segunda-feira, 21 de julho de 2025

A lenda dos Jornaleiros de Capelins

 A lenda dos Jornaleiros de Capelins

Os jornaleiros de Capelins eram os trabalhadores rurais menos qualificados, os mais simples, ou menos habilitados em termos profissionais, eram generalistas, não tinham uma especialidade que lhes permitisse ser admitidos, permanentemente numa herdade, eram o último degrau da escala dos trabalhadores rurais, no entanto, faziam quase todos os trabalhos, desde as lavouras chamado alqueive, a colheita de azeitona, a limpeza de azinheiras, oliveiras e outro arvoredo, arranjavam as lenhas, faziam as ceifas, carregavam os cereais para as eiras, faziam a debulha desses cereais, arrumavam as palhas para os gados em almiaras, preparavam as terras e faziam as sementeiras dos cereais, abriam covas para plantar oliveiras, limpavam linhas de água nas herdades e outros serviços que, empregavam muitos jornaleiros e que eram sempre os mais mal pagos, podendo receber apenas uma parte do seu salário, sendo descontado o valor da comida fornecida pelo lavrador, nesse caso, andavam a "de comer", estes trabalhadores eram temporários, trabalhavam ao dia e ganhavam a sua jorna diária, e podiam ser despedidos no fim da semana ou em qualquer dia desta, por ter terminado o trabalho ou por o lavrador ou o feitor não querer que ele continuasse a trabalhar, e se a chuva ou outro motivo o impedisse de trabalhar, não ganhavam nada.
Na Freguesia de Capelins, todas as pessoas que trabalhavam nas herdades, para os lavradores, eram chamados de "criados", embora, fossem ajudas de gado, escamel, cozinheiro, escrivão, ganadeiro, moiral de parelhas, carreiro, ganhão, feitor, jornaleiro ou outros.
Nos Registos Paroquiais de Santo António de Capelins, onde os Párocos Registavam os nascimentos, os casamentos e os óbitos desde 1633, pouco se encontra a profissão de criado e, quando surge, refere-se a criados de servir nos Montes das herdades, as profissões que mais encontramos são as de "jornaleiro" e de "ganadeiro", mas a profissão de "jornaleiro" já aparece referida nos Forais, pelo menos, nos Manuelinos do início da centúria de 1500.
Até ao último decénio de 1600 a Freguesia de Capelins tinha catorze herdades, além dos Baldios do Peral e do Roncanito, chamadas: Navais, Cabeça de Sina, estas duas ficavam fora da Vila de Ferreira, lá dentro eram: Defesa de Ferreira, Seixo, Monte da Vinha, Azinhal Redondo de Cima, Azinhal Redondo de Baixo, Defesa de Bobadela, Galvoeira, Zorra, Talaveira, Carrão, Roncão, e Amadoreira, depois do ano de 1698 passaram a ser o dobro, porque cada uma, foi repartida em pelo menos duas e em algumas courelas, excepto as herdades da Defesa de Ferreira e de Bobadela, que foram doadas à Casa do Infantado.
Estas herdades, entre todas, principalmente em épocas sazonais, como nas ceifas, precisavam de muitas centenas de trabalhadores, senão milhares, valendo aos lavradores a vinda dos ranchos dos "ratinhos beirões" que, geralmente recebiam um valor variável por empreitada, quando acabavam as empreitadas, fossem de ceifa ou de outro trabalho, voltavam às suas Aldeias na Beira.
Na Freguesia de Capelins, as herdades que admitiam mais trabalhadores, homens e mulheres, fossem jornaleiros ou outras categorias, eram o Monte Grande da Defesa de Ferreira, nesta, também recorriam aos ranchos de "ratinhos beirões" , o Monte da Travessa na Defesa de Bobadela, e o Roncanito, nestes dois casos, admitiam, mais mão de obra local.
Como foi referido, os lavradores, feitores ou escrivães, pagavam no fim da semana, em dinheiro, mas também podiam pagar uma parte dos salários em géneros, com cereais, farinha, azeite, porcos ou outros bens produzidos nas herdades.
Na centúria de 1600 o Reino de Portugal precisava de gente para trabalhar na agricultura, sobretudo no Alentejo, assim, foi para esta província que se dirigiram imensos "escravos" e vieram alguns para a Freguesia de Capelins, cuja exploração do seu trabalho ficava barata, uma vez que, depois dos comprarem já não pagavam nada pelo seu trabalho, fazendo baixar o valor das jornas, sendo uma situação muito má para os pobres escravos e para os pobres jornaleiros.
Os jornaleiros tinham uma vida muito árdua, trabalhavam muito, de dia e de noite, e não ganhavam quase nada, com a agravante de passarem temporadas sem trabalho, logo, sem rendimentos, alguns com muitos filhos para dar de comer, que chegavam a passar fome, porque os que gostavam de beber um copinho de vinho ou de aguardente ou que fumavam, quando recebiam o salário passavam pela taberna a pagar o que lá deviam e se havia algum descuido, quando chegavam a casa o dinheiro que entregavam às mulheres não chegava para pagar as dívidas na mercearia, assim, não passavam da cêpa torta.
Pelo seu contributo para o desenvolvimento da Freguesia de Capelins, pelo mal que passaram, prestamos esta singela homenagem aos jornaleiros, nossos ancestrais.
Bem Hajam

