segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

502 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais nas terras de Capelins 
O Abrunheiro
Classificação científica:
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: eudicotiledóneas
Clado: rosídeas
Ordem: Rosales
Família: Rosaceae
Género: Prunus
Subgénero: Prunus
Secção: Prunus
Espécie: P. spinosa
Nome binomial
Prunus spinosa
L.Abrunheiro 
O Abrunheiro, tem folhas: obovadas a elípticas, densamente pubescentes, raras vezes glabrescentes, na página inferior e no pecíolo.
A sua floração dá-se entre Março e Abril, as flores são brancas, solitárias ou dispostas duas a três em fascículos! 
O seu fruto designa-se por abrunho e atinge a maturação em Agosto e Setembro, apresenta uma drupa de dois a cinco centímetros, subglobosa a oblonga, purpúrea, vermelha, amarela ou verde, pruinosa, com polpa ácida mas comestível e difícil de separar do endocarpo subgloboso e escassamente carenado, pedicelos pubescentes até um centímetro e meio! Os abrunhos são utilizados em compotas e licores, de que é exemplo a bebida alcoólica anisada, conhecida como acharán!
O abrunheiro, não era uma árvore muito comum nas terras de Capelins, existia, um ou outro, nas hortas, quintais e em floreiras ao lado da entrada das casas! Adapta-se bem, tanto a solos básicos, como ácidos mas, prefere-os bem drenados, possui raízes superficiais que, se forem danificadas, produzirão ramos ladrões.
O abrunheiro não deve ser confundido com a ameixeira, P. domestica L., espécie cultivada como fruteira, inerme, de flores branco esverdeadas, com frutos maiores e mais arredondados e doces.

Abrunheiro 


domingo, 20 de janeiro de 2019

501 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais nas terras de Capelins 
A Ameixeira 
A Ameixeira, ameixoeira ou ameixieira são os nomes por que são conhecidas algumas espécies de árvores de fruto do subgénero Prunus, incluídas no género Prunus da família botânica Rosaceae!
A espécie japonesa, Prunus serrulata, apesar do seu nome, teve a sua origem provável na China! A Prunus domestica, ou ameixeira europeia teve origem na Ásia Menor, a sul do Cáucaso!
A ameixeira, era uma árvore pouco comum nas terras de Capelins, mas existia em algumas grandes hortas e, em alguns ferragiais, mais tarde já nos quintais junto às casas! 
O seu fruto designa-se por ameixa, é redondo com uma espécie de bico, doce e de epicarpo fino, existem muitas variedades consoante o seu tamanho, cor, sabor e estação do ano em que se desenvolvem, têm entre três a seis, centímetros de largura! 
As ameixas são um alimento culinário e podem ser usadas para conserva, geleia e doces! 
A ameixa fresca é um excelente agente terapêutico contra as enfermidades causadas pelos ácidos e associadas às hiperlipidemias, principalmente pelo ácido úrico, tais como o reumatismo, a artrite, a gota, a arteriosclerose, a nefrite e outras! É diurética e recomendada contra as afecções de caráter inflamatório das vias urinárias. É, ainda desobstruente do fígado, depurativa do sangue e desintoxicante do aparelho digestivo, pelo que se emprega com êxito nas afecções febris do estômago e do intestino. A ameixa, também costuma ser usada no tratamento das afecções das vias respiratórias!


Ameixeira 


sábado, 19 de janeiro de 2019

500 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais nas terras de Capelins 
O Limoeiro 
O limoeiro é uma árvore da família das rutácea e, encontram-se muitas variedades. A sua copa é aberta e pouco densa, com ramos espinhosos, solitárias na axila das folhas. As folhas são alternas, oblongas e serrilhadas, agudas, coriáceas, verde-escuras brilhantes, com a margem finamente dentada e com pecíolo estreitamente alado. As flores são solitárias, ou dispostas em pequenas cimeiras, na axila das folhas, com simetria radial, brancas, raiadas de púrpura, pequenas e muito aromáticas; providas de quatro a cinco sépalas persistentes, unidas na base, com cinco pétalas e numerosos estames, com os filetes soldados. 
As espécies mais comuns na Europa, foram trazidas pelos árabes, do Sudeste da Ásia, provavelmente do sul da China, ou Índia. 
O limoeiro não era uma árvore muito comum nas terras de Capelins, talvez aqui tenha aparecido na época romana ou árabe, era encontrado apenas nas grandes hortas e, muito raramente junto às casas, ao contrário da laranjeira.
O seu fruto, hesperídio, designa-se por limão, de cor amarela quando maduro, oblongo ou ovoide, com casca epicarpo grossa, desde rugosa a sublisa, glandular e aromática e com polpa ácida. 
O limão, era uma fruta rara no mundo antigo grego e romano, mas sabe-se que os gregos utilizavam o limão para proteger as roupas das traças.
As primeiras descrições claras do uso da fruta para fins terapêuticos remontam às obras de Teofrasto, (372 a.C. — 287 a.C.), aluno de Aristóteles, que é considerado o fundador da fitoterapia.Pérsia.
Nas terras de Capelins, o sumo do limão era usado para fins terapêuticos, talvez, mais o chá feito com as folhas do limoeiro fervidas, para tratar a indisposição e outros males.

