terça-feira, 1 de abril de 2025

São Tiago - Vila de Monsaraz - 1758

História e estórias do celebrado rio Guadiana e de seus afluentes


7 - São Tiago - Vila de Monsaraz - 1758

Respostas do Pároco Manuel Gomes Cunqueiro Velho, da Paróquia de São Tiago - Monsaraz, ao Marquês de Pombal Sebastião José de Carvalho e Melo Secretário de Estado do Reino (Primeiro Ministro) do rei D. José I, em 16 de Junho de 1758.
Rio Guadiana
"Junto desta Vila na distância de meia légua corre um rio que divide este Termo do de Mourão, chama-se este, Guadiana, nos nossos campos, seguindo o nome é Mourisco, conforme diz Brito na Geografia que traz assim da sua Monarquia Portuguesa folha 564, a qual, antigamente segundo o mesmo e Espinola p. 5ª folha 157 o chama de Anna, nasce conforme todos afirmam na Mancha de Aragão de duas lagoas, uma das quais está junto a um Povo chamado Messas e outra mais ao meio dia junto a Vila Nova dos Infantes diz o mesmo Brito. E segundo Bluteau Lit. Guadiana nasce perto das Montanhas de Consuegra junto a um Lugar chamado Carhamares numas Lagoas de água chamam Olhos do Guadiana. Tem este rio outro nascimento conforme afirmam todos, porque depois de nascer no dito Lugar e deixar-se ver de alguns outros que rega com duas águas a outros as furta metendo-se por baixo da terra ocultando o seu curso por espaços de seis ou sete léguas desde Arganassil até à vista do Bamiel, conforme Espinolla e Brito e segundo Bluteau torna a aparecer junto de Vilharca, onde nasceu, o dizerem os naturais da Terra, que tem uma ponte em que de ordinário passam tantas mil cabeças de gado como se podem acomodar em sete léguas, Bluteau diz que lhe deram este nome, porque Anas em latim quer dizer Ade e ao modo desta Ave que mergulha e torna a vir à flor da água. Oculta-se este Rio debaixo da terra e dali a certo espaço se faz visível, sobre o que disse um discreto:
Guadiana rio de Espanha
Se encubre por largos trechos
Chegando a outros veraz
Solto por campos diversos.
São as águas deste Rio diz o mesmo Brito muito pouco gostosas e de menos recriação à vista pela cor escura, e triste que levam, enquanto ao gosto das águas é certo, mas pelo que respeita ao motivo do escurecimento apaixonado, porque ainda que em algumas partes pareçam escuras é pelos grandes re.. que os cercam e pela muita fundura que alguns pegos têm que ainda não se dá esta razão, certamente, não é assim e ainda que por Guadiana seguindo o Mourisco sejam suas águas escuras e tristes seguindo o Cristianismo pra águas e Ana, nunca podem deixar de serem engraçadas.
Corre ordináriamente todo o ano e só em anos tão secos como experimentamos em que deixa de correr.
Rigorosamente rios não tenho notícia que outros entrem no Guadiana, mas Ribeiros muito grandes alguns, como Ardila no Termo de Moura, o Degebe no Termo de Portel, e junto a esta Vila entra neste rio um Ribeiro grande chamado Azavel o qual divide para a parte do Norte o Termo de Monsaraz com o de Terena e entra em Guadiana para a parte do Nascente junto a um Moinho, chamado o Moinho do Gato. Não corre este Ribeiro mais do que de inverno e para este tempo tem vários Moinhos junto a esta Vila e todos em seu Termo Concelho). Tem grandes pegos em que se conservam peixes muito grandes e tem de toda a qualidade de peixes que há no rio. Neste Ribeiro junto à Guadiana entra outro chamado Pêga que tem seu princípio nas estremas desta Freguesia, com a do Corval da parte do Poente, o qual tem um Moinho junto à entrada do Azavel, a este se comunicam pardelhas bordalos picões e algumas bogas.
Navega-se neste rio com barcos pequenos que com dois remos os governa um homem só, de que usam para pescar e levar pão para os Moinhos, mas para as comunicações dos povos navega-se com barcas que com dois remos as governam, como a de Elvas, Juromenha, barca de Cheles Vila de Castela, que desembarca no Termo de Terena, barca de Mourão, que embarcam neste Termo (Concelho) distante meia légua desta Vila, barca de Moura e barca de Serpa e não é capaz de outras embarcações.
É de curso muito arrebatado nas enchentes, porque indo recolhido é de curso quieto, e na verdade em seis de Janeiro deste presente ano (1758) teve uma enchente tão extraordinária como os que são nascidos nunca viram, a qual causou perda muito considerável não só a Castela, mas também a Portugal, assim em gados e homens que afogou como em ruínas em casas, moinhos, e arvoredos fez.
Corre o descrito para Poente dizem o Espinolla e o Brito, em chegando a Badajoz deixa este caminho e lança-se contra o meio dia até dar no Mar Oceano Atlântico.
Cria grande abundância de peixes e os que trás em maior abundância são bogas, cria muitos e grandes barbos, alguns tão extraordinários que pesam uma arroba, como os têm pescado em cordas, cria também grandes escarpios, tencas, eirós, sebatelhos, e em alguns anos pescam-se nos caneiros muitas e grandes lampreias.
Em todo o ano há pescarias conforme o tempo, mas quase todas são por divertimento nestas partes, porém o mais comum e ordinário, são em Fevereiro, Março e Abril, que é quando costumam pescar os peixes grandes, assim nas cordas, como nos cevadouros, que para isto lhe fazem.
Todas as pescarias são livres neste rio e só na distância de uma légua desta Vila a cascalheira do Moinho de Valadares é particular do dono da Herdade das Pipas de baixo, que as cascalheiras são lugares de cascalho que as Ribeiras juntam onde as bogas costumam desovar.
Na distância da Freguesia de Santa Maria pouco se cultivam as suas margens, porque na distância que alcança a Coutada, não se semeia, depois continuam as herdades da mesma Freguesia e comumente são penhascos e terras muito fragosas, rigorosamente não tem margens junto a nós este rio. Não se cultivam senão algumas vagas em que presumem não poderão chegar as enchentes, e só no verão em algumas arcas ou ribanceiras fazem meloais. Nesta distência que uma légua grande não tem arvoredo silvestre, e só dentro do mesmo rio há muita tarrafeira, sarço, no circuito desta Vila tem oliveiras, zambujeiros e azinheiras.
Neste rio costumam muitas pessoas para certas queixas tomar banhos no verão por conselhos dos Médicos e tem virtude as suas águas para fazer degerir e comer, para o estômago dizem que por causa da muita tarrafeira que em si tem o rio.
Sempre conserva o mesmo nome e o mais que podia dizer neste particular e interrogatório e no seguinte me remeto ao que já respondi no primeiro e sexto interrogatórios.
São tantos os açudes neste Rio como são os Moinhos e não só por esta causa não é capaz das embarcações, como pelos muitos e grandes rochedos, e pelo pouco fundo que em muitas partes tem, porque em anos secos o veem quase todo o ano, e o ordinário é? do mês de Maio por diante, assim só andam as barcas em pegos que estejam livres destes obstáculos.
Junto à cidade de Badajoz tem uma grandiosa ponte de cantaria, porém em Portugal não tenho notícia que tenha mais pontes que a da cidade de Elvas, a qual se danificou no tempo das guerras.
Tão povoado está de Moinhos este Rio que entendo não há lugar com capacidade para tal ministério que deixe de os ter, ao presente quase todos são Rodetes, porque podendo-se contar há quarenta anos quantos destes teria o Guadiana, sendo tantos os Moinhos, hoje podem-se contar quantos são os rodízios sendo tantos os Moinhos de Guadiana. Rodetes são uns Moinhos que debaixo têm um poço da altura de homem e meio e alguns têm poço de altura de dois homens em que anda a roda debaixo de água e assim tanto que a água não entra na casa do Moinho, já pode trabalhar porque não tem os rodízios que é necessário que a água os não quebre para que possam moer, e por esta causa o Guadiana em anos ordinários de chuva não podia moer senão de verão, hoje porém em anos ordinários moem a maior parte do ano, em anos secos todo o ano moem.
Contra a evidência é o dizer do Brito no lugar acima citada que a farinha deste rio ainda sendo de bom trigo, é feita com boas pedras já é ordinariamente negra e de ruim cor porque o contrário vemos nós a todas as horas e se acaso assim sucede algumas vezes não é pela causa que o autor aponta, é sim pelo muito tempo que as pedras estão debaixo de água por causa das enchentes serem muitas, e grandes como sucedeu este ano que estiveram cinco meses, ou é esta a principal causa porque quase todos os Moinhos são Rodetes e estes se movem com tanta velocidade que dando-lhe pouco trigo queimam a farinha, cheira a chamusco daqui nasce o sair muitas vezes preta, por descuido dos mesmos que governam os Moinhos o que não sucede no Moinho de Rodízio. Assim, se as pedras e o trigo são bons como ele supõe a farinha também não tem defeito e verão que pode participar a água ao trigo e a água que já muito dá nas rodas lhe comunica o movimento por um veio de ferro. Seguir-se-ia daqui que farinha feita com água turva era menos perfeita do que a farinha feita com água clara, e é contra. Isto quem o dirá se a água não toca na farinha, nem nas pedras.
São suas águas livres e sem pensão, porém não tenho notícia que dela se aproveitem em Portugal para cultura dos campos.
As cidades ou vilas e seus Termos (Concelhos) que a Guadiana banha com suas águas, de Castela conforme Bluteau são Calatrava, Mérida, Medelin, Badajoz e junto a este povo são Cheles, Alconchel e Vila Nova del Fresno, e de Portugal são Elvas, Olivença, Juromenha, Alandroal, Terena, Monsaraz, Mourão, Portel, na distência de quatro léguas, Moura, Serpa, Beja, Alcoutim e entendo que Mértola.
Estas as notícias que da forma de interrogatórios posso participar a Vossa Excelência Reverendíssima cuja pessoa o congratula por felizes e dilatados anos como todos os seus subditos necessitam e pedem. Monsaraz 16 de Junho de 1758.
Excelentíssimo Reverendíssimo Senhor
De Vossa excelência Reverendíssima
Humelíssimo e Obedientíssimo Subdito
Pároco Manuel Gomes Cunqueiro Velho"
Fim
Transcrito por: Correia Manuel
Março de 2025

