A tradicional vassoura de palma, na Freguesia de Capelins
A tradicional vassoura de palma, era/é um utensílio artesanal, usado para varrer o chão das casas no Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.
As vassouras de palma eram feitas a partir das folhas da palmeira anã por artesãos que dominavam as artes de tecelagem partilhando técnicas tradicionais com a confecção de alcofas e de chapéus, eram fabricadas inteiramente com fibra de palma, geralmente combinada com pequenos cabos de madeira, e algumas sem cabo, mas com a palma muito bem apertada, para a vassoura não se desfazer.
A principal função da vassoura de palma, era varrer o chão rígido e por vezes irregular das casas, e a cinza do lume de chão feito às chaminés, não sendo usadas para varrer as ruas, quanto muito, o lajeado junto à porta, mas a palma desgastava-se e as vassouras iam diminuindo de tamanho, chegando a um ponto que já não serviam para varrer a casa, perdendo o seu nome de vassoura e passavam a vassourico ou bassourico com outras funções, ainda continuavam a varrer a cinza do lume, ou iam para o chiqueiro dos porcos para limpar as gamelas, ou ficavam para os pedreiros salpicarem os tijolos das paredes antes de as rebocarem, sendo aproveitadas até a palma desaparecer, ficando só o cabo que era aproveitado para outros fins.
Em todas as casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam vassouras de palma, porque não havia outras para varrer dentro de casa, embora, por serem tão pequenas obrigavam as mulheres a baixarem-se, e quando tinham muito a varrer faziam-lhes dor de costas, mas também havia vassouras de cabo comprido que, eram pouco usadas.
A vassoura de palma, era muito mais do que um simples utensílio de limpeza, era uma peça que envolvia misticismo, engenho e pequenas peripécias, superstições e crenças populares, os ancestrais contavam que, quando alguém queria afastar visitas indesejadas, a artimanha infalível era colocar uma vassoura invertida, com a palma virada para cima, atrás da porta da rua, as visitas ou nem entravam, ou depressa abalavam.
Os mais velhos, avisavam as raparigas, para não deixarem varrer os pés com a vassoura de palma, senão já não casavam, mas se houvesse um descuido e os pés da rapariga fossem varridos, ela tinha de cuspir, imediatamente no chão três vezes, para desfazer o feitiço.
Quando as famílias mudavam de casa nas Aldeias, ou de Monte, nunca podiam levar a vassoura velha, tinham de comprar uma vassoura nova, senão levavam as mazelas e o azar do passado com elas.
As vassouras de palma, são um símbolo do património etnográfico, histórico cultural, na Freguesia de Capelins.
Fim
Texto: Correia Manuel
Fotografia: Internet
Vassoura de palma

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