sábado, 12 de janeiro de 2019

493 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
A Amendoeira 
A amendoeira, Prunus dulcis é uma espécie de árvore da família Rosaceae e subgénero Amygdalus!
As folhas são caducas, simples, alternas, com um comprimento variável entre os quatro e doze centímetros, oblongo lanceoladas, glabras, finamente denteadas. O pecíolo tem um tamanho superior a um centímetro. No início as folhas podem dobrar-se em V ou ao longo da nervura central.
A floração, que ocorre normalmente entre Fevereiro e Abril, é anterior ao aparecimento da folhagem, originando uma paisagem muito típica e procurada pela sua beleza. 
As flores, rosadas antes de se abrirem e mais pálidas ou mesmo brancas na sua maturação, têm um diâmetro que varia entre os quarenta e os cinquenta milímetros, são curtamente pecioladas, o hipanto é campanulado e as margens das sépalas tomentosas. 
O ovário e o fruto são, também, tomentosos! O fruto é ovoide, ligeiramente comprimido, com um comprimento variável entre os trinta e cinco e os sessenta milímetros! É de cor cinzento esverdeada, com cobertura suculenta que encerra o caroço conhecido por amêndoa!
Apesar de, o termo amêndoa se referir ao fruto da amendoeira (Prunus dulcis), ele também é considerado a sua semente, a qual, também é disseminada através de alguns mamíferos e aves que as consomem! 
As amêndoas são utilizadas normalmente para fins culinários e terapêuticos! O óleo de amêndoa é utilizado na cosmética e contêm, como outras sementes de plantas do género Prunus, uma substância que produz ácido cianídrico, em teor elevado nas amêndoas amargas, que pode causar graves perturbações e que, sendo usado em excesso pode ser fatal. 
A amêndoa, também pode ser utilizada na produção de licor, de leite de amêndoa, como recheio de bolos e outros fins, podendo, também ser consumida crua ou torrada!
A amendoeira é originária da Ásia Menor e Nordeste de África, cultivou-se desde a Antiguidade em volta do mar Mediterrâneo, mas adapta-se bem ao clima dos países do Mediterrâneo Ocidental. 
Esta árvore, encontrava-se em diversos lugares nas terras de Capelins, geralmente ladeando caminhos, junto a ribeiros, terras fracas e limites de propriedades, sendo muito raro encontrarem-se amendoeirais em terras boas para cultivo de cereais ou outras árvores!


Amendoeiras de Capelins 


sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

492 - Terras de Capelins 

A Lua Cheia depois do Equinócio marca a Páscoa e o dia do Carnaval 
Uma das curiosidades de alguns capelinenses e não só, é saber porque motivo o Carnaval quase nunca, é celebrado no mesmo mês em cada ano! Uns anos é em Março, como neste ano de 2019 e, outros anos é no mês de Fevereiro! 
Assim, tomamos a liberdade de esclarecer a causa deste fenómeno! 
No ano de 325, durante o Primeiro Concílio de Niceia, os Bispos da Igreja Católica definiram a data de comemoração da Páscoa, que também varia de ano para ano, significa que, esta é marcada primeiro do que o Carnaval!
A Páscoa é definida, tendo como referência o Equinócio, dia em que, o dia e a noite possuem a mesma duração (doze horas)! O Equinócio é por volta do dia 20 de Março de cada ano!
Após a ocorrência do Equinócio, espera-se a primeira Lua Cheia e, logo no Domingo seguinte é o Dia da Páscoa! Se por acaso a Lua Cheia for numa segunda feira, então, a Páscoa só será no Domingo seguinte!
Como vimos, a data da Páscoa depende da Lua Cheia, que é um fenómeno da natureza que varia de ano para ano, assim, como o Equinócio, que também é um fenómeno da natureza e, não tem data fixa para acontecer! 
O dia do Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa e, sete dias antes da Páscoa é o Domingo de Ramos (começo da Semana Santa)! Quarenta dias antes do início da Semana Santa é a terça-feira de Carnaval. Logo, o dia do Carnaval é o último, antes do período da Quaresma! 
O Carnaval é uma festa pagã e não Cristã, os Bispos apenas marcaram a Páscoa!

Carnaval em 2019 - 5 de Março;

Carnaval em 2020 - 25 de Fevereiro; 
Carnaval em 2021 - 16 de Fevereiro;
Carnaval em 2022 - 01 de Março;
Carnaval em 2023 - 21 de Fevereiro; 
Carnaval em 2024 - 2024 - 13 de Fevereiro. 



