domingo, 2 de julho de 2017

O Contrabando nas terras de Capelins, um passado esquecido

O Contrabando nas terras de Capelins, um passado esquecido 
Documentos antigos confirmam a existência secular do contrabando nas terras de Capelins, desde a formação da fronteira entre Portugal e Espanha e, na Idade Média era principalmente de gado e cereais. O contrabando, neste caso, caracterizava-se pela passagem clandestina de bens e mercadorias, entre Portugal e Espanha, para evitar o pagamento de taxas alfandegárias e foi entre 1935 e 1976, que o contrabando irrompeu aqui em larga escala.
A pobreza e o desemprego que afligiam portugueses e espanhóis foram decisivos para o envolvimento de muitas pessoas, principalmente desfavorecidos, no contrabando. Foi a miséria nestas terras de Capelins e a Guerra Civil espanhola que despoletaram um intenso vaivém dos dois lados da fronteira, em busca da sobrevivência. De cá para lá o que mais levavam era café camelo e por consequência da guerra, algumas outras mercadorias eram levadas para Espanha, enquanto a bombazina e mais tarde botas para homem eram trazidas para Portugal. Indivíduos de todas as idades contrabandeavam para sobreviverem.
A Guarda Fiscal e os carabineiros tinham por missão contrariar esta atividade, procedendo a perseguições, prisões e até a mortes, (em espanha). Ao longo da fronteira existiam postos da Guarda Fiscal em lugares altos e, toda a área nas proximidades do rio Guadiana era vigiada de noite e dia. Na Freguesia de Capelins existiam dois postos, sendo um em Montes Juntos, do qual os guardas saiam e vigiavam o espaço geográfico entre a foz da Ribeira do Lucefécit até cerca da Moinhola (Defesa de Bobadela) e outro no Azinhal Redondo de Baixo (Roncanito), denominado Miguéns, de onde vigiavam a restante linha de fronteira nesta Freguesia, da Moinhola ao Moinho do Gato, na foz da Ribeira do Azevel. Assim, e porque existiam contrabandistas, tinha de existir a Guarda Fiscal, logo sem o transporte ilegal de bens teriam a profissão ameaçada, ou seja, os guardas só existiam, porque existiam contrabandistas!
Fazer contrabando significava correr grandes riscos. O afogamento, na travessia do rio Guadiana, durante o transporte noturno em noites e madrugadas invernosas de chuva e frio, o risco de ser preso e havia os tiros, por vezes certeiros. 
Os riscos corridos eram o preço do desespero, mas também da audácia. A audácia, a ousadia, foram fundamentais no contrabando. Muitos homens arriscaram-se sozinhos, a maioria organizou-se em grupos. A organização do contrabando passava por entendimentos de segredo e solidariedade que contribuíam para desenvolver localmente comércios e estatutos sociais. 
Os principais aliados dos contrabandistas eram os moleiros, dos Moinhos do rio Guadiana, os quais, além de colaborarem em termos logísticos, com informações sobre o paradeiro da Guarda Fiscal, também eram eles que passavam os contrabandistas e as mercadorias, nos seus pequenos barcos, entre uma e a outra margem do rio.
O contrabando marca o património e a memória do povo das terras de Capelins e das localidades vizinhas de além Guadiana, como Cheles, Alconchel, São Benito, São Jorge de Alor, Almendra, Almendralejo, Olivença, Barcarota e outras! 
Muitos são os relatos e testemunhos de quem praticou o contrabando, muitas histórias do contrabando, algumas, ainda hoje contadas por contrabandistas das terras de Capelins!

