domingo, 6 de janeiro de 2019

484 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Trajes usados nas terras de Capelins 
O Pelico e os Safões em pele de borrego
O Pelico e os Safões de pele de borrego (castanho), era um traje usado em todo o Alentejo, por ser um excelente abrigo do frio e da chuva e por não causar impedimento na elaboração da maior parte dos trabalhos na agro pecuária! 
O pelico podia apresentar uma estrutura idêntica a um casaco sem mangas, as cavas eram cortadas de forma a ultrapassarem o ombro, protegendo as espáduas com as abas, na parte de trás descia até ao meio das pernas, podendo ter, ou não gola, e era abotoado com botões de metal anti ferrugem! 
Os cortes dos pelicos ajustavam-se à dimensão da pele do animal e à medida do corpo do seu utilizador! 
Os safões consistiam/consistem em dois meios aventais, cavados, de forma a contornarem as pernas ajustados através de botões iguais aos dos pelicos!
Desta forma, os homens protegiam-se dos ventos gelados e da chuva no Inverno!
Nas terras de Capelins , alguns homens, no Inverno, por debaixo do pelico e safões, geralmente, usavam camisa de riscado, calça de cotim, ceroulas de flanela, camisola interior, meias de linha, botas grosseiras e, um chapéu preto ou uma boina de orelhas!
Os homens que não tinham safões, por vezes, sobre as calças, usavam pequenas tiras de sacos de serapilheira, tipo polainas, para proteger o fundo das pernas das calças, acima das botas. 
É de salientar que, também existiam safões, apenas para proteger as pernas e as calças, feitos de um tecido resistente, que designavam por lona.

Pelico e Safões 


483 - Terras de Capelins 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
O Capote nas terras de Capelins 
O capote alentejano teve a sua origem nos trajes de pastores do Alto Alentejo que, pretendiam um casaco em burel que os cobrisse do frio e que, ao mesmo tempo, lhes desse liberdade de movimentos. Assim, surgiu a ideia de se coser um traje longo e sem mangas que possuía uma sobrecapa que caía até à altura do peito e podia possuir uma gola em pele de raposa ou do mesmo tecido! Como referimos, esta peça de vestuário teve a sua origem na classe pobre, passando depois a ser agasalho e, ao mesmo tempo um sinal de fortuna, ou pelo menos fingiam que a tinham, sendo muito usado pela classe rica e, até por alguns reis de Portugal. 
Nas terras de Capelins, no Inverno e, em toda a época de mais frio e chuva, os homens de posses, lavradores e não só, não perdiam a oportunidade de exibir os seus capotes, nas festas, cerimónias, bailes e outros ajuntamentos, os quais, podiam ser de burel ou de lã e, de cor castanha ou outras mais escuras!
Escrevemos sobre o passado dos capotes, mas na verdade, ainda são usados como peças de vestuário de recorte muito nobre! 
É a nossa singela homenagem, aos capotes das terras de Capelins!



Capote 


quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

482 - Terras de Capelins 

Terras de Azinheiras, terras de Montados 
A Azinheira 
Nome científico: Quercus rotundifolia
As azinheiras são árvores que se desenvolvem a partir dos chaparros (azinheiras jovens) de crescimento muito lento, levando centenas de anos a atingir o grande porte que as caracteriza! São árvores muito abundantes nas terras de Capelins, onde existem grandes montados, as mesmas, chegam a medir até 10 metros de altura, pertencem à família das fagáceas, possuem folhas discolores, ligeiramente espinhosas nos espécimes adultos, flores masculinas em amentos, as femininas em panículas e frutos ovoides! Em algumas espécies existe dimorfismo foliar.
A azinheira é nativa da região Mediterrânica da Europa e Norte da África, a sua madeira é dura e resistente, sendo muito utilizada, desde a antiguidade! Nas terras de Capelins os seus ramos e troncos depois de secos eram e ainda são utilizados como combustível para o lume e, assim coser os alimentos e ao mesmo tempo aquecer as casas! 
A sua lenha,(ramos secos) também, aquecia os fornos de coser o pão e para fazer carvão vegetal em fornos construídos com a lenha das azinheiras, coberta de palha e, depois tudo tapado com terra, deixando apenas os respiradores para poder desenvolver a combustão e ao arder durante alguns dias, estava/está feito o carvão, ainda muito procurado para aquecimento e para os grelhadores! 
O seu fruto é a bolota que, é aproveitada para vários fins, como foi descrito em artigo anterior.



