A tradicional estanheira, na Freguesia de Capelins
A estanheira, era/é um móvel tradicional de parede, típico das cozinhas antigas do Alentejo e, neste caso, da Freguesia de Capelins.
A estanheira, também chamada de escaparate em algumas regiões do Alentejo, era feita de madeira, por artesãos carpinteiros, era tipo uma estante rústica fixada na parede, destinada a expor e guardar louça como pratos, chávenas e outras peças, e tinham várias dimensões, muitas vezes pintada de cores rústicas, com calhas ou ripas horizontais para que os pratos ficassem seguros em pé e bem visíveis.
O seu nome deriva diretamente de estanho, porque noutros tempos, as estanheiras eram feitas especificamente para exibir os pratos, travessas e panelas de estanho da casa, com posses, que eram polidos até brilharem.
Nas Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, em quase todas as casas existiam estanheiras, porque além da função decorativa, tinham a vantagem de manter os utensílios à mão e organizados, fazendo parte dos móveis que alguns noivos levavam quando casavam, também em todos os Montes dos lavradores das herdades da Freguesia de Capelins, existiam várias estanheiras como elementos centrais da decoração da cozinha do Monte, porque mais do que um simples móvel de arrumação, a estanheira funcionava como uma peça de orgulho familiar e nela expunham as melhores louças para as visitas verem.
Os ancestrais contavam algumas peripécias, que aconteciam com estes móveis rústicos, de vez em quando ouvia-se que, uma estanheira se tinha ido abaixo, e dava-se, o inevitável grande terramoto da loiça, como a estanheira era um orgulho da dona da casa, estava tudo muito bem alinhado e bem carregada, mas bastava um gato assanhado saltar-lhe em cima, um prego velho ceder na parede ou um bater de porta mais violento para gerar um autêntico desastre doméstico, com pratos a rolarem e a partir pelo chão das cozinhas, causando, naturalmente algum desgosto.
A estanheira, é um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.
Fim
Texto: Correia Manuel
Fotografia: Correia Manuel
Estanheira

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