sábado, 7 de dezembro de 2019

Resenha histórica de Capelins

Resenha histórica de Capelins
Como podemos verificar no dia 20 de Novembro de 1433 o Rei D. Duarte através de carta com a mesma data, fez a doação do Lugar de Ferreira que se situava junto à Ermida de Nossa Senhora das Neves, a D. Gomes Freire de Andrade, assim como, da Coutada de Terena que constituía a Defesa de Ferreira, no espaço geográfico da atual Freguesia de Capelins, mas aqui estava incluído o Baldio do Peral doado ao Povo do Termo (Concelho) de Terena cerca de 1300 por D. Gil Martins e sua mulher, o qual, acabou por lhe ser roubado pela Lei de 27 de Novembro de 1804, ou seja, por Dª Maria I a Piedosa!
Esta doação está registada na Chancelaria de D. Duarte, Livro 1 folha 107 v
Sobre este documento, tivemos de pedir esclarecimentos ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo, onde fomos atendidos de forma rápida e muito simpática, ao contrário da Câmara Municipal de Alandroal, sobre o esclarecimento das três toponímias de Montejuntos, demos o desconto!

CARTA DE DOAÇÃO DO LUGAR DE FERREIRA E DA COUTADA DE TERENA, CONCEDIDA POR D. DUARTE A GOMES FREIRE

📷 Documento simples NÍVEL DE DESCRIÇÃO
PT/TT/CHR/H/0001/606 CÓDIGO DE REFERÊNCIA
Atribuído TIPO DE TÍTULO
1433-11-20 📷 a 1433-11-20 📷DATAS DE PRODUÇÃO
5 linhas; perg. DIMENSÃO E SUPORTE
ÂMBITO E CONTEÚDO Ferreira, termo de Terena
Chancelaria de D. Duarte I, liv. 1, fol. 107 v. COTA ATUAL
Português IDIOMA E Escrita

Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Castelo da Vila de Terena

História de Capelins
Perante este documento redigido em Estremoz no dia 27 de Julho de 1380, podemos esclarecer algumas dúvidas que até aqui existiam, entre as quais, conforme encontramos escrito em alguns livros, não foi D. João I que doou as 4.000 libras à Villa de Terena para continuação da construção do seu Castelo, o qual, prevê-se que foi projetado por D. Dinis o lavrador, mas devido à falta de dinheiro, chegou ao reinado de D. Fernando com pouco mais do que a cerca e algumas Torres, sem condições de defesa, devido a não ter Barbacã nem outras defesas fundamentais!
Assim, não foi D. João I que fez a exigência das Coutadas (Defesas) em troca da ajuda das 4.000 libras, mas como já referimos tudo isso se passou com o rei D. Fernando I "O Formoso"!
É verdade que a Villa de Terena teve de doar ao dito Rei algumas Coutadas, com todos os direitos, entre as quais, a Coutada do Roncão, na atual Freguesia de Capelins, hoje designada herdade do Roncanito!

O original está nesta gaveta: Gaveta 12, mç. 2 1194-12-02/1773-05-08
Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Convenção feita por D. Fernando com o concelho da vila de Terena, pela qual o Rei recebia as defesas da Silveira, de Monte de Lobo e do Roncão com todos seus direitos, contanto que o dito senhor lhe desse quatro mil libras para se fazer o castelo da dita vila
📷 Documento simples Nível de descrição
PT/TT/GAV/12/2/12 Código de referência
AtribuídoTipo de título
1380-07-22 📷 a 📷 Datas de produção
Estremoz Datas descritivas
1 doc.; perg. Dimensão e suporte
O título está escrito a tinta vermelha. Âmbito e conteúdo
Gavetas, Gav. 12, mç. 2, n.º 12 Cota atual
PortuguêsIdioma e escrita
Manchas de coloração variável. Vincos, rugas. Desvanecimento da tinta. Pergaminho desidratado/rígido.Caraterísticas físicas e requisitos técnicos
Cópia em microfilme. Portugal, Torre do Tombo, mf. 7521, item 36.Existência e localização de cópias
Relação sucessora:

Portugal, Torre do Tombo, Leitura Nova, liv. 39 (Livro 2 de Reis), f. 190, coluna 2.

Transcrito sumariamente em Portugal, Torre do Tombo, Reforma das Gavetas, liv. 20, f. 15 v.Unidades de descrição relacionadas
Nota ao elemento de informação "Datas de produção": O documento está datado da Era de 1418.Notas.












