terça-feira, 8 de janeiro de 2019

488 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins
Árvores tradicionais das terras de Capelins 
A Figueira 
A figueira-comum, também designada por figueira da Europa, figueira de baco, figueira de Portugal, figueira do Reino e figueira mansa, Ficus carica, árvore da família Moraceae, que pode atingir grande porte até oito metros de altura, é originária da região do Mediterrâneo e o seu uso iniciou-se na Idade da Pedra, sendo uma das primeiras plantas cultivadas pelo homem!
Os ramos das figueiras são frágeis, possuem folhas recortadas, tendo entre cinco e sete lobos, as suas flores de pequeno tamanho desenvolvem-se no seu interior quando ainda são inflorescências. 
As terras de Capelins eram muito povoadas por esta árvore, talvez, aqui introduzida pelos romanos ou pelos árabes, mas é com os Cristãos novos a partir do ano de 1500 que ganham maior importância, uma vez que, os seus antepassados judeus não podiam consumir carne de porco, então, um dos condutos para o pão, eram as passas de figo, continuando aqueles com essa tradição! 
Os figos da Figueira Ficus carica, podem constituir uma inflorescência se possuirem somente flores e uma infrutescência se as flores forem fertilizadas e se transformarem em pequenos aquênios, frutos, que contêm a semente.
Os figos são de estruturação carnuda e suculenta, têm a coloração branco-amarelada até roxa, são comestíveis e altamente energéticos pois são ricos em açúcar e são colhidos, conforme a espécie, entre Maio e Outubro, podendo ser consumidos frescos ou secos, neste caso designados passas, obtidas dos mesmos, que eram colocados ao sol do verão em tabuleiros, até ficarem bem secos, depois eram tratados ao gosto de cada família, podiam ser logo guardados em panelas de barro, ou sofriam uma pequena fervura adicionando funcho nessa água, ou ainda, outros tratamentos que eram segredos e, eram então guardadas para aguentar quase todo o ano, sendo um doce para oferecer no dia de todos os Santos, no Natal e para completar as merendas nos campos de Capelins.


Figueira de Capelins 


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

487 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Os trajes das terras de Capelins 
A Samarra 
A Samarra era um resguardo tradicional masculino que, parece ter a sua origem no Ribatejo, porém, ao longo dos anos foi descendo ao Alentejo e, acabou por se difundir por outras regiões do país! 
A Samarra, era feita em fazenda de lã castanha, azul-escura ou preta, tinha decote redondo e, apertava à frente com carcela e cinco botões de massa, os bolsos eram embutidos na vertical ou diagonal, as mangas eram compridas com aplicação de botões ou com virola e era forrada de cetim acolchoado.
As golas das samarras eram forradas de pele de raposa, de borrego, ou por questão de preço, podiam nem ter pele! 
As Samarras, também eram usadas nas terras de Capelins, pelos lavradores e por outras pessoas que tinham posses para as comprar nas feiras da região! 



Samarra Alentejana


486 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 

Os cardos nas terras de Capelins 
O cardo é o nome comum de diversas espécies de plantas que pertencem ao género Cynara e à família Asteraceae, a mesma da alface, chicória, endivas e outras. 
Neste caso, apenas nos referimos aos cardos usados nas sopas nas terras de Capelins, onde os mesmos, eram muito apreciados, principalmente nas sopas de grãos ou de couves!
Os cardos são uma planta rasteira com muitas folhas cobertas de picos nas extremidades, por isso, era preciso ter algum cuidado na sua apanha nos campos! Assim, cortavam-se junto à terra e, deixavam-se murchar umas horas para diminuir a agressividade dos picos, diminuindo as eventuais picadas nas mãos, quando na preparação, as folhas com picos eram ripadas à volta do caule que, era a parte comestível. 
Os cardos davam algum trabalho a arranjar, mas o resultado final era delicioso! 
Encontramos os cardos em solos bem drenados, secos e áridos e ricos em azoto! 
Os cardos têm efeitos medicinais, de entre as suas propriedades, são ricos em sais minerais e destaca-se a ação protetora do fígado!


Cardo de ouro 


domingo, 6 de janeiro de 2019

485 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
As Labaças nas terras de Capelins 
As labaças, Rumex crispus L, em capelinense alabaças, pertencem à família das Poligonáceas, existindo muitas espécies e com diversas designações, mas a Rumex crispus é a mais consumida! É uma planta vivaz, nativa da Europa e de África!
As alabaças eram muito apreciadas nas terras de Capelins onde, tradicionalmente eram usadas em variados e deliciosos pratos, desde assopas de feijão e de grão e, em esparregados, neste caso, eram cozidas e depois guisadas com ovos e miolo de pão alentejano, como coziam muito rapidamente, uma vez que, eram colhidas apenas as folhas mais jovens e tenras, depressa se fazia o esparregado, o qual, como referimos, levava miolo de pão, mas a refeição era acompanhada com pão, sendo um bom jantar (ceia) para toda a família!

Quanto à tradição em consumir alabaças nas terras de Capelins, a mesma, já vem da época dos árabes que, conforme está mencionado num tratado antigo, faziam a sopa de alabaças com grão como dieta, calmante para o estômago.