Limoeiro 


sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

499 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 

Árvores tradicionais nas terras de Capelins 
A Parreira ou Videira
Na verdade não existe nenhuma diferença entre parreira e videira são simplesmente palavras sinónimas e referem-se à planta da uva que, também se designa de vinha.
A Parreira ou Videira é uma trepadeira da família das vitáceas, com tronco retorcido, ramos flexíveis, folhas grandes e repartidas em cinco lóbulos pontiagudos! 
As suas flores são esverdeadas e dispostas em ramos! 
O seu fruto é a uva que se apresenta em cachos e a sua colheita realiza-se no final do verão! 
A parreira ou videira é originária da Ásia mas, pelo menos desde a época romana que existe nas terras de Capelins, onde foram encontrados vestígios de uma vinha existente há cerca de 2.000 anos no limite desta Freguesia, junto à Ribeira de Lucefécit, nas Águas Frias! 
Neste caso, apenas nos referimos à parreira, que era plantada ao lado da porta de cada casa, a qual, se destinava a fazer sombra no verão e a produzir uvas que podiam ser consumidas frescas, geralmente como conduto do pão, ou eram expostas ao sol e transformadas em passas, sendo depois acondicionadas em panelas de barro, onde se conservavam até inverno dentro e eram consumidas em dias especiais ou nas merendas do almoço no campo! Também, eram conservadas nos próprios cachos, que penduravam em pregos nos paus dos tetos das casas onde as uvas mirravam um pouco, mas aguentavam-se muitos meses, acabando por ter o mesmo fim das passas! 
As uvas da parreira de porta, ou das hortas, não se destinavam à produção de vinho, não só pela pouca quantidade mas, por a espécie não ser propriamente para esse fim, embora o cultivo da videira para a produção de vinho seja uma das atividades mais antigas da civilização, desde o período neolítico há mais de oito mil anos! 
Na Bíblia, as uvas são mencionadas pela primeira vez quando Noé cultivou videiras nas suas terras! 
As uvas são especialmente simbólicas para os cristãos, que desde o início da Igreja faz o uso do vinho na celebração da Eucaristia. 


Uvas 


498 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 

Árvores tradicionais das terras de Capelins 

A Laranjeira 
A laranjeira, Citrus sinensis, é uma árvore da família das Rutáceas e existem muitas espécies, as mais comuns são as que produzem laranja amarga ou laranja de Sevilha, Citrus aurantium L., e a laranja doce, Citrus sinensis L., esta, também conhecida por laranja portuguesa por terem sido os portugueses a trazerem-na para a Europa e a levá-la para as Américas, por isso, em algumas regiões confundem-na como sendo originária de Portugal, como nos Balcãs onde tem a designação de Portugal ou Portokali, conforme a lingua!
A origem das árvores do género Citrus confunde-se, no tempo, com a história da humanidade! Sabe-se que, a maior parte destas árvores é originária de regiões entre a Índia e o sudeste do Himalaia, onde se encontram, ainda em estado silvestre, variedades de limeiras, cidreiras, limoeiros, toranjeiras, laranjeiras amargas, laranjeiras doces e de outros frutos ácidos aclimatados ou locais.
As laranjeiras, além de serem muito comuns nas hortas das terras de Capelins, elas destacavam-se às portas de algumas casas, rivalizando com as parreiras, talvez por iniciativa dos árabes uma vez que, era uma árvore muito comum nos pátios das casas árabes abastadas, geralmente associada a uma fonte ou a um lago! 
As suas flores são utilizadas para fins medicinais, assim como, as folhas, a casca, o fruto e também em alguns casos o extrato das sementes! 
O seu fruto é híbrido resultante do cruzamento entre um pomelo Citrus paradisi e uma tangerina Citrus reticulata e designa-se por laranja, cujo sabor pode variar de doce ou levemente ácido, depois de descascada pode ser consumida ao natural ou espremida para obter sumo que contém bastante vitamina C!
Nas terras de Capelins, quem gostava, usava a laranja como refeição, depois de descascada era cortada em pedaços para uma tigela, temperada com um fio de azeite e consumida com pão caseiro, passado pelo molho! 
A casca exterior pode ser usada também em diversos pratos culinários, como ornamento, ou mesmo para dar sabor. O albedo, a camada branca interior da casca, de dimensão variável, raramente é utilizado, apesar de ter um sabor levemente doce!
A sua madeira é considerada nobre, sendo usada em móveis e em objetos de qualidade.


