sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

491 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 

Árvores tradicionais das terras de Capelins 

O Freixo ou "Freixeiro" 

O Freixo, Fraxinus excelsior, designado nas terras de Capelins por Freixeiro é uma espécie de árvore da família das Oleaceae Fraxinus excelsior! 

Nas terras de Capelins, encontravam-se em abundância, nas margens dos Ribeiros, afluentes das Ribeiras de Lucefécit, do Azevel e do rio Guadiana e também, nas margens e imediações destes cursos de água!

O Freixeiro é uma árvore de solos frescos e profundos, de porte médio, que pode atingir cerca de vinte e cinco metros de altura, a casca tem sulcos profundos, verticais e é castanha escura acinzentada, as folhas são verdes e têm efeitos medicinais em chá, as flores não têm cálice nem corola, são em cachos, pendentes e surgem antes do aparecimento das folhas.
A madeira é dura, densa, pesada e porosa, é usada nas guitarras e outros instrumentos de música, em raquetes e outros objetos que impliquem flexibilidade e resistência!
Na idade média a sua madeira era muito apreciada na construção de arcos e flechas. 
Estas árvores eram das principais nos cultos das antigas religiões pagãs e Sagradas do povo Celta, mas também dos escandinavos e dos gregos.
Os gregos acreditavam que era a grande árvore universal, devido às suas extensas e profundas raízes que uniam a humanidade ligando o mundo dos vivos com o mundo dos mortos. 
Poseidon, Deus grego dos mares, fazia também o culto desta árvore e as sacerdotisas dos templos gregos tomavam muitas decisões importantes na sua sombra. 
Nas terras de Capelins, estas árvores tinham várias finalidades, o seu enraizamento profundo e extenso retinha as terras junto aos cursos de água, impedindo que fossem arrastadas pelas águas originando o assenhoramento dos vales! 
Os seus ramos verdes muito saudáveis, na época seca, serviam para alimentação do gado herbívoro ruminante e, acreditava-se que, se o mesmo consumisse as suas folhas, não adoecia. 
O freixeiro, sempre foi, e ainda é considerado uma árvore protetora.


Freixo (Freixeiro) 


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

490 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
O Pereiro Bravo ou Carapeteiro 
O Pyrus bourgaeana, popularmente chamado de carapeteiro, catapereiro, pereira-brava, pereiro-bravo, cachapirro, escalheiro-manso ou escalheiro-preto, é uma espécie vegetal de porte arbóreo e espermatófita que pertencence ao género Pyrus e à família Rosaceae! 
É uma planta abundante nas terras de Capelins, típica dos matos, encontrando-se, geralmente junto de azinheiras (Quercus ilex), prefere solos siliciosos e clima temperado, embora se adapte bem a todas as condições de frio ou calor! 
O carapeteiro é uma árvore de pequeno porte, caducifólia, por vezes arbustivo, com ramos espinhosos e em disposição aberta, as folhas são ovais, dentadas e apresentam um pecíolo grande! 
Esta árvore floresce entre Fevereiro e Março e as suas flores apresentam-se em grupos de umbelas, com cinco sépalas e cinco pétalas brancas ou suavemente rosadas, com numerosos estames.
Os seus frutos são pequenos, de forma esférica e com polpa farinhenta, a maturação tem lugar no outono e, bem maduros eram muito apreciados nas terras de Capelins! A sua colheita tinha de ser feita com cuidado, para evitar picadas da árvore, depois, eram colocados dentro de palha durante umas semanas, até à maturação e ficarem doces, mas o seu consumo sem esta ação, não era fácil. 
Os pêros, do pereiro bravo, após caírem da árvore eram consumidos por diversos mamíferos selvagens, lebres, coelhos, ouriços e outros, que atuavam como dispersores das sementes! 
O uso principal do carapeteiro era para base de enxertia de outras árvores de fruto, quase sempre em pereiras!


