terça-feira, 4 de julho de 2017

Capelins - Enclave do Grande Lago de Alqueva

Capelins - Enclave do Grande Lago de Alqueva

A Freguesia de Capelins (Santo António), é constituída pelas Aldeias de Faleiros, Ferreira de Capelins, Montes Juntos e por uma pequenina parte de Cabeça de Carneiro,  e situa-se no Concelho de Alandroal, Distrito de Évora.
As terras de Capelins são povoadas desde a Pré-História, existem restos arqueológicos de vários povoados no vale das Ribeiras de Lucefécit, Azevel e do rio Guadiana. 
Os Romanos deixaram aqui, muitos vestígios da sua permanência, desde as Minas nas herdades de Defesa de Ferreira, Negra e Amadoreira, a Villa de Ferreira Romana, Necrópoles e o Forte no Outeiro dos Castelinhos. Este Forte era semelhante ao Castelo da Lousa, no rio Guadiana, perto da Aldeia da Luz, Mourão, agora submerso pelas águas do Grande Lago de Alqueva.
Junto à atual Ermida de Nossa Senhora das Neves, existe uma Necrópole da Idade Média, sepulturas escavadas na rocha, foram identificadas doze sepulturas, mas, decerto existem mais. Pensamos que, estas sepulturas, estariam no interior da Igreja Matriz de Santa Maria de Ferreira, edificada neste lugar em 1262 pela Família Riba de Vizela. 
Após o cabeço que fica em frente desta Ermida, localiza-se o Monte de Ferreira, seria neste espaço geográfico que se implantava o Lugar de Ferreira, o casario e a dita Igreja Matriz de Santa Maria, ainda podemos observar dois silos ou cisternas  comunitárias, uma fora das paredes que delimitam a propriedade do Monte de Ferreira, e outra semelhante no alto do olival, dentro desta propriedade, aqui em 1800, conforme escreve o historiador espanhol José Cornide, ainda existiam 32 casas.
No mapa geográfico do Alentejo, feito em 1777 pelo Sargento Mor Jozé Monteiro de Carvalho, oferecido à  Rainha Dª Maria I, regista a existência de um Forte Abaluartado na Vila Defesa de Ferreira. Este Forte, devido ao lugar assinalado no referido mapa, era o Castelo de Ferreira no Outeiro do Pombo, na margem direita   do rio Guadiana, na herdade da Defesa de Bobadela, acima da Cinza, do qual, ainda podemos observar algumas fortes paredes, mas nessa data parece que já tinha sido arrasado para não ser tomado pelos castelhanos, uma vez que era difícil a sua defesa pelos portugueses. Talvez tenha sido mandado arrasar pelo rei D. Manuel I.
A Vila de Ferreira, que era quase todo o espaço geográfico da atual Freguesia de Capelins, exceto Faleiros e as herdades de Nabais e Sina, em 1698 foi repartida em herdades, mais pequenas, sendo vendidas a privados, exceto as herdades da Defesa de Ferreira e Defesa de Bobadela, as quais, foram doadas à Casa do Infantado no dia 21 de Abril de 1698, ficando na sua posse até 18 de Março de 1834, quando, aquela Casa foi extinta por D. Pedro IV, em volta das ditas herdades ainda podemos observar marcos, que embora limados pode-se ver o brazão do Estado do Infantado.
Nas Ribeiras de Lucefécit e Azevel, assim como no rio Guadiana existiam vinte e dois Moinhos de água, o mais velho situava-se junto à Vila Romana de Ferreira, parece que, era da época romana para triturar o minério, mas estão todos submersos.
Também, no vale da Ribeira do Lucefécit e do rio Guadiana, devido às características da terra, da argila, existiram, pelo menos desde a época romana, fabrico de objetos de barro,  potes, telhas, tijolos e baldosas, até à década de 1960, existindo ainda ruínas de alguns fornos. 
A exploração do minério, iniciada pelos romanos, continuou até ao século XX, principalmente Ferro e Cobre, ainda podemos visitar a mina de ferro romana na herdade da Defesa de Ferreira.
A economia desta região baseou-se sempre na agro pecuária e, até 1976, no contrabando.
São muitos os segredos das terras de Capelins, alguns ainda por desvendar. Devido a ser Vila Defesa, tipo Couto de homiziados, foi lugar de acolhimento de foragidos por delitos cometidos noutros lugares e que depois de entrarem aqui, não podiam ser presos para serem levados para outros lugares. Também foi lugar de acolhimento de judeus, de cristãos novos e de marranos.
A Natureza destaca-se nestas terras, onde podemos observar muita fauna e flora que está quase extinta noutros lugares. Por todo a Freguesia de Capelins, mas principalmente nas imediações do Grande Lago, podemos observar muitas aves, como a rara Cegonha Preta (Ciconia nigra), das quais existem pouco mais de cem casais em Portugal e de rapina a planar em altitude moderada em frente aos nossos olhos. Facilmente se vislumbram, raposas cinzentas pertencentes à família Canidae e javalis (nome científico: Sus scrofa), também conhecido como javardo, porco-bravo, porco-monteiro e porco-montês (as fêmeas são conhecidas como javalina).

Na Primavera a paisagem é deslumbrante, os tapetes de flores de diversas cores, são um encanto. 
No Verão, durante a manhã, podemos passear, fazer caminhadas ou andar de bicicleta entre os montados de Sobreiros (Quercus suber) ou Azinheiras (Quercus ilex), ou ainda, visitar a sereníssima praia das Azenhas D'El-Rei, situada na Porta D’ El – Rei, muito perto da Aldeia de Montejuntos. 

