sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

477 - Terras de Capelins 
Geografia da Freguesia de Capelins 
O Ribeiro do Carrão nas terras de Capelins 
O Ribeiro do Carrão, tem cerca de seis quilómetros, incluindo os cursos dos Ribeiros que o complementam, parece ser o maior e mais relevante, que nasce e desagua no território da Freguesia de Capelins! Tem início em diversos lugares, através dos seus afluentes ou complementares, este Ribeiro tem vários hidrónimos, consoante os lugares ou propriedades por onde vai passando! Assim, de "Norte" para "Sul", são muitos os riachos e Ribeiros que o alimentam, até à sua foz na Ribeira do Lucefécit, na herdade do Roncão, hoje Grande Lago de Alqueva! 
O Ribeiro de Ferreira, é um dos Ribeiros que o complementam, começa a sua formação com as águas escorrentes das encostas do Monte de Igreja, da parte direita do Cebolal, do Patrício e das valetas do Caminho Municipal de Faleiros para Ferreira e Montejuntos, até  cerca de 500 metros a "Norte" da entrada na aldeia de Ferreira de Capelins! Neste lugar, o Ribeiro de Ferreira, passa por um pequeno pontão e, é forçado a correr para "Este" continuando a receber pequenos cursos de água vindos do lado esquerdo, do Cebolal e do Gomes e do lado direito recebe a água de um riacho vinda de "Capelins de Cima"! Antes de ser atravessado pelo Caminho para o Gomes, para o Monte da Oliveira e da ti "Patalona", recebe do lado esquerdo, o Ribeiro do Gomes que passa pela rua deste ultimo Monte e, um pouco abaixo do dito Caminho, do mesmo lado, outro pequeno riacho vindo também da região do Gomes! 
Até ao lugar onde passa por baixo do pontão do Caminho Municipal que liga Ferreira de Capelins e a Aldeia do Rosário, tinha pelo menos, quatro lavadouros, construídos com pedras atravessadas no seu curso, as quais, prendiam a água e, nas suas margens eram assentes outras pedras para esfregar e bater a roupa! Estes lavadouros, eram muito importantes para as mulheres, moradoras em "Capelins de Cima", porque lhes permitiam fazer a lavagem da roupa, enquanto existia corrente que, podia durar muitos meses no Inverno e na Primavera! 
A partir deste lugar, muda novamente a direção para "Sul", deixa o Poço do Telheiro à esquerda e, a cerca de 150  metros, entra na herdade da Defesa de Ferreira, ficando o eucaliptal à esquerda e a horta à direita, ambos da Casa Dias! Um pouco abaixo, existe uma pequena barragem, construída há cerca de um século, com a finalidade de estancar as águas e diminuir a força da corrente para permitir a passagem do gado, pessoas, carretas e carroças da mesma Casa, entre a herdade, as instalações agrícolas e o Monte Grande, ao mesmo tempo, alagava um espaço de terra para mais tarde ser semeada com culturas de verão, meloal, milho ou feijão frade, mantendo a terra fresca por mais tempo! 
O Ribeiro de Ferreira  segue o seu curso e, à esquerda, estava a Malhada dos porcos da Casa Dias, a cerca de 200 metros, recebe do lado esquerdo, a água de um pequeno riacho vindo das encostas das Colmeadas  e da Canada da herdade da Defesa de Ferreira, logo a seguir, também à esquerda, deixa o Poço da bomba, propriedade da Junta de Freguesia de Capelins, lugar onde embaraçava os moradores de "Capelins de Baixo" que tinham de recorrer a este Poço e, eram obrigados a usar as perigosas passadeiras, ou por vezes, não conseguiam passar por ali!
 Vai descendo e, a cerca de 200 metros é reforçado por mais um curso de água, designado: Ribeiro da Aldeia, ou do Chorão, cuja origem da água começa nas escorrencias das encostas dos Barrinhos, Foros, Monte Novo, Pinheiro e "Capelins de Cima", passa pelo Monte da Cruz, Poço Largo, Poço do Chorão, hortas da Aldeia, recebendo pequenos riachos das  águas vindas dos lados do Monte do Meio e de  "Capelins de Baixo" e, a cerca de 300 metros abaixo, é a sua foz, junto à interceção dos dois caminhos vindos do lado do Monte do Meio, Norte e Oeste, um pouco acima do Poço da Estrada, onde faz uma pequena curva empurrando a herdade da Defesa de Ferreira. 
