Revista Portuguesa de Historia
t. XXXVI (2002-2003)
pp. 565-588 (vol. 1)
As Relações Económicas entre Portugal e Espanha (1756-1763).
O movimento dos Portos Secos de Mourão e de Terena
João Cosme
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
https://ap1.sib.uc.pt/bitstream/10316.2/46121/1/as_relacoes_economicas_entre_portugal.pdf
Introdução
Este trabalho representa mais um passo no estudo do movimento alfandegário
entre Portugal e Espanha, através dos Portos Secos (alfândegas terrestres) de
Portugal no período decorrente de 1756 a 1820.
No trabalho anterior, estudámos
a entrada dos produtos pelas alfândegas de Campo Maior e Castelo de Vide
1
.
Neste artigo, vamos analisar o movimento alfandegário dos Portos Secos de
Mourão e de Terena.
Renovamos a nota que utilizamos como fonte esencial
deste estudo os registos do Donativo dos 4% depositados no Arquivo Nacional
da Torre do Tombo.
Queremos, por isso, assinalar que os limites cronológicos deste trabalho
estão dependentes das datas dos livros de registo do Donativo destas alfândegas
que encontrámos na Torre de Tombo. O primeiro registo da alfândega de Terena
data de 13 de Fevereiro de 1756, e o último é de 30 de Outubro de 1763, a que
1 João Cosme, “As relações económicas entre Portugal e Espanha ( 1756-1759). O movimento
dos Portos Secos de Castelo de Vide e Campo Maior”, in População e Sociedade, n° 8, CEPESE,
Porto, 2002, pp. 179-201.
566 João Cosme
se segue um longo período sem qualquer registo, pois só voltamos a encontrámos para 30 de Janeiro de 1778. Por sua vez, o registo mais antigo do Porto
Seco de Mourão é de 24 de Abril de 1756, enquanto que o último se reporta a
10 de Setembro de 1759, a que se sucede um período em que há uma lacuna de
dados, apenas voltamos a dispor de elementos para o início de 1768.
À semelhança do que já fizemos no artigo anterior, para que se possa fazer
uma avaliação e uma comparação mais correctas das entradas dos produtos
pelos vários Portos Secos, apresentaremos, em anexo, quadros-síntese com os
registos das importações 2
do ano de 1758.
A escolha desta data tem como razão
única, possuirmos informações para a generalidade das alfândegas neste ano.
Renovamos o que já dissemos no artigo anterior; isto é, que este imposto
(Donativo dos 4%) surgiu na sequência do terramoto de 1755. Como este abalo
telúrico destruiu grande parte da cidade de Lisboa, tornava-se, por isso,
imperioso e urgente proceder à reconstrução da capital.
As alfândegas de Lisboa e do Porto, pontos fundamentais de recepção de
grande parte das receitas fiscais do Estado e de combate ao contrabando, não
ficaram imunes à destruição. Conscientes do prejuízo causado pelo terramoto,
alguns dos mais importantes comerciantes da capital do Reino solicitaram o
lançamento de um imposto extraordinário para, com as verbas obtidas, se reconstruírem as principais estruturas económico-financeiras afectadas pelo sismo.
Para cumprir tal desiderato, era necessário angariar rápida e extraordinariamente
uma elevada soma de dinheiro. Por isso, D. José I, sob proposta dos “Homens
de Negócio da Praça” de Lisboa, lançou um imposto extraordinário - Decreto
Real de 2 de Janeiro de 1756 - conhecido pelo Donativo dos 4 por cento.
Em conformidade com o diploma legal de 1756, este imposto aplicava-se a
“todas as mercadorias e manufacturas que entrarem nestes Reinos3”. Isto significa
que estamos perante um imposto extraordinário sobre o consumo, pago por
todos aqueles que adquirissem produtos provenientes do exterior de Portugal.
Com esta medida conseguia-se reforçar o controlo das relações comerciais na
vasta fronteira terrestre entre Portugal e Espanha, particularmente as importações
já que estas eram as responsáveis pela saída de capitais, o que desequilibrava a
débil balança comercial portuguesa e feria os princípios mercantilistas em voga.
2 Tendo em vista uma identificação pormenorizada e rigorosa dos produtos importados,
utilizamos as expressões que se encontram no documento, procedendo assim quase à sua citação
ipsis verbis.
3 Cf. O Decreto Real de 2 de Janeiro de 1756, que publicamos no nosso artigo citado na
nota 1, pp. 188-189.
Tomava-se possível, ainda, sem que fosse necessário proceder a grandes
alterações ao nível do funcionalismo alfandegário local, não só aumentar a
liquidez tão necessária à reconstmção das estruturas alfandegárias afectadas,
mas também ampliar a capacidade de financiar a, cada vez, mais pesada máquina
administrativa pombalina, que inteligentemente soube utilizar a centralização
territorial em benefício da centralização do poder real4
.
1. O Rendimento das duas alfândegas
Com vista a uma melhor sistematização de todo o movimento administrativo
destas duas alfândegas em estudo, elaborámos o quadro seguinte
Relações Económicas entre Portugal e Espanha
(1756-1763) 567
568 João Cosme
O ano de 1756 caracterizou-se como a fase inicial da reorganização
alfandegária pombalina.
Os anos de l757 e l758 demonstram já urna dinámica
comercial e tributária consolidada, atingindo, no caso de Mourão, um valor
líquido significativo - 1 conto, 81 mil e 630 réis. Esta linha ascensional caiu
abruptamente nas duas alfândegas no ano de 1759. Nesta alfândega deixa,
inclusivamente, de haver registos a partir de 10 de Setembro. A inversão desta
tendência parece ter atingido a generalidade dos Portos Secos, já que em Campo
Maior e em Castelo de Vide aconteceu a mesma coisa. Excepcionalmente,
a alfândega de Terena continuou a registar a passagem de alguns produtos; porém,
a quebra dos impostos foi notória e significativa, e os produtos transaccionados
eram de pequeníssimo valor individual. Inclusivamente no ano de 1762, data
em que foi dirigido a Lisboa um ultimato para que declarasse guerra a Inglaterra,
apenas houve três registos (termos).
As receitas deste ano foram incorporadas
na verba de 1763. Os dados deste ano são extremamente elucidativos já que o
saldo (diferença entre receitas e despesas) se cifrou por um resultado deficitário;
isto é, as despesas foram superiores às receitas em 12.582 réis.
