sábado, 16 de março de 2019


514 - Terras de Capelins 
História da Villa de Terena o nosso Concelho entre 1262 e 1836 
Documento do Rei D. Manuel I 
JOÃO SOARES, NOMEADO JUIZ DAS SISAS DA VILA DE TERENA SUCEDENDO A RUI MARTINS, MORADOR NA VILA DE VEIROS.
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/CHR/K/42/115-485
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1513-07-11 A data é certa a 1513-07-11 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE
12 linhas.
EXTENSÕES
12 Livros
ÂMBITO E CONTEÚDO
O cargo estava vago há 2 ou 3 anos fazendo com que os recebedores tivessem de andar seis léguas, dum lugar ao outro. Pagou de ordenado 150 reais. El rei o mandou pelo barão de Alvito, do Conselho e vedor da fazenda. Jorge Fernandes a fez.
COTA ATUAL
Chancelaria de D. Manuel I, liv. 42, fl. 115 





513 - Terras de Capelins 
História da Villa de Terena o nosso Concelho entre 1262 e 1836 
Documento do Rei D. Manuel I 
NOTIFICAÇÃO AOS JUIZES, CONCELHO E HOMENS BONS DA VILA DE TERENA, DA MERCÊ A MARCOS VARELA, ESCUDEIRO, CRIADO DO CHANCELER-MOR, DO FÍCIO DE ESCRIVÃO DOS ORFÃOS, DA CÂMARA E DA ALMOTAÇARIA DESSA VILA, COMO FORA NUNO DO REGO, QUE FALECERA.
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/CHR/K/15/115-351V
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1514-08-18 A data é certa a 1514-08-18 A data é certa
ÂMBITO E CONTEÚDO
El-rei a mandou pelo doutor Rui Boto, etc. Pero Gomes a fez.
COTA ATUAL
Chancelaria de D. Manuel I, liv. 15, fl. 115v 





512 - Terras de Capelins 
História da Villa de Terena o nosso Concelho entre 1262 e 1836 
Documento do Rei D. Manuel I 
Está no Arquivo Nacional da Torre do Tombo
NOTIFICAÇÃO AOS JUIZES, CONCELHO E HOMENS BONS DA VILA DE TERENA, DA MERCÊ DE TABELIÃO DO PÚBLICO E JUDICIAL DESSA VILA E SEU TERMO A JOÃO SOARES, CRIADO DE LOURENÇO FARIA, FIDALGO DA CASA DEL-REI, COMO FORA NUNO REGO, QUE FALECERA.
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/CHR/K/23/23-154V
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1504-07-26 A data é certa a 1504-07-26 A data é certa
ÂMBITO E CONTEÚDO
El-rei a mandou pelo Dr. Rui Boto. Baltazar Fernandes a escreveu.
COTA ATUAL
Chancelaria de D. Manuel I, liv. 23, fl. 23v 




511 - Terras de Capelins 
História das Misericórdias 
A 15 de Agosto de 1498 em Lisboa, no ano em que os navegadores portugueses atingiam a Índia, surgia a primeira misericórdia portuguesa em resultado da especial intervenção da Rainha D. Leonor, e com o total apoio do Rei D. Manuel I.

O desenvolvimento da expansão marítima, da atividade portuária e comercial favorecia o afluxo de gente aos grandes centros urbanos, como era o caso de Lisboa. Gente que vinha à procura de trabalho ou de enriquecimento, numa busca muitas vezes sem frutos. As condições de vida degradavam-se. As ruas transformavam-se em antros de promiscuidade e doença, aglomerando-se pedintes e enjeitados. Também os naufrágios e as batalhas originavam grande número de viúvas e órfãos, e a situação dos encarcerados nas prisões do Reino era aflitiva.
Neste contexto difícil, D. Leonor, rainha viúva de D. João II, resolve instituir uma Irmandade de Invocação a Nossa Senhora da Misericórdia, na Sé de Lisboa (Capela de Nossa Senhora da Piedade ou da Terra Solta), onde passou a ter sede. Ao fim de quase um século de navegações oceânicas, surgia, desta forma, uma nova confraria orientada por princípios estabelecidos no Compromisso (estatuto ou regulamento) da Misericórdia. 