Moinho no rio Guadiana, em Capelins 



sexta-feira, 23 de junho de 2017

Aldeia de Faleiros - Capelins

Faleiros a árvore seca sugere um destino

RITA RANHOLA 13/06/2010 - 00:00
Há quem aqui sempre tenha vivido, mas também há os que vieram ou regressaram para contrariar a "luta desigual" com o Estado, que quer acabar com as aldeias
Uma imponente árvore, apesar de já seca, ergue-se à entrada da pequena aldeia de Faleiros, "perdida" no interior alentejano, onde cerca de uma dúzia de pessoas ainda "teima" em viver, incluindo um casal luso-inglês que ali criou "raízes".
"Num raio de 35 quilómetros, tenho bancos, hospital, lojas, supermercado, advogados. Tudo o que preciso para viver está aqui, no Alentejo", diz Peter Bernthal, de 62 anos. Alto e esguio, como a árvore, e de barbas brancas, o inglês e a mulher, a portuguesa Fernanda, dois anos mais nova, são dos poucos moradores desta aldeia da freguesia de Capelins (Santo António), no concelho de Alandroal. O casal recuperou uma casa comprada em 2002 e até tem um turismo rural que recebe visitantes dos vários "confins" do mundo, mas não atrai nacionais: "Os únicos portugueses que cá vêm são amigos nossos".
"Uma vez, telefonou um português e a primeira coisa que perguntou foi se havia televisão no quarto. E outro queria saber se tínhamos televisão por cabo. Eu disse que não", relata Fernanda, que viveu em Angola e, no Alentejo, reencontrou a "imensidão" dessa sua outra pátria africana.
Os primeiros turistas foram americanos, "à procura de cultura e monumentos", mas já por ali passaram belgas, ingleses, holandeses e até "uma rapariga da Coreia do Sul".
Preferindo expressar-se na língua do país que o acolheu, depois de partir "sem destino" de Rochester, no Sul de Inglaterra, há mais de uma década, Peter gostava de ver um maior apoio ao turismo no Alandroal.
"A última fábrica que abriu no Alandroal foi há 24 anos... O turismo é muito importante e podia dar trabalho à gente nova", defende o inglês, apaixonado pela sua casa alentejana, com "tectos brancos com barrotes pretos de madeira" e "uma chaminé para nos sentarmos lá dentro", que lhe evocam as "casas dos ricos" da sua região natal.
Mas é com tristeza que Peter Bernthal diz assistir ao abandono do interior português: "Vai tudo para Lisboa, Porto, Coimbra e Algarve. Até parece obrigatório, mas as pessoas, aí, não têm condições de vida".
Do lote dos muitos alentejanos que tentaram a sua sorte nos arredores de Lisboa, fizeram parte António João Almas Veva, de 61 anos, natural da sede de freguesia, Montejuntos, e a sua mulher, Isabel do Carmo, de 56 anos, "nascida e criada" em Faleiros.
Acabaram por regressar à aldeia de Isabel nos anos de 1980, desiludidos com o fecho da fábrica onde trabalhava António João, que é agora vendedor ambulante de fruta no concelho.
"Antes, isto estava tudo habitado. Agora, não devemos ser mais de uma dúzia", diz Isabel do Carmo, enquanto olha, atenta à oferta, para o interior da carrinha da vendedora ambulante de peixe que acaba de chegar à aldeia, como é hábito todas as semanas.
Do outro lado da estrada que "corta" a aldeia em duas partes, está a escola primária de que foi aluna, na altura acompanhada por "mais uns 17 ou 18 gaiatos". Há "mais de 20 anos" que foi desactivada e, numa terra onde as crianças são raras, é a actual sede de uma associação de caça e pesca. "Para vizinhos ruins, mais vale estar só", brinca Isabel, sem pensar em deixar a sua casa, enquanto António João traça o destino: "Nem que sejamos os últimos, ficamos cá até morrer".
O jovem Arlindo Dias, de 33 anos, está no primeiro mandato como presidente da junta de freguesia, eleito pelo movimento independente que "conquistou" o município de Alandroal, e quer contrariar a "estagnação" a que a sua terra foi votada. Mas, com um orçamento anual reduzido, o presidente sabe que é "muito difícil" atrair moradores, apostando antes em "pequenas melhorias" benéficas para os que restam.
"Tenho o cuidado de ir de monte em monte perguntar às pessoas quais as suas necessidades e, aqui, vi que a entrada da aldeia, com pasto seco, está desaproveitada. Se plantarmos uma ou duas árvores e pusermos flores e um banco de jardim, este espaço fica mais simpático", sugere.
No interior do país, sobretudo quando se fecham escolas e outros serviços públicos, critica o autarca, trava-se uma "luta desigual contra o Estado", que "quer acabar com as aldeias e concentrar as pessoas todas nas grandes cidades".
"O interior está esquecido, mas, para o país ser de excelência, não podemos deixar morrer estes lugares e aldeias. É como uma árvore, que nasce por ter raízes. Até pode estar muito bonita, mas são as raízes que a alimentam e, se estas secam, mais tarde ou mais cedo a árvore morre", sentencia.