Fim

Texto: Correia Manuel
O meu avô Xico Alvanéu nascido no ano de 1902




terça-feira, 15 de julho de 2025

A lenda dos seareiros de Capelins

 A lenda dos seareiros de Capelins

Um seareiro era um pequeno agricultor que cultivava pequenas parcelas agrícolas, chamadas courelas, que podiam ser suas, ou de outros proprietários, aos quais, podiam pagar o foro, quando eram aforadas, era assim noutros tempos, e consistia no pagamento de uma renda anual, ou pagavam em géneros, entregando uma parte das colheitas aos donatários das terras, chamado terço, quarto ou quinto, conforme o acordo, e também dependia da qualidade das terras e dos cereais cultivados.
Ser seareiro, era o sonho de muitos moradores na Freguesia de Capelins, porque deixavam de trabalhar nas herdades por conta dos lavradores, trabalhavam por sua conta, mesmo que fosse de dia e noite, eram o patrão deles próprios e, embora fizessem uma agricultura de subsistência, havia quase sempre melhorias económicas no seu agregado familiar, podiam ter animais, como uma, ou duas cabras que lhe davam leite que vendiam ou faziam queijos, podiam ter mais galinhas, porque durante algum tempo davam-lhe de comer a "alimpadura" ou seja, os restos dos cereais que não podiam ser aproveitados para outros fins, ou os farelos que tiravam da farinha de trigo quando a peneiravam para fazer o pão caseiro, podiam engordar um porco, uma vez que, cultivavam além do trigo, outros cereais, como, aveia, cevada, centeio, favas, grão de bico, feijão frade, melão, melancia e outros, depois levavam alguns desses cereais aos Moinhos e mandavam fazer farinha, da qual faziam a "travia" para o porco, ou davam-lhe de comer esses cereais para o engordar e, assim podiam encher a salgadeira com carne e toucinho para todo o ano.
Alguns seareiros seguiam as pisadas de seus pais e avós, que os ajudavam a começar essa vida profissional, outros conseguiam juntar algum dinheiro, trabalhando como jornaleiros, para comprar o essencial, mas também eram ajudados por familiares, vizinhos e amigos, que lhes emprestavam algumas alfaias, quando não lhes estivessem a fazer falta.
Os seareiros, geralmente tinham algumas courelas suas, mas podiam não ter e cultivavam courelas alheias, da forma antes referida, mas tinham de ter uma, ou duas muares, os que tinham duas, chamava-se uma parelha, nesses casos, tinham algumas terras suas e já faziam parte de outro estatuto social, ficando entre o seareiro e o lavrador. Além da muar, ou muares, tinham de adquirir muitos apetrechos, desde cabrestos, cangas, burnis ou munilhas, arreatas, tirantes, guizos, tapetes, cordas, correntes de ferro, carros de tração animal, charruas ou arados, grades e outros acessórios, cuja aquisição custava muito dinheiro, ficando alguns seareiros endividados e com alguns bens penhorados logo no inicio da sua atividade.
Quando em 1262 a Família Riba de Vizela, concederam o Foral a Santa Maria de Terena, ficando seus donatários, foram delineadas várias Coutadas e Baldios no respetivo Concelho, entre os quais, o Baldio do Peral na região que mais tarde foi a Freguesia de Santo António de Capelins.
Todas as Coutadas e Baldios ficaram na posse da Câmara, que os dividia em courelas e distribuía, por sorteio, aos seareiros, os quais, pagavam por elas, uma pequena quantia à Câmara.
Neste conjunto de terras da Câmara, existiam outras courelas que foram aforadas, preços simbólicos, quase todas a militares, ordenanças, ou outros funcionários do Reino que, por sua vez, as aforavam aos seareiros, recebendo uma mais valia, essas courelas criadas em 1262, situavam-se entre a Aldeia de Faleiros e o canto da Igreja de Santo António, encabeçando com a herdade da Sina de um lado e com a herdade de Nabais até ao alto e depois com a Defesa de Ferreira pelo outro, até à primitiva herdade do Seixo, perto da guarita ou marco geodésico dos Barrinhos, junto à atual herdade doTerraço.
Assim, a partir de 1262, surgiram os seareiros no Concelho de Terena, logo, nas futuras terras de Capelins, onde estava situado o dito Baldio do Peral, constituído por quatro Baldios, Barreiros, Manantio, Vale de Martinez e Campo do Garcia, o qual, era administrado pelo povo, pagavam em conjunto uma quantia à Câmara de Terena e dividiam-no em courelas por grande número de seareiros, porém, o número de courelas aforadas, foi aumentando ao longo dos séculos, porque, com o objetivo de povoar as regiões transtaganas, alguns reis, incentivaram, ou obrigaram, os donatários dessas terras a fazer cada vez mais aforamentos a preços baixos, e foi assim que aumentaram o número de courelas, cujas terras, estavam antes integradas nas grandes herdades.
A partir dos finais da centúria de 1600, início de 1700, muitas das ditas courelas foram vendidas ou aforadas a particulares, aumentando cada vez mais o número de seareiros na Freguesia de Santo António de Capelins.
Quando foi criado o Concelho Senhorial ou Comunitário de Ferreira, talvez na centúria de 1400 ou de 1500, cuja Câmara era composta por Alcaide, Juiz, Vereadores, Escrivão, Procurador e Lavradores, foi delineada uma Coutada da Câmara, junto à atual Aldeia de Ferreira, onde, alguns seareiros cultivavam courelas e na qual, os moradores podiam, livremente pastar o gado de trabalho.
No ano de 1836, com o fim do Concelho de Terena e da respetiva Câmara, os seus Baldios foram vendidos e, nos finais da centúria de 1800, a herdade do Carrão foi dividida em courelas e, em duas pequenas propriedades, dando lugar a mais alguns seareiros nesta Freguesia.
A vida de seareiro era dura, nada fácil, porque, se chovia muito, era mau para as culturas, e nos anos sêcos, sem chuva, não colhiam quase nada e, algumas famílias de seareiros passavam por muitas dificuldades, podiam ficar endividados ou serem obrigados a vender as courelas para pagar as dívidas.
Pelo seu grande contributo para o desenvolvimento da Freguesia de Capelins, pelo que passaram, prestamos esta modesta homenagem aos seareiros, nossos ancestrais.

