domingo, 30 de dezembro de 2018

481 - Terras de Capelins 

Terras de oliveiras e olivais 
A oliveira 
Nome científico: Olea europaea L. 
A oliveira é uma árvore da família das oleáceas que existe em abundância nas terras de Capelins!
Os frutos da oliveira são as azeitona, usadas, essencialmente para fazer azeite, mas também , depois de devidamente tratadas, podendo ser retalhadas, com 3/4 golpes ao alto, pisadas com um martelo ou melhor com uma simples pedra, são adoçadas em água, que é mudada diariamente e, em cerca de quinze dias estão prontas a consumir, adiciona-se apenas sal, oregãos e louro! Porém, a conserva que era feita em todas as casas dos capelinenses, começava por se escolher a azeitona já madura e sem nenhuma mácula, depois, era mergulhada dentro de água dentro de uma vasilha de barro chamada tarefa ou asada, onde permanecia entre o mês de Dezembro a Março, no final deste mês, eram temperadas com muito sal, oregãos e louro e, depositadas novamente na mesma vasilha, ou similar, onde ficavam em repouso dentro de água, cerca de dois a três meses, depois já podiam ser consumidas e deviam durar odo o ano, fazendo sempre parte das merendas, (almoços), dos que trabalhavam no meio rural, que eram, quase todos/as os/as capelinenses! Um bocadinho de pão com azeitonas, era muitas vezes o alivio da fome de muitos capelinensnes e dos pedintes que apareciam frequentemente, em grande número nestas terras de Capelins! 
Nas terras de Capelins, concretamente no Monte Grande da herdade da Defesa de Ferreira, existia um lagar de azeite que, além de empregar durante meses, alguns capelinenses, sob a responsabilidade do Ti Limpas, produzia azeite de alta qualidade, principalmente, com as azeitonas das oliveiras da própria herdade, que existiram até cerca de 1978, quando o olival desapareceu por opção do seu proprietário, ficando o dito Lagar inativo, também por se encontrar obsoleto! 
O azeite era empregado como unguento, combustível para iluminação, ou na alimentação, e por todas estas utilidades, a oliveira tornou-se uma árvore venerada por diversos povos! 
A Civilização Minoica, que floresceu na ilha de Creta até 1 500 a.C., prosperou com o comércio do azeite, sendo dos primeiros povos que aprendeu a cultivar a oliveira e a tratar a azeitona!
Os gregos, que possivelmente herdaram as técnicas de cultivo da oliveira dos minoicos, associavam a árvore à força e à vida, sendo esta árvore tão importante que é citada na Bíblia em várias passagens, assim como, os seus frutos!
A longevidade das oliveiras é grande, estima-se que, algumas das oliveiras presentes em Israel tenham mais de 2 500 anos de idade, mas também, muito próximo das terras de Capelins estão registadas oliveiras com essa idade, talvez, as mais idosas do mundo!
Na Grécia Antiga já se falava das oliveiras, conta-se que, durante as disputas pelas terras onde hoje se encontra a cidade de Atenas, Posidão teria feito surgir um belo e forte cavalo com um golpe de seu tridente e a deusa Palas Atena teria então trazido uma oliveira capaz de produzir azeite para iluminar a noite e suavizar a dor dos feridos, fornecendo alimento rico em sabor e energia!
Na realidade, foram encontrados vestígios fossilizados de oliveiras em Itália, no Norte da África, em pinturas nas rochas das montanhas do Saara Central, com idade de seis mil a sete mil anos! Também foram encontradas múmias da XX dinastia egípcia vestidas com grinaldas trançadas de oliveira! Em Creta, foram encontrados registos em relevos e relíquias da época minoica (2 500 a.C.).
Os estudiosos de história concluem que, o azeite, faz parte da alimentação humana há muitos milénios! 
Os estudos concluem que, a oliveira é originaria do sul do Cáucaso, das planícies altas do Irão e do litoral do mediterrâneo, da Síria e Palestina, expandindo-se posteriormente para os restantes países Mediterrânicos, chegando às terras de Capelins e vizinhas, há mais de 2.000 anos. 
Face ao exposto, os antepassados capelinenses, tinham muito respeito por esta árvore!


