terça-feira, 27 de novembro de 2018

Povoado de Miguéns - Capelins Povoação da Proto História - Idade do Ferro - 2.800 anos.

Povoado de Miguéns - Capelins
Povoação da Proto História - Idade do Ferro - 2.800 anos. 

Paisagem: Localiza-se sobre uma pequena elevação sobranceira ao Guadiana, de solos esqueléticos, com reduzida capacidade agrícola. Apesar de pouco destacado,

controlava visualmente vários quilómetros do curso do rio.

Estruturas: A intervenção permitiu verificar a presença de dois compartimentos, de planta quadrangular, contíguos, um com mais de dez metros quadrados e outro de dimensões bastante menores, tendo sido apenas parcialmente delimitados. Em termos técnicos, os muros encontravam-se construídos quase exclusivamente em blocos de quartzo de médio e grande calibre, bastante irregulares.

Artefactos: O conjunto artefactual é escasso e exclusivamente de produção manual; as formas de perfil em “S” dominam, estando atestadas as decorações incisas aplicadas sobre a parede dos recipientes. Será de realçar a presença de um número relativamente elevado de cossoiros ou contas de colar em cerâmica; na realidade, a separação entre ambos não resulta fácil nem linear, não sendo o perfil ou a largura
da perfuração elementos determinantes, pelo que no conjunto recolhido poderemos ter ambos os artefactos representados.

Cronologia: Finais do séc. VIII e parte do séc. VII a.C
Arqueólogos:
Manuel Calado*
Rui Mataloto**
Artur Rocha***


Miguéns 





Espinhaço de Cão - Defesa de Bobadela - Capelins Povoação da Proto história - Idade do Ferro - 2.500 anos

Espinhaço de Cão - Defesa de Bobadela - Capelins 
Povoação da Proto história - Idade do Ferro - 2.500 anos

Paisagem: Implanta-se sobre o topo e encosta Sul de um destacado esporão, sobranceiro ao Guadiana, apresentando grande controlo visual sobre o curso do rio, a jusante. Integra-se numa área particularmente pobre, em termos agrícolas.
Estruturas: O conjunto arquitectónico apresenta-se bastante amplo e complexo, contando com várias centenas de metros quadrados de área edificada e mais de uma dezena de compartimentos de planta ortogonal, distribuídos aparentemente em torno de dois pátios interiores. O edificado apresenta um complexo faseamento interno, com destruição e aproveitamento parcial das estruturas mais antigas. Todavia, o processo aditivo das construções parece denunciar a sua consolidação e expansão ao longo da diacronia de ocupação. Identificaram-se grandes compartimentos rectangulares, com mais de uma dezena de metros quadrados, abertos a nascente, a par de outros de planta quadrada, nos quais surgem claros indícios de diferenciação arquitectónica. Um destes compartimentos possui uma caleira central e pavimento em grandes lajes de xisto; no outro caso, o edifício quadrado apresenta uma primeira fase um amplo vão virado a nascente, com um piso de argila vermelha e uma pequena estrutura de fogo de planta quadrangular, em adobe, sobrelevada em relação ao piso, adjacente a um banco igualmente em adobe, adossado ao muro do edifício; num segundo momento, estas estruturas foram amortizadas, tendo sido alteado o piso e construída, no exterior, uma escadaria de acesso, com pelo menos três degraus. Foi registado apenas um compartimento de planta subcircular.
Identificaram-se diversos equipamentos construídos no interior e exterior dos compartimentos, como bancos/poiais, escadarias, caleiras de escoamento de água, lareiras, entre outras funcionalmente indefinidas. A par destas, surgiu, no interior de um com­partimento, aparentemente aberto do lado nascente, uma estrutura de planta subcircular, com cerca de 2,5 m de diâmetro, maciça, constituída por blocos de média e grande dimensão, sobreposta por um piso em seixos de quartzito e uma cobertura em barro cozido.

