segunda-feira, 14 de março de 2022

Ribeiro do Quebra - Capelins

 Ribeiro do Quebra - Capelins

O Ribeiro do Quebra, situa-se na Freguesia de Capelins, é constituído pela soma de muitos regatos, com o seu início em diversos lugares, como na serra da sina, onde começa o ribeiro do terraço, a poucos metros a sul da Igreja de Santo António, depois vai juntando as águas pluviais, correntes, do terraço, da Portela, das Courelas, do Baldio, da herdade do Seixo e, da herdade do Monte Real!
Quando este Ribeiro passa por baixo da estrada principal que liga Montejuntos e Ferreira já é designado "Ribeiro do Quebra", porque, conforme contavam os ancestrais, quebra, significa, separação, ou seja, este Ribeiro separa a Freguesia de Capelins, sendo para Sul domínios de Montejuntos, e para Norte, de Ferreira, talvez um Tratado entre vizinhos, para evitar confusões!
Este Ribeiro, mais abaixo, já é designado Ribeiro das Cobras e, acaba a sua missão no Lugar da Silveirinha, onde entrega as suas águas a outro Ribeiro que, um pouco abaixo, é o Ribeiro do Carrão!
O Ribeiro do Quebra tinha muita serventia para os moradores de Ferreira, porque, nos anos chuvosos, durante o Inverno e Primavera, mantinha um bom caudal de água que, era aproveitada para a lavagem da roupa de muitas famílias, como também, para lavar e preparar as tripas dos porcos durante as matanças e, para à passagem ou iam lá propositadamente, despejar tudo o que era indesejável, incluindo os animais que morriam e todo o tipo de objetos, que as cheias periódicas se encarregavam de afastar dali, e se não ficassem encalhados nos silvados, iam ter ao rio Guadiana, mas havia lugares pré definidos para estas atividades que, quase toda a gente respeitava.
Noutros tempos, por tudo e por nada, se falava no Ribeiro do Quebra.
Fim
quebra ; 1. ato ou efeito de quebrar ; 2. separação dos elementos de um todo; desunião ; 3. diminuição; queda ; 4. interrupção; rompimento ; 5. falha.
Ribeiro do Quebra - Capelins 



sábado, 12 de março de 2022

Os privilégios confirmados pelo Rei D. Manuel I, aos moradores do Lugar de Ferreira em 1497

Os privilégios confirmados pelo Rei D. Manuel I aos moradores do Lugar de Ferreira 

A Vila Defesa de Ferreira (era quase todo o espaço geográfico da atual Freguesia de Capelins) criada em 1262 por D. Gil Martins e sua mulher Dona Maria Anes da Maia, divergia dos Coutos de Homiziados, porque os seus povoadores, neste caso, eram voluntários, atraídos a esta Vila Defesa através de privilégios concedidos pelo Reino, não só a isenção de impostos, como este que publicamos, confirmado pelo Rei D. Manuel I em 31 de Outubro de 1497, que liberta os povoadores do Lugar de Ferreira (junto à atual Neves) de não irem à guerra, fosse por terra ou por mar! Mas, parece-nos que, mesmo com estes privilégios, o Reino não conseguia povoar estas terras, fosse à força, ou com estes privilégios, uma vez que ficavam nos confins do Reino e, muito perigosas por se situarem junto à raia e por aqui existirem muitos bandos de malfeitores.
Os besteiros eram tropas especiais, combatentes com besta, que só existiam em cidades e Vilas mais importantes.

AO LUGAR DE FERREIRA, CONFIRMAÇÃO DOS PRIVILÉGIOS DOS SEUS MORADORES NÃO SERVIREM NA GUERRA POR MAR OU POR TERRA; DE NÃO SEREM BESTEIROS; DE NÃO PAGAREM PEITAS, FINTAS E TALHAS; DE NÃO SEREM PRESOS PARA SEREM LEVADOS PARA OUTROS LUGARES.

