Vila de Terena, 764 anos do seu primeiro Foral e Concelho
1.
Já na pré história existia,
No Vale Lucefécit, situada,
Uma Vila que estaria,
Ao Deus Endóvélico ligada,
Onde havia muita harmonia,
Por romanos, godos e mouros habitada,
E em mil cento e sessenta e sete, com valor,
Foi conquistada por Geraldo Sem Pavor.
2.
Foi perdida, e reconquistada,
Pelos cavaleiros vilãos,
De Évora, e celebrada,
Como Oydaluiciuez pelos Cristãos,
E por D. Afonso III, foi doada,
Aos Riba de Vizela que então,
Lhe deram o primeiro Foral,
Ficando Terena, um Concelho Real.
3.
Santa Maria de Terena, lhe chamaram,
E três Igrejas mandaram construir,
Na Vila, e em Ferreira, e criaram,
A Câmara, Coutadas, e abrir,
Caminhos, e a povoaram,
Começando a produzir,
O que o Reino precisava,
Deixando de ser terra brava.
4.
O rei D. Dinis a nomeou,
Para um castelo receber,
Não foi ele que o começou,
Mas isso veio acontecer,
Mas lá para o alto passou,
Porque ali não podia ser,
E depois da Vila nova surgir,
A Velha deixaram cair.
5.
Em meados de mil e trezentos, surgiu,
Na Vila Velha, uma Igreja acastelada,
Devido a uma promessa que cumpriu,
A filha de D. Afonso IV, que era casada,
Com o rei de Castela, e aqui decidiu,
Homenagear Santa Maria, onde foi ajudada,
Construindo um Santuário como prova,
Que é de Nossa Senhora da Boa Nova.
6.
Com D. Nuno Martins da Silveira,
Terena tornou-se importante,
Passou a guardiã da fronteira,
Com este Alcaide Mor brilhante,
Que defendeu a bandeira,
Sempre de forma vibrante,
E já com a Igreja de S. Pedro, o orago,
Terena cresceu, com Santo António e Santiago.
7.
No início de mil e quinhentos,
D. Manuel deu-lhe novo Foral,
Mais moderno, com outros elementos,
Que desenvolveu o Concelho, em geral,
E com alguns fundamentos,
A Câmara deu foros para beneficiar,
Os povoadores, destas terras senhoriais,
Com condições especiais.
8.
Até à guerra da Restauração,
Nada de mal aqui se via,
Mas a Vila sofreu uma invasão,
Que quase a destruía,
Foi ocupada e saqueada sem razão,
Destruíram, e levaram o que havia,
O Concelho foi muito fustigado,
E com essa guerra ficou arruinado.
9.
Levou muitos anos a recuperar,
E só por mil e setecentos, voltou,
Ao normal, a produzir e a superar,
A destruição, e a ruína que ficou,
Então, alteraram o sistema senhorial,
A Câmara fez aforamentos e apoiou,
E durante mil e setecentos e oitocentos vibrou,
Até que o seu Concelho acabou.
10.
Quando das guerras liberais,
Apoiou o rei D. Miguel,
Porque os padres foram leais,
E teve um final cruel,
Terena foi castigada, demais,
Por a D. Pedro IV ter sido infiel,
Perdeu o Concelho memorial,
Que passou para o Alandroal.
11.
A Vila foi abandonada,
E caiu no esquecimento,
A população foi enganada,
Prometeram-lhe desenvolvimento,
Mas não lhe deram quase nada,
E começou o seu despovoamento,
Continuando adormecida,
Esperando a obra prometida.
12.
Setecentos e sessenta e quatro anos, passaram,
Em vinte de Fevereiro, do corrente,
Desde o Foral do Concelho, ficaram,
A história e a cultura da sua Gente,
Que Terena sempre amaram,
E continuam no presente,
Com o mesmo sentimento,
Porque foi aqui seu nascimento.
Singela homenagem à Vila de Terena pelos 764 anos da fundação do seu Concelho em 20 de Fevereiro de 1262.
Terena, Fevereiro de 2026
Correia Manuel
Vila de Terena