Comentário:
Conforme podemos verificar o Pároco Manuel Gomes Cunqueiro Velho, da freguesia de São Tiago de Monsaraz, nas respostas ao Inquérito do Marquês de Pombal, nas Memórias Paroquiais de 1758, sobre o celebrado rio Guadiana, consultou alguma literatura, de autores que, escreveram sobre o dito rio, sendo um trabalho muito exaustivo, porque, além da informação local, teve o referido apoio, embora o Pároco, não se mostrasse de acordo com um dos autores, o Brito, (pensamos, referir-se a Frei Bernardo de Brito, que nasceu em 1569 e faleceu em 1617, deixando imensas obras, entre as quais, Monarquia Lusitana, com uma parte de Geografia, e não portuguesa), apresentando algumas críticas e queixas ao marquês de Pombal, ao longo da sua descrição, sobre o que o mesmo autor escreveu, relativamente ao rio Guadiana.
Sobre o nome do rio Guadiana, explicou ser de origem mourisca, mas chamou-se Annas no tempo dos latinos (romanos), não escreveu que, este rio chamou-se "Odiana" desde a conquista destas terras pelos portugueses, até à perda da independência de Portugal, em 1580.
Parece que, o Pároco, estava bem informado sobre o lugar ou lugares da nascente do rio Guadiana, escreveu que, era nos Olhos do Guadiana, mas referiu, que tinha outra nascente a montante deste lugar e, neste caso, também citou outros autores, descreveu que o rio era subterrâneo umas seis ou sete léguas, e parece que, existe fundo de verdade, o rio ao passar por uma região de rochas porosas, estas permitem a infiltração das suas águas a montante dos ditos olhos do Guadiana, havendo um espaço geográfico que as águas desaparecem.
São mencionadas algumas Ribeiras e Ribeiros fora da Freguesia e até do Concelho de Monsaraz, mas também referiu as Ribeiras de Azevel e da Pêga, esta última, onde nasce e onde morre, e em relação à Ribeira do Azevel, apenas escreveu que entrava nesta Freguesia e ia separando os Concelhos de Monsaraz e de Terena até desaguar no rio Guadiana, junto ao Moinho do Gato, também se referu a algumas espécies de peixes que existiam nesta Ribeira.
Escreveu sobre os barcos e barcas que navegavam em todo o rio Guadiana no Reino de Portugal, logo, refere a barca que fazia a travessia do rio, entre os Concelhos de Mourão e de Monsaraz.
O Pároco escreveu que existia grande abundância de peixes no rio Guadiana, indicando as espécies e que, faziam pescarias livres todo o ano mas mais nos meses de Fevereiro, Março e Abril, era quando pescavam os grande peixes.
Quanto aos Moinhos e assudes no rio Guadiana o Pároco escreveu que, estava tão povoado que, seria impossível haver lugar para mais algum, mas não referiu os seus nomes. mas descreveu bem o que era um Moinho de Rodete, os do rio Guadiana que, as mós ao rodarem com muita velocidade, podiam queimar a farinha se o moleiro não estivesse a controlar a quantidade de trigo a entrar nas mesmas, enquanto isso, não acontecia com o Moinho de Rodizios, e era isso, que o Brito não levou em conta, nas suas criticas à farinha dos moinhos do rio Guadiana.
Sobre as localidades onde o rio Guadiana passava ou banhava, deu uma boa informação, indicando as do Reino de Castela e as do Reino de Portugal, neste caso, de Elvas até Alcoutim, cometendo aqui um erro, depois de Alcoutim era Mértola.
O Pároco Manuel Gomes Cunqueiro Velho, fez uma boa descrição do celebrado rio Guadiana, por vezes exagerada, mas deixou-nos um bom retrato do mesmo e dos seus afluentes, como eram em 1758, neste caso, naquela Freguesia e na região da Vila de Monsaraz.
Fim
Correia Manuel

Igreja de São Tiago de Monsaraz



domingo, 30 de março de 2025

A lenda do protegido da Condessa da Vila de Cheles

 A lenda do protegido da Condessa da Vila de Cheles 

O donatário do Senhorio ou Feudo da Vila de Cheles, D. José Bambalere, era um homem muito rico, e casou com Dª Maria Josefa, Senhora também muito rica e, embora, viessem passar grandes temporadas no seu palácio da Vila de Cheles, eram senhores de um dos maiores e mais belos Palácios de Madrid, onde tinham um exército de criados e criadas, entre as quais, havia famílias inteiras e, naturalmente havia muitos casamentos entre eles, além do regimento da guarda do palácio. 

De entre muitas criadas, havia uma rapariga chamada Lolita, muito linda que, era a perdição de todos os rapazes que trabalhavam no palácio, a sua beleza era tanta que, não escapou ao desejo do Senhor D. José, homem de 31 anos e, com fama de se aproveitar das raparigas que gostava, pelo que, não demorou em se apoderar da linda Lolita, mas ela tinha namorado, um rapaz chamado Manuel Rodriguez, um dos ferradores dos cavalos do palácio, e estavam muito apaixonados, mas ela não podia fazer nada para se livrar do D. José, e o Manuel começou a ser alvo de chacota por parte dos outros rapazes que, lhe davam cabo da cabeça.

O tio do Manuel, que o tratava como filho, era o comandante do regimento da guarda, sabia de tudo e sofria com isso, então teve uma conversa com ele e disse-lhe que só havia uma maneira de resolver a situação, era ele e a Lolita fugirem dali, para bem longe, era melhor não ficarem no Reino de Espanha, porque, muitos cavaleiros e escudeiros recorriam aos ferradores e podiam saber notícias dele, e falou-lhe de um lugar em Portugal, que ambos conheciam, junto a Cheles e sendo ele um bom ferrador em todo o lado se haviam de governar. 

O Manuel disse ao tio que ia falar com a Lolita, e falou, mas ela não mostrou muita vontade de entrar nessa aventura, na esperança da situação mudar, mas não mudava e o Manuel tinha cada vez mais ciúmes do Senhor D. José, ao ponto de o odiar, até que, no dia 02 de Novembro de 1854, quando ele voltava de França, onde tinha ido fazer uns negócios, já dentro do palácio, o Manuel estava de cabeça perdida e a vista turva de tanto ódio, de cara tapada com um lenço, saiu detrás de um reposteiro e cravou um punhal no coração do D. José, que caiu morto.

  Quando as criadas se aperceberam, começaram aos gritos e veio logo a guarda, mas ao serem interrogadas, todas disseram que não lhe tinham visto a cara, não sabiam quem era o assassino, mas o tio do Manuel não teve dúvidas que tinha sido ele, e para lhe dar alguma vantagem na fuga, pediu ajuda aos guardas para salvarem a vida ao Senhor, pedindo para correrem a chamar o médico, a buscar toalhas e água quente e outras coisas, dizendo que tinham tempo de apanhar o assassino, uma vez que, era impossível ele sair do palácio.

O Manuel correu a chamar a Lolita e sairam a correr por uma porta secreta do palácio que, poucos criados conheciam e não era vigiada pelos guardas, montaram nos cavalos que ele já tinha preparados, com as ferramentas dele e com mantimentos e partiram, entretanto no palácio, só depois de reunirem as criadas e os criados todos e guardas, verificaram que faltava o Manuel e a Lolita e tiveram a certeza que tinha sido ele o autor do crime, e deram início às buscas por Madrid e arredores, mas não conseguiram encontrar nenhuma pista, porque, eles já estavam a muitas léguas distantes de Madrid. 

O tio do Manuel, sabia o caminho que ele tinha seguido, por isso, deu instruções contrárias aos guardas, dizendo que, eles deviam ter seguido para França onde ele tinha familiares e, ninguém  imaginou que ele fosse dirigido à toca do lobo, ou seja, a Cheles, onde podia ser reconhecido, porque já lá tinha estado uma vez a acompanhar o Senhor D. José, por isso, não foi procurado para essas bandas e, passado algum tempo, o triste caso, foi ficando esquecido.

O Manuel Rodriguez e a Lolita, foram descendo de terra em terra, pelo caminho que ele já conhecia, até Mérida e, a partir daí, seguiram de perto o curso do rio Guadiana, chegando quase dois meses depois da fuga de Madrid às Terras de Capelins que ele já conhecia quando tinha passado uma grande temporada na Vila de Cheles, aqui sentiam-se seguros e começou logo a trabalhar, porque, era um bom ferrador e havia falta deles.

O Manuel e a Lolita, não levantaram suspeitas, porque, a todo o momento chegavam aqui povoadores vindos de todo o lado, até de Espanha, uns ficavam cá a residir, outros, eram trabalhadores temporários que, no fim das safras voltavam às suas terras, por isso, embora espanhóis, foram bem recebidos, porque, para os moradores eram mais uns de Cheles ou daqueles lados, casaram logo, na Igreja de Santo António, ele ficou registado com o nome de Manuel Rodrigues e ela de Lolita Maria, conforme constava nos seus documentos e, disseram que eram de perto de Cheles, começaram a sua vida normal, tiveram seis filhos, todos batizados na Igreja de Santo António de Capelins, naturalmente com nomes portugueses, como eram, e aqui foram muito felizes, sem nunca serem incomodados.

 Todos os seus filhos aprenderam uma profissão, e dois deles,  aprenderam a profissão do pai, de ferradores, e trabalhavam todos pelas herdades da Freguesia de Capelins, até que, um dia, o  filho mais velho chamado Pedro Rodrigues, encontrou em MontesJjuntos, um amigo que trabalhava nas herdades do Condado da Vila de Cheles, como sabia que ele era um bom ferrador disse-lhe  que precisavam de um ferrador lá na herdade e pagavam muito bem, se Manuel quisesse, ele falava lá com o maioral e o lugar era dele.

O Pedro, ficou indeciso, era bem pago, mas era para lá do rio Guadiana, e se do lado de cá não lhe faltava trabalho, mesmo ganhando menos, tinha de pensar muito bem, mas não esquecia o valor que o amigo lhe tinha falado e contou à mulher que lhe respondeu para ir, porque não era assim tão longe e era muito bom dinheiro, devia aproveitar, pelo menos uns tempos, depois logo se via e, passados uns dias, o Pedro atravessou o rio Guadiana e apresentou-se no Monte indicado pelo amigo, onde começou logo a trabalhar.

A Condessa Maria Esperança, filha de D. José, Senhor de Cheles, a menina que nasceu dois meses após a morte do pai, herdou o Senhorio de Cheles, o qual, em 1879, passou a Condado, sendo ela, a primeira Condessa de Cheles, já estava mais tempo em Cheles do que em Madrid, porque, as suas maleitas, aqui desapareciam, talvez, devido aos bons ares do campo, ela vivia no seu palácio Via Manuel na Vila de Cheles, mas ia quase, diariamente numa carruagem até à herdade, e montada a cavalo fazia grandes passeios pelas margens do rio Guadiana, desde o Porto de Cheles, em frente ás Azenhas D'El-Rei, até à Ribeira de Tálega, até que um dia, quando voltava desse percurso acompanhada de alguns criados, o seu cavalo preferido coxeava muito, por ter perdido uma ferradura e ficou com um cravo ou prego, dos que suportam as ferraduras, espetado no casco, numa pata, chamaram logo o Pedro para ver o que se passava com o animal, quando ele se aproximou fez a devida vénia à Condessa, ela olhou para ele e quase desmaio, ficou branquinha como a neve, porque, o Pedro tinha a fisionomia, o físico, os gestos, era todo, tal e qual, o seu irmão, quatro anos mais velho.

A Condessa quando se recompôs, fez-lhe imensas perguntas, qual o nome, a idade, de onde era, e outras, ele respondeu num castelhano correto, era filho de pais espanhóis, e quando ele lhe disse que os pais eram espanhóis, dali da região de Cheles, ela deduziu logo que tinha sido obra do pai, do D. José, como passava temporadas na sua Vila de Cheles, tinha apanhado alguma rapariga dscuidada e, era certo, que tinha ali mais um irmão, e a partir desse dia, sempre que tinha oportunidade ia falar com ele, como se fossem conhecidos desde sempre, até ficar sem nenhuma dúvida que ele era mesmo seu irmão e, começou a pensar que tinha de o proteger e recompensar.

