sexta-feira, 16 de outubro de 2026

O tradicional penico ou bacio, na Freguesia de Capelins

 O tradicional penico ou bacio, na Freguesia de Capelins 

O penico ou bacio era/é um recipiente arredondado, com asa e fundo chato, tradicionalmente usado para fazer as necessidades fisiológicas no quarto, quando não existia saneamento básico, neste caso, na Freguesia de Capelins.

Os penicos eram feitos de diversos materiais, e tinham várias dimensões e feitios, que refletiam a condição económica da família, os mais humildes e comuns eram os de barro vidrado feitos por artesãos oleiros, em São Pedro do Corval ou na Vila de Redondo, mais tarde, algumas famílias já usavam os de metal esmaltado, mas as famílias abastadas e latifundiárias exibiam penicos de louça ou porcelana fina, por vezes decorados com pinturas à mão e acompanhados de tampas, assim, até nos penicos, os pobres e os ricos faziam a diferença. 

Como nas casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, noutros tempos, não existiam instalações sanitárias, nem havia saneamento básico, os penicos eram indispensáveis para evitar saídas ao frio, à chuva, e à escuridão da noite, sendo as necessidades feitas no penico e depois guardado, religiosamente debaixo da cama, ou noutro compartimento da casa se houvesse.

Ao início da manhã, bem cedo, cabia às mulheres da casa ou às criadas fazer o despejo do conteúdo dos penicos em lugar destinado para esse efeito, geralmente nas estrumeiras, depois passavam-lhe água, por vezes com lexívia para os desinfetar, e ficavam a respirar ar puro algumas horas, ou voltavam para o seu lugar, para debaixo da cama.

Os penicos podiam ser comprados à porta, aos almocreves da Vila de Redondo, que vendiam todo o tipo de louça de barro, mas alguns eram comprados nas feiras da região, em Reguengos, Redondo, Vila Viçosa ou Borba e, os mais diferenciados eram adquiridos em lojas nas vilas ou cidades, neste caso, os penicos dos ricos.

Os ancestrais contavam muitas peripécias, que tinham acontecido com utilizadores de penicos, quando se levantavam durante a noite, ensonados e com a ajuda da escuridão, às vezes erravam o penico e faziam as necessidades no chão do quarto, ou dentro de botas, sendo motivo de chacota, por isso, na Freguesia de Capelins, quando alguém queria ameaçar ou gozar com outro, na brincadeira, dizia-lhe: Vê lá se erras o penico, e existiam muitos dizeres que envolviam o penico, quando alguma coisa se perdia ou partia, diziam: Já foi para o penico.

O penico tradicional, é um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Fotografia: Correia Manuel 

Penico 




















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