Bem Hajam

Fim

Texto: Correia Manuel



terça-feira, 8 de julho de 2025

A lenda dos "ratinhos" de Capelins

 A lenda dos "ratinhos" de Capelins

Os beirões que, em grupos vinham trabalhar nas herdades do Alentejo, eram designados pelos alentejanos de "ratinhos", por diversos motivos, pela aparência física e fisionomia de alguns, pelos numerosos elementos familiares, semelhantes a ninhadas de ratos e, principalmente de forma pejurativa, porque, os de cá achavam que eles vinham tirar-lhes o trabalho, a comer o que era deles e a fazer baixar o valor da mão de obra na região, sendo por vezes insultados e ameaçados de morte.
Em épocas sazonais, como o caso das ceifas dos cereais, para as quais, vinham imensos jornaleiros, homens e mulheres, como também, pessoas com diversas profissões nas suas Aldeias, desde sapateiros, alfaiates, carpinteiros, ferreiros, barbeiros, e outras, porque as ceifas do Alentejo proporcionavam-lhes melhores lucros do que os ofícios que lá exerciam.
Os "ratinhos" tinham uma vida muito árdua, geralmente, trabalhavam de empreitada sob um sol escaldante, procuravam fazer o trabalho mais rápido para ganhar mais, muitas vezes com sede e com fome, com pouco descanso, era muita pobreza.
Nas fainas em vários lugares do Alentejo, encontravam de tudo, e tanto os patrões, manajeiros ou residentes, poucos os apreciavam, notava-se muito desprezo, alguns lavradores não só exploravam o seu trabalho, como escolhiam mulheres ou raparigas para ficarem nos Montes a fazer a comida para o rancho e outros serviços, com a finalidade de abusarem delas.
Na Freguesia de Capelins, além de outras, existiam duas grandes herdades da Casa do Infantado, entre 1698 e 1834, a Defesa de Ferreira e a Defesa de Bobadela que, pela sua dimensão, a partir da centúria de 1700, recebiam os maiores ranchos de "ratinhos", dos quais, faziam parte o ti Manel Joaquim e a ti Maria Antónia, naturais de Póvoa Nova, Serra da Estrêla, já tinham dois filhos que ficavam lá com os avós maternos e, assim que a campanha da ceifa acabava, regressavam logo à sua Aldeia, embora fosse oferecido trabalho ao ti Manel Joaquim, no carrego dos cereais para as eiras, na debulha, e para fazer e tapar as almiaras de palha, e depois no arranjo das terras para as sementeiras, nas sementeiras, na azeitona, na limpeza do arvoredo, no alqueive, havia sempre trabalho, mas eles não podiam aceitar.
Quando chegavam à sua Aldeia, pagavam algumas dívidas e, como o trabalho lá, era escasso depressa gastavam o dinheiro ganho na ceifa, pelo que, esta situação levou-os a pensar em mudar-se, definitivamente para as terras de Capelins e, depois de bem pensado, no ano seguinte, trouxeram os filhos e como já conheciam algumas pessoas daqui, arrendaram uma pequena casa no Monte de Calados, onde já moravam outros ratinhos beirões, e cá ficaram.
Não era fácil conviver com as pessoas de cá, mas a maneira afável com a qual tentavam ganhar a amizade das gentes de Capelins, ia compondo a situação e, em cada ano eram mais os beirões que aqui se fixavam, alguns começavam por viver em cabanões, até conseguirem arranjar dinheiro para construírem as suas pequenas casas, mais acolhedoras que as cabanas e cabanões.
Quanto ao ti Manel Joaquim e à ti Maria Antónia, depressa ganharam a simpatia destas gentes, pela sua entrega ao trabalho sem nunca se queixarem, ele trabalhava de sol a sol na herdade da Zorra para o lavrador que tinha alguma consideração pelos seus criados e deu-lhe um pedaço de terra para uma horta, junto ao Ribeiro do Carrão, apenas com a condição de entregar uma pequena parte das colheitas para consumo no Monte da Zorra.