Um dia, chamou o Pedro e o maioral da herdade, que já estava velhote, aos seus aposentos, e disse ao Pedro que, podia continuar a ser ferrador da herdade, mas para o maioral admitir outro ferrrador, porque a partir daquele dia o Pedro começava a  aprender tudo sobre a administração da herdade e dos negócios da mesma.

De verdade, o Pedro Rodrigues, era irmão da Condessa Maria Esperança, mas não tinha origem em Cheles, como ela pensava, quando a mãe dele, a Lolita, fugiu de Madrid, com o Manuel Rodriguez, já estava grávida do Senhor D. José, por isso, ele era tão igual ao outro irmão da Condessa, ela ainda mandou averiguar por Cheles e arredores, sobre a família do Pedro, mas não conseguiram encontrar nenhuma notícia dela.

O Pedro, como desde pequeno andava com o pai pelas herdades de Capelins a ferrar e a tratar de gado, conhecia bem todos os trabalhos, pelo que, isso ajudou muito na sua aprendizagem e, passados cerca de dois anos, já era ele o maioral ou feitor da herdade e, a Condessa nomeou-o Procurador para os assuntos da herdade, com um bom salário, podia fazer negócios de gado e cereais e resolver situações, sem precisar da aprovação da Condessa, nem dos seus Procuradores.

A mulher e os filhos do Pedro foram morar para Cheles, onde nasceram mais alguns filhos, mas ele ia muitas vezes a Capelins, onde tinha irmãos e irmãs, até tinha um barco próprio, para atravessar o rio Guadiana, visitava e ajudava a família e, fazia negócios de gado e de cereais e foi numa dessas visitas que uma das irmãs lhe contou tim por tim a história de vida dos seus pais, tudo o que antes foi descrito, que lhe tinha sido contado pela mãe, a Lolita, uns dias antes de falecer, e foi assim que esta lenda, chegou até aqui.

O Pedro não ficou muito impressionado, porque, desde sempre, pressentia que havia algum mistério na vida dos seus pais, mas, assim, ficou com a certeza que, era irmão da Condessa de Cheles, e se ela o tratava daquela maneira, decerto, também sabia, mas se sabia isso, também devia saber que tinha sido o seu suposto pai, o Manuel Rodriques, que tinha assassinado o pai dela, isso é que já não dava certo, porque, ela teria de o odiar, mesmo sem ele ter culpa, mas estava claro que, não era isso que acontecia.

A vida do Pedro Rodrigues em Cheles não podia ser melhor e ele já era um homem rico, comprou uma herdade na Freguesia de Capelins e, tornou-se um grande lavrador da região, mas continuou a morar em Cheles. 

A pedido da Condessa, o Pedro não a deixou até ao dia da sua morte em Cheles, que foi no dia 07 de Outubro de 1935 e, nesse mesmo dia, sem apresentar nenhuma doença, já com a idade de oitenta anos, tal como a Condessa Maria Esperança, também ele faleceu, no mesmo dia da sua irmã e, ficou sepultado em Cheles. 

No ano seguinte, começou a guerra civil de Espanha, que decorreu entre 1936/39 e, a família Rodrigues/Rodriguez tiveram de deixar a Vila de Cheles e refugiaram-se na herdade que a família tinha do lado de cá do rio Guadiana, mas assim que a situação lá melhorou, a família voltou para Cheles, porque, não tinham dúvidas que, Espanha, era a sua Pátria.

Fim 

Texto: Correia Manuel 

Palácio Via Manuel na Vila de Cheles - Espanha, construído por D. Francisco Manuel de Villena 




sexta-feira, 28 de março de 2025

Santo António de (Capelins) - Terena - 1758

 História e estórias do celebrado rio Guadiana e de seus afluentes

6 - Santo António de (Capelins) - Terena - 1758

A descrição do rio Guadiana e de seus afluentes, na Freguesia de Santo António (de Capelins) então, do Concelho da Vila de Terena, em resposta ao Inquérito do Marquês de Pombal, escrita pelo Pároco Manuel Ramalho Madeira, nas Memórias Paroquiais de Santo António, em 13 de Junho de 1758. 

Rio Guadiana 

"O rio desta terra é chamado rio Guadiana, dizem que nasce nas manchas de Aragão. Não nasce logo caudaloso, porém depois se faz juntar as correntes das lagoas sempre corre mais. Alguns anos secos passa-se a pé enxuto por algumas partes.

No sítio desta Freguesia entram nela duas Ribeiras pequenas, chamada uma Lucefece e a outra Azavel, as duas que de Verão não correm, porém têm seus moinhos de pão. 

O rio Guadiana no sítio desta Freguesia tem uma barca que leva trinta cavalgaduras e alguma gente, e assim umas são maiores outras são menores, porém três homens a governam, tem seus pegos determinados que não são todos lugares de embarcações. Também tem barquinhos pequenos que os governa só um homem e levam dez a doze pessoas.

O rio Guadiana é de curso quieto todo ele, exceto no tempo das enchentes e algumas correntes que tem nos assudes em que estão fundados os Moinhos.

O rio Guadiana corre do Nascente ao poente. 

Cria alguns peixes e chamam-se estes, bogas, bordalos, sarrelhos, vieiros (?), barbos, estes pesam até meia arroba (7,5 Kgs). Em todo o ano se pesca nele e as pescarias são livres, e não há memoria que o rio tivesse outro nome, e dizem morre no mar e entra nele em Mértola. 

O rio Guadiana nesta Freguesia tem algumas asuelas e cachapos que lhe embaraçam o ser navegável. Tem alguns Moinhos e pezoins (tipo de mecanismo capaz de aproveitar a energia cinética da movimentação de águas, e que permite moer grãos), com base do que escreveu o Pároco de São Pedro de Terena, nesta data, existiam 9 moinhos no rio Guadiana na Freguesia de Santo António (Capelins), sendo, mais tarde, construídos 2, o das Bolas, já no século XX, cerca de 1920 e, talvez, o Moinho Novo de dentro, construído ainda antes de 1800, somando 11 moinhos e, mais 11 nas duas Ribeiras, antes referidas. 

Este rio está à distância de légua e meia desta Paróquia e nesta Freguesia não passa por povoação alguma. (Assim, o Pároco, informa que, da Igreja de Santo António (de Capelins) até ao Rio Guadiana, eram cerca de 7,5 kms).

Hoje 13 de Junho de 1758 

O Pároco Manuel Ramalho Madeira 


O Pároco Manuel Ramalho Madeira, destaca duas Ribeiras nesta Freguesia: 

A Ribeira de Lucefécit que nasce junto de Rio de Moinhos, Borba, e tinha a sua foz no rio Guadiana a montante das Azenhas D'El-Rei, entre as herdades do Aguilhão e do Roncão.

A Ribeira do Azevel, que nasce na herdade da Defesa da Pedra Alçada, na parte Noroeste da Freguesia de Santiago Maior, vai juntando Ribeiros e tinha a sua foz no rio Guadiana, junto ao lugar do Gato.

Porém, o Pároco, não menciona os principais Ribeiros da Freguesia, como o Ribeiro do Carrão e o Ribeiro do Peral, que no tempo das chuvas metiam muita água, o primeiro na Ribeira de Lucefécit e o último na Ribeira do Azevel. 

O Pároco Manuel Ramalho Madeira, menciona a existência da barca que fazia os transportes entre as duas margens, do lado de cá, tinha o cais junto ao castelo da Vila de Ferreira, na aba Oeste do outeiro do Pombo, a montante da Cinza que, também, ali a protegiam das grandes cheias e navegava nesse pégo que tinha água suficiente para as manobras e quando, no Verão, o rio Guadiana secava passava-se em algumas partes a pé enxuto.

Temos notícias desta barca desde meados da centúria de 1400, sendo nesse tempo explorada a meias, entre o Senhor da Vila de Ferreira, e o Senhor da Vila de Cheles, ou seja, família Freire de Andrade e família Manuel Villena.

O rio Guadiana entrava/entra na Freguesia de Santo António (de Capelins) junto à foz da Ribeira de Lucefece, na dita herdade do Roncão, sendo esta Freguesia costeada por ele, desde esse lugar até à foz da Ribeira do Azevel, no lugar do Gato.

Existem muitas estórias que, compõem a história do celebrado rio Guadiana, quando temos oportunidade, vamos escrevendo, porque, também é a história desta região.

Uma árvore sem raízes, não existe.

Fim 

Correia Manuel 

Memórias Paroquiais de Santo António - 1758 

Escritas aqui na Casa Paroquial de Santo António (de Capelins)

 



Os Senhorios da Vila de Cheles e da Vila de Ferreira (Capelins)

Os Senhorios da Vila de Cheles e da Vila de Ferreira (Capelins)

A primitiva Vila de Cheles com seu castelo, ficava situada em São Brás, muito perto da atual Praia de Cheles, logo, também próxima das Azenhas D'El-Rei, que ficam daquém Guadiana. 

A Vila de Ferreira, que existiu até 06 de Novembro de 1836 era o espaço geográfico da atual Freguesia de Capelins e tinha o seu Castelo no Outeiro do Pombo na Defesa de Bobadela. 

O sistema político e de administração destas terras, de um e outro lado do rio Guadiana, era muito semelhante, também as terras de Cheles no reino de Castela, tinham Defesas e Senhorio, tal como as do lado de cá, no Reino de Portugal. 

Desde muito cedo que os Senhores de um e outro lado se entenderam nos negócios, já os moinhos das Azenhas D'El-Rei que estavam/estão ao meio do Rio Guadiana, foram construídos em conjunto, sendo o de cá português e o de lá espanhol, ligados no interior um ao outro, como sendo apenas um. Estes moinhos já existem pelo menos desde o reinado de D. Dinis 1297-1325, há mais de 700 anos, por isso, podemos constatar que já nessa época existia um bom entendimento entre os dois povos, de uma e outra margem do rio Guadiana.

Como referimos, a Vila de Cheles situava-se no lugar de São Brás, por isso, era aqui que se verificava quase todo o movimento entre as duas margens do rio Guadiana, sendo neste lugar o principal Porto de passagem quando o rio Guadiana diminuia a corrente, chamado Porto D' El-Rei, ou Porto de Cheles, porém, temos notícia que existia uma barca a meias entre os Senhores da Vila de Ferreira e os Senhores da Vila de Cheles, que fazia a travessia mais abaixo, devido às condições do rio, onde tinha água suficiente para poder navegar, ficando ancorada no lado português na aba Oeste do Outeiro do Pombo, onde se situava o Castelo da Vila de Ferreira, arrasado já em meados da centúria de 1600, por não ser defensável, enquanto o da Vila de Cheles foi arrasado pelas tropas portuguesas no dia 12 de Julho de 1642.

Encontramos vários documentos que atestam as boas relações entre os ditos Senhores, principalmente entre a família "Freire de Andrade" do lado de cá e a família "Manuel Villena" do lado de lá.