Agência Lusa 



sábado, 17 de junho de 2017

Travessia pedestre da Freguesia de Capelins 2011


Primeira Travessia Pedestre, na Diagonal, em Passeio, da Freguesia de Capelins - De Santa Clara - Azenhas D' El - Rei, em 14 de Maio de 2017 
No dia 14 de Maio de 2017, conforme planeado, pelas 09:15 horas, demos início à primeira travessia pedestre, na diagonal, em passeio, da Freguesia de Capelins, com saída do cruzamento da estrada de Reguengos para Cabeça de Carneiro e Monsaraz, este lugar, noutros tempos, era designado por "curva", a partir daqui existia um caminho milenar, que permitia chegar de/a Ferreira de Capelins, passando a norte do Monte da Sina ou pela Igreja de Santo António e chegar mais rapidamente a Santiago Maior, Montoito, Reguengos e outras localidades, com as carroças, charretes, cavalos, burros ou a pé, mas parte desse caminho já desapareceu, assim, seguimos cerca de trezentos metros pela estrada para Cabeça de Carneiro e passámos junto ao lugar onde se juntam as três Freguesias: Capelins Santo António, Santiago Maior e São Pedro (Terena), logo a seguir, à esquerda surgiu uma porteira na cerca de arame farpado e outro, que nos permitiu seguir por um caminho milenar, pela propriedade designada por Fontanas e que intercetava o descrito anteriormente, junto à herdade da Sina. Através deste caminho, já com poucos troços visíveis demos entrada na Freguesia de Capelins e seguimos, observando tudo o que a vista alcançava, ao perto e ao longe, em direção à histórica Serra da Sina, antiga montaria do reino, desde D. João I, onde chegámos e atravessámos em menos de uma hora, ainda avistámos a Igreja de Santo António, mas seguimos pela herdade das Areias, pensando seguir em linha quase reta para Montejuntos, mas ao chegarmos aqui, deparamos com uma manada de vacas a pastar, onde existiam algumas de braveza duvidosa, senão bravas, que nos obrigaram a mudar o rumo para a esquerda e entrar na herdade do Terraço, foi uma volta mais longa, que nos atrasou pelo menos meia hora, até à herdade do Seixo e, daqui passamos para o Baldio, até à estrada de Cabeça de Carneiro - Montejuntos, que atravessamos cerca das 12:00 horas. Seguimos pela estrada pavimentada para as Azenhas D' El-Rei, mas após passarmos o Monte da Amadoreira Velha, virámos à direita na horta da Amadoreira (do Pisco), pelo antigo caminho do Bolas, onde chegamos cerca das 13:00 horas, dali subimos até à praia da liberdade, no entanto, fomos obrigados a saltar três cercas de arame, porque desapareceram os antigos caminhos, depois fomos o mais próximo que nos permitiram do nosso objetivo, ou seja, as Azenhas D' El-Rei onde, pelas 13:30 horas, finalizamos o nosso agreste passeio! 