Documento simples Documento simples NÍVEL DE DESCRIÇÃO
PT/TT/CHR/K/28/94-433 CÓDIGO DE REFERÊNCIA
FormalTIPO DE TÍTULO
1497-10-31 A data é certa a 1497-10-31 A data é certa DATAS DE PRODUÇÃO
60 linhas.DIMENSÃO E SUPORTE
EXTENSÕES
60 Livros
Enumeram-se outros privilégios. Apresenta inclusa carta de D. João II, feita por João de Ferreira em Lisboa a 9 de Novembro de 1486. Apresenta inclusa na anterior carta de D. Afonso V, feita por autoridade do infante D. Pedro, tutor e curador del-rei, regedor e defensor do Reino, em Évora a 17 de Março de 1444. Pero de Lisboa a fez. Apresenta inclusa na anterior carta de D. Duarte, feita por Lopo Afonso em Santarém a 17 de Novembro de 1433. João Pais a fez.ÂMBITO E CONTEÚDO
Chancelaria de D. Manuel I, liv. 28, fl. 94 COTA ATUAL
Arquivo Nacional da Torre do Tombo 



Carta do Rei D. Luís I ao Pároco de Capelins 1875

Carta do Rei D. Luís I ao Pároco de Santo António de Capelins em 1875

Dom Luís, por graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, etc. Faço saber ao Reverendo em Christo Padre Arcebispo Metropolitano d’ Évora, Par do Reino, do meu Conselho, que tendo subido à Minha Real presença as suas informações e pareceres com os autos do concurso a que se procedeu para provimento da Igreja de Santo António de Capelins do Concelho do Alandroal, e atendendo que o presbítero Manuel Maria Fernandes único opositor no dito concurso foi n’elle aprovado, e que além de satisfazer a todos os requisitos, se torna, segundo o parecer do mesmo Reverendo Prelado, merecedor de contemplação por seu regular comportamento, , habilitações e bom desempenho dos deveres paroquiais como encomendado em diferentes Igrejas e ultimamente na mesma a que ser oposição: Houve por bem, por Decreto de direito de Março último fazer-lhe Mercê de o Apresentar na referida Igreja Paroquial de Santo António de Capelins, a qual se acha vaga de Pároco collado. E portanto achei por bem me assinar que o dito presbítero Manuel Maria Fernandes goze de todos os proventos, prós e percalços que direitamente lhe pertencerem como Pároco da mencionada Igreja, e bem assim de quaisquer honras e prerrogativas que a ela andarem legalmente associadas: ficando contudo sujeito a qualquer alteração que de futuro possa vir a ser competentemente feita na respetiva circunscrição Paroquial. Pelo que encomendo ao Reverendo em Christo Padre passar carta em forma ao sobredito Manuel Maria Fernandes na Igreja que está Apresentado, e lhe dê letras de confirmação, segundo o estilo, em virtude desta Minha Apresentação. Não pagou a quantia de setenta e três mil seiscentos e oitenta réis de Direitos de Mercê e correspondente imposto de viação, por lhe ser permitido satisfazê-lo em prestações no prazo de quatro anos. E por firmeza do referido lhe mandei passar a presente Carta por assinada e selada com o Sêlo pendente das Armas Reais Dada no Paço da Ajuda aos trinta dias do mês de Junho do ano mil oitocentos e setenta e cinco. El-Rei com rubrica e guarda// Augusto César Barjana de Freitas//Carta pela qual Vossa Majestade, Há por bem fazer Mercê ao presbítero Manuel Maria Fernandes de o apresentar na Igreja Paroquial de Santo António de Capelins, a qual se acha vaga na forma acima declarada// Para Vossa Majestade Vêr// Por Decreto de dezoito de Março de mil oitocentos e setenta e cinco// José Sanches a fez// Lugar do Sêlo pendente// Lugar do Sêlo de verba. Pagou seis mil oitocentos e quarenta réis de Selo. Lisboa 23 de Junho de 1875//Nº 177// A. Carvalho//Rocha//A. F. 136 v do Livro 30º de Registo competente se acha lançada esta Carta e posta a respetiva verba à margem do Decreto porque se passou. Direção Geral dos Negócios Eclesiásticos em 03 de Julho de 1875// Luís Augusto Vidal. Conferida em 14 de Junho de 1875.
Basto.