A história de vida do João Soldado, da Villa de Terena

A história de vida do João Soldado, da Villa de Terena
"Dizem que havia um rapaz
Bem vestido mas mal fadado
E que por ser pobre
Teve de ir para soldado!"
Este rapaz era da Villa de Terena, de seu nome João António Ribeiro que, morava na Rua de Estremoz na Villa de Terena! Como a maioria das pessoas, nessa época, o João era muito pobre, mas muito feliz, e pagava de renda 5.000 réis metal por ano, ao dono das ditas casas que eram do Conde de Terena, porém em 1828 o dito Conde foi prestar contas ao Senhor, sendo um grande alívio para o João, a partir daquele dia deixou de pagar a renda, estava-se por meados de Dezembro, mesmo a calhar para ficar com os cinco mil réis metálicos! Passou mais um ano e não apareceu ninguém a pedir o dinheiro da renda, ele já pensava que as casas não tinham dono e, ficou com mais cinco mil réis, chegando aos 15.000 réis, já uma fortuna! A vida estava muito má na Villa de Terena e, o João continuava na pobreza, então alistou-se na Real Milícia de Vila Viçosa, com o posto de soldado, porque os seus estudos não davam para mais, ao menos, não lhe faltava comida na mesa! O João, agora Soldado, nunca mais pensou na renda da casa situada na Rua de Estremoz em Terena, pois se o dono tinha falecido da vida presente, e nunca mais apareceu ninguém a pedir o dinheiro da renda, pensou que, estava tudo arrumado, até ao dia em que foi chamado a prestar contas! O João soldado ficou muito surpreendido, como é que o Conde tinha voltado lá do céu a pedir-lhe o dinheiro das rendas? O cobrador da Fazenda Real explicou-lhe que, todos os bens que eram do Conde de Terena, após a sua morte tinham passado a ser do Rei, por isso, estava ali, para levar 15.000 réis metal, ou então, tinha de o mandar prender por dívidas ao Rei Nosso Senhor! O João Soldado, da Villa de Terena ficou estava em pé, mas quase caiu com grande tremor das pernas, que o outro teve pena dele, por fim, conseguiu dizer que era um simples soldado e além da comida, apenas ganhava um pré simbólico, não imaginava como podia pagar ao Rei! O cobrador reparando nas sua simplicidade, disse-lhe que ia ajudá-lo a escrever uma carta ao Rei a pedir-lhe o perdão da dívida e, assim fez!
A carta do João Soldado, chegou mesmo às mãos do Rei D. Miguel I, através do Conde de Bastos, mas foi devolvida pedindo esclarecimentos, depois, de nova tentativa o Rei indeferiu o seu pedido, escrevendo que, se ele não podia pagar, então pagava o fiador, o coitado de um jornaleiro de Terena, seu familiar, cheio de filhos que, com muitas dificuldades, teve de pagar os 15.000 réis à Fazenda Real!
Já nessa época o lugar de fiador era muito perigoso!
O João Soldado, continuou pobre até ao fim da sua vida, porque, de verdade, "quem nasce pobre, tarde ou nunca chega a rico".

Requerimento de João António Ribeiro, soldado do Regimento de Milícias de Vila Viçosa, solicitando perdão pelas suas dividas do aluguer das casas onde residiu, situadas na rua de Estremoz, vila de Terena

📷 Documento composto Nível de descrição
PT/TT/MR/EXP/051/0117/00009 Código de referência
1832 📷 a 📷Datas de produção
1 proc.; papel Dimensão e suporte
Ministério do Reino, mç. 760, proc. 9 Cota atual
Português Idioma e escrita
Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Esta é a folha 1 de 14 da carta e processo da dívida do João Soldado da Vila de Terena
História da Villa de Terena - 1314
Como já aqui referimos várias vezes, El-Rei D. Dinis, após a morte de D. Gil Martins, senhor de Terena , em Dezembro de 1312, confiscou os seus bens a favor da Coroa, entre os quais, a Vila de Terena e seu Termo (Concelho), porém, fez quase, imediatamente a doação do mesmo a seu filho o Infante Afonso que,veio ser o Rei D. Afonso IV, conforme podemos confirmar na respetiva carta de doação!

Carta de doação de Viana e Terena, concedida por D. Dinis a D. Afonso, infante de Portugal
📷 Documento simples Nível de descrição
PT/TT/CHR/C/001/0003/08801 Código de referência
FormalTipo de título
1279-02-16 📷 a 1325-01-07 📷Datas de produção
1 doc.; perg. Dimensão e suporte
Documento descrito no índice Portugal, Torre do Tombo, Chancelaria de D. Dinis: Índice dos próprios, L 25, f. 4 (PT/TT/ID/1/25).

