A lenda das multas, a quem não fosse às missas em Capelins
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Este Blogue Tem Como Objetivo Dinamizar a História, Lendas, Tradições e, a Defesa do Património Cultural e Arqueológico das Terras de Capelins - Alandroal
terça-feira, 9 de junho de 2026
A lenda das multas, a quem não fosse às missas em Capelins
segunda-feira, 8 de junho de 2026
A lenda dos cavaleiros de bota e espora, de Capelins
A lenda dos cavaleiros de bota e espora, de Capelins
Conta-se que, noutros tempos, os lavradores da Freguesia de Capelins eram uma classe muito poderosa, e ostentavam o seu poder de várias formas, com mão de ferro sobre os trabalhadores e sobretudo através daquilo que não estava ao alcance dos mais pobres, como botas de montar e esporas, para manter as diferenças.
Nos finais do decénio de 1600, início de 1700, dez das doze herdades que constituiam a Coutada ou Defesa de Ferreira, foram partidas, cada uma em duas e em algumas courelas e propriedades de menor dimensão, que permitiu um grande aumento de lavradores na Freguesia de Santo António que, com as suas famílias reforçaram a élite que se destacava da classe pobre, em termos económicos, no que vestiam e calçavam e na sua apresentação nas feiras, festas do povo ou festas particulares, como nos casamentos, batizados ou outros atos religiosos.
Os lavradores, chamados os ricos, não andavam a pé, os homens da família tinha cada um, o seu cavalo, nos quais se deslocavam a todo o lado, e as mulheres viajavam em carruagens, também puxadas por lindos cavalos guiados por um cocheiro vestido a rigor, e os remediados andavam de charrete, mas essa ostentação, não era bem vista por muita gente pobre, que tinha os filhos com fome e não ganhavam para comer.
Os lavradores cavaleiros usavam botas de montar, nas quais, eram colocadas esporas, que tinham uma pequena peça em metal, lisa ou roda dentada, tipo roseta, com armação presa ao calcanhar da bota do cavaleiro e serviam para guiar ou picar o cavalo para o fazer andar mais rápido.
As rosetas metálicas estavam pendentes e, quando o cavaleiro se deslocava a pé, ao dar o passo e bater com a bota sobre alguns pisos mais rígidos, emitiam um tilintar, e no caso de ser um grupo de cavaleiros com esporas a tilintar, incomodavam muita gente, porque, entendiam que, também era uma maneira de mostrar o poder.
Assim, por inveja ou porque se sentiam humilhadas, algumas pessoas reclamavam, e diziam: - Lá vão os vaidosos de bota e espora! Mas não podiam fazer nada, muito menos quando isso se passava nas ruas, onde decorriam as feiras ou festas, mas quando os homens e rapazes de bota e espora entravam na Igreja de Santo António já com as missas ou outros atos religiosos em andamento, os padres tinham de interromper, porque a sua voz era abafada pelo barulho produzido pelos de bota e espora dentro da Igreja, e isso irritava os fiéis.
Quando, em 25 de Novembro de 1753, em mais uma visita do desembargador da Relação Eclesiástica de Évora visitou a Igreja de Santo António, recebeu a queixa sobre os cavaleiros de bota e espora, sendo-lhe explicado da inconveniência da sua entrada na Igreja, incomodando os fiéis, a dita queixa foi transcrita para o relatório e entregue ao Arcebispo de Évora que, ordenou o seguinte: "Nenhuma pessoas entrava na Igreja de Santo António de Capelins com esporas calçadas".
Quando o pároco António Silva comunicou aos lavradores de bota e espora, deixou claro que, eram ordens do Reverendíssimo Arcebispo e tinha de ser levada muito a sério, porque em caso de desobediência podiam ser expulsos da Igreja e isso, podia implicar a intervenção da Santa Inquisição e até podiam ser queimados vivos.
Os lavradores e famílias não gostaram da ordem do Arcebispo, acharam que era uma humilhação, mas devido à sombra da Santa Inquisição, da qual, ninguém escapava, aceitaram e limitaram-se a mandar um criado a pé ou montado numa burra à frente deles para lhe tirar, guardar e depois colocar as esporas à porta da Igreja de Santo António e a sua vaidade caiu a pique.