domingo, 24 de fevereiro de 2019

510 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins
A lenda da mendiga que mudou a vida do ti Manoel Lopes 
O ti Manoel Lopes, era um homem muito pobre, como a maioria dos moradores da Vila de Ferreira nessa época, era casado com a ti Anna Maria e pai de quatro filhos de tenra idade, moravam em Capelins de Baixo e, trabalhava como jornaleiro na herdade da Zorra, onde mal ganhava para sustentar a família, embora a mulher ajudasse, sazonalmente, na monda e nas ceifas, muitas noites, tinham de enganar o estômago, com umas papas de farinha de trigo, torrada no forno comunitário da Aldeia, quando faziam a cozedura do pão. 
Esta família, faziam uma pequena amassadura de oito em oito dias, dividindo o forno com a comadre Maria Domingas, davam duas feixas de lenha cada uma para o aquecerem, mas o pão era muito à conta, não se podiam alargar senão, já não chegava até à próxima cozedura, logo tinha de pedir algum emprestado! 
O ti Manoel Lopes, não aceitava andar a "de comer", porque nesse caso, a jorna ainda era mais pequena, pelo que, recebia mais alguns réis no fim da semana, mas era obrigado a levar o jantar (almoço) para o trabalho, porém, à noite voltava mais cedo para casa, porque não tinha de esperar pela ceia (jantar) no Monte da Zorra! 
Quando entrava em casa já os filhos dormiam e quando saia de madrugada ainda ficavam a dormir mas, ao menos, dormia com a ti Anna na sua cama, com enxargão de palha de centeio e um colchão de lã em cima, era melhor do que as tarimbas que tinham dois sacos de serapilheira meios de palha, que existiam nas cabanas dos animais, onde dormiam outros trabalhadores! 
A vida do ti Manoel Lopes e da ti Anna, era muito dura, como a de toda a gente, ele trabalhava de sol a sol, mas ao raiar da aurora, já tinha de estar a prepara os animais para começar a trabalhar e, depois do pôr do sol ainda tinha de arrumar as alfaias, entregar as mulas ou os bois ao maioral, nas cabanas e, só depois podia seguir para sua casa em Capelins de Baixo!
Na madrugada do dia 1 de Abril de 1802, quinta-feira, o ti Manoel Lopes, como sempre, seguia o caminho do Monte da Zorra e, quando chegou ao alto do malhão, ainda pouco se via, mas vislumbrou um vulto à sua frente que se dirigia na sua direção, não ficou assustado mas preparou-se em defesa com o pau ferrado, o vulto continuava a mover-se muito lentamente, era uma pessoa arrastando os pés! 
O ti Manoel, já muito próximo, reparou que era inofensiva e, antes de proferir qualquer palavra ouviu uma voz: 
Vulto: Bom dia! Não tenha medo, eu não faço mal a ninguém! 
Ti Manoel: Bom dia! Ah, é uma vagabunda, a uma hora destas! 
Vulto: Sou uma mendiga, sua criada! Ajude-me, por Deus, ajude-me! 
Ti Manoel: Criada de Deus! Oh mulher, eu vou para o trabalho e não me posso atrasar senão o lavrador despede-me e não posso ficar desempregado! Tenho quatro filhos lá em casa e a mulher para dar de comer! Vá, mas diga lá o que quer? 
Mulher: Dê-me um bocadinho de pão! Estou cheia de fome, desde ontem que não como nada! 
Ti Manoel: Olhe, eu também pouco comi! O pão que tenho aqui na alcofa ficou a fazer falta lá em casa aos meus filhos e mal dá para uma bucha e para o meu jantar (almoço)! Não posso, não posso! 
Mulher: Dê-me só uma dentadinha, por amor a Deus! Se não comer uma dentadinha de pão, não chego a Capelins de Baixo! Estou muito fraquinha! 
Ti Manoel: Mau, mau, se lhe dou um bocadinho de pão, como é que eu passo o dia de trabalho? Não posso, não, não posso! 
Mas naquele momento, alguma força sobrenatural abanou o ti Manoel, e pensou: tenho o dia todo à minha frente para resolver a situação, agora, é agora, tenho de acudir à desgraçada", então, abriu a alcofa, cortou  metade do pão, tirou metade das azeitonas, duas passas de figo e entregou à mendiga, dizendo:
Ti Manoel: Tome lá, como vê, é metade do que levo para comer em todo o dia e o trabalho vai ser muito duro, mas ainda tenho o dia todo para resolver isso! Sente-se e coma descansadinha para ganhar forças!Tenho de ir já a correr até ali ao Monte da Zorra! 
A mulher agradeceu, desejou-lhe um bom dia e ainda murmorou: "Fica descansado, que não te vai faltar comida e pela boa ação a tau vida vai mudar, ai vai, vai"! O ti Manoel ainda ouviu, mas não percebeu tudo, porque já ia a correr para recuperar o tempo que esteve ali parado com a mendiga! 
O ti Manoel, deu uma corrida e chegou a horas ao Monte da Zorra, recebeu as ordens do feitor, sobre o trabalho que ia fazer, preparou a parelha de mulas e seguiu para o lugar que ele lhe indicou! 