Cronologia: Finais do séc. VII a.C.-inícios do séc. V a.C.
Manuel Calado*
Rui Mataloto**
Artur Rocha***

Povoação de Espinhaço de Cão - Capelins 



segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Os Moinhos do rio Guadiana nas Terras de Capelins

Os Moinhos do rio Guadiana nas Terras de Capelins 

Em Montes Juntos, aldeia que serviu de residência a diversos moleiros, os moinhos do Guadiana são o motivo central de um memorial erguido junto ao antigo posto da Guarda Fiscal, mas também de quadras feitas por residentes recentemente colocadas nas paredes do casario em redor do edifício.

Azenhas D' El-Rei

A Azenha dEl Rei de fora teve um aferido com uma cobertura temporária, de mato, que, no século XX, foi substituída por uma cobertura de cimento.
Já a Azenha d’El Rei de dentro dispunha de uma abertura ou janela na sua parede divisória interior, correspon-dente à linha de fronteira entre Portugal e Espanha, que, segundo um antigo moleiro de Cabeça de Carneiro, José Glórias, foi encerrada por ocasião da Guerra Civil de Espanha (1936-1939).

Os acarretadores dos Moinhos 

Alguns moinhos do Guadiana tinham acarretadores e até mais de um, da casa, mas outros não tinham, na medida em que, como disse um antigo moleiro de Montes Juntos, Venâncio Silva, no contexto de uma conversa informal em 1997-1998, «a maioria [dos moleiros] não tinham carroças» ou qualquer outro meio de transporte de cargas de certo volume.

As guias no Posto da Guarda Fiscal de Montejuntos 

Os fregueses dos Moinhos das terras de Capelins, eram obrigados a fazer-se acompanhar de uma guia de transporte emitida pela Guarda Fiscal, de modo a que o transporta-do não fosse considerado contrabando. Da mesma maneira que os moleiros tinham que declarar às autoridades aduaneiras as existências – animais e bens – que possuíam junto ao moinho:
«Cinco quilómetros desviado da Guadiana para lá não se podia ter nada sem uma guia do posto da Guarda Fiscal. Fossem gali-nhas ou porcos. À saída, tinha que se vir dar baixa; se morresse algum animal, tinha que vir dar baixa. Era uma guia passada ali no posto de Montes Juntos. Mesmo esses que andavam carre-gando para lá, os maquilões, tinham que ir ao posto tirar uma guia. Até 300 quilos, pagavam-se 15 tostões; em passando os 300 quilos, eram
25 tostões. Houve um homem que levava 400 quilos e foi ao posto e disse que só levava 250; mas um guarda desconfiou e foi lá ao carro, fê-lo pesar. Mamou 500 mil reis de multa porque levava mais. Esse homem era de Ferreira [de Ca-pelins]. Isso há já quase 50 anos. Quinhentos mil reis que pagou e depois teve que levar a guia. Ele ia com a parelha do pai, ia para os Moinhos Novos de Cima» (José Glórias, antigo moleiro de Cabeça de Carneiro, entrevistado em 1994-1995.

Apesar do isolamento, os moinhos eram importantes locais de convergência, sendo usual o facto de neles ou nas suas imediações se encontrarem pessoas, incluindo fregueses, lavadeiras, pastores, maiorais de gado, pescadores e, nalgumas zonas, mendigos, sobretudo no Verão:

«A Guadiana, naquele tempo, andava muito mais acompanhada que anda hoje. Uma grande diferença. Hoje, se lá for, é raro encontrar uma pessoa e antes era a todo passo. Em todo o sítio aparecia família. Desconfio até que os maiorais diminuíram. Chegava-se ali a El Rei [ao moinho], em meu tempo, em vindo o Verão, estava sempre povoado de família. Ali no Bolas e na Cinza [era] igual. Ou família de maiorais ou mulheres de maiorais, a família que ia para ali a lavar [a roupa] ou a arranjar uma coisa de moitas ou buinho ou junça. Em vindo o Verão, havia sempre gente. (E do lado de Espanha também) Também havia quem fizesse isso, mas era menos; só ali à do Pijin [pescador de Cheles]. Havia muitos daqui que iam para lá só para ver banhar as espanholas, elas sabiam banhar bem» (Venâncio Silva, antigo moleiro de Montes Juntos, entrevistado em 1994--1995»). 