MANUEL MARIA FERNANDES

Documento simples Documento simplesNÍVEL DE DESCRIÇÃO
PT/TT/RGM/J/0029/193615 CÓDIGO DE REFERÊNCIA
Atribuido TIPO DE TÍTULO
1875-06-30 A data é certa a 1875-06-30 A data é certa DATAS DE PRODUÇÃO
1 doc.; papel DIMENSÃO E SUPORTE
Carta. Pároco da Igreja de Stº António de Capelins.ÂMBITO E CONTEÚDO
Registo Geral de Mercês, Mercês de D. Luís I, liv. 29, f. 39v COTA ATUAL
Português IDIOMA E ESCRITA 
Arquivo Nacional da Torre do Tombo 


































terça-feira, 8 de março de 2022

A origem da toponímia de Ferreira

 A origem da toponímia de Ferreira (Capelins)

Conforme já escrevemos várias vezes, com base em documentos, incluindo alguns livros de estudiosos desta matéria, a Vila romana situada na Defesa de Ferreira, cujos restos do Forte da mesma ainda estão à vista no outeiro dos castelinhos em Capelins, não podia ter outra toponímia. senão "Ferreira", porque, parece que era assim que os romanos designavam os lugares onde existiam "ferrarias", ou seja, "Forjas" onde transformavam o ferro extraído das respetivas minas! Neste caso, existia aqui a mina de ferro e a ferraria, pelo que, alguns arqueólogos escreveram ser esta Vila romana, a Vila de Ferreira! Também no livro: "Elvas na Idade Média" de Fernando Branco Correia, ele escreve o seguinte:
"Não se conhecem referências a ferrarias em redor de Elvas. Não seria impossível que algum ferro viesse da área dos concelhos de Juromenha (zona do Casco e Mina do Bugalho) e do Alandroal (onde se regista o topónimo – hoje aldeia – de Ferreira de Capelins), onde há vestígios de mineração antiga que pode não ser exclusivamente de época romana. Contudo, não seria impossível que algum minério também viesse de terras de Castela. Na verdade, de entre os produtos que os Reis Católicos (por carta de 15 de Julho de 1478) proibem que venham para Portugal estão “cauallos, ni armas, ni azero, ni fierro, nin ferraje, nin mantenimiento, ni oro, ni plata, ni asas de lanças,...”
Como também já escrevemos, com base em documentos conhecidos, portugueses e espanhóis, esta Vila, foi a primeira com a toponímia "Ferreira".
A segunda Vila de Ferreira, foi junto à Ermida de Nossa Senhora das Neves, criada em 1262, por D. Gil Martins e sua esposa dona Maria Anes da Maia. Foi muito destruída durante a guerra da Restauração e, novamente durante a guerra das laranjas em 1801.
A terceira Ferreira, é a Aldeia de Ferreira, criada por Decreto de Mouzinho da Silveira em 06 de Novembro de 1836, resultante da junção das duas Aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cima.
Assim, estamos perante a terceira "Ferreira", na Freguesia de Capelins. 

Vila de Ferreira Romana 



Casamentos em Santo António em 1637 - 1636 - 1635

Casamentos realizados na Igreja de Santo António (Capelins) em - 1637 - 1636 - 1635

1637
1 - António Alvares e Isabel Domingues
Casaram na Terça Feira dia 03 de Fevereiro de 1637
2 - Luís Fernandes e Catharina Fernandes
Casaram na Terça Feira dia 03 de Março de 1637
3 - Simão Fernandes e Maria Gomes
Casaram no Sábado dia 21 de Março de 1637
4 - Roberto de Paiva e Maria Caeira
Casaram no Domingo dia 24 de Maio de 1637
5 - Belchior Rodrigues e Catharina Roque
Casaram no Domingo dia 24 de Maio de 1637
6 - Pedro Lourenço e Brites Dias
Casaram na Sexta Feira dia 12 de Junho de 1637
7 - Pedro Fernandes e Maria Fernandes
Casaram no Domingo dia 26 de Julho de 1637
8 - Gregório Gomes e Catharina Fernandes
Casaram no Domingo dia 16 de Agosto de 1637
Fim
1636
1 - Domingos Marques e Maria Nunes
Casaram no Domingo dia 17 de Agosto de 1636
2 - Olavo João e Maria Dias
Casaram no Domingo dia 24 de Agosto de 1636
3 - Jorge Nunes e Francisca Dias
Casaram na Segunda Feira dia 27 de Outubro de 1636
Fim
1635
1 - Bento Frade e Margarida Jorge
Casaram no Domingo dia 21 de Janeiro de 1635
2 - Domingos Pires e Leonor Gomes
Casaram na Quarta Feira dia 26 de Setembro de 1635
3 - Philipe Lopes e Maria Lourença
Casaram no Domingo dia 21 de Outubro de 1635
Fim 