Azinheira de Capelins 



domingo, 30 de dezembro de 2018

481 - Terras de Capelins 

Terras de oliveiras e olivais 
A oliveira 
Nome científico: Olea europaea L. 
A oliveira é uma árvore da família das oleáceas que existe em abundância nas terras de Capelins!
Os frutos da oliveira são as azeitona, usadas, essencialmente para fazer azeite, mas também , depois de devidamente tratadas, podendo ser retalhadas, com 3/4 golpes ao alto, pisadas com um martelo ou melhor com uma simples pedra, são adoçadas em água, que é mudada diariamente e, em cerca de quinze dias estão prontas a consumir, adiciona-se apenas sal, oregãos e louro! Porém, a conserva que era feita em todas as casas dos capelinenses, começava por se escolher a azeitona já madura e sem nenhuma mácula, depois, era mergulhada dentro de água dentro de uma vasilha de barro chamada tarefa ou asada, onde permanecia entre o mês de Dezembro a Março, no final deste mês, eram temperadas com muito sal, oregãos e louro e, depositadas novamente na mesma vasilha, ou similar, onde ficavam em repouso dentro de água, cerca de dois a três meses, depois já podiam ser consumidas e deviam durar odo o ano, fazendo sempre parte das merendas, (almoços), dos que trabalhavam no meio rural, que eram, quase todos/as os/as capelinenses! Um bocadinho de pão com azeitonas, era muitas vezes o alivio da fome de muitos capelinensnes e dos pedintes que apareciam frequentemente, em grande número nestas terras de Capelins! 
Nas terras de Capelins, concretamente no Monte Grande da herdade da Defesa de Ferreira, existia um lagar de azeite que, além de empregar durante meses, alguns capelinenses, sob a responsabilidade do Ti Limpas, produzia azeite de alta qualidade, principalmente, com as azeitonas das oliveiras da própria herdade, que existiram até cerca de 1978, quando o olival desapareceu por opção do seu proprietário, ficando o dito Lagar inativo, também por se encontrar obsoleto! 
O azeite era empregado como unguento, combustível para iluminação, ou na alimentação, e por todas estas utilidades, a oliveira tornou-se uma árvore venerada por diversos povos! 
A Civilização Minoica, que floresceu na ilha de Creta até 1 500 a.C., prosperou com o comércio do azeite, sendo dos primeiros povos que aprendeu a cultivar a oliveira e a tratar a azeitona!
Os gregos, que possivelmente herdaram as técnicas de cultivo da oliveira dos minoicos, associavam a árvore à força e à vida, sendo esta árvore tão importante que é citada na Bíblia em várias passagens, assim como, os seus frutos!
A longevidade das oliveiras é grande, estima-se que, algumas das oliveiras presentes em Israel tenham mais de 2 500 anos de idade, mas também, muito próximo das terras de Capelins estão registadas oliveiras com essa idade, talvez, as mais idosas do mundo!
Na Grécia Antiga já se falava das oliveiras, conta-se que, durante as disputas pelas terras onde hoje se encontra a cidade de Atenas, Posidão teria feito surgir um belo e forte cavalo com um golpe de seu tridente e a deusa Palas Atena teria então trazido uma oliveira capaz de produzir azeite para iluminar a noite e suavizar a dor dos feridos, fornecendo alimento rico em sabor e energia!
Na realidade, foram encontrados vestígios fossilizados de oliveiras em Itália, no Norte da África, em pinturas nas rochas das montanhas do Saara Central, com idade de seis mil a sete mil anos! Também foram encontradas múmias da XX dinastia egípcia vestidas com grinaldas trançadas de oliveira! Em Creta, foram encontrados registos em relevos e relíquias da época minoica (2 500 a.C.).
Os estudiosos de história concluem que, o azeite, faz parte da alimentação humana há muitos milénios! 
Os estudos concluem que, a oliveira é originaria do sul do Cáucaso, das planícies altas do Irão e do litoral do mediterrâneo, da Síria e Palestina, expandindo-se posteriormente para os restantes países Mediterrânicos, chegando às terras de Capelins e vizinhas, há mais de 2.000 anos. 
Face ao exposto, os antepassados capelinenses, tinham muito respeito por esta árvore!


Oliveiras de Capelins 



sábado, 29 de dezembro de 2018

480 - Terras de Capelins 
Terras de piorno e piorneiras 
As piorneiras de Capelins 
A piorneira (Genista tenera), é uma planta existente em abundância nas terras de Capelins! Estudos bioquímicos sobre a sua composição têm mostrado que é rico em compostos flavonóides e alcalóides! 
Para além dos seus efeitos antidiabéticos, também têm sido efectuados estudos epidemiológicos no domínio oncológico, das doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, como as doenças de Alzheimer e de Parkinson! 
O uso tradicional do piorno e a sua investigação científica como planta medicinal exigem, cada vez mais, novos estudos, designadamente, os que se relacionam com o conhecimento dos seus mecanismos de propagação, tendo em conta a possível utilização comercial da planta e a sua produção em sistemas agrícolas extensivos! 
Nas terras de Capelins, outrora era usado para cobertura de casas, cabanas, abrigos para animais, acender e alimentar o lume, mas o piorno é uma planta medicinal que pode ser explorado para este fim, podendo no futuro, ser um fator económico nas terras de Capelins.