Assim que lá chegou, pendurou a alcofa num chaparro e, até à hora da bucha, não se lembrou mais do encontro com a mendiga e da partilha da comida que tinha feito! Como estava com muita fome, partiu metade do pão que restava e comeu-o com duas passas de figos, ficando na alcofa uma fatia de pão, duas passas de figos, umas azeitonas e um bocadinho de toucinho para o jantar (almoço) e tinha de restar alguma coisa para merenda a meio da tarde! Era pouco, para quem tinha de despender tanta energia até ao pôr do sol, mas não havia mais nada!
Chegou o meio dia, o ti Manoel pegou na alcofa e ficou surpreendido, porque estava muito pesada, ficou desconfiado que estava trocada com a de outro trabalhador, mirou-a bem e ficou sem dúvida que era a dele, abriu-a com cuidado e o que viu aumentou a surpresa, porque tinha lá dentro um tarro e um pão inteiro, então dirigiu-se aos outros trabalhadores e perguntou: 
Ti Manoel: Olhem lá! Algum de vocês tem a alcofa trocada? 
Os trabalhadores que não andavam a "de comer" eram poucos, já estavam a comer e responderam todos que não! Cada um, tinha a sua alcofa!
Ti Manoel: Então, viram alguém mexer na minha alcofa? 
Os companheiros, um pouco impacientes, responderam todos que não! 
Ti Manoel: Ora essa! Mas alguém mexeu na minha alcofa! Não seria o Escamel? (Era o criado do lavrador que fazia serviços da casa e levava o jantar "almoço" aos trabalhadores que andavam a "de comer")! 
Os companheiros ainda mais impacientes, responderam que não! O Escamel tinha subido ao lado do Ribeiro do Carrão e não tinha passado dali para cima, para o lugar onde estavam as alcofas! E quiseram saber o que lhe faltava na sua alcofa! 
Ti Manoel: Não me falta cá nada na alcofa! Tenho é cá coisas a mais! Um pão e um tarro que não são meus! 
Os companheiros riram e tiveram todos a mesma opinião: "decerto tinha sido a ti Anna que tinha aviado a alcofa sem ele saber o que lá vinha"! O ti Manoel ia negar, mas lembrou-se da mendiga e a conversa acabou ali!
O ti Manoel abriu o tarro e ficou assustado, estava cheio de lombo, entrecosto, torresmos e toucinho, ainda quentes, emanando um aroma que se espalhou em redor, originando alguns comentários dos companheiros! O ti Manoel ficou na dúvida em lhe tocar, começou por comer o resto do pão, as passas de figos, as azeitonas e o toucinho, depois não se conteve e cortou um bocado do pão mole, comeu um torresmo e um bocadinho de entrecosto, estavam deliciosos! 
Quando merendaram, comeu um torresmo com um bocadinho de pão e guardou tudo na alcofa, pensando na mulher e nos filhos! 
O ti Manoel Lopes, logo que soltou do trabalho, arrumou tudo e foi a correr para casa com a alcofa às costas, onde levava o pão e o tarro cheio de boa comida, na esperança de ainda apanhar os filhos levantados! 
Quando entrou em casa, chamou por eles, deixando a ti Anna surpreendida,  porque ele sabia que já eram horas de eles estarem a dormir e perguntou-lhe: 
Ti Anna: Oh Manoel, o que se passa contigo homem? Então, não sabes que os gaiatos a esta hora já estão sempre a dormir? 
Ti Manoel: Sei, sei, mas podia ser que hoje ainda estivessem acordados, trazia-lhe aqui uma surpresa! 
Ti Anna: Olha, eu é que tenho uma surpresa para ti, esteve aqui uma mendiga a pedir-me um bocadinho de pão e disse-me que te conhecia! 
Ti Manoel: O quê? Uma mendiga que me conhece? Como é que ela era? 
Ti Anna: Era como as outras mendigas, mas muito fraquinha, estava cheia de fome, até arrastava os pés! Olha, disse-me  para comermos com satisfação o que estava dentro do tarro que tu lá tinhas e para te dizer que a nossa vida ia mudar para melhor! 
Ti Manoel: Oh Anna, se não fosse aparecer-me o tarro e um pão na alcofa, não acreditava em nada mas, assim acredito! Agora já sei que foi ela! 
Ti Anna: Foi ela o quê, homem? Que coisa mais estranha! 
O ti Manoel, contou à ti Anna o que se tinha passado no encontro com a mendiga de madrugada no alto do malhão e ambos concordaram que tinha sido ela a colocar o tarro e o pão na alcofa do ti Manoel!  
A seguir, abriram o tarro e a ti Anna ficou sem palavras, no entanto, cearam (jantaram) as sopas de grãos que já estavam prontas e em cima comeram um torresmo cada um e um bocadinho de entrecosto com pão ainda mole!
No dia seguinte, a ti Anna aviou uns torresmos e um bocadinho de entrecosto para o jantar (almoço) do ti Manoel e o restante ficou guardado para os filhos! 