491 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 

Árvores tradicionais das terras de Capelins 

O Freixo ou "Freixeiro" 

O Freixo, Fraxinus excelsior, designado nas terras de Capelins por Freixeiro é uma espécie de árvore da família das Oleaceae Fraxinus excelsior! 

Nas terras de Capelins, encontravam-se em abundância, nas margens dos Ribeiros, afluentes das Ribeiras de Lucefécit, do Azevel e do rio Guadiana e também, nas margens e imediações destes cursos de água!

O Freixeiro é uma árvore de solos frescos e profundos, de porte médio, que pode atingir cerca de vinte e cinco metros de altura, a casca tem sulcos profundos, verticais e é castanha escura acinzentada, as folhas são verdes e têm efeitos medicinais em chá, as flores não têm cálice nem corola, são em cachos, pendentes e surgem antes do aparecimento das folhas.
A madeira é dura, densa, pesada e porosa, é usada nas guitarras e outros instrumentos de música, em raquetes e outros objetos que impliquem flexibilidade e resistência!
Na idade média a sua madeira era muito apreciada na construção de arcos e flechas. 
Estas árvores eram das principais nos cultos das antigas religiões pagãs e Sagradas do povo Celta, mas também dos escandinavos e dos gregos.
Os gregos acreditavam que era a grande árvore universal, devido às suas extensas e profundas raízes que uniam a humanidade ligando o mundo dos vivos com o mundo dos mortos. 
Poseidon, Deus grego dos mares, fazia também o culto desta árvore e as sacerdotisas dos templos gregos tomavam muitas decisões importantes na sua sombra. 
Nas terras de Capelins, estas árvores tinham várias finalidades, o seu enraizamento profundo e extenso retinha as terras junto aos cursos de água, impedindo que fossem arrastadas pelas águas originando o assenhoramento dos vales! 
Os seus ramos verdes muito saudáveis, na época seca, serviam para alimentação do gado herbívoro ruminante e, acreditava-se que, se o mesmo consumisse as suas folhas, não adoecia. 
O freixeiro, sempre foi, e ainda é considerado uma árvore protetora.


Freixo (Freixeiro) 


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

490 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
O Pereiro Bravo ou Carapeteiro 
O Pyrus bourgaeana, popularmente chamado de carapeteiro, catapereiro, pereira-brava, pereiro-bravo, cachapirro, escalheiro-manso ou escalheiro-preto, é uma espécie vegetal de porte arbóreo e espermatófita que pertencence ao género Pyrus e à família Rosaceae! 
É uma planta abundante nas terras de Capelins, típica dos matos, encontrando-se, geralmente junto de azinheiras (Quercus ilex), prefere solos siliciosos e clima temperado, embora se adapte bem a todas as condições de frio ou calor! 
O carapeteiro é uma árvore de pequeno porte, caducifólia, por vezes arbustivo, com ramos espinhosos e em disposição aberta, as folhas são ovais, dentadas e apresentam um pecíolo grande! 
Esta árvore floresce entre Fevereiro e Março e as suas flores apresentam-se em grupos de umbelas, com cinco sépalas e cinco pétalas brancas ou suavemente rosadas, com numerosos estames.
Os seus frutos são pequenos, de forma esférica e com polpa farinhenta, a maturação tem lugar no outono e, bem maduros eram muito apreciados nas terras de Capelins! A sua colheita tinha de ser feita com cuidado, para evitar picadas da árvore, depois, eram colocados dentro de palha durante umas semanas, até à maturação e ficarem doces, mas o seu consumo sem esta ação, não era fácil. 
Os pêros, do pereiro bravo, após caírem da árvore eram consumidos por diversos mamíferos selvagens, lebres, coelhos, ouriços e outros, que atuavam como dispersores das sementes! 
O uso principal do carapeteiro era para base de enxertia de outras árvores de fruto, quase sempre em pereiras!


