terça-feira, 21 de maio de 2019

556 - Terras de Capelins
História e tradições das terras de Capelins
O jogo do Xito nas terras de Capelins
Este jogo, é conhecido nas terras de Capelins e, em todo o Concelho de Alandroal, desde há mais de dois séculos, mas não encontramos provas sobre a sua origem, no entanto, parece ter vindo da vizinha Espanha, uma vez que, é semelhante a um jogo com cartas, mas com algumas regras comuns, entre elas, o "envidar"!
Um dos elementos fundamentais, para se poder jogar ao xito, é um cartuxo metálico de um projétil, mas existem outros cartuxos como os das espingardas de caça, feito em cartão ou plástico com maiores dimensões do que o cartuxo metálico de projétil, o qual, em espanhol é "El cartuxito", pequeno cartuxo, por isso, é nossa convicção que, com o passar dos séculos, acabou por derivar de jogo do "cartuxito" para jogo do "xito"!
O jogo do xito, pode ser jogado de mão a mão, entre apenas dois jogadores, ou por equipas, sendo uma equipa formada por dois elementos, com objetivo comum, a qual, joga com outra, ou mais equipas, o máximo três, por causa da confusão!
Este jogo, joga-se usando uma laje de xisto retangular lisa, com cerca de vinte e cinco centímetros de largura e trinta de comprimento, ou até menor, ou seja, a que se puder arranjar!
Como antigamente, o piso de algumas casas era de xisto, então, podia jogar-se no próprio chão, sendo marcado na pedra de xisto, ou no chão, um sinal, geralmente uma cruz com uma covinha no cruzamento que, se designa "cama" do xito ou "ponto"!
Como antes referimos, o xito, é um cartuxo metálico de projétil, com cerca de seis centímetros de comprimento!
O vintém é, normalmente uma moeda de vinte réis com a esfinge de D. Carlos ou D. Luís, não deve ser leve, nem muito pesada!
A pontuação do jogo do xito é a seguinte:
1 - Derrubar o xito, chama-se "data" vale sempre 2 pontos!
2 - Derrubar o xito e tirar o ponto, que consiste em deixar o vintém mais próximo da "cama" do xito de entre todos os jogadores, ou seja, data + o ponto, vale 3 pontos!
3 - Envidado + uma data + o ponto, vale 6 pontos!
4 - Envidado + Revidado + uma data + o ponto, vale 9 pontos
5 - O jogo termina, sendo ganho pelo jogador ou equipa que, primeiro fizer 24 pontos!
6 - É vencedor quem ganhar a "partida", ou seja, quem primeiro ganhar dois jogos!
Cada jogador, por sua vez, coloca-se a cerca de dois metros e meio de distância do xito, chama-se "calha" e, se o jogo for de mão a mão, são dois jogadores, em duas equipas, ou até três, sendo assim, quatro ou seis jogadores!
Duas Equipas:
1 - O primeiro jogador, cuja vez, é antes disputada entre, apenas um elemento de cada equipa que, apontam e atiram o vintém ao xito e, o vintém que ficar mais próximo da cama, será essa a equipa a sair com o primeiro jogador da primeira equipa que, atira o vintém ao xito, com intenção de o derrubar e, ao mesmo tempo, tentar que, o vintém fique sobre a cama do xito ou, o mais próximo possível, se o derrubar ganha, imediatamente dois pontos para a sua equipa, esses dois pontos já ficam cativos até ao fim da jogada que, é quando todos os pontos são somados e atribuídos às respetivas equipas que os ganharam!
2 - A seguir, joga o primeiro jogador da segunda equipa que, também tem como objetivo derrubar o xito e, ao mesmo tempo deixar o seu vintém o mais próximo possível da cama, se derrubar o xito ganha dois pontos para a sua equipa e, se deixar o seu vintém melhor posicionado, mais perto da "cama", do que o do jogador que jogou antes, pode "envidar" a jogada, convencido que o jogador seguinte, da equipa adversária, não consegue tirar-lhe o ponto!
3 - Depois, joga o último dos dois jogadores da primeira equipa, a jogada pode estar "envidada", por isso, ele vai fazer o melhor que puder para derrubar o xito e tirar o ponto, tentando picar o vintém do outro jogador e, deixar lá o seu! Se conseguir ganhar o ponto, também ganha o "envidado"! Assim, se este jogador, conseguiu derrubar o xito e tirar o ponto, então, na esperança de que o último jogador da segunda equipa não lhe consegue tirar o ponto, pode "revidar" a jogada!
4 - Por fim, joga o último jogador da segunda equipa, a jogada pode estar "envidada" e "revidada", este jogador, vai tentar derrubar o xito e tirar o ponto, se o conseguir, a sua equipa ganha no total onze pontos, incluindo a "data" do seu colega de equipa, se não conseguir, esses pontos ficam para a equipa adversária!
5 - Todas as situações descritas, quase sempre envolvem grande ritual, algazarra e discussão, muitas vezes, têm de ser chamados outros jogadores respeitados, alheios ao jogo para servirem de árbitro e, dizer de quem é o ponto, são feitas medições com os mais estranhos instrumentos, sendo, antigamente, muito usada a mortalha de papel onde enrolavam o tabaco para cigarros que, pela sua sensibilidade não empurrava os vinténs do seu lugar, no momento das medições! No caso de, se concluir que, os vinténs estão ambos à mesma distância da "cama", os donos desses vinténs têm que ir, novamente, disputar o ponto, depois o que ficar mais próximo da "cama" do xito, ganha os pontos em causa nessa jogada, só não ganha os pontos das "datas" dos jogadores adversários!
A seguir, inicia-se outra jogada, começa a jogar o jogador que tirou o ponto na jogada anterior e, continua tudo igual até uma das equipas chegar primeiro a vinte e quatro pontos, ganhando o jogo, mas só vence quem ganhar a partida, que são dois jogos, portanto, continuam a jogar até uma das equipas ganhar dois jogos, como dissemos a partida!
Só no fim de cada jogada se levantam da pedra, todos os vinténs, se for por equipas, um de cada jogador!
Quando terminar a partida, a equipa que perder tem de pagar as bebidas!