Antes de atravessar o Caminho do Malhão, onde rasa o Poço da Estrada, que chegava a submergir nas suas águas e até a invadir a horta, recebe mais um riacho que lhe entrega as águas escorrentes do lado sul do Pinheiro, do Monte Novo, as do vale do Monte Real e do lado sul de "Capelins de Baixo", passando um riacho atrás do Monte do Marco e outro em frente, encontrando-se ambos mais abaixo, continuando a recolher as águas das encostas do lado norte do Monte das Serranas e da encosta a sul do Monte da Figueira e, desagua no dito lugar no Ribeiro de Ferreira! 
O Ribeiro de Ferreira continua a correr na direção "Sul" e, a menos de um quilómetro, junto à Silveirinha, encontra-se com o Ribeiro do Quebra ou Ribeiro das Cobras, no qual desagua!  
Naquele lugar, a direção do Ribeiro de Ferreira é do "Norte" e, não segue em frente, esbarrando no Ribeiro do Quebra que vem do lado "Oeste" e, efetivamente segue a sua linha, em frente na direção da herdade da Ramalha, cujo lugar de encontro dos dois Ribeiros é semelhante a um "T", sendo o Ribeiro de Ferreira a desaguar no Ribeiro do Quebra, passando este a ser o principal, com o hidrónimo de "Silveirinha"! 
O Ribeiro do Quebra, das Cobras ou Terraço, tem o seu início na Serra da Sina no lado ocidental da Igreja de Santo António, recebe as águas escorrentes das encostas a sul desta Serra, do Canto de Igreja, da herdade do Terraço, da herdade do Monte Real, da herdade do Seixo e outros riachos, pelo que, dependendo das chuvadas, pode formar grande caudal até ao encontro com o Ribeiro de Ferreira, na Silveirinha! 
Agora, um único Ribeiro, ladeado pela herdade da Ramalha à esquerda e da Silveirinha à direita, começa a descrever uma curva, virando novamente a sul até às Bispas recebendo maiores ou menores riachos vindos da herdade da Ramalha e da Silveirnha, já nas Bispas, descreve outra curva virando na direção "Este", sendo a partir daqui designado por Ribeiro do Carrão por ser neste lugar a sua entrada na antiga herdade do Carrão, no entanto, mais abaixo também tem a designação de Ribeiro da Zorra, por passar junto a esta herdade! 
Já com a hidrónimo de Ribeiro do Carrão, entram nele, no lado direito, o Ribeiro das Bispas e, do lado esquerdo, da Zorra, um pequeno riacho! O Ribeiro das Bispas entrega-lhe águas vindas das pequenas encostas a "Norte" de Montejuntos, de toda aquela região e da Capeleira, atingindo um grande caudal! 
Ao passar em frente ao Monte da Zorra é atravessado por um caminho que antigamente seguia paralelo e separava-se na direção dos Montes do Carrão, e Montejuntos, sendo muito difícil a sua travessia em anos de invernia! 
Após deixar a herdade da Zorra, à esquerda, um pouco abaixo é atravessado por outro caminho de ligação entre os diversos Montes: do Escrivão, Colmeal, Talaveira e Talaveirinha, à Aldeia de Montejuntos, em tempos, era muito usado e, cuja travessia era feita por passadeiras! A seguir recebe as águas do Ribeiro da herdade da Negra, cuja herdade fica à sua esquerda, a partir daqui, descreve várias curvas, procurando o sul ! 
Continua o seu curso e é ladeado à esquerda pela herdade da Talaveira e, à direita por Courelas do Carrão, depois de muitas curvas, a cerca de 600 metros, é atravessado pelo outro caminho que liga a Aldeia de Montejuntos e os Montes de S. Miguel e do Roncão, também aqui já com grandes correntes, era atravessado por cima de passadeiras! Mais abaixo, já perto da sua foz, ainda recebe as águas de alguns Ribeiros e riachos da direita, do Carrão e herdade do Pombal e, à esquerda das herdades da Talaveira e do Roncão, depois vai virando a Leste e, após cumprir o seu destino, chega finalmente ao encontro da Ribeira de Lucefécit, (Grande Lago de Alqueva), na herdade do Roncão, com um caudal digno de uma Ribeira. 
Pelo que descrevemos, parece-nos que, o Ribeiro do Carrão se inicia na Serra da Sina, uma vez que, é o Ribeiro de Ferreira que desagua no Ribeiro do Quebra, à Silveirinha.  

