domingo, 11 de outubro de 2015

O Povoado de Espinhaço de Cão - Defesa de Bobadela em Capelins

Povoado de Espinhaço de Cão  

Situado na Defesa de Bobadela em Capelins

Povoado de Espinhaço de Cão - em Capelins
Espinhaço de Cão 1
CNS: 16279
Tipo: Povoado
Distrito/Concelho/Freguesia: Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período: Idade do Ferro
Descrição: Sítio de habitat rural, implantado num esporão pouco pronunciado sobre o Guadiana. Estruturas habitacionais, correspondentes a várias fases de construção/reconstrução, com plantas ortogonais.
Meio: Terrestre
Acesso: A partir de Montes Juntos (Alandroal), caminho de terra batida.
Espólio: Cerâmica manual e de roda, mós, objectos de adorno, faunas e carvões.
Depositários: Manuel João do Maio Calado
Classificação: -
Conservação: Regular
Processos: S - 16279, 7.16.3/14-10(1) e 99/1(075) 

Povoado de Espinhaço de Cão em Capelins 




Gravuras Rupestres nas terras de Capelins

Gravuras Rupestres nas terras de Capelins

As terras de Capelins, principalmente no Vale do Rio Guadiana e das Ribeiras de Lucefécit e Azevel são muito ricas em termos arqueológicos. Só na Defesa de Bobadela de Baixo, na Moinhola (Minhola) estão identificadas 118 rochas com gravuras rupestres da Pré História, mas também noutros locais, como Azenhas D' El-Rei, Moinho da Volta e outros.


Rocha 117 (Fig. 239): Painel horizontal onde se observam três fossettes (nº s 1 a 3) que após picotadas foram alvo de abrasão.



Rocha 118 (Fig. 240): Painel horizontal onde se verifica a existência de um antropo-morfo fálico de membros arqueados.

Gravura na rocha 10 da Moinhola - Capelins




domingo, 23 de agosto de 2015

Os Celtas nas terras de Capelins

Os Celtas nas terras de Capelins

Conforme podemos verificar nos relatórios e registos elaborados por diversos arqueólogos que, ao serviço da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA, SA), efetuaram o Levantamento arqueológico e patrimonial do Alqueva, foram encontrados vestígios arqueológicos nos vales, do Guadiana, Lucefécit e Azevel, dentro da Freguesia de Capelins, que provam ser esta região habitada desde à cerca de 5000 anos, provavelmente, pelos Iberos, e mais tarde por outros povos que foram surgindo na Península Ibérica, entre eles, os Celtas.
Celtas é a designação dada a um conjunto de povos (um etnónimo), organizados em múltiplas tribos e pertencentes à família linguística indo-europeia que se espalhou pela maior parte do Oeste da Europa a partir do segundo milénio a.C.. A primeira referência literária aos celtas (Κελτοί) foi feita pelo historiador grego Hecateu de Mileto no século VI a.C..


Boa parte da população da Europa ocidental pertencia às etnias celtas até à eventual conquista daqueles territórios pelo Império Romano; organizavam-se em tribos, que ocupavam o território desde a Península Ibérica até à Anatólia. A maioria dos povos celtas foi conquistada, e mais tarde integrada, pelos Romanos, embora o modo de vida celta tenha, sob muitas formas e com muitas alterações resultantes da aculturação devida aos invasores e à posterior cristianização, sobrevivido em grande parte do território por eles ocupado.
Existiam diversos grupos celtas compostos de várias tribos, entre eles os bretões, os gauleses, os escotos, os eburões, os batavos, os belgas, os gálatas, os trinovantes e os caledónios. Muitos destes grupos deram origem ao nome das províncias romanas na Europa, as quais mais tarde baptizaram alguns dos estados-nações medievais e modernos da Europa.
Os celtas são considerados os introdutores da metalurgia do ferro na Europa, dando origem neste continente à Idade do Ferro (culturas de Hallstatt e La Tène), bem como das calças na indumentária masculina (embora essas sejam provavelmente originárias das estepes asiáticas).
Fonte: Wikipédia
Casa dos Celtas net





sexta-feira, 31 de julho de 2015

Os hidronimos da Ribeira Oydaluiciuez/Lucifer/Lucefécit 

Vários historiadores escreveram que, a atual Vila de Terena no período muçulmano (711-1167/1242), designava-se por Oydaluiciuez, sendo o hidronimo da Ribeira, o mesmo, do nome (da toponímia), desta Vila. 

