domingo, 5 de maio de 2019

543 - Terras de Capelins 
História do Património da freguesia de Capelins 
Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins 

10 - Moinho Novo de Baixo 

Este Moinho, é de rodízio ou roda horizontal, com dois aferidos, cada aferido tem um casal de mós, construído em meados de 1700, ou antes, situa-se na margem direita do Rio Guadiana, a cerca de 300/400 metros abaixo do Moinho Novo de Cima, junto à herdade da Defesa de Bobadela de Baixo, no lugar denominado Moinhos Novos! 
Os Moinhos Novos, de Baixo e de Cima eram os Moinho de água mais próximos da Aldeia de Montejuntos, por isso, tal como o da Cinza, eram os de maior ligação a esta Aldeia e suas gentes!
Através de escrituras feitas no Cartório de Terena, verifica-se que metade deste Moinho foi vendida em 1787 e, novamente em 1791, talvez, porque, nos anos de seca do rio Guadiana, a água não chegava para fazer funcionar os dois Moinhos aqui existentes, dando origem a demandas em Tribunal e a zangas entre os seus proprietários! 
Como referimos, estes dois Moinhos foram construídos à volta dos meados de 1700, pensamos que, o Moinho Novo de Baixo, como referimos, com dois aferidos, foi construído primeiro do que o de Cima, com três aferidos, nenhum destes Moinhos tinha caneiro ou pesqueira no açude! Sabe-se que, os Moinhos aqui edificados, foram sendo acrescentados, em conformidade com o crescimento demográfico da Freguesia de Santo António do Termo de Terena e desta região! Como estes dois Moinhos, foram designados de "Novos", significa que, exceto o Moinho do Bolas, os outros oito, situados no rio Guadiana, na Freguesia de Capelins, foram construídos antes deles, talvez, nas primeiras décadas de 1700, alguns antes, mas o Moinho Velho parece ser da época romana!
Também, o Moinho Novo de Baixo, deixou de fazer farinha nos finais dos anos de 1960. 

Moinho Novo de Baixo - Capelins 



sábado, 4 de maio de 2019

542 - Terras de Capelins 
História do Património da Freguesia de Capelins 
Moinhos de água da Freguesia de Capelins 
9 - Moinho Novo de Cima 
Este Moinho, situa-se junto a terras da herdade da Defesa de Bobadela de Baixo, a cerca de 300/400 metros dos limites das, atuais duas herdades da Defesa, um pouco para dentro do leito do rio Guadiana! 
É um Moinho de rodízio, ou roda horizontal, construído na segunda metade de 1700, uma vez que, conforme escritura de compra e venda de metade do Moinho Novo de Baixo, por 80 mil réis, em 1787, entre Joaquim José Paes, morador e lavrador na herdade da Cabeça de Mourão e José Martins Inxado de Terena, é mencionado o Moinho Novo de Fora, logo, significa que, também já existia o Moinho Novo de dentro ou de Cima!  
A construção destes Moinhos, nas imediações um do outro acabou por complicar o funcionamento de ambos, porque nos anos de seca do rio Guadiana, não existia água para os dois poderem trabalhar, por isso, na segunda metade de 1800, como os seus proprietários eram diferentes, entraram em demanda em Tribunal, sendo decidido pelo Juíz que, o Moinho Novo de Cima, como tinha três aferidos, podia trabalhar três dias por semana e, o Moinho Novo de Baixo como tinha dois aferidos, trabalhava só um dia por semana, durante a seca!
O proprietário do Moinho Novo de Cima, era o mesmo, do Moinho do Roncão ou Roncanito na Ribeira de Lucefécit, para onde o Moleiro se mudava, quando o rio Guadiana submergia este Moinho que, chegava a ser, dois ou três meses. 