É notório e indesmentível a grande superioridade do rendimento da alfândega de Mourão sobre a de Terena.
Também é visível que, no plano comercial,
aquela alfândega era muito mais importante do que a de Terena. Para melhor
pormenorização desta realidade, faremos uma análise específica de cada uma
delas. Tal como já referimos, em Mourão, o escrivão e o recebedor do Donativo
não receberam qualquer ordenado pelo desempenho das suas funções, apesar
de terem requerido que tal lhes fosse pago. Assim, no auto de contas do Io
semestre
de 1756, realizado no dia 27 de Julho deste mesmo ano, “o recebedor requereu
que lhe arbitrace sellario para o seu trabalho como também para a remessa do
dito produto e o dito juis [da alfândega] lhe não deferio o seu requerimento por
não ter ordem para isso, antes por virtude da provizão que fica neste archivo”4 5 6
.
Paradoxalmente, em Terena, durante quase todo o período aqui analisado
(1757, 1758, 1759, 1760, 1761 e 1763), o recebedor e o escrivão do Donativo
retiraram os seus ordenados das verbas obtidas com este imposto. Apenas nos
anos de 1756 e 1762 não lhes foram pagos os respectivos ordenados. No ano
de 1756, “não [se] abatheram os ordenados dos officiaes por não terem provimento”7
; ao passo que, em 1762, esta alfândega praticamente não funcionou.
4 Cf. Pedro José da França Pinto dos Reis, Conselheiros e Secretários de Estado de Portugal
de D. João Va D. José I. (Subsídios para o seu estudo sócio-jurídico), Dissertação de Mestrado
em História Cultural e Política apresentada à FLUC, Coimbra, 1987, policopiada.
5 Todos os valores monetários são em réis.
6 ANTT,
Alfândegas do Reino, Mourão, Ia
caixa, L° 1, fl. 10 v.
7 ANTT,
Alfândegas do Reino, Terena, Ia
caixa, L° 1, fl.
9.
As Relações Económicas entre Portugal e Espanha (1756-1763) 569
Nesta última (Terena), o cargo de escrivão foi desempenhado por José de
Pina Galego que auferia, anualmente, a quantia de 10 mil réis. Por sua vez,
Manuel da Silva Torres foi o recebedor e fiel do Donativo durante os anos de
1756 a 1759. No final de 1760, José Joaquim desempenhou interinamente as
funções de recebedor e depositário do dinheiro já que o anterior titular havia
falecido8
. No principio de 1761, este ofício passou a ser ocupado por Joaquim
Velez9
. Aqui, o recebedor auferiu a quantia de 15 mil réis por ano, Para além
das despesas com estes funcionários gastou-se ainda 800 réis com a compra do
livro dos registos, além das verbas respeitantes ao pagamento do envio das
receitas para a Junta do Comércio
10
.
Por sua vez, em Mourão, o livro de registo da “entradas” das mercadorias
custou 240 réis e o juiz da alfândega recebeu a quantia de 880 réis pela rubrica
deste livro. Estas foram as únicas despesas extraordinárias aqui verificadas.
A isto se deve acrescentar o pagamento do envio das receitas.
11 para a Junta
do Comércio.
Manuel da Rosa Gusmão foi o titular do ofício de recebedor durante todo
este período, enquanto que o cargo de escrivão foi desempenhado por Nicolau
Pedro da Vitória.
Podemos, portanto, concluir que não havia um valor único tabelado para
estes funcionários. Caso interessante foi o pagamento de 1600 réis ao juiz da
alfândega de Terena nos anos de 1761 e de 1763 pelo trabalho de conferência
das contas, apesar do déficit registado neste último ano.
2. Produtos transacionados e comerciantes
Alfândega de Terena.
No que concerne ao leque de produtos entrados pelo posto fronteiriço de
Terena, pode dizer-se que foi bastante restrito. Despacharam-se, essencialmente,
animais. Os porcos foram a categoria mais transaccionada, a que se acrescentaram algumas galinhas, bois, cavalos e cabras. A par destes, encontram-se
8 Ibidem, L° 2, fl. 17.
9 Ibidem, fl. 33 v.
10 Foram gastos com o envio do dinheiro, as seguintes verbas: 225 réis em 1756; 1030 réis
em 1757; 1050 réis em 1758; em 1759 não há registo de qualquer despesa referente ao envio do
dinheiro; 1365 réis em 1760; 2420 réis em 1761. Como o saldo foi negativo em 1763, não foi
enviado qualquer valor.
11 No ano de 1756 pagou-se 4.360 réis; em 1757 custou 4.760 réis; em 1758 foi de 10.925
réis (2.129 réis do envio das receitas do Io semestre; e 8.796 réis do porte das receitas do 2o
semestre) e 2.436 réis do ano de 1759.
570 João Cosme
transacções de géneros, cujas quantidades registadas foram ocasionais e
diminutas. A título exemplificativo, relembramos alguns casos:
- em 30 de Novembro de 1758, Francisco Brás trouxe açafrão, ervas doces
e alfazema12;
- em 21 de Março de 1759, Sebastião Mengas, da Casa de Milhão (Castela),
trouxe 1 grosa de cordões de seda13;
- em 29 de Abril de 1759, José António, de Monsaraz, trouxe 30 cortiços14
.
A análise do registo das entradas pela alfândega de Terena revela a presença
de originários de Terena, Borba, Alandroal e seu Termo, Montoito, Redondo,
Monsaraz, Vila Viçosa, Portel, Estremoz, Mora, Salvaterra [de Magos] e Monte
da Grã (Termo de Évora). A lista de povoações induz-nos a dizer que a quase
totalidade dos que registaram aqui os seus produtos residiam em localidades
próximas. Regra geral, também os titulares das aquisições não as fizeram de
maneira continuada. Elucidativos são os exemplos seguintes:
- em 8 de Abril de 1758, o prior do Convento da Orada (Monsaraz) comprou
porcos
15;
- em 9 de Agosto de 1758, o médico do Redondo, Dr. José Esteves, registou
a compra de 3 porcos
16
.
Para além destes, vários espanhóis também trouxeram para Portugal alguns
produtos.
São o caso do Conde de Cheles (D. José de Vila Manuel) que trouxe
“50 porcos de vida e 52 porcas”.
Vários habitantes de Cheles, Alconchel,
Jerez de los Caballeros e de Valverde passaram por aqui com os seus produtos.
Todas estas localidades são vizinhas de Terena.