Através das cantigas a Santa Maria de Terena, da autoria do rei de Castela e Aragão Afonso X o sábio, antes de 1282, esta Ribeira já se designava por Ribeira do Lucifer, devido ao milagre de Santa Maria de Terena que, para livrar um homem bom de morte certa às mãos dos seus perseguidores desde Elvas, acusado de matar a sua mulher, estavam quase a alcançá-lo junto à Ribeira, então Santa Maria para ajudar o perseguido Tomé, sabendo que ele estava inocente, transformou a Ribeira em Lucifer, impedindo a passagem dos perseguidores, (Cantiga CCXIII). Essa designação não podia continuar, porque ninguém se atrevia a dizer esse nome, uma vez que, ao falar no Diabo, ele aparecia a essa pessoa, por isso, a palavra foi sendo transformada (Lucefece...), até ficar a atual Lucefécit. 


Ribeira do Lucefécit 





Segredos de Capelins

Segredos de Capelins 

Como sabemos, os segredos de Capelins referem-se principalmente, à época da comunidade judaica, cristãos novos e "Marranos", que aqui viveram a partir de 1492, da qual descendemos a maioria dos Capelinenses. Nos assentos Paroquiais de casamentos, nascimentos, batizados e óbitos, de Santo António, verificam-se inúmeras ligações de famílias de Cristãos novos de Monsaraz - Santiago Maior e Capelins.
Os cristãos novos eram sepultados em terreno sagrado, na Igreja ou no cemitério cristão, o mesmo não podia acontecer aos marranos. Por isso, são conhecidas várias necrópoles em Capelins (6), pelo menos uma, senão mais, ainda tem sepulturas por abrir, muito próxima de Ferreira de Capelins.
Monsaraz
Em Monsaraz, uma das vilas medievais portuguesas mais bem preservadas, existiu uma judiaria dentro das muralhas nas imediações da Rua Direita. Este centro histórico, que no passado acolheu muitos judeus e "marranos" vindos de Espanha, apresenta hoje um conjunto muito uniforme de ruas e edifícios da época.

Monsaraz 





Capelins - Ribeira de Lucefécit

Capelins - Ribeira de Lucifer/Lucefécit 

Ribeira do Lucefécit. Que misterioso ribeiro é este cujo nome é tão temido que um rei sábio se recusou a dizê-lo? Lucefécit significará aquilo que pensamos? E se assim é, por que razão o apelidaram dessa forma?
A Ribeira do Lucefécit corre por terras sagradas, disso temos provas que estão à vista de qualquer um, a começar pelo facto de contornar o Santuário da Rocha da Mina, que poderá estar ligado ao culto de Endovélico. Continua o seu caminho para sul e passa a norte da histórica freguesia de Terena, onde abre alas, transformando-se quase em lagoa. Volta a fechar e segue caminho até desaguar no Guadiana, junto à fronteira com Espanha, deixando para trás vários exemplos de megalitismo em território português.
Abrindo a discussão, Lucefécit poderá derivar tanto do árabe como do latim.
No primeiro caso, Lucefécit poderá resultar da conjunção de vários termos, todos eles árabes, dos quais sobressaem: al e oucif (que significa negro). No segundo caso, falamos de quem o topónimo sugere: Lúcifer. Sendo que tal nome só tem conotação negativa a partir de certo momento da história.
Lúcifer foi a tradução latina feita para descrever Vénus, a estrela da manhã, portadora (ferre) da luz (lux), daí se transformando em lucisferre, que derivou em Lúcifer – antes de endiabrarem tal termo, devemos lembrar que no Novo Testamento, Jesus autoproclama-se estrela da manhã. A igreja, que durante anos tentou demonizar qualquer vislumbre de adoração pagã, onde Vénus obviamente estava incluído, tratou de associar o termo a Satanás, pai dos demónios da natureza. O trabalho foi bem feito, tanto que ainda hoje os cristãos mais crédulos ainda evitam usar o seu nome.
E salta a pergunta: a acreditar que o topónimo tem raízes no latim e não no árabe, para quê dar tal nome a esta ribeira? Hipoteticamente, pela mesmíssima razão. Como já foi dito, estas águas correm por montes sacralizados, onde as referências físicas e simbólicas a deidades pagãs pululam. A escolha deste nome poderá ter servido o propósito de diabolizar uma zona que a igreja via como infiel ao seu Deus único, transformando-se assim numa espécie de espantalho para gestos que o poder clerical considerava como ameaça à sua religião.
Afonso X, o rei sábio, parece não ter dúvidas, e numa alusão à ribeira, recusa-se a pronunciá-lo nas suas Cantigas de Santa Maria: d’un rio que per y corre, de que seu nome nom digo.
"In: Bloque Portugalnummapa"


terça-feira, 28 de julho de 2015

Afonso X o sábio, rei de Castela e Aragão 1252-1284, 
peregrino de Santa Maria de Terena