Lugares arqueológicos acessíveis: 
1 - Mina Romana de Ferreira - Herdade da Defesa de Ferreira de Cima;
2 - Forte Romano no Outeiro dos Castelinhos - Herdade da Defesa de Ferreira de Cima;
3 - Pedreira de xisto romana, porto das Águas Frias de Baixo - Herdade da Defesa de Ferreira;
4 - Porto Romano das Águas Frias de Baixo (Submerso) - Via romana para Mérida, capital da Lusitânia - Herdade da Defesa de Ferreira de Cima;
5 - Lugar onde se situa o Moinho romano (Moinho Velho, submerso) - Herdade da Defesa de Ferreira de Cima;
6 - Lugar onde se encontra o Moinho das Neves (submerso) - Herdade da Defesa de Ferreira;
7 - Necrópole da Idade Média, 12 sepulturas escavadas na rocha - Herdade da Defesa de Ferreira;
8 - Ermida de Nossa Senhora das Neves, do século XVII - Herdade da Defesa de Ferreira; 
9 - Lugar da Vila de Ferreira Medieval e silos comunitários, ou cisternas, Cabeço do Monte de Ferreira e Herdade da Defesa de Ferreira;
10 - Histórico Monte do Escrivão, já antes habitado pelos romanos - Herdade da Defesa de Ferreira;
11 - Necrópole na Herdade da Negra;
12 - Mina,  Necrópole e Forno no Roncão;
13 - Porta D' El - Rei - Praia Fluvial;
14 - Mina e Sepultura na  Amadoreira;
15 - Castelo de Ferreira, ainda existente no reinado de D. João II, e povoados do período neo-calcolítico, no Outeiro do Pombo - Defesa de Bobadela.


Neves - Capelins


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Resenha histórica da Vila de Alandroal, de Terena e de Capelins

Resenha histórica da Vila do Alandroal, de Terena e de Capelins


O Alandroal é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Évora, região do Alentejo e sub-região do Alentejo Central, com cerca de 1 900 habitantes. Ergue-se a 341 m de altitude.
O Alandroal foi elevado à categoria de vila em 1486, por uma Carta de Foral atribuída por D. João II. A vila inclui apenas a freguesia de Nossa Senhora da Conceição.

O Município

É sede de um município com 544,86 km² de área e 6 187 habitantes (2006), subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Vila Viçosa, a leste por Espanha, a sul por Mourão e por Reguengos de Monsaraz e a oeste pelo Redondo. Ao concelho do Alandroal foram anexados, no século XIX, os territórios dos antigos municípios de Terena e Juromenha.
A povoação de Villarreal, situada no município de Olivença (Espanha), era uma povoação do antigo concelho de Juromenha.
O próprio Alandroal é uma das três vilas do concelho, sendo as outras Terena e Juromenha.

Alandroal















FOTO DE PORTUGUESE_EYES


Freguesias do Concelho de Alandroal:

Nossa Senhora da Conceição
Capelins (Santo António)
Juromenha (Nossa Senhora do Loreto)
São Brás dos Matos (Mina do Bugalho)
Santiago Maior (Alandroal)
Terena (São Pedro)



Nossa Senhora da Conceição

Orago Nossa Senhora da Conceição

Nossa Senhora da Conceição é uma freguesia portuguesa do concelho do Alandroal, com 156,60 km² de área e 1 938 habitantes (2001). Densidade: 12,4 hab/km². Tem o nome alternativo de Alandroal e inclui esta vila e a aldeia do Rosário.
Localizada no centro do concelho, a freguesia de Nossa Senhora da Conceição tem por vizinhos as freguesias de São Brás dos Matos (Mina do Bugalho) a nordeste, Capelins (Santo António) a sul e Terena (São Pedro) a sudoeste, o concelho de Vila Viçosa a norte e a Espanha a leste.
É a maior freguesia do concelho em área mas apenas a segunda em população e em densidade demográfica. 




Terena

CAPELA DA BOA NOVA OU CAPELA DE NOSSA SENHORA DA BOA NOVA OU SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO DA BOA NOVA EM TERENA


História

Trata-se de um santuário mariano bastante antigo, julgando-se que possa resultar da cristianização de cultos pagãos, visto que nas imediações da vila de Terena subsistem as ruínas do templo do Deus Endovélico. As referências históricas a este santuário remontam ao século XIII, uma vez que nas Cantigas de Santa Maria, do Rei Afonso X de Castela, existem algumas composições dedicadas a Santa Maria de Terena. O templo é obra do século XIV, possuindo a característica de ser um raro exemplar português de igreja-fortaleza que chegou praticamente intacto aos nossos dias. A origem da invocação Senhora da Boa Nova parece estar ligada à lenda da Formosíssima Maria (Dona Maria,Rainha de Castela), a filha do Rei D. Afonso IV de Portugal que se deslocou à corte portuguesa para solicitar a seu pai que auxiliasse o marido na Batalha do Salado. Reza a lenda que a Rainha se encontrava neste local, nas imediações de Terena, quando recebeu a boa notícia, daí tendo nascido a invocação Boa Nova. O culto mantém-se bastante vivo, sendo este santuário palco de uma grande romaria que se celebra no primeiro fim-de-semana posterior à Páscoa. A importância desta romaria na região é de tal importância que a Segunda-Feira de Pascoela (dia principal da festa) é o feriado municipal do concelho do Alandroal. O Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova foi classificado Monumento Nacional em 1910.


