terça-feira, 1 de agosto de 2017

As barcas no Rio Guadiana, no Porto D' El-Rei, ou seja, da Cinza ou Ceniza

As barcas no Rio Guadiana, no Porto D' El-Rei, ou seja, 

da Cinza ou Ceniza

Estamos convencidos que, existiram Barcas no rio Guadiana, desde os Romanos ou talvez antes, neste lugar, Porto da Serva, Porto D' El-Rei, Porto da Cinza, (sempre o mesmo), desde os Romanos, Mouros, e depois Cristãos. Temos provas que nos anos de 1500, antes e mais tarde existiu uma Barca nesse local, explorada a meias pelo 4º Senhor de Cheles D. Francisco Manoel de Villena e pelo Senhor das Terras da Vila de Ferreira, Simão Freire de Andrade, o que já acontecia com seus pais. Do lado dos portugueses, já conhecíamos a Família Freire de Andrade, Senhores da Vila Defesa de Ferreira, mas nada sabíamos sobre os Senhores de Cheles, e assim fomos conhecer essa Família e a sua grande ligação Familiar a Portugal, desde Vila Viçosa - Mourão - Serpa, fazendo muito sentido e interesse mútuo na existência das Barcas neste lugar do Rio Guadiana. A mãe de D. Francisco, era portuguesa e algumas suas irmãs casaram com portugueses e a companheira de D. Francisco era portuguesa, veja-se as relações familiares existentes com Portugal. por isso, D. Francisco, recebeu o nosso Rei D. Sebastião, em Fevereiro de 1573, daquela forma. 


Antigo Porto da Cinza 




Ferreira de Alcântara - Herrera de Alcántara

Ferreira de Alcântara

Herrera de Alcántara



A outra Ferreira da Raia - Herrera de Alcântara



Damos a conhecer mais uma localidade espanhola, não é propriamente vizinha das Terras de Capelins, mas também se situa na Raia e em tempos foi portuguesa e alentejana/beirã. A sua toponímia "Ferreira", parece ter a mesma origem da nossa Ferreira Romana, ou seja, de Ferraria, (Minas e transformação do Ferro, Forja), implicando por vezes alguma confusão entre elas. Existem algumas peripécias atribuídas à nossa Ferreira, as quais, temos quase certeza se passaram na outra Ferreira (Herrera)
Herrera de Alcántara (em português: Ferreira de Alcântara) é um município raiano da Espanha na província de Cácerescomunidade autónoma da Estremadura, de área 121,61 km². Em 2012 tinha 292 habitantes (densidade2,4 hab./km²).

O nome de Ferreira de Alcântara pode provir da ferraria que existia na povoação entre os séculos XI e XII, na qual se fizeram as grelhas da Catedral de Santiago de Compostella

O seu território foi conquistado pelos cristãos aos árabes em 1167, tendo em 1220 conquistado definitivamente as terras comprendidas entre Alcântara e Valença de Alcântara. A comenda de Ferreira já existiria em 1254. Ferreira teve alfândega desde a Idade Média. Fala-se ainda hoje português nesta aldeia, devido a ter sido repovoada por portugueses da região aquando da Reconquista, nas primeiras décadas do século XIII. O território ora pertenceu ao reino de Portugal ora ao de Leão. O Tratado de Alcanizes de 1297 pôs fim às pretensões portuguesas de dominar a região. Portugal nunca esqueceu tal território e o reclamou sempre que pôde nas guerras seguintes. A realidade é que ficou definitivamente na posse de Castela, mas a população portuguesa que morava lá continuou a viver na aldeia. O português que se fala lá é um português arcaico, sem qualquer ligação com os dialectos alto-alentejanos e beirões. Portanto, para um português normal, esse português soaria um bocado esquisito, precisamente pela ausência de relações com o resto do país. A partir do século XV foi Villa de Realengo, pertencente à Ordem de Alcântara. Esta comenda compreendia os términos municipais de Ferreira de Alcântara e Cedilho, tendo sido vendida em grandes lotes em 1855. As guerras com Portugal (Guerra da Restauração) arrasaram a fortificação da aldeia no século XVII. Um dado importante para a história e economia desta povoação é que teve um porto fluvial no Tejo, de onde saiam mercadorias até Inglaterra, através de Lisboa, até ao século XVIII.


