O tradicional saleiro de parede, na Freguesia de Capelins
O tradicional saleiro de parede, era um elemento comum, para guardar o sal, nas cozinhas do Alentejo e, neste caso, na Freguesia de Capelins.
Os saleiros de parede, eram feitos em madeira por artesãos carpinteiros, sendo alguns pintados à mão com motivos florais ou cenas populares, e tinham uma parte chapada atrás que continha um orifício para o pendurar, diretamente num prego na parede da cozinha, perto do lume, para proteger o sal da humidade, com uma tampa e uma abertura em meia lua para meterem a mão, ou uma colher e tirar o sal para temperar a comida que era cozinhada ao lume.
Havia os saleiros de madeira de oliveira, mas também existiam saleiros de barro e de cortiça, estes eram muito bons, porque a cortiça é porosa e protegia o sal da variação da temperatura, impedindo que ele ficasse em bloco maciço, ou seja, empedrado.
Em todas as cozinhas das casas das Aldeias de, Faleiros, Ferreira e Montejuntos, assim como, nos Montes das herdades da Freguesia de Capelins, existiam saleiros, sendo um utensílio que os noivos levavam quando casavam, porque ninguém podia passar sem sal, o qual, era muito apreciado e usado em abundância nas sopas de feijão, de grãos de azeite, migas, gaspachos e todo o tipo de açordas, desde que, não levassem carne de porco, porque, nesse caso, já vinha salgada e tinham de ter mão no sal.
Antigamente, o sal era tratado com um respeito quase sagrado, e existiam superstições, os ancestrais, do alto da sua sabedoria contavam que, se alguém entornasse um saleiro, era sinal de azar iminente, mas havia remédio para anular esse mau olhado, a tradição mandava que se pegasse, imediatamente num punhado do sal entornado e lançá-lo para trás das costas, por cima do ombro esquerdo e ficavam a salvo. Também diziam que, uma pessoa que fosse lenta nas suas decisões, era chamada de pãozinho sem sal.
Os saleiros de parede, são um símbolo do património histórico cultural, na Freguesia de Capelins.
Fim
Texto; Correia Manuel
Fotografia: Internet

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