Quanto aos pobres que tinham sido humilhados durante muitos anos com a entrada triunfante dos cavaleiros de bota e espora na Igreja de Santo António, agora riam baixinho, quando eles entravam e pareciam uns gatinhos pé ante pé para não darem por eles, e assim os atos religiosos deixaram de ser interrompidos.
Na Freguesia de Capelins, até há pouco tempo, sempre que alguém aparecia mais bem calçado e bem vestido, diziam que andava todo aperaltado e de bota e espora.
Texto: Correia Manuel
Fotografia: Correia Manuel
Igreja de Santo António de Capelins
sábado, 6 de junho de 2026
A lenda do toque do sino da Igreja de Santo António de Capelins
A lenda do toque do sino da Igreja de Santo António de Capelins
Conta-se que, à volta do ano de 1820, durante uma temporada, o sino da Igreja de Santo António de Capelins, tocava à meia noite a chamar para a missa.
Como nessa época as pessoas deitavam-se pouco depois do solposto, cansados do trabalho duro que faziam nos campos, nessa hora, dormiam profundamente, mas acordavam atarantados, mas o sino parava de tocar e viravam-se nas suas camas continuando a dormir, só o sacristão e o padre Marcos Pouzão iam à porta a ver o que se passava, mas não viam ninguém, nem ouviam nada e, corriam para a cama, mas no dia seguinte toda a gente que morava junto à Igreja, reclamava e comentava o sucedido.
Como a situação se repetia, as pessoas começaram a fazer vigias e mesmo assim, o sino tocava sem ninguém por perto e os moradores já andavam assustados e começaram a dizer que só podia ser uma alma penada, mas também diziam, que as almas penadas não entravam no Campo Santo, não entendiam como é que esta, se aproximava assim da Igreja.
O padre Marcos Pouzão e o sacristão prometeram que iam resolver a situação, porque se fosse uma alma penada, tinha de dizer o que queria e começaram a andar por ali a essa hora, mas o sino tocava e não viam nada, até que, numa noite de grande invernia o sino tocou, e o padre foi a correr e disse ao sacristão para ficar em casa e não sair, porque podia ser um caso só para ele, por isso, é que a alma penada nunca se mostrava, quando iam os dois, e afastou-se.
Quando o padre chegou à porta da Igreja viu que estava iluminada e a porta com uma pequena fisga aberta, empurrou a porta e viu um padre paramentado de costas para ele, ficou assustado, mas foi indo devagar e naquele momento ouviu uma voz dizer-lhe: - Não tenha medo, há muito tempo que estou à sua espera, sou o pároco Luciano o anterior, e estou no purgatório para ser purificado, mas fui castigado, porque recebi uma grande esmola de um lavrador daqui para rezar uma missa pela alma dele e não o fiz, agora preciso da sua ajuda, porque tenho de rezar a missa com a ajuda de outro padre, mas antes de eu dar a benção o colega tem de sair daqui a correr, não se esqueça disso!
O Pároco Luciano rezou a missa com a ajuda do padre Marcos que, antes da benção, como o pároco lhe disse, fugiu e quando passou a porta da Igreja ela fechou-se bruscamente, quase o entalava e, ao mesmo tempo ouviu grande estouro dentro da Igreja.
O padre Marcos Pouzão foi dali a correr para a sua casa, e nessa noite pouco fechou os olhos e de manhã assim que se levantou chamou o sacristão e contou-lhe o que se tinha passado, foram os dois à Igreja a observar tudo ao pormenor e não havia sinais de alguém ali ter estado, e o sacristão que morava paredes meias com a Igreja, afirmou que não ouviu nada, mas acreditou no padre.
Nesse dia à meia noite, os moradores esperavam o toque do sino a chamar para a missa, mas o sino nunca mais tocou, o padre apenas lhe disse que, o caso estava resolvido, mas passado algum tempo, acabaram por saber o que se tinha passado, através do sacristão, e ficaram descansados, por mais uma alma do purgatório, ter sido salva.