Exterior do templo

O Santuário é uma jóia da arquitectura religiosa do século XIV, templo-fortaleza de planta cruciforme, rara em Portugal, construído em forte cantaria granítica, coroado e ameias muçulmanas. Nas fachadas norte, sul e poente, abrem-se pórticos de arcos ogivais, góticos e estreitas frestas medievais, encimados por balcões defensivos, com matacães (por onde se jorravam líquidos a ferver, em caso de ataque), decorados com pedras de armas reais portuguesas. O conjunto da fachada principal é ainda enobrecido por singelo campanário, acrescentado no século XVIII. O templo era originalmente do padroado da Ordem de Avis, teve depois como donatários os Condes de Vila Nova (de Portimão).


CAPELA DE NOSSA SENHORA DA BOA NOVA



















Interior

Contrastando com o aspeto pesado exterior, o interior surpreende-nos pela singeleza das linhas góticas e pelo aspecto amplo da nave, de planta de cruz grega, coberta por abóbadas de arcos quebrados. Os alçados da nave foram decorados no século XIX por rodapé escaiolado e pinturas murais realizadas pelo pintor Silva Rato, de Borba, representando santos da devoção popular alentejana. O púlpito, de alvenaria, é da mesma época e levanta-se volumoso no transepto da igreja. Os altares colaterais, de São Brás e Santa Catarina, são de talha dourada do século XVIII.
Mais interessante é a decoração do presbitério, cuja abóbada está coberta de pinturas fresquistas representando os reis da primeira dinastia até D. Afonso IV e diversas cenas do Apocalipse de São João, obra mandada fazer pelos Condes de Vila Nova, Comendadores da Ordem de Avis. O retábulo, maneirista, do século XVI, conserva entalhados belíssimas tábuas de estilo maneirista flamenguizante representando a Anunciação e Assunção da Virgem, o Presépio, o Pentecostes e a Ressurreição de Cristo. Ao centro, em maquineta dourada expõe-se a venerada imagem de Nossa Senhora da Boa Nova, de roca, e com o Menino Jesus ao colo. Nesta capela se conservou acesa durante séculos a lâmpada votiva dos Duques de Bragança. Subsistem ainda no espaço algumas campas antigas e aras votivas do Deus Endonvélico, provenientes do templo de São Miguel da Mota, também na freguesia de Terena. 

Nossa Senhora da Boa Nova 
























Terena (São Pedro)

Terena é uma freguesia portuguesa do concelho do Alandroal, com 82,95 km² de área e 859 habitantes (2001). Densidade: 10,4 hab/km². A freguesia inclui esta localidade e Hortinhas. Tem o nome alternativo de São Pedro, sendo por vezes também conhecida como São Pedro de Terena.

Localizada no centro do concelho, a freguesia de Terena (São Pedro) tem por vizinhos as freguesias de Nossa Senhora da Conceição a nordeste, Capelins a sueste e Santiago Maior a sudoeste, e os concelhos do Redondo a oeste e de Vila Viçosa a norte.
É a 4ª freguesia do concelho em área, mas a 3ª em população e em densidade demográfica.
As origens da vila de Terena são muito antigas. O seu primeiro foral foi concedido no século XIII, sendo elaborado pelo Cavaleiro D. Gil Martins e sua mulher D. Maria João. Já no século XVI, em 10 de Outubro de 1514, o Rei D. Manuel I concedeu-lhe o Foral da leitura nova. A vila de Terena desempenhou um importante papel de defesa fronteiriça, através do seu castelo, que integrava a linha de defesa do Guadiana. No seu território desenvolveu-se desde tempos remotos o culto à Virgem Maria (possível fruto da cristianização de cultos pagãos), sendo o seu Santuário, hoje chamado da Boa Nova, já celebrado por Afonso X de Castela nas suas Cantigas de Santa Maria. O concelho de Terena, que abrangia as freguesias de Terena, Capelins e Santiago Maior, foi extinto em 1836, estando desde então integrado no concelho de Alandroal. O concelho tinha, de acordo com o recenseamento de 1801, 1 757 habitantes. Nos finais da década de 1970, foi construída nesta freguesia a Barragem do Lucefécit, que permitiu o desenvolvimento da agricultura de regadio nesta região. Nesta vila decorre anualmente, no Domingo e Segunda-Feira de Pascoela, a afamada e concorrida romaria de Nossa Senhora da Boa Nova.


Castelo de Terena
















FOTO DE PORTUGUESE_EYES



ANTIGOS PAÇOS DO CONCELHO DE TERENA


Os Antigos Paços do Concelho de Terena são um edifício histórico situados na vila de Terena, no concelho do Alandroal, distrito de Évora. Terena, que foi sede de concelho desde a Idade Média, possuíu certamente um anterior espaço destinado à sede do município, possivelmente no interior do castelo, mas o edifício actual data do século XVIII e fica situado na Rua Direita, junto à Igreja da Misericórdia e ao Pelourinho.
A fachada principal tem escada exterior (com corrimão e balaústre de mármore), com porta encimada pelo Escudo Real Português, também em mármore, do reinado de D. João V e duas janelas de sacada. No piso inferior funcionava o Celeiro Comum, estando o portão datado de 1882. Uma vez extinto o município de Terena (que era composto pelas freguesias de Terena, Santo António de Capelins e Santiago Maior), em 1836, o edifício (exceptuando o Celeiro Comum) foi cedido à irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Terena, que nele instalou o seu Hospital. No espaço de Celeiro Comum funcionaram, no século XX, a Junta de Freguesia de Terena e o Posto do Registo Civil da Freguesia. A Misericórdia (proprietária do imóvel) manteve o hospital aberto até à década de 1950, estando desde então o edifício encerrado, à espera de uma digna recuperação.