Este Instrumento de Descrição Documental, não datado, foi substituído pelo catálogo em linha, em 2010.História custodial e arquivística
Chancelaria de D. Dinis, liv. 3, f. 88v.Cota atual
Português Idioma e escrita
Arquivo Nacional da Torre do Tombo



sábado, 21 de setembro de 2019

Convento de Nossa Senhora da Orada - Monsaraz

Breve História do Convento de Nossa Senhora da Orada, dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho em Ferragudo, Monsaraz
Santo Agostinho de Hipona, nasceu em Tagaste, na Argélia, no dia 13 de Novembro do ano de 354 e faleceu em Hipona, Argélia no dia 28 de Agosto do ano de 430! 
Santo Agostinho foi Bispo de Hipona e, um dos mais importantes teólogos e filósofos dos primeiros séculos do Cristianismo, escreveu várias obras, destacando-se "A cidade de Deus" e "Confissão" que, atualmente, ainda se estudam! 
Em 1298, Santo Agostinho foi reconhecido Santo pelo Papa Bonifácio VIII, mas já tinha sido canonizado por aclamação popular, devido ao grande número de seguidores do seu pensamento e da sua filosofia de vida, designados Eremitas  de Santo Agostinho! 
Após o Concílio de Latrão de 1059, surgiu a primeira Congregação chamada Cónegos Regrantes da Ordem de Santo Agostinho que seguiram duas vias principais, uma mais rigorosa e severa, apontando o caminho da clausura reforçada pelo jejum, pela castidade, pelo silêncio, pelo trabalho manual e pelo serviço coral e divino e, a outra mais moderada!   
Como existiam muitos grupos de Eremitas de Santo Agostinho, por várias vezes, alguns Papas fizeram a sua união, até que, em 1567 o Papa Pio V deu-lhe o estatuto de Mendicantes e, novamente surgiram dois ramos: A Congregação dos Ricoletos da Ordem de Santo Agostinho e, em 1588 a Congregação dos Eremitas Descalços da Ordem de Santo Agostinho! 
Os seguidores do pensamento de Santo Agostinho surgiram em Lisboa no ano de 1147, em simultâneo com a conquista desta cidade pelo rei D. Afonso Henriques aos Mouros, eram apenas dois, fizeram um pequeno Eremitério em S. Gens e, passados alguns anos fundaram o primeiro Convento de Santo Agostinho, depois designado por Convento da Graça! 
A Congregação dos Eremitas Descalços da Ordem de Santo Agostinho que, já existiam desde 1588, chegou a Portugal no ano de 1664, construindo o seu primeiro Eremitério no sítio do Grilo, levando a população que gostava muito deles, a designá-los por Frades Grilo, apresentavam muita pobreza, usavam uma simples cobertura de lã rude e andavam descalços!
Os Eremitas da Ordem de Santo Agostinho, foram muito bem recebidos em Portugal, construindo cerca de uma centena de Mosteiros e Conventos, de norte a sul, sendo 43 dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, 2 de Cónegas Regrantes de Santo Agostinho, 26 dos Eremitas Calçados de Santo Agostinho, 6 de Eremitas Calçadas de Santo Agostinho, 17 de Eremitas Descalços de Santo Agostinho e 1 de Eremitas Descalças de Santo Agostinho!
A Congregação ou Ordem dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho, atingiu o seu auge, pelo ano de 1700, com cerca de 2000 membros, assim, nesta época foram construídos vários conventos, entre os quais, sete no Alentejo, Portalegre, Évora, Montemor-O-Novo, Estremoz, Orada - Monsaraz, Mourão e Grândola!  
A Ordem dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho, ou Agostinhos Descalços, logo que chegaram a Portugal escolheram o Termo (Concelho) de Monsaraz, para a construção de um Convento, então, em 1670, por alvará do rei D. Afonso VI, o mesmo, foi autorizado e, começaram as negociações com o Arcebispo de Évora D. Pedro de Lencastre e, com o Priorado de Monsaraz, sobre o lugar e as condições da sua implementação! 
Depois de alguns estudos feitos por Fr. Manuel da Conceição, responsável pela introdução da Ordem em Portugal e, por outros religiosos, a escolha do sítio onde o Convento  seria edificado, foi exatamente no lugar onde estava situada a Capela de Nossa Senhora da Orada, no Ferragudo, que tinha sido construída por encomenda de D. Nuno Álvares Pereira no início do decénio de 1380, na qual, o condestável gostava de orar quando estava por estas bandas, antes da partida para as batalhas com os castelhanos, então, para construir o Convento, a Capela teve de ser demolida, ficando o seu lugar marcado pelo cruzeiro que se encontra fronteiro à igreja! 