A única excepção foi Manuel
Femandes, do Reino de Jaén, que fornecia louça de Talavera.
Alfândega de Mourão
A diferença entre as duas alfândegas não se fez notar apenas nos quantitativos
transaccionados mas também na diversidade desses mesmos produtos. A alfândega de Mourão serviu de “porta de entrada” para uma vastíssima amplitude
de produtos. Nesta alfândega, encontramos o registo regular de géneros de
várias espécies. Por ela passaram produtos provenientes do sector agro-pecuário,
12 ANTT,
Alfândegas do Reino, Terena, Ia
caixa, L° 1, fl. 34.
13 Ibidem, fl. 41 v.
14 Ibidem, fl. 42 v.
15 Ibidem, fl. 25 v.
16 Ibidem, fl. 29 v.
As Relações Económicas entre Portugal e Espanha (1756-1763) 571
tal como uma grande variedade de animais (gado vacum, asinino, suíno e aves),
produtos agrícolas (nozes, alhos, bolotas, figos, grãos, pêras, cerejas e pimento
colorado), produtos de origem animal (lã), produtos manufacturados e artesanais
(copos de vidro, cantarinhos, louças de Talavera e de Ponte do Bispo, mantas
de almáfega 17, e cabeçadas 18 de animais) e produtos de tinturaria (anil).
Esta alfândega caracterizou-se, essencialmente, pela existência de produtos
que passavam com grande regularidade e em grandes quantidades.
São três os
produtos que merecem aqui particular destaque: azeite, porcos e lã. Ao mesmo
tempo que, também aqui, deparamos com a “entrada” ocasional de pequenas
quantidades de outros produtos, tais como:
- em 26 de Janeiro de 1757, Pedro Sainça registou 2 arrobas de cabello de
gente.
19;
- em 25 de Abril de 1757, Francisco Mestre registou 10 pares de tesouras
de tosquiar
20;
- em 12 de Maio de 1757, Lázaro Femandes registou 1 arca velha e 1 colchão.
21
.
- em 23 de Julho de 1757, Pedro Garcia registou 4,5 arrobas de torrão do
Levante.
22
.
- em 17 de Julho de 1758, Maria da Conceição registou meia arroba de
paios e presuntos e 9 arráteis de cobre lavrado
23
.
Por sua vez, no que se refere aos produtos que foram transaccionados em
grandes quantidades, cumpre especificar que foi nos anos de 1756 e em 1757,
com particular incidência para o primeiro ano, que o azeite registou a importação
de quantidades mais elevadas. O volume deste produto diminuiu em 1758 e
praticamente desapareceu no ano seguinte. Certamente que estas importações
foram motivadas por más colheitas agrícolas, em 1755 e no ano seguinte, nesta
área alentejana. Os nomes dos comerciantes que inscreveram maiores quantidades de azeite (José Garcia, Lucas Flores e Alonso Lino) nos livros do
17 Almáfega: pano grosseiro, fabricado da pior lã, que chamavam churra e que se trazia
como luto, e era também empregado para fazer sacas (Grande Dicionário da Língua Portuguesa,
coordenação de José Pedro Machado, tomo I, p. 341).
18 Cabeçadas: tiras de couro que se prendem nas argolas superiores do freio e o seguram na
boca do animal passando por detrás das orelhas (Grande Dicionário da Língua Portuguesa,
coordenação de José Pedro Machado, tomo II, p. 447).
19 ANTT, Alfândegas do Reino, Mourão, Ia
caixa, L° 1, fl. 40.
20 Ibidem, L° 1, fl. 56.
21 Ibidem, L° 1, fl. 58 v.
22 Ibidem, L° 1, fl. 70.
23 Ibidem, L° 2, fl. 18 v.
572 João Cosme
Donativo, induzem-nos a pensar que este comércio era realizado essencialmente
por intermediários espanhóis.
A lã foi outro dos produto que denotou importações elevadíssimas ao longo
deste período, com particular incidência no triénio de 1757-1759. Os dois principais
compradores foram Sebastião Carvalho Camelo que era natural de Montemor24
[-o-Novo] e Gil da Emister Companhia. Este último apenas aparece a partir de
Julho de 1757. Ambos tinham os seus representantes em Mourão 25
.
A título excemplifciativo referimos que, só em 1757, Sebastião de Carvalho
registou 2.275 arrobas de lã branca, fina, sendo a maior parte merina26. A este
quantitativo deve acrescentar-se 792 arrobas de lã branca, também alguma
merina, e 273 arrobas de aninhos27 brancos arrolados por Gil da Emister
Companhia; o que perfaz, na totalidade, 1.065 arrobas de lã branca.
O recurso a matérias-primas provenientes do exterior, particularmente
quando estas matérias-primas requerem qualidade, é deveras significativo.
A referência a lã branca, fina e merina28 é ilustrativa, já que em termos qualitativos
esta é muito superior à lã preta e aos aninhos. Estes dados demonstram alguma
24 Em 24 de Agosto de 1756, João Rosado desta vila (Mourão) pagou de donativo 11.600
réis, “por 100 arrobas de lã branca, suja, marina, da Raia de castela donde trouxe para Sebastião
de Carvalho de Montemor” (ANTT,
Alfândegas do Reino, Mourão, Ia
caixa, L° 1, fl. 14).
25
Tal como referimos na nota anterior, João Rosado era o representante de Sebastião de
Carvalho Camelo. Porém, em 16 de Dezembro de 1759 Manuel Mendes Papança aparece como
outro representante de Sebastião Carvalho Camelo (ANTT, Alfândegas do Reino, Mourão,
I
a
caixa, L° 2, fl. 34). José Álvares era o representante de Gil da Emister Companhia.
26 Lã merina: “tipo de proveniente dos carneiros de raça merina ou das suas numerosas
subraças existentes no Mundo” {Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. XVI, p. 996).
27 Aninho é a lã da Ia
tosquia {Grande Dicionário da Língua Portuguesa, coordenação de
José Pedro Machado, tomo I, p. 472). Por esta razão esta lã ainda não está consolidada; isto é,
ainda não tem a consistência da lã forte, assemelhando-se por isso ao cabelo.