ANTIGOS PAÇOS DO CONCELHO DE TERENA




















A Torre do Relógio

A Torre do Relógio da vila de Terena, concelho de Alandroal, fica situada na Rua Direita, junto ao pelourinho e à Igreja da Misericórdia.
O primitivo relógio da vila ficava situado na torre de menagem do castelo, mas ficou danificado pelo terramoto de 1755, conforme narração do Pároco nas Memórias Paroquiais de 1758. Por esse motivo, em data incerta da segunda metade do século XVIII foi construída a actual torre destinada ao relógio mecânico que durante séculos marcou as horas da vila de Terena.
A torre, de cúpula hemisférica com pináculos nos acrotérios, eleva-se alterosa por entre o casario envolvente. Possui dois sinos antigos, o maior, destinado às horas, tem a seguinte inscrição:
"FOI. FEITO. A. 1773. SENDO. VEREAD. VELLADA.ROQVE.GALEGO. PROCVRADOR.VEDIGAL.ESCRIV.O BENAZOL".
O mostrador, voltado a poente, é de mármore e tem numeração romana.


Torre do Relógio





















FOTO DE ALENTEJANO




IGREJA MATRIZ DE SÃO PEDRO - TERENA



A Igreja Matriz de São Pedro, Paroquial de Terena fica situada num dos pontos mais elevados da vila, de cujo adro se desfruta amplo panorama. A igreja é muito antiga, já existia em 1394.
Segundo a tradição terá sido a segunda igreja paroquial da vila e sucedeu à primeira que era a igreja hoje conhecida por Santuário da Boa Nova.
Das origens, conservam-se as estátuas góticas do Padroeiro e de Santa Catarina Mártir, em mármore, expostas nos acrotérios da fachada principal. A Igreja Matriz foi depois alterada no século XVI, de cujo período são vestígios a ábside, de abóbada nervurada, coberta de azulejos do tipo maçaroca. No século XVIII foram executados o retábulo de talha dourada do altar-mor e o púlpito, em mármore. Neste período a igreja tinha quatro irmandades: Santíssimo Sacramento, Nossa Senhora do Rosário, São Miguel e Ordem Terceira de São Francisco). O Prior era apresentado pela Coroa e tinha dois clérigos Beneficiados. Já no século XIX foram feitas outras obras da igreja, que deram à nave o aspecto actual, realizando-se as pinturas da abóbada e do arco da Capela-Mor, tendo sido acrescentado o coro e remodelados o Baptistério, que conserva a Pia antiga, a Capela do Santíssimo Sacramento e o Altar da Senhora do Rosário, entre outras modificações de menor importância.
Na Sacristia conserva-se o trípico de pintura do século XVI representando São Pedro, São Paulo e Santo André, que se crê ter sido o primitivo retábulo do altar-mor. 


IGREJA MATRIZ DE SÃO PEDRO - TERENA



















IGREJA DA MISERICÓRDIA - TERENA


A Igreja da Misericórdia, sede da irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Terena, fica situada na Rua Direita, no centro histórico da vila de Terena, concelho de Alandroal.
Embora não se conheça a data exacta da fundação da Misericórdia de Terena, sabe-se que deve ter ocorrido na segunda metade do século XVI, pois a abóbada da Capela-Mor da igreja é ainda do reinado de D.João III.
A fachada é muito simples, de empena triangular e portal marmóreo da segunda metade do século XVIII. O interior é de uma só nave, com coro lateral e púlpito de mármore. No alçado do lado do evangelho levantava-se a Galeria dos Mesários, de madeira entalhada. A capela-mor, de abóbada nervurada quinhentista, está revestida de pinturas murais do século XVIII, representando motivos florais. O retábulo é de talha dourada e marmoreada, decorada com as Armas Reais e os símbolos da Paixão de Cristo, expondo no Trono a imagem de roca do Senhor Jesus dos Passos.
Nos anexos da igreja situam-se as salas da Mesa e do consistório da Misericórdia. Presentemente a Misericórdia de Terena está sem actividade, encontrando-se a igreja muito arruinada e necessitando de restauro urgente. 

IGREJA DA MISERICÓRDIA - TERENA






















FOTO DE ALENTEJANO





PELOURINHO DE TERENA

O Pelourinho de Terena , símbolo do antigo poder municipal da vila, é uma obra do século XVI, reinado de D. João III.
É constituído por fuste e capitel de xisto, encimado por esfera marmórea. Fica situado na Rua Direita, junto à Torre do Relógio e à Igreja da Misericórdia.
Este pelourinho está classificado como Imóvel de Interesse Público, pelo IPPAR (Decreto 23122, DG 231 de 11 de Outubro de 1933). 