A Ermida de Nossa Senhora da Orada tinha sofrido profundas alterações nos finais do século XVI, tendo passado para a comenda da Ordem de Cristo por vontade do Duque de Bragança, assim, a mesma foi imediatamente entregue à Ordem dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho, onde, desde 10 de Abril de 1673 começaram a chegar religiosos, chegando a 20, ainda antes de 1700! 
No ano de 1700, o Convento de Nossa Senhora da Orada, começou a ser construído com o incentivo do padre João Calvário daquela Ordem, a qual, também ordenava padres e, do Pároco da Paróquia de S. Tiago, porém, devido à sua dimensão, por falta de financiamento, só foi concluído em 28 de Agosto de 1741! 
O edifício é de planta quadrada, apresenta uma igreja a Sul e um claustro central, é de arquitetura bastante sóbria, constituído por dois pisos, sendo que, no piso superior, são visíveis pequenas janelas de moldura simples, quadrangular e em pedra, correspondendo aos vãos das antigas celas dos eremitas que, não deviam ser, em simultâneo, mais de doze, a quinze, incluindo os leigos!
A fachada principal que é composta pela frontaria da nave e do campanário foi alterada devido à sua destruição pelo terramoto de 1755, sendo, então,  construído, sobre a cornija, um frontão ondulado com nicho! No piso superior, um nártex ladeado por duas janelas e três janelões, compõem esta fachada pintada de branco! 
No seu interior, o edifício define-se pela articulação vertical de dois pisos com coberturas diferenciadas em abóbadas de berço e a talha que ainda existe nos altares da igreja, conserva parte da decoração original de ornatos e festões vegetalistas! 
O Convento de Nossa Senhora da Orada, entre 1673 e 1820, quando foi inserido no Convento dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho, acolheu cerca de 32 Eremitas Descalços daquela Ordem, cujo número, nome, naturalidade e data de entrada no Convento foram os seguintes: 
55 - Pe. Fr. Nicolau da Purigicação, de Santa Maria Monsaraz,  15- 02 - 1673; 
57 - Pe. Fr. Manuel de Santo Ignácio, de S. Pedro de Fratel, Guarda, 10 - 04- 1673; 
58 - Pe. Fr. Guilherme de Amor Divino, de Vila de Fronteira, 10 - 04 -1673;
72 - Fr. António da Conceição, de Freguesia de Cordovil dos Reguengos, 10 - 09- 1673;
81 - Fr. Manuel de Jesus, de Vila de Portel, 02 - 01 - 1674; 
82 - Fr. Pedro da Orada, de Vila de Portel, 17 - 01- 1674; 
83 - Fr. Manuel do Sacramento, de Vila de Portel, 17 - 01 - 1674; 
154 - Fr. Manuel do Nascimento, de Penalva, Viseu, 04 - 06 - 1675;
180 - Fr. Gregório de Santo António, de Fundão, Guarda, 10 - 02 - 1677;
191 - Fr. Domingos de Santa Maria, de Villares, Trancoso, 17 - 06 - 1677; 
251 - Fr. Gaspar do Espírito Santo, sem indicação de naturalidade, 16 - 08 - 1680; 
252 - Fr. Diogo do Rosário, de Estremoz, 18 - 08 - 1680;
265 - Fr. Manuel de Madre de Deus, mudou para Fr. Manuel da Consolação, de Elvas, 31 - 08 - 1681;  
266 - Fr. João dos Santos, de Linhares, Bispado de Coimbra, 08 - 12 - 1681; 
286 - Fr. João de Deus, de Santa Engrácia, Lisboa, 27 - 07 -1683;
288 - Fr. Domingos de Madre de Deus, de Linhares, Bispado de Coimbra, sem data de entrada;
324 - Fr. João de Santa Catharina, de Vila de Monsaraz, 04 - 07 - 1688;
390 - Fr. Sebastião da Orada, de Vila de Monsaraz, 06 - 09 - 1694; 
434 - Fr. Manuel dos Reis, de Évora, 28 - 04 - 1694; 
444 - Fr. Manuel do Rosário, de Évora, 11 - 05 - 1698; 
577 - Fr. Thomé da Orada, de Vila de Monsaraz, 27 - 12 - 1713; 
870 - Fr. Sebastião da Orada, de Atalaia, Pinhel,  23 - 01 - 1731;
1911 - Fr. António de Estrella (transitou), de Portalegre, 29 - 09 - 1742; 
1406 - Fr. José de S. Vicente, de Manigoto, Pinhel, 06 - 08 - 1780; 
1512 - Fr. António de Nossa senhora da Orada, de Vila de Monsaraz, 29 - 09 - 1785;
1513 - Fr. Francisco de Nossa senhora da Orada, de Vila de Monsaraz, 29 - 09 - 1785;
1739 - Fr. João do Rosário, de Évora, 09 - 12 - 1796; 
1750 - Fr. António de S. Roque, de Vila de Monsaraz, 20 - 03 - 1797; 
1754 - Fr. Joaquim de Santa Cecília (organista), de Évora, 29 - 03 - 1797; 
1762 - Fr. Bento da Purificação, de Vila de Mourão, 12 - 04 - 1797; 
1767 - Fr. Joaquim da Pureza de Nossa Senhora, de Nisa, 19 - 06 - 1797; 
1769 - Fr. Fernando de S. Remígio, de Vila de Mourão, 12 - 07 - 1797. 
