sábado, 31 de agosto de 2024

Memórias do Chiquinho de Capelins quando foi à loja a comprar meio arrátel de açúcar

Memórias do Chiquinho de Capelins quando foi à loja a comprar meio arrátel de açúcar

Num lindo dia de primavera no decénio de 1960, antes da barriga começar a dar sinal da chegada das horas do jantar (almoço), o Chiquinho de Capelins dava asas à sua imaginação, através das suas habituais brincadeiras quando a mãe o chamou para ir fazer um mandado à loja da Aldeia.
O Chiquinho não teve outro remédio senão interromper a brincadeira e amuado perguntou à mãe o que era e onde era o mandado, e a mãe disse-lhe:
Mãe: Chiquinho, toma lá quinze tostões e vai lá à loja a comprar meio arráte (arrátel) d'açucre, que já não tenho aí nada para os caldos de farinha.
O Chiquinho pegou no dinheiro e foi correndo até à loja a repetir em voz alta: Meio arráte d'açucre, meio arráte d'açucre, sem dar conversa a ninguém pelo caminho, não se fosse esquecer do que ia fazer à loja.
Quando o Chiquinho entrou na loja ficou atrás do balcão, que era muito alto para ele, mas antes de chamar, foi visto pelo ti Manéli que andava empoleirado num banco de madeira a arrumar as peças de fazenda que tinham acabado de chegar à loja e perguntou-lhe:
Ti Manéli: Querias alguma coisa daqui meu homem?
Chiquinho: Queria meia arráte d'açucre!
O ti Manéli continuou a fazer o que estava fazendo sem dar importância ao pedido do Chiquinho que ficou à espera, mas naquele momento ouviu-se a voz estridente da mulher a ti Maria que estava na cozinha ao lado, a gritar: - Quem é que está aí?
Ti Manéli: Ninguém, não está aqui ninguém!
O Chiquinho pareceu-lhe mal a resposta do ti Manéli, encheu o peito de ar e gritou:
Chiquinho: Sou eu! Olha agora, quando não precisa de mim sou o ninguém, mas quando precisa é Chiquinho ajuda aqui!
Ti Maria: Eu bem me parecia que não estava enganada, Manéli mete lá aí mais uma pitadinha d'açucre ou dá-lhe um rebuçado que ele ontem fez-me um mandado e eu não lhe dei melhadura!
O ti Manéli estava a pesar o açucar com todo o cuidado, com olho de lince na balança, porque não podia passar um único grama, senão, segundo ele, abalava-lhe o ganho todo, um grama para um, outro grama para outro, eram muitos gramas perdidos, então deu um toque com o dedo indicador e disse:
Ti Manéli: Já está!
O Chiquinho estava com olhos de raposa fixos na balança a observar a pesagem e viu que não tinha caído nem um grama d'açucar e muito aflito na esperança da intervenção da ti Maria, gritou:
Chiquinho: Não está nada! Não caiu nem um grama!
A ti Maria, ou não ouviu ou não se quis meter e foi o ti Manéli que respondeu:
Ti Manéli: Cala-te rapaz, senão ainda abro o papeluço e tiro o açucar que levas aqui a mais, desde quando é que tu percebes disto?
O Chiquinho achou uma grande injustiça, mas perante a ameaça do ti Manéli, pagou o açúcar e, como ele não meteu a mão dentro do frasco dos rebuçados de frutas, perdeu a esperança de receber o rebuçado e foi-se embora a pensar na lição que tinha aprendido, os mais fracos não tinham voz.
O Chiquinho foi vivendo com o pouco açúcar que tinha e com algum rebuçado, muito raro, e o ti Manéli não adiantou nada na sua vida económica, e quando chegou a hora de ir prestar contas a Santo António, não levou nem um grama de açúcar, nem um rebuçado.
Paz à sua alma
Fim
Texto: Correia Manuel   

Ferreira de Capelins



terça-feira, 27 de agosto de 2024

Casamentos realizados na Igreja de Santo António de Capelins no ano de 1911

Casamentos realizados na Igreja de Santo António de Capelins no ano de 1911

No ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e onze anos, realizaram-se dois casamentos na Igreja de Santo António de Capelins, cujos nubentes e data dos mesmos, publicamos conforme consta nos respetivos Registos Paroquiais:

1 - Manuel Rosado e Maria Rocha 

Casaram no Domingo dia 15 de Janeiro de 1911 

2 - Marcos António e Maria Gertrudes

Casaram no Domingo dia 12 de Fevereiro de 1911


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