Durante e após a Guerra Civil de Espanha, parte destes moinhos foram ainda muito procurados por habitantes do outro lado da fronteira luso-espanhola para aquisição, não só de farinha, mas também de outros géneros alimentares que os moleiros tinham em depósito junto ao rio, como café, açúcar e arroz, e que podiam vender desde que tivessem o respetivo despacho emitido pela Guarda Fiscal. Nas palavras de um antigo moleiro de Montes Juntos, Venâncio Silva, proferidas numa conversa informal em 1997-1998:

«Os moinhos trabalhavam ali todos. Eu, na Moinhola, tinha lá sempre três mós a moer dia e noite; tinha alturas de nem ir à cama. E havia ali uma convivência muito grande com os espanhóis. Quando foi lá da miséria deles por causa da guerra, quem lhe valeu foi a gente. Vinham ali aqueles espanhóis e aquelas espanholas a comprar farinha, açúcar, café, arroz… bom, os artigos que a gente lá tinha no depósito; fazíamos um despacho e já podíamos vender aos espanhóis e eles vinham ali comprar».

Segundo Maria Olímpia da Rocha Gil (1965:184), em finais do século XV e durante o século XVI, havia moinhos dependentes da Coroa em diversos concelhos do Alentejo, nomeadamente, Alcácer do Sal, Monsaraz, Terena. 

Como já era do nosso conhecimento os Moinhos das Azenhas D' El-Rei em 1600 e parte de 1700 eram da Coroa, do Rei, mas nos finais de 1700 já os encontramos em mãos de particulares, porque, quando o Rei estava crivado de dívidas, tinha de vender estes bens.
Como já referimos, o nome dos Moinhos têm a ver com o nome dos seus proprietários, fosse em nome individual, fosse de uma Instituição, como a Misericórida, Ordem, Almoxarifado ou outros, veja-se estes, que não ficam nas terras de Capelins, mas vizinhos:
"O Moinho do Boi no Guadiana deverá o seu nome a Maximiano Gonçalves Boy, lavrador do termo de Monsaraz e tesoureiro do fisco real em 1738, que teria tomado o moinho por aforamento à Casa de Bragança, que, segundo apurámos, também era proprietária dos moinhos do Meirinho.

Tal como o Moinho do Bufo, foi do Lavrador de Santa Luzia e também lavrador na herdade do Pego do Bufo daí o nome, o qual morava no Alandroal.

Veja o que conta o ti José Glórias, Moleiro, da Aldeia de Cabeça de Carneiro: 
Houve casos em que o aproveitamento das águas do Guadiana durante o estio foi objeto de discórdia, como sucedeu entre o dono do Moinho Novo de Cima e o dono do Moinho Novo de Baixo no século XIX.:
«[Os donos] andaram em demanda e aquele de Baixo é que se matou pelas mãos dele. Porque o de Cima tem três aferidos e o de Baixo tem dois e, então, devia dar dois dias de água ao de Baixo e três ao de Cima. O juiz procurou qual a fazenda que tinha mais valor, lá lhe disse que era o de Cima e, então, deu 18 horas para o de Cima e 6 horas para o de Baixo, três dias para o de Cima e um para o de Baixo. Era na falta de água, o de Cima moía três dias e o de Baixo só um, foi decretado pelo tribunal. Isso não foi no meu tempo, foi no tempo de meus avós» (José Glórias, antigo moleiro de Cabeça de Carneiro, entrevistado em 1994-1995).


Como já tinhamos referido, devido à falta de água no Rio Guadiana o Moinho das Azenhas D' El-Rei de fora tinha um motor a diesel para poder moer durante o verão! 

"Mais recentemente, em meados do século XX
, para obviar à falta de água no Guadiana, alguns moinhos foram equipados com um motor de explosão adaptado a um casal de mós, como ocorreu no Moinho das Azenhas D' El-Rei e outros. Em alguns casos, como nos Moinhos do Caneiro e nas Azenhas de Fagundes, para não permanecerem inativos durante as invernadas, esse mesmo motor (a diesel) foi posteriormente colocado junto à casa do moleiro, situada a meia chapada, mimetizando aquilo que havia sido feito de início na Azenha d’El Rei de fora." 