A família Freire de Andrade, tornaram-se donatários da Vila de Ferreira em 1433, passsando por aqui os seguintes Senhores:

1 - D. Gomes Freire de Andrade, 1º senhor da Vila de Ferreira nasceu em 1360;

2 - D. João Freire de Andrade, 2º senhor da Vila de Ferreira, nasceu em 1385. 

3 - D. Gomes Freire de Andrade, 3º senhor da Vila de Ferreira, nasceu em 1410; 

4  - D. João Freire de Andrade, 4º senhor da Vila de Ferreira, nasceu em 1460;

5 - D. Simão Freire de Andrade, 5º senhor da Vila de Ferreira, nasceu em 1485; 

6 - D. João Freire de Andrade, 6º senhor da Vila de Ferreira, nasceu 1520; 

7 - D. Fernão Martins Freire, 7º senhor da Vila de Ferreira, nasceu em  1585; 

8 - D. Luis Freire de Andrade, 8º  e último senhor da Vila de Ferreira, nasceu em 1610 e faleceu em 1674, acabando o Senhorio da Vila de Ferreira nesta família. 

Em 1674 a Vila de Ferreira foi doada ao Infante Francisco de Bragança, mas em 1698 as herdades da Vila de Ferreira foram reduzidas em dimensão e vendidas aos lavradores, excepto as herdades chamadas Defesa de Ferreira e Defesa de Bobadela, as quais, foram doadas à Sereníssima Casa do Infantado, onde ficaram até à sua extinção em 1834, quando passaram para a Fazenda Nacioanl e acabaram por ser vendidas.

Quanto ao Senhorio da Vila de Cheles

Também, dalém Guadiana o regime era semelhante, o Senhorio da Vila de Cheles passou quase na mesma data para a Família "Manuel Villena" e, com algumas alterações, continua até hoje, vejamos:

Senhores, e Condes de Cheles 

 1 - D. Juan Manuel de Villena, 1º senhor de Cheles - nasceu em  1390; 

2 - D. Diego Manuel de Villena, 2º senhor de Cheles - nasceu em 1440; 

3 - D. Juan Manuel de Villena, 3º senhor de Cheles - nasceu em 1460; 

4 - D. Francisco Manuel de Villena, 4º senhor de Cheles - nasceu em 1500; 

5 - D. Pedro Manuel de Villena, 5º senhor de Cheles, não consta a sua data de nascimento, há um qualquer mistério, uma vez que o seu pai nasceu em 1500 e depois o seu filho nasceu em 1540;

6 - D. Francisco Manuel de Villena, 6º senhor de Cheles - nasceu em 1540; 

7 - D. Juan Manuel de Villena, 7º senhor de Cheles - nasceu em 1570; 

8 - D. Cristóbal Manuel de Villena, 8º senhor de Cheles - nasceu em  1600; 

9 - D. Cristobal Manuel de Villena y Portocarrero, 9º Senhor de Cheles e 1º conde de Via-Manuel;

10 - D. Juan Manuel de Villena y Florez, 10º Senhor de Cheles e 2º conde de Via-Manuel; 

11 - D. José Cristóbal Manuel de Villena y Sánchez de Figueroa, 11º Senhor de Cheles e 3º conde de Via-Manuel - nasceu em 1727; 

12 - D. José Manuel de Villena y Mendoza, 12º Senhor de Cheles e 4º conde de Vía Manuel - nasceu em 1752; 

13 - D. José Manuel de Villena y Fernández de Córdoba, 13º Senhor de Cheles e 5º conde de Via-Manuel - nasceu em 1765; 

14 - D. Cristobal Manuel de Villena y Melo de Portugal, 14º Senhor de Cheles e 6º conde de Via Manuel - nasceu em 1800;

15 - D. José Casimiro Manuel de Villena y Bambalere, 15º Senhor de Cheles e 11º marquês de Rafal - nasceu em 1823; 

16 - Dª. María Esperanza Manuel de Villena y Álvarez de las Asturias, 16ª Senhora de Cheles e 1ª condessa de Cheles - nasceu em 1855. 

Como podemos verificar o XV Senhor da Vila de Cheles foi José Casimiro Manuel de Villena Y Bombalere, o qual, foi assassinado por um seu criado no seu palácio em Madrid no dia 02 de Novembro de 1854, com 31 anos de idade, pai de um menino de 2 anos e de uma filha de quase 4 anos e a sua esposa estava grávida, nascendo em Janeiro de 1855 a sua filha Maria Esperança.

Os bens deste Senhor de Cheles ficaram a ser administrados pela sua esposa até à maioridade dos seus filhos, seus legitimos herdeiros, e o Senhorio de Cheles ficou para Maria Esperança, logo XVI Senhora de Cheles, porém, no dia 06 de Maio de 1879, o rei Afonso XII de Castela elevou o Senhorio de Cheles a Condado, sendo Dª Maria Esperança Manuel de Alvarez e Astúrias que era a XVI Senhora de Cheles, passou a ser a Primeira Condessa de Cheles, a qual faleceu nesta Vila no dia 07 de Outubro de 1935.

Podemos verificar a histórioa do Condado de Cheles a partir da dita data:

Condes de Cheles

1 - Dª. María Esperanza Manuel de Villena y Álvarez de las Asturias, 1ª condesa de Cheles - nasceu em 1855; 

2 - D. Ramón del Arroyo y Manuel de Villena, 2º conde de Cheles - nasceu em 1879; 

3 - D. Ramon María del Arroyo y de Carlos, 3º conde de Cheles - nasceu em 1904; 

4 - D. Luis María del Arroyo y de Carlos, 4º conde de Cheles; 

5 - D. Francisco Javier del Arroyo Gómez, 5º Conde de Cheles - nasceu em 1941, atual Conde de Cheles, ou, talvez já exista o 6º Conde de Cheles, desta mesma família, de origem portuguesa.

Assim, podemos verificar a linhagem desta família e a sua ligação histórica, à Vila de Cheles há mais de 600 anos.

Fim 

Correia Manuel 

De: Consulta a Geneall e Geni.com 


Vila de Cheles - Espanha




 


quarta-feira, 26 de março de 2025

História da Vizinha Vila de Cheles - Espanha

 História da Vizinha Vila de Cheles - Espanha

3 de março de 2019

OS DOIS CASTELOS DESAPARECIDOS EM CHELES, BADAJOZ.