Pereiro bravo ou carapeteiro 



quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

489 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
O Marmeleiro 
Antes do ano de 1800, ao consultarmos escrituras de compra e venda de courelas nas terras de Capelins, nas quais está descriminado todas as árvores que as mesmas continham, em algumas, lá encontramos o marmeleiro! 
O marmeleiro pertence à família Rosaceae, subfamília Pomoideae e género Cydonia e já era cultivado na Babilónia desde a antiguidade (4000 a. C). A sua origem, parece ser da Europa Meridional ou das orlas meridionais do Mar Cáspio! 
O marmeleiro é uma planta que possui porte arbustivo ou arbóreo, que pode atingir quatro a seis metros de altura, com o tronco tortuoso, de epiderme lisa, acinzentada, formando escamas, que se desprendem, com a idade. A copa é irregular e os ramos jovens são tomentosos, as suas folhas são caducas, alternas, de cinco a dez centímetros de comprimento e de quatro a seis centímetros de largura, com forma ovada ou elítica e de pecíolo curto. 
As suas flores são brancas ou rosadas, solitárias, surgem nas axilas das folhas, medem três a sete centímetros de diâmetro, têm cinco pétalas, cinco sépalas e vinte estames. A floração ocorre na primavera, entre Março e Maio! 
O fruto é o marmelo, de cor amarelo dourado, muito aromático, com ápice em forma de umbigo. A polpa é amarelada e ácida, contendo numerosas sementes, semelhantes às da macieira, apresentando coloração castanha escura. 
Nas terras de Capelins, o marmelo era consumido, cozido ou assado, com açúcar, transformado em marmelada, e raramente faziam geleia ou compota! Devido à sua dureza e ao ácido não era muito apetecível cru! 
O marmelo, também era usado como corta gordura, sendo frito com os torresmos nas matanças de porcos! 
Os árabes utilizaram o marmeleiro para fins medicinais, dado o seu conteúdo em mucilagem! 
O marmeleiro adapta-se a diferentes tipos de solo, dos mais férteis até aos mais pobres, desde que sejam frescos e com reação ligeiramente ácida, sendo encontrados nas terras de Capelins, na sua maioria, junto aos ribeiros e lugares baixos.


Marmeleiro 


terça-feira, 8 de janeiro de 2019

488 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
A Figueira 
A figueira-comum, também designada por figueira da Europa, figueira de baco, figueira de Portugal, figueira do Reino e figueira mansa, Ficus carica, árvore da família Moraceae, que pode atingir grande porte até oito metros de altura, é originária da região do Mediterrâneo e o seu uso iniciou-se na Idade da Pedra, sendo uma das primeiras plantas cultivadas pelo homem!
Os ramos das figueiras são frágeis, possuem folhas recortadas, tendo entre cinco e sete lobos, as suas flores de pequeno tamanho desenvolvem-se no seu interior quando ainda são inflorescências. 
As terras de Capelins eram muito povoadas por esta árvore, talvez, aqui introduzida pelos romanos ou pelos árabes, mas é com os Cristãos novos a partir do ano de 1500 que ganham maior importância, uma vez que, os seus antepassados judeus não podiam consumir carne de porco, então, um dos condutos para o pão, eram as passas de figo, continuando aqueles com essa tradição! 
Os figos da Figueira Ficus carica, podem constituir uma inflorescência se possuirem somente flores e uma infrutescência se as flores forem fertilizadas e se transformarem em pequenos aquênios, frutos, que contêm a semente.
Os figos são de estruturação carnuda e suculenta, têm a coloração branco-amarelada até roxa, são comestíveis e altamente energéticos pois são ricos em açúcar e são colhidos, conforme a espécie, entre Maio e Outubro, podendo ser consumidos frescos ou secos, neste caso designados passas, obtidas dos mesmos, que eram colocados ao sol do verão em tabuleiros, até ficarem bem secos, depois eram tratados ao gosto de cada família, podiam ser logo guardados em panelas de barro, ou sofriam uma pequena fervura adicionando funcho nessa água, ou ainda, outros tratamentos que eram segredos e, eram então guardadas para aguentar quase todo o ano, sendo um doce para oferecer no dia de todos os Santos, no Natal e para completar as merendas nos campos de Capelins.


Figueira de Capelins 


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

487 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Os trajes das terras de Capelins 
A Samarra 
A Samarra era um resguardo tradicional masculino que, parece ter a sua origem no Ribatejo, porém, ao longo dos anos foi descendo ao Alentejo e, acabou por se difundir por outras regiões do país! 
A Samarra, era feita em fazenda de lã castanha, azul-escura ou preta, tinha decote redondo e, apertava à frente com carcela e cinco botões de massa, os bolsos eram embutidos na vertical ou diagonal, as mangas eram compridas com aplicação de botões ou com virola e era forrada de cetim acolchoado.
As golas das samarras eram forradas de pele de raposa, de borrego, ou por questão de preço, podiam nem ter pele! 
As Samarras, também eram usadas nas terras de Capelins, pelos lavradores e por outras pessoas que tinham posses para as comprar nas feiras da região! 



Samarra Alentejana


584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...