Os Eremitas Descalços de Santo Agostinho, do Convento de Nossa Senhora da Orada, tal como os seus congéneres, depois de passarem por leigos, faziam o voto de profissão religiosa, andavam descalços e vestiam apenas uma cobertura de lã rude como sinal externo de desprendimento de penitência e de entrega total à Divina Providência, no entanto, o Convento tinha muitos bens, propriedades e muito dinheiro, provenientes de doações, os quais, os irmãos não usavam em proveito próprio, mas ajudavam o próximo, serviam de modelo às populações devido aos seus ensinamentos e estilo de vida, da forma organizada e bem preparada que utilizavam para intervir junto das populações que, a eles recorriam em momentos de júbilo ou, por necessidades de vária ordem, calamidades causadas por  guerras, pestes, fome, doenças e outras situações! 
Como prova de que, este Convento tinha muito dinheiro, o qual, emprestava com escritura de juro, vejamos o caso do cidadão de Évora, Nicolau Barreto de Andrade que, em 1713 contraiu um empréstimo junto do Convento de Nossa Senhora da Orada, no termo (Concelho) de Monsaraz, de 200.000 réis, assinando um contrato, no qual, se comprometia a pagar 5 % de juro ao ano! Como garantia, hipotecou as casas onde vivia, localizadas na Rua do Paço (Adro de S. Francisco) em Évora e a herdade de Almeirim sita nos Coutos de Évora que, antes da hipoteca estava arrendada por 4 moios de pão terçado, uma marrã e um carneiro por ano, porém, talvez devido à doença, associada à família numerosa, tinha seis filhos, não conseguiu pagar os juros ao Convento, então, estes bens foram sequestrados e ficou na miséria, valendo-lhe a Santa Casa da Misericórdia de Évora que, começou a dar-lhe uma mesada de 480 réis! Não sabemos se o Convento de Nossa Senhora da Orada o ajudou, mas parece que, o cidadão Nicolau Barreto de Andrade, perdeu a herdade de Almeirim, ficando com as casas para morar com a sua família, decerto, mais confortável do que os Eremitas Descalços do Convento de Nossa Senhora da Orada que, lhe emprestou 200.000 réis, muito dinheiro nessa época! Era assim, a sua regra de vida!  
Em 1820, por ocasião da reestruturação da Ordem, foram anexados ao Convento de Santa Maria de Portalegre parte dos bens do então extinto Convento de Nossa Senhora da Orada, de Ferragudo, Monsaraz, fixando-se, então, em doze religiosos e três leigos os membros da Congregação de Portalegre! Este número de Eremitas Descalços de Santo Agostinho demonstra que, já em 1820, a Ordem estava em crise e a Congregação do Convento de Nossa Senhora da Orada foi extinta por falta de religiosos!
A documentação deste Convento, encontra-se no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, conforme se pode verificar na seguinte publicação: 
CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA ORADA DE MONSARAZ
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Fundo Fundo
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/CNSOM
TIPO DE TÍTULO
Atribuído
DATAS DE PRODUÇÃO
1673 A data é certa a 1673 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE
1 liv.; papel
HISTÓRIA ADMINISTRATIVA/BIOGRÁFICA/FAMILIAR
O Convento de Nossa Senhora da Orada de Monsaraz era masculino, e pertencia à Ordem dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho (Agostinhos Descalços).
Em 1700, o convento foi fundado.
Em 1741, foram concluídas as obras.
Em 1755, o edifício foi afectado pelo terramoto.
Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.
Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional.
HISTÓRIA CUSTODIAL E ARQUIVÍSTICA
Não é ainda conhecida a história custodial desta documentação.
No final da década de 1990, foi abandonada a arrumação geográfica por nome das localidades onde se situavam os conventos ou mosteiros, para adoptar a agregação dos fundos por ordens religiosas.
ÂMBITO E CONTEÚDO
Contém livro de profissões dos religiosos.
Guia de Fundos Eclesiásticos; Ordem dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho; Masculino
SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO
Ordenação numérica específica para cada tipo de unidade de instalação (livro).
INSTRUMENTOS DE PESQUISA
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000- . Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em actualização permanente.
Índice (inventário) dos livros de diversos conventos, ordens militares e outras corporações religiosas guardados no Arquivo da Torre do Tombo, conventos diversos, caderneta 3 (Santo Elói a Teatinos) (C 270) f. 83. Descreve 1 livro.
UNIDADES DE DESCRIÇÃO RELACIONADAS
Portugal, Torre do Tombo, Ministério das Finanças, cx. 2238, inv. n.º 269
DATA DE CRIAÇÃO
04/04/2011 00:00:00
ÚLTIMA MODIFICAÇÃO
02/02/2017 13:27:30 