Pereiro bravo ou carapeteiro 



quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

489 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
O Marmeleiro 
Antes do ano de 1800, ao consultarmos escrituras de compra e venda de courelas nas terras de Capelins, nas quais está descriminado todas as árvores que as mesmas continham, em algumas, lá encontramos o marmeleiro! 
O marmeleiro pertence à família Rosaceae, subfamília Pomoideae e género Cydonia e já era cultivado na Babilónia desde a antiguidade (4000 a. C). A sua origem, parece ser da Europa Meridional ou das orlas meridionais do Mar Cáspio! 
O marmeleiro é uma planta que possui porte arbustivo ou arbóreo, que pode atingir quatro a seis metros de altura, com o tronco tortuoso, de epiderme lisa, acinzentada, formando escamas, que se desprendem, com a idade. A copa é irregular e os ramos jovens são tomentosos, as suas folhas são caducas, alternas, de cinco a dez centímetros de comprimento e de quatro a seis centímetros de largura, com forma ovada ou elítica e de pecíolo curto. 
As suas flores são brancas ou rosadas, solitárias, surgem nas axilas das folhas, medem três a sete centímetros de diâmetro, têm cinco pétalas, cinco sépalas e vinte estames. A floração ocorre na primavera, entre Março e Maio! 
O fruto é o marmelo, de cor amarelo dourado, muito aromático, com ápice em forma de umbigo. A polpa é amarelada e ácida, contendo numerosas sementes, semelhantes às da macieira, apresentando coloração castanha escura. 
Nas terras de Capelins, o marmelo era consumido, cozido ou assado, com açúcar, transformado em marmelada, e raramente faziam geleia ou compota! Devido à sua dureza e ao ácido não era muito apetecível cru! 
O marmelo, também era usado como corta gordura, sendo frito com os torresmos nas matanças de porcos! 
Os árabes utilizaram o marmeleiro para fins medicinais, dado o seu conteúdo em mucilagem! 
O marmeleiro adapta-se a diferentes tipos de solo, dos mais férteis até aos mais pobres, desde que sejam frescos e com reação ligeiramente ácida, sendo encontrados nas terras de Capelins, na sua maioria, junto aos ribeiros e lugares baixos.


Marmeleiro 


terça-feira, 8 de janeiro de 2019

488 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
A Figueira 
A figueira-comum, também designada por figueira da Europa, figueira de baco, figueira de Portugal, figueira do Reino e figueira mansa, Ficus carica, árvore da família Moraceae, que pode atingir grande porte até oito metros de altura, é originária da região do Mediterrâneo e o seu uso iniciou-se na Idade da Pedra, sendo uma das primeiras plantas cultivadas pelo homem!
Os ramos das figueiras são frágeis, possuem folhas recortadas, tendo entre cinco e sete lobos, as suas flores de pequeno tamanho desenvolvem-se no seu interior quando ainda são inflorescências. 
As terras de Capelins eram muito povoadas por esta árvore, talvez, aqui introduzida pelos romanos ou pelos árabes, mas é com os Cristãos novos a partir do ano de 1500 que ganham maior importância, uma vez que, os seus antepassados judeus não podiam consumir carne de porco, então, um dos condutos para o pão, eram as passas de figo, continuando aqueles com essa tradição! 
Os figos da Figueira Ficus carica, podem constituir uma inflorescência se possuirem somente flores e uma infrutescência se as flores forem fertilizadas e se transformarem em pequenos aquênios, frutos, que contêm a semente.
Os figos são de estruturação carnuda e suculenta, têm a coloração branco-amarelada até roxa, são comestíveis e altamente energéticos pois são ricos em açúcar e são colhidos, conforme a espécie, entre Maio e Outubro, podendo ser consumidos frescos ou secos, neste caso designados passas, obtidas dos mesmos, que eram colocados ao sol do verão em tabuleiros, até ficarem bem secos, depois eram tratados ao gosto de cada família, podiam ser logo guardados em panelas de barro, ou sofriam uma pequena fervura adicionando funcho nessa água, ou ainda, outros tratamentos que eram segredos e, eram então guardadas para aguentar quase todo o ano, sendo um doce para oferecer no dia de todos os Santos, no Natal e para completar as merendas nos campos de Capelins.