O dia de trabalho decorria normal, mas à hora do jantar (almoço) o feitor foi falar com o ti Manoel! 
Feitor: Boa tarde ti Manoel, venho dar-lhe um recado do lavrador! 
Ti Manoel: Boa tarde, ti Silvestre! Sim, está tudo bem! Então, o que é que o lavrador me quer? 
Feitor: Olhe, o lavrador mandou-me perguntar-lhe se quer vir morar com a sua gente cá para o Monte? Mas não precisa de dar já a resposta, pode falar com a sua mulher e amanhã diz-me! 
Ti Manoel: Eu  não preciso de falar com a minha Anna! Diga lá ao lavrador que sim! Quero, quero! 
Feitor: Pronto! Se está decidido, eu digo a sua resposta ao lavrador! Assim, vou andando! Até logo, ti Manoel!
Ti Manoel: Até logo ti Silvestre! Vá com Deus! 
O ti Manoel Lopes, passou a tarde a pensar que havia ali a mão da mendiga, isto era um sinal que a sua vida ia mudar para melhor, mas não percebia porque motivo foi escolhido, uma vez que, qualquer pessoa ajudava os mendigos, não tinha feito nada para merecer aquilo! 
O ti Manoel não reparava que, a boa ação foi ter repartido o pouco que tinha e tanta falta lhe fazia, com quem nada tinha! 
O ti Manoel ficou tão contente que, a tarde parecia nunca mais acabar, estava cheio de vontade de ir contar à ti Anna! Porque, quem morava num Monte de lavradores, não passava mal, havia sempre alguma coisa para comer! 
Quando soltou do trabalho foi em passo de corrida até Capelins de Baixo, nem sentia o cansaço! Assim que chegou, contou logo à ti Anna, deixando-a muito surpreendida e comentou: 
Ti Anna: Ai homem! Não sei o que isto me parece! Achas que tem a ver com a mendiga? Não será feitiçaria? 
Ti Manoel: Oh Anna, então se fosse feitiçaria não era para nos fazer mal? 
Ti Anna: Sim, sim! Mas isto tem tudo a ver com aquela mulher! Seja como for, não podemos desperdiçar uma coisa destas!
Ti Manoel:  Pois não, Anna! Nem eu tinha maneira de dizer que não! Não podia fazer essa desfeita ao lavrador! 
Ti Anna: Então e quando mudamos os trastes? Eles são tão poucos que depressa os levamos! 
Ti Manoel: O dia não sei! O feitor ainda não sabia, o lavrador é que vai dizer! Ainda temos de amanhar o cabanão para onde vamos morar!
O ti Manoel e a ti Anna ficaram muito contentes, mas apreensivos, porque não esqueciam a profecia da mendiga, no entanto, a conversa sobre a mudança da família para o Monte da Zorra ficou por ali!  
No dia seguinte, o ti Manoel Lopes confirmou, novamente ao feitor que aceitava a oferta do lavrador! 
O feitor, foi logo dar a resposta ao lavrador e, recebeu ordens para mandar  amanhar o melhor cabanão, que tinha as paredes mais altas com chão de laje e para o ti Manoel no Domingo levar um carro de parelhas e fazer a mudança dos trastes e da família para esse cabanão! 
No Domingo à tardinha, já estavam instalados junto ao Monte da Zorra, muito felizes com a mudança! Passados alguns dias, o feitor foi falar com o ti Manoel e disse-lhe que, a partir daquele dia passava a ser o maioral das parelhas e por isso, ia ter um aumento da jorna! Foi mais uma grande melhoria na sua vida! 
A ti Anna começou a trabalhar nos diversos serviços domésticos no Monte, dava-se muito bem com a lavradora e com os filhos que, nunca a dispensavam!
 Os anos foram passando, os filhos mais velhos começaram a trabalhar como ajudas de gado, mas as bocas para dar comer, pouco diminuiam, porque a ti Anna ainda teve mais dois filhos, mas tinham uma vida muito desafogada! 
Já moravam no Monte da Zorra há cerca de cinco anos, até que, um dia, inesperadamente o feitor foi prestar contas a Deus, sendo sepultado na Igreja de Santo António! No dia seguinte, o lavrador chamou o ti Manoel e disse-lhe que seria ele o feitor da herdade da Zorra, ficando a ganhar o dobro do que ganhava e com direito a amassadura, à matança  de um porco anual e a outras mordomias! 
O ti Manoel e a ti Anna, ficarm muito contentes e não esqueciam que deviam tudo à misteriosa mendiga, a sua fada madrinha, falavam muitas vezes sobre ela, diziam que gostavam de lhe agradecer, mas nunca mais a viram. 
Era certo que, deviam tudo à mendiga, mas era merecido, devido à boa ação praticada pelo ti Manoel Ramos, porque, apesar de não ter quase nada, dividiu o pouco que tinha com uma desconhecida, ficando em risco de passar fome. 
O ti Manoel e a ti Anna da Zorra, apelido pelo qual era conhecida, passaram o resto da sua vida a residir no Monte da Zorra, até partirem para Santo António, mas os seus descendentes continuaram neste Monte, durante muitas gerações.   
É caso para dizer: "Faça o bem sem olhar a quem"

