sábado, 19 de janeiro de 2019

500 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais nas terras de Capelins 
O Limoeiro 
O limoeiro é uma árvore da família das rutácea e, encontram-se muitas variedades. A sua copa é aberta e pouco densa, com ramos espinhosos, solitárias na axila das folhas. As folhas são alternas, oblongas e serrilhadas, agudas, coriáceas, verde-escuras brilhantes, com a margem finamente dentada e com pecíolo estreitamente alado. As flores são solitárias, ou dispostas em pequenas cimeiras, na axila das folhas, com simetria radial, brancas, raiadas de púrpura, pequenas e muito aromáticas; providas de quatro a cinco sépalas persistentes, unidas na base, com cinco pétalas e numerosos estames, com os filetes soldados. 
As espécies mais comuns na Europa, foram trazidas pelos árabes, do Sudeste da Ásia, provavelmente do sul da China, ou Índia. 
O limoeiro não era uma árvore muito comum nas terras de Capelins, talvez aqui tenha aparecido na época romana ou árabe, era encontrado apenas nas grandes hortas e, muito raramente junto às casas, ao contrário da laranjeira.
O seu fruto, hesperídio, designa-se por limão, de cor amarela quando maduro, oblongo ou ovoide, com casca epicarpo grossa, desde rugosa a sublisa, glandular e aromática e com polpa ácida. 
O limão, era uma fruta rara no mundo antigo grego e romano, mas sabe-se que os gregos utilizavam o limão para proteger as roupas das traças.
As primeiras descrições claras do uso da fruta para fins terapêuticos remontam às obras de Teofrasto, (372 a.C. — 287 a.C.), aluno de Aristóteles, que é considerado o fundador da fitoterapia.Pérsia.
Nas terras de Capelins, o sumo do limão era usado para fins terapêuticos, talvez, mais o chá feito com as folhas do limoeiro fervidas, para tratar a indisposição e outros males.

Limoeiro 


sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

499 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 

Árvores tradicionais nas terras de Capelins 
A Parreira ou Videira
Na verdade não existe nenhuma diferença entre parreira e videira são simplesmente palavras sinónimas e referem-se à planta da uva que, também se designa de vinha.
A Parreira ou Videira é uma trepadeira da família das vitáceas, com tronco retorcido, ramos flexíveis, folhas grandes e repartidas em cinco lóbulos pontiagudos! 
As suas flores são esverdeadas e dispostas em ramos! 
O seu fruto é a uva que se apresenta em cachos e a sua colheita realiza-se no final do verão! 
A parreira ou videira é originária da Ásia mas, pelo menos desde a época romana que existe nas terras de Capelins, onde foram encontrados vestígios de uma vinha existente há cerca de 2.000 anos no limite desta Freguesia, junto à Ribeira de Lucefécit, nas Águas Frias! 
Neste caso, apenas nos referimos à parreira, que era plantada ao lado da porta de cada casa, a qual, se destinava a fazer sombra no verão e a produzir uvas que podiam ser consumidas frescas, geralmente como conduto do pão, ou eram expostas ao sol e transformadas em passas, sendo depois acondicionadas em panelas de barro, onde se conservavam até inverno dentro e eram consumidas em dias especiais ou nas merendas do almoço no campo! Também, eram conservadas nos próprios cachos, que penduravam em pregos nos paus dos tetos das casas onde as uvas mirravam um pouco, mas aguentavam-se muitos meses, acabando por ter o mesmo fim das passas! 
As uvas da parreira de porta, ou das hortas, não se destinavam à produção de vinho, não só pela pouca quantidade mas, por a espécie não ser propriamente para esse fim, embora o cultivo da videira para a produção de vinho seja uma das atividades mais antigas da civilização, desde o período neolítico há mais de oito mil anos! 
Na Bíblia, as uvas são mencionadas pela primeira vez quando Noé cultivou videiras nas suas terras! 
As uvas são especialmente simbólicas para os cristãos, que desde o início da Igreja faz o uso do vinho na celebração da Eucaristia. 