Logo aqui, começa a Freguesia de Capelins Santo António



segunda-feira, 5 de junho de 2017

Casamentos em Nossa Senhora das Neves - 1891


Os casamentos em 1891 na Ermida de Nossa Senhora das Neves em Capelins 

Em 1891 realizaram-se 10 casamentos na Ermida de Nossa Senhora das Neves, que foi elevada a igreja Paroquial para esse efeito. O primeiro casamento entre Joaquim Ramalho e Mariana de Jesus, foi em Agosto de 1891, casados pelo iniciado Pároco João Manuel Queimado, que assina como Pároco Encomendado, vindo substituir o Pároco João Simões Mathias, que só o encontramos nos assentos Paroquiais até Maio de 1891, sendo substituído por 1/2 meses, pelo Pároco Encomendado de São Thiago Maior António Augusto. O Pároco Queimado, já consta num assento de óbito no dia 21 de Julho de 1891. Ainda em Agosto de 1891, o Pároco João Manuel Queimado, tornou-se Pároco efetivo da Paróquia de Santo António de Capelins e foi este Pároco que realizou os 10 casamentos na Ermida de Nossa Senhora das Neves, porém, nunca deixou de fazer as cerimónias religiosas como, batismos e óbitos na Igreja de Santo António. O último casamento realizado na Ermida de Nossa Senhora das Neves foi o de Joaquim Batista com Maria Rosário em Novembro de 1891. 
O nosso dilema é saber porque motivo os casamentos entre Agosto e Novembro de 1891 foram realizados na Ermida de Nossa Senhora das Neves, continuando as cerimónias religiosas referentes aos batismos e óbitos a ser efetuadas na Igreja de Santo António de Capelins. 
Não conseguimos encontrar outra justificação a não ser a da realização de grandes obras na Igreja de Santo António, mas em todas as fontes que pesquisamos não encontramos comprovativos específicos, a não ser o seguinte, que consta no Inventário Artístico de Portugal do Distrito de Évora de Túlio Espanca de 1978 que na descrição sobre a Igreja Paroquial de Santo António de Capelins, escreve:
"Do primitivo edifício, em traça de fins do século XVI - alvores do imediato, apenas subsiste o presbitério cupular, algumas empenas laterais de cornijas polilobadas, em grossa alvenaria rebocada, e o portal granítico, adintelado, de verga losângica e cruz relevada.
A fachada de frontão arredondado, sofreu uma profunda modificação na centúria oitocentista que alterou as proporções da nave e lhe fez perder o alpendre". Pensamos estar aqui a resposta, está bem explícito que a Igreja de Santo António de Capelins, foi alvo de grandes obras nos anos de 1800. As obras aqui descriminadas, certamente, tinham de impedir o natural funcionamento da Igreja e, ao percorrermos os assentos Paroquiais de casamentos, batismos e óbitos, dos anos de 1800, só no ano de 1891 se verifica a transferência da realização dos casamentos para a Ermida de Nossa Senhora das Neves. Quanto aos batismos, provavelmente, como juntavam duas a seis pessoas, podiam ser realizados num pequeno espaço, ou eventualmente, na casa Paroquial!
Em conclusão, sem provas concretas, parece-nos que, a realização dos dez casamentos realizados na Ermida de Nossa Senhora das Neves, entre Agosto e Novembro de 1891, foi devido às obras de alteração do edifício da Igreja de Santo António de Capelins, referidas por Túlio Espanca. 

Igreja de Santo António de Capelins


domingo, 4 de junho de 2017

Das Aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cima à Aldeia de Ferreira, em 1836