Fim 

Herdade da Zorra 




domingo, 17 de fevereiro de 2019

509 - Terras de Capelins
História, lendas e tradições das terras de Capelins
A lenda da tragédia no Baldio de Capelins 
Na madrugada do dia onze de Outubro de 1736, o padre da Paróquia de Santo António, Termo da Villa de Terena, Miguel Gliz Galego, foi acordado pelo sacristão Xico Diogo, mais cedo do que era habitual e, ainda atarantado devido ao sono foi ouvindo a notícia do sacristão: 
Sacristão: Senhor prior está ali na rua o Zé Ameixas a participar que acharam um rapaz morto no Baldio, com aspeto de ser muito novo e, quando o encontraram já não tinha cara, parece que foi comida pelos lobos, por isso, não sabem quem é, nem de onde é!
O padre Miguel Galego ouviu o sacristão com muita atenção e, por fim perguntou-lhe: 
Padre: Oh Xico, o que andava o Zé Ameixas fazendo a esta hora da noite naquele Baldio? Ele não mora em Capelins de Cima? 
Sacristão: Sim, ele mora ali, mas é jornaleiro na herdade do Azinhal Redondo de Cima, para onde ia com mais dois ou três homens! 
Padre: Isso agora não interessa! Vamos lá ver o que é que fazemos a esse rapaz?
Sacristão: Pois, senhor prior! Vamos ter de participar à justiça de Terena! A justiça tem de averiguar se foram os lobos que o atacaram ou se foram esses meliantes que andam por aí! E, também têm de saber quem é o rapaz!
Padre: É isso mesmo, Xico, vamos lá tratar disso! Então, eu vou almoçar (pequeno almoço) e depois vou lá a Terena participar ao sargento das ordenanças e tu deixa-me aí a burra albardada, vai com o Ameixas e ficas lá a guardar o corpo, porque os lobos podem voltar, depois, quando os ordenanças lá chegarem, vens e tratas ali da sepultura, eles resolvem o assunto com a Câmara! 
Sacristão: Está bem, senhor prior! Vou albardar a burra e depois vou só ali a casa tirar um bocadinho de pão para ir comendo pelo caminho e vou andando com o Ameixas!
(O Zé Ameixas ganhou este apelido, porque, por tudo e por nada, andava sempre a ameaçar: "levas uma ameixa", logo, ficou o "Ameixas" mas, parece que, era um homem bom, de Capelins de Cima).
O Padre Miguel vestiu-se, comeu as migas com toucinho frito que a Maria a sua criada lhe fez e, com muita calma, preparou o que tinha de levar, montou a burra da Paróquia e partiu para a Villa de Terena, por Faleiros, Ai Ai, Monte Branco, Ribeiro do Alcaide e Vila Velha! 
Dirigiu-se ao quartel das ordenanças, onde foi recebido pelo sargento mor, ao qual contou exatamente o mesmo que o sacristão lhe tinha transmitido! O sargento mor anotou tudo e disse-lhe que ia já enviar uma patrulha averiguar o caso e, só depois de saberem quem era o rapaz e como tinha falecido, dariam a ordem para o sepultar!
O padre despediu-se do sargento e foi tratar de outros assuntos da paróquia, depois, voltou para Santo António, onde chegou a horas de jantar (almoçar) as sopas de grãos com toucinho e carne! 
Passado pouco tempo, o sacristão entrou em casa, deixando o caso entregue à justiça! 
Os ordenanças, fizeram as diligências, um foi à herdade do Azinhal Redondo de Cima falar com os homens que tinham encontrado o rapaz e saber se tinham visto alguém perto daquele lugar, ou alguma coisa que pudesse ajudar na investigação! Anotou as respostas e voltou ao Baldio! Como não tinham mais nada a fazer ali, um ordenança ficou no lugar e o outro foi à Câmara da Vila de Ferreira, dar ordem para fazerem o funeral do rapaz!
Pelas quatro horas da tarde, chegaram à Igreja, dois homens da Câmara com uma carroça para levarem o esquife e, com os ordenanças levantarem o corpo para ser sepultado na Igreja de Santo António.  
À tardinha, o rapaz foi sepultado enrolado num lençol da casa do padre, sem saberem quem era! 
Todos os sinais que no futuro o pudessem identificar, ficaram registados pela justiça e, também, o padre Miguel anotou no registo do óbito a descrição da roupa que ele vestia, calções compridos, de burel, uma jaqueta escura forrada e escreveu que, mesmo sem cara, aparentava ter uns vinte anos, ou menos, assim como, o lugar exato onde tinha sido encontrado! 
Este caso, foi muito comentado na Villa de Ferreira e arredores, porque, os ordenanças concluiram que, tinha sido assassinado à facada por ladrões e se, eventuamente trazia papéis com a sua identidade, foram roubados, não sendo possível conhecer a sua identificação. 
Este caso, foi muito falado nas terras de Capelins e nas vizinhas, o acontecimento foi divulgado por todo o lado mas, não aparecia ninguém a procurar o rapaz, por isso, deduziam que tinha de ser de muito longe! Porém, com o passar do tempo e porque surgiram outras novidades, o caso foi ficando esquecido, até que, passado quase um ano, no dia de S. Miguel, 29 de Setembro do ano de 1737, era perto de meio dia, chegou à Igreja de Santo António, um homem com aparência de muito cansado, montado numa burra! Ordenou a sua paragem e apeou-se, prendeu a burra a uma das argolas fixada na parede da casa paroquial e começou a andar de um lado para o outro, parecia perdido, depois bebeu água de um barril que trazia no alforge, passou a mão pelo rosto e começou novamente a andar, em circulo! 