segunda-feira, 7 de março de 2022

Casamentos em Santo António 1639 - 1638

Casamentos realizados na Igreja de Santo António (Capelins) em - 1639 - 1638

1639
1 - António Dias e Anna Fernandes
Casaram no Domingo dia 09 de Janeiro de 1639
2 - Simão Dias e Ignez Fernandes
Casaram no Domingo dia 20 de Fevereiro de 1639
3 - Domingos Gomes e Maria Fernandes
Casaram no Domingo dia 27 de Fevereiro de 1639
4 - Francisco da Veiga e Catarina Fernandes
Casaram no Sábado dia 09 de Abril de 1639
5 - Francisco Gonçalves e Águeda Caeira
Casaram na Quarta Feira dia 07 de Setembro de 1639
6 - Joaquim Rodrigues e Isabel Nunes
Casaram na Quarta Feira dia 12 de Outubro de 1639
Fim
1638
1 - Lourenço Rodrigues e Leonor Fernandes
Casaram no Domingo dia 02 de Maio de 1638
2 - Francisco Fernandes e Isabel Fernandes
Casaram no Domingo dia 16 de Maio de 1638
3 - Domingos Caeiro e Maria Caeira
Casaram no Domingo dia 11 de Julho de 1639
4 - Gaspar Fernandes Maria Fernandes
Casaram na Sexta Feira dia 10 de Setembro de 1638
5 - Fernando Caeiro e Brites Alves
Casaram no Domingo dia 12 de Outubro de 1638
Fim 