Figueira de Capelins 


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

487 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Os trajes das terras de Capelins 
A Samarra 
A Samarra era um resguardo tradicional masculino que, parece ter a sua origem no Ribatejo, porém, ao longo dos anos foi descendo ao Alentejo e, acabou por se difundir por outras regiões do país! 
A Samarra, era feita em fazenda de lã castanha, azul-escura ou preta, tinha decote redondo e, apertava à frente com carcela e cinco botões de massa, os bolsos eram embutidos na vertical ou diagonal, as mangas eram compridas com aplicação de botões ou com virola e era forrada de cetim acolchoado.
As golas das samarras eram forradas de pele de raposa, de borrego, ou por questão de preço, podiam nem ter pele! 
As Samarras, também eram usadas nas terras de Capelins, pelos lavradores e por outras pessoas que tinham posses para as comprar nas feiras da região! 



Samarra Alentejana


486 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 

Os cardos nas terras de Capelins 
O cardo é o nome comum de diversas espécies de plantas que pertencem ao género Cynara e à família Asteraceae, a mesma da alface, chicória, endivas e outras. 
Neste caso, apenas nos referimos aos cardos usados nas sopas nas terras de Capelins, onde os mesmos, eram muito apreciados, principalmente nas sopas de grãos ou de couves!
Os cardos são uma planta rasteira com muitas folhas cobertas de picos nas extremidades, por isso, era preciso ter algum cuidado na sua apanha nos campos! Assim, cortavam-se junto à terra e, deixavam-se murchar umas horas para diminuir a agressividade dos picos, diminuindo as eventuais picadas nas mãos, quando na preparação, as folhas com picos eram ripadas à volta do caule que, era a parte comestível. 
Os cardos davam algum trabalho a arranjar, mas o resultado final era delicioso! 
Encontramos os cardos em solos bem drenados, secos e áridos e ricos em azoto! 
Os cardos têm efeitos medicinais, de entre as suas propriedades, são ricos em sais minerais e destaca-se a ação protetora do fígado!


Cardo de ouro 


domingo, 6 de janeiro de 2019

485 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
As Labaças nas terras de Capelins 
As labaças, Rumex crispus L, em capelinense alabaças, pertencem à família das Poligonáceas, existindo muitas espécies e com diversas designações, mas a Rumex crispus é a mais consumida! É uma planta vivaz, nativa da Europa e de África!
As alabaças eram muito apreciadas nas terras de Capelins onde, tradicionalmente eram usadas em variados e deliciosos pratos, desde assopas de feijão e de grão e, em esparregados, neste caso, eram cozidas e depois guisadas com ovos e miolo de pão alentejano, como coziam muito rapidamente, uma vez que, eram colhidas apenas as folhas mais jovens e tenras, depressa se fazia o esparregado, o qual, como referimos, levava miolo de pão, mas a refeição era acompanhada com pão, sendo um bom jantar (ceia) para toda a família!

Quanto à tradição em consumir alabaças nas terras de Capelins, a mesma, já vem da época dos árabes que, conforme está mencionado num tratado antigo, faziam a sopa de alabaças com grão como dieta, calmante para o estômago.

Ainda hoje, os capelinenses e não só, continuam a consumir alabaças, também designadas catacuzes!

Sopa de feijão com labaças/alabaças

Ingredientes:
(para 2 pessoas)
Um molho pequeno de folhas de Labaças
1 lata de feijão manteiga cozido de 410 gramas (será melhor cozer o feijão manteiga e não usar o de lata, mas tem de ficar de molho em água desde a noite anterior)
1 cebola média picada ou em fatias finas
2-3 dentes de alho picados ou fatiados
1 folha de louro
Sal e azeite qb
Água q.b.


Alabaças 


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