Fim 



476 - Terras de Capelins 
Terras de grandes Montados, terras de bolota 
A bolêta das terras de Capelins mostra o seu poder 
A bolota , à qual os Mouros chamavam ballúta e os capelinenses bolêta, é o fruto produzido pela azinheira, existindo em abundância nas terras de Capelins!
Conforme já aqui divulgamos, existiam muitos povoados da Idade do Ferro, nas terras de Capelins, onde habitaram os lusitanos e outros povos, antes da chegada dos Romanos e, já então, faziam farinha das bolotas e com ela um pão muito apreciado! 
Hoje em dia, as propriedades alimentícias e de cosmética das bolotas começam a ser valorizadas por cientistas de todo o mundo, gerando um potencial mercado!
Desde o período da Idade Média, em algumas Aldeias da nossa região, utilizam o recheio de bolota triturada para curar doenças, obtendo bons resultados!
Nos últimos séculos, nas terras de Capelins, a bolota foi e é alimento para porcos, porém, talvez no futuro possa ter outro aproveitamento, uma vez que, existem estudos relativamente recentes que mostram ter a bolota um enorme potencial, não tem glúten, podendo ser alternativa aos celíacos e, tem alto poder antioxidante, uma gordura semelhante à do azeite e compostos que podem ajudar ao combate de doenças como o cancro e o Alzheimer! 
Há bolotas de todos os tamanhos de diversas formas, doces e amargas, falta saber se todas têm as mesmas propriedades!
Parece que, no futuro, vamos começar a olhar a bolota com outros olhos, não será só para porcos!


Bolotas 



475 - Terras de Capelins 

Tradições das terras de Capelins 

Noutros tempos, todas as compras de produtos, dos quais os capelinenses não eram autosuficientes, eram feitas nas feiras de Reguengos, Redondo ou Vila Viçosa, ou com mais frequência nas mercearias das Aldeias que, dispunham de produtos que mais se consumiam no dia a dia! Estas Mercearias não tinham horário, se eventualmente estivessem fechadas, todas as pessoas sabiam onde procurar os proprietários que, a qualquer hora do ida ou da noite, iam aviar o que cada cliente desejava, nunca podiam desperdiçar uma venda, era desgoverno, nem que fosse meio arrate (500 gramas) ou uma quarta (250 gramas) de arroz, açúcar ou massa, podendo nem ver o dinheiro naquele momento, porque, a maior parte das vezes o pagamento era: aponte aí! Depois, mais tarde, tinham de pagar! Muitas vezes, homens e mulheres trabalhavam longe de casa, em herdades das redondezas e, chegavam já pela noite dentro, pelo que, ainda tinham de recorrer à Mercearia, estivesse fechada ou aberta, era só chamar e, o merceeiro tinha de interromper a ceia e ir atender a cliente! Era uma situação injusta, mas nesse tempo, tudo era injusto, o merceeiro, nem podia comer descansado, não podia dormir descansado, não podia dormir a sesta, nem afastar-se da Mercearia, para não ser censurado, era uma vida que, aparentemente parecia boa, por ele estar debaixo de telha, não apanhava chuva nem frio, mas era muito desgastante, então, um merceeiro de Capelins, saturado daquela vida, nem pensou duas vezes e afixou na porta o horário de funcionamento da sua Mercearia, escrevendo assim, numa folha de papel pardo, de embrulho: 
Aviso
Abridura às 7 
Fechadura às 12
Abridura à 1
Fechadura às 8 
E depois da Fechadura, não há mais Abridura. 
Conforme nos contaram, ninguém ligou ao Aviso, não só porque, poucas sabiam ler, mas era assim a necessidade e a tradição e, tudo continuou com era antes! Quando o chamavam para ir aviar algum produto, fora do horário afixado, nunca se negava, mas perguntava sempre: "Viste o horário?" E a maioria das resposta das clientes era: "Vi, vi, ti Zéi, mas hoje não quero, ainda lá devo ter quase meia arrati": 
E tudo continuou como antes! 
Hoje, já não temos Mercearias dessas, nas terras de Capelins! 



sábado, 22 de dezembro de 2018

474 - Terras de Capelins 

Tradições do Natal nas terras de Capelins 

Numa região como Capelins de reduzidas dimensões territoriais, é impensável que a festa da Natividade assuma proporções etnográficas dignas de elevado relevo. 

