, reduzindo, substancialmente o esforço humano necessário para içar o balde cheio de água até à superfície.
Na Freguesia de Capelins, existiam várias cegonhas ou picotas em poços nas herdades, porque graças a esse sistema, tiravam grandes quantidades de água com menos esforço, para regar hortas e para bebedouros onde bebiam centenas de cabeças de gado, desde muares, vacas, ovelhas, cabras, porcos e outros.
As cegonhas ou picotas, são um símbolo do património etnográfico histórico cultural, na Freguesia de Capelins.
Fim
Texto: Correia Manuel
Fotografia: Internet facebook

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