Oliveiras de Capelins 



sábado, 29 de dezembro de 2018

480 - Terras de Capelins 
Terras de piorno e piorneiras 
As piorneiras de Capelins 
A piorneira (Genista tenera), é uma planta existente em abundância nas terras de Capelins! Estudos bioquímicos sobre a sua composição têm mostrado que é rico em compostos flavonóides e alcalóides! 
Para além dos seus efeitos antidiabéticos, também têm sido efectuados estudos epidemiológicos no domínio oncológico, das doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, como as doenças de Alzheimer e de Parkinson! 
O uso tradicional do piorno e a sua investigação científica como planta medicinal exigem, cada vez mais, novos estudos, designadamente, os que se relacionam com o conhecimento dos seus mecanismos de propagação, tendo em conta a possível utilização comercial da planta e a sua produção em sistemas agrícolas extensivos! 
Nas terras de Capelins, outrora era usado para cobertura de casas, cabanas, abrigos para animais, acender e alimentar o lume, mas o piorno é uma planta medicinal que pode ser explorado para este fim, podendo no futuro, ser um fator económico nas terras de Capelins.


Piorneiras de Capelins 


479 - Terras de Capelins 

Terras de Estevas 
A Esteva 
Nome científico: Cistus ladanifer 
A esteva é uma espécie de planta com flores da família Cistaceae, é um arbusto que atinge 1-2,5 m de altura e de largura! As suas folhas são persistentes, lanceoladas, com 3–10 cm de comprimento e 1–2 cm de largura, de cor verde escuro na face superior e mais claro na inferior! As suas flores têm 5–8 cm de diâmetro, com 5 pétalas brancas finas, normalmente com um ponto vermelho a castanho na base de cada uma, rodeando os estames e pistilos amarelos! 
Toda a planta se apresenta recoberta com um exsudado de resina aromática! 
As folhas libertam uma resina aromática, o ládano ou lábdano, usado em perfumes, especialmente como fixador!
O epíteto específico da esteva "ladanifer" vem do facto de ela produzir a resina denominada ládano cuja abundância lhe permite competir com outras espécies, visto que parece inibir o crescimento destas, esta estratégia é denominada alelopatia. 
A resina serve também para proteger a planta contra a dissecação! 
A esteva é muito abundante nas terras de Capelins, encontramos esta planta em quase todos os lugares desta Freguesia, com maior predominância nos vales das Ribeiras de Lucefécit e Azevel e no Vale do Rio Guadiana! 
Concluímos que, a "esteva" pode ser uma fonte de matéria prima para a industria de perfumaria e outros fins económicos, porque sabe-se que é um poderoso antissético, anti-bacteriano e anti-viral.

Estevas de Capelins 


478 - Terras de Capelins 

Tradições das terras de Capelins 
Terras de Rosmaninho 
Rosmaninho 
Nome Comum: Rosmaninho
Nome Científico: Lavandula luisieri (Rozeira) Rivas-Martínez
Família: Labiatae 
O Rosmaninho existe em abundância nas terras de Capelins, nos lugares mais altos e secos, como a Serra da Sina, Canto de Igreja, Terraço, Barrinhos, Baldio, Carrão e, outros lugares a sul da Freguesia! 
Esta planta, ficou conhecida no final da Idade Média por possuir propriedades medicinais, embora por aqui nunca tivesse muito aproveitamento! 
É um arbusto vivaz, ereto, ascendente ou prostrado que pode atingir 50 cm de altura, tem o caule lenhoso, as folhas coriáceas, lineares ou lanceoladas, um pouco enroladas!
As suas flores são arroxeadas, tubulares e labiadas, inseridas em bráteas da mesma tonalidade, dispostas em espigas de dois a oito cm, tendo no seu topo três bráteas tepalóides compridas de cor violeta, ou lilás e tem um cheiro muito semelhante a alfazema! 
A sua floração é a partir de fins de Fevereiro/Março até Junho/Julho, mantendo-se toda a primavera e parte do verão!
Hoje, não tem utilidade, mas nas terras de Capelins tinha usos tradicionais como: 
Tratamento de problemas do foro nervoso (insónias, irritabilidade, enxaquecas), da digestão (indigestão, cólicas, gases, distensão abdominal) e de certos tipos de asma (efeito relaxante). 
Esta planta é bastante importante no fabrico do mel, visto ser, uma espécie muito melífera! O mel de rosmaninho é muito famoso pelo seu sabor e cheiro único e inconfundível. Também devido às suas características é usado na confecção de produtos de higiene e beleza, tais como, perfumes, sabonetes, loções capilares, cremes calmantes e balsâmicos! 
As suas flores podem ser usadas como insecticidas e rubefacientes!
O Rosmaninho, também se utilizava na religião, como por exemplo, os cristãos na altura da Páscoa costumavam fazer tapetes de rosmaninho, alecrim e ramos de loureiro, à entrada da porta para receber a Visita Pascal.
Também em tempos antigos era usual as pessoas festejarem o Solstício de Verão à volta de fogueiras, usando na cabeça grinaldas feitas de verbena e rosmaninho, que depois eram atiradas à fogueira ao mesmo tempo que se pedia um desejo. 
O Rosmaninho, continua a existir nas terras de Capelins, mas as tradições desapareceram.

