Os tradicionais alforges, na Freguesia de Capelins
Um alforge tradicional era constituído por dois sacos opostos, pegados na mesma base, mas um pouco afastados um do outro, que se usava, antigamente na Freguesia de Capelins, assim como, no Alentejo e noutras regiões de Portugal, para ajudar no transporte de quase tudo.
O nome de alforge, ou alforje, tem origem na língua árabe, derivando do termo al-khurj, que significa saco de viagem, o qual era transportado no lombo, junto, ou em cima da albarda das muares ou burras, ou da sela dos cavalos, mas também, podia ser transportado a pé, ao ombro de uma pessoa.
Um alforge, não era difícil de fazer, mas exigia alguns conhecimentos de artesanato, o tecido tinha de ser resistente, alguns eram de linho, outros de pele curtida de animais ou couro, mas a maioria eram do mesmo tecido das mantas, ou seja, de lã, de trapos ou de linha, tricotados nos teares, com algumas adaptações e acabados à mão, por pessoas habilitadas, ou por um artesão.
Para fazer um alforge, começavam por escolher o tecido e por talhar o alforge, ou por tricotar, num tear manual, uma faixa com a largura do alforge que queriam construir e com o comprimento suficiente para depois dobrar e fazerem um saco em cada extremidade com a capacidade que desejavam e na distância suficiente um do outro para ao ser transportado ao ombro de uma pessoa ficar cada saco equilibrado com a carga igual em cada um dos lados, ou seja, um saco junto ao peito e outro nas costas, mas se fosse por uma muar ou burra, ficavam posicionados um saco de cada lado da barriga ou da albarda do animal.
Nas Aldeias de Faleiros, Ferreira e Montejuntos, todas as pessoas que tinham burras, também tinham pelo menos um alforge, senão dois, porque havia alforges para o trabalho feitos de tecido de lã caseiro em tons escuros e naturais, forrados para maior resistência, e outros para levar às festas e feiras que eram mais coloridos, confecionados com tecidos finos e decorados com bordados florais ou borlas, e era dentro deles que transportavam quase tudo, desde os mantimentos, ferramentas, as compras nas feiras ou numa casa de comércio, e os pastores usavam-nos para transportar os mantimentos e os borregos recém nascidos que não conseguiam acompanhar as mães, na transumância ou nas pastagens, metiam-nos dentro do alforge em cima das burras, com a cabeça de fora, e o rebanho não parava o andamento.
Em todos os Montes das herdades da Freguesia de Capelins, havia vários alforges, não saiam num cavalo, mula ou burra, que não levassem um alforge, para levarem ou trazerem de volta, fosse o que fosse, porque no alforge tanto cabia muita, como pouca coisa.
O alforge, faz parte do património histórico cultural e dos saberes tradicionais, da Freguesia de Capelins.
Fim
Texto: Correia Manuel
Alforge tradicional
(Fotografia de Sedas - Mértola)

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