Laranjeira 


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

497 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
O Sobreiro 
O Sobreiro, é uma das mais importantes e emblemáticas espécies florestais da nossa flora, em termos ecológicos e económicos, é uma angiospérmica dicotiledónea, também denominada folhosa. Pertence à ordem das Fagales, família das Fagáceas, género Quercus, sendo a espécie Quercus suber! Esta árvore, faz parte da vegetação natural das terras de Capelins, não existe em abundância, ao contrário da azinheira, mas aparece no seio de alguns montados, como na Serra da Sina e outros lugares, em pequenas manchas, ou mesmo, algumas salteadas e isoladas! 
As suas folhas são persistentes, de cor verde escura, brilhantes nas faces superiores e acinzentadas nas inferiores, têm uma forma oval, com margem inteira ou ligeiramente serrada ou dentada e têm indumento. 
A gestão tradicional destas árvores permite combinar três objetivos importantes, a produção agropastoril, a conservação do ecossistema e o fornecimento de lenha para lareiras ou para fazer carvão! 
O fruto do sobreiro é a glande, que tem uma forma oval oblonga e um pedúnculo curto, mais pequeno do que a bolota, sendo aproveitada, essencialmente na engorda de porcos, por isso, tem sido cultivado nas terras de Capelins desde tempos remotos! No entanto, o valor económico dos sobreiros deve-se, essencialmente à produção de cortiça, estando a sua importância cultural relacionada com o papel que têm na conservação da biodiversidade e valores históricos, como o registo de sistemas sociais e agrícolas tradicionais!
A extração da cortiça, sendo bem feita, não prejudica a árvore, uma vez que, esta volta a produzir nova camada de casca, (súber) com idêntica espessura a cada nove anos, período após o qual é novamente extraída! 
O sobreiro, pode ter até vinte metros, mas normalmente tem cerca de quinze metros, muito semelhante à azinheira, em termos de estrutura e, ambos pertencem ao género Quercus! 
É de salientar que, em 21 de Dezembro de 2011, a Assembleia da República aprovou um projeto de resolução que declarou o sobreiro como árvore nacional.


Sobreiro 


terça-feira, 15 de janeiro de 2019

496 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores e arbustos tradicionais nas terras de Capelins 
O Loureiro 
O Loureiro, cujo nome científico é Laurus nobilis L., é uma árvore do género Laurus da família botânica das Lauraceae! 
Os romanos chamaram-lhe Laurus e "nobilis" que significa nobre, sendo usado nas festas como símbolo de triunfo, com o qual, condecoravam e coroavam os heróis!
É uma árvore sempre verde que pode atingir até dez metros de altura! 
As suas folhas têm entre seis e dez centímetros de comprimento e dois a quatro centímetros de largura, com margem lisa mas em algumas folhas há margem ondulada!
A sua flor é verde amarelo pálido com cerca de um centímetro de diâmetro e são suportadas em pares ao lado de uma folha!
O fruto é uma pequena baga brilhante e preta como uma drupa com cerca de um centímetro de comprimento contendo a semente e que faz lembrar a azeitona! 
Nas terras de Capelins, todas as grandes hortas tradicionais tinham alguns Loureiros que, além de ter a utilidade nas cozinhas, também serviam de proteção nos limites das mesmas, contra o acesso de pessoas e animais! A horta do Monte Grande da herdade da Defesa de Ferreira tinha Loureiros que forneciam o louro ao Monte e a muitos moradores de Capelins de Cima!
As folhas do Loureiro são usadas como especiaria em culinária! Nas terras de Capelins o seu uso é sobretudo em estufados, ensopados, caldeiradas, assados tradicionais, temperar azeitonas de conserva e outros! Estas folhas, se forem conservadas inteiras, têm uma vida útil longa de cerca de um ano, sob temperatura e humidade normais! 
O Loureiro é considerada uma árvore medicinal já que, as suas folhas, frutos e óleos, foram e são usados para quase tudo, desde o combate à calvície até à cura das enxaquecas! 

Loureiro 


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