Uvas 


498 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 

Árvores tradicionais das terras de Capelins 

A Laranjeira 
A laranjeira, Citrus sinensis, é uma árvore da família das Rutáceas e existem muitas espécies, as mais comuns são as que produzem laranja amarga ou laranja de Sevilha, Citrus aurantium L., e a laranja doce, Citrus sinensis L., esta, também conhecida por laranja portuguesa por terem sido os portugueses a trazerem-na para a Europa e a levá-la para as Américas, por isso, em algumas regiões confundem-na como sendo originária de Portugal, como nos Balcãs onde tem a designação de Portugal ou Portokali, conforme a lingua!
A origem das árvores do género Citrus confunde-se, no tempo, com a história da humanidade! Sabe-se que, a maior parte destas árvores é originária de regiões entre a Índia e o sudeste do Himalaia, onde se encontram, ainda em estado silvestre, variedades de limeiras, cidreiras, limoeiros, toranjeiras, laranjeiras amargas, laranjeiras doces e de outros frutos ácidos aclimatados ou locais.
As laranjeiras, além de serem muito comuns nas hortas das terras de Capelins, elas destacavam-se às portas de algumas casas, rivalizando com as parreiras, talvez por iniciativa dos árabes uma vez que, era uma árvore muito comum nos pátios das casas árabes abastadas, geralmente associada a uma fonte ou a um lago! 
As suas flores são utilizadas para fins medicinais, assim como, as folhas, a casca, o fruto e também em alguns casos o extrato das sementes! 
O seu fruto é híbrido resultante do cruzamento entre um pomelo Citrus paradisi e uma tangerina Citrus reticulata e designa-se por laranja, cujo sabor pode variar de doce ou levemente ácido, depois de descascada pode ser consumida ao natural ou espremida para obter sumo que contém bastante vitamina C!
Nas terras de Capelins, quem gostava, usava a laranja como refeição, depois de descascada era cortada em pedaços para uma tigela, temperada com um fio de azeite e consumida com pão caseiro, passado pelo molho! 
A casca exterior pode ser usada também em diversos pratos culinários, como ornamento, ou mesmo para dar sabor. O albedo, a camada branca interior da casca, de dimensão variável, raramente é utilizado, apesar de ter um sabor levemente doce!
A sua madeira é considerada nobre, sendo usada em móveis e em objetos de qualidade.


Laranjeira 


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

497 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
O Sobreiro 
O Sobreiro, é uma das mais importantes e emblemáticas espécies florestais da nossa flora, em termos ecológicos e económicos, é uma angiospérmica dicotiledónea, também denominada folhosa. Pertence à ordem das Fagales, família das Fagáceas, género Quercus, sendo a espécie Quercus suber! Esta árvore, faz parte da vegetação natural das terras de Capelins, não existe em abundância, ao contrário da azinheira, mas aparece no seio de alguns montados, como na Serra da Sina e outros lugares, em pequenas manchas, ou mesmo, algumas salteadas e isoladas! 
As suas folhas são persistentes, de cor verde escura, brilhantes nas faces superiores e acinzentadas nas inferiores, têm uma forma oval, com margem inteira ou ligeiramente serrada ou dentada e têm indumento. 
A gestão tradicional destas árvores permite combinar três objetivos importantes, a produção agropastoril, a conservação do ecossistema e o fornecimento de lenha para lareiras ou para fazer carvão! 
O fruto do sobreiro é a glande, que tem uma forma oval oblonga e um pedúnculo curto, mais pequeno do que a bolota, sendo aproveitada, essencialmente na engorda de porcos, por isso, tem sido cultivado nas terras de Capelins desde tempos remotos! No entanto, o valor económico dos sobreiros deve-se, essencialmente à produção de cortiça, estando a sua importância cultural relacionada com o papel que têm na conservação da biodiversidade e valores históricos, como o registo de sistemas sociais e agrícolas tradicionais!
A extração da cortiça, sendo bem feita, não prejudica a árvore, uma vez que, esta volta a produzir nova camada de casca, (súber) com idêntica espessura a cada nove anos, período após o qual é novamente extraída! 
O sobreiro, pode ter até vinte metros, mas normalmente tem cerca de quinze metros, muito semelhante à azinheira, em termos de estrutura e, ambos pertencem ao género Quercus! 
É de salientar que, em 21 de Dezembro de 2011, a Assembleia da República aprovou um projeto de resolução que declarou o sobreiro como árvore nacional.


Sobreiro 


terça-feira, 15 de janeiro de 2019

496 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores e arbustos tradicionais nas terras de Capelins 
O Loureiro 
O Loureiro, cujo nome científico é Laurus nobilis L., é uma árvore do género Laurus da família botânica das Lauraceae! 
Os romanos chamaram-lhe Laurus e "nobilis" que significa nobre, sendo usado nas festas como símbolo de triunfo, com o qual, condecoravam e coroavam os heróis!
É uma árvore sempre verde que pode atingir até dez metros de altura! 
As suas folhas têm entre seis e dez centímetros de comprimento e dois a quatro centímetros de largura, com margem lisa mas em algumas folhas há margem ondulada!
A sua flor é verde amarelo pálido com cerca de um centímetro de diâmetro e são suportadas em pares ao lado de uma folha!
O fruto é uma pequena baga brilhante e preta como uma drupa com cerca de um centímetro de comprimento contendo a semente e que faz lembrar a azeitona! 
Nas terras de Capelins, todas as grandes hortas tradicionais tinham alguns Loureiros que, além de ter a utilidade nas cozinhas, também serviam de proteção nos limites das mesmas, contra o acesso de pessoas e animais! A horta do Monte Grande da herdade da Defesa de Ferreira tinha Loureiros que forneciam o louro ao Monte e a muitos moradores de Capelins de Cima!
As folhas do Loureiro são usadas como especiaria em culinária! Nas terras de Capelins o seu uso é sobretudo em estufados, ensopados, caldeiradas, assados tradicionais, temperar azeitonas de conserva e outros! Estas folhas, se forem conservadas inteiras, têm uma vida útil longa de cerca de um ano, sob temperatura e humidade normais! 
O Loureiro é considerada uma árvore medicinal já que, as suas folhas, frutos e óleos, foram e são usados para quase tudo, desde o combate à calvície até à cura das enxaquecas! 