O sacristão que desde a sua chegada o estava a observar, achou o seu compotamento muito estranho, decidiu aproximar-se da criatura e meteu conversa: 
Sacristão: Bom dia homem! Então, precisa de alguma coisa daqui? Eu sou o sacristão! 
Desconhecido: Bom dia, sacristão! Olhe, preciso e não preciso! 
Sacristão: Mau! Assim, não o entendo! Ou precisa, ou não precisa! 
Desconhecido: Quero dizer, não preciso do serviço do sacristão, mas preciso da sua ajuda por outro assunto! 
Sacristão: Então, diga lá homem! Logo vejo se o posso ajudar!
Desconhecido: Eu chamo-me Manoel Ramos e sou de uma Aldeia chamada Amieira, ao pé de Portel! 
Sacristão: Eu sei onde é essa Aldeia! E vocemecê anda à procura de trabalho, não? 
Ti Manoel: Não, não ando! Ando é metido num grande sarilho! Há uma semana que ando de terra em terra, de herdade em herdade, de Monte em Monte, de Monsaraz para cima, à procura do meu filho que abalou de casa há quase um ano e nunca mais deu notícias! Eu a minha mulher e os meus filhos desconfiamos que ele não está por bem, por isso, queria saber se alguém o viu por aqui! 
Sacristão: Oh homem, como quer que eu saiba? Passa aqui tanta gente! Isso não é fácil, sem saber o nome dele, ou a aparência e, mais ou menos a idade! Eu, de verdade, não tenho visto ninguém desconhecido por aqui nas missas nem pela Freguesia e olhe que eu conheço toda a gente e até nos arredores! 
Ti Manoel: O meu filho chama-se Miguel Ramos, tem agora vinte anos, é alto, cabelo escuro e muito parecido comigo! 
O sacristão olhou o homem de alto a baixo, mas nada, abanou a cabeça em sinal negativo, não se lembrava de ver por aqui nenhum rapaz parecido com o ti Manoel Ramos! 
Sacristão: Não, não me lembro de ver por aí ninguém com essas parecensas! Mas tem algum indício que o leve a pensar que o seu filho veio para estas bandas?
Ti Manoel: Tenho, tenho! O meu Miguel ainda era pequenino, apontava o dedo para o outeiro de Monsaraz e dizia-me: "Pai, além daquele outeiro para riba é que eu quero ir morar quando for grande" e no dia que abalou de casa disse-me que ia procurar a terra dos seus sonhos! Agora, diga-me lá, para onde é que ele havia de ir? 
Sacristão: Tem razão, tem! Então e procurou-o ali pela Aldeia de Mato e por aquelas aldeias e herdades? 
Ti Manoel: Procurei por todo o lado, ninguém o viu por ali! 
Sacristão: Ora essa! Então, e ele veio a pé? Ou trazia alguma montada? 
Ti Manoel: Abalou a pé, com pouco mais do que a roupa que trazia no corpo, lembro-me tão bem, eram uns calções compridos de burel, uma jaqueta escura e, um chapéu castanho e num saco de serapilheira trazia uma manta, um pão, azeitonas e toucinho!  
Nesse momento, o sacristão estremeceu, fez-se luz, e perguntou: 
Sacristão: Vocemecê disse, uns calções compridos de burel e uma jaqueta escura forrada? 
O sacristão levantou os olhos ao céu e murmurou baixinho "ai meu Deus é ele"! O ti Manoel notou no gesto que, ele sabia alguma coisa do filho e decerto não era boa! Deitou as mãos à cabeça, começou a chorar e suplicou ao sacristão para lhe contar o que tinha acontecido! 
O sacristão, já não podia voltar atrás, pediu-lhe para entrar na sua casa, sentaram-se e contou-lhe tudo o que se tinha passado naquele fatídico dia 11 de Outubro de 1736! 
O ti Manoel, chorou muito, depois, pediu ao sacristão se podia ver onde o filho estava sepultado! O sacristão levou-o à Igreja e, com um aceno da cabeça indicou-lhe o lugar da sepultura! O ti Manoel ajoelhou-se e debruçou-se a chorar sobre a sepultura do filho, o sacristão afastou-se devagarinho, deixou-o sózinho e foi contar ao padre Miguel Galego o que se estava a passar! 
O ti Manoel Ramos esteve quase uma hora na Igreja e, quando saiu, o padre estava à sua espera para o confortar! Ele agradeceu ao padre e ao sacristão com um abraço, por terem feito o funeral ao filho! Por fim despediu-se, montou na burra e disse que, depressa voltava ali, ía já embora para ir dormir a Reguengos e no dia seguinte seguia para a sua Aldeia contar a triste notícia à família. 
A notícia do triste acontecimento, depressa se espalhou na Aldeia da Amieira, fizeram o velório, a cerimónia religiosa e, a família iniciou o luto quase um ano após a morte do Miguel!
No dia 10 de Maio de 1738, já muito calor, antes do meio dia, o ti Manoel Ramos, a mulher e quatro filhos,  chegaram à Igreja de Santo António, com tudo o que tinham, transportado por duas burras!
O burburinho à chegada, despertou a atenção do sacristão que andava por ali e, assim que reconheceu o ti Manoel, aproximou-se e meteu conversa:
Sacristão: Bom dia! Olha o ti Manoel! Bem disse que voltava! 
Ti Manoel: Bom dia, sacristão! Como lhe disse, cá estamos! E não viemos mais cedo, porque tivemos muitas coisas a tratar lá na nossa Aldeia! 
Sacristão: Quer dizer, que vieram para ficar por cá? 
Ti Manoel. Sim, sim! Para ficarmos na terra dos sonhos do nosso filho, para sempre! Por isso, quero pedir-lhe se nos pode recomendar a algum lavrador? 
Sacristão: Posso, posso! Há aí muita falta de gente! Como lhe disse o ano passado, conheço aqui tudo, sei quais são as melhores casas! Fique descansado que vão ficar bem! 
Ti Manoel: Obrigado, mas antes disso, ainda quero pedir-lhe se hoje, ou amanhã, nos pode indicar o lugar exato onde encontraram o nosso filho? 
