segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

495 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
A Romaneira ou Romanzeira 
A Romanzeira, cujo nome científico é Punica granatum L., nas terras de Capelins designava-se por Romaneira, é uma árvore da família Lythraceae, Angiospermae! 
Cultivada desde a antiguidade, tem origem no Médio Oriente, Pérsia, onde se propagou por regiões de clima seco, atinge de dois a cinco metros, apresenta o tronco acinzentado e ramos avermelhados quando novos e, pode ter a forma de árvore ou de arbusto, perde as suas folhas no inverno e recupera-as na Primavera!
Nas terras de Capelins, esta árvore existia em quase todas as hortas, adaptando-se bem ao nosso clima e aos terrenos baixos e frescos!
As flores encaracoladas surgem na Primavera e no Verão, rapidamente passam ao vermelho escarlate mas existem variedades em que as pétalas são cor de rosa, brancas, amarelas e até bicolores e, também existem exemplares de flores matizadas de branco, simples e dobradas! 
O seu fruto é a romã, que só aparece no final do verão, é esférico, com casca coriácea e grossa, amarela ou avermelhada manchada de escuro! 
A romã é um fruto vulgar no mediterrâneo oriental e Médio Oriente onde é tomado como aperitivo, sobremesa ou algumas vezes em bebida alcoólica! O seu interior é subdividido por finas películas, que formam pequenas sementes possuidoras de uma polpa comestível!
A importância da romã é milenar, aparece nos textos bíblicos, está associada às paixões e à fecundidade! 
Os gregos consideravam-na como símbolo do amor e da fecundidad!. A árvore da romã foi consagrada à deusa Afrodite, uma vez que acreditavam nos seus poderes afrodisíacos! 
Os judeus, consideravam a romã um símbolo religioso com profundo significado no ritual do ano novo, acreditavam que, assim, o ano que chegava, seria melhor do que o anterior! 
Em Roma, a romã era considerada nas cerimónias e nos cultos como símbolo de ordem, riqueza e fecundidade!
Os judeus chamavam-lhe rimmon e os árabes, rumman, depois, os portugueses chamaram-lhe romã ou roman! 
Na Idade Média, a romã era considerada como um fruto cortês e sanguíneo!
À romaneira, assim como ao seu fruto, a romã, também eram atribuídos poderes medicinais!

Romaneira 


domingo, 13 de janeiro de 2019

494 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
O Zambujeiro 
O zambujeiro, também conhecido como oliveira-brava ou oliveira-da-rocha, é uma planta do género Olea, da família Oleaceae! Também tem a denominação: Olea maderensis, (Lowe), (Rivas Mart. & Del Arco).
O zambujeiro apresenta-se como um arbusto ou uma árvore que pode atingir grande dimensão, é ramoso, glabro com folhas opostas, oblongas a linear lanceoladas, de um a dez centímetros de comprimento, coriáceas, subsésseis de cor verde acinzentadas! 
A sua origem é das ilhas da Madeira, Porto Santo, Desertas e Canárias, sendo disseminado através de aves que consomem o seu fruto, como os tordos, melros e outros!
Esta planta encontrava-se em abundância nas terras de Capelins, mas só em lugares específicos, como nas margens rochosas e elevadas (barreiras) do rio Guadiana, nos espaços entre rochas, onde os capelinenses os recolhiam para transplantar nas courelas e, mais tarde, já bem enraizados, cerca de um a dois anos, servirem de base na enxertia em oliveiras! 
O zambujeiro apresenta a floração entre Março e Junho, as flores são pequenas, de corola branca, com cerca de quatro milímetros de diâmetro, reunidas em paniculas axilares de dois a quatro centímetros.
O fruto apresenta-se como uma drupa, pouco carnudo, elipsóide e depois de maduro é preto, muito semelhante à azeitona, mas de pequena dimensão, não sendo rentável a sua colheita, mas antigamente era apanhado e misturado com a azeitona para a produção de azeite.