Pelourinho de Terena





























CAPELA DE SANTO ANTÓNIO - TERENA


A Capela de Santo António fica situada no Rossio da vila de Terena, concelho de Alandroal.
A ermida, de linhas arquitectónicas simples e do estilo popular alentejano, com fachada simples e característico telhado de linhas radiadas, assinalada no terreiro fronteiro por cruzeiro popular. A sua construção deveu-se à iniciativa de um grupo de fiéis encabeçado por João Nunes Ribeiro, Cavaleiro da Ordem de Cristo, no ano de 1657. A nave, pequena e em forma de rotunda copular tem púlpito de mármore e ferro forjado. O altar é de talha dourada do século XVII, albergando as imagens de Santo António, São Bento e São Vicente Ferrer. Presentemente serve de capela funerária da vila de Terena.

ERMIDA DE SÃO SEBASTIÃO - TERENA

A ermida de São Sebastião é um monumento religioso situado na freguesia de Terena (São Pedro), concelho de Alandroal, distrito de Évora. A ermida ergue-se à saída da vila, à beira do caminho que leva ao célebre Santuário da Boa Nova. São desconhecidas as origens desta ermida, mas sabe que já existia no século XVI, pois figura na vista panorâmica que Duarte de Armas desenhou do castelo de Terena. Ao que tudo indica terá sido construída por iniciativa da câmara da vila, a exemplo do que se passou com muitas das suas congéneres ermidas de concelhos vizinhos, e dedicada a São Sebastião, o santo protector contra a fome, a peste e a guerra. Este monumento é um bom exemplar da arquitectura popular religiosa rural alentejana, sendo a sua fachada unicamente decorada pelo singelo campanário. O interior, igualmente simples, de uma só nave, tem apenas um altar, onde se veneram as imagens do padroeiro, de São Pedro e de São Bartolomeu. Em 1870 o espaço envolvente desta ermida foi aproveitado para a construção do cemitério público, em cujo portão foi colocada a seguinte inscrição destinada à meditação dos transeuntes: Detem caminhante o Passo/A Humana condição chora/Olha-te bem neste espelho/Vê o que és e vai-te embora. 

Capela de Santo António - Terena




















FREGUESIA DE CAPELINS (SANTO ANTÓNIO)


Área
- Total 86,57 km2
População (2001)
- Total 673
- Densidade 7,8/km2 

Orago Santo António

Capelins é uma freguesia portuguesa do concelho do Alandroal, com 86,57 km² de área e 673 habitantes (2001). Densidade: 7,8 hab/km². Tem o nome alternativo de Santo António, sendo que o nome oficial da freguesia é Capelins (Santo António).
Localizada na extremidade sueste do concelho, a freguesia de Capelins tem por vizinhos as freguesias de Santiago Maior a oeste, Terena a noroeste e Nossa Senhora da Conceição a norte, os municípios de Mourão a sueste e Reguengos de Monsaraz a sudoeste e a Espanha a leste.
É a 3ª freguesia do concelho em área, a 4ª em população e também a 4ª em densidade demográfica.
Esta freguesia pertenceu, até 1836, ao extinto concelho de Terena. Fazem parte desta freguesia os aglomerados populacionais de Ferreira de Capelins e Montes Juntos. 


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domingo, 2 de julho de 2017

O Contrabando nas terras de Capelins, um passado esquecido

O Contrabando nas terras de Capelins, um passado esquecido 
Documentos antigos confirmam a existência secular do contrabando nas terras de Capelins, desde a formação da fronteira entre Portugal e Espanha e, na Idade Média era principalmente de gado e cereais. O contrabando, neste caso, caracterizava-se pela passagem clandestina de bens e mercadorias, entre Portugal e Espanha, para evitar o pagamento de taxas alfandegárias e foi entre 1935 e 1976, que o contrabando irrompeu aqui em larga escala.
A pobreza e o desemprego que afligiam portugueses e espanhóis foram decisivos para o envolvimento de muitas pessoas, principalmente desfavorecidos, no contrabando. Foi a miséria nestas terras de Capelins e a Guerra Civil espanhola que despoletaram um intenso vaivém dos dois lados da fronteira, em busca da sobrevivência. De cá para lá o que mais levavam era café camelo e por consequência da guerra, algumas outras mercadorias eram levadas para Espanha, enquanto a bombazina e mais tarde botas para homem eram trazidas para Portugal. Indivíduos de todas as idades contrabandeavam para sobreviverem.
A Guarda Fiscal e os carabineiros tinham por missão contrariar esta atividade, procedendo a perseguições, prisões e até a mortes, (em espanha). Ao longo da fronteira existiam postos da Guarda Fiscal em lugares altos e, toda a área nas proximidades do rio Guadiana era vigiada de noite e dia. Na Freguesia de Capelins existiam dois postos, sendo um em Montes Juntos, do qual os guardas saiam e vigiavam o espaço geográfico entre a foz da Ribeira do Lucefécit até cerca da Moinhola (Defesa de Bobadela) e outro no Azinhal Redondo de Baixo (Roncanito), denominado Miguéns, de onde vigiavam a restante linha de fronteira nesta Freguesia, da Moinhola ao Moinho do Gato, na foz da Ribeira do Azevel. Assim, e porque existiam contrabandistas, tinha de existir a Guarda Fiscal, logo sem o transporte ilegal de bens teriam a profissão ameaçada, ou seja, os guardas só existiam, porque existiam contrabandistas!
Fazer contrabando significava correr grandes riscos. O afogamento, na travessia do rio Guadiana, durante o transporte noturno em noites e madrugadas invernosas de chuva e frio, o risco de ser preso e havia os tiros, por vezes certeiros. 
Os riscos corridos eram o preço do desespero, mas também da audácia. A audácia, a ousadia, foram fundamentais no contrabando. Muitos homens arriscaram-se sozinhos, a maioria organizou-se em grupos. A organização do contrabando passava por entendimentos de segredo e solidariedade que contribuíam para desenvolver localmente comércios e estatutos sociais. 
Os principais aliados dos contrabandistas eram os moleiros, dos Moinhos do rio Guadiana, os quais, além de colaborarem em termos logísticos, com informações sobre o paradeiro da Guarda Fiscal, também eram eles que passavam os contrabandistas e as mercadorias, nos seus pequenos barcos, entre uma e a outra margem do rio.
O contrabando marca o património e a memória do povo das terras de Capelins e das localidades vizinhas de além Guadiana, como Cheles, Alconchel, São Benito, São Jorge de Alor, Almendra, Almendralejo, Olivença, Barcarota e outras! 
Muitos são os relatos e testemunhos de quem praticou o contrabando, muitas histórias do contrabando, algumas, ainda hoje contadas por contrabandistas das terras de Capelins!