Piorneiras de Capelins 


479 - Terras de Capelins 

Terras de Estevas 
A Esteva 
Nome científico: Cistus ladanifer 
A esteva é uma espécie de planta com flores da família Cistaceae, é um arbusto que atinge 1-2,5 m de altura e de largura! As suas folhas são persistentes, lanceoladas, com 3–10 cm de comprimento e 1–2 cm de largura, de cor verde escuro na face superior e mais claro na inferior! As suas flores têm 5–8 cm de diâmetro, com 5 pétalas brancas finas, normalmente com um ponto vermelho a castanho na base de cada uma, rodeando os estames e pistilos amarelos! 
Toda a planta se apresenta recoberta com um exsudado de resina aromática! 
As folhas libertam uma resina aromática, o ládano ou lábdano, usado em perfumes, especialmente como fixador!
O epíteto específico da esteva "ladanifer" vem do facto de ela produzir a resina denominada ládano cuja abundância lhe permite competir com outras espécies, visto que parece inibir o crescimento destas, esta estratégia é denominada alelopatia. 
A resina serve também para proteger a planta contra a dissecação! 
A esteva é muito abundante nas terras de Capelins, encontramos esta planta em quase todos os lugares desta Freguesia, com maior predominância nos vales das Ribeiras de Lucefécit e Azevel e no Vale do Rio Guadiana! 
Concluímos que, a "esteva" pode ser uma fonte de matéria prima para a industria de perfumaria e outros fins económicos, porque sabe-se que é um poderoso antissético, anti-bacteriano e anti-viral.

Estevas de Capelins 


478 - Terras de Capelins 

Tradições das terras de Capelins 
Terras de Rosmaninho 
Rosmaninho 
Nome Comum: Rosmaninho
Nome Científico: Lavandula luisieri (Rozeira) Rivas-Martínez
Família: Labiatae 
O Rosmaninho existe em abundância nas terras de Capelins, nos lugares mais altos e secos, como a Serra da Sina, Canto de Igreja, Terraço, Barrinhos, Baldio, Carrão e, outros lugares a sul da Freguesia! 
Esta planta, ficou conhecida no final da Idade Média por possuir propriedades medicinais, embora por aqui nunca tivesse muito aproveitamento! 
É um arbusto vivaz, ereto, ascendente ou prostrado que pode atingir 50 cm de altura, tem o caule lenhoso, as folhas coriáceas, lineares ou lanceoladas, um pouco enroladas!
As suas flores são arroxeadas, tubulares e labiadas, inseridas em bráteas da mesma tonalidade, dispostas em espigas de dois a oito cm, tendo no seu topo três bráteas tepalóides compridas de cor violeta, ou lilás e tem um cheiro muito semelhante a alfazema! 
A sua floração é a partir de fins de Fevereiro/Março até Junho/Julho, mantendo-se toda a primavera e parte do verão!
Hoje, não tem utilidade, mas nas terras de Capelins tinha usos tradicionais como: 
Tratamento de problemas do foro nervoso (insónias, irritabilidade, enxaquecas), da digestão (indigestão, cólicas, gases, distensão abdominal) e de certos tipos de asma (efeito relaxante). 
Esta planta é bastante importante no fabrico do mel, visto ser, uma espécie muito melífera! O mel de rosmaninho é muito famoso pelo seu sabor e cheiro único e inconfundível. Também devido às suas características é usado na confecção de produtos de higiene e beleza, tais como, perfumes, sabonetes, loções capilares, cremes calmantes e balsâmicos! 
As suas flores podem ser usadas como insecticidas e rubefacientes!
O Rosmaninho, também se utilizava na religião, como por exemplo, os cristãos na altura da Páscoa costumavam fazer tapetes de rosmaninho, alecrim e ramos de loureiro, à entrada da porta para receber a Visita Pascal.
Também em tempos antigos era usual as pessoas festejarem o Solstício de Verão à volta de fogueiras, usando na cabeça grinaldas feitas de verbena e rosmaninho, que depois eram atiradas à fogueira ao mesmo tempo que se pedia um desejo. 
O Rosmaninho, continua a existir nas terras de Capelins, mas as tradições desapareceram.

Rosmaninho 


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