28 Sobre a tipologia e qualidade da lã cf. Bartolomeu de Oliveira Tavares Monteiro, Curso
de técnica de lanifícios. Vol. I Matérias-primas e a sua preparação industrial, Lisboa, 1962,
pp. 112-126. No plano zootécnico a raça merina é uma “raça de ovinos considerada a melhor sob
o ponto de vista lanar, por ser a que produz lã de qualidades têxteis mais apreciáveis. (...) A lã é
a principal aptidão dos animais desta raça. O velo (...) é constituído por lã fina, frisada, macia,
flexível e untuosa. (...) A primitiva pátria dos carneiros merinos não está perfeitamente
determinada. Na opinião de alguns naturalistas, o merino é oriundo do Norte de África ou da
Síria, tendo sido levado dali para Espanha, onde, durante muitos séculos, se conservou exclusivamente. Na Idade-Média, os finos panos de lã eram fabricados exclusivamente com lã de merinos
espanhóis, pois a exportação de indivíduos desta raça estava rigorosamente proibida. A primeira
saída de gado merino daquele país data do século XVII e foi feita com destino à Alemanha e
França, sem que dessas exportações alguns resultados tivessem sido obtidos. Em 1785, a Espanha
ofereceu a Luís XVI de França 33 ovelhas e 42 sementáis que o rei de França instalou na sua
herdade de Rambouillet” {Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. XVI, p. 996).
As Relações Económicas entre Portugal e Espanha (1756-1763) 573
incapacidade interna de auto-suficiência de matéria-prima de qualidade e a
consequente dependência do exterior. Assim, quando se aborda o problema
das dificuldades da industrialização no período pombalino, deveremos ter em
em linha de conta esta subordinação às importações de matéria-prima de
qualidade. Esta conexão ajuda a perceber o insucesso de funcionamento das
manufacturas têxteis e também porque estas manufacturas se localizavam no
interior do País. Nos meados do século XVIII, havia um número muito
significativo de teares de confecção de tecidos de lã no Alentejo interior próximo
da zona raiana29
.
Este Porto Seco registou ainda um elevado número de entradas gado caprino,
gado bovino, aves e gado suíno. Merece particular referência as importações
de porcos, já que em termos quantitativos é o caso mais significativo. É de crer
que uma parte seria para consumo dos compradores; outra parte teria como finalidade a reprodução30 e um outro grupo destinar-se-ia ao abastecimento alimentar
da população de uma área geográfica31 mais ampla. As denominações usadas
nos registos também ajudam a presumir o destino de muitos destes animais32
.
Por fim, cumpre anotar que estes registos são parcos em informações sobre
a residência dos que transitaram por aqui com os seus produtos. Relembramos
que este elemento informativo raramente aparece. Apesar desta contrariedade
não queremos deixar de exarar uma breve nota sobre estes factos. Assim, além
de conhecermos a origem de Sebastião Carvalho Camelo, ficamos a saber que
passaram por esta alfândega com produtos residentes em Mourão, Granja,
Amareleja, Barrancos, Monsaraz e Motrinos (termo de Monsaraz), Portei e
29 Luiz Femando de Carvalho Dias refere a existência destes teares nas localidades de: Castelo
de Vide; Évora e seu termo (S. Miguel de Machede e S. Bento do Mato); Estremoz; Alpalhão;
Nisa; Amieira; Marvão; Portalegre; Redondo, Reguengos (termode Monsaraz) Beja, Pedrógão
(Beja); Serpa; Brinches (Serpa) e Moura (História dos Lanifícios (1750-1834). Documentos,
vol. I, Lisboa, 1958, pp. 59-61).
30 Em 16 de Dezembro de 1658, João de Deus Pimenta pagou 552 réis pelas melhorias de
“46 cabeças de porcos em que entram algumas porcas que trouce pastando em Castella” (ANTT,
Alfândegas do Reino, Mourão, Ia
caixa, L° 2, fl. 34).
31 Em 2 de Março de 1658, António Rodrigues, de Évora, registou 6 porcos e 18 bácoros;
já em 27 de Fevereiro havia registado “17 porcas paridas com 54 bácoros” (ANTT, Alfândegas
do Reino, Mourão, Ia
caixa, L° 2, fl. 11 v e fl 11, respectivamente).
32 Tal como referimos anteriormente, os documentos utilizam expressões diferentes para
pormenorizarem com maior rigor os animais entrados. Assim, cumpre distinguir as várias
categorias: farroupos - “porco de menos de um ano” (Grande Dicionário da Língua Portuguesa,
... tomo V, p. 106); marrã - “porca pequena, que acabou de mamar [desmamada]” (Ob. cit; tomo
VII, p. 65); bácoro- “porco novo de um ano, leitão” (Ob. cit; tomo II, p. 202).
574 João Cosme
Évora. Estas passagens caracterizaram-se, essencialmente, por movimentos
ocasionais e com aquisições de pequenas quantidades de produtos33
.
3. Considerações finais
Não queremos terminar este artigo sem apresentarmos um comentário final.
Começamos por renovar o que escrevemos no artigo anterior, relembrando
que o imposto dos 4% foi criado com um objectivo muito específico, pois era
urgente recuperar os estragos provocados pelo terramoto de 1755, de modo a
que “o comercio tenha huma Praça digna da capital”.
Este desiderato foi suportado por vários protagonistas através da criação
de um verdadeiro imposto, pago por todos os portugueses que consumissem
produtos importados. Quer isto significar que a actuação política absolutista e
centralizadora josefina, em conformidade com os cânones da época, transferiu
para os habitantes do interior, já bastante depauperado e destruído pelas diversas
lutas que aqui ocorreram, parte dos custos de importantes estruturas comercais
do litoral.
Outra conclusão que se pode retirar é a grande dependência de Portugal em
relação à Extremadura espanhola, particularmente notória no sector agro-
-pecuário. Pode, pois, dizer-se que existe uma área de intercâmbio e de influência
económica que ultrapassa a linha político-geográfica da fronteira. Este hinterland
tinha uma abrangência regional e uma amplitude supra-fronteiriça. Muitos
portugueses das localidades fronteiriças recorreram ao outro lado da fronteira
para suprir as suas necessidades básicas do quotidiano.
Urge ainda realçar que outros se deslocaram à Extremadura espanhola para
adquirirem produtos alimentares (animais e azeite) e matérias-primas (lã).
A conjugação dos dados do trabalho anterior com os que acabamos de apresentar
permite dizer que há Portos Secos que tinham apenas uma abrangência reduzida
(Terena), enquanto outros denotavam uma especialização ao nível de produtos
que por eles passavam.