Zambujeiro 


sábado, 12 de janeiro de 2019

493 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
A Amendoeira 
A amendoeira, Prunus dulcis é uma espécie de árvore da família Rosaceae e subgénero Amygdalus!
As folhas são caducas, simples, alternas, com um comprimento variável entre os quatro e doze centímetros, oblongo lanceoladas, glabras, finamente denteadas. O pecíolo tem um tamanho superior a um centímetro. No início as folhas podem dobrar-se em V ou ao longo da nervura central.
A floração, que ocorre normalmente entre Fevereiro e Abril, é anterior ao aparecimento da folhagem, originando uma paisagem muito típica e procurada pela sua beleza. 
As flores, rosadas antes de se abrirem e mais pálidas ou mesmo brancas na sua maturação, têm um diâmetro que varia entre os quarenta e os cinquenta milímetros, são curtamente pecioladas, o hipanto é campanulado e as margens das sépalas tomentosas. 
O ovário e o fruto são, também, tomentosos! O fruto é ovoide, ligeiramente comprimido, com um comprimento variável entre os trinta e cinco e os sessenta milímetros! É de cor cinzento esverdeada, com cobertura suculenta que encerra o caroço conhecido por amêndoa!
Apesar de, o termo amêndoa se referir ao fruto da amendoeira (Prunus dulcis), ele também é considerado a sua semente, a qual, também é disseminada através de alguns mamíferos e aves que as consomem! 
As amêndoas são utilizadas normalmente para fins culinários e terapêuticos! O óleo de amêndoa é utilizado na cosmética e contêm, como outras sementes de plantas do género Prunus, uma substância que produz ácido cianídrico, em teor elevado nas amêndoas amargas, que pode causar graves perturbações e que, sendo usado em excesso pode ser fatal. 
A amêndoa, também pode ser utilizada na produção de licor, de leite de amêndoa, como recheio de bolos e outros fins, podendo, também ser consumida crua ou torrada!
A amendoeira é originária da Ásia Menor e Nordeste de África, cultivou-se desde a Antiguidade em volta do mar Mediterrâneo, mas adapta-se bem ao clima dos países do Mediterrâneo Ocidental. 
Esta árvore, encontrava-se em diversos lugares nas terras de Capelins, geralmente ladeando caminhos, junto a ribeiros, terras fracas e limites de propriedades, sendo muito raro encontrarem-se amendoeirais em terras boas para cultivo de cereais ou outras árvores!


Amendoeiras de Capelins 


sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

492 - Terras de Capelins 

A Lua Cheia depois do Equinócio marca a Páscoa e o dia do Carnaval 
Uma das curiosidades de alguns capelinenses e não só, é saber porque motivo o Carnaval quase nunca, é celebrado no mesmo mês em cada ano! Uns anos é em Março, como neste ano de 2019 e, outros anos é no mês de Fevereiro! 
Assim, tomamos a liberdade de esclarecer a causa deste fenómeno! 
No ano de 325, durante o Primeiro Concílio de Niceia, os Bispos da Igreja Católica definiram a data de comemoração da Páscoa, que também varia de ano para ano, significa que, esta é marcada primeiro do que o Carnaval!
A Páscoa é definida, tendo como referência o Equinócio, dia em que, o dia e a noite possuem a mesma duração (doze horas)! O Equinócio é por volta do dia 20 de Março de cada ano!
Após a ocorrência do Equinócio, espera-se a primeira Lua Cheia e, logo no Domingo seguinte é o Dia da Páscoa! Se por acaso a Lua Cheia for numa segunda feira, então, a Páscoa só será no Domingo seguinte!
Como vimos, a data da Páscoa depende da Lua Cheia, que é um fenómeno da natureza que varia de ano para ano, assim, como o Equinócio, que também é um fenómeno da natureza e, não tem data fixa para acontecer! 
O dia do Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa e, sete dias antes da Páscoa é o Domingo de Ramos (começo da Semana Santa)! Quarenta dias antes do início da Semana Santa é a terça-feira de Carnaval. Logo, o dia do Carnaval é o último, antes do período da Quaresma! 
O Carnaval é uma festa pagã e não Cristã, os Bispos apenas marcaram a Páscoa!

Carnaval em 2019 - 5 de Março;

Carnaval em 2020 - 25 de Fevereiro; 
Carnaval em 2021 - 16 de Fevereiro;
Carnaval em 2022 - 01 de Março;
Carnaval em 2023 - 21 de Fevereiro; 
Carnaval em 2024 - 2024 - 13 de Fevereiro. 



491 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 

Árvores tradicionais das terras de Capelins 

O Freixo ou "Freixeiro" 

O Freixo, Fraxinus excelsior, designado nas terras de Capelins por Freixeiro é uma espécie de árvore da família das Oleaceae Fraxinus excelsior! 

Nas terras de Capelins, encontravam-se em abundância, nas margens dos Ribeiros, afluentes das Ribeiras de Lucefécit, do Azevel e do rio Guadiana e também, nas margens e imediações destes cursos de água!