Texto; Correia Manuel
Fotografia: Correia Manuel
Igreja de santo António de Capelins
Existiam aqui pelo menos seis casas de habitação
sexta-feira, 5 de junho de 2026
A lenda do último lobo de Capelins
A lenda do último lobo de Capelins
Conta-se que, noutros tempos, a Freguesia de Capelins tinha muitos lobos, devido às condições geográficas propícias ao seu habitat, com as Ribeiras de Lucefécit e de Azevel, lateralmente e, com o rio Guadiana ao fundo, onde existiam muitos esconderijos, desde moitas de tamujeiras e de outros arbustos, além dos silvados e zonas de grandes matagais, como também, à existência de muito gado e de caça, por isso, os lobos andaram por aqui até finais da década de 1940, mas em algumas Freguesias vizinhas ficaram até mais tarde.
Os lobos viviam em alcateias, eram famílias, e tinham o território dividido entre elas, mas por vezes, não respeitavam os respetivos domínios e neste caso, os lobos de Santa Luzia que residiam sobre um rochedo chamado entalão da moura, passavam a ribeira de Lucefécit para o lado de Capelins, onde atacavam o gado dos lavradores, e os do lado de cá atacavam o gado de lá, acontecendo o mesmo em relação a Monsaraz.
Os lobos da Freguesia de Capelins tinham o seu território para o lado da Ribeira de Azevel, até ao domínio dos lobos de Monsaraz, mas como era uma área muito batida por caçadores, pelo menos desde a centúria de 1700, tinham o seu covil num matagal com algumas rochas, na herdade do Assento, depois Monte Seco, perto do Monte da Vinha, nas chamadas courelas das lobas.
Assim, os lobos de Capelins, desciam até à Ribeira de Azevel e daí ao rio Guadiana à região do Gato, e rio acima, e para se protegerem, durante a noite, subiam ou desciam, a partir do seu covil, pelo ribeiro do peral que desagua diretamente na Ribeira de Azevel, mas em caso de haver esperas, feitas pelos caçadores, usavam outros caminhos, porque eram muito espertos.
A alcateia das courelas da loba passou por uma época, de boa cama e boa mesa, cresceu muito e começou a fazer muitos ataques ao gado da região e os lavradores e criadores de gado reuniram-se para encontrar uma maneira de a desalojar das courelas das lobas, e acabar com eles.
Os lavradores de Capelins, tinham quase todos espingardas de caça, nesse tempo ainda eram de atacar pela boca, metiam a pólvora e o chumbo pelo cano e apertavam com uma vareta, depois colocavam uma escorva que era picada por uma agulha de aço, o percussor, e disparava, imediatamente, ao contrário das anteriores, nas quais, usavam um pedacinho de pederneira para fazer explodir a pólvora, mas dava tempo aos lobos de se meterem a milhas e, assim, começou a caça feroz aos lobos de Capelins.
Os lavradores faziam batidas, esperas e armavam laços aos lobos e depressa lhe deram grande desbasto na alcateia das courelas das lobas, ficou apenas uma loba com três filhos pequeninos, porque, não a faziam sair do covil de junto dos filhos, lá ficava a alimentá-los vários dias sem comer, só em noites muito escuras, conseguia sair e, como conhecia muito bem a região, não caia nas armadilhas, ia a um rebanho e não matava as ovelhas, levava apenas um borrego ou outro, muitas vezes perdidos do rebanho, que pouca diferença fazia aos pastores e assim criou os três lobitos.
Como os ataques ao gado desapareceram, os lavradores deixaram a loba em paz, e os seus filhos foram crescendo, mas devido à sua natural rebeldia, ela já não conseguia mantê-los na toca e começaram a fazer as suas descobertas, investindo contra os rebanhos e causando prejuízos, logo, também pela sua inexperiência, em poucos meses, foram abatidos, ficando a loba sozinha, ninguém dava notícias de mais lobos residentes na Freguesia de Capelins.
A loba de Capelins, continuou mais uma temporada no seu covil, sem causar grandes danos na região, os caçadores faziam-lhe esperas, usavam cães para a encontrar, mas ela era muito matreira, não a conseguiam encurralar, porém, começaram a reparar que não havia pegadas na entrada ou saída do covil, pensaram que, tinha mudado o covil para outro lugar, mas não o encontraram em lado nenhum, nem vestígios dela, e confirmaram que tinha desaparecido, ou foi para outra região à procura de um lobo, talvez até tenha passado o rio Guadiana para Espanha num ano de seca, ou morreu de desgosto por ficar sozinha, no interior da sua toca, e foi ela, já nos finais do decénio de 1940, o último lobo, neste caso, loba, da Freguesia de Capelins.