33 Fugiram a esta regra, António Rodrigues residente em Évora e José Femandes, residente
em Portel. O primeiro, em 26 de Fevereiro de 1758, registou “17 porcas paridas com 54 bácoros”;
e, em 2 de Março do mesmo ano, “6 porcas com 18 bácoros”. O segundo, em 17 de Setembro de
1758, pagou o imposto referente a 200 galinhas. José Mendes, residente em Valencita del Momboy
é o único anotado nesta alfândega. Em 7 de Outubro de 1758 passou 99 porcos e 101 bácoros.
As Relações Económicas entre Portugal e Espanha (1756-1763) 575
Bibliografia
Fontes
Arquivo Nacional da Torre do Tombo
1 - Alfândegas do Reino
Mourão, Ia
Caixa (cx. 1348)
L° 1 : 1756-1757
L°2 : 1758-1759
Terena, Ia
Caixa (cx. 11.826)
L° 1: 1756-1759
Obras Específicas
COSME, João, “As relações económicas entre Portugal e Espanha (1756-1759).
O movimento dos Portos Secos de Castelo de Vide e Campo Maior”, in
População e Sociedade, n° 8, CEPESE, Porto, 2002, pp. 179-201.
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REIS, Pedro José da França Pinto dos, Conselheiros e Secretários de Estado
de Portugal de D. João V a D. José I. (Subsídios para o seu estudo sócio-
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SOUSA, Fernando de, “As relações do Norte de Portugal com a Região de
Castela e Leão”, in População e Sociedade, n° 6, CEPESE, Porto, 2000,
pp. 301-322.
576 João Cosme
Anexos
Quadro N° 1 - Movimento Comercial de Terena em 1758
DATA NOME LOCALIDADE PRODUTO
02 Jan. Gaspar Gonçalves Galego Alandroal Porcos
12 Jan. Manuel Antonio Borba não refere
20 Jan. Gaspar Gonçalves Galego Alandroal não refere
20 Jan. Manuel António Borba não refere
24 Jan. José de la Moreira — não refere
01 Fev. Padre João Cardoso Redondo não refere
lOFev. João Gonçalves Madureira — não refere
14 Fev. José Roiz Termo Montemor 2 bois
15 Fev. Manuel Lopes Salvaterra não refere
08 Abr Prior Convento da Orada — Bácoros
17 Abr Manuel Martins Termo do Alandroal 6 cabras
27 Abr Manuel Martins Termo do Alandroal não refere
02 Mai João Marques Montoito Galinhas
08 Mai Frei Luís Vila Viçosa não refere
08 Mai Manuel Pereira — não refere
15 Mai Manuel Lopes Torres Vila Viçosa 2 bois
16 Mai Vicente ferreira Alandroal 2 bácoros pequenos
05 Jun Manuel Femandes — não refere
05 Jun Francisco Femandes Termo de Terena 1 porca, 1 marrão e 5 bácoros
22 Jun Manuel Femandes — não refere
23 Jun Alexandre Femandes Termo de Évora farroupos e bácoros
23 Jun Alexandre Femandes Termo de Évora não refere
18 Jul Francisco Mendes Alandroal Devaça
18 Jul Rodrigo Zagalo Estremoz lã e aninhos
18 Jul José Velada Ramalho Terena 1 novilho
26 Jul Alexandre Femandes Mora galinhas e frangos
As Relações Económicas entre Portugal e Espanha (1756-1763) 577
Quadro N° 1 - Movimento Comercial de Terena em 1758 (Cont.)
DATA NOME LOCALIDADE PRODUTO
09 Ago Dr. José Esteves (médico) Redondo 3 farroupos
12 Ago Manuel Femandes Cheles 3 cargas de uvas
03 Set. Pedro Martins — não refere
07 Set. João Luísl Portel Galinhas
11 Set. Alexandre Gonçalves Portel Galinhas
21 Set. Francisco Peres Vila Viçosa Galinhas
01 Out. João Luís Portel Galinhas
03 Out. D. José de Vila Manuel Cheles 50 farroupos de vida
- conde de Cheles e 52 fêmeas
03 Out. Bartolomeu Roiz Cheles 52 bácoros montanheiros
03 Out. Manuel Femandes Cheles Chibatos
04 Out. Manuel Femandes Cheles Bácoros
04 Out. D. José de Vila Manuel Cheles Bois
- conde de Cheles
06 Out. Manuel Femandes Cheles bois e vacas
14 Out. José Martins Espanhol Galinhas
18 Out. Santiago Domingues Cumbre? (Espanha) Azeite
22 Out. Lourenço Romeiro Cumbre? (Espanha) Azeite
22 Out. Manuel Cantrom? S. António-Terena 1 vaca
27 Out. Lucas de Carvalho — não refere
21 Nov. Não refere — 10 farroupos e 8 fêmeas
25 Nov. Francisco Pires Vila Viçosa Galinhas
30 Nov. Francisco Brás Comprido — açafrão, ervas doces e alfazema
30 Nov. Manuel Granado Espanhol açafrão e ervas doces.
578 João Cosme
Quadro N° 2 - Movimento Comercial de Mourão em 1758 (Cont.)
DATA NOME LOCALIDADE PRODUTO
1 Jan. José Guerreiro — 14 porcos e 11 bácoros
1 Jan. Francisco Femandes — 14 porcos e 2 marranitas
4 Jan. Manuel João — 1 boi
7 Jan. Manuel Durão — 26 porcos
8 Jan. José Nunes — 17 porcos e 20 maiores
8 Jan. Diogo Serrão Infante — 37 porcos
9 Jan. José de Matos — 8 porcos e 2 farroupos
11 Jan. Antonio Joaquim Marrecos — 7 porcos e 2 marrões
12 Jan. Manuel Durão — 11 porcos
12 Jan. Mateus Mendes — 14 porcos
13 Jan. D. Francisco Delgado — 45 porcos
14 Jan. Sebastião Caeiro — 27 porcos pequenos
14 Jan. Domingos Xamorro — 13 marranitas
16 Jan. António Gonçalves Amigo — 8 bácoros
18 Jan. José Jorge — 3 porcas paridas com seus
bácoros e 3 marrãs
18 Jan. Francisco Carvalho Granja 3 marrãs
19 Jan. Félis José Mendes — 2 bácoros
20 Jan. Manuel da Veiga — 1 arroba de pimento colorado
20 Jan. José Guerreiro — 41 porcos e 27 “mais pequenos”.
20 Jan. D. Francisco Boca Negra — 50 porcos e 86 “mais pequenos”.
20 Jan. Pedro Xillon — 6 porcos, 12 “mais pequenos”
e 5 bácoros
20 Jan. Paulo Belmudo — 7 marranitos
20 Jan. Lourenço Barrocal — 42 porcos
20 Jan. Padre Francisco Montes — 48 marranitos
21 Jan. Manuel Xamorro — 23 porcos
21 Jan. Diogo Saraiva — 28 porcos e 27 “mais pequenos”
21 Jan. António Jacinto da Cruz — 47 porcos
21 Jan. Domingos Janeiro — 84 porcos
21 Jan. Diogo Serrão Infante — 77 porcos
Quadro N° 2 - Movimento Comercial de Mourão em 1758 (cont.)