O Freixeiro é uma árvore de solos frescos e profundos, de porte médio, que pode atingir cerca de vinte e cinco metros de altura, a casca tem sulcos profundos, verticais e é castanha escura acinzentada, as folhas são verdes e têm efeitos medicinais em chá, as flores não têm cálice nem corola, são em cachos, pendentes e surgem antes do aparecimento das folhas.
A madeira é dura, densa, pesada e porosa, é usada nas guitarras e outros instrumentos de música, em raquetes e outros objetos que impliquem flexibilidade e resistência!
Na idade média a sua madeira era muito apreciada na construção de arcos e flechas. 
Estas árvores eram das principais nos cultos das antigas religiões pagãs e Sagradas do povo Celta, mas também dos escandinavos e dos gregos.
Os gregos acreditavam que era a grande árvore universal, devido às suas extensas e profundas raízes que uniam a humanidade ligando o mundo dos vivos com o mundo dos mortos. 
Poseidon, Deus grego dos mares, fazia também o culto desta árvore e as sacerdotisas dos templos gregos tomavam muitas decisões importantes na sua sombra. 
Nas terras de Capelins, estas árvores tinham várias finalidades, o seu enraizamento profundo e extenso retinha as terras junto aos cursos de água, impedindo que fossem arrastadas pelas águas originando o assenhoramento dos vales! 
Os seus ramos verdes muito saudáveis, na época seca, serviam para alimentação do gado herbívoro ruminante e, acreditava-se que, se o mesmo consumisse as suas folhas, não adoecia. 
O freixeiro, sempre foi, e ainda é considerado uma árvore protetora.


Freixo (Freixeiro) 


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

490 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
O Pereiro Bravo ou Carapeteiro 
O Pyrus bourgaeana, popularmente chamado de carapeteiro, catapereiro, pereira-brava, pereiro-bravo, cachapirro, escalheiro-manso ou escalheiro-preto, é uma espécie vegetal de porte arbóreo e espermatófita que pertencence ao género Pyrus e à família Rosaceae! 
É uma planta abundante nas terras de Capelins, típica dos matos, encontrando-se, geralmente junto de azinheiras (Quercus ilex), prefere solos siliciosos e clima temperado, embora se adapte bem a todas as condições de frio ou calor! 
O carapeteiro é uma árvore de pequeno porte, caducifólia, por vezes arbustivo, com ramos espinhosos e em disposição aberta, as folhas são ovais, dentadas e apresentam um pecíolo grande! 
Esta árvore floresce entre Fevereiro e Março e as suas flores apresentam-se em grupos de umbelas, com cinco sépalas e cinco pétalas brancas ou suavemente rosadas, com numerosos estames.
Os seus frutos são pequenos, de forma esférica e com polpa farinhenta, a maturação tem lugar no outono e, bem maduros eram muito apreciados nas terras de Capelins! A sua colheita tinha de ser feita com cuidado, para evitar picadas da árvore, depois, eram colocados dentro de palha durante umas semanas, até à maturação e ficarem doces, mas o seu consumo sem esta ação, não era fácil. 
Os pêros, do pereiro bravo, após caírem da árvore eram consumidos por diversos mamíferos selvagens, lebres, coelhos, ouriços e outros, que atuavam como dispersores das sementes! 
O uso principal do carapeteiro era para base de enxertia de outras árvores de fruto, quase sempre em pereiras!


Pereiro bravo ou carapeteiro 



quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

489 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
O Marmeleiro 
Antes do ano de 1800, ao consultarmos escrituras de compra e venda de courelas nas terras de Capelins, nas quais está descriminado todas as árvores que as mesmas continham, em algumas, lá encontramos o marmeleiro! 
O marmeleiro pertence à família Rosaceae, subfamília Pomoideae e género Cydonia e já era cultivado na Babilónia desde a antiguidade (4000 a. C). A sua origem, parece ser da Europa Meridional ou das orlas meridionais do Mar Cáspio! 
O marmeleiro é uma planta que possui porte arbustivo ou arbóreo, que pode atingir quatro a seis metros de altura, com o tronco tortuoso, de epiderme lisa, acinzentada, formando escamas, que se desprendem, com a idade. A copa é irregular e os ramos jovens são tomentosos, as suas folhas são caducas, alternas, de cinco a dez centímetros de comprimento e de quatro a seis centímetros de largura, com forma ovada ou elítica e de pecíolo curto. 
As suas flores são brancas ou rosadas, solitárias, surgem nas axilas das folhas, medem três a sete centímetros de diâmetro, têm cinco pétalas, cinco sépalas e vinte estames. A floração ocorre na primavera, entre Março e Maio! 
O fruto é o marmelo, de cor amarelo dourado, muito aromático, com ápice em forma de umbigo. A polpa é amarelada e ácida, contendo numerosas sementes, semelhantes às da macieira, apresentando coloração castanha escura. 
Nas terras de Capelins, o marmelo era consumido, cozido ou assado, com açúcar, transformado em marmelada, e raramente faziam geleia ou compota! Devido à sua dureza e ao ácido não era muito apetecível cru! 
O marmelo, também era usado como corta gordura, sendo frito com os torresmos nas matanças de porcos! 
Os árabes utilizaram o marmeleiro para fins medicinais, dado o seu conteúdo em mucilagem! 
O marmeleiro adapta-se a diferentes tipos de solo, dos mais férteis até aos mais pobres, desde que sejam frescos e com reação ligeiramente ácida, sendo encontrados nas terras de Capelins, na sua maioria, junto aos ribeiros e lugares baixos.


Marmeleiro 


584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...