Pensamos que, desde a fundação da Vila de Ferreira em 1314 por D. Dinis que, aqui se celebra esta solene data, porque, foi logo erigida a Igreja Matriz de Santa Maria no lugar onde hoje se encontra a Ermida de Nossa Senhora das Neves e, a Igreja nunca deixaria passar a dita celebração no dia 25 de Dezembro, a Natividade, ou seja, aniversário do nascimento de Jesus Cristo e a adoração dos Reis Magos. 
Como sabemos, a primeira festa da Natividade consolidou-se durante a vigência do Papa Sisto III (432-440), e indicava já o estabelecimento de duas celebrações muito características: 
A do Presépio e a da Santa Missa, com as devidas orações litúrgicas. 
O Presépio deu grande impulso à festa da celebração e realizava-se principalmente na basílica romana de Santa Maria, que passou desde então a denominar-se ad praesepe. 
Os ofícios litúrgicos, celebravam-se no mesmo templo e tinham um acentuado carácter Mariano, obedecendo à clara intenção de converter a Natividade numa vigília noturna, semelhante à que se celebrava na Páscoa.
A devoção e o gosto pela festa da Natividade acentuaram-se ainda mais quando o Papa Teodoro, no século VII, trouxe para Roma as relíquias do berço do Menino Jesus e das manjedouras dos animais que o aqueceram na noite do seu nascimento em Belém.


É verdade que, não encontramos documentos específicos sobre as celebrações do Natal nas terras de Capelins na Idade Média, mas temos testamentos com mais de 500 anos que demonstram a fé e a religiosidade aqui existente no início de 1500, logo, essa fé Cristã, decerto, não podia estar dissociada das celebrações do Natal.

Associada à festa do Natal celebravam-se durante a Alta Idade Média três missas rezadas pelo Papa na Igreja de Santa Maria Maior, destacando-se a da meia-noite, designada por Missa do Galo por ser propiaquante gallorum canti. 

A segunda missa, era ao romper da manhã e rezava-se na

Igreja de Santa Anastacia, que hoje já não existe, e a terceira na Basílica de São Pedro, Vaticano.
A Missa do Galo significava o nascimento de Jesus Cristo! A da madrugada a felicidade que Jesus Cristo veio trazer aos homens e, a terceira a realização das promessas da Lei Santa.
Atualmente, só a missa do Galo persiste na tradição Cristã e no espírito dos crentes.
No entanto, assinala-se a permanência de algumas tradições da época medieval que, nas terras de Capelins, existiram e, algumas ainda existem, embora, com menos motivação, depois do grande surto emigratório nos anos de 1960.
Mesmo assim, na época natalícia ainda continuam a manter algumas tradições, como são: a queima dos madeiros, a consoada, a Missa do Galo, o presépio, e os Reis. 
Em Capelins, (Montejuntos e, Ferreira de Capleins) continua a tradição do lume na noite de Natal, alimentado por grandes madeiros, troncos de azinheiras que ardem toda a noite e ainda no dia de Natal, podendo ser de oliveira, a árvore da paz, por ser dessa madeira a cruz de Cristo. Por outro lado, são associadas tradições profanas, quanto mais grossos fossem os madeiros, mais gordo seria o porco para a matança do ano. Além disso, também existem outras lendas que lhe atribuem poderes sobrenaturais, sempre relacionados com Jesus Cristo.

A Consoada, também designada por festa da família, por se reunir à mesa a maioria dos familiares, era costume realizar-se depois da Missa do Galo, mas hoje, essa tradição já não é o que era, assim como, a composição das ementas, devido à franca melhoria económica das famílias! No entanto, há iguarias, embora reforçadas, que ainda continuam a manter a tradição nas terras de Capelins, entre as quais, as diversas doçarias, como as filhós, azevias, borrachos, nogados, arroz doce e outros.

A Missa do Galo, celebrava-se à meia noite, decerto que, na Idade Média na Igreja de Santa Maria, Matriz da Vila de Ferreira, depois, na Igreja de Nossa Senhora das Neves e, mais tarde na de Santo António e, também na Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Montejuntos, após a construção da mesma, porém, com a emigração de muitos capelinenses nos anos de 1960, começaram a comparecer cada vez menos fiéis, acabando por deixar de se realizar, ou apenas se tem realizado em alguns anos na Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Montejuntos. 