É difícil ver um castelo desaparecer, mas dois castelos são a maior desgraça, e foi isso que aconteceu com a cidade de Cheles. O primeiro deles estaria localizado na serra de San Blás, onde existia um povoado calcolítico fortificado, e posteriormente outro da Idade do Ferro também fortificado, vestígios romanos, visigodos, islâmicos e sobretudo cristãos do período medieval, pois a antiga vila de Cheles estava ali inicialmente, junto ao rio Guadiana, nos dois primeiros documentos vê-se como a vila era chamada Ceres, nome de origem romana, deusa da agricultura, e também a chamam Celes, o que deve ser uma modificação temporária do primeiro, tudo isso contradiz as diferentes teorias que foram apresentadas sobre a origem do nome desta população. Em relação ao primeiro castelo, existem alguns vestígios de um perímetro retangular e do que antigamente era uma torre redonda de seção estreita, muito típica de outras fortalezas antigas porque a artilharia de pólvora ainda não existia. Sua origem é muito enigmática. Acredita-se que seja do período dos Templários, mas não devemos descartar uma versão anterior. Podemos apenas afirmar que já existia em 1320. Os habitantes da cidade conhecem o morro onde estão os restos mortais como o "morro do castelo", ao lado do qual estaria a antiga vila medieval, na verdade existem acumulações de pedras do tipo majano, ao seu redor, que seriam as pedras das casas destruídas, como apontam alguns autores; E também mostro fotos do que resta de um antigo forno de cal, também muito antigo, possivelmente da época do povoamento; tudo foi destruído durante as guerras com Portugal. Esta aldeia estaria localizada na encosta, entre a ermida dos Mártires, que fica ao lado do castelo, e a de San Goldofre, mais abaixo.
O segundo castelo ficaria ao lado da nova cidade, a quatro quilômetros de onde ficava o castelo anterior, deste não há vestígios, exceto uma gravura de 1642, onde é visto no topo de uma colina anexa à nova cidade, o local é conhecido pelos moradores da cidade hoje como "a cerca do castelo", estou convencido de que suas fundações e alguns restos enterrados devem permanecer in situ; Este castelo aparentemente deve ter sido construído no ano de 1508, mas a documentação existente é um tanto confusa, pois algumas parecem refletir a construção e outras parecem falar de um castelo que estaria em uma propriedade próxima, chamada El Corcho.
José Antonio Torrado González fez um trabalho magnífico em sua publicação, compilando dados de outros autores e facilitando meu trabalho. Incluí um pouco da história do lugar porque achei muito interessante, mas também deixei muita coisa de fora.
Com meus amigos Regina Reís Silverinha, Joaquín Larios Cuello e Luis Troca de Castro.
José Antonio Hinchado Alba.
(1320). Valladolid, 26 de janeiro. (Texto e tradução em latim).
... Fernandum Velasci Pimentel manteve os Castri de Borghillo com seus direitos pertinentes e uma indenização correspondente de acordo com o domínio de Martino Alfonsi Tizon, que os Castri de Celes e Dalconcel foram mantidos com os direitos pertinentes e uma indenização correspondente de acordo com o domínio de Martino Alfonsi Tizon...
...Fernando Velasco Pimentel, que possuía o castelo de Burguillos com todos os seus pertences e alguns outros bens, e Martín de Alfonso Tizón, que possuía o castelo de Cheles e Alconchel com seus pertences e alguns outros bens, castelos e bens que em algum momento foram considerados como pertencentes à Ordem do Templo..., ...a todos aqueles que prestam auxílio, conselho ou assistência em dita retenção, e sob interdito por todo esse tempo, nominalmente ao castelo de Burguillos, sujeito de fato temporariamente ao mesmo Fernando, embora não por lei, e ao castelo de Cheles e Alconchel, sujeitos de fato temporariamente embora não por lei, ao mesmo Don Martín de Alfonso Tizón...
(1322) Puebla de Odón, 24 de janeiro. (Ceres e Alconcel), (Traduzido do latim):
... a Juan Martin, Pedro Martin, Martin Blanco, Alfonso Benito, a Gomez Perez e Rodrigo Fernandez Dias neste lugar de Cheles..., ... Fernando Perez Todona, Benito de Miguel e Esteban Fernando Escudero habitantes de Cheles e Alconchel, da diocese de Badajoz... .
Há algum tempo o Santíssimo Padre e Nosso Senhor Dom João XXII, por divina providência Papa, doou de modo especial e concedeu todos os bens que, em outros tempos, pertenceram à Ordem da Milícia do Templo nos reinos de Castela e Leão e em outros reinos e territórios sujeitos à jurisdição do Rei de Castela e Leão à Ordem Hospitaleira de São João de Jerusalém e ao próprio Hospital... .
...Martín de Alfonso Tizón, que tinha em seu poder os castelos e vilas de Alconchel e Cheles, do que antigamente se chamava Ordem do Templo, para que um mês depois do momento da petição tratasse de libertar e devolver os castelos, vilas e propriedades ao mesmo prior ou dito procurador em nome do mesmo Hospital. ... (Ordem Hospitalar de São João de Jerusalém, mais conhecida como Ordem de Malta).
(1670) Juan Solano de Figueroa. (Cheles) Antigamente era uma vila dos Cavaleiros Templários e agora é casa dos Manuels e o primeiro a possuí-la foi Don Juan Manuel, filho de Don Enrrique Manuel, Conde de Sintra e Montealegre e Meneses. Hoje é propriedade de Dom Francisco Manuel de Villena, capitão de cavalaria deste exército, mestre de campo de um grupo de infantaria espanhola. O inimigo a destruiu e queimou no ano de 1643 e em 1231 São Fernando, Rei de Castela, a conquistou dos mouros. Ele tinha duzentos vizinhos e uma fonte de água tão escassa que era o único remédio para sua doença renal. Já foi reparado desde a paz entre Portugal e Castela. Sua paróquia, intitulada A Conceição de Nossa Senhora, tinha três ermidas: a dos Mártires, São Goldrofo e Santa Clara, com um hospital de misericórdia.
(1845). Pascual Madoz. A meia légua da vila, nas margens do Guadiana, fica o sítio de San Blás, onde se diz que existiu a vila e onde ainda se conservam vestígios de ermidas e 4 hortas, compreendendo um terreno de 50 fanegas, com muita pedra solta e as ruínas de um castelo ou casa fortificada dos Condes, de onde se extraiu grande quantidade de materiais para as casas da vila e para cercar as suas propriedades...
(1951) Esteban Rodríguez Amaya. (Referindo-se a um documento concedido por Afonso X, o Sábio, em Sevilha, em 6 de dezembro, era de 1291 e o ano era 1253). ...muitos anos depois, os Templários obtiveram a posse de Jerez e Fregenal com as cidades vizinhas, unindo seus domínios e retificando os limites de Alconchel, que se estendiam até o Guadiana, seguindo a atual linha divisória entre os limites de Alconchel e Olivença. Assim se formaram os bailiados de Jerez, Alconchel, Cheles, Higuera de Vargas... .
Foi assim que se verificou o desmembramento dos limites de Badajoz para o Sul, no qual se perdeu parte do limite de Alconchel e todo o limite de Cheles. ...
... .Além da então chamada dehesa de Cheles, com jurisdição e privilégios de uma cidade, hoje chamada Millares de Alconchel, oito em número, que foram trocadas por escritura concedida em Badajoz em 15 de abril de 1471 com D. Juan de Sotomayor, Senhor de Alconchel..., ... Eles também concordaram em dar-lhe 15.000 maravedís de renda em erva a cada ano na dehesa de La Lapa, adicionando assim a renda de 65.000 maravedís em que a propriedade de Cheles havia sido avaliada.
(1991). Eduardo Cooper. (Fala sobre dois documentos do início do século XVI.)
1507.
para que o prefeito de Badajoz vá ao local onde Dom Jorge Português constrói uma fortaleza.
Dona Juana etc. A você... (Francisco de Luján) meu prefeito. . . da cidade de Badajoz. . . saúde e graça: saiba que Leonor de la Vega esposa de D. Gutierre de Sotomayor já falecido e D. Juan seu filho me enviaram para fazer uma conta... que agora novamente sem ter minha permissão... D. Jorge Portugues constrói uma fortaleza em uma propriedade da dita D. Leonor que está sob a jurisdição da dita cidade de Alconchel, com seis pés de largura, o muro com seteiras e seteiras de onde a dita D. Leonor e D. Juan e toda a região sofrerão danos e inconvenientes, portanto... Eu te ordeno que... você forneça informações... que fortaleza e casa fortificada é a que o dito D. Jorge constrói... e as ditas informações... envie-as ao meu conselho... e enquanto isso você determine que a dita fortaleza é forte e foi construída sem minha permissão... suspende... sua obra... dada na cidade de Palência nos setenta dias do mês de julho do ano... de mil quinhentos e sete anos Tello licenciatus licenciatus Moxica doctor Carabajal licenciatus Polanco I Juan Ramyres notário.
A morte de Gutierre de Sotomayor y Manuel, filho do recentemente falecido Juan de Alconchel, deixou como pretendentes às suas propriedades Leonor de la Vega, sua nora, Jorge Portuguese de Meneses, seu genro, e Manuel de Villena, marido de sua prima. O genro denunciou o filho de Leonor de la Vega por incitar seus vassalos a fazer incursões em suas terras da fazenda Corcho, propriedade de Manuel de Villena, de acordo com um mandato da Rainha emitido em Córdoba em 6 de outubro de 1508 ao magistrado de Badajoz para intervir (ibid., outubro de 1508, não folheado). O mesmo filho também foi acusado por sua avó de ter aproveitado a ausência do Rei Católico para tomar o castelo de Zahínos, construído por ela e seu marido, o falecido Juan de Alconchel (mandato real dado em Sevilha em 7 de dezembro de 1508 a Francisco Salvago para resolver a situação (ibid. dezembro de 1508 não foliado). As exigências de Juan Sotomayor provavelmente se deviam ao seu casamento fracassado com a filha de Pedro Puertocarrero, senhor de Cheles, a quem penhorou os castelos de Alconchel e Zahínos (mandato real dado em Burgos em 5 de outubro de 1511 ao magistrado de Jerez de los Caballeros para investigar suas tentativas de recuperar as propriedades pela força (ibid. outubro de 1511 não foliado).
A avó, Juana Manuel, queria excluir Juan de Sotomayor da herança do marido, em favor dos descendentes de Jorge de Meneses: em 6 de dezembro de 1508, a Coroa concedeu-lhes proteção real contra Juan de Sotomayor (ibid.). A situação piorou: Juan Sotomayor impediu que sua avó explorasse a área de El Olivar, perto de Cheles, e demoliu a casa de Jorge de Meneses em Alconchel. Em outubro de 1511, ele invadiu El Corcho com uma força de 40 cavaleiros e 300 soldados de infantaria. Em agosto seguinte, Jorge de Meneses retaliou, com o apoio de Manuel de Villena e homens de Cheles e Olivença, perseguindo os rebanhos dos vassalos de Juan de Sotomayor em El Corcho. Mais tarde, ele tentou vender seus interesses em El Corcho e Cheles. O Conde de Feria e Garci Lasso de la Vega intervieram, ostensivamente para proteger os direitos dos filhos de Jorge Meneses, embora seja mais lógico pensar que eles estavam agindo em nome do sobrinho de Garci Lasso, Juan de Sotomayor (aviso real de 26 de novembro de 1510 ao magistrado de Jerez de los Caballeros, ordem real dada em Burgos em 13 de fevereiro de 1512 ao bacharel Palenzuela para prender os responsáveis ​​pela invasão, ordem da Coroa dada em Logroño em 25 de setembro de 1512 a Bernardino de Lerma, magistrado de Badajoz, para punir os responsáveis ​​pelas devastações, e ordem real dada em Burgos em 14 de janeiro de 1512 ao magistrado de Badajoz para atender às reivindicações do conde e seus associados (ibid. novembro de 1510 e fevereiro, setembro e janeiro de 1512 sem foliar)). De qualquer forma, foi sua primazia que finalmente garantiu a transferência de Alconchel para o primogênito de María Manuel, com consequências desastrosas.