domingo, 6 de março de 2022

Resenha histórica da Villa de Terena

 Resenha histórica da Villa de Terena 

A Família nobre Riba de Vizela, Senhores de Terena (1259 - 1312)
António Rei
IEM / FCSH -UNL / Bolseiro da FCT
I. Introdução
1. Os Riba de Vizela
A família dos Riba de Vizela foi uma das mais importantes famílias da velha nobreza portuguesa durante o século XIII. Com extensas terras e domínios no norte do reino, tevevários dos seus membros a exercerem funções na Cúria Régia, alguns como Mordomos-mores, e outros como Alferes-mores, durante os finais do século XII e as primeiras seis décadas do século XIII
Tiveram como marca familiar a lealdade e a afeição à pessoa do rei
Esta família atingiu o seu apogeu político e dominial com D.Gil Martins, entre 1250 e 1264, o mesmo a quem foi doado Oydaluiciuez/Terena em 1259.
2. Oydaluiciuez/Terena e os Riba de Vizela - ponto de situação
Apesar de no artigo “Terena”, da
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira virem identificados Gil Martins e sua esposa Maria Eanes da Maia, Senhores de Terena e Doadores do respectivo Foral, como sendo da família dos Riba de Vizela, a verdade é que este facto, o de que foram donatários de Terena e seu termo, e da mesma forma o seu filho e o seu neto, tem, por norma, escapado aos investigadores.Em todos os estudos que, principalmente José Mattoso, dedicou à nobreza medieval portuguesa, e em que é tratada a família de Riba de Vizela, nunca aparecem referidos os domínios que esta família teve no Antre Tejo e Odiana : Oydaluiciuez/Terena e Foxem/Viana da par d’Évora (actualmente Viana do Alentejo), e respectivos termos. Uma primeira alteração neste panorama surgiu numa Tese de Doutoramento apresentada em 1992, por Leontina Ventura, que tratou a nobreza da corte de Afonso III, e onde aparecem obrigatoriamente os Riba de Vizela. Ao tratar D. Gil Martins, a autora refere três factos e três documentos importantes relativamente a Terena: a doação deOydaluiciuez/Terena e seu termo; a “composição” estabelecida entre Gil Martins, de um lado, e o Bispo de Évora e o Cabido da Sé da mesma cidade do outro; e o Foral que o mesmo senhor, com a sua família, doou a Terena. Não terá entendido, no entanto, que Oydaluiciuez, e Santa Maria de Terena são duas designações diferentes para um mesmo lugar, pois não as correlaciona. Entende que a“composição”, onde aparece referido o topónimo de origem árabe, se relaciona com outra povoação do termo. Talvez não tenha apercebido na leitura do Foral de que a mesma palavra - Oydaluiciuez - volta aparecer, embora apenas na acepção original árabe, ou seja, como hidrónimo, relativo à Ribeira, e já não como topónimo do povoado.Ao tratar depois D. Martim Gil, filho do anterior e segundo senhor de Terena, a autora já não faz qualquer referência a Terena. Segundo esta leitura, poder-se-á ficar com a ideia de que a doação de Terena aos Riba de Vizela existiu apenas durante a vida de Gil Martins, nãotendo passado para os seus descendentes, contrariamente ao que aconteceu como poderemos aperceber mais adiante.Hermínia Vasconcelos Vilar, em 1999, apenas refere Gil Martins de Riba de Vizela e sua esposa, no referente à “Composição” e ao Foral que ambos deram a Terena. Não háqualquer referências aos filho e neto. Não é nosso intuito historiar a família dos Riba de Vizela, mas apenas fazer um estudo relativo à situação dominial de Terena, entre meados do século XIII e inícios do século XIV, que possa ser uma achega: - ao estudo desta mesma família, em particular, visto ser precisamente um aspecto que não tem sido considerado; - e ao estudo monográfico de Terena, em geral.
II. Os Senhores de Terena
I. D.Gil Martins de Riba de Vizela (1210?- 1274) Senhor de Terena entre 1259-1274
