segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

380 - Terras de Capelins 

História de Vidas de Gentes de Capelins 

Entrevista ao "Ti Limpas" pelo Jornal On - Line UBI  
“Nasce do meu Pensamento”

Manuel Inácio Veladas, poeta popular alentejano, ganhou o concurso nacional de poetas realizado em 1982. “Não queria participar, porque na altura não tinha disponibilidade e nunca ambicionei ser conhecido. Sempre gostei de fazer versos entre amigos e acompanhado de um bom copinho de vinho. Acabaram por me convencer e fiquei em primeiro lugar”. Depois desta vitória o poeta nunca mais parou e em 2003 foi publicado um livro com algumas das memórias do “Ti Limpas”, como é conhecido. Hoje com 82 anos (nasceu em 1929) recorda a sua vida ligada ao campo e alguns dos poetas que sempre admirou.
É natural de onde?
Nasci em Ferreira de Capelins, concelho de Alandroal, onde sempre vivi. Foi nesta aldeia que passei a minha vida e posso dizer que não há aldeia como esta.
Com que idade deixou a escola e começou a trabalhar?
Estudei até à quarta classe, depois tive de ir trabalhar para ajudar lá em casa. Sou filho único, mas o meu pai adoeceu novo e eu com catorze anos comecei a trabalhar com uma junta de bois. Depois fui tractorista na “Casa Dias”, e mais tarde fui encarregado de máquinas. 
Quando é que começou a desenvolver o gosto pela poesia?
Muito novo, com quinze anos, já fazia as minhas cantigas a despique com os meus amigos. Sempre fui muito intrometido e quando se tem um grande interesse por alguma coisa sempre se consegue mais.
Como é que surgiu a possibilidade de publicar um livro?
Foi há cerca de 12 anos que recebi um convite da Confraria do Pão do Alentejo, na pessoa do Dr. Madureira. Na altura iam lá poetas de vários sitos e chegavam a juntar-se 150 ou 200 pessoas. Recordo-me que nenhum disse versos como eu disse, todos levavam folhas escritas e liam o que haviam escrito. Eu não, todos os versos que recitei foi de cabeça, da minha memória.
Então o Dr. João Madureira viu que eu sabia tantos versos e que tinha facilidade em dizer décimas que me propôs fazer um livro.
Porque é que o livro não tem só décimas suas?
Porque eu sei mais décimas dos outros que minhas. Sei muitas de autores aqui da zona que admiro ou admirava porque alguns já faleceram como José Romão e poetas de outros tempos nomeadamente, “Castro” de Cuba e António Aleixo.
O livro “Nasce do meu Pensamento” foi publicado em 2003, pelas publicações da Confraria do Pão Alentejo, e no dia da apresentação não havia verso que eu não soubesse de cabeça.
Já pensou publicar mais algum livro?
Já tive pessoas que me falaram dessa possibilidade. É certo que tem de ser um assunto devidamente pensado e preparado porque nada do que está no outro livro pode ser repetido, o que requer algum cuidado.
Já ganhou algum prémio com as suas décimas?
Já ganhei vários. O primeiro prémio foi ganho em 1982 a nível nacional. Não queria concorrer porque achava que não tinha tempo. Tinha muito trabalho com um pequeno rebanho de vacas e por isso achei que não podia participar.
Ao fim de seis meses soube que tinha ficado em primeiro lugar. E recebi como prémio três obras do Bocage, Os Lusíadas, e um prato grande.
Depois disto já ganhei vários prémios na Confraria do Pão.
Até onde é que as suas décimas já o levaram?
A vários sítios, do país e não só. A maior empreitada que tive foi na homenagem do Dr. Emílio Peres, um grande nutricionista. Levavam 20 quadras de décimas para dizer, os mandamentos de Deus, e levava ainda mais 15 feitas para a Confraria do Pão. Estive três horas e meia a falar sem ter o auxílio de um papel.
De outra vez fui a Bruxelas e acabei por visitar o Parlamento Europeu. 

Ti Limpas


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