O ti Manel ficou muito agradecido e deitou logo mãos à obra, passando grande parte do inícios da noite, enquanto se via, ou ao luar a cavar a terra, muitas vezes com a ajuda da ti Maria Antónia e dos filhos mais velhos, fazendo uma horta nunca vista por estas bandas, embora, nos anos de grande seca, tivessem de ir buscar água aos pégos que não secavam no rio Guadiana, mas a sua horta produzia batatas, feijões, couves, alfaces, espinafres, cebolas, alhos, tomate e outros legumes, que davam para as sopas do dia a dia, com um pedacinho de toucinho que compravam, porque não tinham dinheiro para criar um porco, só tinham duas galinhas e um galo.
A vida do ti Manel foi melhorando e comprou uma courela de terra muito ruim, mas com a sua dedicação transformou o terreno de mato, numa terra fértil, que os moradores não se cansavam em elogiar, pois consideravam-na um baldio sem qualquer serventia.
O ti Manel continuou a trabalhar de noite e dia e, pouco depois, comprou outra courela junto à que já tinha e meteu-se seareiro, semeava trigo, cevada e centeio, não só nas suas courelas mas noutras que os donos das herdades lhe davam ao terço ou quarto, ou seja, em três partes era uma para o dono da terra e duas para ele e, começou a engordar um porco e a encher a salgadeira de carne e toucinho para um ano e a fazerem cozeduras de pão, mas durante a faina das ceifas, além de ceifar os seus cereais com a mulher e os filhos, continuou a fazer a ceifa na herdade da Zorra, para conseguirem algum dinheiro para as despesas da casa e, alguns filhos, começaram a ser ajudas de gado nas herdades de Capelins.
Os anos foram passando, o ti Manel e a ti Maria iam ficando cada vez mais velhos, os filhos cresceram, eram oito, seis capelinenses e dois beirões, mas todos se consideravam alentejanos de Capelins, como se todos aqui tivessem nascido, foram batizados, e casaram na Igreja de Santo António de Capelins, esquecendo as suas origens beirãs, porque, para eles, ser beirão ou alentejano era igual.
O ti Manel e a ti Maria, acabaram aqui os seus dias, junto aos filhos e netos e quando faleceram, foram sepultados na Igreja de Santo António de Capelins, deixando para trás uma longa e dura caminhada, uma grande história de vida, contribuindo, um pouco, para o desenvolvimento económico e social da Freguesia de Capelins.
Todos os anos, até aos decénios de 1950/60, vinham os “ratinhos” para as ceifas em Capelins, e já de cá, ainda conhecemos o ti rato, a ti rata, a ti ratinha e outros ratos que, sendo uma alcunha, não se importavam de assim serem chamados, porque sabiam que eram descendentes dos "ratinhos" beirões.
Assim, prestamos esta singela homenagem aos "ratinhos" beirões, nossos ancestrais.
Bem Hajam
Fim
Texto: Correia Manuel

Fotografia de Capeia Arraiana



terça-feira, 13 de maio de 2025

Resumo Histórico do Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova, de Terena

Resumo Histórico do Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova, de Terena 

O Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova na Vila de Terena, é o Santuário Mariano mais antigo a sul do Tejo, sendo cenário de um culto com mais de sete séculos de história, dando seguimento a Santa Maria de Terena, de 1262.

Este edifício, é um importante e singular testemunho da arquitetura medieval portuguesa, construído no decénio de 1340, classificado Monumento Nacional por Decreto de 26 de Junho de 1910.

Os registos mais antigos que fazem referência à Igreja de Santa Maria de Terena são as Cantigas de Santa Maria, da autoria do Rei Afonso X de Castela (1221-1284), avô do Rei D. Dinis, que fez várias composições poéticas dedicados a Santa Maria de Terena. Crê-se que a primeira Igreja foi edificada cerca de 1262 por D. Gil Martins e sua mulher Dona Maria Anes da Maia, os primeiros donatários de Santa Maria de Terena,  como resultado da cristianização de antigos cultos pagãos, ligados ao Deus Endovélico, cujo lugar de culto era mais acima, neste mesmo vale Sagrado da Ribeira de Lucefécit. 