Moinho no rio Guadiana, em Capelins 



sexta-feira, 23 de junho de 2017

Aldeia de Faleiros - Capelins

Faleiros a árvore seca sugere um destino

RITA RANHOLA 13/06/2010 - 00:00
Há quem aqui sempre tenha vivido, mas também há os que vieram ou regressaram para contrariar a "luta desigual" com o Estado, que quer acabar com as aldeias
Uma imponente árvore, apesar de já seca, ergue-se à entrada da pequena aldeia de Faleiros, "perdida" no interior alentejano, onde cerca de uma dúzia de pessoas ainda "teima" em viver, incluindo um casal luso-inglês que ali criou "raízes".
"Num raio de 35 quilómetros, tenho bancos, hospital, lojas, supermercado, advogados. Tudo o que preciso para viver está aqui, no Alentejo", diz Peter Bernthal, de 62 anos. Alto e esguio, como a árvore, e de barbas brancas, o inglês e a mulher, a portuguesa Fernanda, dois anos mais nova, são dos poucos moradores desta aldeia da freguesia de Capelins (Santo António), no concelho de Alandroal. O casal recuperou uma casa comprada em 2002 e até tem um turismo rural que recebe visitantes dos vários "confins" do mundo, mas não atrai nacionais: "Os únicos portugueses que cá vêm são amigos nossos".
"Uma vez, telefonou um português e a primeira coisa que perguntou foi se havia televisão no quarto. E outro queria saber se tínhamos televisão por cabo. Eu disse que não", relata Fernanda, que viveu em Angola e, no Alentejo, reencontrou a "imensidão" dessa sua outra pátria africana.
Os primeiros turistas foram americanos, "à procura de cultura e monumentos", mas já por ali passaram belgas, ingleses, holandeses e até "uma rapariga da Coreia do Sul".
Preferindo expressar-se na língua do país que o acolheu, depois de partir "sem destino" de Rochester, no Sul de Inglaterra, há mais de uma década, Peter gostava de ver um maior apoio ao turismo no Alandroal.
"A última fábrica que abriu no Alandroal foi há 24 anos... O turismo é muito importante e podia dar trabalho à gente nova", defende o inglês, apaixonado pela sua casa alentejana, com "tectos brancos com barrotes pretos de madeira" e "uma chaminé para nos sentarmos lá dentro", que lhe evocam as "casas dos ricos" da sua região natal.
Mas é com tristeza que Peter Bernthal diz assistir ao abandono do interior português: "Vai tudo para Lisboa, Porto, Coimbra e Algarve. Até parece obrigatório, mas as pessoas, aí, não têm condições de vida".
Do lote dos muitos alentejanos que tentaram a sua sorte nos arredores de Lisboa, fizeram parte António João Almas Veva, de 61 anos, natural da sede de freguesia, Montejuntos, e a sua mulher, Isabel do Carmo, de 56 anos, "nascida e criada" em Faleiros.
Acabaram por regressar à aldeia de Isabel nos anos de 1980, desiludidos com o fecho da fábrica onde trabalhava António João, que é agora vendedor ambulante de fruta no concelho.
"Antes, isto estava tudo habitado. Agora, não devemos ser mais de uma dúzia", diz Isabel do Carmo, enquanto olha, atenta à oferta, para o interior da carrinha da vendedora ambulante de peixe que acaba de chegar à aldeia, como é hábito todas as semanas.
Do outro lado da estrada que "corta" a aldeia em duas partes, está a escola primária de que foi aluna, na altura acompanhada por "mais uns 17 ou 18 gaiatos". Há "mais de 20 anos" que foi desactivada e, numa terra onde as crianças são raras, é a actual sede de uma associação de caça e pesca. "Para vizinhos ruins, mais vale estar só", brinca Isabel, sem pensar em deixar a sua casa, enquanto António João traça o destino: "Nem que sejamos os últimos, ficamos cá até morrer".
O jovem Arlindo Dias, de 33 anos, está no primeiro mandato como presidente da junta de freguesia, eleito pelo movimento independente que "conquistou" o município de Alandroal, e quer contrariar a "estagnação" a que a sua terra foi votada. Mas, com um orçamento anual reduzido, o presidente sabe que é "muito difícil" atrair moradores, apostando antes em "pequenas melhorias" benéficas para os que restam.
"Tenho o cuidado de ir de monte em monte perguntar às pessoas quais as suas necessidades e, aqui, vi que a entrada da aldeia, com pasto seco, está desaproveitada. Se plantarmos uma ou duas árvores e pusermos flores e um banco de jardim, este espaço fica mais simpático", sugere.
No interior do país, sobretudo quando se fecham escolas e outros serviços públicos, critica o autarca, trava-se uma "luta desigual contra o Estado", que "quer acabar com as aldeias e concentrar as pessoas todas nas grandes cidades".
"O interior está esquecido, mas, para o país ser de excelência, não podemos deixar morrer estes lugares e aldeias. É como uma árvore, que nasce por ter raízes. Até pode estar muito bonita, mas são as raízes que a alimentam e, se estas secam, mais tarde ou mais cedo a árvore morre", sentencia.