Rosmaninho 


sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

477 - Terras de Capelins 
Geografia da Freguesia de Capelins 
O Ribeiro do Carrão nas terras de Capelins 
O Ribeiro do Carrão, tem cerca de seis quilómetros, incluindo os cursos dos Ribeiros que o complementam, parece ser o maior e mais relevante, que nasce e desagua no território da Freguesia de Capelins! Tem início em diversos lugares, através dos seus afluentes ou complementares, este Ribeiro tem vários hidrónimos, consoante os lugares ou propriedades por onde vai passando! Assim, de "Norte" para "Sul", são muitos os riachos e Ribeiros que o alimentam, até à sua foz na Ribeira do Lucefécit, na herdade do Roncão, hoje Grande Lago de Alqueva! 
O Ribeiro de Ferreira, é um dos Ribeiros que o complementam, começa a sua formação com as águas escorrentes das encostas do Monte de Igreja, da parte direita do Cebolal, do Patrício e das valetas do Caminho Municipal de Faleiros para Ferreira e Montejuntos, até  cerca de 500 metros a "Norte" da entrada na aldeia de Ferreira de Capelins! Neste lugar, o Ribeiro de Ferreira, passa por um pequeno pontão e, é forçado a correr para "Este" continuando a receber pequenos cursos de água vindos do lado esquerdo, do Cebolal e do Gomes e do lado direito recebe a água de um riacho vinda de "Capelins de Cima"! Antes de ser atravessado pelo Caminho para o Gomes, para o Monte da Oliveira e da ti "Patalona", recebe do lado esquerdo, o Ribeiro do Gomes que passa pela rua deste ultimo Monte e, um pouco abaixo do dito Caminho, do mesmo lado, outro pequeno riacho vindo também da região do Gomes! 
Até ao lugar onde passa por baixo do pontão do Caminho Municipal que liga Ferreira de Capelins e a Aldeia do Rosário, tinha pelo menos, quatro lavadouros, construídos com pedras atravessadas no seu curso, as quais, prendiam a água e, nas suas margens eram assentes outras pedras para esfregar e bater a roupa! Estes lavadouros, eram muito importantes para as mulheres, moradoras em "Capelins de Cima", porque lhes permitiam fazer a lavagem da roupa, enquanto existia corrente que, podia durar muitos meses no Inverno e na Primavera! 
A partir deste lugar, muda novamente a direção para "Sul", deixa o Poço do Telheiro à esquerda e, a cerca de 150  metros, entra na herdade da Defesa de Ferreira, ficando o eucaliptal à esquerda e a horta à direita, ambos da Casa Dias! Um pouco abaixo, existe uma pequena barragem, construída há cerca de um século, com a finalidade de estancar as águas e diminuir a força da corrente para permitir a passagem do gado, pessoas, carretas e carroças da mesma Casa, entre a herdade, as instalações agrícolas e o Monte Grande, ao mesmo tempo, alagava um espaço de terra para mais tarde ser semeada com culturas de verão, meloal, milho ou feijão frade, mantendo a terra fresca por mais tempo! 
O Ribeiro de Ferreira  segue o seu curso e, à esquerda, estava a Malhada dos porcos da Casa Dias, a cerca de 200 metros, recebe do lado esquerdo, a água de um pequeno riacho vindo das encostas das Colmeadas  e da Canada da herdade da Defesa de Ferreira, logo a seguir, também à esquerda, deixa o Poço da bomba, propriedade da Junta de Freguesia de Capelins, lugar onde embaraçava os moradores de "Capelins de Baixo" que tinham de recorrer a este Poço e, eram obrigados a usar as perigosas passadeiras, ou por vezes, não conseguiam passar por ali!
 Vai descendo e, a cerca de 200 metros é reforçado por mais um curso de água, designado: Ribeiro da Aldeia, ou do Chorão, cuja origem da água começa nas escorrencias das encostas dos Barrinhos, Foros, Monte Novo, Pinheiro e "Capelins de Cima", passa pelo Monte da Cruz, Poço Largo, Poço do Chorão, hortas da Aldeia, recebendo pequenos riachos das  águas vindas dos lados do Monte do Meio e de  "Capelins de Baixo" e, a cerca de 300 metros abaixo, é a sua foz, junto à interceção dos dois caminhos vindos do lado do Monte do Meio, Norte e Oeste, um pouco acima do Poço da Estrada, onde faz uma pequena curva empurrando a herdade da Defesa de Ferreira. 
