sexta-feira, 21 de julho de 2017

Gastronomia das Terras de Capelins

Sopa de tomate com ovos e bacalhau

Ingredientes:


- 2 postas de bacalhau

- 3 dentes de alho

- 1 ramo de salsa
- 1 folha de louro
- 150 ml de azeite
- 1 cebola
- 4 batatas
- 2 tomates
- 2 ovos
- Pão
- Sal

Preparação:
Passo 1: Tire a pele e as sementes aos tomates, pique os alhos, (a salsa). Corte às rodelas as cebolas e parta em pedaços a folha de louro. Faça um refogado com o azeite, o bacalhau demolhado e os ingredientes anteriormente preparados, (pouco sal) e (em opção 1/2 caldo galinha).
Passo 2: Deixe apurar e acrescente a água necessária para a sopa. Quando ferver acrescente as batatas descascadas cortadas às rodelas, deixe cozer +- 15 minutos, baixe a fervura e escalfe os ovos.
Antes de servir retire o bacalhau e os ovos. 
Servir vertendo a sopa sobre camadas de pão alentejano fatiado e duro.




Gastronomia das Terras de Capelins

Sopas de grãos, de azeite à moda de Capelins

Ingredientes
- grão de bico
- batatas
- azeite
- sal
- pão

Era necessária pouca sabedoria de cozinha, apenas saber os tempos de cozedura ao lume de lenha, que neste caso, era das oito da manhã ao meio dia, porque o grão levava pelo menos três horas a cozer em panela de barro.
Para fazer umas sopas de grão a tarefa começava na noite anterior, antes de deitar, pelas 21:00/22:00 horas, dependia, se era Inverno ou Verão, tinham de pôr os grãos de molho em água com uma mão cheia de sal, a medida dos grãos a pôr de molho era também uma mão cheia (punhado) por cada comensal e no fim, ainda se colocava mais uma mão cheia para o gato. O grão ficava a noite toda de molho na água com sal e logo de manhã pelas 8 horas ou antes tinham que fazer lume de lenha, com frio ou com calor, para se pôr as sopas ao lume. O grão cozia numa panela de barro, cerca de 3 horas, entretanto, o/a cozinheiro/a de serviço acompanhava a cozedura e acrescentava os ingredientes que tinha, no tempo certo. Quando os grãos estavam quase cozidos acrescentava umas batatinhas cortadas aos cubos e se tivesse a sorte de ter umas cenouras e hortaliça, (isso era muito raro). Depois destes ingredientes estarem quase cozidos colocava-se na panela uma colher de azeite por cada pessoa e a do gato. As sopas tinham que estar prontas a comer pelo meio dia.
Cortava-se pão duro em fatias numa tigela (terrina), ou num recepiente feito de cortiça e deitavam-se as sopas de grão por cima do pão e eram uma delícia, natureza pura.
A seguir escrevemos sobre as sopas de grão, com carne.




quinta-feira, 20 de julho de 2017

Doçaria de Capelins

Bolo Podre 

Ingredientes

2,5 dl de mel
2,5 dl de azeite
7 ovos
125 g de açúcar
250 g de farinha de trigo
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de chá cheia de fermento em pó
2 colheres de sopa de aguardente velha
Preparação
Tempo de Preparação: 20 min | Tempo de Cozimento: 50 min

Misturar o azeite, mel, as gemas de ovos e o açúcar, batendo muito bem cerca de 10 minutos.
Adicione a aguardente e bata mais um pouco.
Bata as claras em castelo firme.
Envolva as claras ao preparado anterior, alternando, com a farinha misturada com a canela e o fermento.
Deite a massa numa forma grande com chaminé, bem untada com azeite.
Leve a cozer em forno médio cerca de 50 minutos (convém verificar se está cozido).
Depois de cozido desenforme o bolo e deixe arrefecer.
Bom apetite!
Bolo Podre Alentejano



quarta-feira, 19 de julho de 2017

Gastronomia das Terras de Capelins

Açorda de Espinafres com ovos


Ingredientes (prato para 2 pessoas)

10 Dentes de alho partidos ao meio (ou uma folha de alho)
2 Molhos de espinafres (varia consoante o nº de pessoas)
2 Ovos
1 dl de azeite
Sal q.b.
Colorau q.b.

Modo de Fazer: 
“Faça o refogado com o azeite e os alhos. Depois meta os espinafres e deite um bocadinho de colorau. Deite a água e quando ferver junte os ovos (mas só quando estiver a ferver que é para os ovos não se desmancharem). Deixe cozer. Prove de sal e arrede.”

Modo de Servir:
Migam-se as sopas na tigela e deita-se o caldo por cima. Num prato à parte põem-se os condutos que se comem com as sopas.

(Pode ser com bacalhau ou com queijo curado). 