Não há dúvidas sobre a localização da fortaleza de Jorge de Meneses, na fazenda de El Corcho. A fazenda ocupa uma colina com vista para o riacho El Corcho, a oeste de Puebla de Alconchel. Restos de fundações são preservados, de largura respeitável, suficiente para a construção em questão. É provável que a pedra de sua estrutura tenha sido removida para construir a enorme torre de vigia de pombal octogonal que hoje vigia a vasta área desabitada do alto das alturas. O castelo de Zahínos parece ter sido uma fortificação retangular, com cubos nos cantos, e provavelmente uma torre de menagem, semelhante ao desaparecido castelo de Miajadas ou Orellana la Vieja. A única parte restante é parte da prefeitura.
1508
Senhora Juana, Rainha de Castela, etc. para você. ..meu prefeito... da nobre cidade de Badajoz. .. saúde e graça: saiba que porque me foi relatado por... a cidade de Alconchel que um Manuel de Villena está construindo uma fortaleza ou casa forte junto com a dita cidade na fronteira portuguesa sem minha permissão... ordenei que fosse entregue uma carta a Francisco Luxan, meu magistrado da dita cidade, para que ele pudesse... ver o dito edifício... e era forte.... para... saber a verdade sobre o que foi dito e que a dita informação... fosse enviada aos do meu conselho.... e... ordeno que você... veja a dita investigação... e... veja o dito edifício... e determine sobre a dita causa o que você decidirá por justiça... dada na cidade de Burgos no décimo e décimo sexto dia do mês de abril do ano... de mil quinhentos e oito anos Conde Alferes Çapata Muxica Santiago Polanco Franciscus licenciatus I Juan Ramyrez Tabelião da câmara da rainha, nossa senhora fez com que fosse escrito por seu mandato com o acordo dos de seu conselho, registrado Licenciatus Ximenes.
Abril de 1508 sem folhas.
Sabe-se que Manuel de Villena foi o terceiro senhor de Cheles e mudou aquela cidade do antigo local para onde hoje está o castelo… (Luis Salazar y Castro: História da Casa de Silva (Parte I, Madrid, 1685). Não se sabe se é o mesmo edifício.
(1999) José Antonio Torrado González. A permanência dos Templários em Cheles durou 35 anos, de 1277 a 1312, quando foi dissolvida. Não há vestígios arquitetônicos remanescentes do antigo assentamento nas montanhas de San Blas, apenas algumas fundações de uma antiga fortaleza, restos de casas espalhadas pelas montanhas e muitas pedras permanecem. O que eles legaram e que chegou até nós hoje é o Fuero de Baylío.
Cheles faria parte do Conselho Real por um curto período, especificamente de 1312 a 1336 (era 1374), já que naquele ano o rei Afonso XI a doou a Juan Alfonso de Benavides, oitavo senhor daquela casa, (primeiro senhor de Cheles). Em 28 de setembro de 1336, durante o cerco real de Lerma, o rei concedeu-lhe o senhorio de Cheles. Para tão grandioso acontecimento, o Rei Afonso XI reuniu sua Corte: Depois de dar graças a Deus, a Santa Maria e a todos os Santos, o rei, juntamente com a Rainha Maria e seu filho, o Príncipe Pedro, primeiro herdeiro, agradece a Juan Alfonso de Benavides e sua avó pelos serviços prestados. Ele lhe concede o lugar de Cheles, juntamente com o pasto do mesmo nome, com as terras comuns e com as terras do pão e do vinho, bem como a jurisdição; mas tudo isso com a condição de que não seja vendido ou trocado com a Igreja, ordens ou religiosos sem sua autorização.
Ele ordena que os moradores locais o respeitem como senhor da cidade, sob pena de mil maravedis para quem violar tal privilégio e o dobro desse valor se for o senhor ou seus descendentes que o fizerem.
Da doação deduz-se que ela atende aos requisitos de um senhorio pleno: o senhor é o dono das terras e da jurisdição. Esse sistema medieval de governo persistiu até 1837, quando foi revogado. Nossa cidade foi uma das primeiras da província a se tornar um senhorio. Além das características gerais aplicáveis ​​à maioria dos senhorios da província, o de Cheles tinha algumas características particulares que foram se consolidando ao longo dos seus cinco séculos de existência.
Juan Alfonso Benavides é sucedido no senhorio por seu primo Men Rodríguez de Biedma y Benavides, e por sua filha Teresa de Biedma, que em outros lugares aparece como Teresa de Benavides, que se casou com Alfonso Fernández Portocarrero, senhor e proprietário de Villanueva del Fresno.
Em 16 de abril de 1369 (era 1407), Alfonso Fernández Portocarrero doou a cidade de Cheles à sua cunhada Juana González Vicens, pelos muitos favores que ela lhe prestou durante sua vida. Assim, a propriedade permaneceu nas mãos desta família até chegar ao prefeito Portocarrero como herança de seus avós.
Os conflitos entre Castela e Portugal começaram no momento em que este último foi reconhecido como independente no Tratado de Zamora, em 1143, tendo a fronteira como palco principal.
O possível Pacto de Celanova, juntamente com outros tratados para estipular a linha de fronteira, muitas vezes eram letra morta para ambos os países.
Durante o século XIV, ocorreu uma série de eventos que nos afetaram de uma forma ou de outra. E assim temos como em 1334, quando o rei Afonso XI mandou sitiar Juan Nuñez de Lara em Lerma (Burgos) por desobediência ao monarca, Afonso IV de Portugal pediu ao nosso rei que levantasse o cerco, o que ele não aceitou, pois era seu vassalo e aquele que ele havia sitiado. As relações entre os dois países foram rompidas e a guerra foi declarada.
O rei de Portugal ordenou que Pero Alonso de Sosa sitiasse a cidade de Barcarrota, por ser menos protegida, saqueasse-a e queimasse-a. Após um confronto com os castelhanos comandados por Enrique Enríquez, os portugueses tiveram que levantar o cerco e fugir para sua terra natal. Não satisfeito com isso, nosso Rei decidiu vir pessoalmente a esta zona fronteiriça, passando primeiro por Trujillo, Cáceres, Mérida e Badajoz. Enquanto ele se preparava e esperava as pessoas que entrariam com ele no país vizinho, sua tia, a rainha Beatriz de Portugal, irmã de seu pai, veio vê-lo. Dona Beatriz tentou por todos os meios convencê-lo de que a única coisa que as guerras traziam eram "gastos excessivos, culpas irreparáveis ​​e fins incertos" e continua: "e lhe rogou que não quisesse entrar em Portugal, e que lhe desse lugar para falar nesta questão que estava entre o Rei de Castela e o Rei de Portugal, para que a honra de ambos os reis fosse protegida", ao que Afonso XI respondeu que o Rei de Portugal o tinha posto contra "Don Joan Manuel, Joan Nuñez e fizeram-lhe guerra", como a Rainha Dona Beatriz não conseguiu o seu propósito, foi para a sua terra, reiniciando o conflito.
O exército de Badajoz, sob o comando do monarca, partiu em direção a Arronches pela região do Crato e Portalegre, destruindo tudo o que encontrava pela frente (olivais, vinhas, etc.). Enquanto estava na primeira cidade, recebeu a notícia de que o inimigo português havia entrado em terras castelhanas, especificamente em Alconchel, Jerez de Badajoz e Burguillos. Ele rapidamente deixou esta cidade e “No dia seguinte ele deixou Veros, certificando-se de que o que lhe fora dito era verdade; e tendo cuidado para não cair em desgraça com o Rei de Portugal, ele viajou naquele dia doze léguas com o exército, e eles chegaram a um lugar chamado Chelles, que fica nas margens do Guadiana. Os membros do exército chegaram lá muito tarde e sofreram grandes dificuldades, pois durante todo aquele dia não encontraram água para beber ou dar aos seus cavalos ou aos outros animais que estavam trazendo. Os membros do exército trouxeram muitos homens e mulheres cativos; e quando os encontrou, o rei ordenou que fossem soltos e colocados em segurança, pois ele tinha um grande desejo de se juntar à luta com o Rei de Portugal. No entanto, estando muito arrependido pelo dano causado aos cristãos, ele ordenou que fossem soltos, e o povo de Portugal abençoou o Rei de Castela e amaldiçoou o Rei de Portugal por começar aquela guerra.” Ao chegar a Cheles, soube que não era verdade que o rei de Portugal havia entrado em Castela. Depois de descansar aquela noite em nossa vila, no dia seguinte ele partiu para Olivença, chegando a Badajoz "infestado de febre ardente; e permaneceu nesta cidade por dez dias". Era final de junho e estava muito quente. Os cavaleiros e homens ricos que o acompanhavam aconselharam-no a ir para Sevilha para descansar. De lá, ele retornou para entrar no Algarve até que o Papa finalmente mediou e obteve uma trégua.
Durante o último terço do século XIV, os conflitos na fronteira luso-castelhana recomeçaram. O motivo não é outro senão a sucessão ao trono de Portugal, vago devido à morte de Fernando I, o último rei da Casa de Borgonha, em 1383. Há dois pretendentes ao trono português. De um lado, João I de Castela após seu casamento com Beatriz, filha do falecido rei, e do outro, seu meio-irmão João, mestre da Ordem de Avis, filho bastardo do dito rei. A balança penderia a favor do segundo, que derrotaria os castelhanos na batalha de Aljubarrota, em 1385, sendo proclamado rei D. João I de Avis.
Durante estes dois anos de intrigas e disputas pelo poder, houve um homem importante em Portugal que se inclinou para a causa castelhana, D. Enrique Manuel de Villena y Castañeda, tio de Beatriz e seu pai, o falecido rei, Conde de Seia, Senhor de Cascais e Sintra, bisavô do homem que mais tarde se tornaria o primeiro Senhor de Cheles, Juan Manuel de Villena.
A primeira incursão ou cavalgada que os portugueses fizeram por terras de Castela, reclamando o trono português para D. João, terá lugar na vila de Cheles, aproveitando o facto de ser guarda de Olivença Pero Rodríguez de Fonseca, homem muito temido em toda a região, e que tinha um destacamento composto por quinhentos homens de cavalaria.
Dois homens preparam o ataque: Álvaro Concalve de Vila Viçosa, com trinta escudeiros e cento e cinquenta soldados de infantaria, e Pero Rodríguez de Alandroal, com quinze cavaleiros e cinquenta soldados de infantaria. Uma vez marcado o dia, partiram do Alandroal e dirigiram-se para o Guadiana: à noite atravessaram o rio pelo Puerto de la Cerva e chegaram a Cheles, de onde levaram um rebanho de vacas com os seus vaqueiros. Dois deles escaparam e, seguindo para Villanueva del Fresno e Alconchel, relataram o ocorrido às autoridades.
Depois de reunir o gado, atravessaram o rio e seguiram por Ferrera até ao montado de sobro de Horden, entre o Alandroal e Juromenha. Eles chegam aos campos de Pardaes, onde fica a igreja de São Marcos. Lá eles dividiram o saque, que consistia em 1.400 vacas e 700 bois. 26 éguas, 9 potros de três anos e outros potros menores.
As primeiras décadas do século XV foram muito turbulentas para a dinastia Trastámara, que governou Castela. João II frequentemente se encontrava em desacordo com seus primos, os infantes de Aragão (Dom Henrique e Dom Pedro), e de seu feudo na fortaleza de Alburquerque ele partia em incursões por toda a Estremadura.
Mas foi somente na batalha de Olmedo (19 de maio de 1445) que esses dois reinos se enfrentaram de forma decisiva, tendo como vencedor João II, Rei de Castela.
A ajuda prestada pelo Mestre de Alcântara, Dom Gutiérre de Sotomayor, que chegou ao campo de batalha comandando 600 cavalos e igual número de soldados de infantaria, deu ao monarca castelhano a vitória, reconhecida com esta frase: "Se não fosse por ti, Mestre, não seríamos rei de Castela e Leão". Bem recompensada nos anos seguintes, ela se tornou membro do Conselho Real e recebeu por Decreto Real a cidade de Alconchel com seu castelo, senhorio e jurisdição em 31 de outubro de 1445.
Nesse mesmo ano, em 7 de abril, em Guadalupe, o monarca lhe doou o senhorio de Puebla de Alcocer, ao retornar de uma campanha na Andaluzia.
Uma vez estabelecido em Alconchel, ele expandiria seus domínios usurpando o lugar de Cheles, com suas terras comuns e o pasto de mesmo nome. A apropriação das terras comunais de seus senhorios e cidades vizinhas era bastante comum por parte desses senhores desde meados do século XIV até o reinado dos Reis Católicos, que foram os primeiros a começar a restaurar a ordem. De fato, em poucos anos, o Mestre de Alcántara adquiriu extensos domínios senhoriais que, no final do século XV, contavam com uma área de 3.200 km2.