De mão a mão
Se o jogo do Xito, for de mão a mão, significa que, é apenas entre dois jogadores, em cada jogada, os jogadores jogam duas vezes, com dois vinténs cada um e, só no fim da jogada se levantam da pedra, os quatro vinténs! O jogo é completamente igual, como foi descrito entre equipas!
As bebidas, em meados do século XX, eram copos de três tostões, ou seja, trinta centavos de escudo!
O jogo do xito, pode durar uma hora, ou menos, mas também pode durar uma tarde e toda a noite!
Nas terras de Capelins e vizinhas, existiam torneios ou campeonatos do jogo do xito, sendo noutros tempos, um dos jogos mais populares que se jogava nas tabernas, sempre acompanhado com um copo de três.

Fim


Xito

domingo, 12 de maio de 2019

555 - Terras de Capelins 
História do Património da Freguesia de Capelins 
Os Moinhos Hidráulicos da Freguesia de Capelins 
22 - Moinho do Coronheiro de Baixo 
O Moinho do Coronheiro de Baixo, situa-se na margem esquerda da Ribeira de Azevel, junto à herdade do Roncanito, no final do curso desta Ribeira, já muito próximo da sua foz, no saudoso rio Guadiana! 
O Moinho do Corunheiro de Baixo é de rodízio ou roda horizontal, com um aferido, um casal de mós e uma roda motriz! 
Este Moinho, por se encontrar já muito baixo no curso da Ribeira, estava sujeito a maior impacto das cheias, por isso, tem uma estrutura mais robusta e, cobertura com abóbada em pedra! Tem porta de acesso oposta à ribeira, rasgada num dos lados! A sua planta é simples, retangular, disposta paralelamente ao curso de água da Ribeira e, o açude não tem caneiro ou pesqueira fixa! 
O proprietário do Moinho do Corunheiro de Baixo, era o mesmo do Moinho do Gato, estando situados muito próximos um do outro, sem mais nenhum entre ambos, na Freguesia de Capelins!
O Moinho do Corunheiro de Baixo, tal como a maioria dos Moinhos desta região, deixou de funcionar na década de 1960.


O Moinho do Corunheiro de Baixo fica por aqui 


554 - Terras de Capelins
História do Património da Freguesia de Capelins
Os Moinhos Hidráulicos da Freguesia de Capelins
21 - Moinho do Catacuz
O Moinho do Catacuz, situa-se na margem esquerda da Ribeira de Azevel, junto à herdade do Roncanito, no final de mais uma curva no curso desta Ribeira, já próximo da sua foz, no saudoso rio Guadiana!
O Moinho do Catacuz é de rodízio ou roda horizontal, decerto, com apenas um aferido, de submersão parcial ou total durante o inverno, com um casal de mós e uma roda motriz!
Este Moinho, por se encontrar já muito baixo no curso da Ribeira, estava sujeito a maior impacto das cheias, por isso, tem uma estrutura mais robusta e, cobertura com abóbada em pedra! Tem porta de acesso oposta à ribeira, rasgada num dos lados! A sua planta é retangular disposta paralelamente ao curso de água da Ribeira, o açude não tem caneiro ou pesqueira fixa!
O Moinho do Catacuz, tal como a maioria dos Moinhos desta região, deixou de funcionar na década de 1960.