Alguns proprietários dos Moinhos do rio Guadiana nas terras de Capelins 

- O proprietários do Moinho de Miguéns foi Francisco Martins Malato, nascido em São Marcos do Campo e residente no Outeiro, Monsaraz, que o herdou do sogro.
- José Glórias, antigo moleiro de Cabeça de Carneiro que adquiriu o Moinho do Bolas na década de 1950. 
- Domingos Pinto, antigo moleiro de Monsaraz, cujo pai, também moleiro, possuía o Moinho de Calvinos. 
- José Pires Gonçalves (1961-1962) faz saber que o Moinho do Gato «tomou o nome de Pedro Gato, almoxarife em Monsaraz, que, por morte do enfiteuta Manuel Fernandes, falecido sem herdeiros e crivado de dívidas, o tomou por aforamento de 2.500 reis anuais em 18 de Dezembro de
1715.

«Vinha o freguês e perguntava de caldeiradas. O Manuel, que era o mais velho, ou eu íamos a ver de peixe. Fazíamos uns cevadouros, eh, vinham aquelas tarrafadas cheias de peixe. Fazíamos a caldeirada e, depois, sentávamo-nos de roda de um alguidar grande, um barrenhão, que tínhamos e tudo de roda da mesa. Eu era o mais novo, era sempre o castigado. Eu ficava ao serviço e eles a comer e a beber. Até que cheguei aos 22 ou 23 anos, di-go-lhes aqui assim:

‘ó rapazes, isto não tem sentido nenhum, agora passa a ser de doutra maneira; em havendo aqui uma pân-dega de vinho, um dia eu, outro dia tu e outro dia o outro’ . Trabalhávamos lá os três. Bom, assim foi. Mas os meus irmãos não tinham sentido para aquilo, eu estava cá sentado:
‘Zé, vai lá a ver que a farinha não vai boa’» (José Ramalho, antigo moleiro de Montes Juntos, entrevistado em
1994-1995).

O ofício de moleiro

«Era um ofício como outro qualquer, conquanto era muito traba-lhoso [e] muito sujo. Tinha que se andar todo o dia carregando sacos de um lado para outro, uns mais pesados, outros mais leves, conforme quanto tinham. Ah, era a vida da gente» (José Rito, an-tigo moleiro de Montes Juntos, entrevistado em 1994-1995).

«No Inverno, não se podia trabalhar nos moinhos da Guadiana porque os moinhos estavam debaixo de água […] (O que fazia nessas alturas?) Ia moer para o moinho do Inchado no Lu-cefecit. (O que levava?) Só levava, num carro, numa carroça, de frete, algumas coisas para trabalhar, para poder joeirar os trigos e amanhar... Levava a roupa e uma panela, pronto. Era só quase abrir a porta. Estava tudo preparado. O que pertencia ali ficava lá tudo, cambeiros e isso. Eu ficava lá até que a Guadiana baixasse. Quando o Lucefecit enchia, ali meio dia, esperávamos ali que ela baixasse. A Guadiana levava meses. […] Dormíamos lá dentro do moinho, fazíamos lá o comer e tudo. Estava lá mais um companheiro, estava lá por minha conta, eu pagava-lhe dinheiro [de jornas] e dava-lhe de comer» (Venâncio Silva, antigo moleiro de Montes Juntos, entrevistado em 1994-1995).

Era necessária carta profissional para ser Moleiro?

Quando foi perguntado se para exercer o ofício de moleiro era preciso ter carta profissional ou de examinação, Venâncio Silva, antigo moleiro de Montes Juntos, declarou numa conversa informal junto à lareira da sua casa em 1997-1998:
: «Não, não havia lá cartas nenhumas. Era aquele que era capaz, fazia e pronto. Eu senti-me capaz com 17 anos, tomei conta daquilo tudo [o Moinho da Moinhola]».
Os fregueses dos Moinhos podiam ser de localidades muito distantes, havia a presença de fregueses do Redondo e de terras mais distantes nos Moinhos do Bolas e da Moinhola, perto de Montes Juntos.
Havia lavradores que recrutavam moleiros a troco das chamadas «comedorias», inclusive quando os moinhos moíam apenas cereais da respetiva casa de lavoura, o que chegou a suceder, por exemplo, no Moinho do Gato! As comedorias eram o vencimento quinzenal ou mensal dos trabalhadores concertados, isto é, dos trabalhadores rurais que eram anualmente contratados pelas casas de lavoura