A usurpação é confirmada pelo fato de que os domínios de Cheles não aparecem no testamento concedido pelo Mestre Don Gutiérre de Sotomayor em Zalamea, em 12 de outubro de 1453, cedendo-o em vida ao seu segundo filho, Juan de Sotomayor, posteriormente primeiro senhor da vila de Alconchel.
Assim que o Mestre de Alcántara morreu, Juan Manuel de Villena e sua irmã reivindicaram de Juan de Sotomayor as terras que seu pai havia usurpado deles. Como não tem título ou outros meios para justificá-los, ele é obrigado a devolvê-los ao seu legítimo dono. A reclamação é apresentada por Pedro Rodríguez de Fonseca, marido de María Manuel de Villena, homem influente na Corte, prefeita da cidade de Badajoz e vereadora perpétua da cidade de Toro. Juan de Sotomayor aceita não ter título ou outro meio para o gozo de ditas pastagens, nem ter tido seu pai, Mestre Gutierre de Sotomayor, e para limpar sua consciência outorga a escritura com toda solenidade, restituindo o lugar de Cheles, suas terras comuns e a pastagem de Cheles com sua jurisdição e dízimos à Sra. María Manuel, esposa de Pedro de Fonseca, e a seu irmão Juan Manuel, e no mesmo dia outorga, para maior segurança, escritura de ratificação, jurando solenemente a restituição de dita pastagem, jurisdição, dízimos e demais coisas nela contidas. A escritura é datada de 12/6/1457.
A doação feita pelo rei Afonso XI da vila de Cheles com suas pastagens e terras comuns a Juan Alfonso de Benavide, primeiro senhor de Cheles, deveria ter sido incluída entre as margens do Taliga e do Friegamuñoz, já que naquela época os limites eram feitos pelas serras e rios, e não é lógico que o atual termo de Alconchel nos abrace e nos aprisione no rio Guadiana.
As duas pastagens que nos rodeiam (pasto de Mirleo ao norte e pasto de Minchón ao sul) que aparecem posteriormente como parte da área de Alconchel, devem ter pertencido à área de Cheles, já que em 1369, na doação que Alfonso Fernández Portocarrero fez da vila de Cheles à sua cunhada, em um parágrafo diz que faz fronteira com Guadiana, Alconchel e Villanueva, o que confirma que a área chegava até a margem do rio Friegamuñoz.
Na escritura de venda do pasto de Cheles feita por María Manuel e Pedro Rodríguez de Fonseca em 1457, outro parágrafo afirma que parte dele faz fronteira com o comunal de Cheles, com seu irmão mantendo o comunal e a cidade de Cheles.
Em 1476, Mirleo era propriedade de Diego Manuel de Villena. Isso indica que os dois grandes pastos de Mirleo e Minchón pertenciam ao antigo distrito de Cheles, embora naquela época os distritos não estivessem registrados como tal.
O pasto de Mirleo era composto por seis mil terras, Mirleo, Valcuevo, Natera, Homillo, El Hierro e La Espadaña (Cadastro de Ensenada 1754 e Interrogatório da Corte Real 1791).
O pasto de Minchón, que era composto por outros seis mil (Corcita, Galacho, Don Juan, Hatillo, Martín Vaca de arriba e Martín Vaca de abajo), deveria corresponder às terras comuns, que faziam fronteira com o pasto de Cheles.
O pasto de Cheles não permaneceria muito tempo nas mãos de Dona María Manuel após o resgate, pois em 17/3/1458 ela o vendeu a Don Lorenzo Suarez de Figueroa, primeiro conde de Feria, por 950.000 maravedies, segundo escritura outorgada na localidade de Salvatierra, perante o notário Álvaro Rodríguez de Llerena.
Seu novo proprietário o vende ou troca com seu irmão, Dom Pedro Suarez de Figueroa, Senhor de Cañaveral, Santurde e senhor do rei João II, casado com Blanca Sotomayor, que o troca novamente com Juan de Sotomayor, Senhor de Alconchel, conforme escritura outorgada em Badajoz em 15 de abril de 1471.
"A chamada Dehesa de Cheles, com jurisdição e privilégio de uma cidade, hoje chamada Millares de Alconchel, oito em número, que foram trocadas por escritura concedida em Badajoz em 15 de abril de 1471 com Don Juan de Sotomayor, Senhor de Alconchel, pelas fazendas de Carbajo e parte das Reliquias e Pajares com outra parte que pertencia à esposa de Bolaños, que estavam nos termos e jurisdição de Jerez, e a fazenda em Baluengo em Fregenal, avaliada em 50.000 maravedís de renda a cada ano, e se não atingissem esse valor, tinham que completá-lo em erva e renda no termo de Jerez. Eles também se obrigaram a dar a ele 15.000 maravedís de renda em erva a cada ano na dehesa de la Lapa, adicionando assim a renda de 65.000 maravedís em que a fazenda de Cheles havia sido avaliada."
Assim, o pasto de Cheles passou para o senhor de Alconchel, que mais tarde o dividiu em duas partes como dote de casamento para suas filhas: Para María Manuel, casada com Francisco de Zuñiga, ele deu Hoyas, Bermejino, Doncellas e Doña María em 1487. Mais tarde, esses quatro pastos seriam conhecidos como os millares de Mirabel, e para Leonor de Sotomayor, casada com o português Jorge de Meneses, ela deu Crane, Fish, Cork e Rocinejo em 1501. Esses quatro pastos seriam conhecidos como os millares portugueses.
O que não sabemos até agora é quando as pastagens de Minchón e Mirleo passaram para a atual área de Alconchel, sim, primeiro passaram para as mãos dos Marqueses de Castrofuerte, depois de Piedras Alba, e no final do século XIX a proprietária era María del Carmen Alvarez de las Asturias Bohorquez e Alvarez de las Asturias Bohorquez, Condessa de Sallent e vários outros títulos.
Foi no final do século XV que se estabeleceu definitivamente a distribuição da província entre as Ordens Militares, senhorios e nobreza, persistindo até meados do século XIX.
Em meados do século XV, o Senhorio de Cheles reapareceu pelas mãos de Dona Prefeita Portocarrero, filha de Fernán González Portocarrero e Dona Sancha Coronel, família radicada na cidade de Toro, benfeitores do mosteiro de San Ildelfonso desta cidade, onde estão sepultados. Doña Mayor casou-se com Dom Juan Manuel de Villena, e a partir desse momento ele foi considerado o primeiro senhor de Cheles da Casa de Manuels.
Os problemas de fronteira continuam com os vizinhos portugueses de Olivença. Em 1459, o procurador daquela vila, Vasco Vilela, apresentou um documento ao rei Afonso V nas Cortes de Lisboa em que afirmava: "Senhor Majestade, sei como tenho estudado esta vila e que, em seu favor, na maior parte dela se acha rodeada pelos vários termos de Badalhouçe (Badajoz), Villa Nova de Barcarrota, Figueira e Alconchel, e Chelles, e muitas vezes destes lugares, alguns destes vizinhos e moradores desta vila roubam gado e animais e fazem represálias." (Traduzido do português por um servidor JAHA).
No último terço do século XV, a Extremadura voltou a ser envolvida numa guerra civil, denominada Guerra da Sucessão Castelhana, devido ao problema de sucessão de Henrique IV, entre os partidários de Dona Juana la Beltraneja, filha do Rei, e os partidários da sua irmã Dona Isabel la Católica. São as diferentes famílias nobres que tomam partido por um ou outro de acordo com seus interesses, pois o que pretendiam era continuar com uma Coroa fraca que lhes permitisse continuar acumulando riqueza e poder.
Os apoiadores da rainha Isabel, a Católica, eram Alonso de Cárdenas, Mestre de Santiago, e Gómez Suárez de Figueroa, Conde de Feria, a quem a rainha havia nomeado como seu representante na área de fronteira. Em apoio a Dona Juana la Beltraneja estão Beatriz Pacheco, a viril Condessa de Medellín, os Condes de Plasencia e Pedro Portocarrero, apoiados pelo Rei de Portugal Afonso V. Incluído nessas famílias estava também Don Diego Manuel de Villena, segundo senhor de Cheles.
Uma vez que o conflito progrediu a favor de Isabel, ela tomou represálias contra todos aqueles que estavam do lado oposto, desapropriando-os de todas as suas propriedades em Castela e, neste caso específico, do Senhorio de Cheles, detido por Diego Manuel de Villena, concedendo-o ao Capitão Ferrand Mexias.
Quem foi Ferrand Mexias? :
Segundo informações fornecidas por Nuria Casquete em seu livro: Os Castelos da Serra Norte de Sevilha na Baixa Idade Média, Ferrand Mexias surgiu na década de 1470 como guardião do Castelo de Torres, localizado na Serra Norte de Huelva, na área de Cumbres de San Bartolomé, a caminho de Encinasola, onde o rio Murtiga descreve um meandro, uma localização estratégica entre duas cadeias de montanhas que controlavam a passagem para Portugal. Ele é uma figura controversa; não se sabe de onde ele veio nem a data exata em que se refugiou no castelo. Talvez ele tenha se juntado aos bandidos que ocupavam Torres na época e, a partir deles, fizeram incursões pelas montanhas, roubando gado e atacando cidades e fortalezas próximas. Ele manteve boas relações com a Ordem de Santiago, que inicialmente o protegeu, bem como com o Duque de Medina Sidonia e com o vizinho Portugal, que ocasionalmente lhe fornecia armas. Eles acreditam que ele era mais do que apenas um bandido das montanhas, envolvido em saques.
Em abril de 1477-1478 a Ordem de Santiago, com o Mestre Alonso de Cárdenas à frente, mandou Ferrand Mexias para Murtigón e obrigou-o a entregar a fortaleza, recuperando definitivamente o castelo de Torres, desaparecendo todos os vestígios deste bom senhor. Outra versão que aparece no livro "Torres, un castello de Huelva" diz que o conselho de Aracena informou Sevilha de que em 11 de novembro, ano não especificado, 20 cavaleiros e 250 soldados de infantaria partiram para Torres em busca de "Mexias, um ladrão de cavalos e vacas", porque ele havia roubado cem deles em agosto de 1476, e que o haviam matado em Torres junto com outros três ladrões, porque ele havia roubado cem deles em agosto de 1476, e que o haviam matado em Torres junto com outros três ladrões.
Pouco a pouco, Isabel e Fernando fizeram pactos com as diversas famílias nobres da região, restando como últimos rebeldes Alonso de Monroy e Beatriz Pacheco, que propuseram aos Reis Católicos condições que estes não aceitaram, desencadeando a última das batalhas nesta zona meridional.
A chamada Batalha de Albuhera ocorreu perto de Mérida (perto do reservatório de Proserpina) em 24 de fevereiro de 1479, Quarta-feira de Cinzas. O Mestre Alonso Cárdenas e o Comandante de Lobón, Diego Alvarado Mesía, a quem o mestre havia ordenado que cobrisse o acesso a Mérida, e vários outros capitães, derrotaram os setecentos cavaleiros portugueses e castelhanos que o acompanhavam sob o comando do Capitão General García Meneses, Bispo de Évora. A batalha foi tão cruel que poucas pessoas permaneceram vivas de ambos os lados, com o avançado Pedro Pareja morrendo na luta. Diego Manuel de Villena, segundo senhor de Cheles, que lutou pelos rebeldes, foi levado prisioneiro para Lobón, onde morreu devido aos ferimentos sofridos na batalha. O capitão Cristóbal Bermúdez é condenado à decapitação por justiça. García Meneses, bispo de Évora, conseguiu escapar. Em 4 de setembro de 1479, foi assinada a paz com Portugal (Tratado de Alcáçovas), pondo fim a esta guerra e respeitando as possessões dos seus adversários. Alonso de Monroy manteve seu poder em Montánchez e Beatriz Pacheco, sua cidade e castelo. Após a morte de Diego Manuel de Villena, seu descendente Juan Manuel de Villena reivindicou o Senhorio de Cheles dos Reis Católicos (Cartas de privilégio e confirmação dos Reis Católicos, da propriedade, Medina del Campo, 20 de março de 1494).
(2015). Juan José Sánchez González: (Este autor fala apenas do primeiro castelo JAHA). O Senhorio de Cheles:
Em 1336, Afonso XI doou Cheles a Juan Alfonso de Benavides, uma doação que incluía a propriedade da terra e o domínio jurisdicional sobre seus habitantes. Juan Alfonso de Benavides, criado pelo Rei Alfonso XI, alcançou uma alta posição na corte durante seu reinado, tornando-se, entre outras dignidades, Juiz-mor de Castela, Notário-mor da Andaluzia e Porteiro-mor do Reino de Leão. Os serviços prestados ao monarca, especialmente suas ações nas Guerras de Navarra e do Estreito de Gibraltar, foram recompensados ​​com a doação de novos senhorios espalhados por todo o reino. Ele também seria favorecido por Pedro I, de quem era Tutor-Mor e a quem serviu com a mesma lealdade. Entretanto, em 1364, após perder a cidade de Segorve para os aragoneses, Pedro I ordenou que ele fosse preso no castelo de Almodóvar del Río, onde morreu pouco depois. Antes de sua morte, Cheles deixou a propriedade da família. Em 1362, Juan Alfonso trocou Cheles com Alfonso Fernández Portocarrero por várias paróquias localizadas na Galícia. Alfonso Fernández Portocarrero legou Cheles, possivelmente como dote, a uma de suas filhas, a prefeita Portocarrero, que se casou com Juan Manuel de Villena, filho ilegítimo de Enrique Manuel de Villena, conde de Cea e Sintra, filho, por sua vez, do infante Don Juan Manuel. Enrique Manuel foi desapropriado por João I de Avis de todas as propriedades que possuía em Portugal por ter apoiado João I de Castela em suas aspirações ao trono português após a morte de Fernando I de Portugal. Em compensação pelas perdas, D. João I fez de Henrique senhor de Belmonte, Meneses e Montealegre. Juan Manuel de Villena não recebeu nenhum senhorio de seu pai, então ele fez de Cheles o centro de suas poucas posses senhoriais. Juan Manuel foi sucedido por seu filho Diego Manuel, casado com Mayor de Silva, filha de Mencía de Vargas, senhora de Higuera de Vargas, e Vasco Fernández de Silva, senhor de San Fagundo. Na guerra de sucessão ao trono castelhano, Diego Manuel participou do apoio à Infanta Juana "La Beltraneja", morrendo em consequência dos ferimentos recebidos na Batalha de Albuera, travada em 1479 contra as tropas isabelinas lideradas pelo Mestre de Santiago, Alonso de Cárdenas. Após a morte de Diego Manuel, sua esposa se isolou em um convento em Jerez de los Caballeros que ela mesma fundou, enquanto seu filho Juan Manuel, 3º Senhor de Cheles, mudou-se temporariamente para Portugal após a morte de seu pai. Em Portugal, ele se casou com Isabel de Mendoza.
Castelo de Cheles:
O terceiro senhor de Cheles, Juan Manuel de Villena, foi prejudicado pelas disputas internas dentro do senhorio de Alconchel, que afetaram algumas de suas propriedades, como a fazenda Corcho, contra a qual Juan de Sotomayor y La Vega, filho de Leonor de la Vega, nora e pretendente à herança do falecido Juan de Sotomayor, primeiro senhor de Alconchel, fez algumas incursões no verão-outono de 1508. Esta circunstância deve ter encorajado o senhor de Cheles a iniciar a construção de uma fortaleza. Pelo menos é o que se deduz do conteúdo de uma ordem emitida em 16 de abril de 1508, pela qual a rainha Joana ordenou ao magistrado de Badajoz que verificasse a veracidade da denúncia feita pelos moradores de Alconchel sobre a construção de uma fortaleza por Juan Manuel de Villena, projeto que não contava com a licença real correspondente. O castelo foi construído junto ao centro primitivo da vila, que corresponde à aldeia desabitada de San Blas, situada a norte da atual vila, nas margens da barragem do Alqueva. A população era
mudou-se para sua localização atual em 1532, como indica Luis de Salazar y Castro: “Don Juan Manuel de Villena, filho mais velho, foi o terceiro Senhor de Cheles e mudou aquela cidade do antigo local para onde está hoje, construiu o castelo e dotou a igreja no ano de 1532.”
O castelo deve ter perdido sua importância com a realocação da população. Durante a Guerra da Restauração Portuguesa, foi arrasado pelas tropas portuguesas em 1643, restando apenas algumas fundações. Pascual Madoz oferece uma breve descrição da área despovoada e das ruínas do castelo em meados do século XIX.
Segundo castelo:
O século XVI foi muito importante para nossa cidade. Durante o primeiro terço do mesmo, a jurisdição do Senhorio esteve a cargo de D. Juan Manuel de Villena, seu terceiro senhor, que decidiu mudar a povoação da vila da sua antiga localização, na serra de San Blas, junto ao Guadiana, para a que hoje ocupamos, um pouco mais para o sul e a uma légua de distância.
Os motivos foram: por um lado, afastar-se um pouco mais da fronteira, já que eram frequentes as incursões dos vizinhos portugueses com o objetivo de roubar gado, e por outro, as epidemias e pragas tão frequentes nesta época, destacando-se como as mais importantes a invasão de formigas e a peste que se alastrou pela região nesta primeira década.
A mudança da cidade levou ao abandono da antiga fortaleza e à construção de uma nova bem próxima dela, no local hoje conhecido como "cerca do castelo".
A construção do castelo ou casa fortificada iniciou-se por volta do ano 1508, conforme consta num documento dirigido pela Rainha de Castela, Dona Juana, ao corregedor de Badajoz, datado na cidade de Burgos em 16 de abril desse ano, e que diz o seguinte: (ver publicação de Edward Cooper).
A única referência que temos dele, por enquanto, é a gravura que aparece no livro do Cônego Aires Varela, feita pouco antes de sua destruição. (Gravura de 1642).
Ele estava localizado na parte noroeste da cidade, na cerca que leva seu nome. A construção é muito típica da época (século XVI). No final da Reconquista, os castelos deixaram de ser grandes fortalezas localizadas em locais estratégicos e acidentados para se tornarem residências confortáveis ​​para senhores em locais mais acessíveis.
Do ponto de vista arquitetônico, caracterizava-se por ter uma planta quadrangular, com os seus cantos encimados por torres cilíndricas. No interior, na parte central, ficava o pátio das amantes e a cisterna, e anexados às suas paredes ficavam os vários cômodos. Não tinha torre de menagem. A igreja é datada de 1532.
Lutas entre senhorios também eram comuns neste século. Quando Gutierre de Sotomayor y Manuel, filho de Juan de Sotomayor, o primeiro senhor de Alconchel, morreu ainda jovem, deixou uma série de pretendentes à herança. Entre eles estão, por um lado, Jorge de Meneses, casado com Leonor de Sotomayor, por outro, Leonor de la Vega, viúva de Gutiérrez de Sotomayor e seu filho Juan de Sotomayor y Vega e, por último, Juan Manuel de Villena, por seu casamento com Catalina, prima do anterior. O cenário do conflito será a fazenda Corcho, propriedade do Senhor de Cheles, segundo mandato da rainha expedido em Córdoba em 6 de outubro de 1508.
Juana Manuel, esposa do primeiro senhor de Alconchel, queria que a herança caísse para os descendentes de Jorge de Meneses, e não para seu outro neto, Juan de Sotomayor y Vega, e obteve proteção real da Coroa em 6 de dezembro de 1508. Seu neto, Juan de Sotomayor, em retaliação, não permitiu que sua avó explorasse a fazenda El Olivar que ela tinha ao lado de Cheles, destruindo a casa que Jorge Meneses tinha em Alconchel.
Em outubro de 1511, Juan de Sotomayor invadiu a propriedade de Corcho com uma força composta por 40 cavaleiros e 300 soldados de infantaria. No ano seguinte, em agosto, Juan Manuel de Villena, terceiro senhor de Cheles e Jorge de Meneses, recrutou homens de Cheles e Olivença e atacou os vassalos que Juan de Sotomayor havia deixado na propriedade de Corcho. Como resultado desses conflitos, ele decidiu vender tudo o que tinha em El Corcho e Cheles. (Veja a postagem de Edward Cooper).
Os conflitos não ocorreram apenas entre senhorios, mas também com o país vizinho. De fato, a ilha das Cinzas era chamada de Ilha da Contenda, porque não se sabia a que país pertencia, e era um refúgio para os Franciscanos Descalços durante sua perseguição.
Durante este século, ocorreram uma série de escaramuças com os moradores de Olivença, pertencente ao Reino de Portugal.
Em 1510, os comerciantes de cerveja pretendiam que a linha ou fronteira com Portugal dividisse a igreja da vila de San Benito. O povo de Olivença não concorda. Surge uma série de conflitos que as hierarquias superiores precisam resolver. D. Manuel o Venturoso, Rei de Portugal, escreve a D. Fernando o Católico. Ambos propõem representantes que, em última instância, resolvem o problema. Em 1590, quando Filipe II era rei de ambos os países, outra escaramuça surgiu entre as duas cidades. Neste caso, dois indivíduos estão na prisão de Cheles condenados a açoitamento e galé. Em 16 de dezembro do mesmo ano, um grupo de oliventinos cruzou a fronteira, rumo a Cheles, e libertou os prisioneiros. Quando os vizinhos descobriram, eles os perseguiram com mosquetes e mataram três, entraram em Olivença e prenderam quatro, deixando vários feridos. Após uma denúncia das autoridades de Olivença, elas mais uma vez tiveram que intervir no mais alto nível para resolver o caso.
(1986) Ruy Rosado de Vieira: (Falando sobre Aires Varela). O cânone iluminado dos Elfos nos diz muito pouco sobre a cidade de Cheles: ... um lugar forte e populoso... , ... a cidade com seu interior procurava prover. Contudo, sabemos, tanto pela descrição do ataque português ao local como pela própria imagem, que em meados de 1642 a vila possuía um pequeno castelo e uma igreja matriz com torre sineira.
(2000) Francisco J. Durán Castellano. Sob a jurisdição do castelo de Alconchel estava um território que também incluía as atuais cidades de Villanueva del Fresno, Zahinos, Oliva de la Frontera, Valencia del Mombuey, Cheles e Higuera de Vargas. Nestas duas últimas cidades existiam dois castelos: o de Cheles, hoje destruído, ficava um pouco mais a oeste da cidade atual. ...
... . De qualquer forma, essas praças passaram à propriedade real, já que em 1328 Burguillos e Alconchel foram dadas como garantia pelo casamento de Afonso XI com Constança de Portugal, arrendamento que durou até 1330. Anos mais tarde, Burguillos, junto com Higuera de Vargas, passaria ao senhorio de Alonso de Vargas (daí o nome deste último). Cheles e Villanueva del Fresno aumentaram o senhorio de Portocarrero em 1330.
(2003) Jacinto Gil Sierra. Na encosta entre as duas ermidas há inúmeras pilhas de pedras. Essa seria a localização exata da vila medieval. Essas pilhas de pedras surgiram da necessidade de confinar em pequenos espaços as pedras que infestavam a terra. Qualquer fazendeiro decidiria assumir esse trabalho para beneficiar suas plantações e pastagens. As pilhas são feitas em locais onde pedras maiores e difíceis de mover são cravadas no solo. Um olhar mais atento revela exemplos de ferramentas de pedra e fragmentos de cerâmica de todos os períodos mencionados neste capítulo, como quartzitos esculpidos, pequenos moinhos manuais, pedaços de azulejos romanos, etc.
(2004) Victor Hurtado Pérez. Há evidências dos tempos medievais e modernos. Ainda não sabemos se a ocupação continuou ininterruptamente desde o período romano, uma vez que a estratigrafia nas áreas superiores do setor oriental não foi estudada. Os restos da ermida datam do século XII d.C., embora possam ser anteriores (refere-se à ermida de San Goldofre). Ao seu redor há uma necrópole, que não pôde ser escavada. Todos estes sinais continuam ao longo da encosta ocidental e no topo da Serra; É aqui que se localizariam os assentamentos correspondentes aos períodos medieval e moderno. Restos da muralha, das casas, da chamada ermida dos Mártires e de uma fortaleza ainda podem ser vistos hoje, em alguns casos ainda em bom estado de conservação.
Por volta de 1630, segundo documentos contemporâneos, o assentamento foi destruído pelas tropas portuguesas e a população mudou-se quatro quilômetros ao sul, para a atual Cheles.
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Destruição da Vila de Cheles pelos portugueses em 12 e 13 de Julho de 1642




















Ruínas do Castelo da Vila de Cheles - Espanha



















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