As guerras com Portugal (Guerra da Restauração) arrasaram a fortificação da aldeia o século XVII.

É esta a eventual confusão, ou seja, a batalha de Abril de 1667 entre o exército do Alentejo, comandado pelo Conde de Schomberg, e castelhano, que Túlio Espanca descreve como se tivesse passado na nossa Ferreira, tudo indica que, foi aqui em Ferreira de Alcântara, assim como, a destruição do Castelo de Ferreira, mas de Alcântara. 

Brasão de Ferreira de Alcântara 



Singela homenagem ao amigo Pais e Silva (Falecido

Singela homenagem ao amigo Pais e Silva (Falecido)

Ó Alentejo, Alentejo
Vou teus feitos descrever
Os teus usos e costumes
Meus versos estão a dizer.
Tu és província raiana
Tens um brilhante sinal
Neste querido Portugal
Tens ao lado o Guadiana.
És de todas a soberana
Outra igual não vejo
Quem te vê sente desejo
De cá voltar, tudo indica,
És uma província rica
Ó Alentejo, Alentejo.
A tua própria história diz
Escrita noutra era atrasada
Que foste sempre considerada
O celeiro deste país.
És também farta e feliz
Em terras que estás a ter
Dão produção a valer
Que os nossos olhares estão vendo,
Para todos ficarem sabendo
Vou teus feitos descrever.
Tens vinhas, tens olival
Tens sobreiros, muita cortiça
A todos metes cobiça
Não há outra que te iguale.
Ainda tens afinal
Azinho para bons lumes
Há muitos que têm ciúmes
Do teu solo ser tão rico,
No outro verso eu explico
Os teus usos e costumes.
Tens rebanhos a pastar
Nos teus prados verdejantes
E ainda tens bastantes
Tratores na terra a lavrar
Para ela se cultivar.
Há muita gente a colher
Do teu solo para comer
Produtos e ir vendendo,
A quem cá não está vivendo
Meus versos estão a dizer.
Autor: Manuel Pais Silva
Ferreira de Capelins 

Sr. Manuel Pais e Silva



Gastronomia das Terras de Capelins

Sopa de Beldroegas com queijo

Ingredientes
2 molhos de beldroegas
2 queijos alentejanos curados e/ou queijo fresco (é melhor usar o queijo de leite de cabra, curado)
4 cabeças de alho inteiras (o alho miúdo e fresco é o mais aromático)
1 batata às rodelas grossas
3 ou 4 ovos
Sal
Azeite
Água

Preparação
Limpam-se as beldroegas das sementes. Aproveitam-se as folhas e os caules mais tenros. Lavam-se.
Cortam-se os queijos em fatias grossas ou em quartos. Tiram-se as cascas exteriores dos alhos, deixando as cabeças inteiras e a pele dos dentes.
No azeite quente refogam-se muito levemente as cabeças de alho, dando-se a volta de vez em quando para passar bem de todos os lados.
Junta-se o queijo curado partido, dá-se-lhe uma volta ou duas  e deitam-se logo de seguida as beldroegas que se refogam até ficarem moles e um pouco escurecidas.
Junta-se o sal (cuidado porque os queijos já têm sal!), a batata, (o queijo fresco) e a água e deixa-se ferver até as beldroegas e a batata estarem cozidas.
No final, escalfe os ovos, mais ou menos passados, conforme preferir. (não os abra diretamente para a sopa, pode algum não estar em condições e lá se vai a sopa).
Se o queijo for de ovelha, deve deitar apenas no final, porque se desfaz, (preferimos o queijo de cabra curado).
Numa terrina, sobre pão alentejano duro e cortado em fatias (as sopas), verte-se o caldo.
As beldroegas, os alhos, a batata, os ovos e os queijos são servidos numa travessa à parte, (se preferir, mas convém, os ovos e os queijos).
Bom apetite!