– como os carreiros, os guardas das herdades, os feitores, os maiorais do gado, os pastores e os moleiros – a troco de géneros: trigo, azeite, grão, morcela, toucinho, vencimento esse que era complementado pelo designado «ensacado», vencido no fim do ano de trabalho, que normalmente coincidia com o dia de Santa Maria, 15 de agosto.


Com as publicações sobre os Moinhos do Rio Guadiana nas terras de Capelins, é intenção dos Amigos de Capelins, prestarem uma singela homenagem aos homens e mulheres que se dedicaram a esse ofício de "Moleiro" e, a ele ligados, mas foi graças aos seus testemunhos e à publicação do Livro de Luís Silva "Os Moinhos e os Moleiros do Rio Guadiana" que conhecemos e demos a conhecer algumas coisas sobre a referida atividade! Bem hajam! 
(Adaptado e partes do livro Os Moinhos e os Moleiros do Rio Guadiana de Luís Silva)

Moinho das Bolas











sábado, 10 de novembro de 2018

Os Almoxarifes e o Almoxarifado do Concelho de Terena 1325 
Entre outros Almoxarifes do Termo (Concelho) de Terena surgem Rodrigo Eanes e Afonso Martins. Em 1341, numa carta de arrematação feita ao Rei, não só obtemos informação sobre o então Almoxarife Rodrigo Eanes, mas também sobre os anteriores Almoxarifes de Terena, Estevão Domingues Panóias e João Anes. A carta apresenta-nos uma situação de licitação de bens organizada por Martim Domingues, sacador das dívidas do Rei, e por Afonso Corda, pregoeiro do Concelho, em que, feitas as arrematações por Martim Domingues, este devia entregá-los a Rodrigo Eanes. Em 1342, D. Afonso IV recebe conto e recado de Afonso Martins, Almoxarife de Terena entre 1 de Março de 1340 e 26 de Fevereiro de 1341. O monarca, tendo considerado que ele lhe deu "boom Conto e boom Recado de todo Assy como per partes he conteúdo en hua sa racadaçom, após o seu registo nos Contos e a sua escrituração no liuro (livro) que chamam terceiro d além Teio (Tejo ), deu-o por livre e quite, bem como an seus sucessores, para sempre". 

Foi assim que ficamos a saber quem foram ao Almoxarifes do Concelho de Terena durante o reinado de D. Afonso IV, assim como, a existenência do dito Almoxarifado. 
Está registado no terceiro livro d' Além Tejo - Chancelaria de D. Afonso IV. Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Almoxarifado era o "Serviço de Finanças do Reino"
Um almoxarifado era uma divisão administrativa fiscal, geralmente extensa, existente em Portugal na Idade Média. A maior parte dos almoxarifados tinham a sua sede numa cidade importante, como era o caso de Lisboa, Porto, Coimbra, Leiria, Guimarães, etc., e todos estavam a cargo de um almoxarife, o qual era um funcionário real que era responsável pela cobrança e arrecadação de impostos.
Ao consultarmos o mapa dos Almoxarifados verificamos que, não existiam muitos no Reino, é por isso muito estranho, ter sido criado por D. Afonso IV um Almoxarifado na Villa de Terena, cerca de 1325! Segredos do nosso Concelho!
Carta de Criação de Almoxarifado - D. Afonso IV 


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Escritura de Casa na Capeleira - Capelins 1795

Escritura de Casa na Capeleira - Capelins 1795

Como referimos, esta Escritura de compra/venda de umas casas no Monte da Capeleira, foi feita no Cartório Notarial de Terena em 1795 e, nela, tal como em outras, feitas muito antes desta data, está batido e rebatido que o Monte da Capeleira fica situado no Termo (Concelho) de Terena, ou seja, na Vila de Ferreira, Termo da Vila de Terena, por ser este o Termo (Concelho) Régio, com as Instituições e Foral.

