domingo, 14 de outubro de 2018

Vila Defesa de Ferreira de 1262 - D. Gil Martins

D. Dinis e a Vila Defesa de Ferreira - 1262 
Há cerca de cinco anos, nas nossas pesquisas sobre o passado das terras de Capelins, encontramos a indicação de que, em 1314 D. Dinis, doou a Vila de TerenaFerreira ao seu filho bastardo (natural) D. Afonso Sanches. Porém, mais tarde encontramos outras indicações que provam o contrário, a doação da Vila de Terena e de Ferreira, foi ao seu filho D. Afonso Infante de Portugal, que veio ser o Rei D. Afonso IV. 
A verdade, é que, sendo D. Afonso Sanches filho natural de D. Dinis e o seu preferido, nunca foi Infante, não passando de Mordomo-mor! 
Os filhos naturais foram reconhecidos pelo rei, mas isso não significa que fossem Infantes, partindo do principio que, os infantes eram os filhos legítimos do rei e da rainha! Assim, segundo esta lógica, o único Infante de Portugal filho de D. Dinis, foi D. Afonso que, veio ser o rei D. Afonso IV.

D. Dinis – Dois filhos legítimos e sete naturais
O conhecimento que temos, até hoje, acerca dos filhos do Rei D. Dinis, foi obtido a partir dos cronistas e completado com documentos da Chancelaria deste nosso Rei. Não há dúvidas quanto aos filhos que nasceram do seu casamento com a Rainha Santa Isabel. Foram eles, a Infanta D. Constança, que veio a ser Rainha de Castela e o Infante D. Afonso, depois rei de Portugal. E do casamento real não houve mais filhos. Além destes filhos legítimos, teve o Rei D. Dinis sete filhos naturais, que foram: Afonso Sanches, Pedro Afonso, João Afonso, Fernão Sanches, D. Maria Afonso, um segundo Pedro Afonso e mais uma segunda Maria Afonso. Há dois Infantes sobre os quais existem dúvidas, se seriam filhos de D. Dinis ou de D. Afonso III, cujos nomes são: Fernando Afonso e Martim Afonso. 
Todos foram reconhecidos pelo Monarca e criados como nobres de sangue real. Alguns deles tiveram altos cargos e desempenharam importantes funções. Saliento D. Afonso Sanches, que chegou a mordomo-mor, e D. Pedro Afonso, a alferes-mor. Este, veio a ser mais tarde, o 3.º Conde de Barcelos. Foi este Conde, figura notabilíssima da cultura portuguesa, pois se lhe atribui a autoria do Livro de Linhagens, da Crónica Geral de Espanha de 1344 e a compilação de um livro de poesia galego-portuguesa, que é um Cancioneiro Geral onde estão incluídas poesias suas, o qual veio a ser a base dos Cancioneiros quinhentistas da Biblioteca Vaticana e da Biblioteca Nacional.
Afonso Sanches foi sempre considerado o preferido do Rei D. Dinis. Isto motivou a desconfiança do filho legítimo, D. Afonso IV, acusando seu pai de querer deixar o trono a este filho ilegítimo, como já referi anteriormente. Afonso Sanches foi um bom trovador e talvez o rei o estimasse também por se sentir mais compreendido por ele. Afonso Sanches com sua esposa D. Teresa Martins fundaram o convento de Santa Clara de Vila do Conde, onde jazem sepultados. A comunidade religiosa considerava-os pessoas de grande mérito e santidade. Foi dado início a um processo de beatificação deste casal.

Nesta carta referida pelo Arquivo Nacional da Torre do Tombo, sobre a doação das Vilas de Viana do Alentejo e Terena, não consta a Vila de Ferreira, mas existem outros, que não conseguimos localizar neste momento e que incluem a Vila de Ferreira, a qual, até 1433 esteve sempre em conjunto com Terena! "Vila de Ferreira a par de Terena".
CARTA DE DOAÇÃO DE VIANA E TERENA, CONCEDIDA POR D. DINIS A D. AFONSO, INFANTE DE PORTUGAL
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA PT/TT/CHR/C/001/0003/08801
TIPO DE TÍTULO Formal
DATAS DE PRODUÇÃO 1279-02-16 A data é certa a 1325-01-07 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE 1 doc.; perg.
HISTÓRIA CUSTODIAL E ARQUIVÍSTICA
Documento descrito no índice Portugal, Torre do Tombo, Chancelaria de D. Dinis: Índice dos próprios, L 25, f. 4 (PT/TT/ID/1/25).
Este Instrumento de Descrição Documental, não datado, foi substituído pelo catálogo em linha, em 2010.
COTA 
ATUAL Chancelaria de D. Dinis, liv. 3, f. 88v. 