Fim 

(Com base na consulta de vários documentos na internet) 

Convento de Nossa Senhora da Orada em Ferragudo - Monsaraz



quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Guerra da Restauração Uma incursão no termo de Monsaraz (28 e 29 de Setembro de 1645) - O rebate em Évora

Guerra da Restauração
Uma incursão no termo de Monsaraz (28 e 29 de Setembro de 1645) - O rebate em Évora

Conforme tinha sido referido na primeira parte desta série, um dos documentos inéditos acerca desta operação reporta-se ao sucedido em Évora, quando aí chegaram as notícias da entrada da força espanhola no termo de Monsaraz. É esse documento que a seguir se transcreve:
Sexta-feira, 29 de Setembro de 1645, dia de S. Miguel, pouco depois do meio dia, chegou recado ao capitão-mor Luís de Miranda de João de Mira, lavrador, capitão do campo da freguesia de S. Vicente, que aquela manhã vinha entrando grande poder de gente castelhana, tanto avante que entendeu que marchava para esta cidade. Mandou logo o capitão-mor chamar o sargento-mor, que viesse correndo a casa do chantre para que mandasse picar o relógio a rebate e fizesse fechar todas as portas da cidade, tirando a de Alconchel, e tocarem caixa todas as companhias; fosse tudo com muita diligência, cerrando-se as portas das estacadas, que algumas estavam no chão. Acudiram a casa do capitão-mor todos os oficiais, e o capitão Luís da Silva Vasconcelos ia correndo pela cidade a cavalo dizendo “Arma, senhores, arma”, o que causou grande perturbação nas mulheres, levantando a esta voz seus choros e gritos. Levou-se o recado ao Cabido, porquanto o senhor chantre estava de cama sangrando daquela manhã, presidindo o tesoureiro-mor Dom Veríssimo, e se mandou logo a todos os clérigos da cidade que tomassem armas, e mandaram recado a todos os conventos de religiosos para que estivessem prestes. O primeiro de todos que se foi oferecer ao capitão-mor foi Dom Rodrigo de Melo, arcediago e cónego da sé, com 24 criados armados; o mesmo fez Dom Teotónio Manuel e Dom Veríssimo, a que se seguiu uma numerosa companhia de clérigos, que levavam por capitão o mestre-escola Duarte de Vasconcelos com um arcabuz às costas, e os mais todos armados com mosquetes e espingardas. O mesmo fizeram todos os fidalgos da terra, como foram Fernão Martins Freire, seu filho Luís Freire, Henrique de Melo de Azambuja, Manuel de Mendo, Martim Ferreira da Câmara, Jorge da Silva Velho, Rui de Brito, Dom João Solis, Vasco de Melo e toda a nobreza da cidade. Foi a gente tanta que se puderam coroar os muros, porém contentou-se o capitão-mor em mandar ocupar a praça com um grande corpo de guarda, e em cada porta da cidade outro, e pelos muros, em cada ponta do lenço, um soldado de vigia.  