O Concelho de Ferreira, apenas permitia a participação da população no governo da Vila, através da Câmara, no sentido de proporcionar bem estar económico e social à comunidade, semelhante a uma Associação! 
Há muitos anos que temos conhecimento da sua existência, logo, seria impensável colocá-lo em causa, mas sim, as suas competências em relação ao Termo de Terena, ao qual a Vila de Ferreira sempre pertenceu.

Veja-se a diferença entre o Termo de Terena e o Concelho de Ferreira
O termo concelho, que aparece em documentos a partir do século XIII, começou por designar, na Idade Média, a assembleia deliberativa dos vizinhos de uma povoação, constituída em território de extensão muito variável. Tal assembleia exercia a sua autoridade resolvendo questões de economia local e elaborando normas gerais.
Apesar de a origem dos concelhos ser muito discutida, prevalece atualmente que terão surgido do próprio condicionalismo da sociedade da Reconquista, resultando de fatores de ordem económica, social, política e militar. Desta forma, é feita distinção entre os concelhos rurais e os concelhos urbanos. Os primeiros eram constituídos por pequenos grupos de povoadores, cuja autonomia é possível perceber nas cartas de povoação pela referência a magistrados que podiam ser eleitos pelos vizinhos. Os concelhos urbanos dividiam-se em burgos, ou seja, povoações constituídas junto de uma fortaleza onde viviam pessoas dependentes do poder senhorial e cuja carta de foral concedia aos seus moradores igualdade de direitos, e, por outro lado, em concelhos em que a figura dominante era o cavaleiro-vilão, tratando-se, na maior parte, de territórios fronteiriços.
A concessão das cartas de foral foi aumentando sempre, até que nos fins do século XIV o próprio regime municipal entrou em crise, o que foi causado, em grande parte, pelo desenvolvimento económico do país. Os antigos forais, adaptados a uma sociedade quase inteiramente dominada pelas necessidades da guerra, já não satisfaziam as populações concelhias, que eram agitadas pela formação de bandos ou partidos que disputavam o seu governo. Daí que o poder central passasse a exercer uma ação fiscalizadora mais intensa, promovendo a reforma da ordem interna dos concelhos e nomeando juízes estranhos à comunidade, chamados juízes de fora. Apareceram também, no quadro das magistraturas municipais, novos funcionários de carácter administrativo, os vereadores, que, ao poder tomar decisões sem reunir a assembleia de homens-bons, a controlava muito mais eficazmente. Desta forma, estavam lançadas as bases da reforma dos organismos municipais do país, que, ao longo de vários séculos, tendiam cada vez mais a uniformizar-se. De facto, durante todo o século XIX procurou-se revitalizar as instituições municipais, suprimindo-se concelhos pobres e remodelando-se circunscrições. 

Escritura da Capeleira (1 folha)


terça-feira, 30 de outubro de 2018

Escrituras de compra e venda da courela junto à Sina

Escrituras de compra e venda da courela junto à Sina

As escrituras de compra e venda de courelas, herdades, casas, moinhos, de empréstimos e outras, são documentos importantes que nos descrevem como era, nas respetivas épocas, a divisão administrativa das terras, ou seja, quem eram os proprietários ou rendeiros das courelas ou herdades, não só das terras transacionadas, mas também, das confinantes. 
Como já referimos, existiam várias courelas entre a herdade da Sina e a Vila de Ferreira, que se situava a sul das herdades de Nabais e da dita Sina. 

Apresentamos a escritura de mais uma courela, junto à Igreja de Santo António, da qual, era proprietário Ignácio José Pereira e sua mulher Dona Josefa Violante, moradores na Villa de Terena e, o comprador foi Silvestre José, morador na Aldeia de Faleiros, que pagou pela courela 33.600 Reais metálicos e mais 3.360 Reais de Siza. Esta Escritura foi feita no dia 23 de Maio de 1829 pelo Tabelião Feliciano José Cardoso do Cartório de Terena. Esta courela confinava, parte com a herdade da Sina e, dos dois lados com courelas do Coronel Azambuja, de Vila Viçosa. 