Carta de doação de Viana e Terena - D. Dinis 1314




De Terena e Ferreira a Viana do Alentejo

De Terena e Ferreira a Viana do Alentejo 

Desde a cristianização das terras raianas do Alentejo, a Vila de Viana do Alentejo esteve associada à Vila de Terena em termos de doações, até 1314. Foram ambas doadas por D. Afonso III à Família Riba de Vizela (D. Martins Gil) e, em 1314 foram ambas doadas por D. Dinis ao seu filho Afonso, depois o rei D. Afonso IV, conforme consta na Chancelaria de D. Dinis, depositada no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Viana do Alentejo 

Após o falecimento de D. Martim Gil, senhor destes domínios, o rei Dinis de Portugal (1279-1325) tomou posse dos mesmos, passando Carta de Foral à povoação (1313) documento onde é denominada como Viana-de-a-par-de-Alvito, regulando-lhes as relações e doando cem libras para as suas obras de fortificação. Iniciaram-se, assim, as obras de construção do castelo e da cerca da vila. No ano seguinte (1314), a vila e seus domínios foram doados pelo soberano a seu filho, o futuro Afonso IV de Portugal, com a cláusula de a não trespassar a ninguém, salvo à esposa, a infanta castelhana D. Beatriz. 
Como sabemos, a doação de Viana e de Terena consta no mesmo documento de D. Dinis, logo, Terena e seu Termo (Concelho) que, incluía a Vila de Ferreira, foi doada ao Infante D. Afonso em 16 de Outubro de 1314. 
Até 1433, as Vilas de Terena e Ferreira encontram-se sempre associadas, identificada Vila de Ferreira a par de Terena, talvez para não se confundir com Ferreira do Alentejo.

Castelo de Viana do Alentejo 


Resenha histórica da Vila de Terena e seu Termo (Concelho), incluindo a Vila de Ferreira

Resenha histórica da Vila de Terena e seu Termo (Concelho), incluindo a Vila de Ferreira

Doação da Vila de Santa Maria de Terena e do seu Termo (Concelho) feita pelo Rei D. Dinis ao seu filho o Infante Afonso, depois o rei D. Afonso IV, o qual a doou à sua esposa a Infanta Beatriz de Castela.
“Agora, que se recebeo por palavras de presente, lhe acreceo a pòsse das arras prometidas a sua molher a Princesa Dona Brites; e muytos lugares de que elRey lhe fez merce” (ML, VII, p. 85). Este autor remete para Ruy de Pina, do qual extrai o seguinte: “despois que se receberaõ em Lisboa por palavras de prezente: elRey lhe deu (ao Principe) Viana, Terena, o Castello de Ourem, e a terra de Armamar junto a Lamego, e a sua molher grandes terras, e muytas joyas, e riquezas” (ML, VII, p. 85).

Quando em 16 de Outubro de 1314 D. Dinis doou Terena e seu Termo (que incluía a Vila Defesa de Ferreira) ao seu filho D. Afonso, que veio ser D. Afonso IV, este doou-a imediatamente a sua esposa Dª Beatriz (Brites) de Castela, ficando ambas na Casa das Rainhas até à morte de Dª Beatriz em 1359.
Conforme as normas, após a morte da Rainha consorte, todos os bens da Casa das Rainhas, voltavam à Coroa! Depois, só encontramos os lugar de Ferreira e Terena, em 24 de Março de 1376, quando o rei D. Fernando, através de uma carta faz a doação destes, e de outros lugares à sua filha a Infanta Dª Beatriz.
Parece que esta doação ficou sem efeito devido ao constante no Tratado de Santarém de 1373, pelo qual, o rei D. Fernando perdoa todos os portugueses que apoiaram os castelhanos na intentona para a sua morte e ainda lhe devolvia todos os bens, eventualmente confiscados e foi o que aconteceu com os bens da sua meia irmã Dª Beatriz de Castro, uma das acusadas da intentona.
Porém, em 28 de Agosto de 1378, D. Fernando faz seu testamento e nele clarifica as traições de que fôra objeto, justificando suas coações aos traidores do reino português. Acusa o Pacheco, alguns naturais do reino e seus meio-irmãos, Infantes Dinis 61 e Beatriz de Castro de terem conspirado para sua morte 62, aproveitando para deserdá-los da sucessão do reino 63. Acusação suficiente para não devolver os bens confiscados do Pacheco e do Infante Dinis. Tal menção testamentaria indica-nos, também, que a tentativa de regicídio deve ter ocorrido antes de meados de 1378. A Chancelaria Fernandina corrobora tal hipótese através de quatro cartas. A primeira, datada de 19 de Dezembro de 1378, na qual transfere-se bens da Infanta Beatriz de Castro a Fernando Afonso de Albuquerque, sem menção direta a traição 64. 
64 Recebe. os lugares de Terena e Ferreira (TT, ChancDF, l. II, f. 36v). Ou seja: (Torre do Tombo, Chancelaria D. Fernando, I, II, folha 36 v) 
(Conf. Revista da Faculdade de Letras - História - Porto , III série volume 7 - 2006, pp. 263-284.

