Os tradicionais tropeços de cortiça, na Freguesia de Capelins
Um tropeço era/é um banco baixo, tradicional, feito de cortiça, que se usava na Freguesia de Capelins, assim como, em todo o Alentejo.
Como eram assentos muito usados no meio rural, deixavam-nos em qualquer lugar, quase sempre mal iluminado, e devido às suas pequenas dimensões não era fácil de ver e as pessoas andavam sempre a tropeçar neles, acabando por ganharem o nome de tropeços.
Um tropeço, não era difícil de construir, mas exigia alguns conhecimentos de trabalhar a cortiça, eram feitos à mão, com cortiça escolhida e preparada por um ganadeiro habilitado, neste caso, um guardador de gado, ou por um artesão.
Para fazer um tropeço começavam por cortar a cortiça, depois era cozida e descascada, a seguir acertavam, pelo menos, dois quadrados, sendo um para a base e o outro para o topo e, conforme a dimensão, a altura que queriam, assim, seria o número de retângulos do tamanho de um terço dos ditos quadrados, que tinham de cortar, os quais, podiam ser de, oito a dezasseis, a seguir coziam novamente a cortiça e lixavam-na para ficar lisa e ajustar melhor, onde os retângulos assentavam dois de cada lado em paralelo, alternando os lados a sobrepor os retângulos, ocupando um terço do espaço cada um, de cada lado, pregados com cavilhas de madeira, ficando o último terço livre ao meio, ou seja, oco, sempre assim, de baixo a cima, os seguintes eram trocados de posição com os anteriores, ficando por cima deles, formando um fole, de forma a que, o tropeço no seu todo funcionasse como se tivesse molas, devido à elasticidade e resistência da cortiça que tornava o assento confortável, alguns tropeços mais trabalhados, tinham as arestas boleadas que lhes concedia melhor apresentação.
Importa referir que existiam tropeços de cortiça, talvez mais antigos, diferentes dos anteriores, mais simples, cuja base e topo eram redondos e estavam pregados com cavilhas de madeira a três colunas de cortiça grossa, que suportavam o peso de uma pessoa.
Havia tropeços de vários tamanhos, uns mais pequenos para crianças, outros com maiores dimensões e podiam ver-se em algumas casas nas Aldeias de Faleiros, Ferreira e Montejuntos, porque davam muito jeito para se sentarem ao lume na chaminé, ou à soalheira, ou noutros lugares, porque devido à sua leveza eram fáceis de levar, e também serviam para qualquer pessoa se empoleirar para chegar melhor a qualquer coisa que estivesse mais alta, mas onde existiam mais tropeços era nos Montes das herdades, nas malhadas, choças dos pastores, casas dos ganhões, e nos cabanões, nos quais, habitavam famílias.
O tropeço de cortiça, faz parte do património histórico cultural e dos saberes tradicionais, da Freguesia de Capelins.
Fim
Texto: Correia Manuel
Tropeço
(Fotografia de A vida portuguesa)

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