Reparamos que, o lavrador Ignácio José Pereira e sua mulher Dona Josefa Violante eram os mesmo proprietários da courela onde se situava a Igreja de Santo António, vendida a Joaquim Martins e que, durante vários anos foram vendendo várias courelas na Freguesia de Santo António de Capelins, assim como, na Freguesia de S. Pedro em Terena, incluindo casas nesta Villa. 
Quanto ao Coronel Azambuja, dono das referidas courelas, era natural de Vila Viçosa, onde residia no Palácio da família Matos Azambuja, também conhecido como Casa dos Arcos, que foi edificado cerca de 1599 e, decerto, com muitas propriedades pela região.

folha 1 de 6 da escritura feita em Terena em 1829, da courela de Silvestre José da Aldeia de Faleiros.


História de vidas de gentes de Capelins - 1833

História de vidas de gentes de Capelins  - 1833

Como referimos, através das escrituras efetuadas no Cartório de Terena entre 1724 e 1852, conseguimos conhecer um pouco da história de Capelins e das suas gentes, em algumas escrituras como as de juro, podemos concluir que, alguns lavradores conseguiam enriquecer com a sua atividade de agro-pecuária, os que emprestavam, porém, outros não davam conta das suas finanças, todos os anos pediam empréstimos, concedidos por lavradores da região mediante o pagamento juros, por exemplo, a cinco por cento. 

Esta escritura de juro foi feita no dia 13 de Fevereiro de 1833, no Monte Real, mas existem outras da mesma família, desde muitos anos antes. 
" Escritura de juro da quantia de quarenta e três mil e duzentos réis metálicos que a deram de juro de cinco por cento na forma de Lei toma Domingos Esteves do Monte do Rial deste Termo, cuja quantia hé pertencente aos herdeiros do falecido Manoel Jorge, Total a quantia de 43.200 Réis.
Saibam quantos este Instrumento de Escritura de juro de cinco por cento, virem que tendo no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oito centos e trinta e trez annos, sendo aos treze dias de Fevereiro do ditto anno, no Monte do Rial Freguezia de Santo António de Capelins, onde digo de Capelins Termo de Terena, onde eu Tabelião adiante nomiado e asignado, vim e logo aqui em o ditto Monte do Rial aonde hé morador Domingos Esteves aparecerão e foram presentes os herdeiros habilitados da hirança do falecido Manoel Jorge - Manoel Henrique morador na Villa de Ferreira; Maria de Santa Anna; Francisco Caeiro; Thereza de Jesuz viúva de Ignácio Caeiro; e Manoel Caeiro todos moradores no Termo da Villa de Terena de que eu Tabelião dou fé serem os próprios, E logo por Domingos Esteves me foi dito que tomava de juro de cinco por cento a quantia de quarenta e trez mil e duzentos réis metálicos por tençantes aos herdeiros habilitados da hirança do falecido Manoel Jorge Lavrador que foi da Erdade do Sexo, E logo aqui pelo ditto tomador Domingos Esteves me foi apresentado um Requerimento de theor e forma seguinte - (...)
(...)
3 páginas depois, o capital foi entregue ao suplicante e seguiram-se as assinaturas: 
Tomador: Domingos Esteves 
Fiador: 
Miguel Ramalho 
(Lavrador do Monte da Galvoeira) 
herdeiros: 
Manoel Caeiro 
Francisco Caeiro 
A rogo de Thereza de Jesus 
Gabriel António de Rosa 
Manoel Henrique 
Maria de Santa Anna 
Luís Gonzaga de Paiva"


No requerimento do suplicante apresentado ao Tabelião, a rogo de Thereza de Jesus, assinou: Thomé dos Mártires.
1 de 4 páginas da Escritura de juro feita no Monte Real no dia 13 de Fevereiro de 1833 


Os tradicionais tarros de cortiça, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais tarros de cortiça, na Freguesia de Capelins  O tarro é uma vasilha tradicional feito de cortiça que se usava na Freguesia de...