A tradição popular atribui a edificação do atual edifício à Rainha D. Maria de Castela, Infanta de Portugal, filha do nosso rei D. Afonso IV, o Bravo, a quem Camões chama nos Lusíadas a "Fermosíssima Maria". Segundo a história, a dita Rainha deslocou-se ao Reino de Portugal a pedir auxílio ao seu pai, para ajudar o seu marido na luta contra os Mouros, que invadiam o Reino de Castela com grande força militar, desembarcando na região de Cádiz, mas o rei português, começou por negar auxílio ao genro, depois, talvez com receio que aquela invasão dos mouros pudesse chegar ao seu Reino, acedeu ao pedido da filha e, como o rei estava na cidade de Évora enviou emissários atrás dela a confirmar o auxílio, sendo a Rainha alcançada junto à Vila de Terena, na atual "Boa Nova" e, depois, também devido ao sucesso alcançado na batalha que se seguiu nas margens do Rio Salado ou Salgado, onde os mouros foram vencidos para sempre, com base nesse sucesso, parece que, surgiu  a invocação à Senhora da Boa Nova, embora, já nos finais da centúria de 1600, ou início de 1700, tendo passado por Santa Maria de Terena de 1262 até 1408, Nossa Senhora de Terena até finais de 1500, depois, Nossa Senhora dos Prazeres e, por fim, naquela data, Nosssa Senhora da Boa Nova.

O Templo foi erguido no vale da Ribeira do Lucefécit, a cerca de um km da vila de Terena, para além de ser um raríssimo exemplar de igreja-fortaleza, mantém, praticamente intactos, tanto no exterior como no interior, os elementos originais da sua construção, a sua forte cantaria aparelhada, o coroamento de ameias e os característicos balcões mata-cães, símbolos da sua arquitetura mista religiosa e militar. Ostenta nos balcões da fachada principal e da fachada Norte as armas reais portuguesas, esculpidas em mármore, mas com algumas alterações, não tem encimada a coroa do reino, porque, Dona Maria, nunca foi rainha em Portugal, apenas Infanta, daí a alteração verificada.

O interior é em planta de cruz grega e fortes abobadas ogivais. Os alçados das naves encontram-se revestidos de pinturas murais, do início do século XX, da autoria do pintor Silva Rato, representando Santos da devoção popular. Possui dois altares colaterais de talha dourada, em estilo barroco, dedicados a São Brás e Santa Catarina Mártir. Artisticamente destaca-se a capela-mor, cuja abobada se encontra revestida de pinturas a fresco setecentistas, representados cenas do Apocalipse de S. João e os Reis Portugueses da primeira dinastia, numa rara composição iconográfica. O retábulo, de singular riqueza, ostenta tábuas representativas da vida da Virgem e de Cristo (Anunciação, Presépio, Pentecostes, Ressurreição e Assunção da Virgem), da autoria do pintor régio Francisco de Campos (Séc. XVI). Ao centro venera-se a imagem de Nossa Senhora de Boa Nova, escultura de vestir do séc. XVIII, com o Menino ao colo, ostentando coroas de prata e vestes ricas oferecidas pelos fiéis. O título Senhora da Boa Nova exprime a felicidade de Maria pela Ressurreição de Jesus, tanto que a festa principal em sua honra se realiza anualmente no domingo e segunda-feira da oitava da Páscoa, estando assim intimamente ligada às festas pascais. A esta romaria, que é a mais antiga do Alentejo, acorre grande número de devotos vindos dos mais variados pontos do país.

Guarda-se no Santuário vasta coleção de ex-votos oferecidos ao longo dos séculos, destacando-se os quadros pintados em madeira e folha de flandres, conjunto de fotografias do período da guerra do Ultramar, assim como, várias peças de ourivesaria, objetos em cera e outros, que atestam a profunda e antiga devoção a Santa Maria de Terena, a mesma, Senhora da Boa Nova, ou seja, Nossa Senhora, mãe de Jusus.

A coroa de ouro que a imagem apresenta, nos dias da festa, oferecida pelo povo, foi benzida e colocada pelo Arcebispo de Évora, D. Manuel da Conceição Santos, em 1952.

Nossa senhora da Boa Nova em, Vila de Terena. 

De: Consulta a vários documentos, entre eles, da Arquidiocese de Évora.