Terá nascido perto de 1210 , filho de D. Martim Anes de Riba de Vizela, Alferes-mordo reino, e de D. Estefânia Pais. Foi o último grande senhor da velha nobreza no reinado de Afonso III, pois juntara, pelo casamento, as casas de Riba de Vizela e da Maia, da qual a sua mulher, Maria Eanes, era herdeira. A lealdade era uma marca familiar dos Riba de Vizela, mas a devoção pessoal que Gil Martins veio a demonstrar relativamente a Sancho II talvez tenha tido outros cimentos que não apenas a tradição familiar.O que vamos expor nos dois próximos parágrafos é uma proposta de interpretação,apenas apoiada em alguns indícios. Cremos, no entanto, que poderá ajudar a perceber agrande proximidade humana, mais que política, ocorrida entre estes dois homens; além de subsidiariamente poder ajudar a precisar a data de nascimento de Gil Martins.Sancho II, quando criança pequena, foi criado entre os Riba de Vizela. Nascido o futuro monarca nos finais de 1209, e na eventualidade de o nascimento de Gil Martins terocorrido também perto daquela data, poderia ter sido na mais tenra idade o início da relação entre ambos: poderíam mesmo ter sido irmãos colaços, criados juntos na primeira infância.Os laços então criados, de amizade e mesmo de fraternidade, talvez mais do que apenas lealdade, terão sido o que realmente perdurou até à morte de Sancho.Dissemos atrás que esta forte relação, por parte de Gil Martins seria mais humana que política, pois o futuro imediato do Riba de Vizela, depois da morte de Sancho II, revela-nos finalmente a sua carreira política, junto daqueles que tudo tinham feito para afastar o infeliz Sancho do trono.
Voltando um pouco atrás, encontramos Gil Martins na corte de Sancho II, pelo menos desde 1235, não se lhe conhecendo, no entanto, qualquer cargo desempenhado, nem se lhe detectando uma clara posição de oponência ao Conde de Bolonha, como aconteceu por exemplo com os Soverosa. Ele apenas terá acompanhado, no aspecto estritamente humano,o seu “irmão de leite” até ao fim. Gil Martins terá sido mesmo, significativamente, o único grande senhor português que testemunhou no testamento do monarca deposto, em 3 de Janeiro de 1248, em Toledo. Após a morte do “Capelo” ocorrida no dia seguinte, 4 de Janeiro, o Riba de Vizela regressou aos seus domínios, em Portugal, e em Agosto de 1248 já se atesta a sua presença na corte de Afonso III. O “Bolonhês” recompensar-lhe-á, mais tarde, a sua submissão, e elevá-lo-á a Mordomo-Mor da Cúria, algum tempo depois da morte do anterior Mordomo-mor, Rui Gomes de Briteiros, ocorrida em 1249. Não há, no entanto, certeza sobre a datada sua nomeação.O que é certo é ele ter sido, antes de ser Mordomo-Mor ou conjuntamente com esse cargo, «tenens» de Penela, desde 1250 pois já em Março desse ano, e nessa condição,assina como testemunha da doação de Albufeira à Ordem de Avis, ao ter acompanhado Afonso III na conquista do remanescente do Al-Gharb islâmico, no início do ano de 1264, quando Afonso III o substituíu a ele, de velha e alta estirpe, no cargo de Mordomo-mor, por João Peres de Aboim, partidário de Afonso III, mas de mais recente e baixa linhagem. Extremamente agravado com o monarca português, Gil Martins abandonou a corte portuguesa, deixou todos os cargos que detinha, assim como o seu filho, e a família deRiba de Vizela exilou-se em Castela, junto de Afonso X, o Sábio. Aí permaneceram até à morte de Gil Martins, o qual, irredutivelmente indisposto como “Bolonhês”, não mais regressaria a Portugal, senão eventualmente depois de morto.A famosa lealdade de Gil Martins, desde 1264 transferida para Afonso X, mantêve-a até ao fim. O reconhecimento do rei de Castela, fez-se patente, integrando Gil Martins e o seu filho entre os seus próximos; esta proximidade constata-se na presença de ambos como testemunhas em vários documentos da corte castelhana. Relativamente aos seus domínios em Portugal, mantiveram todas as suas terras de família, e demais doações, excepto Anhouvre, que lhes fora confiscada entre 1264 e 1273. Em finais de 1274 ou em 1275, vem a falecer D. Gil Martins, o primeiro Senhor de Terena.
II. D. Martim Gil ( 1235? - 1295 ) Senhor de Terena entre 1274/75 - 1295