Antes de atravessar o Caminho do Malhão, onde rasa o Poço da Estrada, que chegava a submergir nas suas águas e até a invadir a horta, recebe mais um riacho que lhe entrega as águas escorrentes do lado sul do Pinheiro, do Monte Novo, as do vale do Monte Real e do lado sul de "Capelins de Baixo", passando um riacho atrás do Monte do Marco e outro em frente, encontrando-se ambos mais abaixo, continuando a recolher as águas das encostas do lado norte do Monte das Serranas e da encosta a sul do Monte da Figueira e, desagua no dito lugar no Ribeiro de Ferreira! 
O Ribeiro de Ferreira continua a correr na direção "Sul" e, a menos de um quilómetro, junto à Silveirinha, encontra-se com o Ribeiro do Quebra ou Ribeiro das Cobras, no qual desagua!  
Naquele lugar, a direção do Ribeiro de Ferreira é do "Norte" e, não segue em frente, esbarrando no Ribeiro do Quebra que vem do lado "Oeste" e, efetivamente segue a sua linha, em frente na direção da herdade da Ramalha, cujo lugar de encontro dos dois Ribeiros é semelhante a um "T", sendo o Ribeiro de Ferreira a desaguar no Ribeiro do Quebra, passando este a ser o principal, com o hidrónimo de "Silveirinha"! 
O Ribeiro do Quebra, das Cobras ou Terraço, tem o seu início na Serra da Sina no lado ocidental da Igreja de Santo António, recebe as águas escorrentes das encostas a sul desta Serra, do Canto de Igreja, da herdade do Terraço, da herdade do Monte Real, da herdade do Seixo e outros riachos, pelo que, dependendo das chuvadas, pode formar grande caudal até ao encontro com o Ribeiro de Ferreira, na Silveirinha! 
Agora, um único Ribeiro, ladeado pela herdade da Ramalha à esquerda e da Silveirinha à direita, começa a descrever uma curva, virando novamente a sul até às Bispas recebendo maiores ou menores riachos vindos da herdade da Ramalha e da Silveirnha, já nas Bispas, descreve outra curva virando na direção "Este", sendo a partir daqui designado por Ribeiro do Carrão por ser neste lugar a sua entrada na antiga herdade do Carrão, no entanto, mais abaixo também tem a designação de Ribeiro da Zorra, por passar junto a esta herdade! 
Já com a hidrónimo de Ribeiro do Carrão, entram nele, no lado direito, o Ribeiro das Bispas e, do lado esquerdo, da Zorra, um pequeno riacho! O Ribeiro das Bispas entrega-lhe águas vindas das pequenas encostas a "Norte" de Montejuntos, de toda aquela região e da Capeleira, atingindo um grande caudal! 
Ao passar em frente ao Monte da Zorra é atravessado por um caminho que antigamente seguia paralelo e separava-se na direção dos Montes do Carrão, e Montejuntos, sendo muito difícil a sua travessia em anos de invernia! 
Após deixar a herdade da Zorra, à esquerda, um pouco abaixo é atravessado por outro caminho de ligação entre os diversos Montes: do Escrivão, Colmeal, Talaveira e Talaveirinha, à Aldeia de Montejuntos, em tempos, era muito usado e, cuja travessia era feita por passadeiras! A seguir recebe as águas do Ribeiro da herdade da Negra, cuja herdade fica à sua esquerda, a partir daqui, descreve várias curvas, procurando o sul ! 
Continua o seu curso e é ladeado à esquerda pela herdade da Talaveira e, à direita por Courelas do Carrão, depois de muitas curvas, a cerca de 600 metros, é atravessado pelo outro caminho que liga a Aldeia de Montejuntos e os Montes de S. Miguel e do Roncão, também aqui já com grandes correntes, era atravessado por cima de passadeiras! Mais abaixo, já perto da sua foz, ainda recebe as águas de alguns Ribeiros e riachos da direita, do Carrão e herdade do Pombal e, à esquerda das herdades da Talaveira e do Roncão, depois vai virando a Leste e, após cumprir o seu destino, chega finalmente ao encontro da Ribeira de Lucefécit, (Grande Lago de Alqueva), na herdade do Roncão, com um caudal digno de uma Ribeira. 
Pelo que descrevemos, parece-nos que, o Ribeiro do Carrão se inicia na Serra da Sina, uma vez que, é o Ribeiro de Ferreira que desagua no Ribeiro do Quebra, à Silveirinha.  