A Missa do Galo só se realizava nesta Quadra do ano, logo tinha algumas diferenças das outras, a sua atração era o desvelamento do Presépio, que até aí permanecia envolto numa cortina para dar ao ato um caráter mais solene. O Padre, após dar a conhecer a ingénua composição das figuras, celebrava a missa enquanto o povo entoava cânticos de Natal. Por fim, o Padre dava o Menino Jesus a beijar aos fiéis que, silenciosamente lhe pediam protecção, saúde e mercês.

Foi São Francisco de Assis (1182 - 1226) que teve a ideia de fazer reviver os presépios através da arte popular, as cenas bíblicas diretamente relacionadas com o nascimento de Jesus Cristo, os quais, constituem uma lição viva de fraternidade, amor e humildade.

O presépio, é composto pela Sagrada Família, os Reis Magos, a cascata com a manjedoura e os animais que aqueceram o Menino Jesus dentro da gruta. No entanto, o povo foi acrescentamento muitas outras figuras que se pensa existiam naquela época. 

Os presépios, eram feitos nas Igrejas das terras de Capelins, nas residências particulares dos capelinensses e, principalmente nas escolas e, ainda hoje, são feitos em Ferreira de Capelins e em Montejuntos. 

Pode ver-se em Montejuntos neste Natal de 2018!

O cantar aos Reis remonta, igualmente ao tempo do paganismo, em imitação das Saturnais Romanas, quando novos cristãos se convertiam a esta religião! Nestes cânticos estava contido todo o espírito popular, a criatividade, a beleza e o escárnio, muito embora neste domínio se acentuem as tradições regionais, é no entanto, comum a todos os cristãos! O cantar aos Reis era feito por pequenos grupos, algumas vezes acompanhados de instrumentos musicais, que percorriam os mais variados lugares da freguesia de Capelins, cantando às portas das residências nas aldeias e nos Montes de lavradores, entoando cânticos religiosos à mistura com quadras de fino gosto popular. 

O objectivo era serem bem recebidos pelos moradores que lhes ofereciam, geralmente, géneros para a festa, a ceia do grupo, como queijos, ovos, enchidos e outros produtos da casa! Mas, se as esmolas não agradassem, podiam sempre ouvir alguma quadra de chacota e até acabar mal. 

Assim, em 6 de Janeiro, acabava a Festa do Natal. 




sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

473 - Terras de Capelins 
História de Capelins 
Vila de Ferreira Romana ou Outeiro dos Castelinhos de Capelins 
Veja-se esta ignorância, Outeiro dos Castelinhos do Rosário, situado na Freguesia de Capelins, alguém não conhece a geografia da região! É verdade que, ninguém pode ser especialista em tudo! É necessário recorrer à literatura espanhola para sabermos que, este lugar, era uma Vila Romana, muito provavelmente com a toponímia de "Ferreira" devido à Ferraria (Forja) e Minas de Ferro! Sendo assim, será: Vila de Ferreira Romana e, nunca Outeiro dos Castelinhos do Rosário! Ainda se fosse "Outeiro dos Castelinhos de Capelins", uma vez que fica na Freguesia de Capelins! Pensamos que, o Rosário não se situa nesta Freguesia, não é que fizesse alguma diferença! 
Cabe à Câmara Municipal de Alandroal corrigir este erro, para: 
"Vila de Ferreira Romana" situada em Capelins!