Como podemos verificar, consta na Chancelaria de D. Fernando que, em 19 de Dezembro de 1378, Terena e Ferreira, foram retirados a Dª Beatriz de Castro, filha de D. Pedro I e de Dª Inês de Castro e, ficaram na posse de D. Fernando Afonso de Albuquerque, mas, as mesmas Vilas, foram doadas por D. Fernando a sua filha Dª Beatriz no ano de 1376, e depois em 03 de Novembro de 1379, nesta data, já o rei as tinha retirado à sua meia irmã a Infanta Beatriz de Castro, ficando, oficialmente na posse da Infanta Dª Beatriz de Portugal, sua filha.

O Lugar de Ferreira, era neste sítio - atual Neves




D. Afonso Sanches e a Vila de Terena e seu Termo (Concelho) Incluindo a Vila de Ferreira

D. Afonso Sanches e a Vila de Terena e seu Termo (Concelho) Incluindo a Vila de Ferreira
Há alguns anos dedicamos algum tempo a pesquisar o percurso de vida de D. Afonso Sanches, um dos sete filhos bastardos do rei D. Dinis, porque encontramos apontamentos de que após a morte, em Dezembro de 1312 de D. Martim Gil Riba de Vizela e senhor de Terena e seu Termo (Concelho), D. Dinis retirou todos os bens a esta família aludindo que D. Martim Gil não tinha herdeiros diretos, voltando, assim, os seus bens à Coroa. 
Como D. Afonso Sanches, embora bastardo, nesta data já legitimado, era o seu filho preferido, então, D. Dinis segundo esses escritos doou-lhe todos os bens que pertenciam a D. Martim Gil. Talvez, exista parte de verdade, e escrevemos parte, porque, conforme documentos arquivados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, pertencentes à Chancelaria do rei D. Dinis, não lhe entregou as Vilas de Viana do Alentejo e Terena, as quais, também eram da Família Riba de Vizela e foram doadas por D. Dinis em 1314 ao seu filho legítimo D. Afonso Infante de Portugal, que veio ser o rei D. Afonso IV, o qual, naquele momento as doou a sua esposa Dª Beatriz (Brites) de Castela, entrando Terena e seu Termo na Casa das Rainhas, onde permaneceu pelo menos até à morte desta Rainha em 25 de Outubro de 1359.

Os bens da família Riba de Vizela foram reclamados pela mãe de D. Martim Gil e, em resultado da demanda, foram quase todos devolvidos, mas Terena, não foi devolvida.

D. Afonso Sanches nasceu em Cerva, a 24 de Maio de 1289 e faleceu, aos 40 anos de idade em Escalona, Espanha a 02 de Novembro de 1329. Como referimos, era filho bastardo, depois legitimado, e predileto de Dinis e de Aldonça Rodrigues Talha.

D. Afonso Sanches foi senhor de Cerva, de Alburquerque na Estremadura espanhola, senhor do castelo onde mais tarde D. Inês de Castro viveu vários anos. Deve-se-lhe a ele e à sua esposa, D. Teresa Martins, a fundação do Convento de Santa Clara de Vila do Conde, onde ambos estão sepultados.
A Rainha Santa Isabel chamara para a corte todos os filhos do rei, incluindo os bastardos, proporcionando-lhes igual qualidade de educação. Por esta proximidade, e decerto por outras razões, D. Dinis dedicava a D. Afonso Sanches uma estima especial, a ponto de lhe entregar o cargo de mordomo da coroa, quase o equivalente ao cargo de primeiro-ministro na política actual. 
Com a subida ao trono de Afonso IV de Portugal, este exilou o meio-irmão em Castela.
D. Afonso Sanches ainda tentou manobras políticas e militares para tomar o trono. Depois de várias tentativas de invasão falhadas, uma das mais importantes foi em 1326. Nesta data, os irmãos assinaram um tratado de paz sob mais uma vez o patrocínio da rainha Isabel de Aragão.