São bem conhecidas as cantigas do rei de Castela Afonso X o Sábio, a Santa Maria de Terena, que incluem a Ribeira de Lucifer (Lucefécit), assim como, a Monsaraz e à região da passagem do Guadiana perto dos Mocissos. 
Alguns autores afirmam que, Afonso X, escreveu esses versos devido à influência de D. Gil Martins, Senhor das Terras de Terena, que após se ter zangado com o nosso Rei D. Afonso III, se exilou na sua Corte. No entanto, essa teoria é muito duvidosa, porque o conteúdo desses versos denotam um excelente conhecimento pessoal das regiões de Monsaraz, Terena e Mocissos e do que por aí se passava em termos sociais e de fé, é verdade, que o rei diz sempre que lhe contaram.
É nossa convicção que, de facto, o rei Afonso X o sábio, fez a peregrinação a Santa Maria de Terena, talvez, devido ao que ouvia ao fidalgo português D. Gil Martins, sobre os milagres atribuídos a Santa Maria, passando por Monsaraz a caminho de Terena. Depois, na volta a Castela, desceu a Ribeira do Lucefécit até ao porto das Águas Frias de baixo, seguindo até aos Mocissos, onde talvez existisse uma barca para passagem do Guadiana na direção onde mais tarde surgiu São Bento da Contenda.

Decerto que, tinha que existir uma razão muito forte para Afonso X ser tão devoto de Santa Maria de Terena
cantiga 275
Como Santa Maria de Terena guariu do[u]s freyres do espital que raviavan.
A que nos guarda do gran fog' infernal
sãar-nos pode de gran ravia mortal.
Dest' en Terena fez, [per] com' aprendi,
miragr' a Virgen, segund[o] que oý
dizer a muitos que ss' acertaron y,
de dous raviosos freires do Espital
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Que no convento soyan a seer
de Moura; mas foi-lles atal mal prender
de ravia, que sse fillavan a morder
come can bravo que guarda seu curral.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Assi raviando fillavan-ss' a travar
de ssi ou d' outros que podian tomar,
e por aquesto fóronos ben liar
de liadura forte descomunal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E a Terena os levaron enton,
que logar éste de mui gran devoçon,
que os guariss[e] a Virgen, ca ja non
lles sabian y outro consello tal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E levando-os ambos a grand' affan,
que cada u mordia come can,
passaron con eles un rio muy gran
d' Aguadiana, entrant' a Portogal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E o primeiro deles mentes parou
de cima dun outeiro u assomou,
des i mui longe ante ssi devisou
a Terena que jaz en meo dun val.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E disse logo como vos eu direy:
«Soltade-me, ca ja eu ravia non ey,
ca vejo Santa Maria, e ben sey
que ela me guariu mui ben deste mal.
A que nos guarda do gran fog' infernal....
Mais agua me dade que beva, por Deus,
ca a Virgen, que sempr' acorr' [a]os seus,
me guariu ora, non catand' aos meus
pecados que fiz come mui desleal.»
A que nos guarda do gran fog' infernal...
O outro diss' esto meesmo pois viu
e eigreja, ca logo sse ben sentiu
da rravia são, e agua lles pediu,
e deron-lla da fonte peranal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E pois beveron, ar fillaron-s' a ir
dereitament' a Terena por conprir
ssa romaria; e porque os guarir
fora a Virgen, deron y por sinal
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Cada un deles desso que ss' atreveu
de seu aver, que eno logar meteu;
e des i cada un deles acendeu
ant' o altar da Virgen seu estadal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Est miragre mostrou aquela vez
Santa Maria, que muitos outros fez
como Sennor mui nobr' e de mui gran prez
que senpr' acorre con seu ben e non fal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Existem outras cantigas de Afonso X sobre Santa Maria de Terena e esta região.
No século XIII, já existia uma Albergaria em Monsaraz, destinada a acolher os romeiros que, vindos da margem esquerda do Guadiana, em busca do famoso santuário mariano de Terena, atravessavam o rio na barca de passagem e faziam caminho por Monsaraz, onde pernoitavam. Um peregrino ilustre, Afonso X, o Sábio, vindo da Andaluzia, a caminho de Terena, deve ter passado nesta época por Monsaraz.
(Monsaraz - Vida morte e ressurreição de uma vila alentejana)
Afonso X de Castela







A lenda da destruição dos painéis de Cristo na Igreja de Santo António de Capelins

A lenda da destruição dos painéis de Cristo na Igreja de Santo António de Capelins Conta-se que, a Igreja de Santo António de Capelins, mand...