Guerra da Restauração - Terena e Santo António (Capelins)

Concelho de Terena 1262 - 1836

Guerra da Restauração no Concelho de Terena e Terras de Capelins

A Guerra da Restauração (1640-1668), destacou-se no Concelho de Terena.


Em 1652 as tropas espanholas do Duque de S.Germán saquearam os campos, do Concelho de Terena, recolhendo depois a Barcarrota, fugiram, apesar de perseguidas por tropas de Terena e de Olivença. Tendo deixado, todavia, parte do saque na circunvalação externa daquela Praça espanhola, os portugueses recuperaram essa parte e levaram-na para Olivença, onde os lavradores do Concelho de Terena foram recuperar alguns dos seus bens.
Em 1656, Terena foi cenário de violentos combates, e num espaço de poucos dias foi ocupada por espanhóis e recuperada custosamente pelo exército português.
As correrias das tropas espanholas, para se afastarem de Olivença, uma Praça portuguesa muito forte, nessa época, eram feitas por Terras de Capelins, (Vila de Ferreira), ou Defesa D’ El-Rei, passando, facilmente, o rio Guadiana, a partir de Abril/Maio, no Porto D’El-Rei (Cinza), por isso, em 1652, levaram tudo o que rapinaram aos lavradores desta região, para Barcarrota.
Passava-se a mesma situação com os portugueses, atravessavam o rio Guadiana no mesmo Porto da atual Cinza e roubavam os gados e tudo o que podiam, trazendo o saque para Portugal, eram escaramuças fronteiriças, que atingiam em maior escala os grandes lavradores da raia. Os trabalhadores, ou jornaleiros, não tinham nada.

O Declínio do Concelho e Terena e seu Fim:

Ainda no Século XVIII assistiu-se a algum declínio. A sua economia foi enfraquecendo. Como se não bastasse, Terena foi uma das povoações alentejanas que mais danos sofreu com o terramoto de 1755.
A época Pombalina não parece ter sido importante na região. Continuando a sua decadência e, já no século XIX, a sua economia foi ainda mais abalada com o corte de ligações para além Guadiana depois de 1801, (devido à guerra das laranjas), não tanto por ter ligações diretas com Olivença, ainda que algumas existissem, mas acabou por afetar toda esta região.

Na primeira metade do século XIX, ou seja, em Novembro de 1836, vários Concelhos com expressão reduzida acabaram por se unir em torno do que foi o único sobrevivente, o do Alandroal. Foram eles Juromenha, Ferreira (um estranho Concelho de reduzida população, hoje Freguesia de Santo António de Capelins, era apenas um Concelho do Estado do Infantado, onde imperavam as regras daquele Estado)  e, obviamente, o próprio Alandroal. Tal junção de esforços não trouxe exatamente progresso ou benefícios de relevo, como bem o sabem os seus atuais habitantes, ainda que houvesse períodos de alguma prosperidade.
(Base: Trabalho do Professor Carlos Luna)


Castelo de Terena vigiava o Vale da Lucefécit até às Terras de Capelins 




Nossa Senhora das Neves em Capelins

Nossa Senhora das Neves em Capelins 

No calendário litúrgico, o dia dedicado a Nossa Senhora das Neves é o 05 de Agosto, porque foi na noite de 04 para 05 de Agosto que o Monte Esquilino em Roma se cobriu de Neve, (quando é normal aí existirem 40º graus C), conforme milagre de Nossa Senhora, sendo aí construída a sua Basílica. 

Quanto a Nossa Senhora das Neves de Capelins, esta Ermida existe desde os finais dos anos 1600, devido à ruína da anterior Igreja de Santa Maria, de 1262, quase decerto, levada a esse fim, por motivo da guerra da restauração, por onde os exércitos passavam, nada era respeitado, era tudo pilhado e destruído. O último documento que conhecemos, onde a Igreja de Santa Maria é referida, na Defesa de Ferreira ou Defesa del-rei é de 1667, (é um testamento que se encontra no Arquivo Distrital de Portalegre), coincide, de facto, com a referida guerra. Ao lado da Igreja de Santa Maria foi construída a presente Ermida, dedicada a Nossa Senhora das Neves, que parece ser a mesma, Santa Maria. Assim, neste dia 05 de Agosto, começavam a chegar um, ou dois dias antes, aqui acorriam devotos de toda a região, inclusivé, de Terras de Espanha, com grande devoção por Nossa Senhora das Neves.


Se puderem, passem lá dia 05 de Agosto!