Terá nascido cerca de 1235, pois em 1255 já era «tenens» da Beira e Trasserra. Filhode Gil Martins de Riba de Vizela e de Maria Eanes da Maia, vai tratar de incorporar, viver e preservar as memórias da ilustre linhagem dos Senhores da Maia.Terá começado a sua carreira à sombra de seu pai, enquanto este foi Mordomo-mor de Afonso III. Em 1261, recebe mais a tenência de Sousa.Deixou tudo em 1264, quando seguiu seu pai para o exílio em Castela.Próximo do rei Afonso X, junto a ele se mantêve até à morte de seu pai, ocorrida em finais de 1274 ou 1275. Herdeiro de Gil Martins, ficou com os bens de família, excepto com o que lhes fora confiscado. Terena e o seu termo mantiveram-se na família.Terá regressado ainda no ano de 1275 a Portugal, à corte de Afonso III, pois em Janeiro de 1276 já era «tenens» de Elvas. A proximidade de Elvas a Terena, terá feito com que o novo senhor de Terena, se tivesse interessado por estes seus domínios, e até talvez pudesse neles estanciar. O seu interesse por estas terras ter-se-à concretizado também numa acção jurídico-reguladora, através da incorporação de “Costumes” de Évora, às Posturas do Concelho de Santa Maria de Terena. A memória desta acção, ocorrida em 1280, não se perdeu, e terá sido mesmo o suficientemente significativa, para que o Foral da Leitura Nova continuasse perpetuando o nome do então Senhor de Terena, Martim Gil. No campo literário foi um grande mecenas, protegendo artistas e promovendo uma corte literária.A estadia de Martim Gil na corte literária de Afonso X poderá ter tido importância para o despertar ou reforçar dos interesses literários do filho de Gil Martins A lealdade dos Riba de Vizela para com o Rei-Sábio, e a proximidade de que gozaram junto do mesmo monarca, poderá estar relacionada, de alguma forma, e em contrapartida,com o aparecimento, que cremos significativo para ser mero acaso, de várias das Cantigas de Santa Maria, do próprio Afonso X, dedicadas precisamente a Stª Maria de Terena: num total de 14 referências à toponímia portuguesa, e de 29 Cantigas, só relativas a Terena são 12 (41%), o que é muito significativo. Aquelas Cantigas poderão ter sido, por parte do rei castelhano, uma forma de agraciare prestigiar os senhores de Terena. Não se sabe exactamente se a protecção dispensada pela corte senhorial de Riba de Vizela às letras e aos artistas já viria do tempo de Gil Martins, mas foi com Martim Gil que ela se assumiu claramente.Sabe-se que entre os poetas e trovadores por eles acolhidos e protegidos se contam alguns dos conhecidos trovadores do seu tempo, entre os quais Rodrigo Eanes d’Alvares ,Afonso Mendes de Besteiros e Rodrigo Eanes Redondo. Mas as acções de Martim Gil ligadas ao mundo literário foram ainda mais além. Enquanto herdeiro e representante da família da Maia, promoveu ainda a compilação e redacção do primeiro e mais antigo livro de linhagens conhecido em Portugal, o Livro Velho de Linhagens, obra onde são exaltadas as origens dessa mesma família. Tê-lo-à encarregado a um clérigo letrado da sua corte, talvez Estêvão Anes da Gaia; ou a um monge do Mosteiro de Stº Tirso, mosteiro do padroado e protecção da família da Maia, e que também lhes servia de panteão. Em 1280, já com D. Dinis reinando, Afonso III morrera no ano transacto, Martim Gil vai novamente para Castela, abandonando a tenência de Elvas.Esta nova saída do reino terá estado relacionada com o regresso da rainha-viúva D. Beatriz, para junto de seu pai Afonso X, e não com alguma questão com o novo rei. O senhor de Terena, senhor bemquisto junto do Rei-Sábio, tê-la-á acompanhado. Permaneceu na corte castelhana até ao cumprimento do testamento de Afonso X,falecido em 1284. O monarca, como prova da sua confiança e reconhecimento para com Martim Gil, que o apoiara mesmo nos momentos mais difíceis do seu reinado, nomeou-o umdos seus testamenteiros. Regressa a Portugal, à corte de D .Dinis que faz dele, em 1285, seu Alferes-mor.. Em1288, escamba com o rei, o herdamento de Anhoure ou Anhouvre, antes confiscado por D.Afonso III, por dois casais. Mantêve-se no cargo de Alferes-mor até Junho de 1295, quando terá solicitado a exoneração, muito possivelmente por questões de saúde. Aceite o seu pedido por D. Dinis, foi nesse cargo substituído pelo seu filho e homónimo, Martim Gil, nascido do seu casamento com D. Emília de Castro, filha de André Fernandes de Castro e de Mécia Rodrigues Giroa. Martim Gil, o segundo Senhor de Terena, e chefe da linhagem de Maia /Riba de Vizela, terá falecido ainda durante esse ano de 1295. Terá sido sepultado no panteão de Stº Tirso. 
III. D. Martim Gil, 2º Conde de Barcelos (1260?- 1312) Senhor de Terena entre 1295 - 1312