Sacristão: Quando quizer vamos lá, hoje tenho muito vagar e não é longe daqui! 
Ti Manoel: Então, agora podemos ir à sepultura do nosso Miguel? 
Sacrsitão: Olhe, a porta da Igreja está sempre aberta, podem entrar quando quizerem! 
O ti Manoel e a família entraram na Igreja de Santo António, já a chorar e o sacristão entrou em casa, porque a mulher já tinha arredado do lume, as sopas de grãos e estava a pôr a mesa para o jantar (almoço)! 
O sacristão depois de comer saiu de casa e, não demorou, o ti Manoel e a família foram ter com ele!
Ti Manoel: Como ficamos aqui até amanhã, onde é que nos podemos aí arrumar?      
Sacristão: Olhe, podem ficar aí debaixo desses chaparros! É aí que ficam os almocreves e toda a gente que por aqui passa! Aí não há perigo, há aqui muita gente e temos aqui os cães! 
O ti Manoel tirou dois panejões de cima de uma das burras e com a ajuda da mulher ataram uns cordéis e prenderam-nos a um chaparro fazendo uma tenda improvisada que dava abrigo a todos! 
A seguir comeram uma bucha e foram novamente ter com o sacristão para os levar ao lugar onde o Zé Ameixas e os outros jornaleiros tinham encontrado o corpo do Miguel, no Campo do Gracia, no Baldio! 
Quando chegaram ao lugar, o sacristão contou-lhe tudo o que viu e depois voltou para casa! Eles ficaram lá o resto da tarde a chorar, a rezar e a lamentarem-se! O ti Manoel jurou ali, que havia de apanhar os bandidos! 
À tardinha, voltaram à Igreja, à sua tenda, fizeram um Gaspacho, cearam (jantaram) e, como o cansaço era muito, não demoraram em adormecer em cima de uma manta e de uns restos de palha! 
Na manhã seguinte, por coincidência dia 11, arrumaram as coisas, foram novamente à sepultura do Miguel e, com a recomendação do sacristão, depois da despedida e dos agradeciemntos, seguiram para a herdade da Talaveira, onde ficaram a trabalhar e a residir cerca de dois anos, sem nunca faltar à missa de Domingo! 
O ti Manoel Ramos era um homem alto, forte e bem constituído, bom trabalhador e, depressa se destacou nos trabalhos agrícolas na herdade da Talaveira, mas o seu sonho era ser lavrador ou pelo menos seareiro e, como tinha guardado algum dinheiro da venda de alguns bens na Amieira, comprou uma mula, uma carroça, charrua e outros apetrechos para a lavoura, arrendou algumas courelas e foram morar para o Monte do Meio, entre Capelins de Cima e Capelins de Baixo, passando a ser seareiro! 
Esta família, foi ganhando a simpatia dos moradores da Vila de Ferreira, não só pelo que tinha acontecido com o seu filho, mas porque se davam bem com toda a gente! O ti Manoel era considerado um homem bom, por isso, foi eleito vogal da Câmara da Vila! 
O ti Manoel continuava a dizer por todo o lado que, havia de apanhar os bandidos que lhe tinham matado o filho! Todos os dias treinava o manejo do pau ferrado e, passava muitas noites a andar pelos caminhos do Baldio na esperança de os encontrar! 
Quando lhe contavam que eles tinham aparecido em algum lugar, ele corria lá armado com o seu pau ferrado, mas chegava tarde, já não os encontrava! 
Toda a gente lhe dizia para ter cuidado e que seria melhor deixar-se disso, porque eles eram muitos e andavam armados com paus, facas e outras armas! Nem os ordenanças lhe faziam frente, nem os procuravam! Ele respondia sem hesitação, que não tinha medo dos criminosos! 
No dia 10 de Outubro de 1740, como habitualmente, depois de tratar da mula e de cear (jantar), pegou no pau ferrado e seguiu para o Baldio, antes, disse à mulher que, não se demorava, mas demorou, durante a noite não voltou ao Monte do Meio! A mulher, não dormiu e de madrugada foi bater à porta do Alcaide da Câmara da Vila de Ferreira a pedir ajuda, para o procurar no Baldio, porque, decerto, não estava por bem! 
O Alcaide, foi chamar alguns homens e foram direitinhos ao lugar onde tinham encontrado o filho do ti Manoel Ramos na madrugada do dia 11 de Outubro de 1736, quatro anos antes, por saberem que era por ali que ele costumava andar! Quando lá chegaram, ao Campo do Gracias, encontraram-no morto, sem cara, comida pelos lobos durante a noite, tal e qual, como tinha acontecido ao seu filho Miguel! A tragédia repetiu-se, decerto, tudo planeado pelos mesmos bandidos! 
O Alcaide, mandou chamar os ordenanças da Villa de Terena que, fizeram as diligências necessárias e, à tardinha desse dia 11 de Outubro de 1740, o ti Manoel Ramos foi sepultado na Igreja de Santo António. 
Este acontecimento, causou grande consternação e revolta nos moradores da Vila de Ferreira e, devido a estas situações e a outras semelhantes, a Câmara apresentou um requerimento ao capitão mor das ordenanças da Vila de Terena a pedir mais segurança nesta região, que foi prontamente concedida, permanecendo aqui patrulhas de ordenanças bem armadas, prontas a atuar, assim que surgia algum rumor, sobre a presença de bandidos nas proximidades.  
A viúva do ti Manoel Ramos e os filhos, ficaram a residir no Monte do Meio, fazendo de Capelins, a sua terra para sempre! Ainda hoje, por aqui existem alguns descendentes. 
Os bandidos, que nessa época, abundavam por toda a região, nunca foram eliminados.     