Nossa Senhora das Neves 


domingo, 16 de julho de 2017

Cruzeiros ou Alminhas, Monumentos Religiosos de Capelins

Cruzeiros ou Alminhas, Monumentos Religiosos de Capelins 

O aparecimento do Cruzeiro remonta aos primeiros séculos do cristianismo. Procurou-se cristianizar todos os sítios e monumentos pagãos. A cruz era o símbolo usado para levar a cabo o processo de cristianização.
Com o imperador Constantino a cruz tornou-se no elemento simbólico dos cristãos, por imposição de sua mãe!
A cruz mede, dita e marca os lugares sagrados do verbo e da paz: igrejas, claustros, cemitérios, praças, caminhos, encruzilhadas, espaços sobe os quais aparece a verticalidade e a horizontalidade do mastro, da cruz, imagem adorada de um altar. É a concentração e a difusão, a convergência e a divergência e está relacionada com as quatro estações, com os tetramorfos, com os símbolos dos quatro evangelistas. A cruz é todo um universo de conjugações.
A figura geométrica das duas hastes tornou-se no sinal mais elementar e divulgado da piedade cristã, o mais conhecido do cristianismo, o mais usado nos atos do culto e, mesmo depois da morte, assinala a sepultura de todos aqueles que descansam em Cristo.
Assim, os Cruzeiros surgem ligados à cruz dos cristãos. São símbolos da crença de um povo, marcos apontados à fé dos caminheiros e de todos aqueles que os veneram, marcando a fé dos que os erigiram como promessa.
São padrões por excelência da cristandade. Em terra cristã é símbolo de crença e elemento falante na paisagem humanizada. Vai do interior de povoações até aos píncaros do horizonte, por estradas amplas e caminhos rústicos. Reduzem-se à maior simplicidade de, ou a aprimoram feição artística, de granito rude, ao mármore fino, imagem de Cristo pintada ou esculpida, em alto relevo ou em pleno corpo; ou com figuras complementares.
Os Cruzeiros têm aquela rara e única beleza que a alma lhes dá e os olhos não conseguem vislumbrar e que só a fé faz ver.
Um Cruzeiro é uma cruz de pedra, ou metal, erguida ao ar livre, no adro de igrejas, ou em encruzilhadas, praças, cemitérios ou outro lugar!
Os Cruzeiros representam o espírito popular da devoção religiosa. Contudo, nem sempre esta causa foi determinante para a sua construção, pois muitos serviram para marcar acontecimentos de pendores variados e para proteger contra influências maléficas e feitiçarias os caminhos, as encruzilhadas e os largos das aldeias.
Por trás de cada Cruzeiro existe uma história relacionada com uma situação triste ou dramática, assim como uma profunda devoção.
Nas encruzilhadas das incertezas, por onde um parte e por onde outro vem, está o cruzeiro de pedra, como testemunho das mais íntimas ânsias.
No local onde se cometeu um pecado, onde se adorou um ídolo pagão, onde aconteceu uma tragédia, um assalto, uma morte, edificava-se um cruzeiro.
Marcam, pois, locais de acontecimentos individuais ou públicos, quer históricos, quer religiosos.
Os Cruzeiros que se encontram nos adros das igrejas tinham e têm como fim santificar esses espaços. Para esta santificação são determinantes as procissões que percorrem o perímetro da igreja e dão a volta ao redor do Cruzeiro. 
Os que se localizam nas encruzilhadas tinham como função cristianizar um local entendido como maléfico pelo povo, pois aí realizavam-se rituais pagãos que remontavam ao culto dos Lares Viais.
Os Cruzeiros sagram locais, dominam e protegem os campos. Recordam epidemias, assinalam momentos históricos, pedem orações e sufrágios e servem de padrões paroquiais nos adros das igrejas e capelas.
Constituem óptimos elementos para o estudo das crenças, dos costumes, qualidades e tendências artísticas do povo, nas várias épocas da sua história.
O Cruzeiro é uma forma de oração, um convite à reflexão, como um catecismo de pedra que nos introduz nos permanentes mistérios que movem filósofos, artistas e poetas: o enigma da origem da vida, a morte e o mundo.
Cada Cruzeiro tem uma história muito particular que, em muitos casos, deveria ser incluída nos conjuntos paroquiais, tão pouco estudados: igreja, adro, cemitério, ossário e casa paroquial.

“ O cruzeiro é inseparável da paróquia dos vivos e da paróquia dos mortos”.

Fonte: Vários sites na Internet
Santos Costa. Valdujo, Edição do Autor, 2011.
Artigo de Ana Torrejais, Blogue: Tactiboqueando 
Artigo de Sara Vieira/CM Lourosa
Artigo: Museu Etnográfico de castilla y Léon

Cruzeiros de Capelins, onde atualmente ainda existem 9 






A lenda da destruição dos painéis de Cristo na Igreja de Santo António de Capelins

A lenda da destruição dos painéis de Cristo na Igreja de Santo António de Capelins Conta-se que, a Igreja de Santo António de Capelins, mand...