Fim 



476 - Terras de Capelins 
Terras de grandes Montados, terras de bolota 
A bolêta das terras de Capelins mostra o seu poder 
A bolota , à qual os Mouros chamavam ballúta e os capelinenses bolêta, é o fruto produzido pela azinheira, existindo em abundância nas terras de Capelins!
Conforme já aqui divulgamos, existiam muitos povoados da Idade do Ferro, nas terras de Capelins, onde habitaram os lusitanos e outros povos, antes da chegada dos Romanos e, já então, faziam farinha das bolotas e com ela um pão muito apreciado! 
Hoje em dia, as propriedades alimentícias e de cosmética das bolotas começam a ser valorizadas por cientistas de todo o mundo, gerando um potencial mercado!
Desde o período da Idade Média, em algumas Aldeias da nossa região, utilizam o recheio de bolota triturada para curar doenças, obtendo bons resultados!
Nos últimos séculos, nas terras de Capelins, a bolota foi e é alimento para porcos, porém, talvez no futuro possa ter outro aproveitamento, uma vez que, existem estudos relativamente recentes que mostram ter a bolota um enorme potencial, não tem glúten, podendo ser alternativa aos celíacos e, tem alto poder antioxidante, uma gordura semelhante à do azeite e compostos que podem ajudar ao combate de doenças como o cancro e o Alzheimer! 
Há bolotas de todos os tamanhos de diversas formas, doces e amargas, falta saber se todas têm as mesmas propriedades!
Parece que, no futuro, vamos começar a olhar a bolota com outros olhos, não será só para porcos!


Bolotas 



475 - Terras de Capelins 

Tradições das terras de Capelins 

Noutros tempos, todas as compras de produtos, dos quais os capelinenses não eram autosuficientes, eram feitas nas feiras de Reguengos, Redondo ou Vila Viçosa, ou com mais frequência nas mercearias das Aldeias que, dispunham de produtos que mais se consumiam no dia a dia! Estas Mercearias não tinham horário, se eventualmente estivessem fechadas, todas as pessoas sabiam onde procurar os proprietários que, a qualquer hora do ida ou da noite, iam aviar o que cada cliente desejava, nunca podiam desperdiçar uma venda, era desgoverno, nem que fosse meio arrate (500 gramas) ou uma quarta (250 gramas) de arroz, açúcar ou massa, podendo nem ver o dinheiro naquele momento, porque, a maior parte das vezes o pagamento era: aponte aí! Depois, mais tarde, tinham de pagar! Muitas vezes, homens e mulheres trabalhavam longe de casa, em herdades das redondezas e, chegavam já pela noite dentro, pelo que, ainda tinham de recorrer à Mercearia, estivesse fechada ou aberta, era só chamar e, o merceeiro tinha de interromper a ceia e ir atender a cliente! Era uma situação injusta, mas nesse tempo, tudo era injusto, o merceeiro, nem podia comer descansado, não podia dormir descansado, não podia dormir a sesta, nem afastar-se da Mercearia, para não ser censurado, era uma vida que, aparentemente parecia boa, por ele estar debaixo de telha, não apanhava chuva nem frio, mas era muito desgastante, então, um merceeiro de Capelins, saturado daquela vida, nem pensou duas vezes e afixou na porta o horário de funcionamento da sua Mercearia, escrevendo assim, numa folha de papel pardo, de embrulho: 
Aviso
Abridura às 7 
Fechadura às 12
Abridura à 1
Fechadura às 8 
E depois da Fechadura, não há mais Abridura. 
Conforme nos contaram, ninguém ligou ao Aviso, não só porque, poucas sabiam ler, mas era assim a necessidade e a tradição e, tudo continuou com era antes! Quando o chamavam para ir aviar algum produto, fora do horário afixado, nunca se negava, mas perguntava sempre: "Viste o horário?" E a maioria das resposta das clientes era: "Vi, vi, ti Zéi, mas hoje não quero, ainda lá devo ter quase meia arrati": 
E tudo continuou como antes! 
Hoje, já não temos Mercearias dessas, nas terras de Capelins! 



584 - Amigos de Capelins História, lendas e tradições da Villa de Monsaraz A lenda do Fernando, filho do Padre de Monsaraz No an...