Moinho Novo de Cima 




sexta-feira, 3 de maio de 2019

541 - Terras de Capelins 
História do Património da Freguesia de Capelins 
Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins 
8 - Moinho da Cinza
O Moinho da Cinza, situa-se a cerca de 1.000 metros abaixo do Moinho das Bolas, junto à herdade da Defesa de Bobadela de cima e do Porto da Cinza! 
Prevê-se que, a sua construção, tenha sido nas primeiras décadas de 1700, quando se deu grande mudança na Vila de Ferreira, devido à entrega destas terras à Casa do Infantado e à Casa das Rainhas e o aforamento de algumas courelas a Irmandades e a seareiros!
O lugar onde existe este Moinho, foi muito importante na raia, nesta região, porque, era passagem de barcas, o que deve ter motivado a sua construção aqui! 
Como, as pessoas, animais e mercadorias que passavam, tinham de pagar a "Sisa", que na linguagem popular foi sempre "Cinza", esta situação deu a designação ao "Porto Seco de Terena", ao lugar e ao Moinho! 
Este Moinho, era de rodízio ou roda horizontal e, tinha um açude provido de caneiro ou pesqueira, como o do Moinho do Bolas, permitindo a captura de imenso peixe! 
"O caneiro era uma pesqueira fixa instalada no leito do rio, abaixo dos paredões dos açudes, aos quais era adicionada uma rampa afunilada com uns orifícios laterais na base, chamados «ouvidos», e com um ligeiro declive no sentido inverso ao curso de água, feita de pedra e cal e com estacas verticais de varas de arbusto, ou em ferro! 
Quando os peixes subiam o rio, deparavam-se com o açude, então procuravam o ponto onde era mais fácil galgá-lo, esse ponto era a esquina de junção entre a rampa e o açude! Quando os peixes saltavam, entravam pelos ouvidos da rampa e eram logo apanhados pela corrente e arrastados para dentro da armadilha e das redes! 
O Moinho da Cinza, como quase todos na região, deixou de fazer farinha na década de 1960/70. 

Moinho da Cinza 






quinta-feira, 2 de maio de 2019

540 - Terras de Capelins 

História do Património da Freguesia de Capelins 
Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins 
7 - Moinho das Bolas ou do Bolas
O Moinho das Bolas, situa-se na margem direita do rio Guadiana, a cerca de 1.000 metros abaixo das Azenhas D' El-Rei, nos limites das herdades da Amadoreira e Defesa da Bobadela de cima! 
Este Moinho, é o mais recente no território de Capelins, sendo construído cerca do ano de 1920, por lavradores da região, porque, achavam que lhe eram cobradas maquias excessivas para moer os seus cereais nos Moinhos existentes! 
Como nessa época já existiam pela Europa os Moinhos de Bolas que, faziam a farinha mais fina, começaram a falar que este, seria mais moderno do que os outros e, o seu funcionamento em vez de ser com mós de pedra, seria pela frição de bolas de aço, mas não foi, no entanto, ganhou a designação de Moinho das Bolas, mas na verdade era de rodízio ou roda horizontal, como os já existentes! 
Como foi o último Moinho a ser construído, também foi dos últimos a deixar de laborar.


Moinho das Bolas 


539 - Terras de Capelins 
História do Património da Freguesia de Capelins 
Os Moinhos de água de Capelins 
6 - Moinho das Azenhas D' El-Rei de fora 
O Moinho das Azenhas D' El-Rei de fora, situa-se na margem direita do rio Guadiana, junto à herdade do Roncão Novo, a cerca de 200 metros a sul da foz da Ribeira de Lucefécit, aproveitando o mesmo açude do Moinho de dentro que, está integrado na mesma estrutura de um Moinho espanhol e que ficam ao meio do rio! 
Este Moinho é de rodízio ou roda horizontal e, funcionou durante muitos anos, neste lugar, dentro de uma choça, ou cabanão que, era armado todos os anos depois do inverno, sobre a mó! Quando chegavam as cheias de inverno, retiravam a engrenagem e apetrechos e a choça seguia nas cheias, a pesada mó ficava sempre no seu lugar! 
Este tipo de Moinho, de choça, não era o único no rio Guadiana, mas eram raros e, esta situação existiu no início de 1700, porque temos uma escritura de compra/venda de 1797, a qual, prova que antes dessa data já estava construído em alvenaria, o Moinho das Azenhas D' El-Rei de fora! 
Já em meados do século XX, nos anos de seca, quando o rio Guadiana já não tinha corrente para fazer mover os Moinhos, neste, era colocado um motor que permitia o seu funcionamento e continuava a fazer farinha!
Ao lado dos Moinhos das Azenhas D' El-Rei, existia uma grande casa, com uma parreira à porta, onde residiram vários Moleiros e famílias e, também aqui existia uma fonte com muito boa água!
Este Moinho, como quase todos os outros, esteve em laboração, pelo menos, até finais da década de 1960.