Escreveram assim os especialista:
Outeiro do Castelinho 1 - Castelinhos do Rosário
CNS: 19659
Tipo: Fortim
Distrito/Concelho/Freguesia: Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período: Romano
Descrição: O fortim do Outeiro dos Castelinhos do Rosário implanta-se num destacado esporão junto da Ribeira do Lucefécit, fronteiro a um importante vau, adjacente a férteis solos agrícolas e a ricas jazidas mineiras. O esporão, de vertentes declivosas, apresenta uma elevada defensabilidade natural, instalando-se o conjunto edificado no topo e parcialmente nas encostas Norte e Oeste. Extensos trabalhos de escavação clandestina, levados a efeito no local, permitiram expor um impressionante conjunto arquitectónico composto por uma ampla área construída, em notável estado de conservação, com as cisternas a atingirem cerca de 2,50 m de altura visível. A construção apresenta uma grande complexidade organizativa que, à falta de um levantamento de pormenor, se torna difícil de compreender. A área edificada é constituída por dois corpos arquitectónicos principais, um no topo e outro no início da encosta Oeste, separados entre si por um corredor ou pátio, parcialmente rebaixado na rocha. Os muros exteriores de ambos edifícios apresentam uma assinalável espessura e robustez, entre 1 m e 1,50 m, e uma construção cuidada, utilizando o xisto local, por vezes em blocos de grande dimensão; os principais muros internos chegam a atingir um espessura de 0,80 cm, o que demonstra as grandes preocupações tidas com a robustez da construção. A estrutura do topo apresenta uma planta quadrangular com aproximadamente 25 m de lado, sendo constituída por um conjunto de compartimentos organizados, aparentemente, em torno de um pátio central. No seu interior são visíveis pisos em opus signinum podendo observar-se, nalguns compartimentos, restos do revestimento das paredes. O conjunto arquitectónico situado na encosta Oeste, separado do anterior por um corredor com cerca de 5 m de largura, apresenta uma planta quadrangular com cerca de 20 m x 24 m; o seu interior é substancialmente distinto do edifício do topo, apresentando três grandes tramos construtivos, com várias subdivisões, paralelos à encosta e escalonados ao longo desta. No extremo Norte deste conjunto, já na encosta Norte, situa-se a zona das cisternas. Estas destacam-se pelo seu soberbo estado de conservação, até ao arranque das abóbadas; são pelo menos quatro tanques, dois dos quais visíveis integralmente, interligados e revestidos a opus signinum. A inclusão deste sítio no grupo dos fortins parece-me óbvia, atendendo à robustez da construção e à localização privilegiada, em termos defensivos e estratégicos, ao controlar um vau da Ribeira do Lucefécit e estar adjacente a ricas jazidas mineiras. A dimensão e riqueza da área construída, tal como a impossibilidade de aferir a diacronia da ocupação3, impõem algumas reservas e muitas cautelas quanto à sua inclusão no conjunto. Na primeira publicação foi classificado como "villa fortificada" , realçando-se a robustez da construção e o seu aspecto fortificado, no que se assemelhava com o Castelo da Lousa, reconhecendo-se, contudo, que os materiais não autorizavam uma cronologia tão recuada como para este último.
Meio: Terrestre
Acesso: Pela estrada de Aldeia de Ferreira até o Lucifecit
Espólio: Fragmentos de cerâmica comum de época indeterminada e fragmentos de terra sigillata hispânica do periodo alto imperial romano.
Depositários: ERA Arqueologia, S.A.
Classificação: -
Conservação: Bom
Processos: S - 19659 e 7.16.3/14-10(1)

O espanhol José Cornide, há mais de 200 anos, quando descreveu a localização da Vila de Ferreira de 1314, junto à Ermida de Nossa Senhora das Neves, indicou que, esta ficava uma milha a sul da primeira Vila de Ferreira, a Romana!
Alguém acha que aquilo está bem? Parece que, à Câmara pouco interessa, tem a sinalética no cruzamento da estrada nacional 255 "Castelinhos", mas não existe mais nenhuma indicação nem condições de acesso ao "Monumento Municipal"! É revoltante e vergonhoso, porque engana deliberadamente quem se atreve a procurá-lo! 


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

472 - Terras de Capelins 

História de Capelins 
Paróquia de Santo António de Capelins 
É nestes livros que se encontra escrita a genuína história das vidas das gentes de Capelins! 
O Padre Gavião de Santiago Maior, em 1705, escreveu no assento do óbito da senhora Maria Silva, do Monte da Vinha que, a mesma era sepultada na Igreja de Santiago Maior porque a sua Freguesia de Santo António (Capelins) se encontrava deserta devido ao inimigo! 
Fomos confirmar nos registos Paroquiais de Santo António, o que o referido Padre escreveu e de verdade nessa mesma data confirma-se que, entre o dia 09 de Maio de 1705 até ao dia 03 de Fevereiro 1712, não existe nenhum registo de nascimento, casamento ou óbito na Freguesia de Santo António de Terena (Capelins) decerto por a mesma se encontrar deserta, durante essa dimensão de tempo, toda a gente fugiu daqui por não existir segurança para poderem morar aqui.
Até Maio de 1705 o Cura da Freguesia de Santo António era o Padre João Gomes, o qual, passou para a Paróquia de Santiago Maior, onde encontramos os seus Registos Paroquiais durante alguns anos. 
Em 03 Fevereiro de 1712 já se encontra na Paróquia de Santo António o Padre Miguel Gonçalves Gallego e, por aqui ficou muitos anos! 
(Não podemos garantir que não falte algum livro, porque não é fácil de acreditar que a Freguesia estivesse deserta cerca de seis anos e depois, 1712, surgiu logo a Aldeia de Capelins de Cima).
São segredos de Capelins!