Texto: Correia Manuel
Fotografia: Correia Manuel
Monte Seco de Capelins
quinta-feira, 4 de junho de 2026
A lenda do ti talocadas, de Capelins
A lenda do ti talocadas, de Capelins
terça-feira, 2 de junho de 2026
A lenda da alma penada, da mulher da serra da estrêla, em Capelins
A lenda da alma penada, da mulher da serra da estrêla, em Capelins
segunda-feira, 1 de junho de 2026
A lenda do anjo de Capelins
A lenda do anjo de Capelins
Conta-se que, nos primeiros decénios da centúria de 1700, durante alguns anos, nas noites em que os anjos se movimentavam pela Terra, cuja crença era em 05 de Janeiro, 19 de Março, 31 de Maio, 12 de Agosto e 24 de Outubro, embora se pudessem movimentar sempre que fosse necessário, pela meia noite, alguns ganadeiros, começaram a ver uma silhueta, muito brilhante, de uma linda menina, envolta num manto branco, que descia o curso dos ribeiros, do terraço, do quebra, da silveirinha, do carrão, e depois seguia junto à Ribeira de Lucefécit, até às Azenhas D'El-Rei, onde desaparecia no rio Guadiana.
Este caso, começou a ser muito falado em toda a Freguesia de Capelins e arredores, havia muitas opiniões, algumas pessoas acreditavam, outras não, umas diziam que era um medo, outras uma alma penada, ou que eram as feiticeiras, cada cabeça sua sentença.
O tempo passava e cada vez havia mais pessoas a confirmar o que os ganadeiros contavam, e queriam descobrir o que era aquela figura luminosa, e organizaram grupos que, antes da meia noite iam para sítios onde viam bem o dito percurso, e numa noite toda a gente viu a silhueta da menina, alguns tentaram deitar-lhe a mão, mas não conseguiram, porque não passava de uma imagem sem consistência e era muito rápida a movimentar-se, mas não tiveram dúvidas que era um anjo.
No dia seguinte, não se falava noutra coisa e algumas pessoas diziam que a tinham visto descer desde a Igreja de Santo António, e isso não demorou em chegar aos ouvidos do padre Miguel Galego que, não acreditou, nem deixou de acreditar, era muita gente a dizer o mesmo, por isso, alguma coisa havia.
Estava confirmado parte do mistério, faltava saber o que fazia por ali aquele anjo, e os grupos de curiosos continuaram a trabalhar, já tinham ideia das datas mais prováveis da sua aparição e quando ela voltou a aparecer tiveram a certeza que tinha saído da Igreja e correram a chamar o padre Miguel e o sacristão, para irem ver se alguma campa dos anjinhos estava remexida, levaram um lampião e viram, com os seus olhos, as lages que cobriam uma campa estavam fora do seu lugar e o sacristão confirmou que, era a campa da filha do Moleiro das Azenhas D'El-Rei, chamada Maria de Jesus, que tinha falecido aos 10 anos de idade e era a criança mais carinhosa que tinham conhecido, era alegre e cheia de saúde, depois adoeceu e faleceu, deixando toda a gente muito triste.
Os moradores de Capelins diziam que, devido a menina ser tão carinhosa e bondosa para toda a gente, decerto que, tinha sido escolhida por Deus e Nossa Senhora, para ser mais um anjinho.
Sempre que lhe era permitido por Deus, o anjinho Maria de Jesus ia ver os pais e irmãos ao Moinho das Azenhas D'El-Rei, e numa noite de temporal, o rio Guadiana registou uma grande cheia, e ela salvou o pai de morrer afogado, que se tinha deixado dormir dentro do Moinho, depois de o acordar e ele fugir, em poucos minutos, o Moinho ficou submerso.
O anjinho Maria de Jesus, continuou pelas terras de Capelins durante muitos anos, ajudando os moradores da Freguesia, mas um dia, a sua missão aqui, chegou ao fim, e desapareceu para sempre, mas a sua sepultura está, aos pés da sua madrinha, Nossa Senhora do Rosário, na Igreja de Santo António de Capelins.
Texto: Correia Manuel
Fotografia: Correia Manuel
Nossa Senhora do Rosário - Capelins
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