DATA NOME LOCALIDADE PRODUTO
21 Jan. Antonio Simões — 99 porcos, “onde entram
50 marranitas”
21 Jan. Francisco Luís — 27 porcos
21 Jan. João Rodrigues — 50 “bácoros pera vida”.
21 Jan. João Nunes — 10 “porcos e porcas”
21 Jan. Francisco Marim — 10 “marranitas, 5 delias maiores”.
21 Jan. José Martins — 23 farroupos
21 Jan. Padre José Ramalho — 1 boi e 1 novilho
22 Jan. Bento Mendes — 73 porcos
22 Jan. D. Francisco Gata — 91 porcos
22 Jan. José Serrano — 154 porcos
22 Jan. José Serrano — 80 porcos e 25 marrões
22 Jan. Bento Mendes — 98 porcos
23 Jan. Manuel Gonçalves Pincho — 9 bácoros pequenos
23 Jan. Manuel Janeiro — 18 porcos pequenos
23 Jan. Antonio Martins — 19 chibos e 5 cabras
23 Jan. Sebastião Caeiro — 63 bácoros
24 Jan. Francisco Xavier Vaz — 19 bácoros
24 Jan. José Rodrigues — 2 porcas paridas com 4 bácoros
24 Jan. José Lourenço — 37 marranitas e 7 farroupos
28 Jan. Pedro Lourenço — 30 alforges e 54 mantas de
almafega singelas
29 Jan. Manuel Janeiro — 14 marranitos
29 Jan. Manuel Femandes — 9 cabras paridas e 3 forras
29 Jan. Antonio Martins Massaneiro — 18 bácoros
1 Fev. Bernardo Gomes — 46 bácoros
2 Fev. Diogo Saraiva — 24 marranitos
2 Fev. José Martins — 19 porcos pequenos
2 Fev. João Lopes — 26 porcos e porcas
2 Fev. José Guerreiro — 100 porcos e 45 mais pequenos
3 Fev. Antonio Simões Amareleja 48 bácoros e 9 marrões
As Relações Económicas entre Portugal e Espanha (1756-1763) 579
580 João Cosme
Quadro N° 2 - Movimento Comercial de Mourão em 1758 (Cont.)
DATA NOME LOCALIDADE PRODUTO
6 Fev. Domingos Groceiro — 10 bacorinhos
6 Fev. João Serrano — 112 porcos
10 Fev. António Simões Amareleja 40 bácoros e 1 potro.
11 Fev. Rodrigo Alonço — 6 alqueires de grãos
11 Fev. Bento Mendes — 93 porcos
15 Fev. Damião Rodrigues — 2 jumentos
16 Fev. Manuel Simões — 78 bácoros
16 Fev. João de Chaves — 12 alqueires de “bolleta”
17 Fev. Manuel Femandes — 6 bácoros
20 Fev. Domingos Femandes Colaçc 9 bácoros
22 Fev. Manuel Durão — 12 bácoros
22 Fev. Manuel Xamorro — 92 bácoros “para vida”
22 Fev. Bento José — 60 galinhas
26 Fev. António Rodrigues Évora 17 porcas “paridas com
54 bácoros”
01 Mar Mateus Rodrigues — 1 jumento
02 Mar Domingos Femandes Colaço • — 18 bácoros
02 Mar Bento Dias Valente — 30 bácoros
02 Mar António Rodrigues Évora 6 porcas, “com 18 bácoros”.
02 Mar D. Francisco Serrão Guerra — 6 machos e 4 mulas “seris
de almagro”
07 Mar Paulo Garcia — 20 mantas singelas e 14 alforges
08 Mar Manuel da Mota e Paiva — 33 bacorinhos
09 Mar Francisco Xavier — 2 marranitos
13 Mar José Alves — 70 bácoros “para vida”
14 Mar Bento José — 60 galinhas
18 Mar José Gomes — 2 arrobas de toucinho e
20 presuntos
21 Mar João Serrano — 4 marrãs
31 Mar António Mendes — 23 bácoros “para vida”
Quadro N° 2 - Movimento Comercial de Mourão em 1758 (cont.)
DATA NOME LOCALIDADE PRODUTO
01 Abr João Pedro da Costa — 33 porcos
01 Abr João Gonçalves — 29 porcos pequenos
01 Abr Bento José — 60 galinhas
01 Abr Bento José — 60 galinhas
01 Abr Clemente Rodrigues Granja 20 “porcas paridas com
seus leitões”
01 Abr Mnauel Guerreiro — 1 bacorinho
07 Mai José Rebocho — 1 jumento
17 Mai João Serrano — 100 “marrões para vida”
17 Mai Frei Marcos António — 2 bois e 1 rodado velho de carreta
17 Mai António Rodrigues — 2 porcas com 8 bácoros e 1 marrã
17 Mai Bento Dias Valente — 39 marranitos
17 Mai António Simões — 44 bácoros, “em que entra
1 marrã parida”
18 Mai Diogo de Serra — 60 porcos “ para vida”
18 Mai Diogo de Serra — 34 farroupos
18 Mai Diogo de Serra — 36 marranitos e 30 bácoros
18 Mai Bento José — 60 galinhas
18 Mai António Francisco — 9 bois
18 Mai Padre Tomás António — 2 bois
18 Mai António José Ferreira — 2 bois
20 Mai Domingos Femandes Colaço 33 bácoros
22 Mai Tiago José Colaço — 6 bacorinhos
23 Mai Antonia Loba — 70 leitões
24 Mai Diogo de Serra — 122 marranitos
27 Mai Bartolomeu Gil — 13 arrobas de aninhos pretos
28 Mai Francisco Escária — 4 marranitos
29 Mai Silvestre dos Reis Bisca — 1 bácoro
02 Jun Tomás António — 18 novilhos, 3 vacas paridas e
3 forras
As Relações Económicas entre Portugal e Espanha (1756-1763) 581
582 João Cosme
Quadro N° 2 - Movimento Comercial de Mourão em 1758 (Cont.)