Abril de 2025

Correia Manuel 

Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova




domingo, 11 de maio de 2025

A lenda da origem do hidrónimo da Ribeira do Azevel

 A lenda da origem do hidrónimo da Ribeira do Azevel

O hidrónimo da Ribeira do Azevel parece ter origem no nome de um célebre caudilho almorávida cordovês que, andou em campanhas militares pelo Alentejo e, neste caso, pelas terras de Évora, de Monsaraz e de Terena (Capelins), na centúria de 1100.
Este nome, Azevel, já consta nos Forais da Vila de Terena de 1262 e de Monsaraz de 1276, sendo o afluente com este hidrónimo e uma Atalaia ou torre de sinais, a marcação dos limites, em termos geográficos e administrativos destes dois Termos (Concelhos).
Até evoluir para Azevel, em termos filológicos, o seu nome sofreu várias alterações, o arabistas espanhol Francisco Cordera, a quem se deve a identificação deste caudilho cordovês, refere-se a Azubel, [Francisco Cordera - decadência y desaparecion de los almorávidas em España, pág. 27 e 28, Saragoça 1899, do mesmo - Estúdios críticos de história árabe española (segunda série), pág. 136, Madrid 1917]. Sánches Balda, por seu lado, na edição da Chrónica Adefonsi Imperatoris publicada em Espanha pelo Conselho Superior de Investigações Científicas, menciona-o, em nota de rodapé pelas designações de Azuer, Asuel e, finalmente Azuvel, (Luis Sánchez Belda - Chrónica Aldefonso Imperatoris, pág. 143, Madrid 1950).
Sánchez Albornoz e o seu discipulo Luís de Valdeavellano intitulam-no, respetivaemte rei Al-Zuil de Córdova e Al Zubayr, tomo II, pág. 198 - 199, Buenos Aires, 1946, Luís de Vadeavellano - História de España, tomo I, segunda parte, pág. 143, Madrid 1955).
Também Ibne Caldune, o maior historiador islâmico de todos os tempos, sob o nome de Ez-Zabeir-Ibne-Omar, a ele se refere na sua monumental - História dos Berberes e, em termos de tão religiosa exaltação que não duvidam em considerá-lo como "chefe" almorávida de alta categoria, (Ibne Khaldoun - História dos Berberes - pág. 83, Paris, 1927).
A existência do topónimo e do hidrónimo do Azovel nas terras de Terena (Capelins) e de Monsaraz, mostra com evidência que o famoso emir cordovês não foi só um prestigiado chefe almorávida na Espanha, também foi um caudilho muçulmano bem conhecido em Portugal, devido às suas sangrentas incursões nas terras portuguesas do Alentejo, logo, da nossa região, só assim se entende a existência nas terras de Terena (Capelins) e de Monsaraz do hidrónimo do referido curso de água e da Atalaia ou torre de sinais do Azovel no lugar da cota topográfica de maior altitude desta região.
O caudilho mouro chegou a ter sob o seu comando um exército com 1.000 cavalos e, durante muitos anos, segundo escreve Francisco Cordera, a competência de manter no Andaluz a honra das armas muçulmanas, contra a cristandade.
Azovel, morreu descabeçado no ano de 1143, às mãos do castelhano Múnio (Nuno) Afonso, Alcaide de Toledo, num recontro entre os cristãos e os mouros junto à Mata de Montiel, perto da atual Cidade Real.
A projeção dos seus feitos militares era tão grande no ocidente peninsular que, logo em Agosto de 1143, no mesmo ano da sua morte, para enxugar as lágrimas da inconsolável viúva e a ampararem a carpir a perda brutal do marido, levaram-lhe a cabeça do Alcaide de Toledo Múnio Afonso, que foi morto numa refrega com os mouros, onde os castelhanos eram comandados pelo Alcaide de Calatrava, Fárax, a sua cabeça foi decepada e enviada para Córdova como glorioso troféu de guerra e com macabra honra militar prestada à viúva do caudilho.
Por incrível que pareça, o valoroso guerreiro mouro Azovel, ainda hoje é homenageado nas terras de Capelins, Santiago Maior e de Monsaraz.
De: Consulta de diversos documentos e do trabalho: "Valor da prospeção toponímica no levantamento histórico de uma região portuguesa do Guadiana incluida no reino mouro de Badajoz" por José Pires Gonçalves.