Das Aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cima à Aldeia de Ferreira, em 1836
As Aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cima, tiveram origem em alguns Montes (habitações), que surgiram nesta região a partir do aforamento, talvez em 1262. Mais tarde, em 1698 foi aqui construído o Monte Grande da casa do Infantado, à qual, pertencia a herdade da Defesa de Ferreira, ao mesmo tempo surgiram aqui o Monte dos Capelins, Monte do Meio, Monte do Pinheiro, Monte da Figueira e outros. Em 1712, já existiam as duas Aldeias, Capelins de Baixo e Capelins de Cima, que foram crescendo à medida das necessidades dos seus moradores, porém, nunca se ligaram, existindo sempre um espaço vazio em termos habitacionais entre elas e, alguma rivalidade saudável entre os residentes, embora com famílias misturadas entre ambas. 
Em 06 de Novembro de 1836, por um regulamento de Mouzinho da Silveira, estas duas aldeias desapareceram em termos administrativos, dando lugar a uma única, denominada Aldeia de Ferreira de Capelins. 
Em Fevereiro de 1921, não existindo aqui instalações para a Junta de Freguesia, esta foi instalada em Montes Juntos. 
No ano de 1949, foi construída a escola de instrução primária, com duas salas de aulas, com lareira, mas sem lume, compartimento de entrada, com cabides, onde se penduravam as boinas, chapéus e sacos ou malas do lanche, também era aqui que, geralmente, se fazia o presépio no Natal de cada ano, embora em alguns anos também se fizesse na própria sala de aulas, junto à lareira, um pátio ou alpendre para brincar no recreio, em caso de muito frio ou chuva, casas de banho para rapazes e raparigas, com águas correntes vindas de um pequeno depósito que se abastecia através de uma bomba manual ligada a um poço e ainda, um grande espaço envolvente para praticar diversos desportos, (futebol, ringue, pateira, pião e outros). A escola foi construída ao meio das duas aldeias, junto ao Monte do Meio. 
Depois de Abril de 1974, devido à melhoria no nível de vida da maioria dos seus habitantes e, surgindo a oportunidade de comprar parte do ferragial grande, situado entre as paredes do Monte Grande e a escola (de Norte para Sul, do lado direito da estrada para Montejuntos), para o dividirem em cinco lotes e aí construírem as suas moradias familiares, foi o que fizeram os seguintes residentes: Ti José Russo, Ti João Moreira, Ti José Batista; Ti Manuel Moreira (Ti Bagage) e Ti António Canhão.
Alguns anos mais tarde, também foi comprada outra parte do mesmo ferragial, situada, neste caso, no mesmo sentido, mas do lado esquerdo, por: Centro Cultural, Ti João Batista, Ti António Mexias, Ti Domingos Aldeias, Ti Celestino Bexiga, Ti Miguel (Aninho), e Ti Joaquim Moreira, (Mariano), sendo dividido em sete lotes e foram construídas as seis moradias familiares e o Centro Cultural, do lado da escola. Além do crescimento da aldeia neste espaço geográfico, também nesta mesma época surgiram outras moradias noutros lugares que aumentaram significativamente a Aldeia de Ferreira de Capelins!


Ferreira de Capelins - parte aumentada após 1974 


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Freguesia de Capelins na diagonal - Águas Frias - Gato

1ª Travessia Pedestre em Passeio, na Diagonal, da Freguesia de Capelins - Águas Frias - Gato, em 15 de Abril de 2017  


Conforme foi planeado, no dia 15 de Abril de 2017, pelas 09:00 horas, demos início à 1ª Travessia Pedestre em Passeio, na Diagonal, da Freguesia de Capelins, entre o Nordeste onde se cumprimentam as Freguesias de Santo António de Capelins, S. Pedro de Terena e Nossa Senhora da Conceição de Alandroal, na Defesa de Ferreira (Águas Frias) e o ponto mais a Sudoeste, no Gato, nos extremos, desta e da Freguesia de Monsaraz. Passamos sem demora pela Vila de Ferreira Romana e pelas minas Romanas e como não pudemos prosseguir para sul, devido à existência ilegal de uma cerca de arame em património do Estado, até dentro de água, fomos obrigados a dar uma grande volta e descer pelo caminho milenar que dava ao porto Romano das Águas Frias de baixo, aqui fomos observar se eram visíveis alguns restos de calçada romana, mas a mesma, encontra-se submersa. Foram tiradas algumas fotografias e seguimos para a Ermida de Nossa Senhora das Neves, indicado como, percurso pedestre 6. Chegamos junto à referida Ermida pelas 10:00 horas e aqui demoramos cerca de meia hora, porque ficamos impressionados com o estada acelerado da degradação do edifício e com a sensação de não o voltarmos a ver em pé. Além da estrutura do edifício estar quase todo em ruína eminente, apresentando perigo para quem se aproximar dele, também a porta foi arrombada e só não estava totalmente aberta, por estar ligada com um simples cordel, o qual, deve ter pouca duração e, brevemente ficará escancarada! Pouco passava das 10,30 horas e seguimos a nossa viagem, logo a seguir ouvimos um motor de moto-serra e algumas vozes, mas não vimos ninguém. Rapidamente chegamos ao Monte do Escrivão, sempre observando e fotografando a linda paisagem primaveril e com a presença constante à nossa esquerda de grandes extensões de água do Grande Lago de Alqueva, que ocupou todo o leito da Ribeira do Lucefécit. Fizemos uma visita ao Monte do Escrivão, ou seja, às ruínas deste Monte, com uma pequena paragem de alguns minutos, porque causou-nos alguma consternação a triste situação! Já eram cerca de 11:00 horas e seguimos em direção aos Montes da Talaveirinha e da Talaveira! 
Como referimos anteriormente, pouco passava das 11:00 horas e já tínhamos deixado para norte/nordeste os Montes de Ferreira e do Escrivão e andávamos a rondar o Monte da Talaveirinha, a escolher os melhores ângulos para o fotografar como se fossem as derradeiras fotografias enquanto ainda lá está, na esperança que alguma coisa mude e, como outros, ainda possa continuar a desempenhar a função para que foi construído pelo então seu lavrador. Alguns Montes já têm os telhados abatidos e as paredes em agonia, adivinhando-se que não estarão muitos mais anos em pé. 