DATA NOME LOCALIDADE PRODUTO
06 Jun Álvaro José — 1 novilho
07 Jun João Garcia — 2 bois
15 Jun António Martins Monsaraz 50 bácoros
20 Jun Mateus Rodrigues — 2 bácoros
20 Jun José Gomes — 1 novilha
22 Jun João Serrano — 24 arrobas de aninhos
22 Jun Maria Gomes — 7 foséis (?)
24 Jun Estêvão Garcia — 1 carga menor de nozes e
1 canastra de cerejas
01 Jul Manuel Romeiro — 1 macho de almagro
08 Jul Padre Pedro da Rosa — 2 bois
10 Jul João Garcia — 1 rulim?
13 Jul José Femandes Cascão — 1 boi
13 Jul Diogo de Serra — 20 farroupinhos
13 Jul Cónego Bastos — 160 porcos grandes e pequenos
13 Jul Pedro Bamito — 2 mulas serris de almagro
14 Jul José Mendes — 408 porcos
14 Jul João Comprido — 13 bois e 12 vacas forras.
17 Jul Maria da Conceição — meia arroba de paios e presuntos,
e 9 arráteis de cobre lavrado
24 Jul José Alves — 1 macho
26 Jul D. Francisco Serrão Guerra — 4 mulas seris de almagro
27 Jul Matias Caeiro — 11 vacas
27 Jul Bento Mendes — 14 novilhos e 8 vacas
27 Jul Tomás António — 26 bois, 3 vacas forras e 1 parida
27 Jul André Galinho — 1 jumento
27 Jul João Garcia — 1 boi, 10 vacas forras e 1 parida
27 Jul José Lopes — 2 machos seris de almagro
27 Jul António Urigas? — 8 alqueires de favas
02 Ago João Camacho — 2 cargas maiores de pêras
Quadro N° 2 - Movimento Comercial de Mourão em 1758 (cont.)
DATA NOME LOCALIDADE PRODUTO
03 Ago Domingos António Freire — 1 jumento preto
04 Ago Pedro Martins Caldinho — 2 marranitos
04 Ago Florêncio Marques — 1 jumento serrado
04 Ago Estêvão Garcia — 2 cargas menores de pêras
14 Ago João Garcia — 27 bois e 1 novilho
14 Ago José de Morais Ramalho Monsaraz 18 colmeias e 4 cortiços
22 Ago António Jacinto — 1 jumento velho
27 Ago António Coca — 1 arroba de pimento colorado
02 Set Gil da Emister Companhia 24 arrobas de aninhos e 48 de lã.
“Tudo branco, sujo,
merino, da Raia de Castela.
06 Set João Comprido — 16 bois e 5 vacas forras
06 Set Bento Mendes — 43 bois
06 Set Bento Mendes — 17 vacas forras e 2 novilhos
06 Set Gil da Emister Companhia — 72 arrobas de lã branca,
suja, merina
06 Set Bento Mendes — 3 bois, 1 vaca forra, 1 parida
e 1 novilho
07 Set João Garcia — 57 porcos
07 Set Matias Caeiro — 208 porcos
07 Set João Delgado — 23 farroupos
07 Set Gil da Emister Companhia — 70 arrobas de lã branca,
suja, merina
07 Set Gil da Emister Companhia — 47 arrobas de aninhos
07 Set Manuel da Mota Paiva — 30 farroupos, 1 vaca forra
e 1 novilho
07 Set Gil da Emister Companhia — 76 arrobas de lã branca,
suja, merina
07 Set João Serrano — 70 bácoros
07 Set Gil da Emister Companhia — 76 arrobas de lã branca,
suja, merina
Aí Relações Económicas entre Portugal e Espanha (1756-1763) 583
584 João Cosme
Quadro N° 2 - Movimento Comercial de Mourão em 1758 (Cont.)
DATA NOME LOCALIDADE PRODUTO
07 Set Gil da Emister Companhia — 82 arrobas de lã branca, suja,
fina, merina
07 Set Gil da Emister Companhia — 82 arrobas de lã branca, suja,
fina, merina
08 Set Gil da Emister Companhia — 76 arrobas de aninhos, sujos,
finos, merinos de Castela
08 Set Gil da Emister Companhia — 82 arrobas de lã branca, suja,
fina, merina
08 Set Gil da Emister Companhia — 82 arrobas de aninhos,
sujos, finos
08 Set Gil da Emister Companhia 21 arrobas de aninhos
e 61 arrobas de lã (tudo
branco, sujo e fino).
08 Set Gil da Emister Companhia — 82 arrobas de lã branca, suja, fina
08 Set Gil da Emister Companhia 10 arrobas de aninhos
e 13 arrobas de lã (tudo
branco, sujo e fino).
08 Set Gil da Emister Companhia — 1 arroba de aninhos, sujos, finos
15 Set Fernando Flores — 1 carga menor de melacotões
(pessegos) (sic)
17 Set José Femandes Portei 200 galinhas
17 Set José Mendes Valencita 40 chibatos
18 Set José Delgado — 100 farroupos
22 Set Francisco Rodrigues — 1 carga menor de peros
25 Set Fernando Flores — 2 cargas menores de alhos
28 Set Bento Dias Valente — 20 bácoros
28 Set “Denúncia” (sic) 1 jumenta, 2 jumentos, 3 sacos
e 1 falda e mais trastes de
conduzir trigo
03 Out Martim Afonso 7 dúzias e meia de cabiltaria?
e 4 mantas de almafega singelas,
por cozer
Ai Relações Económicas entre Portugal e Espanha (1756-1763) 585
Quadro N° 2 - Movimento Comercial de Mourão em 1758 (cont.)