Com o repique do relógio acudiu muita parte da gente que andava na vindima ao longo da cidade, e trouxeram consigo o gado que tinham. A gente de cavalo se ajuntou também na praça com seu capitão João de Macedo, não chegavam a cento, deles escolheu o capitão-mor uma tropa de vinte e cinco, que com o mesmo João de Macedo mandou que fossem pelo caminho de Montoito, por onde diziam que o inimigo vinha, até achar língua, e que não passasse de Montoito. Estando todas as coisas neste estado, chegou um correio de Elvas, que mandava o Conde general ao capitão-mor, pedindo-lhe cavalgaduras de carga para a bagagem do nosso exército, em caso que o inimigo saísse de Badajoz, donde até então não tinha partido. Veio este correio por Vila Viçosa e pelo Redondo e chegou à cidade às quatro horas, sem em todo o caminho se achar nova, nem rumor algum da entrada dos inimigos, por onde se entendeu que o lavrador João de Mira se enganou em cuidar que marchavam os castelhanos pela terra dentro. A certeza deste discurso se confirmou logo, porque pouco depois chegou recado de João de Mira que os castelhanos, chegando a algumas herdades, tomavam o gado e roubavam as casas e se tornavam. Mandou logo o capitão-mor este recado ao senhor chantre, com o qual se recolheram os eclesiásticos e fidalgos, mas a cidade ainda se ficou guardando pela gente da ordenança. O capitão João de Macedo passou a noite em Montoito, onde se ouviram muitas peças de artilharia e muitos mosquetes. E ao outro dia se soube como saindo alguma gente daquelas freguesias a esperar os inimigos no vau por onde dizem que entraram, lhe deram algumas cargas, com que lhe fizeram deixar todo o gado que levavam, com morte de cinco castelhanos, fugindo os outros todos, muitos deles feridos, deixando alguns cavalos. O padre regedor da Universidade mandou repicar o sino do colégio, e como eram férias e não vindos ainda os estudantes de fora, acudiram somente alguns da cidade, que não chegaram a fazer número de trinta, mas esses armados, e mandando-lhe o reitor dar sua bandeira e tambor, saíram pela cidade até casa do capitão-mor, e tornando ao colégio ficaram toda a noite guardando a trincheira da cerca.
Os castelhanos dizem que eram sete tropas, e segundo isto não podiam chegar a duzentos e cinquenta, ainda que ao outro lhe pareceu que eram quinhentos. O guia desta gente era um negro escravo de um fidalgo de Monsaraz que tinha fugido para Castela, este, como conhecia todos os lavradores daquele território e os portos por donde se podia passar o Guadiana, os devia persuadir a fazerem esta entrada, ou com esta ocasião a tomaram eles, por onde parece isto era gente solta de Xerês e Ensinasola e Aroche. O negro os trouxe pelas herdades dos mais ricos, ou dos menos amigos, mas como pela artilharia de Mourão viram que eram sentidos, procuraram logo voltar, e nas herdades onde achavam resistência passavam por se não deter.
FonteEntrada de Castelhanos no campo de Monçaràs e rebate de Évora (Biblioteca Nacional de Madrid, ms. 8187, fls. 41 v-42 v). 
Monsaraz



Guerra da Restauração 1640 - 1668

Guerra da Restauração 1640 - 1668

A última campanha de Mateus Rodrigues - a reconquista de Mourão, Outubro - Novembro de 1657