Fim 

Baldio de Capelins 


    

sábado, 2 de fevereiro de 2019

508 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores e plantas tradicionais nas terras de Capelins 

O Buinho
O buinho, é uma planta herbácea, da família das ciperáceas que se distingue das outras do mesmo género por ser uma planta vivaz. robusta, de caules solitários, roliços, muito compressiveis, de folhas inferiores reduzidas a bainhas e as superiores com limbo curto e assovejado, espiguetas em antela e flores com perianto formado de sedas, igualando ou excedendo o aquenio na fortificação.
É uma planta espontânea em Portugal, frequente nos rios e ribeiras, sobretudo do centro e sul do país, sendo impossível o seu transplante e sementeira. 
Nas terras de Capelins, existia buinho em abundância nas Ribeiras de Lucefécit e do Azevel e, principalmente no leito do rio Guadiana, porém, com a subida das águas do Grande Lago de Alqueva, não o conseguimos encontrar nestes lugares e, se eventualmente aqui existir, é decerto muito raro!
O buinho era muiro importante nas terras de Capelins, utilizava-se para tapar as medas de palha, protegendo-as contra a chuva e, depois de seco e preparado, era aplicado no fabrico de esteiras, que faziam boas camas, assentos de bancos e cadeiras e de outros objetos.

Buinho 


584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...