Nascido cerca de 1260, era filho de Martim Gil e Riba de Vizela e de Emília de Castro. Sobre a sua vida temos muito menos dados do que sobre seu pai e avô Casou com D. Violante Sanches, filha de João Afonso Teles de Meneses, senhor de Albuquerque, e 1º conde de Barcelos. Após a morte do seu sogro, requereu a concessão do título para a sua esposa, e indirectamente para si mesmo. O que veio a acontecer, tendo-lhes D. Dinis concedido o título e o senhorio de Barcelos, a 15 de Outubro de 1304. Tendo sucedido a seu pai no lugar de Alferes-mor, em 1295, nessa condição e amando do rei português chefiou, em 1309, uma força de 700 cavaleiros portugueses, que foram auxiliar Fernando IV de Leão e Castela, no cerco posto a Algeciras e na conquista de Gibraltar. Sendo Martim Gil concunhado de Afonso Sanches, o bastardo real preferido do Rei-Poeta, acabou por haver um litígio entre ambos relativamente à herança de João Afonso de Albuquerque. Em Janeiro de 1312, o tribunal régio pronunciou a seguinte sentença: Martim Gil mantinha o título de Conde de Barcelos e o respectivo senhorio; a Afonso Sanches era concedido o senhorio e o castelo de Albuquerque. Ofendido com a sentença, Martim Gilexilou-se em Castela. Ressentiu-se de tal forma do sucedido que acabou falecendo ainda nesse mesmo ano, em Novembro ou Dezembro. Último dos senhores da Maia/ Riba de Vizela, foi a sepultar no panteão da família, no Mosteiro de Stº Tirso, mosteiro que ele mesmo agraciara com grandes somas para a construção da igreja abacial. Não deixando descendentes, com ele se extinguiram, por linha legítima e masculina,estas duas antigas, e em seu tempo, poderosas linhagens.Também com ele, o terceiro senhor de Terena, se extingue este senhorio, regressando a vila e o seu termo à coroa.As doações e os títulos do último senhor de Terena, e de Foxem, acabaram sendo divididos por D. Dinis, em 1313 ou 1314, entre dois dos seus filhos: o infante herdeiro D.Afonso, futuro Afonso IV, recebeu Terena, Foxem e os respectivos termos; o infante D.Pedro, bastardo régio, e futura grande figura das letras, recebeu o senhorio de Barcelos e o título de conde, bem como o cargo de Alferes-mor.
III. Conclusão
Quanto à relação estabelecida entre estes senhores e o seu senhorio de Oydaluiciuez/Terena, poderemos dizer que Gil Martins aparece ligado, pelo menos documentalmente, e deforma inequívoca, como fundador, a este seu senhorio: a “composição”, a confirmação régiae o Foral concedido atestam essa ligação e esse interesse, que se terá revestido de um cariz essencialmente normativo.A relação que seu filho Martim Gil teve com este senhorio, terá sido, das dos trê ssenhores desta família, a relação fisicamente mais próxima.A tenência de Elvas, não muito longe de Terena, entre 1276 e 1280, para isso terá contribuído. Este senhor, se também teve um interese e uma relação com este seu domínio aque não faltam acções do tipo regulamentador, como a incorporação dos «costumes» deÉvora nas Posturas Municipais de Stª Maria de Terena, pode-se-lhe também atribuir uma relação de tipo cultural com estas terras entre o Odialuiciuez e o Odiana.A presença de trovadores e de actividade literária na corte senhorial de Martim Gil,que durante o período atrás referido poderá ter estado sediada em Elvas, não a separamos do surgimento da Cantiga de Afonso X, dedicada a Stª Maria de Terena. Coincidentemente, o episódio que a Cantiga relata situa-se geograficamente entre Elvas e Terena, as duas povoações que nesta zona do Antre Tejo e Odiana, e naquele momento, mais consistiriam o interesse de Martim Gil.Por outro lado, quem, com maior proximidade ao Rei-Sábio, para lhe poder relatar todo este episódio que encontramos retratado no poema, senão o próprio Martim Gil, pessoa da estima e confiança de Afonso X, como pudemos constatar? Esta Cantiga, importante fonte literária, também poderá ser lida como fonte histórica. Por último, Martim Gil, o conde de Barcelos, terceiro e último senhor de Terena, parece, e terá sido, o mais distante dos três, com relação a estas terras. Não se conhece qualquer acção relacionada com elas.
Fim
Consulte o trabalho original e completo em:




Nossa Senhora das Candeias - Vila de Mourão - 1758

História e estórias do celebrado rio Guadiana e de seus afluentes 9 - Nossa Senhora das Candeias - Vila de Mourão - 1758 Respostas do Prior ...