Beldroegas de Capelins 



Gastronomia das Terras de Capelins

Sopa de Tomate com ovos escalfados

Ingredientes (p/ 4 pessoas)
1 cebola grande
2 dentes de alho
2 folhas de louro
6 tomates maduros
3 batatas
4 ovos
Pão alentejano q.b.
Azeite q.b.
Sal q.b.

Preparação
Num tacho, coloque a cebola picada e deixe refogar com um fio de azeite. Acrescente o louro, o alho e de seguida o tomate cortado em pedaços. Tempere de sal e deixe refogar mais uns minutos. Corte as batatas em pedaços e adicione ao preparado, regue com água até cobrir os legumes. Tape o tacho e deixe cozinhar, em lume brando, /- 15 minutos. Depois dos legumes cozidos, coloque no tacho os ovos, dois a dois, e tape para que os ovos fiquem bem escalfados.
A sopa é servida numa cama de fatias de pão duro, alentejano, (sopas). 




sexta-feira, 21 de julho de 2017

Gastronomia das Terras de Capelins

Sopa de tomate com ovos e bacalhau

Ingredientes:


- 2 postas de bacalhau

- 3 dentes de alho

- 1 ramo de salsa
- 1 folha de louro
- 150 ml de azeite
- 1 cebola
- 4 batatas
- 2 tomates
- 2 ovos
- Pão
- Sal

Preparação:
Passo 1: Tire a pele e as sementes aos tomates, pique os alhos, (a salsa). Corte às rodelas as cebolas e parta em pedaços a folha de louro. Faça um refogado com o azeite, o bacalhau demolhado e os ingredientes anteriormente preparados, (pouco sal) e (em opção 1/2 caldo galinha).
Passo 2: Deixe apurar e acrescente a água necessária para a sopa. Quando ferver acrescente as batatas descascadas cortadas às rodelas, deixe cozer +- 15 minutos, baixe a fervura e escalfe os ovos.
Antes de servir retire o bacalhau e os ovos. 
Servir vertendo a sopa sobre camadas de pão alentejano fatiado e duro.




Gastronomia das Terras de Capelins

Sopas de grãos, de azeite à moda de Capelins

Ingredientes
- grão de bico
- batatas
- azeite
- sal
- pão

Era necessária pouca sabedoria de cozinha, apenas saber os tempos de cozedura ao lume de lenha, que neste caso, era das oito da manhã ao meio dia, porque o grão levava pelo menos três horas a cozer em panela de barro.
Para fazer umas sopas de grão a tarefa começava na noite anterior, antes de deitar, pelas 21:00/22:00 horas, dependia, se era Inverno ou Verão, tinham de pôr os grãos de molho em água com uma mão cheia de sal, a medida dos grãos a pôr de molho era também uma mão cheia (punhado) por cada comensal e no fim, ainda se colocava mais uma mão cheia para o gato. O grão ficava a noite toda de molho na água com sal e logo de manhã pelas 8 horas ou antes tinham que fazer lume de lenha, com frio ou com calor, para se pôr as sopas ao lume. O grão cozia numa panela de barro, cerca de 3 horas, entretanto, o/a cozinheiro/a de serviço acompanhava a cozedura e acrescentava os ingredientes que tinha, no tempo certo. Quando os grãos estavam quase cozidos acrescentava umas batatinhas cortadas aos cubos e se tivesse a sorte de ter umas cenouras e hortaliça, (isso era muito raro). Depois destes ingredientes estarem quase cozidos colocava-se na panela uma colher de azeite por cada pessoa e a do gato. As sopas tinham que estar prontas a comer pelo meio dia.
Cortava-se pão duro em fatias numa tigela (terrina), ou num recepiente feito de cortiça e deitavam-se as sopas de grão por cima do pão e eram uma delícia, natureza pura.
A seguir escrevemos sobre as sopas de grão, com carne.




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