Agência Lusa 



sábado, 17 de junho de 2017

Travessia pedestre da Freguesia de Capelins 2011


Primeira Travessia Pedestre, na Diagonal, em Passeio, da Freguesia de Capelins - De Santa Clara - Azenhas D' El - Rei, em 14 de Maio de 2017 
No dia 14 de Maio de 2017, conforme planeado, pelas 09:15 horas, demos início à primeira travessia pedestre, na diagonal, em passeio, da Freguesia de Capelins, com saída do cruzamento da estrada de Reguengos para Cabeça de Carneiro e Monsaraz, este lugar, noutros tempos, era designado por "curva", a partir daqui existia um caminho milenar, que permitia chegar de/a Ferreira de Capelins, passando a norte do Monte da Sina ou pela Igreja de Santo António e chegar mais rapidamente a Santiago Maior, Montoito, Reguengos e outras localidades, com as carroças, charretes, cavalos, burros ou a pé, mas parte desse caminho já desapareceu, assim, seguimos cerca de trezentos metros pela estrada para Cabeça de Carneiro e passámos junto ao lugar onde se juntam as três Freguesias: Capelins Santo António, Santiago Maior e São Pedro (Terena), logo a seguir, à esquerda surgiu uma porteira na cerca de arame farpado e outro, que nos permitiu seguir por um caminho milenar, pela propriedade designada por Fontanas e que intercetava o descrito anteriormente, junto à herdade da Sina. Através deste caminho, já com poucos troços visíveis demos entrada na Freguesia de Capelins e seguimos, observando tudo o que a vista alcançava, ao perto e ao longe, em direção à histórica Serra da Sina, antiga montaria do reino, desde D. João I, onde chegámos e atravessámos em menos de uma hora, ainda avistámos a Igreja de Santo António, mas seguimos pela herdade das Areias, pensando seguir em linha quase reta para Montejuntos, mas ao chegarmos aqui, deparamos com uma manada de vacas a pastar, onde existiam algumas de braveza duvidosa, senão bravas, que nos obrigaram a mudar o rumo para a esquerda e entrar na herdade do Terraço, foi uma volta mais longa, que nos atrasou pelo menos meia hora, até à herdade do Seixo e, daqui passamos para o Baldio, até à estrada de Cabeça de Carneiro - Montejuntos, que atravessamos cerca das 12:00 horas. Seguimos pela estrada pavimentada para as Azenhas D' El-Rei, mas após passarmos o Monte da Amadoreira Velha, virámos à direita na horta da Amadoreira (do Pisco), pelo antigo caminho do Bolas, onde chegamos cerca das 13:00 horas, dali subimos até à praia da liberdade, no entanto, fomos obrigados a saltar três cercas de arame, porque desapareceram os antigos caminhos, depois fomos o mais próximo que nos permitiram do nosso objetivo, ou seja, as Azenhas D' El-Rei onde, pelas 13:30 horas, finalizamos o nosso agreste passeio! 