Ribeira de Azevel, albufeira de Alqueva - Ponte da Machôa


quarta-feira, 7 de maio de 2025

A lenda da origem do hidrónimo da Ribeira de Lucefece ou Lucefécit

 A lenda da origem do hidrónimo da Ribeira de Lucefece ou Lucefécit

A maioria dos afluentes do alto Guadiana, embora alterados pelas formas modernas corrompidas, apresentam hidrónimos associados aos nomes de califas, caudilhos cordoveses ou de reis do reino mouro de Badajoz.
No caso da Ribeira de Lucefece ou Lucefécit, que nasce numas Fontes e regatos de escorrentes da Serra D'Ossa na herdade da Carneira, em sentido paralelo à Aldeia de Rio de Moinhos e a dita serra, correndo por terras de Bencatel, Alandroal, Redondo, Terena e Capelins, até meter-se no rio Guadiana, hoje, Albufeira de Alqueva.
É muito estranho que este importante curso de água tenha escapado aos mouros em termos de o associarem ao nome de um dos seus califas, ou caudilhos, à semelhança de quase todos os outros da região, por isso, pensamos que, algum mistério deve existir com o hidrónimo desta Ribeira.
O hidrónimo, Lucefeci, Lucefece ou Lucefécit, o mesmo, já foi estudado em termos filológicos, mas não conhecemos resultados de estudos em termos históricos.
Lucefécit, aparece também nas variantes Lucifece, Lucefece, lucefeci e Luçafece. José Pedro Machado, no seu Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, estuda o termo e cita um antigo Udialuicivez, onde se vê o árabe udi "rio" que deu o "od" de alguns rios portugueses. Acha ainda que o antigo nome pré-celta talvez fosse vez. Quanto ao aparecimento do "l" parece ser o artigo árabe "al", reduzido. Assim, continuamos com dúvidas sobre a origem do dito hidrónimo.
Verificarmos que, os califas e caudilhos mouros mais importantes do Al-Andalus, principalmente os do reino mouro de Badajoz, deixaram os seus nomes associados a lugares, ribeiros, ribeiras e rios da nossa região, como Almançor, Azovel, Álamo, Alcarrache, Ardila, Basso, Auanco e outros, porém, não encontramos o nome de um dos Califas Almoáda mais importantes, governador de Sevilha, chamado Abu Iacub Iúçufe que, parece morreu em Portugal, depois de ser ferido em Santarém.
O cerco de Santarém foi um dos episódios da reconquista, durando o mês de Junho e Julho de 1184. Na primavera de 1184, Abu Iacube Iúçufe I reuniu um exército, atravessou o Estreito de Gibraltar e marchou até Sevilha. Daqui seguiu com as suas forças até Badajoz e prosseguiu para ocidente para fazer um cerco a Santarém, defendida pelo nosso rei D. Afonso Henriques. Porém, o rei Fernando II de Leão, marchou para Santarém com o seu exército em auxilio do seu sogro, os mouros foram vencidos, o dito Califa foi ferido com uma flecha e morreu no dia 29 de Julho de 1184, embora, também seja indicado que morreu já em Algeciras, o seu filho e de uma linda escrava de Silves, Abu Iacub Almançor que lhe sucedeu como califa, deixou o seu nome associado ao Rio Almansor que nasce perto de Arraiolos e desagua no rio Sorraia, logo, o se pai, também tinha de deixar por aqui o seu nome.
Assim, com base em alguns velhos documentos, parece-nos que, seria a Ribeira de Lucefécit o curso de água que lhe ganhou o nome, o qual, sofreu aglutinação, e depois, na forma moderna talvez fosse corrompida e passou a Luçafece ou Lucefece, porque, ao longo da história, encontramos, em documentos oficiais, várias formas dessa palavra, até ficar Lucefécit, já no século XIX ou XX, porque, ao longo da centúria de 1700, ainda encontramos Lucefece, Lucefeci ou Luçafece.
Não há dúvida que, no início da cristianização destas terras, este hidrónimo passou pelo termo popular "Lucifer", conforme podemos verificar nas cantigas a Santa Maria de Terena, do Rei de Castela, Afonso X o Sábio, que não sendo claro, dá a entender que lhe chamavam aquele nome, que não se podia dizer, porém, foi contornado para Lucefece.
Neste caso, nada podemos afirmar, mas por analogia com outros casos registados nas crónicas de então, como as de Ibne Sáhibe Açalá, parece-nos que, Lucefece ou Lucefécit, provém do Califa Abu Iacub Iúçufe.
De: Consulta a vários documentos sobre a Ribeira de Lucefécit
Maio de 2025
Correia Manuel


Porta de entrada da Ribeira de Lucefécit na Freguesia de Capelins



domingo, 4 de maio de 2025

A lenda do mouro Abadel, Senhor das terras de Capelins

 A lenda do mouro Abadel, Senhor das terras de Capelins 

O Reino de Badajoz foi um reino mouro ou Taifa, localizado no que hoje é a região da Estremadura, na Espanha, com Badajoz como sua principal cidade, e incluía uma parte que é hoje Portugal, desde o rio Douro até, praticamente todo o Alentejo, pelo menos até Beja, assim como, as cidades de Lisboa e de Santarém. 

Este reino era parte do Al-Andalus e existiu após a fragmentação do Califado de Córdoba, no final do século X, início do século XI, ou seja, entre 1009 e 1151, com um interregno entre 1094 e 1144, quando da invasão dos Almorávidas da Mauritânia.