Na Talaveirinha encontramos três pessoas que andavam a queimar rama de oliveira, depois da poda recente, com as quais trocamos cumprimentos e, não muita conversa para não empatar quem trabalhava. Depois de informarmos o que andávamos fazendo por ali e qual era o destino, fomos aconselhados a seguir o caminho em frente pelo Carrão - Montejuntos, mas negamos, porque o plano era ir pelos Montes da Talaveira e do Roncão e, só depois pelo Carrão, um percurso mais longo, mas foi mesmo assim. Passamos uns minutos a observar e a fotografar o Monte da Talaveira, a eira e o outro Monte da Talaveirinha de baixo, depois seguimos para sul, por São Miguel e Roncão. Neste Monte, demoramos um pouco, porque havia muito para admirar, desde o mesmo, assim como toda a região que dele se avista, a linda paisagem, em contraste com o azul do céu e das águas do Grande Lago, observar e ouvir a fauna, como cegonhas e outras aves, muitas potencialidades para o turismo da narureza, mas infelizmente, sem nenhum aproveitamento. Depois do Monte do Roncão, atravessamos o Ribeiro do Carrão, ainda com alguma água numa espécie de lagoa no lugar onde passa a estrada e ficamos logo em frente ao Monte do Ladrilho, (da Ti Margarida Cartaxa), hoje, de outro proprietário. Um pouco adiante, como eram quase 12:00 horas, debaixo de uma azinheira já idosa, abrimos a mochila, tiramos o pão com queijo e um sumo, comemos em poucos minutos e depressa continuamos rumo ao objetivo, o Gato. Fomos observando e fotografando Montes e paisagem do Carrão, Bispas, Arrabaça, Capeleira e, perto das 13:00 horas demos entrada em Montejuntos, junto ao Monte da Galvoeira, (já tinham passado quatro horas), fizemos a travessia da aldeia pelo lado sul, mas o caminho obrigou-nos a entrar na parte central, seguimos depois pela rua que levava ao Manantio e pelas 13:10 horas estávamos no Monte da Boa Vista a olhar uma sinalética que indicava: PR 7 Azevel - etapa II - 9,5 Km! 