A derradeira presença do soldado Mateus Rodrigues no Alentejo ocorreu entre 1657 e 1658, mas deste período apenas deixou uma descrição detalhada da campanha de Mourão. Abandonara o exército da província do Alentejo nos inícios de Fevereiro de 1654, ao fim de quase doze anos e meio de serviço e poucos dias antes da publicação do decreto régio que fixava em oito anos consecutivos o máximo tempo de serviço que um soldado pago devia cumprir antes de ser desmobilizado. Regressado à sua Águeda natal, ali casou, o que devia escusá-lo definitivamente de ser reconduzido ao cenário de guerra. No entanto, regressaria ao Alentejo três anos depois, obrigado pela fome. De acordo com as suas palavras,
(…) ninguém diga deste pão não hei-de comer, por farto que se veja, porque lá vem um ano mau de fome que obriga a comer (…) tudo quanto há. Pois o fim foi (…) que para mim houve tanta fome (…) que me obrigou a que fosse outra vez a ver as ditas guerras, desterrando-me a fortuna um ano inteiro fora de minha casa. (Memorial de Matheus Roiz, pg. 423)
O destaque dado à campanha de Mourão no derradeiro capítulo das suas memórias é justificado pelo soldado de cavalos pela sua afeição a Joane Mendes de Vasconcelos. Desejava assim destacar a “fama, valor e sabedoria” daquele cabo de guerra, logo secundado, na admiração e devoção do autor, pela figura de André de Albuquerque Ribafria.
Olivença e Mourão caíram em poder dos espanhóis no decurso da campanha de 1657. Se a primeira daquelas praças, tomada em Maio, foi uma perda de monta, principalmente pelo impacto negativo no moral (era uma das principais da fronteira alentejana e um dos vértices do triângulo defensivo Elvas-Campo Maior-Olivença), já Mourão – perdida em Junho – se revelou um problema maior para os portugueses. A partir dali, o inimigo fazia incursões nos campos do termo de Monsaraz, rapinando lavouras e gado, aldeias e montes, o que levava muitos moradores a abandonarem os seus haveres e casas, não se sentindo seguros.
Entradas de maior envergadura e alcance levaram a cavalaria inimiga até demasiado perto de Évora. Daí as repetidas queixas e solicitações à Rainha regente, para que ordenasse a reconquista de Mourão e o fim dos sobressaltos. É que sendo a região em redor de Olivença pouco povoada, não dava a perda daquela praça tantas preocupações como Mourão, cuja posse abria caminho ao controlo ou saqueio de vastas e férteis terras.
A Rainha acabou por ordenar a Joane Mendes de Vasconcelos que preparasse uma campanha destinada a retomar a praça. Todo o processo foi mantido em segredo, para que não constasse o verdadeiro objectivo do exército a formar. A partir daqui, sigamos a narrativa de Mateus Rodrigues.
Junta a gente das províncias, como era um terço de infantaria do Algarve muito bom, mas pequeno; e os de Lisboa, um terço novo da Câmara, e o da Armada; e com as tropas da Beira e muita quantidade de auxiliares de todas as comarcas deste Reino, para ficarem de guarnição nas praças, se saiu na maneira seguinte:
Aos vinte e um dias de Outubro, ao domingo à tarde, saiu o senhor Joane Mendes e o senhor André de Albuquerque com a maior parte do exército e com toda a artilharia, que constava de seis meios-canhões de 24 libras e oito peças de 12 libras e trabucos e outros artifícios de fogo.
Chegaram a Vila Viçosa pela manhã, onde fizeram alto até à tarde, donde se puseram outra vez em marcha. E chegando no outro dia pela manhã a Terena, que são duas léguas, mas muito grandes e de muito mau caminho para a artilharia, (…) aí fizeram alto e por decurso da tarde começaram a marchar, chegando à quarta-feira a Monsaraz, que já não fica mais de uma légua de Mourão. E aí se fez alto até de noite, que começou a marchar a carriagem para Mourão.
Tornando agora (…) atrás, digo que Dom Sancho Manuel, mestre de campo general na província do Alentejo, que suposto governa o partido de Penamacor, foi feito por Sua Majestade, na ocasião desta campanha, mestre de campo general, e daí ficou para sempre, (…) que merece como todos o metam na conta, como é o general da artilharia Afonso Furtado de Mendonça, que obrou em seu cargo como adiante se verá.
Digo que Dom Sancho Manuel marchou diante do grosso do exército com seis terços de infantaria e um grosso de cavalaria de 600 cavalos com suas bagagens, e quando o nosso exército chegou a Monsaraz à quarta-feira, já Dom Sancho tinha amanhecido com o seu grosso à roda de Mourão, atacando a praça, de modo que nunca foi possível poder o inimigo lançar fora aviso algum, e alguns que botava, todos lhos apanhavam cá fora. E como o inimigo não via mais que aquele pouco grosso, fazia zombaria dos nossos. Começou a jogar com sua artilharia e mosquetaria, mas com pouco efeito, porquanto os nossos estavam encobertos e não recebiam dano do inimigo, nem o inimigo também recebia dos nossos, porque eles não podiam pelejar em forma até que não chegasse o nosso exército todo junto. (MMR, pgs. 427-429).

Blog de História Militar dedicado à Guerra da Restauração ou da Aclamação, 1641-1668

Monsaraz

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