Foram vários os caudilhos conhecidos que se destacaram ao serviço deste reino, entre eles, Azovel e Abadel que, conforme ficou registado por alguns cronistas mouros de então, percorreram o dito reino e as atuais  terras de Capelins, onde deixaram os seus nomes ligados a lugares, rios e ribeiras, neste caso, escrevemos sobre Abadel que deixou o seu nome ligado a uma grande herdade ou defesa situada no Vale do rio Guadiana junto à sua margem direita, um pouco a Norte do sinuoso curso do Azovel e, encarando o pueblo espanhol de Cheles, a qual, mais tarde, em 1262, integrou o Termo (Concelho) cristão de Santa Maria de Terena, hoje designada herdade da Defesa de Bobadela, mas, ainda encontramos alguns registos como Defesa do Abadel, tal como a designação do Monte mouro, da dita herdade, na atual Freguesia de Capelins. 

Sabe-se, pelas crónicas da época, que de facto o mouro a quem o rei D. Fernando II de Leão,  entregou o governo de Badajoz, logo a seguir à derrota do seu sogro D. Afonso Henriques e do Geraldo Sem Pavor, devido à aliança feita por aquele rei com os mouros, chamava-se Aben Habel  (conf. Júlo González - Registo de Fernando II, pág. 87, Madrid 1943). Este nome, Aben Habel, por aglutinação, deve ter conduzido a Ababel e depois, na forma moderna foi corrompida Abadel.

A região geográfica antes descrita, onde está registada esta forma toponímica de Abadel, encontra-se incluída numa zona que a carta geográfica de Portugal de 1875 escala 1x100.000 designa por Algarve Sêco. Este espaço geográfico, do Algarve Sêco, no século XII, na época do reino mouro de Badajoz, estava incluído no Termo (Concelho) de Juromenha ou seja, Jelmanah e, devia ser o centro estratégico das correrias de Geraldo Sem Pavor, a que alude Ibne Sáhibe Açalá num dos passos da sua crónica quando se refere à tática dos assaltos noturnos em que o fronteiro de Évora era tão costumado especialista "perfídeo que o rude galego utilizava (Allah o amoldiçoe) nas fortalezas e cidades que conquistava, (conf. texto de comunicação de Martim Velho um texto da crónica de Ibne Sáhibe Açalá respeitantes a D. Afonso Henriques e a Geraldo Sem Pavor e ao território português).

O dito Algarve Sêco situava-se na atual Freguesia de Capelins e de São Pedro de Terena, no tempo dos mouros era Termo (Concelho) de Juromenha, ou seja, Jelmanah, vizinha de Badajoz, Évora e Monsaraz, tudo leva a crer que tivesse sido a zona das famosas aventuras militares de Geraldo Sem Pavor ao longo do Vale do rio Guadiana, a que se refere Ibne Sáhibe Açalá.

Quando do desastre em Badajoz, de D. Afonso Henriques, no dia 03 de Maio de 1169, já o reino mouro de Badajoz estava desintegrado, uma vez que, os reis cristãos já tinham conquistado a maior parte do seu território, mas a cidade de Badajoz ainda resistia, até esse dia, porém era cobiçada por todos os reinos da cristãos da Península Ibérica, então, o rei de Leão e da Galiza Fernando II, genro de D. Afonso Henriques fez uma aliança com o rei mouro, que consistia em este o ajudar a derrotar o seu sogro e ele entregava-lhe a cidade e, foi assim que D. Afonso Henriques, não só foi derrotado em Badajoz como ao fugir do castelo caiu do cavalo ao bater com a perna direita no ferrolho da porta, partindo o fémur, sendo aprisionado pelo genro, e foi o seu fim militar.

Quanto a Geraldo Sem Pavor, rendeu-se e, para não ser decapitado, como parece que ele fazia aos mouros que dominava, aceitou ir para Marrocos com 150 dos seus homens, também aqui aprisionados, para, sendo necessário, pelejarem ao lado dos mouros, mais tarde, caiu numa cilada em Badajoz onde foi decapitado e, como sabemos, o reino de Portugal perdeu todas as praças antes conquistadas nesta região do Guadiana e, depois só algumas voltaram ao domínio de Portugal, cerca de 1230/1240.

O rei de Leão Fernando II, conforme a aliança, entregou a cidade de Badajoz aos mouros, porque, seria uma questão de tempo para voltar a si, ficando a ser governada por Aben Habel, o mesmo que Abadel, Senhor mouro das terras de Capelins, onde tinha um castelo, na herdade do Abadel, na margem direita do rio Guadiana. 

Fim

Texto: Correia Manuel

De: Consulta de diversos documentos e do trabalho: "Valor da prospeção toponímica no levantamento histórico de uma região portuguesa do Guadiana incluida no reino mouro de Badajoz" por José Pires Gonçalves.


"Esboço da carta toponímica da Reconquista no Termo (Concelho) de Monsaraz. Os desenhos a pena são de Domóstenes Espanca. O desenho geográfico é de Manuel Guimarães. A fotografia é de David de Freitas. Redução de gravura em escala de 1/100.000." 






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