Loureiro 


segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

495 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
A Romaneira ou Romanzeira 
A Romanzeira, cujo nome científico é Punica granatum L., nas terras de Capelins designava-se por Romaneira, é uma árvore da família Lythraceae, Angiospermae! 
Cultivada desde a antiguidade, tem origem no Médio Oriente, Pérsia, onde se propagou por regiões de clima seco, atinge de dois a cinco metros, apresenta o tronco acinzentado e ramos avermelhados quando novos e, pode ter a forma de árvore ou de arbusto, perde as suas folhas no inverno e recupera-as na Primavera!
Nas terras de Capelins, esta árvore existia em quase todas as hortas, adaptando-se bem ao nosso clima e aos terrenos baixos e frescos!
As flores encaracoladas surgem na Primavera e no Verão, rapidamente passam ao vermelho escarlate mas existem variedades em que as pétalas são cor de rosa, brancas, amarelas e até bicolores e, também existem exemplares de flores matizadas de branco, simples e dobradas! 
O seu fruto é a romã, que só aparece no final do verão, é esférico, com casca coriácea e grossa, amarela ou avermelhada manchada de escuro! 
A romã é um fruto vulgar no mediterrâneo oriental e Médio Oriente onde é tomado como aperitivo, sobremesa ou algumas vezes em bebida alcoólica! O seu interior é subdividido por finas películas, que formam pequenas sementes possuidoras de uma polpa comestível!
A importância da romã é milenar, aparece nos textos bíblicos, está associada às paixões e à fecundidade! 
Os gregos consideravam-na como símbolo do amor e da fecundidad!. A árvore da romã foi consagrada à deusa Afrodite, uma vez que acreditavam nos seus poderes afrodisíacos! 
Os judeus, consideravam a romã um símbolo religioso com profundo significado no ritual do ano novo, acreditavam que, assim, o ano que chegava, seria melhor do que o anterior! 
Em Roma, a romã era considerada nas cerimónias e nos cultos como símbolo de ordem, riqueza e fecundidade!
Os judeus chamavam-lhe rimmon e os árabes, rumman, depois, os portugueses chamaram-lhe romã ou roman! 
Na Idade Média, a romã era considerada como um fruto cortês e sanguíneo!
À romaneira, assim como ao seu fruto, a romã, também eram atribuídos poderes medicinais!

Romaneira 


domingo, 13 de janeiro de 2019

494 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
O Zambujeiro 
O zambujeiro, também conhecido como oliveira-brava ou oliveira-da-rocha, é uma planta do género Olea, da família Oleaceae! Também tem a denominação: Olea maderensis, (Lowe), (Rivas Mart. & Del Arco).
O zambujeiro apresenta-se como um arbusto ou uma árvore que pode atingir grande dimensão, é ramoso, glabro com folhas opostas, oblongas a linear lanceoladas, de um a dez centímetros de comprimento, coriáceas, subsésseis de cor verde acinzentadas! 
A sua origem é das ilhas da Madeira, Porto Santo, Desertas e Canárias, sendo disseminado através de aves que consomem o seu fruto, como os tordos, melros e outros!
Esta planta encontrava-se em abundância nas terras de Capelins, mas só em lugares específicos, como nas margens rochosas e elevadas (barreiras) do rio Guadiana, nos espaços entre rochas, onde os capelinenses os recolhiam para transplantar nas courelas e, mais tarde, já bem enraizados, cerca de um a dois anos, servirem de base na enxertia em oliveiras! 
O zambujeiro apresenta a floração entre Março e Junho, as flores são pequenas, de corola branca, com cerca de quatro milímetros de diâmetro, reunidas em paniculas axilares de dois a quatro centímetros.
O fruto apresenta-se como uma drupa, pouco carnudo, elipsóide e depois de maduro é preto, muito semelhante à azeitona, mas de pequena dimensão, não sendo rentável a sua colheita, mas antigamente era apanhado e misturado com a azeitona para a produção de azeite.


Zambujeiro 


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