quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Benzeduras de Capelins

As benzeduras para todos os males em Capelins

Antigamente, devido à falta de conhecimentos que justificassem alguns factos ou doenças, o povo das terras de Capelins atribuía as suas causas a fenómenos sobrenaturais, aos quais estavam sempre associadas  as superstições! Qualquer doença física ou psicológica era vista como um mal de inveja, que tinha de ser “benzido” com a respetiva reza!
Existiam benzeduras para todos os males, desde a cabeça até aos pés!
Hoje em dia, as superstições e as orações que lhes estão associadas já não têm a força de outros tempos, mas também não estão esquecidas, sendo ainda possível ouvir das pessoas mais antigas, orações para muitas maleitas, como a que a seguir descrevemos e que se destinava a curar a espinha/coluna descaída ou desmanchada:
No caso da espinha descaída/desmanchada, o doente sentava-se no chão térreo, com as pernas bem estendidas e unidas, os dedos polegares dos pés bem juntos e os braços pendentes e descontraídos! A/o benzedeira/o ficava de pé, por trás do doente e, com as suas mãos pegava nos dedos polegares do doente, dava umas sacudidelas e via se existia dormência! Em seguida, puxava verticalmente e para cima os dois braços, até que ficassem ao alto, aproximava os dois polegares e verificava se um dos dedos ficava mais acima e o outro mais abaixo! Se os dois polegares não estavam ao mesmo nível, era sinal que o doente estava desmanchado e, quanto maior fosse a diferença na altura entre os dois dedos, mais desmanchado estava o doente! 
Nesse caso, começava a benzedura ou reza, que consistia em dizer cinco vezes o credo, sem se enganar em nenhuma palavra, fazendo cruzes nas costas do doente! Depois untava os nervos (tendões) dos dedos dos pés, das mãos e dos pulsos com azeite e, ao mesmo tempo, ia dizendo: “(nome do doente), tens tu a espinha caída, o teu ventre, o teu baço ou tombado, ou arejado, ou desmantido, ou desmanchado!
A Senhora da Encarnação ponha tudo no seu lugar e no seu são!
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria, Padre Nosso e Avé Maria.”
A/o benzedeira/o dizia esta reza até que todos os dedos e nervos estivessem untados de azeite (a cada frase corresponde uma untadela)!
No final, a/o rezadeira/o voltava a puxar os dedos polegares do doente, levantando-lhe os braços no ar e verificava se os dois polegares já estavam ao mesmo nível!

Quando o doente já estava curado, ainda tinha de cumprir à risca as instruções da/o benzedeira/o, durante três dias não podia pegar em carregos, nem abrir caixa, nem pegar em meninos/as! Tinha de comer bem logo de manhã, carne de porco frita, as presas sempre em número impar e ingerir o molho acompanhado de copo de vinho!  
Ao fim dos três dias, estava apto/a a voltar ao trabalho! 

Ferreira de Capelins






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