Como descrevemos na parte anterior, eram 13:10 horas e estávamos em frente ao Monte da Boa Vista em Montejuntos. O sol estava abrasador para esta época do ano e o almoço muito longe, mas era impossível desistir, apesar de estarmos a ler que faltava andar 9,5 Km até ao Azevel, mais a volta até ali, ainda seriam mais 20 Km. Seguimos o caminho indicado para a herdade da Defesa de Bobadela, passamos ao portão do Monte do Peral - Turismo Rural e por outras propriedades, antes de entrarmos nos domínios da herdade do Roncanito, que para nós é Azinhal Redondo de Baixo, porque foi sempre a sua designação desde há 300 anos, quando era da Casa do Infantado. A estrada por onde seguimos pretende ligar Montejuntos à aldeia do Outeiro, mas encontra-se quase intransitável, porque era empedrada , mas devido ao abandono, a pedra soltou-se e mesmo a pé é muito difícil circular por lá, uma vez que o acesso a esta herdade é quase totalmente efetuado pelo lado da aldeia do Outeiro através da ligação por uma nova ponte sobre a Ribeira do Azevel e o caminho de terra batida estar em boas condições para a circulação de veículos, virando, assim as costas a Capelins, onde, administrativamente pertence. Viemos encontrar os célebres marcos da Casa do Infantado a demarcar a Defesa de Bobadela, tirámos a erva em redor de todos, aproximámos os olhos até um palmo e passámos a mão pelo granito, na esperança de encontrar algum rasto de história, mas como todos os que se encontram nas terras de Capelins, também aqui não encontrámos nada, porque um simples escopro apagou o que procuramos, o que se compreende, visto que, o Estado do Infantado era odiado pelo povo e, essas terras hoje têm outros donos. Fomos descendo rumo ao nosso objetivo e não demorou a visualizarmos à nossa esquerda o grande Monte da Defesa, mas já havia muito tempo que éramos perseguidos pelo outeiro de Monsaraz, ora nos aparecia pela frente, ora à nossa direita, conforme as curvas do caminho, andávamos, andávamos e aquele outeiro parecia estar sempre à mesma distância. Pouco depois de deixarmos o lugar onde existiu a pista de aviação da herdade da Defesa, à nossa esquerda começámos a avistar as águas do Grande Lago, o que nos deu mais força para continuar, mas ainda estávamos muito longe do Gato, do qual só nos aproximámos cerca das 16:00 horas, ou seja 07 horas depois da partida do lugar de origem, Águas Frias! 



Mais metro, menos metro de terreno, entre os pontos de origem e destino, considerámos concluída com êxito esta nossa aventura.







segunda-feira, 3 de abril de 2017

A Arte Rupestre do Paleolítico na Moinhola (Minhola) em Capelins

A Arte Rupestre do Paleolítico na Moinhola (Minhola) em Capelins 

A arte rupestre do Guadiana foi, sem dúvida, a grande novidade trazida pelos trabalhos arqueológicos da Barragem do Alqueva. 
Até aí, enquadrados na área da Barragem do Alqueva, conheciam-se bastantes contextos habitacionais e algumas necrópoles, no entanto, desconheciam-se, praticamente quaisquer manifestações de arte rupestre.

Distribuídas por vários núcleos, as gravuras do Guadiana concentram-se, maioritariamente, no troço do rio fronteiro às terras de Capelins. É na margem oposta ao que localmente se chama “a volta”, no Moinho Manzanes, já em território espanhol, que se regista o conjunto mais notável: Cerca de cinco mil gravuras distribuem-se pelo leito e margem do rio por quase dois quilómetros; entre elas duzentas e cinquenta atribuíveis ao Paleolítico (COLLADO GIRALDO, 2012).

Dentro das terras de Capelins, encontram-se os outros três núcleos mais representativos da arte rupestre do Guadiana: O Moinho de Manzanés 1, ou Manzanares, Mocissos 7 e a Moinhola, nºs 736, 442 e 658 do Inventário Geral de Sítios Arqueológicos, sendo na Moinhola onde existe uma maior concentração de gravuras.



Paleolítico – (Desde o aparecimento dos primeiros grupos humanos até há cerca de 10.000 anos) Este longo período é marcado pelo surgimento dos primeiros artefatos em osso,

madeira e, especialmente, em pedra, o que permitiu cortar, raspar, perfurar. 
A caça e a recoleção eram a base da economia destas comunidades.
As manifestações de arte no paleolítico (ao livre ou em cavernas) são várias e impressionantes, em particular as pinturas e gravuras que reproduzem os grandes animais.

in: Revisão da Carta Arqueológica do Alandroal. Educação pelo Território
Arte Rupestre da Moinhola - Capelins 


A lenda da destruição dos painéis de Cristo na Igreja de Santo António de Capelins

A lenda da destruição dos painéis de Cristo na Igreja de Santo António de Capelins Conta-se que, a Igreja de Santo António de Capelins, mand...