Azenhas D' El-Rei 1976 


quarta-feira, 1 de maio de 2019

538 - Terras de Capelins 
História do Património da Freguesia de Capelins 
Os Moinhos de água da Freguesia de Capelins 
5 - Moinho das Azenhas D' El-Rei de dentro
Este Moinho, está submerso e, situa-se no lugar das Azenhas D' El-Rei, um pouco abaixo da foz da Ribeira de Lucefécit, junto à herdade do Roncão Novo! 
É um Moinho de rodízio, ou roda horizontal, com um açude que, atravessava o rio Guadiana desde a herdade do Roncão à margem esquerda do mesmo rio do lado Espanhol, o qual, canalizava a água até à sua engrenagem que, através da mó, transformava os cereais em farinha! 
Conforme uma lenda, contada nas terras de Capelins, este Moinho, foi mandado construir por D. João IV, cerca de 1650, por isso, ficou a designar-se Azenhas D' El-Rei! Mas sabemos que, nos finais de 1700, não era do Reino, era propriedade da Família Cominho!
O Moinho da Azenha D’El Rei de dentro, dispunha de uma abertura ou janela na sua parede divisória interior, correspondente à linha de fronteira entre Portugal e Espanha que, foi encerrada por ocasião da Guerra Civil de Espanha (1936-1939), porque, foi denunciado que seria ponto de observação de eventuais refugiados, sobre quem se aproximava deste lugar! 
Como este Moinho, foi construído primeiro do que o de fora, o acesso ao mesmo, ficou a ser feito pelo interior do Moinho de fora, embora fossem de proprietários diferentes!
À semelhança dos outros Moinhos da Freguesia de Capelins, a sua laboração terminou na década de 1960.


Moinhos do Rio Guadiana

Azenhas D' El-Rei - Capelins 



537 - Terras de Capelins 

História do património da Freguesia de Capelins 
Os Moinhos de água de Capelins 
4 - Moinho do Roncão ou Roncanito 
Este Moinho, está submerso e, situa-se na margem direita da Ribeira de Lucefécit, acima da foz do Ribeiro do Carrão, junto à herdade do Roncão que lhe deu a sua designação! 
É um Moinho de rodízio, ou roda horizontal, com um açude que atravessava a Ribeira e, ligava as margens entre as herdades do Roncão e a herdade do Aguilhão, o qual, canalizava a água até à sua engrenagem que, através da mó, transformava os cereais em farinha! 
Este Moinho, deve ter sido construído há cerca de trezentos anos, nas primeiras décadas de 1700, talvez pelo Conde da Torre, ou D. João de Mascarenhas, ou D. Fernando de Mascarenhas, também Marquês de Fronteira, nessa época, rendeiro da herdade do Roncão que, nos parece era propriedade da Casa da Rainha! 
O Moinho do Roncão, encontra-se mencionado em alguns Registos Paroquiais da Paróquia de Santo António, devido a algumas tragédias, em várias datas, entre as quais, o falecimento do filho do Moleiro João Roíz de Goes, de Santiago Maior, no dia 31 de Agosto de 1742 e, da sua esposa Esperança Maria, no dia 7 de Setembro de 1742, cuja tragédia se repetiu com o mesmo Moleiro em 1748! 
O Moinho do Roncão, sempre assim registado em todos os documentos antigos e, não do "Roncanito", tinha duas casas de apoio, também para habitação do Moleiro e família e outras famílias, afastadas da área de inundação das grandes cheias da Ribeira.



Moinho de água 

A fotografia não é o Moinho do Roncão

(Abóboda?) 


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