DATA NOME LOCALIDADE PRODUTO
03 Out Francisco Dias — 1 carga menor de peros
06 Out Francisco Álvares — 1 jumento
07 Out José Mendes Valencita 99 porcos e 101 bácoros
07 Out Francisco Gomes — 44 porcos medianos
08 Out Manuel João — 36 porcos e 25 farropos
08 Out José Gomes — 72 porcos
08 Out António Ventura — 1 vaca forra
08 Out João Serrano — 80 marranitos
13 Out Gil da Emister Companhia — 70 arrobas de lã branca, suja, fina
13 Out Bento Mendes — 206 porcos
13 Out Sebastião Carvalho Camelo 295 arrobas de lã branca,
suja, fina
13 Out Gil da Emister Companhia — 35 arrobas de lã branca, suja, fina
13 Out Sebastião Carvalho Camelo 110 arrobas de lã branca,
suja, fina
13 Out Gil da Emister Companhia — 82 arrobas de lã branca, suja,
fina, merina
13 Out Domingos Salas — 50 farroupinhos
13 Out Sebastião Carvalho Camelo 100 arrobas de aninhos
13 Out Gil da Emister Companhia — 82 arrobas de aninhos,
sujos, finos, brancos
14 Out Gil da Emister Companhia — 300 arrobas de lã branca,
suja, fina
14 Out Fernando Alvarado — 60 marrões
14 Out Gil da Emister Companhia — 221 arrobas de lã branca,
suja, fina
14 Out Sebastião Carvalho Camelo 62 arrobas de aninhos,
sujos, finos, brancos
14 Out Gil da Emister Companhia — 122 arrobas de aninhos,
sujos, finos, brancos
14 Out Gil da Emister Companhia — 300 arrobas de aninhos,
sujos, finos, brancos
586 João Cosme
Quadro N° 2 - Movimento Comercial de Mourão em 1758 (Cont.)
DATA NOME LOCALIDADE PRODUTO
14 Out José Domingues — 3 cargas menores de peros
14 Out Gil da Emister Companhia — 30 arrobas de aninhos
18 Out Salvador Garcia — 93 alqueires de azeite
18 Out Manuel Ramires — 2 machos ordinários para
serviço de carga
19 Out Padre Pedro da Cruz — 2 bois
19 Out Manuel Femandes — 3 cargas menores de peros
06 Nov Brás Antevim? — 2 marrãs
07 Nov Paulo Garcia — 46 mantas singelas de almafega,
3 dobradas e 95 alforges
07 Nov José Dias 16 mantas singelas de almafega,
20 alforges e 2 dúzias
de cabristaria
07 Nov Julião Romeiro — 25 alforges
08 Nov D. José Ferralar — 25 arráteis de azougue
22 Nov António Rosa — 7 réstias de alhos e 6 arráteis
de pimenta colorada
25 Nov José Gomes — 10 porcos
27 Nov Diogo da Serra — 12 porcos e 4 marrãs de Castela
27 Nov Diogo da Serra — 20 porcos e 4 marrãs de Castela
30 Nov João Nunes — 1 marrã
30 Nov Gabriel Salgueiro — 2 jumentos
04 Dez. Bento Martins — 1 marrão e 1 marrã
05 Dez. D. Manuel Gata — 33 porcos
05 Dez. D. Pedro Campanhom — 8 porcos
05 Dez. Manuel João — 26 porcos
05 Dez. José Nunes — 28 porcos
05 Dez. Gregorio Pousão — 21 porcos
05 Dez. Fernando Luna — 28 porcos e 7 marrãs
05 Dez. António Jacinto — 9 porcos
As Relações Económicas entre Portugal e Espanha (1756-1763) 587
Quadro N° 2 - Movimento Comercial de Mourão em 1758 (cont.)
DATA NOME LOCALIDADE PRODUTO
05 Dez. Afonso Barrocal — 30 porcos
05 Dez. Vicente Luna — 12 porcos
07 Dez. José Lourenço — 3 tábuas e 3 paus de castanho
07 Dez. José Rodrigues — 5 porcos e 2 marrãs
07 Dez. João Pedro da Costa — 38 porcos e 25 farroupos
08 Dez. Francisco Luís — 16 porcos
09 Dez. José Rosado — 40 porcos e 61 marranitos
e 1 marra
09 Dez. António Joaquim Marrecos — 16 porcos
11 Dez. Domingos Femandes Colaço 7 marrãs e 7 marrões
11 Dez. Tomás António — 18 alqueires favas e 16
alquires de bolotas
11 Dez. Tomás António — 77 porcos
14 Dez. José Vasques — 52 porcos pequenos e 60 maiores
14 Dez. António Martins Entrudo — 21 marranitos, 6 farroupos
e 2 porcos
15 Dez. Sebastião Carvalho Camelo — 248 arrobas de lã branca,
suja, fina, merina
15 Dez. Sebastião Carvalho Camelo — 335 arrobas de lã branca,
suja, fina
16 Dez. João Pedro da Costa — 14 porcos
16 Dez. Sebastião Carvalho Camelo — 307 arrobas de lã branca,
suja, fina
16 Dez. Sebastião Carvalho Camelo — 310 arrobas de lã branca,
suja, fina, merina
16 Dez. Sebastião Carvalho Camelo 200 arrobas de lã e 40 arrobas
de aninhos. Tudo branco,
sujo, fino, merino.
16 Dez. Sebastião Carvalho Camelo 38 arrobas de lã e 50 arrobas
de aninhos. Tudo branco,
sujo, fino, merino.
588 João Cosme
Quadro N° 2 - Movimento Comercial de Mourão em 1758 (Cont.)
DATA NOME LOCALIDADE PRODUTO
16 Dez. Sebastião Carvalho Camelo 261 arrobas de lã e 21 arrobas
de aninhos. Tudo branco,
sujo e fino.
16 Dez. Sebastião Carvalho Camelo — 60 arrobas de lã branca, suja, fina
16 Dez. Sebastião Carvalho Camelo — 40 arrobas de lã branca, suja, fina
16 Dez. Sebastião Carvalho Camelo — 28 arrobas de lã branca, suja,
fina, merina.
16 Dez. Sebastião Carvalho Camelo 133 arrobas de lã e 403
arrobas de aninhos. Tudo
branco, sujo, fino, merino.
20 Dez. Diogo Serrão — 1 farroupo
20 Dez. José Guerreiro — 18 porcos e 18 mañanitas
20 Dez. José Guerreiro — 85 porcos
28 Dez. José Álvares — 14 porcos
29 Dez. António Joaquim Marrecos — 6 porcos
29 Dez. Estêvão Garcia — 6 cargas menores de nozes
30 Dez. José Rosado — 57 manões.
O Porto Seco de Terena situava-se em Capelins - (Cinza)
Vila de Terena