Antigo Lugar de Ferreira - Neves






quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Coutada de Terena - Roncão

A Coutada do Roncão em Capelins 
A Coutada do Roncão na Freguesia de Santo António (Capelins) situava-se no lugar do atual Roncanito, ou seja, uma faixa de terra entre a Ribeira do Azevel e o Baldio do Peral, neste caso do Vale de Martinez, era terra de animais que roncam: javalis, caititus, gatos-bravos, saca-rabos, raposas e era terra onde estava bem presente o genuíno provérbio Quem porcos acha menos - em cada moita lhe roncam, que está patente no auto da barca do Inferno de Gil Vicente. 
As terras da Vila de Ferreira (hoje Freguesia de Capelins) entre 1433 e 1674 foram da Família Freire de Andrade, passando de pais para filhos, seus respetivos donatários.
Com a Revolução Liberal procurou-se acabar com o sistema de coutadas, tendo mesmo sido promulgado um decreto que extinguia o cargo de Monteiro-mor, em 18 de Agosto de 1821. Porém, o fervor revolucionário foi interrompido logo em 1823 e no ano seguinte tudo tinha voltado à situação inicial. Só em 1834, após a vitória do Liberalismo, é que foi extinta definitivamente a Montaria-mor do Reino, depois de mais de 300 anos de história. 
Com a Reforma Agrária de 1834, algumas herdades e baldio da Vila de Ferreira, na Freguesia de Capelins foram repartidas em propriedades de menor dimensão e em courelas, dando lugar a imensos seareiros e, por consequência, ao aumento da população da dita  Freguesia de Capelins. 
A Defesa do Roncão de Terena, foi doada pela Câmara de Terena ao Rei D. Fernando em 1380 e, embora mais tarde fosse designado por Roncão do Conde, pertenceu sempre ao Reino.



sábado, 8 de setembro de 2018

Freguesia de Santo António (Capelins)

Freguesia de Capelins já existente em 1578, com a designação de Santo António
A Freguesia é Capelins (Santo António), quase todas as Freguesias em Portugal têm o nome de um Santo agregado à sua denominação! Então, Capelins, oficialmente, não tem um ponto específico, é toda a Freguesia, seja Faleiros, Santo António (Igreja), Ferreira, Montes Juntos e uma pequenina parte de Cabeça de Carneiro. A Freguesia tem uma Junta, para a governar, que tem uma sede, por acaso em Montes Juntos, como podia ser em Faleiros, Ferreira, ou outro lugar dentro da Freguesia. A confusão é que, até ao dia 6 de Novembro de 1836 existiam as duas Aldeias de Capelins de Cima e de Baixo, que naquele dia foram fundidas e o seu topónimo foi substiuido por "Ferreira" de Capelins! O que a Google apresenta como "Capelins" junto a Santo António - Igreja, está errado! Assim, a sede da Junta de Freguesia de Capelins, por acaso está em Montes Juntos desde Fevereiro de 1921, mas é todo o espaço geográfico da Freguesia que se denomina por "Capelins".



A identidade cultural da comunidade capelinense

A identidade cultural da comunidade capelinense 

"Identidade" é algo único, distinto e completo. "Cultural" é um adjetivo que se refere a "saber". Logo, a junção das duas palavras produz o sentido de "saber-se reconhecer". 
Na perceção individual ou coletiva da identidade, a cultura exerce um papel principal para delimitar as diversas personalidades, os padrões de conduta e ainda as características próprias de cada grupo humano. 
A influência do meio modifica constantemente um ser já que o nosso mundo é repleto de inovações e características temporárias, os chamados "modismos". 
No passado, as identidades eram mais conservadas devido à falta de contato entre culturas diferentes, porém, com a globalização, isso mudou, fazendo com que as pessoas interagissem mais entre si e com o mundo ao seu redor.
Uma pessoa que nasce num lugar absorve todas as características deste, entretanto, se ela for submetida a uma cultura diferente por muito tempo, ela vai adquirir as características do novo local onde está agregada. 
Por isso, os "Amigos de Capelins" registam e publicam a história, lendas, contos, gastronomia, usos e costumes dos nossos antepassados, com o objetivo de não deixar esquecer as antigas características que, estão sendo substituídas pelas adquiridas nos novos lugares, onde as gerações de hoje residem.

Com a ajuda, saudável, de todos! A bem da Freguesia de Capelins e, em memória dos nossos antepassados!

Obrigado! 


Os tradicionais tarros de cortiça, na Freguesia de Capelins

Os tradicionais tarros de cortiça, na Freguesia de Capelins  O tarro é uma vasilha tradicional feito de cortiça que se usava na Freguesia de...