Ainda hoje, os capelinenses e não só, continuam a consumir alabaças, também designadas catacuzes!

Sopa de feijão com labaças/alabaças

Ingredientes:
(para 2 pessoas)
Um molho pequeno de folhas de Labaças
1 lata de feijão manteiga cozido de 410 gramas (será melhor cozer o feijão manteiga e não usar o de lata, mas tem de ficar de molho em água desde a noite anterior)
1 cebola média picada ou em fatias finas
2-3 dentes de alho picados ou fatiados
1 folha de louro
Sal e azeite qb
Água q.b.


Alabaças 


484 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Trajes usados nas terras de Capelins 
O Pelico e os Safões em pele de borrego
O Pelico e os Safões de pele de borrego (castanho), era um traje usado em todo o Alentejo, por ser um excelente abrigo do frio e da chuva e por não causar impedimento na elaboração da maior parte dos trabalhos na agro pecuária! 
O pelico podia apresentar uma estrutura idêntica a um casaco sem mangas, as cavas eram cortadas de forma a ultrapassarem o ombro, protegendo as espáduas com as abas, na parte de trás descia até ao meio das pernas, podendo ter, ou não gola, e era abotoado com botões de metal anti ferrugem! 
Os cortes dos pelicos ajustavam-se à dimensão da pele do animal e à medida do corpo do seu utilizador! 
Os safões consistiam/consistem em dois meios aventais, cavados, de forma a contornarem as pernas ajustados através de botões iguais aos dos pelicos!
Desta forma, os homens protegiam-se dos ventos gelados e da chuva no Inverno!
Nas terras de Capelins , alguns homens, no Inverno, por debaixo do pelico e safões, geralmente, usavam camisa de riscado, calça de cotim, ceroulas de flanela, camisola interior, meias de linha, botas grosseiras e, um chapéu preto ou uma boina de orelhas!
Os homens que não tinham safões, por vezes, sobre as calças, usavam pequenas tiras de sacos de serapilheira, tipo polainas, para proteger o fundo das pernas das calças, acima das botas. 
É de salientar que, também existiam safões, apenas para proteger as pernas e as calças, feitos de um tecido resistente, que designavam por lona.

Pelico e Safões 


483 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
O Capote nas terras de Capelins 
O capote alentejano teve a sua origem nos trajes de pastores do Alto Alentejo que, pretendiam um casaco em burel que os cobrisse do frio e que, ao mesmo tempo, lhes desse liberdade de movimentos. Assim, surgiu a ideia de se coser um traje longo e sem mangas que possuía uma sobrecapa que caía até à altura do peito e podia possuir uma gola em pele de raposa ou do mesmo tecido! Como referimos, esta peça de vestuário teve a sua origem na classe pobre, passando depois a ser agasalho e, ao mesmo tempo um sinal de fortuna, ou pelo menos fingiam que a tinham, sendo muito usado pela classe rica e, até por alguns reis de Portugal. 
Nas terras de Capelins, no Inverno e, em toda a época de mais frio e chuva, os homens de posses, lavradores e não só, não perdiam a oportunidade de exibir os seus capotes, nas festas, cerimónias, bailes e outros ajuntamentos, os quais, podiam ser de burel ou de lã e, de cor castanha ou outras mais escuras!
Escrevemos sobre o passado dos capotes, mas na verdade, ainda são usados como peças de vestuário de recorte muito nobre! 
É a nossa singela homenagem, aos capotes das terras de Capelins!



Capote 


quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

482 - Terras de Capelins 

Terras de Azinheiras, terras de Montados 
A Azinheira 
Nome científico: Quercus rotundifolia
As azinheiras são árvores que se desenvolvem a partir dos chaparros (azinheiras jovens) de crescimento muito lento, levando centenas de anos a atingir o grande porte que as caracteriza! São árvores muito abundantes nas terras de Capelins, onde existem grandes montados, as mesmas, chegam a medir até 10 metros de altura, pertencem à família das fagáceas, possuem folhas discolores, ligeiramente espinhosas nos espécimes adultos, flores masculinas em amentos, as femininas em panículas e frutos ovoides! Em algumas espécies existe dimorfismo foliar.
A azinheira é nativa da região Mediterrânica da Europa e Norte da África, a sua madeira é dura e resistente, sendo muito utilizada, desde a antiguidade! Nas terras de Capelins os seus ramos e troncos depois de secos eram e ainda são utilizados como combustível para o lume e, assim coser os alimentos e ao mesmo tempo aquecer as casas! 
A sua lenha,(ramos secos) também, aquecia os fornos de coser o pão e para fazer carvão vegetal em fornos construídos com a lenha das azinheiras, coberta de palha e, depois tudo tapado com terra, deixando apenas os respiradores para poder desenvolver a combustão e ao arder durante alguns dias, estava/está feito o carvão, ainda muito procurado para aquecimento e para os grelhadores! 
O seu fruto é a bolota que, é aproveitada para vários fins, como foi descrito em artigo anterior.



Azinheira de Capelins 



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