Vejamos as datas dos Livros Paroquiais:
FundoPRQ/ADL04 Paróquia de Santo António de Capelins 1633-08-15/1910-12-31
Série001 Livros de registos de baptismo 1712-02-03/1910-12-04
Série002 Livros de registos de casamento 1635/1910
Série003 Livros de registos de óbito 1727-04-22/1910-12-12
Série004 Livros Mistos 1633-08-15/1802-05-23
Série005 Livros duplicados dos registos de baptismo 1860-01-01/1910-12-31
Série006 Livros duplicados dos registos de Casamentos 1860-01-01/1910-12-31
Série007 Livros duplicados dos registos de Óbitos 1860-01-01/1910-12-31
FundoPRQ/ADL04 Paróquia de Santo António de Capelins 1633-08-15/1910-12-31
Série004 Livros Mistos 1633-08-15/1802-05-23
Unidade de instalação0001 Livro misto 1633-08-15/1696-04-18
Unidade de instalação0002 Livro misto 1696-06-06/1705-05-09
Unidade de instalação0005 Livro misto 1712-08-02/1727-02-17
Unidade de instalação0003 Livro misto 1745-03-08/1785-05-09
Unidade de instalação0004 Livro misto 1773-11-25/1802-05-23

Paróquia de Santo António de Capelins 
Nível de descrição 
Fundo Fundo 
Código de referência 
PT/ADEVR/PRQ/ADL04 
Tipo de título 
Atribuído 
Datas de produção 
1633-08-15 A data é certa a 1910-12-31 A data é certa 
Dimensão e suporte 
327 fl.; papel, pergaminho

Capa de Livro Paroquial com 385 anos - Escrita na Igreja de Santo António de Capelins - 1633 


quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

471 - Terras de Capelins 
História, lendas e tradições das terras de Capelins
A lenda da troca do cão leão, por um litro de grãos
No dia 3 de Maio de 1962, o pai do Chiquinho de Capelins entrou em casa e disse: 
Encontrei agora ali o ti Zé Maria (zuco) e trazia um cãozinho tão bonito, gostava muito de ficar com ele! Ainda lhe o pedi, mas disse-me logo que não o dava! 
O Chiquinho deu um salto na cadeira onde estava sentado e perguntou: 
Chiquinho: Oh pai, como é que é o cãozinho? 
Pai: Olha é de raça pequena, não deve crescer muito, é malhado, branco e preto e com uma estrela na testa, muito bonito! Mas o ti Zé Maria não o quer dar! 
Chiquinho: Eh pai! Com uma estrela na testa? Era mesmo um cãozinho assim como esse que eu queria!  
Pai: Sim, querias! Mas ele não o dá, disse-me que ele, as filhas e a mulher, também gostam muito dele, por isso, fica para eles! 
O Chiquinho, ficou muito pensativo, como seria a maneira de conseguir aquele cãozinho, com uma estrela na testa! Assim que teve oportunidade subiu a rua de Capelins de Cima a correr e foi direitinho à casa do ti Zé Maria, que era "regatão" (vendedor de frutas e hortaliças), entrou e meteu logo conversa:
Chiquinho: Eh ti Zé Maria! O que está fazendo? 
Ti Zé Maria: Adeus Chiquinho! Nada, porquê? Querias alguma coisa?
Chiquinho: Não queria nada, ia aqui a passar e vinha ver se precisava que eu lhe fizesse alguma coisa! 
Ti Zé Maria: Eh lá Chiquinho! Hoje estás de mãos largas! Olha, quero! Traz além a caixa de fósforos, para acender o cigarro! 
Chiquinho: É p'ra já, ti Zé Maria, tome lá! Não quer que lhe faça mais nada? 
Ti Zé Maria: Hum...cheira-me a esturro, tanta oferta! Mas agora não quero mais nada! 
Chiquinho: Oh ti Zé Maria, eu só o queria ajudar, mas se não quer mais nada, vou-me embora! Ah, é verdade, então, tem cá um cãozinho novo? 
Ti Zé Maria: Tenho, tenho e é muito bonito, trouxe-o ontem de Reguengos! 
Chiquinho: Ah sim? E nem me dizia nada! Mas quando precisa de alguma coisa não se esquece de me chamar! Onde está o cão? 
Ti Zé Maria: Não está cá! A minha Maria foi ali à casa da mãe e levou-o! 
Chiquinho: Mau, mau, se é assim tão bonito já lá deve ficar!
Ti Zé Maria: Não fica nada, porque este cão não o dou a ninguém! Já nem sei quantas pessoas o pediram!
Chiquinho: Eh ti Zé Maria! Veja lá que primeiro estou eu! Quem é que lhe faz aqui tudo o que me pede?
Ti Zé Maria: Olha que tu, não és de certeza! É conforme te dá na cabeça! 
Chiquinho: Veja lá como fala ti Zé Maria! Olhe que está sujeito a eu não lhe fazer mais nada! 
Ti Zé Maria: Cala-te Chiquinho! Eu um dia arranjo-te um cãozinho parecido com este! 
Chiquinho: Não arranja nada! É este que eu quero e mais nenhum! 
Ti Zé Maria: Não, não, este não o apanhas! 
Chiquinho: Vamos ver, ti Zé Maria, vamos ver! Até logo, lembrei-me agora, que tenho muito que fazer lá em casa! 
Como a mãe da ti Maria morava ao fundo da rua de Capelins de Cima, ao pé da estrada nova, o Chiquinho começou a correr com a ideia de ir ver o cãozinho, mas ao chegar a meio da rua encontrou a ti Maria com ele dentro de um cesto! Nem ligou à ti Maria e começou logo a fazer festinhas ao cãozinho que correspondeu como se fossem conhecidos, gerou-se logo ali uma grande amizade e o Chiquinho perguntou:
Chiquinho: Onde está a estrela ti Maria? Ele já tem nome? 
Ti Maria: Qual estrela, nem estrela! Sim, já tem nome! Chama-se leão! 
Chiquinho: Leão? Mas leão num cão tão pequeno? Leão? Pronto, está bem, é leão! 
O Chiquinho virou costas e foi a caminho de casa pensando na forma de conseguir trazer o leão para casa! Quanto à estrela, só devia brilhar à noite! Passou o resto do dia a pensar no leão, tão bonito, era mesmo o que ele queria e, quando à noitinha o pai voltou a casa, reparou logo que ele não estava bem, muito triste e perguntou-lhe:
Pai: Então, Chiquinho, estás doente? 
Chiquinho: Eu desconfio que sim! 
Pai: Então, o que te dói? 
Chquinho: Oh pai, doer, doer, não me dói nada, mas desconfio que estou muito doente! 
Pai: Mau, mau, então estás muito doente e não te dói nada? Afinal o que é que tens? 
Chiquinho: É por causa do cãozinho do ti Zé Maria, já o vi, é tão bonito, era mesmo o que eu queria! Chama-se leão, mas se ele não o quer dar, como é que fazemos? 
Pai: Eu vou lá falar com ele, pode ser que, quem lhe o deu lá em Reguengos tenha mais e lhe arranje outro para ele e ficávamos a gente com este! 
Chiquinho: Que bom, que bom, que bom! O leão é tão bonito! 
O pai do Chiquinho depois de tratar do gado foi falar com o ti Zé Maria, esteve para lá quase uma hora, até que voltou com o leão ao colo, o Chiquinho foi a correr ao encontro do pai e perguntou: 
Chiquinho: Então pai, o leão já é nosso?  
Pai: É nosso é! Mas foi muito difícil convencer o ti Zé Maria! 
Chiquinho: Nunca pensei, como é que o convenceu a dar-nos o leão? 
Pai: Eu disse-lhe que tu gostavas muito dele, que estavas doente por causa do cão, que ele arranjava outro lá em Reguengos e mais isto e mais aquilo e acabámos por negociar! Disse-me que deu sete e quinhentos pelo cãozinho! Olha, acabou por me pedir dois litros de grãos, mas fechamos o negócio por um litro, mesmo agora lá os vou levar! 
Chiquinho: Vá, vá e leve-lhe muitos grãos, não nos tire ele o leão! 
Pai: Não tira, não! É um litro de grãos e mais nada! 
O pai do chiquinho foi entregar o litro de grãos ao ti Zé Maria por troca do leão que, passou a ser a paixão da casa, onde ficou durante muitos anos, até ao dia que desapareceu sem deixar rasto, deixando toda a família muito triste, terminando, assim, a lenda da troca do cão leão por um litro de grãos.  

Fim 




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