Logo aqui, começa a Freguesia de Capelins Santo António



segunda-feira, 5 de junho de 2017

Casamentos em Nossa Senhora das Neves - 1891


Os casamentos em 1891 na Ermida de Nossa Senhora das Neves em Capelins 

Em 1891 realizaram-se 10 casamentos na Ermida de Nossa Senhora das Neves, que foi elevada a igreja Paroquial para esse efeito. O primeiro casamento entre Joaquim Ramalho e Mariana de Jesus, foi em Agosto de 1891, casados pelo iniciado Pároco João Manuel Queimado, que assina como Pároco Encomendado, vindo substituir o Pároco João Simões Mathias, que só o encontramos nos assentos Paroquiais até Maio de 1891, sendo substituído por 1/2 meses, pelo Pároco Encomendado de São Thiago Maior António Augusto. O Pároco Queimado, já consta num assento de óbito no dia 21 de Julho de 1891. Ainda em Agosto de 1891, o Pároco João Manuel Queimado, tornou-se Pároco efetivo da Paróquia de Santo António de Capelins e foi este Pároco que realizou os 10 casamentos na Ermida de Nossa Senhora das Neves, porém, nunca deixou de fazer as cerimónias religiosas como, batismos e óbitos na Igreja de Santo António. O último casamento realizado na Ermida de Nossa Senhora das Neves foi o de Joaquim Batista com Maria Rosário em Novembro de 1891. 
O nosso dilema é saber porque motivo os casamentos entre Agosto e Novembro de 1891 foram realizados na Ermida de Nossa Senhora das Neves, continuando as cerimónias religiosas referentes aos batismos e óbitos a ser efetuadas na Igreja de Santo António de Capelins. 
Não conseguimos encontrar outra justificação a não ser a da realização de grandes obras na Igreja de Santo António, mas em todas as fontes que pesquisamos não encontramos comprovativos específicos, a não ser o seguinte, que consta no Inventário Artístico de Portugal do Distrito de Évora de Túlio Espanca de 1978 que na descrição sobre a Igreja Paroquial de Santo António de Capelins, escreve:
"Do primitivo edifício, em traça de fins do século XVI - alvores do imediato, apenas subsiste o presbitério cupular, algumas empenas laterais de cornijas polilobadas, em grossa alvenaria rebocada, e o portal granítico, adintelado, de verga losângica e cruz relevada.
A fachada de frontão arredondado, sofreu uma profunda modificação na centúria oitocentista que alterou as proporções da nave e lhe fez perder o alpendre". Pensamos estar aqui a resposta, está bem explícito que a Igreja de Santo António de Capelins, foi alvo de grandes obras nos anos de 1800. As obras aqui descriminadas, certamente, tinham de impedir o natural funcionamento da Igreja e, ao percorrermos os assentos Paroquiais de casamentos, batismos e óbitos, dos anos de 1800, só no ano de 1891 se verifica a transferência da realização dos casamentos para a Ermida de Nossa Senhora das Neves. Quanto aos batismos, provavelmente, como juntavam duas a seis pessoas, podiam ser realizados num pequeno espaço, ou eventualmente, na casa Paroquial!
Em conclusão, sem provas concretas, parece-nos que, a realização dos dez casamentos realizados na Ermida de Nossa Senhora das Neves, entre Agosto e Novembro de 1891, foi devido às obras de alteração do edifício da Igreja de Santo António de Capelins, referidas por Túlio Espanca. 

Igreja de Santo António de Capelins


domingo, 4 de junho de 2017

Das Aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cima à Aldeia de Ferreira, em 1836

Das Aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cima à Aldeia de Ferreira, em 1836
As Aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cima, tiveram origem em alguns Montes (habitações), que surgiram nesta região a partir do aforamento, talvez em 1262. Mais tarde, em 1698 foi aqui construído o Monte Grande da casa do Infantado, à qual, pertencia a herdade da Defesa de Ferreira, ao mesmo tempo surgiram aqui o Monte dos Capelins, Monte do Meio, Monte do Pinheiro, Monte da Figueira e outros. Em 1712, já existiam as duas Aldeias, Capelins de Baixo e Capelins de Cima, que foram crescendo à medida das necessidades dos seus moradores, porém, nunca se ligaram, existindo sempre um espaço vazio em termos habitacionais entre elas e, alguma rivalidade saudável entre os residentes, embora com famílias misturadas entre ambas. 
Em 06 de Novembro de 1836, por um regulamento de Mouzinho da Silveira, estas duas aldeias desapareceram em termos administrativos, dando lugar a uma única, denominada Aldeia de Ferreira de Capelins. 
Em Fevereiro de 1921, não existindo aqui instalações para a Junta de Freguesia, esta foi instalada em Montes Juntos. 
No ano de 1949, foi construída a escola de instrução primária, com duas salas de aulas, com lareira, mas sem lume, compartimento de entrada, com cabides, onde se penduravam as boinas, chapéus e sacos ou malas do lanche, também era aqui que, geralmente, se fazia o presépio no Natal de cada ano, embora em alguns anos também se fizesse na própria sala de aulas, junto à lareira, um pátio ou alpendre para brincar no recreio, em caso de muito frio ou chuva, casas de banho para rapazes e raparigas, com águas correntes vindas de um pequeno depósito que se abastecia através de uma bomba manual ligada a um poço e ainda, um grande espaço envolvente para praticar diversos desportos, (futebol, ringue, pateira, pião e outros). A escola foi construída ao meio das duas aldeias, junto ao Monte do Meio. 
Depois de Abril de 1974, devido à melhoria no nível de vida da maioria dos seus habitantes e, surgindo a oportunidade de comprar parte do ferragial grande, situado entre as paredes do Monte Grande e a escola (de Norte para Sul, do lado direito da estrada para Montejuntos), para o dividirem em cinco lotes e aí construírem as suas moradias familiares, foi o que fizeram os seguintes residentes: Ti José Russo, Ti João Moreira, Ti José Batista; Ti Manuel Moreira (Ti Bagage) e Ti António Canhão.
Alguns anos mais tarde, também foi comprada outra parte do mesmo ferragial, situada, neste caso, no mesmo sentido, mas do lado esquerdo, por: Centro Cultural, Ti João Batista, Ti António Mexias, Ti Domingos Aldeias, Ti Celestino Bexiga, Ti Miguel (Aninho), e Ti Joaquim Moreira, (Mariano), sendo dividido em sete lotes e foram construídas as seis moradias familiares e o Centro Cultural, do lado da escola. Além do crescimento da aldeia neste espaço geográfico, também nesta mesma época surgiram outras moradias noutros lugares que aumentaram significativamente a Aldeia de Ferreira de Capelins!


Ferreira de Capelins - parte aumentada após 1974 


A lenda da destruição dos painéis de Cristo na Igreja de Santo António de Capelins

A lenda da destruição dos painéis de Cristo na Igreja de Santo António de Capelins Conta-se que, a Igreja de Santo António de Capelins, mand...