O Moinho do Catacuz fica por aqui



sábado, 11 de maio de 2019

553 - Terras de Capelins
História do património da Freguesia de Capelins

Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins

20 - Moinho das Piteiras

O Moinho das Piteiras, situa-se na margem esquerda da Ribeira de Azevel, junto à herdade do Roncanito, dentro de uma curva bastante acentuada do leito desta Ribeira, no seu curso em direção ao saudoso rio Guadiana!
O Moinho das Piteiras é de rodízio ou roda horizontal, decerto com um aferido de submersão parcial ou total durante o inverno, um casal de mós e uma roda motriz!
Este Moinho, como quase todos, senão todos na Freguesia de Capelins, tem estrutura robusta, cobertura com abóbada em pedra e, porta de acesso oposta à ribeira, rasgada num dos lados! A sua planta é retangular disposta paralelamente ao curso de água da Ribeira, o açude não tem caneiro ou pesqueira fixa!
O Moinho das Piteiras era do mesmo proprietário do Moinho de Calvinos, tendo a missão de substituir este, durante os meses em que o rio Guadiana o submergia e impedia o seu funcionamento!
Este Moinho, à semelhança da maioria dos Moinhos desta região, deixou de funcionar na década de 1960 ou, neste caso, mais tarde.

Fim

552 - Terras de Capelins
História do Património da freguesia de Capelins
Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins
19 - Moinho do Major
O Moinho do Major situa-se na margem esquerda da Ribeira de Azevel, junto à herdade do Roncanito, numa das várias curvas descritas por esta Ribeira, no seu curso no limite desta herdade e, da Freguesia de Capelins!
A designação deste Moinho indica-nos que, devia ser propriedade de um Major, o mesmo que mandou construir o Moinho da Volta no saudoso rio Guadiana, sendo a sua alternativa quando as grandes cheias submergiam o Moinho da Volta, durante vários meses de inverno, impedido o seu funcionamento!
O Moinho do Major é de rodízio ou roda horizontal, decerto pequeno, com um aferido ou casal de mós e só uma roda motriz, o açude não tinha caneiro ou pesqueira fixa!
O Moinho do Major, como tantos outros nesta região, deixou de funcionar na década de 1960.


O Moinho do Major fica por aqui - Azevel



sexta-feira, 10 de maio de 2019

551 - Terras de Capelins
História do Património da Freguesia de Capelins
Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins
18 - Moinho do Ramalho
O Moinho do Ramalho, situa-se na margem esquerda da Ribeira de Azevel, junto à herdade do Roncanito, um pouco abaixo do Moinho do Melo, numa pequena curva onde esta Ribeira se empurrava, um pouco, a vizinha Freguesia de Monsaraz!
A sua designação, do Ramalho, leva-nos a pensar que, este Moinho herdou o nome da pessoa que o mandou construir!
O Moinho do Ramalho era de rodízio ou roda horizontal, com um aferido, ou casal de mós, decerto pequeno, porque a sua laboração não ia além dos meses de inverno, quando a Ribeira de Azevel tinha caudal para mover a roda motriz, depois, o seu Moleiro descia para um dos Moinhos do rio Guadiana, ficando aquele inativo até ao próximo inverno!
Este Moinho, não tinha caneiro ou pesqueira fixa no açude e, terminou a sua atividade na década de 1960.

A fotografia não é do Moinho do Ramalho



550 - Terras de Capelins
História do Património da Freguesia de Capelins
Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins
17 - Moinho do Melo
O Moinho do Melo, situa-se na margem esquerda da Ribeira de Azevel, junto à herdade do Roncanito, no lugar onde a mesma, descrevia algumas curvas devido à geomorfologia e, obstáculos que a mesma encontrava pelo seu caminho em direção ao saudoso rio Guadiana!
A sua designação, decerto, deve-se ao nome da pessoa que o mandou construir, talvez em medos de 1700, uma vez que, estes Moinhos eram quase todos, senão todos, complementares dos Moinho do rio Guadiana que, os substituiam durante os meses das grandes cheias que impediam aqueles de funcionar, nos anos chuvosos os Moinhos do rio Guadiana, podiam estar submersos mais de três meses!
Este Moinho, era de rodízio ou roda horizontal, decerto, com um casal de mós e pequeno, porque o caudal da Ribeira de Azevel era fraco e de pouca duração!
O Moinho do Melo, não tinha caneiro, ou pesqueira fixa no açude!
À semelhança da maioria dos Moinhos da Freguesia de Capelins, também este, finalizou a sua atividade na década de 1960.




A fotografia não é do Moinho do Melo



584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...